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Canteiro de obra na neve

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vinheta-clipping-navalO impacto ambiental do incêndio que destruiu a Estação Comandante Ferraz há um ano e, posteriormente, das obras de desmonte dos escombros e montagem de módulos emergenciais, não foi ainda totalmente mensurado, mas, certamente, não é desprezível. Num ambiente pristino, praticamente intocado, a brutalidade do fogo — com eventuais vazamentos de combustível — e a força do maquinário usado na remoção das estruturas calcinadas certamente devem cobrar um preço. Especialistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), de São Paulo, estavam na Península Antártica na semana retrasada, acompanhando os trabalhos.

Pelo Tratado Antártico, o Brasil não pode deixar nenhum tipo de estrutura no continente, precisa trazer tudo de volta. Já foram recolhidas 650 toneladas de aço de um total de 800, resultantes do desmonte. Todos os destroços estão sendo embarcados num navio cargueiro para o Brasil. O tratado estipula também que não pode haver nenhum tipo de contaminação ambiental. Para avaliar a extensão dos danos, os especialistas trabalharam no local durante mais de uma semana. “Estamos trabalhando em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente para a coleta de amostras de solo e de água subterrânea justamente para verificar impactos e possíveis contaminações”, explicou o geólogo Elton Glolden, da Cetesb.

A maior preocupação dos especialistas é com a hipótese de ter havido um vazamento maior, que alcance as águas subterrâneas da região. Com isso, poderia haver contaminação do mar. “Há várias técnicas de biorremediação que podemos usar, mas, em primeiro lugar, precisamos estabelecer o grau de contaminação, o tipo do contaminante e o meio”, disse Glolden.

Mas eles também estão orientando os 200 operários que trabalham na região terminando de desmontar a antiga estação e montando os novos módulos de emergência para que toda a movimentação seja feita de maneira sustentável, a despeito da presença de quatro tratores, uma pá carregadeira e uma tesoura mecânicana área. “O objetivo é que o manejo do combustível, o desmonte das estruturas queimadas e a montagem dos módulos emergenciais sejam feitos com o menor impacto possível”, afirmou.

A ideia, segundo o coordenador de atendimento a emergências ambientais do Ibama, Marcelo Amorim, é dar uma visão mais ecológica do processo: “o impacto é inevitável, mas tentamos tratá-lo de forma mais sustentável”.

Operação atípica

O Brasil mantém um efetivo permanente na Antártica desde 1982, quando começou o Programa Antártico. São 15 militares da Marinha, que. ficam por um ano na Estação Comandante Ferraz, dando todo o apoio logístico necessário à realização de pesquisas científicas no continente. Duas embarcações participam dos trabalhos no verão, quando a navegação na região é possível: o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel e o navio polar Almirante Maximiano. Além de transportar víveres e pesquisadores, os navios em si funcionam como laboratórios.

A atípica operação deste ano (que envolvia os trabalhos de remoção de escombros e montagem de módulos de emergência) levou à região mais três navios: o Germânia, que transportou os operários e trará para o Brasil as 800 toneladas de entulho da estação; a embarcação de socorro submarino Felinto Perry, de pesquisa e apoio logístico; e ainda o navio cargueiro argentino San Blas, que levou à Ilha Rei George os módulos emergenciais. A previsão é que até o fim de março os 39 módulos estejam montados, prontos para abrigar os militares que passarão o inverno por lá, apoiando as pesquisas. Somente este ano, são 20 projetos científicos.

antartica

 

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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