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Logística do país tem 33% do desempenho dos competidores

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Portos e Terminais Marítimos do Brasil - 3

vinheta-clipping-navalO Brasil precisaria aumentar em três vezes os índices de desempenho da infraestrutura de transportes nacional para chegar aos melhores níveis praticados pelos competidores internacionais do país, conclui estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que será apresentado hoje. “Os investimentos feitos nos últimos 12 anos na área de transporte estão muito aquém das necessidades”, comentou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “O que falta é uma gestão eficiente, muitos dos investimentos são feitos e acabam custando muito mais do que deveriam”, disse. “Falta planejamento, estratégia, seriedade e coragem para tirar as coisas do papel e fazer acontecer.”

O estudo da Fiesp constatou que a maior malha viária no país, a de rodovias, com uma média de 2,5 km por 10 mil habitantes, é, ainda, 43% menor que o padrão de excelência internacional, de quase 4,8 km por 10 mil habitantes.

Desde o ano 2000 o indicador brasileiro oscila em torno dos 50%. E esse é o item onde o Brasil tem menor diferença em relação ao padrão desejável, o chamado “benchmark”, no jargão técnico. O frete rodoviário, de US$ 51,75 para cada mil toneladas por km (em 2010, último ano com dados internacionais para comparação, pelo estudo da Fiesp) é 270% maior que a média de excelência mundial, de US$ 14.

“Temos rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos com defasagem, custos altos, tudo isso atrapalha muito a competitividade e o desenvolvimento do Brasil”, reclama Skaf. Os dados sobre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos foram reunidos em um único indicador, o Índice de desempenho Comparado da Infraestrutura de Transportes (IDT), que, em 2010 (o último ano da serie calculada pela Fiesp), chegou a 33%. Esse índice indica uma infraestrutura com um terço do desempenho existente nos países que mais competem com o Brasil no mercado internacional.

O IDT, calculado com base em dados das 50 principais regiões metropolitanas brasileiras, e 18 indicadores diferentes, é a primeira tentativa de quantificar a insuficiência e ineficiência da estrutura de transportes no país. “Nossa intenção, com o IDT, é fazer uma radiografia, não estamos apontando as politicas públicas a serem adotadas”, diz o diretor do departamento de infra-estrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti.

Ele comenta, porém, que, ao adotar marcos regulatórios que deixam ao setor público o planejamento e controle e ao setor privado a execução e gestão de obras e serviços, o governo caminha para enfrentar os problemas apontados pelo indicador da Fiesp. “O Brasil adotou, nos últimos anos políticas públicas muito consistentes, muito corretas no sentido defendido pela Fiesp”, disse Cavalcanti.

O caminho a percorrer é longo, no entanto, como apontam os indicadores de oferta, intensidade de uso, qualidade e custo da infraestrutura de transportes reunida pela Fiesp. O Brasil está bem servido de aeroportos, mas com baixa capacidade: em 2010, enquanto os melhores aeroportos mundiais abrigavam 88 pousos e decolagens por hora, os aeroportos da Infraero registravam 38. Esse número representa 43% do benchmark internacional, uma evolução dos 32% referentes ao IDT calculado para o ano 2000.

Os piores desempenhos do Brasil em relação ao padrão de excelência mundial são os relativos a ferrovias (20%) e hidrovias (21%). No caso do transporte ferroviário, embora a capacidade de transporte (tonelagem por quilômetro de linha férrea) seja equivalente ao benchmark internacional, a extensão da malha ferroviária está 93% abaixo do ideal, e o frete por ferrovia é quase 16 vezes maior que o melhor padrão praticado no mundo – no quesito frete ferroviário o benchmark internacional é de apenas 6% do custo brasileiro.

Cavalcanti comenta os altos custos de logística, que fazem, por exemplo, com que as mercadorias que levam 324 minutos para ser liberadas nos aeroportos de padrão mundial levassem quase 3,2 mil minutos nos aeroportos da Infraero, em 2010. O custo de se levar um contêiner de 20 pés da região metropolitana ao local da exportação era de, em média, US$ 621 mil no exterior e de quase US$ 1,8 mil no Brasil – indicador que, no começo de 2012, deve ter sofrido deterioração, com os engarrafamentos da safra nos gargalos logísticos do país. “Uma das medidas urgentes é fazer o desembaraço de carga 24 horas por dia, cargas de bilhões esperam nos portos e os funcionários públicos param de trabalhar às 17 horas”, critica o diretor da Fiesp.

FONTE: Valor Econômico/Sergio Leo | De Brasília

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Fernando TurattiPaulo CostaDenis Santanagiltigercolombelli Recent comment authors
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cristiano.gr
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cristiano.gr

Melhorar a logística deveria ser um esforço constante dos governos independente de partido e visão política. O governo atual vive tentando usar a OMC para favorecer as exportações, mas o principal entrave e que eleva os custos são as próprias burocracia, cobrança de impostos e falta de atividade em obras do próprio governo. Aumentar em muito as exportações, controlar a entrada de imigrantes – que vêm em busca dos empregos e oportunidades (e todas as bolsas) que deveriam ser só dos brasileiros – e diminuir as importações são um caminho promissor para erradicar a miséria e melhorar a posição do… Read more »

Blind Man´s Bluff
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O que o Brasil não tem de rodovias, ferrovias e hidrovias, ele têm em estádios de futebol, igrejas evangélicas, radares, cartórios e shopping centers!

Aurélio
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Aurélio

Para que o Brasil tenha: ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, geradoras termonucleares temos que forçosamente acabar com os ecoterroristas, a saber: ibama, funai, ongs ambientalistas que fazem apologia do atraso . Em nome de uma falsa preservação ambiental, boicotam todos os projetos que visam o desenvolvimento do país.

Farragut
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Farragut

Isso tudo sem mencionar a gestão das pessoas que trabalhariam direta e indiretamente nessa infraestrutura necessária.

Posso estar equivocado, mas não conheço planejamento que tenha definido, na abrangência adequada:
1. quais necessidades de pessoal, quando, em que quantidades, com que qualificações e em que locais deverão estar disponíveis.
2. seleção e regime trabalhista.
3. formação técnico-profissional e treinamento.
4. retenção.
5. previdência.

Marcos
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Marcos

Milho seco, saca de 60 kg

Preço pago no Mato Grosso: R$ 18,00/sc

Frete Mato Grosso – Paranaguá: R$ 20,00/sc

Na verdade é o produtor que deixa de receber esse dinheiro, que acaba não invertendo isso em novos investimentos. Acrescer a isso o câmbio sobrevalorizado do Real em relação ao dólar e o câmbio desvalorizado da moeda chinesa em relação ao Dólar.

Brasil Potência é isso: muita corrupção e má gestão.

Ferreras
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Ferreras

“frete por ferrovia é quase 16 vezes maior que o melhor padrão praticado no mundo – no quesito frete ferroviário o benchmark internacional é de apenas 6% do custo brasileiro”

Que existem custos e responsabilidade do governo não há dúvidas, agora 16 vezes, ai não se pode falar unicamente na burocracia/leis/impostos etc…

colombelli
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colombelli

Depois de 10 anos que teriam “transfomado o Brasil” cadê as reformas estruturais? Falaram em privatizar ( sempre tinham sido contra) e os cronogramas estão atrasados conforme noticiado esta semana. Aliás, quando os outros privatizavam era “entreguismo” quando eles privatizam, usando a mesma lei e princípios, ai é desenvolvimento. O fato é que a economia esta sendo artificalmente mantida aquecida ( estava aliás pois estamos em franc recessão) com crédito fácil, que gerou endividamento record e IPI reduzido, ambas fórmulas que não se sustentarão por muito tempo e o real, esta sim grande conquita esta a perigo. Pegaram o pais… Read more »

giltiger
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giltiger

Amigo o problema da logística é PAGAR por ela. Dependemos fortemente do modal rodoviário e temos uma legislação de trânsito que torna quase impossível a formação de novos profissionais caminhoneiros pelo custo das inúmeras etapas e exigências que faz ano a ano diminuir esta categoira junto com os baixos fretes pagos. Junte-se a isto uma legislação frouxa que permite a manutenção de uso nas estradas de caminhões de mais de três ou quatro décadas de fabricação e outros problemas de terminais e portos… Planos são sempre elaborados mas temos uma enorme quantidade de empresários acostumados a trabalhar exatamente assim e… Read more »

Denis Santana
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Denis Santana

“SORTE DE FRACASSADO” > Em um momento como esse com tantas dificuldades na Economia Global, com paises com uma ótima logística porém “ESTAGNADO”, sem crescer, muitos com deflação, saber que é a logistica que impede o crescimento do Brasil, não é uma noticia tão ruim e até diria positiva se tivesse-mos um governo sério e competente.

Paulo Costa
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Paulo Costa

Todo ano na epoca da safra de grãos tem este gargalo,depois melhora,
tambem teve greve portuaria,talvez o mais certo e barato,seja criar
novos corredores de exportação na região Norte,que tem grandes rios,
Madeira ,Tapajos,Tocantins ,diminuindo o transporte rodoviario,e aumentando a via ferroviaria e fluvial.

Fernando Turatti
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Fernando Turatti

Adorei o termo “ecoterroristas” usado por um comentarista acima, concordo plenamente… Mas o Brasil é todo errado, como pode um país desse tamanho não investir em ferrovias? Afinal, é mais negócio transportar grandes cargas por trem do que por caminhões.