sexta-feira, maio 27, 2022

Saab Naval

Em Defesa, governo alterna licitações com escolhas diretas

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

MBDA's CAMM missile inflight from Sea Ceptor system 2013 Copyright MBDA

ClippingNEWS-PANo setor bélico – ou, como se diz, na área de “Defesa” – as declarações são poucas, mas os comentários de pé de ouvido são muitos. Recentemente, Paris recebeu a Euronaval, feira de armamento onde os brasileiros participaram através da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa (Abimde). E não faltaram comentários de gente ligada à Base Industrial de Defesa (BID). No estande da BAe Systems, a Marinha do Brasil anunciou que suas futuras corvetas terão radares desse grupo inglês, em associação com a brasileira Bradar – de propriedade da Embraer e que foi contratada para produzir o radar Saber, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército para uso em instalações terrestres e detecção de alvos aéreos a curta distância.

Muita gente ficou perplexa ao saber que a Marinha não fez processos de seleção, seja para a escolha da fornecedora estrangeira, nem para a escolha da parceira nacional. Os críticos dizem que há alemães, australianos, franceses, italianos, suecos, israelenses e russos produzindo equipamentos similares ou até mesmo de tecnologia mais recente. E, por aqui, teriam condições de disputar o negócio brasileiras como Iacit, Mectron, Atmos, Omnisys e Avibras.

Uma fonte confidencia à coluna: “Um processo formal de seleção seria importante para não deixar qualquer tipo de dúvida quanto às escolhidas BAe e Bradar serem as que melhor atenderão às necessidades da Marinha do Brasil em termos de tecnologia de ponta, de condições de fornecimento, de transferência de conhecimento, de conteúdo local e de preço”. Para essa fonte, o fato de a Bradar ser uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) jamais poderia ser fator determinante, pois há outras nacionais que também são EED.

Em outro fórum – o Seminário de Proteção de Grandes Eventos, organizado pelo Exército brasileiro e pela Embaixada britânica – foi divulgado que o míssil de defesa antiaérea a ser colocado nas novas corvetas será fornecido pela Avibras em parceria com a gigante européia MBDA, que também tem a inglesa BAe Systems como uma de suas proprietárias majoritárias. O míssil Sea Ceptor, selecionado pelo Brasil, é o mesmo que foi recentemente adotado pela Marinha inglesa. Esta decisão também teria sido tomada sem que fosse conduzido processo formal de seleção.

Abrindo nova frente, a Marinha brasileira acaba de publicar contrato para a compra de outros tipos de mísseis da MBDA por 131 milhões de euros. Foi comentado com esta coluna: “Uma contradição estaria no fato de a Força Aérea Brasileira ter investido muito dinheiro, durante anos, na brasileira Mectron, para a produção de mísseis genuinamente nacionais. Além disso, continua gastando muito no desenvolvimento conjunto de moderno míssil ar-ar com a Denel, empresa sul-africana capacitada e experiente neste tipo de artefato. O investimento que já foi feito e o trabalho que vem sendo realizado por Mectron e Denel poderiam ser expandidos para resultar em míssil antiaéreo perfeitamente adequado às necessidades das novas corvetas e, posteriormente, aperfeiçoados para instalação nas futuras fragatas de grande porte. A vantagem em não adicionar novo míssil estaria na propriedade intelectual e no menor preço decorrente da evolução de tecnologias já transferidas e existentes no país. A Avibrás poderia continuar dedicada à sua comprovada vocação para desenvolver e fabricar os artefatos disparados através do Sistema Astros e destinados a ações contra alvos na superfície”.

Há que se elogiar que o governo brasileiro vem dando destaque ao rearmamento nacional, mas mantém uma política estranha, em que tanto abre licitações democráticas, como privilegia certas empresas nacionais e alguns gigantes estrangeiros sem maiores explicações, o que ocorreria se houvesse melhor diálogo com a elite empresarial nacional.

FONTE: Monitor Digital

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Gilberto Rezende

O problema aqui são dois : Marinha tem uma cultura MUITO diferente da Aeronáutica e deseja, na maior medida possível, não ser mais uma vez SUBORDINADA as prioridades da FAB. Por décadas a MB não pode operar aeronaves de asa fixa por causa da Aeronáutica e isso jamais será esquecido. Quem bate esquece quem apanha lembra… Não que esta aproximação não possa ocorrer até porque por causa justamente da vitória do Gripen no F-X2 a possibilidade de mobiliar o Mod NAe A-12 com o Mar Gripen BR é do interesse maior da MB. A MB tem cadeia logísticas muito mais… Read more »

eparro

Ao que me parece nem há realmente um destaque do governo brasileiro para o rearmamento e nem há uma verdadeira política de governo neste sentido, haja vista os contingenciamentos que as FFAA vêm sofrendo nestes últimos 2-3 anos. Parece-me que ocorrem sim “esperneios” para determinados projetos em andamento do que propriamente uma política de investimentos para suprir a inovação/renovação das FFAA. Daí esse “bumba meu boi” que ora as FFAA se alinham em determinado equipamento e ora escolhem pragmaticamente os equipamentos que lhes “agradam”; quando não têm que engolir algum “fantástico equipo” definido por prioridades políticas. Salvo ledo engano, sem… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini

A reportagem parece ignorar (de maneira proposital ou acidental, tanto faz) que, independentemente de haver ou não um processo de concorrência, há processos de seleção e avaliação das opções. No caso dos mísseis, por exemplo, o texto faz uma salada entre modelos ar-superfície e superfície-ar, sendo que no caso dos primeiros qualquer leitor costumeiro do Poder Naval sabe que a Marinha busca, justamente, manter um padrão de fornecedor e de processo de nacionalização que inclui empresas que o texto considera deixadas de lado e, nos caso dos últimos, houve um processo interno de avaliação e seleção (além de ser necessário… Read more »

Leonardo Pessoa Dias

Nunão, obrigado pela já costumeira sobriedade e inteligência.

Antes mesmo de acabar de ler a matéria, fica quase evidente que é uma “reclamação velada”, quase que evidentemente cumprindo um papel e usando de técnicas de denuncismo.

Me surpreende o PA dar espaço para esse trabalho de desinformação ativa.

eparro

Leonardo Pessoa Dias 13 de novembro de 2014 at 19:16 #

Olha Leonardo, permita-me discordar.
Penso que também é bom conhecer notícias deste tipo sim. Acredito que isto sirva ao menos de atenção sobre aquilo que se noticia sobre as FFAA; inclusive para fazer chegar aos leigos (onde me incluo), pois isto ajuda a diferenciar joio e trigo.

Leonardo Pessoa Dias

Oi esparro, Não concordo com o que você disse, mas vou defender o direto de dizê-lo até o fim 🙂 Meu ponto de vista é simplório: esta matéria foi escrita para disseminar a ideia que as seleções da MB são obscuras. Mas meio segundo de pesquisa sobre os processos colocados esclarece esta presunção, que hoje (após este processo eleitoral tosco) virou moda: denuncismo. Este mesmo discernimento que o Nunão colocou (que muito me admira não estar como nota do editor) nem todos alcançam, o que rapidamente viraria uma palavra de ordem, de fundo político, contra esse ou aquele partido ou… Read more »

juarezmartinez

eparro 13 de novembro de 2014 at 20:09 # Leonardo Pessoa Dias 13 de novembro de 2014 at 19:16 # Olha Leonardo, permita-me discordar. Penso que também é bom conhecer notícias deste tipo sim. Acredito que isto sirva ao menos de atenção sobre aquilo que se noticia sobre as FFAA; inclusive para fazer chegar aos leigos (onde me incluo), pois isto ajuda a diferenciar joio e trigo. Olá eparro, tudo bem?? Tchê, li teu post anterior ao que copiei aqui e achei muito lúcido até mesmo para um leigo como te te colocaste, uma escessão a regra dos “leigos”, mas… Read more »

Gilberto Rezende

A época que cada força fazia o que queria acabou, tudo tem de ser negociado e em certa medida estamos vivendo uma longa e gradual transição para um modelo similar aos das forças armadas americanas onde a política militar e de orçamento, as vezes, obrigam as FFAA ao recebimento de equipamentos não desejados, em quantidades divergentes ou impostos por decisões políticas. Cada vez mais as FFAA tem de conversar entre si e se acertar antes para negociar com o ministério da Defesa e depois com a área econômica e/ou com o congresso. A ‘mágoa naval” é algo a ser superando… Read more »

Victor Matheus

Olá!
OFF TOPIC:
Russos se movimentam próximo à Austrália.
http://oglobo.globo.com/mundo/australia-vigia-navios-de-guerra-russos-na-fronteira-do-norte-do-pais-14548452

E quanto ao tópico, acredito que a MB saiba o que está fazendo.
Att.

eparro

juarezmartinez 14 de novembro de 2014 at 8:01 #

Andas sumido “índio velho”! Mas te agradeço juarezmartinez pelos esclarecimentos, sempre assertivos. Tomarei tenência.

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