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Fechando o flanco aberto da Amazônia Azul

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Belgrano (2)
O cruzador argentino ARA General Belgrano fotografado depois de ser torpedeado pelo submarino de propulsão nuclear britânico HMS Conqueror

O emprego de redes de sensores e minas navais contra submarinos

 Por Marcelo Souza Besser*

A Guerra das Malvinas foi decidida 2 de maio de 1982 pelo submarino nuclear HMS Conqueror ao afundar o cruzador General Belgrano, o maior navio da Armada Argentina, com sua tripulação – metade das perdas humanas argentinas na guerra. Dois dias depois, a Argentina fez um ataque aéreo rasaste brilhante com mísseis Exocet utilizando outra esquadrilha como chamariz, afundando o destróier HMS Sheffield, mas mesmo assim, já não tinha chances de vitória.

Uma primeira conclusão a qual um país sul-americano poderia chegar, a partir da Guerra das Malvinas, seria querer uma arma dessas para si. Porém, uma conclusão muito mais importante seria que ali foi claramente demonstrada a Ordem de Batalha para ações contra as costas da América do Sul na doutrina militar, igualmente valida para qualquer potência sediada fora do subcontinente.

HMS Sheffield 2
Destróier HMS Sheffield depois de atingido por um míssil AM39 Exocet lançado por jato Super Étendard da Aviação Naval Argentina

A estratégia brasileira para a Amazônia Azul e o litoral é indefesa contra um submarino moderno, ou uma frota, que seria a primeira arma usada para nos ameaçar. As distâncias continentais tornam o submarino muito mais útil que um ataque aéreo, para um ataque surpresa. Um bombardeio estratégico, além de exigir uma  esquadrilha de reabastecimento, entraria – mas dificilmente depois conseguiria sair – do hemisfério. Apenas um ICBM estaria a salvo do abate. As distâncias continentais proporcionam um tempo de reação muito maior do que, por exemplo, no Hemisfério Norte ou na Europa e Oriente Médio.

O relativo isolamento geográfico nos permite um tempo de resposta maior para ataques aéreos, nosso tamanho opera a nosso favor, desde que tenhamos o Sivam ou equivalente em funcionamento e esquadrilhas de interceptação de prontidão nos principais centros – mesmo que subsônicas e de fabricação nacional, porém com armamento e contramedidas de ultima geração, conforme for o caso, em apoio de caças supersônicos. A aviação brasileira empregaria com sucesso mísseis com guiagem térmica contra jatos stealth, o que porém exigiria para surtir efeito salvas com muitos disparos e, claro, exigindo esquadrilhas inteiras. Um contra-ataque dispendioso e de baixa eficiência, mas melhor que nenhum.

A forma mais prática de fazer um ataque surpresa aqui envolverá, geralmente, o uso de submarinos nucleares. É a arma que permite a aproximação sorrateira até se encontrar a distância de ataque. Sempre que qualquer potência for nos atacar, o ataque inicial deverá ser desta forma. O posicionamento de uma flotilha de submarinos nucleares de última geração (com mísseis de cruzeiro) ao largo da costa, colocará todos os centros urbanos relevantes – inclusive Brasília – sob raio de tiro e, assim, bastará para efetivamente render o país, que ficaria refém do agressor.

Concepção do submarino com propulsão nuclear Álvaro Alberto
Concepção do submarino com propulsão nuclear Álvaro Alberto

 

O litoral esconde um meio opaco dentro do qual pode-se navegar sigilosamente até quase nossas praias, sem temor de detecção. Imagine o seguinte cenário: um belo dia, amanhecemos com uma pequena frota de submarinos nucleares de ultima geração – os de verdade, com mísseis de cruzeiro – ao largo do Rio de Janeiro, em atitude beligerante. Não haverá tempo de lançarmos submarinos, mesmo que tivéssemos um submarino nuclear com armamento convencional, como o planejado, de prontidão no cais. Mesmo que o fizéssemos, dificilmente a situação seria revertida. Com efeito, já estaríamos rendidos.

O mar é muito grande e controlar a entrada de submarinos alheios, usando uma frota de submarinos, exigiria um grande número deles em mobilização permanente. Talvez por isso que o embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, tenha chamado de “elefante branco” e uma “obsessão ridícula” o submarino nuclear brasileiro. Seria praticamente inútil contra os submarinos nucleares de uma potência agressora. Serviria apenas para intimidar forças navais de países menores – como os dos nossos vizinhos sul-americanos, por exemplo.

Assim, a estratégia para a defesa litorânea e da Amazônia Azul sofre de uma lacuna fundamental. Há um flanco aberto grave e essencial que põe a perder todo o resto da estratégia. A capacidade dissuasória que nossa pequena frota apresenta basta para garantir a paz regional, mas é pífia contra qualquer potência. Além dos recursos naturais nela presentes, as águas territoriais são uma importante área tampão, aonde precisamos ter a capacidade de negação de acesso. A melhor proteção contra um submarino nuclear alheio, porém, não é outro submarino nuclear, exceto se a frota fosse mantida em patrulha permanente. Tratando-se de um território marítimo, não basta monitorar acima da superfície, quando o que mais importa fica abaixo dela. A implantação de capacidade – não dissuasória mas de negação de acesso – sobre um território não disputado sobre o qual se tem soberania, é absolutamente necessária.

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Meios de Guerra Antissubmarino – ASW

A boa noticia é que a guerra antissubmarino é singularmente desigual no tocante ao custo do lado atacante e do que defende; redes de minas e de sonares e helicópteros equipados com torpedos inteligentes antissubmarino, não se comparam ao custo de um submarino moderno. Enquanto investimos somas volumosas na equipagem de um instrumento de ataque que permita uma reação – o submarino nuclear nacional – não nos equipamos nos procedimentos comparativamente muito mais econômicos e de maior custo-benefício que nos permitem de fato evitar ou conter agressões similares – o submarino nuclear de uma potência agressora. Se um submarino é uma das armas mais caras que existem e com utilidade apenas em situação de guerra, seu antídoto natural é o dispositivo naval mais econômico que existe, e o com melhor custo-benefício.

As modernas redes de sensores e de minas acionadas por controle remoto, com diversas opções disponíveis no mercado, proporcionam a capacidade de negação de acesso sobre um território naval. As redes de sensores são essenciais para o  controle de uma área submarina; as redes de minas acionadas por controle remoto são reconhecidas em diversos artigos como sendo ideais para a estratégia naval defensiva, especialmente litorânea. Elas permanecerão, ocultas e dormentes, até o momento de uma eventual agressão.

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A vulnerabilidade diante das minas é tema freqüente de artigos em revistas navais das diversas potências.

“De fato, minas marítimas são fundamentais para as capacidades de negação de acesso das marinhas regionais e suas estratégias e operações de controle do espaço naval. (…) Minas e IEDs subaquáticas são fáceis de adquirir ou construir e são baratas, mas seu baixo custo não reflete seu potencial de dano. Com custos de apenas algumas centenas a milhares de dólares, são as armas de escolha para as “marinhas pobres” proporcionando um excelente retorno sobre o investimento: baixo custo, mas grande efeito. Em 18 de fevereiro de 1991, por exemplo, o cruzador Aegis de um bilhão de dólares USS Princeton (CG 59) foi avariado por uma mina de fundo italiana de influência classe Manta, lançada  pelo Iraque, ao custo de cerca de 25 mil dólares, e tirou de ação o navio durante o período da Operação DESERT STORM e posteriormente. (Ref 1)

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A mina Asteria EM57 de controle remoto para uso em rede, vendida pela Itália, é considerada a primeira mina por controle remoto comercialmente disponível.

Pode ser comprada em quantidade e em médio prazo, ser fabricada localmente por engenharia reversa. As redes de sensores e minas controladas remotamente são atualmente a melhor e mais avançada estratégia naval defensiva. As minas distinguem entre meios amigos e inimigos  – Identification friend or foe (IFF) capability – e as caixas das minas são anti-magnéticas, camufladas, semi-enterradas. As minas ficam dormentes até serem ativadas e lançam torpedos para os alvos (EM57); outras soltam minas-torpedos com raio de centenas de quilômetros (EM56).

Também existem minas chinesas similares próprias para profundidades costeiras, além das PMK-2 russas, lançáveis por submarino e próprias para profundidades abissais e, em caso de tensionamento, as próprias redes da EM57 podem ser ampliadas rapidamente, lançadas por avião.

Dispositivo de detecção da Asteria
Dispositivo de detecção da Asteria

As EM57 permanecem no fundo do mar, camufladas não-magnéticas e ocultas, em profundidades de até 100 m. São acionáveis por controle remoto por cabo enterrado a qualquer distância, ou por sinal acústico a até 30 km de distância, emitido por submarino, navio, base costeira, ou de dispositivo camuflado no leito do mar, e disparam torpedos na direção do alvo agressor. Ficam ‘dormentes’ até serem acionadas. Têm vida útil na água, após a qual devem ser trocadas, de seis meses (estas têm vida útil menor que as antigas, que costumam durar um ano na água), realçando a necessidade de fabricação local em médio prazo. Traçando-se linhas de perímetro ao redor das capitais litorâneas, e eventualmente, fixar minas lança-torpedo na parte inferior de plataformas marítimas em águas profundas distantes. Assim, pode-se proporcionar uma defesa concreta e de negação de acesso contra as frotas de alta tecnologia, garantindo uma primeira reação a tempo de se mobilizar as demais forças.

O desenvolvimento de minas e sensores (sonares passivos IFF) de fabricação nacional para uso em redes litorâneas e ao redor de ativos offshore seria o ideal.

Assim, propõe-se adotar medidas para “fechar a porta dos fundos” da Amazônia Azul, a partir do uso do  subsolo marítimo em uma rede, em grande parte cabeada com os cabos enterrados, com amplas redes de sensores e de redes menores de minas antissubmarino controladas remotamente, com todos os elementos camuflados, semi-enterrados e com caixas não-magnéticas.

O emprego da força naval ASW (Anti-submarine warfare) está, até mesmo, muito mais alinhado com a doutrina militar brasileira, basicamente defensiva, do que o próprio desenvolvimento de uma frota de submarinos nucleares. Há que se considerar o custo–benefício, outra tradição das nossas forças. Neutraliza-se um equipamento agressor caríssimo utilizando instrumentos que custam uma fração. Mais importante,  preserva-se o princípio da defesa legítima e não-agressão que a força ASW apresenta quando usada em águas territoriais, observando todos os melhores princípios da Lei Internacional. O componente que falta para efetivamente concretizar a aspiração estratégica do domínio naval da região da Amazônia Azul envolverá o desenvolvimento de uma força ASW nacional de ultima geração, que implicará em longo prazo uma industria nacional de fabricação dos equipamentos ASW (redes de minas torpedeiras de acionamento remoto, redes de sensores e, em um segundo momento, torpedos antissubmarino inteligentes e helicópteros).

Helicóptero SH-16 Seahawk e NPaOc Apa

Por fim, esquadrões de helicópteros antissubmarino, com grande autonomia e longo alcance, complementariam o aparato, tanto permitindo atacar em áreas onde houver sensores, mas não minas, bem como advertir eventuais invasores sobre as leis de passagem inocente. Um protocolo defensivo padrão seria acionar o sistema quando houvesse passagem não-programada de um submarino; se parecer ser um movimento de rotina, pode-se apenas escoltar o submarino até o limite das AJB – Águas Jurisdicionais Brasileiras.

A lição a aprender com a Guerra das Malvinas não é que o submarino nuclear ‘desarmado’ nos colocaria em pé de igualdade com as potências, mas que essa é a Ordem de Batalha das potências navais para o Atlântico Sul e será esse primeiro movimento de qualquer potência que deseje intimidar um país da América do Sul. A defesa moderna e eficaz contra os submarinos nucleares alheios – muito mais do que a sua posse – é de real relevância estratégica para o país. Assim, ficaria fechada a principal vulnerabilidade nacional – que é seu imenso litoral e a possibilidade de intimidação ou ataque por submarinos – repetindo o que aconteceu nas Malvinas com a Armada Argentina, que ficou retida nas bases após o ataque de um submarino com propulsão nuclear.

*É jornalista e tradutor cientifico ligado ao INCT/PPED – UFRJ.

Referencias

NOTA DO EDITOR: a opinião do autor não representa necessariamente a opinião do corpo editorial do site Poder Naval.

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Soldat
Soldat
3 anos atrás

Ótima matéria..concordo com ela!.

Sei que sub nuclear é o ideal mas no caso do Brasil por motivos financeiros(se os Âmis deixarem é claro), o Brasil deveria fazer compra de Prateleira e compra no minimo para começar a proteger o litoral Brasileiros uns 10 U-boot Alemães o” U-214 “seria o ideal para ter uma defesa eficaz poie ele foi feito para patrulha e guarda de litoral.

A doutrina do Almirante Karl Dönitz estava certo em relação a defesa, o almirantado Brasileiro
deveria se espelhar nele.

Claudio Moreno
Claudio Moreno
3 anos atrás

Soldat boa tarde!

Concordo contigo em gênero, número e grau. Não faz tempo disse o mesmo, a discordância minha está somente no número de submarinos SSK. Penso que o mais sensato e para médio prazo seria 15 SSK com AIP.
Se um dia tivermos condições de lançar o SNB que bom…

CM

Lúcio Sátiro
Lúcio Sátiro
3 anos atrás

Excelente Artigo, eu realmente pensava nesse tipo de redes anos atrás.Mas eu pensei também em microfones subaquáticos para águas profundas dispostos , segundo a capacidade tecnológica do fabricante, de 10 em 10 ou 20 em 20 milhas que pudessem detectar e nos alertar sobre qualquer navio de superfície ou submarino que cruzassem nossas águas.

Zefiris
Zefiris
3 anos atrás

Acho submarinos convencionais mais condizentes com a realidade brasileira. Além do mais, os SSN são mais passíveis de detecção, especialmente dentro dos limites da plataforma continental.

Adriano Luchiari
Adriano Luchiari
3 anos atrás

Artigo pra matar de raiva os defensores de SubNuc e NAe. Parte da estratégia de defesa naval que sempre compartilhamos nesse e outros fóruns: escoltas e NaPaOc’s com aviação orgânica, SSKs e aviação de patrulha baseada em terra.

carvalho2008
3 anos atrás

Materia excepcional, muito boa!!!! . Sobre nós, isto faz todo o sentido, embora ainda seja duvida para mim como abarcar toda o raio de curva hipotetico que um SubNuke poderia adotar de posição de tiro….o tamanho teorico da rede teria de ser imenso…cobertura dificil mesmo que com minas e sensores…. . Outro ponto, e que podem me achar maluco e rei dos puxadinhos….mas acredito piamente que Airships poderiam voltar a operar. Eles inclusive casam perfeitamente com o cenário desta rede submarina de sensores e minas remotas. . que outro vetor poderia lhe dar 7 a 10 dias de operação ininterrupta?… Read more »

Ádson Caetano Araújo
Ádson Caetano Araújo
3 anos atrás

Só uma dúvida. Os Scorpenes em construção viram ou não com o sistema MESMA?

Ádson Caetano Araújo
Ádson Caetano Araújo
3 anos atrás

virão*

Caio
Caio
3 anos atrás

Ótimo artigo! que com certeza não chega aos cérebros dos nossos comandantes militares em especial da marinha.
A colocação de minas é uma estratégia antiga masainda viável e barata, bons helicopteros anti sub e no mínimo do mínimo uma dúzia de submarinos convencionais, são opções muito mais inteligentes do que este submarino nuclear, que vem sendo construído desde a quase trinta anos, com custos dignos da bandalheira nacional.

Bardini
Bardini
3 anos atrás

Agora, abarrotar o Atlântico sul de minas e sensores virou a solução para conter um ataque sabe-se lá de quem. OTAN? USA? Chinas? fala sério… . O que a MB precisa é de patrulhas. OPVs e IPVs, aos montes. Começar a mostrar bandeira, coisa que não o faz na sua jurisdição, quem dirá em toda nossa região de influência. Essa conversa de que minas seriam uma saída ideal, com o canto da seria de que seria “barato” investir mundos e fundos para dificultar a ação de SSNs, olha… Conversa de vendedor. . A MB já está mais do que enrolada… Read more »

Ivany Junior
3 anos atrás

Discordo terminantemente. O uso de minas de acordo com os novos meios detectores/varredores tem sua eficácia bem reduzida nos dias de hoje. Um simples sub-drone pode varrer rapidamente uma grande área.
Não da pra mina fazer trabalho de escolta, bem como, 1 sub nuclear será pouquíssimo (ainda mais que irá operar com certa classe de insubmersíveis convencionais).
Querem tapar o sol com a peneira, e por sua vez, tapar a peneira com pano furado.
.
Maionese bad trip never ends.

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Pra mim totalmente sem cabimento esse artigo, principalmente tendo em vista o cenário que o própria artigo nos traz, que é o de um ataque com mísseis cruise. Submarinos nucleares podem nos atacar muito além da nossa plataforma continental onde essas minas seriam inúteis.
Sem falar que haveria protestos da comunidade internacional se formos instalar minas dormentes ao longo de nossa costa.
Esse tipo de arma (rede de sensores e minas de controle remoto ou torpedos cativos, como se queira) funcionam para regiões específicos do globo e não ao longo da costa brasileira.

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Os nossos portos já são uma lástima. Só falta mesmo minar a nossa costa. Aí realmente vai ser o fim da picada.

_RR_
_RR_
3 anos atrás

Primeiro de tudo, a menos que o próprio adversário esteja pensando em negar o uso dos recursos em si para nós, não acho que alguém vai simplesmente pegar o pré-sal e por nas costas; e menos ainda rebocar trocentas plataformas por milhares de quilômetros de mar para colocar bem no nosso cangote… . “Sempre que qualquer potência for nos atacar, o ataque inicial deverá ser desta forma. O posicionamento de uma flotilha de submarinos nucleares de última geração (com mísseis de cruzeiro) ao largo da costa…” . Misseis de cruzeiro normalmente não resolvem sozinhos a questão… Considerando haverem sistemas antiaéreos… Read more »

Lyw
Lyw
3 anos atrás

Creio que nem 8 nem 80. Deveríamos ter a capacidade de, caso necessário, rapidamente minar inúmeros pontos estratégicos próximos a nossa costa. Isto obrigaria o inimigo a atacar de longe com ICBMs, aí entra a necessidade de:

1. Uma defesa antiaérea;
2. Capacidade de localizar alvos no mar e ataca-los, seja com aeronaves de patrulha seja com submarinos (aí o nuclear seria interessante).

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Quanto tivermos dinheiro e foco para instalarmos minas na costa brasileira os potenciais inimigos terão mísseis cruise capazes de nos atacar a partir do Pacífico.
Aliás, os russos alegam que seus mísseis convencionais 3M14 Kalibr têm 2500 km de alcance o que em tese já o habilita a atingir Brasília a partir do Pacífico.

Corsario137
Corsario137
3 anos atrás

Nações que possuem um subnuc: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. Não acredito que nenhum desses países queira iniciar um conflito armado com o Brasil. Não há motivos aparentes para imaginarmos tal ameaça. Se os EUA quiserem eles entram onde quiser no mundo e não vai ser as minas ou o que quer que seja que vai resolver isso. Os demais países citados estão com sua capacidade bélica ou na goela, ou abaixo do necessário, para manter seus compromissos de defesa atualmente e pelas próximas 2 décadas. Sim, o nosso SUBNUC (se sair do papel algum dia) é para… Read more »

Corsario137
Corsario137
3 anos atrás

E vamos combinar? Muito melhor invadir a Venezuela decadente e que possui a maior reserva de petróleo do mundo a 1 pé de profundidade do que tomar esta bosta de pré-sal que nem interessados no leilão aparecem. O custo de um conflito bélico a tal distância não pagaria nunca os parcos lucros de uma operação de extração dessa magnitude. Agora que já morreu este mito que vão invadir a Amazônia pra roubar a água que está acabando no planeta, falta criatividade para os lunáticos ufanistas de plantão criarem o novo TO de Guerra no Brasil. Vejam os senhores a desgraça… Read more »

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Corsário,
Não seja tão pessimista, além do pré-sal e da Amazônia ainda temos o nióbio, as terras raras, a área agricultável, o aquífero guarani, e as mulatas do Sargentelli.
Todos querem o Brasil!!!
O povo então é maravilhoso!!!
Rsrsss

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Carvalho 2008, Eu tenho a impressão que dirigíveis não são bem vindos para operações navais por conta de sua fragilidade em mal tempo. Eles voam baixo, geralmente abaixo de 2000 metros, e estão sujeitos a mal tempo. Fossem seguros e com certeza estariam sendo utilizados. Uma ótima utilização, ao meu ver melhor que a ASW, seria como aeronave radar (AEW). Tivessem uma autonomia de umas 4 semanas e podendo ser reabastecidos em navios e teriam grande utilidade complementando ou mesmo substituindo aviões AEW. Dois ou três manteriam uma vigilância a grande altitude praticamente constante. Mudando de pato pra ganso e… Read more »

Nonato
Nonato
3 anos atrás

Corsário.
Há uma diferença importante entre o combate ao EI e um ataque a um exército regular, a um governo.
Lá, são guerrilheiros, espalhados, e se multiplicam igual a ratos.
Um exército regular, basta atacar a capital, o palácio do governo, as principais bases aéreas, bases navais. Pronto. Poucos países resistiriam.
A população não vai à guerra.
Não há milícias internas treinadas.

Carvalho2008
Carvalho2008
3 anos atrás

Mestre Bosco, . O equipamento rebocado que você menciona já Existe! É o Valkirie um drone girocoptero rebocado pelo navio a tela altura teórica de 5000 pés http://www.popsci.com/technology/article/2013-04/is-navy-bringing-back-autogyro Quanto ao airship ele foi muito bem utilizado por décadas sem estes registros de quedas por tempestades. Não se esqueça 1ue são rápidos 120 km/hora e com plena capacidade de contornar formações atmosféricas adversas. Existindo ainda as categorias estruturais de se mi rígidos e rígidos. Porque não se produzem mais? Acredito que seja justamente pelos caminhos evolutivos adotados e instalados.

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Carvalho, Beleza! Vou me inteirar desses Valkirie! Quanto aos dirigíveis, também sou fã deles e gostaria de vê-los de volta. Se não tiverem restrição quanto ao mal tempo pra mim é uma incógnita a resistência à sua volta, tanto para finalidades civis quanto militares. Outro conceito que deveria voltar é o dos ekranoplanos, principalmente em relação ao transporte de grandes cargas sobre o mar. Havia conceito de ekranoplanos com capacidade de 1000 t de carga que só podiam voar sob o mar (no máximo a 30 metros de altura quando completamente carregados). Ele iriam revolucionar o transporte aéreo/naval. Um abraço.

Mahan
Mahan
3 anos atrás

Se o SubNuc não saiu até hoje é porque não investimos o suficiente. É claro que SSN são peças chaves para defesa do oceano que banha o Brasil, para ataque a outros SSN, navios de superfícies e se armados com misseis para atingir alvos terrestres próxima à costa do adversário, serão ainda mais eficientes na dissuasão. Não acredito em minas para defesa. Não existem regiões de passagens estreitas em nosso litoral, vamos lança-las por milhares de quilômetros de costa?? O inimigo nem precisa de SUbNuc, os sistemas AIP combinados com mísseis de cruzeiro como os Sub Russos bastariam para qualquer… Read more »

_RR_
_RR_
3 anos atrás

Bosco ( 17 de novembro de 2016 at 0:23 );
.
http://exame.abril.com.br/ciencia/google-aposta-em-dirigiveis-para-substituir-satelites-espaciais/
.
Eis uma ideia que considero interessante… Abre consideráveis perspectivas em comunicação e vigilância.

carvalho2008
3 anos atrás

Os Americanos possuem um projeto de sensoreamento bem mais sofisticado, inclusive contra misseis balisticos taticos. Trata-se do programa Jlens em que balões de 70 metros estaticos e aerodinamicos similares a dirigiveis são içados de forma cativa a até 3 mil metros. O objetivo é cobrir lacunas da aviação de patrulha de forma bem mais barata.
comment image

Dalton
Dalton
3 anos atrás

“O mar é muito grande e controlar a entrada de submarinos alheios, usando uma frota de submarinos, exigiria um grande número deles em mobilização permanente.” . Foi o que achei mais interessante e verdadeiro…o número de submarinos devidamente armados e treinados sempre será uma fração do número total e embora em caso de emergência um número maior possa ser disponibilizado isso seria apenas por pouco tempo, pois à medida que os submarinos precisem retornar à base um número menor irá ocupar o lugar deles. . Não à toa existe uma máxima, um tanto imperfeita, mas, razoável que diz que para… Read more »

Marcelo Andrade
Marcelo Andrade
3 anos atrás

No escopo do SisGAAz, se é que um dia este projeto sairá do papel em sua plenitude, existe a possibilidade de instalação de uma rede de hidrofones na Plataforma Continental, complementando com o Comcotram.

zeabelardo
zeabelardo
3 anos atrás

Haja mina para a costa brasileira. Voyage dans la mayonnaise. Que eu entenda, a finalidade da minagem é restringir temporariamente a operação do inimigo em determinada área. A marinha produz minas nacionais de influência acústica e magnética. Salvo contrário senso, é justamente uma das áreas de conhecimento que dominamos.

zeabelardo
zeabelardo
3 anos atrás

Bardini,
Sem diminuir uma letra do seu post, acrescentaria mais um esquadrão P3 para a FAB. Localiza e ataca alvos de superfície e submarinos. Mísseis harpoon, cargas de profundidade e m46 são bons argumentos.

Delmo Almeida
Delmo Almeida
3 anos atrás

A primeira parte, que fala da nossa proteção natural por estarmos longe de tudo e de todos e isso torna mais difícil um ataque, é chamado de “Stopping Power of Water”! É muito aplicado para entender o desenvolvimento da Inglaterra e dos EUA. . Dalton, essa máxima explica perfeitamente a doutrina dos franceses e britânicos de manter 4 SSBN. . Bosco, concordo plenamente! O autor viajou! Uma mina pode até ter um custo baixo, mas quantas são necessárias para minar o litoral brasileiro? Mais de 10 (sic)!!! . O Sub é o negador do uso do mar por excelência. Quantas… Read more »

Negrão
Negrão
3 anos atrás

Fiquei com pulgas atrás das orelhas, essas minas, microfones subaquáticos ou sistemas subaquáticos não correm o risco de serem arrastadas ou se chocarem com apetrechos pesqueiros?

groosp
groosp
3 anos atrás

Bosco, esse sistema usa uma pipa para colocar um sensor de até 150 libras a 1500 pés.
http://www.darpa.mil/news-events/2015-09-24

Charles Freitas
Charles Freitas
3 anos atrás

Bosco teria utilidade um sistema composto por bóias oceanicas com conexão via satélite e alimentadas pelo sol e pelo efeito pendulo e submerso um sonar ativo ou passivo que a cada determinado intervalo executa a escuta e envia os dados cru(raw) para o satélite e daí a base fica responsável por processar o áudio.
Se hoje existem bóias meteorológicas acho que isso seria possível.

Nonato
Nonato
3 anos atrás

Tenho a mesma dúvida, Negrão.
Na verdade, nunca entendi como se dá a guerra antisubmarino.
Se os submarinos ficam escondidos, um navio e helicóptero só têm utilidade se souberem mais ou menos a localização daquele.
Para a detecção em extensas áreas como a nossa acho que não existe meios eficazes.
A não ser esperar o primeiro disparo, que hj pode ocorrer submerso.

Ádson
Ádson
3 anos atrás

Off tópico
Já que ninguém respondeu perguntarei de novo. Alguém sabe se os nossos Scorpene virão com o sistema MESMA? Li um comentário em outro site que viriam sem o sistema. Caso seja verdade o por que da Marinha abrir mão de um sistema como esse que até é superior ao AIP?

Dalton
Dalton
3 anos atrás

Delmo… . só complementando…britânicos e franceses tem 4 SSBNs, mas, além da máxima que citei, um em missão, outro treinando e capaz de juntar-se ou substituir o que está em missão em caso de necessidade, um em manutenção de rotina e o quarto passando por manutenção mais complexa,funciona…mas também porque há duas tripulações …no caso da Royal Navy são chamadas de “Port” e “Starboard” no caso francês, “azul” e ” vermelha” e no caso da US Navy “Gold” e “Blue”. . Os franceses também empregam duas tripulações para seus submarinos de ataque, hoje classe “Rubis” e futuramente para seus novos… Read more »

Dalton
Dalton
3 anos atrás

Adson… . “MESMA” é o “AIP” francês…os submarinos brasileiros não serão equipados com ele ao invés serão um pouco maiores que o “scorpene padrão” com maior capacidade para estocar mantimentos, maior capacidade de baterias e diesel, tudo visando um maior alcance. . A marinha fez estudos e concluiu que as dificuldades logísticas para operar com “AIP” não compensariam e/ou não seriam ideais para o teatro de operações, ao menos na época da assinatura do contrato, ainda mais com o objetivo final de se ter submarinos de ataque de propulsão nuclear. . abraços

Bosco
Bosco
3 anos atrás

Afrodescendentão e Nonato, Esses sistemas de sensores em geral ficam leito submarino. As minas idem. São (em geral) torpedos cativos que ficam no leito e que são liberados (como a antiga CAPTOR americana) caso detectem a presença de um submarino. No caso seriam acionadas por um cabo submarino. – Ádson, Nunca foi cogitada pela MB utilizar submarinos com AIP. Eles não terão nem o sistema MESMA. – Charles, Esse tipo de sensor flutuante, diferente dessas boias meteorológicas ou de navegação se tornariam um perigo à navegação já que não seria de fácil localização. Sem falar que seriam necessárias “centenas” delas… Read more »

Control
Control
3 anos atrás

Srs

O autor parece desconhecer a geografia e a matemática, senão teria visto que há uma inconsistência básica nos argumentos definida pelo número de sensores e minas para atender o requisito, o que leva, é claro ao velho problema custos. O Atlântico Sul é grande e o número de sensores e minas seria uma enormidade.
Sds

MadMax
MadMax
3 anos atrás

Esquisito minar o litoral todo para se defender sabe-se lá do que, sabe-se lá quando.
Acho que precisamos de meios de superfície primeiro para tratar dos nossos problemas de hoje, e qual é, tráfico de armas e drogas, depois agente trata desse tipo de “ameaça” do sabe-se lá quando, sabe-se lá do que.

Adriano Luchiari
Adriano Luchiari
3 anos atrás

Se não parece ser possível aspirar, a curto e médio prazo, reconstruir e manter um Poder Naval à altura do desejo e das necessidades de defesa dos interesses nacionais, é importante aumentar a capacidade operativa da Marinha, adaptando uma estratégia naval que seja compatível com a dura realidade orçamentária. Como forma de ampliar os debates, uma teoria do tipo Jeune École francesa do sec. XIX seria uma opção a ser considerada como multiplicadora da capacidade de combate da Esquadra atual. Assim, a defesa das águas jurisdicionais brasileiras seria composta basicamente por quatro linhas a partir do litoral: 1ª) minagem defensiva… Read more »

Carvalho2008
Carvalho2008
3 anos atrás

Existe um engodo que já pensei ser muito útil em situacao de beligerância temporária contra alguma força invasora naval, diante de escassos ssks da MB . Seriam similares a Minas de superfície, não explosivas mas que pudessem simular os ecos e assinatura de superfície de um periscópio. Esferas que somente a olho nu pudesse confirmar que não trata se de um ssk real . Vc pulveriza o oceano em várias posições diferentes e prováveis de uma task adversária chegando até a criar bosques de esconderijo para nossos tu pais e scorpene . A task invasora ficaria inviabilizada de confirmar cada… Read more »

Carvalho2008
Carvalho2008
3 anos atrás

Digo tupis e scorpenes

Delfim Sobreira
Delfim Sobreira
3 anos atrás

Talvez estas minas sejam uma ameaça contornável nos dias de hoje, mas dão trabalho para tal e isto aumenta os custos e recursos de um invasor, por conseguinte a dissuasão.

Delmo Almeida
Delmo Almeida
3 anos atrás
Delmo Almeida
Delmo Almeida
3 anos atrás

Dalton, tenha a bondade de me explicar melhor esse esquema de duas tripulações. Como assim? Eu fiquei achando que são apenas duas tripulações para operar os 4 submarinos ou duas pra cada (o que é ainda menos provável). Isso nos de ataque é pior ainda.

Dalton
Dalton
3 anos atrás

Delmo… . vou reproduzir aqui parte do texto de um livro que tenho sobre a classe “Rubis”… . ” Existem duas tripulações para cada submarino, cada uma composta de 9 oficiais e 57 praças, assegurando a máxima utilização do navio. Cada patrulha tem a duração estimada de 45 dias. O Rubis e suas duas tripulações foram submetidos a um rigoroso teste de capacidade, em 1985, quando realizaram uma viagem ao redor do mundo. Partindo de Toulon, no dia 25 de março, o submarino dirigiu-se à Nouméa , chegando neste porto a 10 de maio e depois de 3 semanas de… Read more »

Delmo Almeida
Delmo Almeida
3 anos atrás

Que legal!!! Muito obrigado Dalton! Uma verdadeira descoberta para mim!!! É sempre muito bom poder contar com suas lições!

carvalho2008
3 anos atrás

Provavelmente esta questão do numero de tripulações esteja ligada a insalubridade do vida confinada no sub… o sub ate aguenta mais partidas de missão, mas a tripulação depois de 45 dias deve ficar num pico de stress danado….é muito pouco espaço…