Cena de filme sobre o afundamento do USS Indianapolis: os tubarões de recife circulam bem abaixo das balsas flutuantes de sobreviventes

Por Alex Last

Quando USS Indianapolis foi atingido por torpedos japoneses nas últimas semanas da Segunda Guerra Mundial, centenas de tripulantes pularam na água para escapar do navio em chamas. Cercados por tubarões, eles esperaram uma resposta para o chamado de SOS. Mas ninguém foi enviado para buscá-los.

No final de julho de 1945, USS Indianapolis estava em uma missão secreta especial, entregando partes da primeira bomba atômica para a Ilha do Pacífico de Tinian, onde os bombardeiros americanos B-29 se baseavam. O trabalho feito, o navio de guerra, com 1.197 homens a bordo, navegava para o oeste em direção a Leyte, nas Filipinas, quando foi atacado.

O primeiro torpedo atingiu, sem aviso prévio, logo após a meia-noite de 30 de julho de 1945. Um marinheiro de 19 anos, Loel Dean Cox, estava de serviço no passadiço. Agora, ele lembra o momento em que o torpedo atingiu o navio.

“Whoom. Eu fui jogado para o alto. Havia água, escombros, fogo, tudo estava chegando e nós estávamos a 81 pés (25 metros) da linha de água. Foi uma tremenda explosão. Então, na hora em que eu caí de joelhos, outra pancada. Whoom. ”

O segundo torpedo disparado do submarino japonês quase rasgou o navio pela metade. À medida que os incêndios se espalhavam abaixo, o enorme navio começou a se inclinar para um dos bordos. Veio a ordem de abandonar o navio. Ao se inclinar, LD, como Cox é conhecido por seus amigos, subiu ao topo e tentou pular na água. Ele esbarrou no casco e caiu no oceano.

“Eu me virei e olhei para trás. O navio estava afundando. Podia ver os homens saltando da popa, e também ver as quatro hélices ainda girando.
“Doze minutos. Pode imaginar um navio de 610 pés (186 metros) de comprimento, são dois campos de futebol de comprimento, afundando em 12 minutos? Ele acabou de girar e foi para baixo”.

O Indianapolis não tinha sonar para detectar submarinos. O capitão, Charles McVay, pediu uma escolta, mas o pedido foi recusado. A Marinha dos EUA também não conseguiu transmitir informações de que os submarinos japoneses ainda estavam ativos na área. O Indianapolis estava sozinho no Oceano Pacífico quando afundou.

“Eu nunca vi uma balsa salva-vidas. Eu finalmente ouvi alguns gemidos, grunhidos e gritos, nadei e consegui chegar a um grupo de 30 homens e aí fiquei”, diz Cox.
“Nós pensamos que se pudéssemos aguentar por alguns dias eles nos encontrariam”.

LD Cox

Mas ninguém estava chegando para o resgate. Embora o Indianapolis tenha enviado vários sinais de SOS antes de afundar, de alguma forma as mensagens não foram levadas a sério pela Marinha. Nem se notou muito quando o navio não chegou no horário determinado.

Cerca de 900 homens, sobreviventes do ataque torpedo inicial, foram deixados à deriva em grupos na vastidão do Oceano Pacífico.

E debaixo das ondas, outro perigo estava à espreita. Atraídos pela carnificina do naufrágio, centenas de tubarões de milhas ao redor dirigiram-se para os sobreviventes.

“Afundamos à meia-noite, vi um na primeira manhã depois da luz do dia. Eles eram grandes. Alguns deles eu juro que tinham 15 pés (4,5 metros) de comprimento”, lembra Cox.

“Eles estavam continuamente lá, principalmente se alimentando dos cadáveres. Graças a Deus, havia muitas pessoas mortas flutuando na área”. Mas logo eles vieram atrás dos vivos também.

“Estávamos perdendo três ou quatro homens cada noite e dia”, diz Cox. “Estávamos constantemente com medo porque os víamos o tempo todo. A cada poucos minutos víamos as suas barbatanas – uma a duas dúzias de barbatanas na água.

“Eles apareciam e empurravam os homens. Eu fui empurrado algumas vezes — você nunca sabia quando eles iriam atacá-lo”.

Alguns dos homens batiam na água, chutavam e gritavam quando os tubarões atacavam. A maioria decidiu que se juntar em um grupo era sua melhor defesa. Mas com cada ataque, as manchas de sangue na água, os gritos, os salpicos, mais tubarões vinham.

USS Indianapolis

“Nessa água limpa, você podia ver os tubarões circularem. Então, de vez em quando, como um raio, algum deles vinha direto e pegava um marinheiro e o levava para baixo. Um deles veio e levou o marinheiro ao meu lado. Era apenas alguém berrando, gritando ou sendo mordido”.

Os tubarões, porém, não eram o principal assassino. Sob o sol abrasador, dia após dia, sem qualquer alimento ou água por dias, homens estavam morrendo de exposição ou desidratação. Com seus coletes salva-vidas inundados, muitos ficaram exaustos e acabaram afogados.

“Você mal consegui manter seu rosto fora da água. O salva-vidas tinha bolhas nos meus ombros, bolhas acima das bolhas. Era tão quente que orávamos por escurecer, e quando escurecia, orávamos pela luz do dia, porque ficava tão frio, que nossos dentes rangiam”.

Lutando para ficar vivos, desesperados por água doce, aterrorizados pelos tubarões, alguns sobreviventes começaram a se tornar delirantes. Muitos começaram a alucinar, imaginando ilhas secretas ao longo do horizonte, ou que estavam em contato com submarinos amigos ​​que estavam vindo para resgate. Cox lembra um marinheiro acreditando que o Indianapolis não tinha afundado, mas estava flutuando dentro do alcance logo abaixo da superfície.

“A água potável era mantida no segundo convés do nosso navio”, explica. “Um amigo meu estava alucinando e ele decidiu que ele iria até o segundo andar para tomar um copo de água. De repente, seu salva-vidas estava flutuando, mas ele não estava mais lá.

E então, ele apareceu dizendo quão boa e legal era aquela água, e que devíamos dar uma bebida “.

Ele estava bebendo água salgada, é claro. Ele morreu pouco depois. E à medida que todos os dias e noite passavam, mais homens morreram.

Então, por acaso, no quarto dia, um avião da Marinha que voava sobre nossas cabeças descobriu alguns homens na água. Até então, havia menos de 10 no grupo de Cox.

Inicialmente, eles pensavam que aviões não os tinham visto. Então, logo antes do pôr-do-sol, um grande hidroavião apareceu de repente, mudou de direção e voou sobre o grupo.

“O cara na escotilha do avião ficou ali acenando para nós. Foi quando as lágrimas vieram e seus cabelos se arrepiaram e você sabia que estava salvo, sabia que tinha sido encontrado, pelo menos. Esse foi o momento mais feliz da minha vida.”

Os navios da Marinha seguiram para o local e começaram a procurar os grupos de marinheiros espalhados pelo oceano. Durante todo o tempo, Cox simplesmente esperou, assustado, em estado de choque, entrando e saindo de consciência.

“Escureceu e uma forte luz do céu, de uma nuvem, desceu, e pensei que fossem os anjos que chegavam. Mas era o navio de resgate que estava iluminando o céu para dar esperança a todos os marinheiros e para que soubessemque alguém estava procurando por eles.

Sobreviventes do USS Indianapolis em Guam

“Em algum momento durante a noite, eu lembro que braços fortes estavam me puxando para um pequeno barco. Só saber que eu estava salvo era o melhor sentimento que podia ter”. De uma tripulação de quase 1.200, apenas 317 marinheiros sobreviveram.

À procura de um bode expiatório, a Marinha dos EUA colocou a responsabilidade pelo desastre no capitão McVay, que estava entre os poucos que conseguiram sobreviver. Durante anos, ele recebeu correspondências de ódio, e em 1968 ele tirou sua própria vida. A equipe sobrevivente, incluindo Cox, fez campanha durante décadas para ter seu capitão absolvido — o que acabou acontecendo, mais de 50 anos após o naufrágio.

Cox passou semanas no hospital após o resgate. Seu cabelo, as unhas das mãos e as unhas dos pés caíram. Ele foi, diz ele, “decapado” pelo sol e água salgada. Ele ainda tem cicatrizes.
“Eu sonho todas as noites. Posso não estar na água, mas … estou tentando freneticamente encontrar meus amigos. Isso faz parte do legado. Tenho ansiedade todos os dias, especialmente à noite, mas estou vivendo com isso, dormindo com isso e vivendo”.

FONTE: BBC.com

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John Paul Jones
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John Paul Jones

Essa é uma das histórias mais tenebrosas da USN …..
Morte aos tubarões kkkkkk

XO
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XO

Certamente, uma experiência terrível… há um relato semelhante no livro Sobrevivente do Pacífico (Georges Blond) sobre o afundamento do USS Juneau…

Roberto Medeiros
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Roberto Medeiros

Um navio deste porte, sem sonar, é enviado em uma missão desta magnitude…SEM ESCOLTA???? Com o Comando da Marinha cometendo uma patuscada destas, estou admirado que os americanos não tenham sofrido mais baixas na guerra.

Oekddkdok
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Oekddkdok

Acho que foi de proposito,ralves um sonar fosse esclarecer a localizacao dele,ou quem sabe ate o comandante da acao quisesse levar a suposta bomba par o fundo do mar….

Walfrido Strobel
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Um castigo merecido para quem estava levando a bomba atomica que assassinou dezenas de milhares de civis no Japão.

Ciro
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Ciro

se os EUA não tivesse feito isso, os japoneses é que os teriam bombardeado, com bombas nucleares… caso não saiba, Japão e Alemanha já tinham programas nucleares e já tinham bombas prontas para serem usadas.

mario paulo
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mario paulo

apesar da bomba atomica ser um morticinio, os marinheiros estavam apenas seguindo ordens. tripudiar em cima da morte desses homens eh desonestidade.

Gustavo
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Gustavo

Três coisas me revoltam nessa história. A primeira é a negativa de enviar uma escolta a este navio, a segunda o fato de terem ignorados os pedidos de SOS e a terceira é terem destruído a vida do capitão com acusações sem fundamentos. É muito raro ver os americanos cometerem tantos erros seguidos e, principalmente, destruírem a vida de um militar que buscou cumprir sua missão da melhor forma possível.

LucianoSR71
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LucianoSR71

Walfrido Strobel 20 de agosto de 2017 at 17:27 Diante de suas palavras reproduzo o que escrevi no outro post do USS Indianapolis: ‘Talvez vc não saiba, mas o Japão tinha não só um, mas 2 programas nucleares – um do exército e outra da marinha. Um dos últimos atos da Alemanha foi enviar um submarino p/ o Japão c/ urânio enriquecido, só que quando estavam no meio do trajeto a Alemanha se rendeu, os 2 oficiais japoneses a bordo liberaram a tripulação p/ se render e se suicidaram. A grande ironia do destino é que a carga acabou nas… Read more »

Walfrido Strobel
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LucianoSR71 20 de agosto de 2017 at 18:51
.
LucianoSR71, então está justificado assassinato de milhares de civis com duas armas de destruição em massa?

LucianoSR71
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LucianoSR71

Walfrido Strobel 20 de agosto de 2017 at 20:03 Julgar eventos históricos sentado numa poltrona e c/ sua visão atual de mundo é muito fácil. Seu país está em guerra contra um inimigo que não aceita rendição, comete atrocidades inclusive c/ civis, e vc não usa de todos os meios p/ acabar c/ essa carnificina – que seria ainda maior c/ uma invasão por terra ( é só ver o que aconteceu em todas as ilhas que foram retomadas, Okinawa, por exemplo onde mulheres jogavam seu filhos e depois se jogavam do penhascos ) – porque a bomba atômica seria… Read more »

Rafael Oliveira
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Rafael Oliveira

Em uma guerra, principalmente a que o inimigo começou, eu prefiro um civil do país inimigo morto do que um militar do meus país morto. Simples assim. E sem essa de que militar está preparado para ou tem o dever de morrer. Boa parte – no caso da 2ª GM, a maioria – dos militares eram civis que foram convocados para guerra e não pessoas que queriam ser militares. Em uma guerra, muitas vezes, não há escolhas fáceis. Soltar bombas atômicas seguramente foi uma delas. Mas eu teria feito o mesmo. E se o Japão não tivesse se rendido, soltaria… Read more »

Roberto Medeiros
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Roberto Medeiros

Walfrido Strobel, talvez seja melhor vc se informar sobre as batalhas finais da WWII. O desembarque de Iwo Jima, custou aos americanos um total de quase 26 mil homens entre mortos e feridos. Aos Japoneses, custou quase 22 mil. A batalha de Okinawa custou quase 150 mil civis e mais de 77 mil militares japoneses, alem de mais de 82 mil baixas americanas. Ante tal quadro, os estrategistas Americanos chegaram a conclusão que: 1) Não adiantava esperar a rendição do Japão. O japão mesmo sendo continuamente bombardeado por armas convencionais (o Bombardeio de Tóquio foi feito com bombas incendiárias e… Read more »

Leonardo
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Leonardo

Essa geração viveu dramas inimagináveis. Já os bisnetos dessas pessoas, sofrem por causa de posts do facebook ou porque o wi-fi parou de funcionar por alguns minutos. Crises extraordinárias geram grandes homens, que geram homens fracos, que geram crises extraordinárias.

Walfrido Strobel
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Roberto Santana 20 de agosto de 2017 at 23:56
.
Concordo contigo em tudo, realmente os marinheiros só estavam no lugar errado na hora errada, são inocentes.
Interessante como tem gente que faz um escandalo pelo suposto uso de gas contra civis na Síria e justifica o uso das bombas atômicas.

Rafael Oliveira
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Rafael Oliveira

Roberto e Walfrido, No mundo real, os fins justificam os meios. Matar qualquer pessoa inocente de forma desnecessária é errado. Mas, muitas vezes, é necessário matar inocentes e, portanto, justificável e o certo a ser feito. Pense num avião sequestrado por terroristas. Melhor abatê-lo, ainda que morram os tripulantes e passageiros inocentes dentro do avião do que permitir que terroristas usem o avião contra um prédio e cause ainda mais mortes. Pelo que expuseram, se ambos estivessem em caças e tivessem a oportunidade de abater os aviões dos vôos 11-AA e 175-UA que viriam a atacar os prédios do WTC… Read more »

Dalton
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Dalton

Quando a população de um país está sendo treinada para matar invasores…é possível chama-los de “inocentes”? Como distinguir o que é um inocente se mulheres e crianças estão dispostas a morrer por uma causa, mesmo atando explosivos ao próprio corpo como ocorreu durante a luta no Pacífico ?
.
O Capitão Tameichi Hara que comandou “destroyers” durante a guerra é muito claro no livro
“Japanese Destroyer Captain” que sem navios para comandar, estava treinando jovens que se disfarçariam de mulheres para matar americanos quando estes invadissem o Japão!

Dalton
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Dalton

Sim, Santana e o conceito de “guerra total” também…por mais asco que me cause a morte de
não combatentes eles fazem parte do esforço de guerra…não basta apenas destruir os militares e seus equipamentos, mas, a capacidade de faze-los e isso é de responsabilidade de civis que
cumpriam horas e mais horas de regime forçado para fabricar armas, então, quando se bombardeava uma cidade, automaticamente, tentava-se diminuir a vontade de resistir e
incapacitar os meios de se construir armas…trabalhadores(civis) e fábricas.

LucianoSR71
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LucianoSR71

Dalton 21 de agosto de 2017 at 9:37 Como eu disse num comentário anterior : ‘Julgar eventos históricos sentado numa poltrona e c/ sua visão atual de mundo é muito fácil’ e como vc disse era ‘guerra total’, não é justo e até mesmo honesto julgar atos de quem estava imerso nesse que foi o maior conflito da História da Humanidade sem nos colocarmos no seus lugares, dentro de todo o complexo contexto em que se encontravam. Sendo assim, gostaria de propor aos que os que criticam o uso da bomba que se colocassem no papel do pai de um… Read more »

Dalton
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Dalton

Luciano… . de fato julgar o passado com os olhos de hoje é muito fácil e as coisas são um pouco mais complicadas do que parecem , como por exemplo a queda de moral do soldado que já tendo cumprido seu dever na Europa ao invés de ser enviado para casa estava sendo enviado para o Pacífico para uma invasão ao Japão que faria a Normandia parecer um piquenique, mortos e feridos diariamente até por conta de inúmeros acidentes ,a economia americana que já mostrava sinais de exaustão, etc…cruzar os braços esperando pela rendição do Japão não era uma opção… Read more »

Marcelo Danton Silva
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Marcelo Danton Silva

Guerra é Guerra! Senhores…não tem estomago?! Não às façam, não às incentivem, não sejam enganados pelos políticos… Uma vez ignorado TODOS esses avisos….vide Venezuela…aguentem as consequências de seus erros e omissões anos/décadas antes de esses vermes conquistarem o poder. O resto é filosofia barata de gente que acham que vai conquistar um lugarzinho no céu tendo compaixão cega. Muitos hoje se deixam enganar com o Islamismo. Tadinhos né não?! Qualquer um que lê e ENTENDE história sabem que o ISLÃ/Pérsia querem conquistar o mundo desde 600 AC. Faz parte da doutrina. Já o ocidente, sabendo disso, não deixam cobra ganhar… Read more »

André Luiz.'.
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André Luiz.'.

Roberto Santana 21 de agosto de 2017 at 10:40 Eu, respeitosamente, discordo. A maior honra é preservar as vidas! Se uma guerra é justa ou injusta, como saber? Qual o crivo moral para determinar isso? Ainda mais porque as guerras ocorrem por conta do conflito de ‘intere$$es’ dos poderosos!, mas quem vai sangrar e morrer não são eles!… No Obra ‘A Arte da Guerra’, de Sun Tzu, é ensinado que a maior vitória é ‘vencer sem desembainhar a espada’ (http://www.suntzulives.com/2011/12/da-arte-de-vencer-sem-desembainhar.html) Pessoalmente, tenho grande afinidade com o Japão. Mas não deixo de reconhecer, com tristeza, as barbaridades que militares fanáticos japoneses… Read more »

LucianoSR71
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LucianoSR71

Roberto Santana 21 de agosto de 2017 at 10:40 Me desculpe, mas vc está fugindo p / uma situação genérica. O que eu coloquei foi muitíssimo claro : vc é americano, seu país luta há mais de 4 anos ( a invasão só seria possível em 1946 ) contra um inimigo extremamente cruel e seu filho foi morto numa invasão que poderia não ter acontecido se jogassem as bombas ‘A’, ou seja a vida do seu filho e de muitos milhares de outros poderia ter sido salvo e não foram porque o seu líder Truman resolveu poupar o sacrifício de… Read more »

LucianoSR71
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LucianoSR71

Dalton 21 de agosto de 2017 at 11:16
Perfeito.

helio
Visitante
helio

Fico me perguntando o quanto vale discutir sobre a “melhor ou pior” forma de fazer guerra…. Toda a guerra é uma insanidade, mas nossa história está repleta delas, pelos mais variados motivos oficiais e os mais escabrosos motivos ocultos. Guerrear parece quase inevitável… Eu já li muito sobre a Segunda Guerra, inclusive o que pude de origem alemã e japonesa, em busca da visão dos derrotados. Nunca achei justificativa plausível para nada, mas sou capaz de compreender as razões de muita coisa (ou ao menos assim julgo, com base em minhas concepções, ou seja, não me julgo o dono da… Read more »

Walfrido Strobel
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Dentro desta linha que alguns propõe os militares da Indonésia que assassinaram entre 600.000 e 1.500.000 pessoas na revolução contra os comunistas estariam certos, pois a alegação era que depois deles terem matado milhões de pessoas nos países do Sudeste Asiático, era melhor os matar antes que começassem a matar . A estatização das fábricas e fazendas com o início da falta de alimento foi o estopim para a sangrenta revolução. Como ja postei no Forte, o Gen. Moeldoko, pai do atual Gen. Moeldoko, CMT das Forças Armadas entrou em uma cidade e matou 37.000 pessoas, todos os comunistas que… Read more »

LucianoSR71
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LucianoSR71

Roberto Santana 21 de agosto de 2017 at 12:13
Novamente foge c/ argumentos ridículos que nada tem haver c/ o colocado. A situação posta ao debate foi se era correto ou não lançar a bomba atômica, a questão sempre foi clara e unicamente essa. Filosofar e não responder diretamente demonstra quer não tem coragem de responder, de encarar uma realidade cruel, mas que muitos já se depararam na vida, vida REAL e não algo distante de si. De minha parte acabo c/ este debate, pois não vejo sentido em continuar.

André Luiz.'.
Visitante
André Luiz.'.

helio 21 de agosto de 2017 at 12:11
Fico me perguntando o quanto vale discutir sobre a “melhor ou pior” forma de fazer guerra…” — talvez encontremos respostas para tal discussão nas obras de pensadores como Maquiavel (“O Príncipe”). mas Nietzche dá uma definição que acho muito boa, e muito pertinente face o ardor das discussões que surgem sobre um conflito encerrado há 70 e tantos anos, do qual nenhum dos aqui presentes participou:
A guerra torna estúpido o vencedor e rancoroso o vencido“…

Luiz Trindade
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Luiz Trindade

Para isso que serve a sobrevivência em mar na Marinha. Se não fosse assim todos estariam mortos!

Rafael Oliveira
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Rafael Oliveira

Roberto Santana,
Para mim, o caso do lançamento das bombas atômicas é a mesma coisa de eventual abate de aeronaves usadas no ataque de 11/9. Causar a morte de inocentes para evitar um mal maior.

helio
Visitante
helio

André Luiz.’. 21 de agosto de 2017 at 13:41 Bem lembrado! Indo um pouco mais além, tenho me preocupado bastante com o nível das compras militares dos últimos anos. Ou a internet e a Triologia me deram mais acesso às informações ou o mundo todo – menos nosso Brasil – está se armando. Eu não me refiro especificamente à China, porque o projeto deles é de hegemonia global e, com isso, a região fica mais instável. O que eu vejo nestes últimos anos é uma série de iniciativas em todas as partes do mundo no sentido de mais ou de… Read more »

helio
Visitante
helio

Luiz Trindade 21 de agosto de 2017 at 14:14

Correto Luis Trindade, mas vamos e combinar que a sucessão de erros custou a vida de muita gente, na casa das centenas. Não era um navio isolado, ele retornava de uma missão de grande importância, deve ter estado sob severo monitoramento. Também não dá para entender como navegava sem escolta….

André Luiz.'.
Visitante
André Luiz.'.

helio 21 de agosto de 2017 at 15:45
Não saberia dizer se há, presentemente, uma corrida armamentista global. Falta-me mais dados sobre isso. Mas, certamente, uma coisa puxa a outra. O que se fala há certo tempo é que, à medida que os recursos naturais (petróleo, matérias primas, ÁGUA POTÁVEL…!) vão ficando mais escassos para a demanda das potências mundiais, as chances dos conflitos escalarem para a guerra aumentam…
Mas tal discussão foge bastante ao tópico sobre o afundamento do USS Indianapolis e a discussão sobre as decisões políticas que decidiram a Guerra do Pacífico, não acham?
Abs

Bernardo Valério
Visitante
Bernardo Valério

Não mesmo meu caro! O tópico é mesmo este. O Japão levou a guerra aos EUA justamente por este opor-se ao projeto imperial de expansão territorial ao boicotar o fornecimento de petróleo aquele país. E por que o Impero do sol nascente queria mais território?? Por que os EUA teriam “tomado” parte do México e a ilha de Cuba aos espanhóis; e comprado o Alasca dos russos? Por que as potências europeias tinham colônias mundo afora?? Por que a Antártida é a menina dos olhos das potências hoje em dia? Realmente Clausewitz tinha experiência e filosofia suficientes para compor sua… Read more »

Dr. Mundico
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Dr. Mundico

Ninguém defende o sacrifício de inocentes mas as duas bombas atõmicas foram necessárias, infelizmente. O Japão não iria se render e os fanáticos militares estavam dispostos a imolar o país num hara-kiri coletivo. De forma alguma aceitavam a rendição e estavam dispostos a jogar o país num banho de sangue inédito na História. Os militares japoneses com a conivência e omissão do imperador lançaram o país numa aventura delirante de poder e conquista. Fizeram o povo pagar pela sua demencia e fanatismo. É triste admitir, mas as bombas foram necessárias e julgar o passado com os olhos do presente não… Read more »

Walfrido Strobel
Visitante

Dr. Mundico 21 de agosto de 2017 at 17:21
.
Dr. Mundico, lendo este seu post imagino que os japoneses deveriam agradecer aos EUA pelo uso das bombas atômicas.
Será que os habitantes de Hiroshima e Nagasaqui concordariam?

André Luiz.'.
Visitante
André Luiz.'.

Walfrido Strobel 21 de agosto de 2017 at 17:55
Como comentado anteriormente, tenho grande afinidade com o Japão, inclusive amigos muito queridos lá. E visitei Hiroshima, em 1991. A memória dos que morreram é cultuada, mas não alimentam, ao menos publicamente, um rancor contra os americanos por conta das bombas atômicas; preferem cultivar um profundo sentimento de buscar a paz!

_RR_
Visitante
_RR_

Amigos, . Há certos fatos que são dignos de destaque… . Um deles é que, em Fevereiro de 1945, os japoneses enviaram uma proposta de paz ( atitude levada a efeito com aval do próprio Imperador ) junto a representação soviética em Tóquio ( lebrando que os soviéticos estavam neutros em relação ao Japão até então ). Contudo, os soviéticos se recusavam a mediar qualquer coisa que não fosse uma rendição incondicional. . Portanto, não é inteiramente verdade que os japoneses não estavam dispostos a negociar… Mas também é fato que havia um considerável componente militar no governo que travava… Read more »

Bernardo Valerio
Visitante
Bernardo Valerio

Lembrando que a história das guerras é sempre contada pelos vencedores!
Apenas muito tempo depois é que, em sociedades pluralistas e menos injustas, se pode observar outras vertentes dos fatos.
O Japão queria se expandir territorialmente (conceito da época) e os EUA se opuseram boicotando petróleo quando eles eram os maiores produtores mundiais.
Depois os EUA aprenderam e até hoje querem o mesmo com outras formas de dominação.
Europa idem! Asiáticos não são diferentes!
Quando passos são dados em direção a acertos mais equilibrados entre povos, vem sempre aqueles que por interesses menos nobres, atiçam fogo contra o vento e a palha.
SI VIS PACEM PARABELLUM!!

_RR_
Visitante
_RR_

Continuando… . Mas ainda assim, fazendo uma analise fria, fica difícil avaliar a necessidade real dos ataques… E talvez não tivesse sido necessário, mesmo considerando que contribuíram para apressar o fim do conflito. . Certamente não influíram no resultado final da guerra em si… O Japão em Agosto de 1945 já estava absolutamente derrotado. Virtualmente não possuía mais uma marinha e menos ainda uma força do ar. Quando as forças de solo, tamanho era o desespero que até mesmo jovens colegiais japonesas estavam sendo preparadas para a “última batalha”. . Os soviéticos, em disparada para conquistar os territórios japoneses na… Read more »

_RR_
Visitante
_RR_

Particularmente, penso que os eventos simplesmente se precipitaram…
.
O que é possível apurar até aqui:
.
– a arma atômica causou sim consideráveis efeitos no componente político, incluso o imperador ( que foi uma das figuras determinantes na aceitação da rendição incondicional ).
.
– a ofensiva soviética causou considerável efeito nos militares.
.
E se era para ter o território ocupado, certamente os japoneses estariam menos desgostosos sob as asas da Águia que sob o abraço do Urso.
.
Por fim, não se iludam. Qualquer um que tivesse a arma atômica, certamente teria usado… Eu pelo menos não consigo ver Stalin tendo mais escrúpulos que Trumman ou Churchill…

burusera
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burusera

Aos que condenam o uso das bombas atômicas: Quais opções o Japão tinha? A continuação do bloqueio e bombardeamento teria sido uma forma mais humana de morrer de fome? Ou uma sangrenta invasão dos americanos onde a defesa de Saipan serviria de molde escolhido pelos responsáveis em organizar a defesa do Japão no que tange ao uso de civis? A receita perfeita para o desastre. Quem sabe uma ocupação soviética…

burusera
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burusera

É interessante que os soviéticos capturaram cerca de 2.726.000 japoneses na operação August Storm (2/3 de civis) na Ásia e Manchúria. Destes, foram repatriados cerca de 2.379.000 com 254.000 mortos confirmados e 93.000 presumidamente mortos. No primeiro inverno na Manchúria em cativeiro 179.000 civis e 66.000 militares morreram. Em poucos dias a ofensiva soviética condenou a morte praticamente o mesmo número de pessoas mortas no fire raid de Tóquio e Hiroshima e Nagasaki. Se Truman não tivesse exigido que Stalin cancelasse o desembarque anfíbio em Hokaido na mensagem de 18 de agosto de 1945, quantos mais teriam morrido?

burusera
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burusera

Caro Roberto Santana, Hoje é sabido que o Japão não pretendia se render antes de implementar o Ketsu Go nas praias de Kyusho, durante a Operação Olympic. Os japoneses esperavam cobrar um preço altíssimo em sangue só para conseguir algo melhor que a rendição incondicional. Até mesmo a paz negociada com os soviéticos foi desaprovada pelo Ministro de relações Exteriores Togo. Nunca passou de um truque diplomático. Enfim, antes das bombas atômicas a rendição japonesa passava obrigatoriamente por uma necessidade de uma “batalha decisiva” que teria sido catastrófica para o futuro do Japão.

Paulo
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Paulo

Pelos comentários aqui estamos realmente estamos na geração ¨mimizenta¨, infelizmente!

Paulo
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Paulo

Sorry, apenas um ¨estamos¨, foi mal!

_RR_
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_RR_

correção:

“…como os ataques nucleares foram lançados quase que ao mesmo tempo em que se iniciava a ofensiva soviética…”

André Luiz.'.
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Rafael Oliveira 22 de agosto de 2017 at 17:27
Concordo. Eu só trocaria o termo ‘motivos nobres’ por ‘motivos legítimos‘, porque não há nobreza alguma em causar morte e sofrimento… mesmo que seja o que é necessário fazer!, o que é certo fazer!…
De resto, que tenhamos sabedoria para deixar os erros do passado lá no passado!
Abraços a todos!

Rafael Oliveira
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Rafael Oliveira

Roberto Santana, O objetivo da bomba,apesar de não ser contra uma instalação militar, era claramente militar. Aliás, foi de extrema eficiência: causou o fim da guerra. Se os EUA tivessem conseguido produzir a bomba e soltá-la antes, muitas outras mortes poderiam ter sido evitadas, inclusive de japoneses. . Não há qualquer garantia de que as outras medidas sugeridas por você (bloqueio continental, sítio*, isolamento político e comercial, privação de direito internacional) causasem o fim da guerra. E apesar de não ser possível afirmar com absoluta certeza, é muito provável que qualquer invasão americana ao Japão causaria milhares de mortes. Talvez… Read more »

Carlos Alberto Soares
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Walfrido Strobel 20 de agosto de 2017 at 17:27
Discordo mas respeito seu direito a sua opinião.
Já assistiu ao filme “O Almirante” ?
É fraco como película, mas me detive nos diálogos e no roteiro,
os Oficiais Superiores e Generais eram assassinos,
jamais militares, com raras exceções.

Carlos Alberto Soares
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Carlos Alberto Soares

Walfrido Strobel 21 de agosto de 2017 at 17:55
Pergunte aos Koreas, Chinas e todos locais dos territórios ocupados pelos Japas ?
Estupros, mortes sumárias de cicis (inclusive mulheres, crianças e bebês).
Caraca, tú és Militar, Fabiano …. respeito seu direito a sua opinião,
para mim indefensável.
Basta analisar os fatos da época.

Luiz
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Luiz

Esse artigo aqui sustenta uma nova versão sobre o que realmente apressou a rendição japonesa. Eles refizeram a linha do tempo dos acontecimentos daqueles dias.

http://foreignpolicy.com/2013/05/30/the-bomb-didnt-beat-japan-stalin-did/

Atenção: é um de site americano sobre relações internacionais que tem um viés razoavelmente conservador. Está a anos-luz de ser de esquerda ou anti-americano.
Vale ressaltar o que eles falam sobre a “narrativa” pós-guerra, ou seja, o quanto essa “verdade” de que as bombas atômicas forçaram a rendição foi muito conveniente, tanto para americanos quanto para japoneses.

burusera
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burusera

Luiz.
Eu li o artigo e ele se apóia em uma presunção e não em uma verdade! Os japoneses nunca permitiram que a missão do Príncipe Konoye oferecesse aos soviéticos algo concreto. Você pode ler a troca de mensagens entre o Ministro Togo e o Embaixador Sato que acaba com o jogo diplomático:
http://www.bradford-delong.com/2015/07/liveblogging-world-war-ii-july-22-1945-japanese-foreign-minister-togo.html

burusera
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burusera

Além da missão diplomática japonesa nunca tocar terreno real e Stalin ter um compromisso, desde a conferência de Teerã, em participar na derrota do Japão. Os americanos interceptavam todo tráfego diplomático e militar dos Japoneses e estavam preparados para intervir caso Japão e União Soviética tentassem explorar alguma brecha. Então os soviéticos estavam de acordo com a rendição incondicional oferecida aos japoneses através da Declaração de Potsdam.

Luiz
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Luiz

Burusera,

Isso que você citou (e que deve ser verdade) é apenas um detalhe na análise que o artigo faz.
O central é: que fato realmente fez o gabinete japonês votar pela rendição?
A cronologia deixa fundadas dúvidas sobre se foram as bombas atômicas.