segunda-feira, outubro 25, 2021

Saab Naval

Acidente com T-45 da US Navy renova preocupações com hipoxia

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

T-45C Goshawk

O acidente fatal do domingo passado foi o terceiro incidente deste ano envolvendo o T-45C Goshawk e o primeiro desde que a frota do treinador foi brevemente impedida de voar para a investigação no sistema de fornecimento de oxigênio

Por James LaPorta

6 de outubro (UPI) — Com os nomes de dois pilotos mortos da Marinha dos EUA divulgados após o acidente no domingo de um jato de treinamento militar em uma área remota do Tennessee, legisladores e comandantes militares enfrentam questões preocupantes.

O tenente Patrick L. Ruth, 31, de Metairie, La., e o tenente junior grade Wallace E. Burch, 25, de Horn Lake, Miss., morreram quando seu Goshawk T-45C, uma aeronave militar a jato de treinamento fabricada pela Boeing desde 1997, caiu nas planícies Tellico da Floresta Nacional Cherokee, a cerca de 45 milhas a sudoeste de Knoxville, informaram autoridades nesta semana.

Foi o terceiro incidente deste ano envolvendo o Goshawk T-45C e primeiro desde que a frota de treinadores foi brevemente impedida de voar para permitir investigações sobre questões com seu sistema de oxigênio.

O T-45C que caiu mais recentemente tinha o sistema de monitoramento de oxigênio CRU-123 instalado, disse a Marinha na sexta-feira, que foi adicionado à frota na primavera passada como parte de uma solução para os problemas anteriores com o sistema de oxigênio.

O senador Roger Wicker, R-Miss., pediu uma investigação imediata.

“Estou profundamente triste ao saber que dois dos melhores da nossa nação foram tirados de nós. Eu ofereço minhas condolências às suas famílias e colegas membros do serviço”, disse Wicker em um comunicado na terça-feira. “Que Deus conceda a paz aos seus entes queridos durante este momento muito difícil. A Marinha deve levar a cabo uma investigação imediata sobre o que causou essa tragédia”.

Wicker, um tenente-coronel aposentado da Força Aérea dos EUA, atua como presidente do Subcomitê do Poder Marítimo do Senado, que tem jurisdição de supervisão para a Marinha e a aviação naval. O avião que caiu no domingo era baseado na Naval Air Station Meridian no Mississippi, uma das cinco alas de treinamento aeronaval.

Wicker realizou audiências em abril com oficiais da Marinha e pilotos da Meridian para discutir questões relacionadas à falta de fluxo de oxigênio para os pilotos que operam o T-45C. Cerca de 100 aviadores instrutores da Marinha estavam se recusando a treinar os pilotos alunos por questões de segurança, o que contribuiu para o cancelamento de voos de treino naquele momento.

No mesmo mês, o vice-chefe de operações navais almirante Bill Moran ordenou uma revisão de “episódios fisiológicos” que ocorrem em T-45 e F/A-18 Super Hornets à medida que relatórios adicionais surgiram de incidentes relacionados à hipoxia que poderiam incapacitar sua tripulação durante voo, uma vez que a Marinha cancelou temporariamente os voos de sua frota de aeronaves T-45C.

O ex-piloto de caça da Marinha e o instrutor de padronização de F/A-18 e o diretor de operações de voo Benjamin Kohlmann disse à UPI que os incidentes relacionados à hipoxia eram raros durante seu tempo na Marinha de 2004 a 2013, lamentando que o problema só tenha aumentado a proeminência nos últimos poucos anos.

“Eu não sei o que está causando isso, talvez mais atenção seja dada à questão, talvez os erros ou percalços ocorridos no passado não foram atribuídos a incidentes relacionados à hipoxia, mas agora são”, disse Kohlmann. “É um mistério a extensão total do problema”.

Os incidentes relacionados à hipoxia ocorrem quando há uma quantidade inadequada de pressão parcial de oxigênio no ar.

“Com uma certa atitude, a concentração de ar é insuficiente para possibilitar a cognição humana”, disse Kohlmann. “A regra de ouro é que acima de 10.000 pés, a exposição prolongada não dará oxigênio suficiente para fazer as coisas do dia-a-dia que se precisa para sobreviver, então confiamos fortemente nesses sistemas de oxigênio”.

O orçamento de defesa deste ano inclui uma disposição que foi adicionada com sucesso por Wicker e destinada a ajudar os comandantes militares na identificação da causa de episódios fisiológicos. O plano daria autorização ao secretário da Defesa, James Mattis, para atribuir um contrato de defesa de US$ 10 milhões a grupos de reflexão, instituições acadêmicas ou profissionais da indústria privada para investigar a causa do fenômeno.

Os detalhes em torno da causa do acidente no Tennessee ainda são preliminares em meio a uma investigação em curso, com os investigadores da Marinha chegando no local no dia seguinte ao acidente. O Serviço Nacional de Floresta dos EUA fechou partes do distrito Tellico Ranger ao acesso público até a conclusão da investigação.

Ambos os pilotos pertenciam aos “Eagles” do Esquadrão de Treinamento SEVEN, ou VT-7. Ruth era um aviador naval experiente com nove anos de serviço e estava instruindo seu estudante, Burch, que se juntou ao VT-7 em 2016 e estava na Marinha há quase três anos.

Os pilotos alunos começam a treinar no T-45C depois de registrar horas de voo adequadas em aeronaves a hélice. O jato é usado ​​para o propósito final de preparar pilotos navais para operar os caças F/A-18 E/F Super Hornet ou o F-35 Lighting II, o Joint Strike Fighter do Pentágono. A gradução no curso de treinamento ocorre com mais de 150 horas de voo, de acordo com Kohlmann.

Os oficiais enfrentam uma área de detritos que é aproximadamente o tamanho de quase nove campos de futebol, que se espalhou por terrenos remotos e difíceis, constituídos por uma densa floresta selvagem, dificultando o acesso às peças da aeronave e a alongando o tempo de investigação.

FONTE: UPI.com

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Washington Menezes

Já pensou se fosse no Brasil, esse número de aeronaves tendo problemas com hipoxia.

Jorge Augusto

Que ano das forças americanas! Jesus amado…

marcos

Há relatos de hipoxia aqui?

Walfrido Strobel

Político é a mesma porcaria em qualquer lugar do mundo.
Este Senador para aparecer pede um investigação imediata, que bom…..
Se ele não pedisse a USNavy poderia se esquecer de investigar estas duas mortes…..
E o pior é que um cara destes é reeleito.

marcelo km

Deve ser o aumento de uso de peças Xing Ling nos sistemas de fornecimento de oxigênio .
A terceira guerra mundial já começou !!Estão matando os cadetes e pilotos primeiro.

Gustavo

é cada comentário….

Casuar

O avião cai e os caras criticam os políticos ,kkkk, deve ser reflexo de viver em um pais onde politicos probos e pios quase quebraram a nação , que lastima . Condolências a familia USnavy !

Luiz Trindade

Depois perguntam para o povo americano porque eles não querem mais ser pilotos de caça né?!?

Marcos

Pergunta: se o acidente é recente, como podem afirmar que foi hipóxia?

Walfrido Strobel

Marcos, esta é realmente uma dúvida, ja se acidentou muita aeronave mundo afora pelos mais variados problemas, hipóxia é só um deles.
.
Casuar, critico o político pela palhaçada de pedir uma investigação do acidente, não por ter causado o acidente. Outro dia o porta voz de um presidente disse que a autoridade determinou que um acidente com vários mortos fosse investigado, como se precisasse da ordem do Pres. para investigar um acidente com vítimas. Coisa de gente querendo aparecer.

Dalton

Houveram outros problemas recentemente com a qualidade ou falta de qualidade do ar na
cabine de T-45s…medidas estavam sendo tomadas para eliminar ou reduzir o problema…então
é bem possível que a hipoxia tenha sido responsável.

LucianoSR71

Questão de leigo: na indústria já são usados analisadores ( mais precisos ) e detectores ( mais utilizados c/ instrumento de segurança pessoal ) de O2 ( e vários outros gases ) há décadas, nas aeronaves militares não há nada semelhante p/ se evitar essas falhas no fornecimento de O2?

Carlos A Soares

Alexandre Galante 8 de outubro de 2017 at 19:28
110%
_____________________________

LucianoSR71 8 de outubro de 2017 at 21:29
Verdade.

Walfrido Strobel

Luciano SR71, o problema não é a falta de O2 na mistura, é principalmente a pressão da mistura no nomento necessário.
Para este caso o detector de O2 não resolveria o problema.

LucianoSR71

Creio que seja uma questão de interpretação, pois o que realmente importa é a concentração do O2 ( uma baixa pressão do sistema de fornecimento de O2 levaria a uma mistura pobre dele ) e mesmo que fosse apenas uma questão de pressão, seria mais fácil ainda detectar: um transmissor de pressão resolveria o problema.

Luciano

Então, vão voltar a usar cilindros? Pelo menos até descobrirem o problema, isso permitiria manter os aviões em operação.

Balbino Botelho

Dois problemas abertos a investigação e análise dos especialistas ou não brasileiros, especialmente da trilogia…
Hipóxia no T45 e a gmb do H 225.
Eventuais soluções serão devidamente compensadas…

Mauro Oliveira

O que tudo indica, os OBOGS não funcionam perfeitamente como se pensava

Quanto a usar garrafas, não será possível, não há mais esse espaço em aeronaves mais novas

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