Home Entrevista Almirante Othon: ‘Minha condenação interessa ao sistema internacional’

Almirante Othon: ‘Minha condenação interessa ao sistema internacional’

5179
98
Almirante Othon ao lado do modelo do reator nuclear naval de água pressurizada (PWR)

Libertado pela segunda vez, ele rebate acusações e conta a saga da tecnologia nuclear nacional

Por Carlos Drummond

Pouco antes de ser libertado da prisão na Base de Fuzileiros Navais de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na quarta-feira 11, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, 78 anos, encaminhou a CartaCapital as respostas às questões da entrevista a seguir.

Segundo o advogado Fernando Augusto Fernandes, o seu cliente, que é considerado o Pai do Programa Nuclear Brasileiro, é inocente de todas as acusações que levaram à sua condenação a 43 anos de reclusão pela Lava Jato, na ação penal que investiga supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, embaraço a investigações, evasão de divisas e organização criminosa na construção da usina nuclear de Angra 3.

Como é comum na operação, chama atenção Fernandes, um “ouvi dizer” pronunciado por um delator premiado bastou para mandar à cadeia e com pena recorde na Lava Jato, só equiparável àquela do ex-governador Sérgio Cabral, um pesquisador e inventor que dedicou a vida ao País e à alta tecnologia nacional.

“O almirante Othon de fato recebeu cerca de 3 milhões de reais quando era presidente da Eletronuclear, não por ato realizado na presidência da empresa nem relacionado à obra de Angra 3, mas por um estudo feito anteriormente em que empenhou seu conhecimento científico. O detalhe fundamental está aí”, sublinha Fernandes.

“Para constituir crime de corrupção, teria de haver a indicação, pelos delatores, de algum ato que ele tenha realizado como presidente da Eletronuclear, ou anterior a isso, na forma de promessa, que gerasse alguma vantagem. Não existe”, acrescenta o advogado.

A carreira em prol do País, as honrarias que lhe foram conferidas no Brasil e no exterior, a importância estratégica das suas descobertas e a truculência dos inquisidores, que o levaram a uma tentativa de suicídio na cadeia, são narradas abaixo pelo almirante.

CartaCapital: A que atribui a existência das acusações que lhe são feitas?

Othon Luiz Pinheiro da Silva: Não tenho dúvida de que, no seu processo inquisitório sobre os empreiteiros para conduzi-los à delação premiada, o Ministério Público da força-tarefa de Curitiba fez todo esforço para vir à baila o meu nome. Perguntavam especificamente sobre a minha eventual participação. O “ouvi dizer” do Danton Avancini (diretor da Camargo Corrêa, autor de delação premiada) foi a consequência desse direcionamento inquisitivo, pois estavam em pauta apenas as licitações da Petrobras.

CC: A quem interessa a sua condenação a 43 anos de reclusão?

OLPS: Certamente, interessa ao sistema internacional preocupado com o fortalecimento de um dos países integrantes dos BRICS. Os brasileiros transnacionais, muito provavelmente, ficaram satisfeitos com o meu processo e a minha saída do cenário. Considero como brasileiros transnacionais aqueles que, embora tenham nascido neste belo país, gostariam de ser cidadãos de outros países, em particular dos Estados Unidos. Não dão importância aos grandes problemas e desafios nacionais, não se preocupam em resolvê-los e, às vezes, em proveito próprio, não se importam em agravá-los.

CC: Como resumiria a importância do seu trabalho para o País?

OLPS: Fui o gerente-coordenador do programa de desenvolvimento tecnológico que assegurou ao Brasil, com esforço nacional, o domínio das tecnologias de todos os aspectos estratégicos da energia nuclear. Coordenei simultaneamente dois grandes projetos denominados pela Marinha, na fase sigilosa, de Ciclone e Remo. São dois desenvolvimentos diferentes: o primeiro implicou a viabilização, com tecnologia nacional, do enriquecimento isotópico de urânio e de todas as demais etapas do ciclo do combustível nuclear.

O segundo consistiu no desenvolvimento e instalação nuclear para submarinos, incluindo a fabricação, no Brasil, de todos os equipamentos e componentes necessários. Para garantir a qualidade da instalação de propulsão nuclear, foi realizado um programa de testes e verificação experimental sem precedentes na história tecnológica brasileira.

Em nenhuma outra nação a mesma pessoa gerenciou simultaneamente esses dois projetos, ambos com sucesso. Nos outros países, as Marinhas trataram apenas do desenvolvimento da propulsão nuclear. Na diretoria da Eletronuclear, gerenciei a definição do mais moderno programa de construção de centrais nucleares e armazenamento de rejeitos.

Esse programa provocou grande impacto no cenário internacional. Uma evidência disso é o fato de eu ter recebido, em um mesmo dia, na sede da Eletronuclear, as visitas do subsecretário de Energia dos Estados Unidos e do ex-primeiro-ministro da Rússia e presidente da empresa estatal de energia atômica Rosatom, Sergey Kiriyenko.

CC: Os valores envolvidos nos pagamentos arrolados pela acusação são atípicos para o tipo de consultoria que o senhor costuma prestar?

OLPS: Se forem considerados atípicos é por terem sido muito mais baratos. O estudo inovador Um Porto de Destino para o Sistema Elétrico Brasileiro interpreta as peculiaridades do sistema elétrico do País difíceis de ser entendidas. Implicou transformar matematicamente as vazões de todos os rios nacionais, levando em conta sua variação temporal, na vazão de um único rio hipotético. O mesmo estudo foi feito transformando o estoque de água existente em todos os reservatórios das hidrelétricas nacionais em um único reservatório hipotético.

Esse único reservatório hipotético constitui o estoque regulador de energia elétrica do sistema elétrico nacional. O estudo analisou o consumo de energia brasileiro, que vem aumentando, e estabeleceu hipóteses sobre o crescimento dessa demanda no futuro.

Examinou a utilização da energia das fontes alternativas e demonstrou a necessidade de construção de termoelétricas nucleares ou que usam carvão combustível para, eventualmente, aumentar o estoque regulador de energia e minimizar a utilização de termoelétricas que utilizam óleo e gás como combustível e que conduzem a altos preços da eletricidade.

O preço cobrado por esse estudo foi de 3 milhões de reais, os mesmos referidos na data de entrega do relatório, em dezembro de 2004. Se compararmos esse preço com os valores cobrados pela equipe de ingleses que modelou o sistema elétrico brasileiro na década de 1990, concluiremos que foi muitíssimo baixo.

Além de que, diferentemente dos ingleses, que transplantaram para o Brasil soluções similares às utilizadas na Inglaterra, onde o sistema é quase 100% térmico e controlado pelo homem, no sistema elétrico brasileiro a maior parte da energia é proveniente de hidrelétricas e fontes renováveis que sofrem as variações que a natureza impõe.

Um Porto de Destino para o Sistema Elétrico Brasileiro preconiza a construção de centrais nucleares para evitar o aumento abusivo dos preços da eletricidade e estabilizar o sistema. Nos trabalhos de consultoria por mim realizados nos 11 anos na Aratec (empresa de consultoria), o valor do homem-dia de consultoria foi sempre dentro da mesma faixa. Os altos valores pagos pela eletricidade pelos brasileiros em 2017 comprovam o estudo por mim realizado em 2004.

CC: O senhor foi chamado para explicar à Justiça os valores faturados por sua empresa de consultoria?

OLPS: Durante o julgamento, em dezembro de 2015, expliquei os valores que foram questionados. Os representantes da força-tarefa do Ministério Público não demonstraram a menor vontade de entender e um deles considerou Um Porto de Destino para o Sistema Elétrico Brasileiro um pequeno estudo sem relevância que o réu usava como desculpa. No julgamento, tive a sensação de que havia uma sanha condenatória com motivações diferentes das acusações apresentadas.

CC: Quais as principais evidências do seu reconhecimento científico nacional e internacional acumuladas na carreira?

OLPS: Os resultados atingidos nos projetos do ciclo do combustível nuclear e na propulsão nuclear constituem evidências indiscutíveis. O general Douglas MacArthur dizia que na guerra não há substituto para a vitória. Sempre achei que na engenharia e no desenvolvimento científico e tecnológico não há substituto para o atingimento das metas e dos resultados.

Recebi a Grã-Cruz do Mérito Nacional, assim como Cesar Lattes, brasileiro indicado para o Prêmio Nobel, e o brigadeiro Casimiro Montenegro Filho, fundador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e precursor da indústria aeronáutica brasileira. Fui agraciado também com o título de Pesquisador Emérito do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, em São Paulo, concedido a poucos ao longo da história do Ipen.

Recebi ainda a medalha Carneiro Felippe, da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Quando me aposentei da Marinha, fui convidado por Pal Schiffer, então um alto dirigente da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, para trabalhar nessa instituição. Não aceitei porque não seria ético. Eu havia trabalhado por muito tempo no programa nuclear que desenvolvia aspectos estratégicos brasileiros e era considerado, na sua fase inicial, secreto pelo governo do País.

Considerava incongruente trabalhar na AIEA, que inspeciona as atividades nucleares de todos os países. Fui convidado também pelo internacionalmente renomado doutor Hans Blix, diretor-geral da AIEA de 1981 a 1997, para proferir palestra sobre a história da energia nuclear no Brasil desde os seus primórdios. Além disso, recebi convite para representá-lo em um seminário mundial de energia nuclear na Bulgária.

A convite de Bernard Bigot, presidente da Comissão de Energia Nuclear e Energias Alternativas da França, visitei as instalações de Grenoble, onde estavam em curso as principais pesquisas francesas sobre o desenvolvimento de componentes para aproveitamento da energia solar. Com Bigot conseguimos o acordo Brasil-França para o desenvolvimento de componentes e aplicação da energia solar usando o silício de boa qualidade existente no Brasil.

CC: Quais as oportunidades de desenvolvimento científico, como consultor, à sua disposição no Brasil e no exterior ao longo da sua carreira?

OLPS: No segundo semestre de 1994, logo depois do término do tempo de serviço como vice-almirante no serviço ativo da Marinha, após recusar o convite da AIEA, realizei o concurso para pesquisador sênior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), elaborado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, e classifiquei-me em primeiro lugar na competição com 16 Ph.D. formados em universidades de outros países.

A CNEN, contrariando a lógica, não me empregou. Como a área nuclear no Brasil, naquele clima de globalização da década de 1990, estava fechada para mim, pelos meus pensamentos nacionalistas conflitantes com o clima “globalizante” do período, resolvi abandoná-la e iniciei as atividades como pequeno empresário.

Durante 11 anos, não me faltaram trabalhos de engenharia e consultoria. Um deles foi o mencionado Um Porto de Destino para o Sistema Elétrico Brasileiro. Nesse período, o trabalho que mais me empolgou foi um encomendado pela Socicam, proprietária dos terminais rodoviários de São Paulo e Rio de Janeiro, entre vários outros. Tratava da concepção de um sistema nacional para transporte de cargas que usasse como célula mater contêineres e explorasse ao máximo a utilização de todos os meios de transporte do País, com ênfase na navegação de cabotagem, subutilizada.

O Laboratório de Geração Nucleoelétrica e o restante do complexo da Marinha em Iperó, São Paulo, foram concebidos por Othon – Foto Wanezza Soares

Em 2001, a pedido do professor José Goldemberg, representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética, coordenei o trabalho de um grupo de engenheiros e técnicos da Fundação da Universidade de São Paulo, que analisou a viabilidade de retomada da construção da Usina Nuclear Angra 3.

O estudo consumiu nove meses de trabalho, foi muito elogiado pelo professor Goldemberg e considerado de melhor qualidade do que os trabalhos equivalentes realizados pelas empresas Iberdrola, da Espanha, e Electric Power Research Institute (Epri), dos Estados Unidos.

CC: Por que a inovação introduzida pelo senhor no setor nuclear é importante para o País?

OLPS: Sozinho, nada realizei. O destino deu-me a sorte de compor uma miríade de pequenas e muito competentes equipes, cujo trabalho deixou o Brasil em patamar igual ou próximo dos países mais desenvolvidos na área de energia nuclear. Quando o Alto-Comando da Marinha me designou para desenvolver o submarino nuclear brasileiro e o combustível necessário para tal, eu era o único oficial com especialização nuclear.

Todo o esforço inicial foi compor equipes e concentrar o trabalho no desafio principal, que era o enriquecimento isotópico de urânio. Fizemos uma opção arrojada na época, que era a tecnologia adotada para as ultracentrífugas, de minha concepção.

Ainda como aluno de pós-graduação no MIT, comecei a conceber a ultracentrífuga logo depois de assistir a uma aula do emérito professor doutor Manson Benedict, o primeiro diretor do Departamento de Energia Nuclear daquela universidade, que, no final, fez um comentário jocoso: “Os brasileiros acreditaram e compraram da Alemanha esse método. O Brasil gastou mais de 1 bilhão de dólares desenvolvendo e construindo em Resende uma usina piloto que usava a técnica jet nozzle e nunca enriqueceu nem 1 miligrama de urânio”.

Com as ideias que tinha sobre ultracentrífugas, a pequena e maravilhosa equipe que tive a sorte de constituir projetou e construiu três ultracentrífugas no Brasil com tecnologia de vanguarda. O trabalho foi iniciado no segundo semestre de 1979 e, em setembro de 1982, produzimos uma pequena ampola de urânio enriquecido e outra de urânio empobrecido.

Foi o maior evento tecnológico do Hemisfério Sul naquele ano. Com um avançado método de gerenciamento de pesquisas que desenvolvi e denominei Sistema Matricial Dinâmico de Gerenciamento de Pesquisas, o aumento do número de equipes e o auxílio da comunidade científica brasileira, o País atingiu a maturidade na tecnologia nuclear.

Nada como uma equipe dedicada trabalhando em um ambiente saudável para atingir os resultados. Quando fui transferido para a reserva, em 1994, a Coordenação de Projetos Especiais da Marinha tinha um quadro de 600 engenheiros e físicos que, somados às equipes do Ipen, totalizavam uma elite de 980 engenheiros e físicos de alto nível. Isso foi muito importante para o País.

CC: Como a sua descoberta repercutiu na comunidade científica internacional?

OLPS: Em 1987, o governo brasileiro, em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, comunicou oficialmente o domínio, pelo País, do ciclo do combustível nuclear. Até aquele momento, as atividades tinham caráter sigiloso. Essa comunicação oficial teve grande repercussão internacional.

Em 8 de abril de 1988, com a presença do então presidente da Argentina Raúl Alfonsín e do presidente José Sarney, foi inaugurado o Centro Experimental de Aramar, em Iperó, no estado de São Paulo – onde funcionava o primeiro módulo da usina de demonstração industrial de enriquecimento de urânio –, e assinado um tratado com a Argentina, que previa a inspeção mútua das instalações nucleares dos dois países.

Esse evento teve a mais ampla repercussão na comunidade científica internacional. O pequeno discurso que proferi na ocasião foi o cume da minha vida profissional e da minha realização pessoal.

CC: Como as realizações e o potencial do Brasil na área nuclear são encarados no exterior?

OLPS: O domínio da tecnologia de enriquecimento de urânio e de todas as etapas do combustível, mesmo tendo optado por não produzir artefatos nucleares, tem um valor estratégico militar muito grande.

As grandes reservas uraníferas brasileiras e o domínio da tecnologia têm um significado econômico ainda não percebido pela maior parte dos que trabalham no setor energético brasileiro. Nas reuniões internacionais sobre energia nuclear e em uma reunião para a qual fui convidado na Energy Research and Development Agency (Erda), nos Estados Unidos, em 2010, tive a clara percepção de que as nossas pródigas reservas de urânio e a capacidade tecnológica de utilizá-lo são consideradas muito importantes internacionalmente.

CC: No momento da sua prisão, a quais atividades de estudo e pesquisa necessárias ao seu trabalho de consultor o senhor vinha se dedicando?

OLPS: O trabalho mais entusiasmante era um sistema de armazenamento de combustível nuclear queimado nos reatores, por mim concebido, que estava sendo coordenado pelo brilhante doutor Sergio de Queiroz Bogado Leite, à frente de um grupo de engenheiros da Eletronuclear.

Acredito firmemente que a adoção desse novo sistema de armazenamento de rejeitos nucleares de alta atividade, um dos maiores desafios tecnológicos da humanidade, colocará o Brasil na vanguarda mundial dos países que utilizam a energia nuclear. Esse sistema seria patenteado em nome da Eletronuclear.

A segunda atividade de estudo e pesquisa que eu desenvolvia era conduzida sob a coordenação do doutor Leonam Guimarães e tratava dos estudos de localização das novas centrais nucleares que o Brasil certamente necessitará construir. Esse estudo especificava as características das usinas nucleares e os requisitos que deveriam preencher para evitar acidentes nucleares.

Foi concebido para permitir a execução do programa por grupos privados, mas assegurando baixo preço da eletricidade produzida e o controle estatal brasileiro. A terceira atividade de pesquisa era coordenada por mim utilizando as minhas folgas, férias e fins de semana e tratava do término do desenvolvimento da família de hidroturbogeradores integrados para muito baixas quedas-d’água, da qual detenho a patente.

CC: Que balanço faz do seu tempo de atividade na Marinha?

OLPS: A maior parte do tempo foi muito empolgante. Fui promovido a segundo-tenente do Corpo da Armada em dezembro de 1960 e até 1963 operei embarcado no contratorpedeiro Mariz e Barros. Em 1963, sem planejamento prévio, tive sucesso no concurso para cursar Engenharia Naval na Escola Politécnica de São Paulo.

De fevereiro de 1966 até maio de 1975, trabalhei como oficial engenheiro no Arsenal da Marinha, período interrompido em 1969 para estagiar por um ano na Gibb & Cox, em Nova York, na época a maior empresa projetista de navios de guerra no mundo, que na década de 1930 criara os destróieres classe Cassin, da qual derivou o contratorpedeiro Mariz e Barros.

Fiz estágios de quatro meses no Philadelphia Naval Shipyard e de três meses no estaleiro Vosper Thornycroft, em Southampton, na Inglaterra. De 1966 a 1975, quis o destino que eu fosse escalado para gerenciar os maiores desafios que o Arsenal da Marinha recebeu nesse período, considerado a sua época áurea, onde o nível de atividade foi similar àquele vivido de 1935 a 1945, que englobou a Segunda Guerra Mundial.

Ainda como capitão de corveta, fui chefe da Divisão de Oficinas e responsável pela manutenção dos navios da esquadra por dois anos, época em que todos eles estiveram prontos para operar. Em março de 1973, fui designado chefe da Divisão de Construção Naval para construir os navios de patrulha fluvial que até hoje operam na Amazônia, além de uma dúzia de embarcações de desembarque para fuzileiros navais e seis embarcações de desembarque de carga geral para fuzileiros.

Gerenciei ainda a implantação, no Arsenal da Marinha, do programa de construção das fragatas Independência e União, que continuam a operar. Fui o oficial que gerenciou o maior número de embarcações e navios construídos naquele Arsenal no Pós-Guerra. Aos 35 anos, como capitão de corveta, tive a oportunidade de cursar Engenharia Nuclear no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O protótipo em tamanho natural do submarino nuclear com projeto encomendado a Othon, no complexo de Iperó – Foto Wanezza Soares

Em dois anos e 11 meses no MIT, completei 226 créditos estudantis, cerca de 50% a mais do que os alunos que cursam o Ph.D. completam. Ao regressar do MIT, em fevereiro de 1978, o diretor-geral do Material da Marinha determinou que eu fizesse um estudo e um relatório sobre a possibilidade de desenvolver submarinos com propulsão nuclear no Brasil.

O relatório foi entregue no fim de maio de 1978. A Marinha resolveu fazer um estudo maior tendo como referência o meu relatório. Para minha surpresa e perplexidade, em outubro de 1988 o almirantado (equivalente ao Alto-Comando no Exército e na Aeronáutica) decidiu iniciar o programa de desenvolvimento da propulsão nuclear para submarinos.

Recebi duas folhas que, na realidade, eram o resumo do meu relatório e se constituíram na minha missão nos anos em que permaneci no serviço ativo na Marinha, até agosto de 1994. Para evitar que a natural burocracia administrativa naval impedisse de desenvolver o programa, o almirantado me licenciou da Marinha e alocou na Divisão de Estudos Avançados do Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos.

O projeto da Marinha era secreto e eu tinha ordem expressa de não conversar com qualquer oficial da Marinha, só poderia responder às perguntas que os almirantes quatro-estrelas do Alto-Comando fizessem, somente se eles perguntassem e àquilo que perguntassem.

O almirante Maximiano Eduardo da Silva Fonseca assumiu o cargo de ministro da Marinha em 1979 e eu tinha a determinação para, em companhia do almirante Mário Cesar Flores, autor do estudo do Estado-Maior, uma vez por mês relatar diretamente ao ministro o andamento do programa. Iniciamos a pesquisa e o desenvolvimento com zero recursos financeiros e zero equipe.

Congregar uma das maiores equipes da história tecnológica brasileira, conseguir recursos em outros órgãos do governo federal além da Marinha, obter o apoio dos governos de São Paulo e da comunidade científica nacional e gerenciar o desenvolvimento tecnológico foi muita emoção, maior do que qualquer outro oficial engenheiro terá oportunidade de ter e que dificilmente outros tiveram nas outras Marinhas do mundo, pois tive de trabalhar na viabilização do combustível nuclear e no desenvolvimento da propulsão em um país com indústria ainda em desenvolvimento. Resumindo, a minha vida na Marinha foi fascinante e desafiadora, pois estive sempre atuando na linha de frente da tecnologia.

CC: Alguns daqueles que trabalharam com o senhor o descrevem como um idealista. Qual conduta sua provavelmente alimentou essa conceituação por parte de ex-colegas?

OLPS: Fui criado ouvindo meu pai, um médico do interior que me ensinou que vivemos em um lindo e formidável país, com um mix racial que, com ensino e aporte tecnológico, poderá muito contribuir para um mundo melhor. Meu procedimento e minha conduta foram sempre acreditar que não sou dono da verdade. Acredito que podemos aprender com todos, todos os dias. Uma boa parte dos companheiros era tão ou mais idealista do que eu.

CC: Como o senhor avalia a sua situação psicológica? Qual a sua rotina diária?

OLPS: A sentença foi dada em tempo recorde, depois da apresentação da defesa por meu advogado, e parece que já estava quase pronta. Ao conhecer o seu teor, que no meu modo de ver foi injusto, e, se as acusações fossem verdadeiras, ainda assim a sentença seria desproporcional tanto para mim quanto para minha filha, vivi dois dias em que tentei, em revolta, renunciar à vida. (Nota da redação: Ana Cristina da Silva Toniolo foi condenada a 14 anos e 10 meses por ser sócia do pai na consultoria que emitiu a nota fiscal do estudo encomendado pela Andrade Gutierrez.)

Depois, felizmente, me aprumei e passei a querer intensamente viver, pois entendi que o suicídio por revolta pela pena infligida à minha filha poderia ser interpretado como confissão de culpa. Na parte da manhã, antes da cirurgia a que tive de me submeter no dia 21 de setembro, fazia exercícios no cárcere e, nos 60 minutos previstos para banho de sol, andava de 5 a 6 quilômetros.

Decidi escrever um livro que relata a história da energia nuclear no século passado, em particular na América Latina. Descrevo a saga que foi o programa de desenvolvimento tecnológico no Brasil, em especial o esforço da Marinha e seus obstáculos políticos. O livro foi manuscrito, pois não tenho acesso a computador e, quando puder, vou digitar e fazer pequenas correções. Tomei gosto por escrever e, no futuro, pretendo produzir outros livros. Ler e ouvir notícias completam o meu tempo.

CC: O que o senhor espera da Justiça brasileira?

OLPS: Espero que deixe de ser direcionada por um pequeno grupo – onde existe a possibilidade de participarem alguns brasileiros transnacionais – e realmente procure aplicar a Justiça. Causou-me muita tristeza ver atuando como auxiliar de acusação, pela Eletrobras, um advogado indicado pela empresa estrangeira Hogan & Lovells, muito ativo. Também muito me entristeceu o juiz repetir várias vezes na sentença o eventual prejuízo da Eletrobras por possível desvalorização das ações na Bolsa de Nova York.

Como o preço de construção de Angra 3, por megawatt instalado, era menor do que construções equivalentes nos Estados Unidos, França e Finlândia, só perdendo para o preço praticado na China, acredito que um dia isso será levado em consideração pela Justiça brasileira. A grande melhora de desempenho da Eletronuclear, transformando-a em uma das melhores centrais nucleares do mundo, certamente contribuiu positivamente para o preço das ações da Eletrobras, mas isso também não foi levado em consideração na sentença.

FONTECarta Capital

98
Deixe um comentário

avatar
96 Comment threads
2 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
60 Comment authors
dumontAlexandre GalanteHeronHammerAndre Luis Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
César A. Ferreira
Visitante
César A. Ferreira

Bela entrevista, elucidativa.

Rodrigo
Visitante
Rodrigo

“transnacionais.. ” the watermelon.

andrepoa2002
Visitante
andrepoa2002

Primeiro: Carta Capital é um lixo esquerdista que está quebrada por não mamar no tesouro como ocorria no governo do PT.
Segundo: 3 milhões por um estudo científico??
Terceiro: o estudo desnecessário foi “vendido” a quem? Qual o objetivo de quem comprou com este “estudo”?
Quarto: O ilustre “pai” é bom de auto-elogio e segue a linha lulo-petralhista do “fiz muita coisa boa” portanto não me julguem.

smichtt
Visitante
smichtt

“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”

JagderBand44
Visitante
JagderBand44

Carta Capital?
Obrigado, não passei da terceira linha.

Burgos
Visitante
Burgos

Sim !!!
E aí ?!
Continua proibido de entrar no CTEMSP (USP) !!!
Por que será ?!

José
Visitante
José

Só mais um ladrão que, por acaso, usa farda. Muito fácil alegar patriotismo, perseguição do Ministério Público e a velha ladainha do inimigo externo em uma entrevista, onde não precisa provar nada. Só jogando pra torcida. Segue o velório.

Aldo Ghisolfi
Visitante

Acho difícil um oficial general ser condenado sem provas conclusivas.
Muita explicação…

Carlos Crispim
Visitante
Carlos Crispim

Tive a paciênca de ler peças da instrução processual da PF, dá nojo, as provas contra esse ladrão são fartas e indefensáveis, essa conversinha de colocar culpa nos estrangeiros é velha, sempre a mesma ladainha, enquanto isso ele embolsava altas somas de corrupção e ainda colocou a filha no meio, não passa de um ladravaz. O Brasil está há quanto tempo nessa de independência nuclear??????0, 50 anos???? Se esse ladravaz ainda continuasse mamando levaria mais 100 anos, quem quer acabar com a mamata???????

John Paul Jones
Visitante
John Paul Jones

Não aprendeu nada com o período preso ….

É um escarnio aos brasileiros e a MB, na minha opinião depois desta entrevista deveria ser enviado para ficar no presidio em Campo Grande ao lado da cela do Cabral.

Rafael_PP
Visitante
Rafael_PP

Muitos dos réus civis, nos escândalos recentes, aceitaram com mais dignidade suas condenações. Deve ser um traço da inabalável e inatacável ética militar, que torna qualquer fardado um ser acima de qualquer suspeita ou de tentações ‘mundanas’…
.
O monopólio estatal na área nuclear nos relega ao segundo, terceiro escalão nesta seara.
.
Ps: minha teoria de que nacionalistas e socialistas só tem o endereço de diferente é cada vez mais reforçada, não faltará estudos de casos no Brasil dos próximos anos.

Felipe Morais
Visitante
Felipe Morais

Simplesmente ridículo!

Lamentável um almirante jogar seu trabalho para o alto de uma forma que a única definição que lhe caiba é a da palavra ridículo.

pangloss
Visitante
pangloss

Esse caso demonstra bem como a excelência intelectual não é necessariamente acompanhada pela idoneidade de caráter.
É bastante elucidativo que um canalha desses só encontre veículos de comunicação corruptos, como a Carta Capital, para divulgar alegações tão desprovidas de fundamento.

Vilson J Fadel
Visitante
Vilson J Fadel

Só tenho algo a dizer ,deu entrevista a Carta Capital,se tudo isso saiu desta entrevista a Carta Capital,que não passa de um bando de Ptista,e está solto o Almirante Othon,acho que deva voltar para cadeia, mas de segurança máxima,observação não perdemos nada de tecnologia é só manter os profissionais envolvidos no Brasil,o Almirante Othon era só um gestor.
Brasil acima de tudo só abaixo de Deus.

Carlos Alberto Soares
Visitante
Carlos Alberto Soares

Para mim é simples:
1) Sigam o dinheiro, o MPF e a PF devem estar fazendo isso, NÃO deve NÃO tem que “pagar” nada.
Ficou preso e foi acusado injustamente, mova uma ação por DM etc etc e faça disso um “Atestado de Honestidade” e “finque” essa Bandeira.

2) Deve ? Pague dentro da lei.

3) Folha honrosa não dá direito a ninguém transgredir o ordenamento jurídico.

Carlos Alberto Soares
Visitante
Carlos Alberto Soares
Rogers Cabral dos Santos
Visitante
Rogers Cabral dos Santos

CARA DE PAU…..

Marcelo
Visitante
Marcelo

Sem palavras alegar patriotismo e interesse Internacional, vai ser cara de pau la longe, roubou desviou cadeia. Sem essa de patriotismo barato na hora que a batata assa alega isso.

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)
Visitante

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Rui Barbosa

Audax
Visitante
Audax

Ainda vai curtir o fim de vida em casa. E tem tantos iguais a ele nas FA. Uma pena.

Emmanuel
Visitante
Emmanuel

Parei de ler nessa parte “(…)Considero como brasileiros transnacionais aqueles que, embora tenham nascido neste belo país, gostariam de ser cidadãos de outros países, em particular dos Estados Unidos.(…)”
Sério que alguém leva isso a sério?

Miguel
Visitante
Miguel

Herói da Pátria. Grande Brasileiro. Parabéns ao site Naval e a Carta Capital.

Jeff
Visitante
Jeff

“pangloss 30 de outubro de 2017 at 11:15
Esse caso demonstra bem como a excelência intelectual não é necessariamente acompanhada pela idoneidade de caráter.”
.
Assinei embaixo.

joao brasil
Visitante
joao brasil

Parei de ler nessa parte “(…)Considero como brasileiros transnacionais aqueles que, embora tenham nascido neste belo país, gostariam de ser cidadãos de outros países, em particular dos Estados Unidos.(…)”
Sério que alguém leva isso a sério?
Joesley e wesley Batista levam isso muito a sério.
Moram em New York
https://g1.globo.com/mundo/noticia/delatores-da-jbs-relataram-as-autoridades-que-receberam-ameacas-de-morte.ghtml

Eliakim Seffrin do Carmo
Visitante
Eliakim Seffrin do Carmo

Carlos Alberto Soares 30 de outubro de 2017 at 11:20
“1) Sigam o dinheiro, o MPF e a PF devem estar fazendo isso, NÃO deve NÃO tem que “pagar” nada.
Ficou preso e foi acusado injustamente, mova uma ação por DM etc etc e faça disso um “Atestado de Honestidade” e “finque” essa Bandeira.

2) Deve ? Pague dentro da lei.

3) Folha honrosa não dá direito a ninguém transgredir o ordenamento jurídico.”

Assino embaixo e deixo meus parabéns ao comentarista por tamanha lucidez.

Infelizmente, análises simples e diretas como esta são escassas.
Tudo vira “perseguição política”, “forças ocultas”, “inimigo externo” e blábláblá.

colombelli
Visitante
colombelli

Se há condenação, há provas. Não conhecemos com detalhes os autos, mas afirmar que interesses obscuros tenham fabricado uma condenação é pueril, ainda mais em um caso publico como este. Nenhum juiz iria cometer uma asneira lógica sendo visado por todo Brasil. Tudo discurso político para incautos

Ronaldo de souza gonçalves
Visitante
Ronaldo de souza gonçalves

Eu acho que o Almirante merece o respeito dos senhores,pois graças a ele temos essa tecnologia nuclear inclusive temos condições de fazer a bomba atômica,basta ter urano ou Plutônio enriquecido,acho simque tem forças estrangeiras que não querem que o Brasil desenvolva nada,nada mesmo nem sub nem misseis nem artefatos nucleares e os senhores sabem a quem me refiro.Obrigado

Audax
Visitante
Audax

Sempre as teorias da conspiração para justificar os ladrões. O Brasil não está precisa de inimigos externos. O povo é o maior inimigo do Brasil.

xxx
Visitante
xxx

Apenas uma pergunta.

Quantos anos o Brasil está desenvolvendo o programa nuclear? Quanto foi gasto? Onde foi gasto? Quem gastou ? O que foi feito? E quantos países no mundo no mesmo tempo fizeram o programa nuclear?

Jesus gabriel
Visitante
Jesus gabriel

Vocês acham mesmo que não tem nenhum país que é contra a evolução militar e nuclear do Brasil ?
Acham mesmo que os EUA não se preocupam com a gente ?
Para né.
Óbvio que todo esforço nosso para evoluir eles tentaram barrar.
Os EUA chegaram até barrar a compra de PHALANX da MB.
Vocês tem que parar de achar que os EUA não se importam com a gente e que eles são mocinhos inocentes.

Jota
Visitante
Jota

Que papo furado ! E covarde, como o Lula picareta , se esquivando . Nesse caso atrás de um projeto simbólico para soberania nacional , que existe há décadas.
Uma vergonha para a patente que já ostentou, vergonha para a MB.
E se fosse tão importante assim, tão imprescindível e tão desafiador às “grandes potencias nucleares” , já teria sido eliminado há muito tempo atrás.
É a versão tecnológica e patriótica do “rouba mas faz”.

Doug385
Visitante
Doug385

Inocente é quem acredita nessa conversa fiada. O iluminado nem teve a dignidade de assumir o erro. Tratou de arrumar um inimigo externo para culpar, o que o põe no mesmo patamar de Hugo Chavez, Maduro, o cocaleiro da Bolívia, dentre outros. Não é coincidência ele conceder uma entrevista à Carta Capital. Tudo o que ele fez de bom no passado foi lançado pela janela quando decidiu por se servir do erário público. Agora lhe resta se esconder atrás de um nacionalismo rasteiro e egocêntrico, culpando forças externas e se fazendo de vítima, assim como o outro condenado de altíssimo… Read more »

jORGE KNOLL
Visitante

Almirante tu errou feio, quando tinha que servir de exemplo. Comeu propina, e gostou. Vcs são criminosos do colarinho branco, ou de farda, devem pagar mais caro que o criminoso comum. Vcs tem estudos,e utilizam em seu benefício, e de seus familiares.
Não caio nessa de quem interessava sua condenação. E o senhor não é vítima, é réu. Nós brasileiros, sim somos vítimas dos seus erros, de sua ganância.

Daglian
Visitante
Daglian

Jesus gabriel 30 de outubro de 2017 at 18:37 Os EUA barraram a venda de Phalanx ao Brasil? E o que é aquele Phalanx no NDCC Mattoso Maia? Você tem alguma prova do que fala, ou é simplesmente seu anti-americanismo infantil urrando? No mais, se os EUA quiserem, podem e têm todo o direito de barrarem a venda de todo e qualquer material militar por eles produzido para quaisquer países do globo. O produto é deles e portanto o destino dos mesmos depende apenas dos próprios americanos. Na sua visão parcial e equivocada, apenas os EUA são inimigos do Brasil,… Read more »

Plamber
Visitante
Plamber

@Jesus gabriel

O nível de vira-latisse e a quantidade de lambe botas do tio Sam por parte dos comentaristas da trilogia não está nos livros, chega a ser assustador. É a máquina de lavagem cerebral estadunidense dando certo naqueles de mente frágil. Só falta esses clubistas nos jogarem pedras quando discordamos dos mestres deles (EUA/Israel).

sergio ribamar ferreira
Visitante

Concordo com o Sr. Colombelli. Nada mais a declarar.

Adriano Luchiari
Visitante
Adriano Luchiari

Plamber, já passou hora de abandonarmos a ideia de que os problemas brasileiros não dependem do povo para serem resolvidos, mas tão só do governo, e de imputar a terceiros as causas dos nossos problemas e subdesenvolvimento. Como muitos acertadamente escreveram acima, o nosso maior inimigo está entre nós, dentre eles também o Sr. Othon, cuja declarada tentativa de suicídio expõe sua fraqueza de caráter. Estamos muito bem servidos de “heróis” e “guerreiros do povo brasileiro”.

Aldo Ghisolfi
Visitante

Ronaldo, apregoas a velha filosofia do ‘rouba, mas faz’?

Será que ele foi para casa usando tornozeleiras?

Renato Vargas
Visitante
Renato Vargas

Velha tática da desinformação. Essa ladainha não convence mais ninguém.

Fábio Mayer
Visitante
Fábio Mayer

Carta Capital fazendo o que mais faz: culpando os EUA e o capitalismo por todos os problemas do mundo.

vaguinho
Visitante
vaguinho

Não desista do Brasil guerreiro! a historia já guarda seu nome; e um dia serás reconhecido pelos filhos dos que hoje te criticam.

Sidao
Visitante
Sidao

Grande patriota e exemplo de brasileiro a ser seguido deveria ser contemplado. Com uma estátua gigante ,melhor que imensa maioria de brasileiros entreguistas.viva a carta capital pois fala a minha linguagem.

Mateus
Visitante
Mateus

É incrível como atribuir culpa a todos menos a si mesmos é padrão para os latinos, assumir erros e responsabilidades então! ? Durante todo pré segunda guerra o Brasil estava mais alinhado ideológicamente com o eixo do que com os EUA e seus aliados , após claramente perceber no meio da guerra depois de muitos navios afundados e muitos mortos que o Brasil optou pelo lado vencedor. O Brasil vivia uma ditadura populista desde dos anos 30. Após a guerra entramos na guerra fria, várias frentes guerrilheiras comunistas na América do Sul . Alguém acha que os EUA iriam favorecer… Read more »

pangloss
Visitante
pangloss

Esse verme poderia, de fato, ser muito respeitado pelo trabalho dele.
Mas, no meio do caminho, preferiu ficar rico de maneira desonesta, e então jogou sua biografia na privada e deu descarga.
Depois disso, não dá para ficar mendigando misericórdia alheia.

FJJ
Visitante
FJJ

Poxa Almirante Othon (é ex-Almirante já? Ou ainda é considerado digno do cargo mesmo tendo 43 anos de condenação nas costas?), você precisa atualizar o discurso de culpa e vitimização. Estados Unidos já está um pouco passado. “Brasileiros Transnacionais” tb não está pegando, não dá para lançar moda assim. O último grito da moda são os “globalistas”, o George Soros, ou até a ONU.. mas se seguir nessa linha vintage, anos 70/80, vai acabar culpando as “sete irmãs” também… Apesar de confessar que não passei da primeira pergunta porque esse bandido não merece meu tempo, fiquei feliz de ver que… Read more »

Jesus Gabriel
Visitante
Jesus Gabriel

Filhão, a compra dos PHALANX que foram barradas não foi aquela mixaria que tá “operando” no navio da MB. Foi um pacote que iria operar nas fragatas que foram construídas aqui no BR. Óbvio que os EUA tem sua estratégia e óbvio que é direito deles decidir o que fazer ou não com seus produtos e materiais militares, mas a questão aqui é o esforço americano em evitar que nosso país cresça. Óbvio também que o próprio povo brasileiro tem sua culpa, porém não é só isso. Para de ma.mar os EUA e comece a ver eles como inimigos porque… Read more »

Faustino
Visitante
Faustino

https://www.youtube.com/watch?v=J23JWOcct14
https://tvuol.uol.com.br/video/canal-livre-recebe-o-presidente-da-eletronuclear–parte-1-0402CC983370CC893326
Tem que contratar um psiquiatra para alguns dos comentaristas kkkkkkkkkk
Li muito sobre a acusação do almirante e ainda não me convenci da sua culpa.
O que importa mesmo é saber se os nossos segredos estão seguros? A Marinha, que está fazendo o submarino nuclear e as centrífugas, guardou os segredos relativos a esses desenvolvimentos tecnológicos? Pois temos ai uma questão imediata de Defesa e de Segurança Nacional.

Jakson de Almeida
Visitante
Jakson de Almeida

O que esta acontecendo com a trilogia?
Ultimamente vem postando lixos esquerdistas como esse da carta capital.

José Filho
Visitante
José Filho

Sempre foi assim,sempre sera assim:os culpados são os outros.
Quem dentre os culpados das mais variadas ilicitudes terão a ombridade de reconhecer o seu próprio erro e assumir a sua parcela de culpa?Isso vale para todas as matizes ideológicas,filosóficas, partidárias,religiosas…
O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males,já diz o velho e sábio Livro!

Nunao
Visitante
Nunao

Jakson, o assunto está aí pra ser debatido sob mais de um ponto de vista, apenas isso. Se a entrevista tivesse sido dada a uma mídia “de direita” e tivesse valor para o debate, também teria sido publicada para a discussão.