quinta-feira, janeiro 20, 2022

Saab Naval

Navio Hidrográfico ‘Sirius’ completa 60 anos de incorporação à Marinha do Brasil

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Comemoração inclui abertura da embarcação para visitação pública, entre 11 e 15 de janeiro

Como um dos eventos comemorativos do Jubileu de Diamante do Navio Hidrográfico (NHi) “Sirius”, a embarcação ficará aberta para visitação pública, entre os dias 11 e 15 de janeiro, das 8h às 17h, atracada no cais do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro. Em 17 de janeiro, o Navio completa 60 anos de incorporação à Marinha do Brasil, data considerada um marco histórico, por sua imensa contribuição à atividade hidrográfica brasileira.

O NHi “Sirius” foi o primeiro navio da Marinha do Brasil especialmente projetado e construído para o serviço de hidrografia. Tem a finalidade de servir como plataforma flutuante capaz de efetuar a coleta de dados batimétricos, oceanográficos e geofísicos, bem como a manutenção de faróis, de forma a contribuir para o apoio à aplicação do Poder Naval, para a segurança da navegação e para o apoio a projetos nacionais de pesquisa.

Construído nos estaleiros de Ishikawajima Heavy Industries Co. Ltda, em Tóquio, no Japão, o Navio teve sua quilha batida no dia 13 de dezembro de 1956, foi lançado ao mar no dia 30 de julho de 1957 e incorporado à Marinha do Brasil no dia 17 de janeiro de 1958.

O contexto de sua aquisição remonta aos anos 50, período em que o Brasil figurou como um polo econômico em franca ascensão, com o fim da Segunda Guerra Mundial. A revitalização do fluxo marítimo, após as inúmeras baixas de navios mercantes na costa brasileira, ocasionadas pela ação do III Reich; a privilegiada posição militar-estratégica do litoral brasileiro; e o grande impulso industrial incentivado pela influência de intercâmbios econômicos com a Europa e os Estados Unidos criaram a necessidade de um incentivo ao estudo dos potenciais marítimos e do pronto estabelecimento de rotas de navegação utilizadas para o escoamento de suas mercadorias.

Em vista de tais necessidades, a Marinha do Brasil, por intermédio da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), decidiu pela aquisição dos Navios Hidrográficos “Sirius” e “Canopus”.

No dia 8 de fevereiro de 1958, o NHi “Sirius” seguiu para Kobe, no Japão, de onde iniciou sua viagem para o Brasil, em 15 de fevereiro do mesmo ano. Chegou ao Rio de Janeiro no dia 19 de maio de 1958, tendo visitado os portos de Honolulu, São Francisco, Acapulco, Balboa, Curaçao, Belém, Recife e Arraial do Cabo.

Com o nome da estrela “Sirius”, a mais brilhante do firmamento e pertencente à constelação do “Cão maior”, o Navio é chamado carinhosamente, por sua tripulação, de “Cachorrão”.

O “Sirius” foi o primeiro meio naval em que houve a realização de um pouso a bordo por uma aeronave de asa rotativa em um convoo de um navio da Marinha do Brasil, feito ocorrido ainda na cidade de Kobe, no Japão, em 1957; e o primeiro a ser dotado de aeronave orgânica.

Nomes importantes da Marinha do Brasil integraram sua tripulação, entre eles, o ex-Ministro da Marinha na década de 80, Almirante de Esquadra Maximiano da Fonseca, primeiro imediato do “Sirius” e Comandante do Navio no final da década de 50; e o Almirante de Esquadra Júlio de Sá Bierrenbach, renomada personalidade da política nacional entre as décadas de 50 e 80, sendo Presidente do Superior Tribunal Militar na década de 80.

Entre 16 de junho de 1982 e 30 de outubro de 1986, o NHi “Sirius” passou por um período de modernização, que possibilitou a otimização de sua capacidade operacional na atividade de hidrografia. O êxito e o investimento desta modernização possibilitaram ao Navio operar satisfatoriamente em levantamentos hidrográficos, até os dias de hoje.

O NHi “Sirius” totaliza mais de quatro mil dias de mar e mais de cem levantamentos hidrográficos concluídos, dentre os quais, destacam-se os realizados na Barra Norte do Rio Amazonas, na Elevação do Rio Grande e no porto da cidade de Walvis Bay, na Namíbia. É, sem dúvida, um dos navios da Marinha do Brasil que mais benefícios trouxe para o País, devido ao longo tempo de serviço e à eficiência, fator sempre marcante nas comissões realizadas.

Os órgãos de imprensa interessados em realizar a cobertura do evento podem fazer o credenciamento previamente, pelos e-mails dhn.comunicacaosocial@marinha.mil.br e comsocdhn@gmail.com ou pelos telefones (21) 2189-3387 e (21) 99669-2068.

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SERVIÇO
Evento: Visitação pública comemorativa dos 60 anos do Navio Hidrográfico “Sirius”
Local: Cais do Museu do Amanhã
Data: de 11 a 15 de janeiro de 2018
Horário: das 8h às 17h
Endereço: Praça Mauá, Centro, Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita

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Ozawa

BZ Sirius!

Quantas histórias de vida passaram por esse convés…

Fernando "Nunão" De Martini

Pra quem quiser saber mais sobre os navios hidrográficos e a importância da hidrografia:

https://www.marinha.mil.br/dhn/?q=pt-br/node/80

E pra quem quer ver onde ele está baseado e os outros navios de seu grupamento, estão no terço inicial desta matéria extensa do Poder Naval:

http://www.naval.com.br/blog/2017/12/18/onde-ficam-e-quais-sao-os-102-navios-da-marinha/

Nilson

Belíssima história, parabéns a todos que deram e continuam dando vida ao H 21 – Sirius. Segundo o NGB do Poder Naval, o gêmeo H – 22 Canopus deu baixa em 1997, também depois de uma linda história.

Marcelo Andrade

Estes navios vierem cada um com um helicóptero Bel 47G. Me corrijam galera!

TukhMD

Parnaíba, Sirius… A Marinha Bananóide é um verdadeiro museu flutuante. Credo…

Luiz Floriano Alves

O Sirius e o Canopus escreveram belas páginas na História recente de nossa Marinha.
Construidos pela Yshikawajima foram modelos de barcos oceanográficos. Pena que este estaleiro não está relacionado nos proponentes para o programa das Tamandares.

Audax

Fez grande levantamento hidrográfico do litoral do Nordeste. Junto com o Canopus. Sim Marcelo. Os Bell 47 G começaram a operar nesses navios. Sds.

Capt Jack Aubrey

Smj, foi o 1o navio com CPP na MB

Lucas Palharez

Tive a oportunidade de visitá-lo hoje ao lado do Museu do Amanhã no RJ, um bellíssimo navio, e muito bem cuidado, pela idade, está bem conservado.

Aldo Ghisolfi

Bom o artigo.
SUGESTÃO: mostrar o navio por dentro, ponte, alojamentos, laboratórios, cozinha, refeitório…

Nunão

Se alguém que visitou quiser compartilhar fotos que tirou na visita, é só mandar pro email do editor chefe que a gente publica como matéria, Aldo.

Charlei

TukhMD, navios, barcos e afins, tem almas. Nunca fale com desprezo ou de forma jacosa de um deles.
O fato do governo não investir o que deveria na nossa marinha, adquiririndo meios novos e modernos não é culpa da tripulação e nem do navio, que apesar de tudo, cumprem sua missão.

Mike FT

Tive a honra visita-lo em abril de 2017, quando esteve atracado no porto de Santos juntamente com o “tubarão”.

XO

Parabéns a todos que labutam na importantíssima área da Hidrografia… “Restará sempre muito o que fazer”…

Carlos Alberto Soares

O Navio e todos que serviram ou servem como tripulantes, um Senhor que merece respeito.]

60 anos de mar não é para qualquer um,

fabricação japonesa + manutenção da MB e seus marinheiros, parabéns.

Luiz Floriano Alves

Até a chegada do Sirius e do Canopus a carencia de barcos oceanográfico era tão grande que a MB mandou adaptar o navio escola Almirante Saldanha (Cisne Branco) para essa função. Cortaram os mastros e “podaram” outros detalhes daquela obra prima dos estaleiros Vickers. Conheci o barco atracado em Rio Grande, comandado pelo Capitão Moreira da Costa, pioneiro na hidrografia no Brasil.

Aldo Ghisolfi

Gracias Nunão!
Seria muito bom.
Copiei e arquivei todas as postagens sobre o U 17.

Flávio Cardia

A MB escolhe nomes fodas para navios q não são de combate, e nomes chatos e repetitivos pra as principais embarcações!!

J.Neto

Galante, um elemento que se se auto proclama, em um nike para pegar o Moe dos Simpsons, não merece o seu conselho pois é pérola aos porcos…fantástica a história e importância destes meios ao Brasil.

Adeildo Barros

Qual é o segundo navio em idade mais antigo da MB.

Adeildo Barros

Qual é o segundo navio mais antigo da MB depois do monitor Parnaiba?

JagderBand44

Baita navio. Sem mais.

GUPPY

Bravo Zulu, Sirius-H21.

joseano

Então Alexandre Galante, não se pode fazer criticas nesse blog? A liberdade de expressão ainda que a pessoa fale tolices ( e quem sou eu pra considerar o que é tolice ou não) não é bem vinda? É aí que cai a mascara das pessoas e vc vê quem realmente a pessoa é por trás de todo aquele discurso liberal e tá tá tá. Presto solidariedade ao colega TukhMD pelo seu direito de manifestar sua opinião, que aliás não falou mentira, todavia a verdade incomoda a muitos, __________________________ COMENTÁRIO EDITADO. MANTENHA O RESPEITO. CRÍTICAS PODEM SER FEITAS E OPINIÕES PODEM… Read more »

Rui chapéu

Pq ele é pintado de branco e não cinza como os outros navios da Marinha?
Existe algum motivo específico ou era o que estava na mão na hora de pintar?

Fernando "Nunão" De Martini

Rui Chapéu, os navios hidroceanográficos e de atividades assemelhadas (como balizadores) são todos pintados de branco, não tem essa de pintar de branco porque a tinta está à mão… Dê uma olhada nessa matéria especial do final do ano passado, que mostra todos os 102 navios da MB, incluindo o principal grupamento dos navios hidroceanográficos, baseado na BHMN (em Niterói – RJ): http://www.naval.com.br/blog/2017/12/18/onde-ficam-e-quais-sao-os-102-navios-da-marinha/ Também dá pra ver nesse link alguns dos navios dessa categoria que servem nos distritos navais. Exceção são os navios polares, que têm só a superestrutura / casaria pintada de branco, enquanto os cascos são vermelhos, para… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini

“Adeildo Barros 12 de Janeiro de 2018 at 15:26 Qual é o segundo navio mais antigo da MB depois do monitor Parnaiba?” Adeildo, boa tarde. Você pode clicar no mesmo link que eu sugeri ao Rui Chapéu (http://www.naval.com.br/blog/2017/12/18/onde-ficam-e-quais-sao-os-102-navios-da-marinha/) e verificar você mesmo, o que é uma ótima oportunidade para conhecer melhor os navios da MB. O nome de cada navio, se você clicar, é um link para o seu histórico no site NGB (Navios de Guerra Brasileiros, abrigado aqui no Poder Naval). Nesse histórico tem as datas de batimento de quilha, lançamento, incorporação, e você poderá descobrir qual o segundo… Read more »

Ozawa

Infelizmente não poderei ir à visitação do NHi ‘Sirius’ mas se puderem postar algumas fotos da visita de alguns foristas será legal. Não obstante, passei sexta-feira pelo Boulevard Olímpico e pude observar que o Sirius estava atracado no pier frontal e não lateral como ficou o Cisne Branco. Achei que assim ficou um pouco oculto.

Dalton

Complementando o que o Nunão escreveu sobre a cor branca…acho que é algo universal,
algo convencionado …na US Navy navios que prestam apoio indireto à operações da frota
como os navios oceanográficos da classe “Pathfinder” são pintados de branco e nem mesmo estão listados na “Força de batalha”.
.
Outros navios como a classe “Victorious” que prestam apoio direto à Frota, são pintados de
cinza e estão listados no inventário da “Força de Batalha”.

JOSE CARLOS BEZERRA DE LIMA

Ao Cachorrão tudão! Honra de ter passado 4 anos de minha vida a bordo dessa história. Muito POIT, Itajaí, Fernando de Noronha e 1 ano e 17 dias na Base Naval de Aratu, Bahia. Bravo Zulu ao Cachorão. SO-CN RM1 Lima.

edison melo

Lembro-me que, quando criança,meu pai viajou ao Japão para “buscar um navio”. Ele fazia parte da comitiva que teve a honra de buscar o N H SIRIUS. Quando o reconheci na foto apresentada durante a reportagem fiquei emocionado.

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