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Royal Navy devolve OPV à BAE Systems por defeitos de construção

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HMS Forth, primeiro NPaOc classe River 2 da Royal Navy
HMS Forth, primeiro OPV classe River 2 da Royal Navy

O site britânico UK Defence Journal noticiou que o primeiro OPV da classe River Batch II entregue à Royal Navy, HMS Forth, foi devolvido ao construtor BAE Systems por causa de defeitos de construção.

O site também informou que o antigo OPV HMS Tyne (classe River Batch I) parece ter sido reativado depois que fotos surgiram mostrando-o arvorando o White Ensign em Portsmouth esta semana.

O HMS Tyne talvez tenha a sua desativação adiada enquanto o HMS Forth não ficar pronto.

Descobriu-se que a HMS Forth tem mais de 100 defeitos, incluindo problemas elétricos e de segurança. O navio é o primeiro de cinco novos navios de patrulha offshore que estão sendo construídos para substituir os navios atuais da River.

Uma fonte, atualmente servindo na Marinha Real Britânica e envolvido com o programa dos OPV, disse que o HMS Forth foi devolvido à BAE devido ao “péssimo padrão de construção” e acrescentou:

“Por exemplo, cabeças de parafusos coladas (milhares apertados demais) painéis de alta tensão muito perigosos, balsas salva-vidas que não funcionam, fiação fora do padrão, cozinha não segura… a lista é enorme. É muito pior do que o que eles disseram. O comandante do navio e oficiais superiores tiveram uma reunião com a BAE, MoD, etc. Eles calculam 3 meses para corrigir os defeitos, eu acho que será muito mais.”

A fonte também afirmou que todo o programa da classe River Batch 2 foi atrasado devido aos problemas, com a segunda embarcação da classe supostamente iniciando testes no mar em outubro do ano passado, mas ainda está no cais da BAE em Scotstoun, Glasgow.

OPV classe River Batch 2

72 COMMENTS

  1. Opa compraram a vesão BETA desta OPV !!!
    E Eu achando que o “jetinho brasileiro”, jamais seria exportado !!! hahahahahaaaaaa …
    Falando sério o pessoal do controle de qualidade estava aonde ???

  2. Realmente, como um colega já comentou, parece ser melhor comprar navio de 2ª mão, já testado e comprovado. Vamos tentar listar a quantidade de falhas em construção nos últimos anos: o submarino espanhol, a fragata alemã, o multipropósito australiano, o destróier inglês, etc, etc. Creio que estão tão preocupados com sistemas de última geração que estão esquecendo do básico, fazer o navio flutuar e navegar corretamente…

  3. Essa notícia é antiga, esse problema já vem rolando há um certo tempo, acho que há uns 2 ou 3 meses e agora, finalmente, a RN devolveu o navio a Bae.

  4. Pois é. Navio é casco, máquinas e gente. Navio de guerra tem armas. Mais sistemas. E radares. Sonares. Tem que ser anti tudo. Anti superfície, anti subs e anti-ar.

    São quilômetros de cabos. Canos. Tubos. Rebites. Parafusos.

    Quando saiu a matéria aqui sobre as Types paradas no meio do oceano sem energia, a Jane’s publicou matéria com opiniões de lá sobre o atual estágio da construção naval inglesa. Juniorizacao, baixo interesse pela carreira, falta de padrão, ausência de qualidade. Jovens engenheiros navais que não se interessam mais pela profissão.

    Bem lembrado que estão acompanhados por colegas espanhóis, alemães, australianos.

    Para quem defende esse ou aquele estaleiro, se há coreanos, chineses, indianos, turcos, pedindo passagem, não deve ser somente pelo fator preço.

  5. Nao me parecem defeitos de construcao, pois parafusos, botes salva vidas, paines eletricos etc nao sao, aparentemente, problemas estruturais e sim acertos a serem efetuados em qualquer embarcaçao nova. O know how dos armadores ingleses esta muito alem destes ajustes a serem feitos. Me parece mais uma campanha fake news de desinformaçao.

    • Campanha fake news de desinformação? O navio foi devolvido pela RN, isso é um fato.

      Pessoal não checa mais os fatos, ou acreditam em qualquer coisa, ou duvidam de qualquer coisa, dependendo apenas de seu gosto pessoal…

    • Ivan BC,

      Cuidado, no estaleiro da “super” FREMM as coisas costumam pegar fogo! (rsrsrs). Sem falar que a empresa responsável é conhecida por apresentar ofertas “por fora” em concorrências internacionais, demonstrando um agir, no mínimo, incompatível com as regras.

      Brincadeiras à parte, serve para demonstrar que uma coisa não guarda relação com a outra, ao contrário do que você insinua.

      A marinha australiana (RAN) sopesou as especificações dos concorrentes no seu programa de construção de fragatas ASW e decidiu, de forma técnica, segundo informações dos sites locais, que a Type 26 era a melhor opção. Com a devida vênia, não adianta ficar com achismos e simples preferências.

      Vale lembrar que a BAe acaba de construir, em parceria com outros estaleiros locais, um PA de 70.000 tons e está concluindo outro.

      Não é incomum que algumas correções tenham que ser feitas. Vale citar a classe “Tide”, da RFA, que foi construída na Coréia do Sul. Os coreanos (DSME) cometeram alguns deslizes e atrasaram o programa, mas sua indústria naval é conhecida por sua eficiência.

      • é porque o sistemas é Lucas!…No dois casos…..é/era fabricante britânico de sistemas
        elétricos…que davam problemas no caso de carros britânicos (Jaguar, AM;principalmente quando via chuva) deixavam de funcionar nas Ferrari (série 308) pegava fogo (por isso brinquei com o ocorrido com o Vulcano).

      • Eu sei que você brincou, mas eu continuo afirmando.
        Eu não troco as FREMM da França e da Itália (essa última ainda com linha de produção) pelos navios da BAE.
        A questão do incêndio foi algo pontual e isso acontece na indústria, não apenas militar. Uma falha na hora da execução é algo bem diferente dos problemas relatados nos navios da BAE. Praticamente todas as FREMM estão funcionando, tanto francesas quanto italianas.
        “”Sem falar que a empresa responsável é conhecida por apresentar ofertas “por fora” em concorrências internacionais””
        Não, não é conhecida por isso, nem a NAVAL e nem a Fincantieri. Ambas costumam concorrer normalmente. O caso da FREMM para o Canadá, a oferta da Fincantieri pode ter sido inoportuna, mas não por fora, até porque a FREMM atendia praticamente todos os requisitos e fazia parte da disputa desde o início. Não há nada de errado em fazer uma oferta um pouco fora da curva dentro de uma mesma concorrência, estranho é o caso da DASSAULT oferecer uma proposta, fora da concorrência e fora da comissão, totalmente diferente para os belgas na compra de um novo caça. Isso sim não faz sentido e é no mínimo estranha. Apesar de não ser o fim do mundo!

        • Ivan,

          É apenas uma opinião pessoal sua (o que respeito), mas sem qualquer acesso às informações relevantes sobre a concorrência envolvendo a aquisição de fragatas ASW.

          Agora, quanto à sua afirmação de que “Ambas costumam concorrer normalmente”, questiono: não recorda das notícias divulgadas sobre os “problemas” envolvendo a contratação da DCNS (atual Naval Group) para a construção dos submarinos por aqui?!

          Saudações

        • Caro Ivan, aparentemente a oferta das FREMM para o Canadá foi bem estranha mesmo, pois teria sido submetida diretamente ao Ministro da Defesa ao invés de seguir o processo oficial e por conta disso foi desconsiderada e excluída do shortlist. E mesmo assim continuou enviando propostas para a segunda fase da concorrência, ignorando completamente os trâmites oficiais.

          Mal comparando é como se no dia da divulgação da short list das Tamandarés, descobríssemos que existiram 10 propostas pras mesmas, mas que essa décima teria sido enviada ditetamente ao Ministério da Defesa. E pra piorar, por não aceitar sua não inclusão no short list, estaria mandando uma proposta final pra ser considerada junto com as 3 selecionadas.
          Agora imagina que o autor de tal proposta fossem os Russos ou Chineses — todos iriam falar que eles não são sérios e tal…

  6. Os nossos amigos da RN estão cada dia com mais problemas para poderem utilizar as novas aquisições, um para em auto mar, falta de energia, outro na entrega apresenta vários pequenos defeitos, assim fica difícil para nós daB que estamos de olho nestes navios que serão retirados

  7. “There are areas of the hull of HMS Queen Elizabeth where the top-coat of paint has not adhered to the undercoat.”

    Nem a tinta presta.

  8. Pergunta de leigo:
    O preço dessa lista de concertos vai ser pago por quem? A BAE System ( existe período de garantia pra equipamentos militares ? ) ou vai sair do bolso da RN mesmo?

    “Por exemplo, cabeças de parafusos coladas (milhares apertados demais) painéis de alta tensão muito perigosos, balsas salva-vidas que não funcionam, fiação fora do padrão, cozinha não segura… a lista é enorme.´´
    Submarinos com toneladas a mais do que o previsto, e que não cabem na doca, caças de bilhões de dólares e que ainda estão na versão “beta´´, mísseis que não decolam, navios cheios de erros no projeto e construção….o que tá acontecendo ultimamente?

    • Certamente o fabricante vai arcar com os custos das correções, sob pena de ser processado na justiça e do cliente nunca mais comprar nada dele (o que é bem grave quando o cliente é o governo)

    • Em geral, nos contratos de aquisição, defeitos do tipo têm que ser consertados pelo fabricante por sua conta. Também costuma haver multas em caso de desempenho abaixo do esperado. E não é de hoje.

      Há algum tempo pesquisei documentos relacionados à encomenda da Marinha de seis contratorpedeiros a estaleiros britânicos, na segunda metade da década de 1930, e havia várias cláusulas sobre garantias de qualidade e desempenho, estabelecendo multas para cada meio nó a menos na velocidade, por exemplo.

      • Fiz essa pergunta porquê, se não me engano (se eu estiver errado, por favor me corrijam ) lí, no Poder Aéreo, sobre os problemas do F-35, e além dos países participantes do projeto terem investidos bilhõs para o P&D do F-35, mais milhões de dólares para adquirí-los, os países teriam que desembolsar mais alguns milhões de dólares para consertar esses problemas e atualizar a aeronave.
        Achei estranho comprar algo por milhões de dólares, o equipamento vir com defeito de fabrica, e o comprador ter que pagar mais alguns milhões de dólares pra resolver o problema do produto que comprou.

  9. É, são as indústrias ‘Bambi”fazendo história. Vamos acrescentar a nossa já vigorosa lista os OPVs classe River II.
    Então nós já temos:
    EC 725, a Kombi
    NH 90
    Tiger
    Typhoon
    A 400
    T 45
    TKMS T 125
    S80 Espanhol
    LHD Adelaide
    O Belo Antonio, também conhecido como CDG
    O Candango da Barbie, também conhecido por LMV

    Se esqueci algum, adicionem a lista, por favor.

    • Caro Juarez.
      A pressa em desenvolver projetos caros e vende-los no menor espaço de tempo, antes mesmo de uma maturação e testes adequados .Depois utilizar grupos de pressões politicas para coloca-los à disposição dos governos. Neste inventário que voce mencionou, quantos bilhões (Talvez trilhões) de dólares não foram colocados sem a contrapartida da qualidade e eficácia operacional ?

  10. Falando sério! Todo desenvolvimento de produto novo está sujeito a ajustes no seu lote piloto ou na sua série, isso até aconteceu com o novo porta aviões da classe USS Gerald Ford com trocentos ajustes, fragatas Alemãs que não funcionam….,ou seja, são marcas que já fazem isso a décadas. Podemos até chamar de recall da industria naval. Penso que por mais que o projeto das CTTs coordenado pela Emgepron com assessoria da Ficantieri juntamente com testes realizados como por exemplo o do casco e tendo o seu DNA já consagrado da Corveta Barroso, acho mais seguro os projetos Napips já existentes no mercado. O risco é menor e não comprometeria o cumprimento do cronograma por problemas técnicos e estruturais de última hora e elevação de seus custos de fabricação.

    • Certamente novos cabeças de série, novas classes etc podem apresentar problemas que precisem de ajustes. Isso é muito normal, em indústrias navais do mundo todo, há tempos.

      Mas o que chama a atenção nesse caso é que não se trata de um navio totalmente novo, é um novo “batch”, versão aprimorada da versão anterior (aliás, a anterior está em serviço no Brasil). Espero que resolvam os problemas no prazo, é um OPV, não é navio com desafios ou características novas o suficiente para justificar esses problemas, pelo contrário, é um Batch 2 de navio consagrado (e poderia até ser chamado de Batch 3, não para a RN, mas para a evolução da série, pois a nossa classe Amazonas está, evolutivamente, entre os Batch 1 e 2 da RN).

    • Top Gun, a princípio concordo com vc que um Napip seria mais seguro que o projeto da CPN, mas nos Napips apresentados tem de tudo, desde projetos quase idênticos a navio já operacional (Sigma), passando por adaptações consideráveis (BAE, TKMS), até projeto virgem em termos operacionais (Ucrânia, Fincantieri)

  11. Teve muita gente querendo que a MB comprasse esta porcaria. Fico mesmo com a ideia de que navio bom é semi-novo já devidamente testado como o “Atlântico” e o “Bahia”. Devia a MB comprar logo umas Fragatas usadas em bom estado e de projeto mais atual do que as que temos!

    • Não creio que dê pra chamar de porcaria. Se não fosse possível consertar os defeitos, aí sim, mas não parece ser o caso, mesmo levando em consideração que não era pra acontecer isso numa terceira geração de um OPV de design consagrado.

      Sobre navio bom ser semi-novo, tudo depende de qual navio, da sua idade, uso, desgaste, coisas que vão depender de seus operadores. E a oferta de navios de guerra com pouco uso é extremamente variável. Fragatas usadas em bom estado por aí, hoje em dia, são raríssimas. O que se aventa estar disponível nos próximos anos terá perto de 25-30 anos de emprego, ou seja, já bem passadas da meia-vida.

    • Gerson,

      Salvo engano, muita gente defendeu a aquisição dos River Batch 1, com cerca de uma década e meia de uso, e não propriamente a compra do Batch 2.

      Aliás, um dos antigos “River” está sendo reativado, segundo a notícia.

      Neste caso noticiado, compartilho da opinião do Nunão, pedindo licença para transcrever parte de um comentário anterior que ilustra a situação: “o que chama a atenção nesse caso é que não se trata de um navio totalmente novo, é um novo ‘batch’, versão aprimorada da versão anterior (aliás, a anterior está em serviço no Brasil)”.

  12. Falta de concorrência causa esse tipo de problema.
    O problema não é somente a BAe, mas também os sucessivos governos que permitiram, ou até mesmo encorajaram, a consolidação da indústria de defesa em uma única e imensa empresa.

  13. Depois quando eu digo que pagar 300, 700 milhões, dois, quatro bilhões é muito caro, o pessoal diz que não.
    Que é alta tecnologia, que gera empregos bem remunerados.
    E é porque se trata de um mero navio patrulha.

  14. As modernas técnicas de fabricação relegam o setor de Controle de Qualidade. O famoso QC da era Ford não exisste mais na industria moderna. O conceito oriental da Qualidade Total ou Excelência consagra a prática de que todos os envolvidos no processo são inspetores de qualidade e devem fazer e bem as suas tarefas e produtos. Assim serão atendidos os Clientes Internos e Extenos. Esqueceram de dizer aos ingleses e outros que tentam adotar essa Teoria, que os orientais, por suas filosofias e convicções adotam outros padrões de recompensas e outros níveis de satisfação. O que dá certo na Coréia, Japão e Cingapura, não deverá funcionar da mesma forma, em qualquer lugar.

      • Mercenário, bom dia.

        O navio da classe “Tide” que apresentou problemas foi o cabeça de série, conforme destacado na própria matéria do defencenews. Históricamente o primeiro de uma série apresentar problemas é aceitável e já esperado.

        Ocorre que no caso do Opv River Batch II, como o próprio diz, ele é uma evolução de uma classe já existente, e aí o negócio muda de figura.

        • Mk 48,

          Ciente da sua observação.

          Mas vale lembrar que nos OPV River Batch I não houve relato de qualquer problema significativo, tampouco no caso das Amazonas ou do HTMS Krabi da Royal Thai Navy.

          O Batch II envolve uma série de mudanças, conforme já relatado em matéria publicada também aqui no PN.

          A adaptação de um projeto consolidado, a depender das modificações que serão introduzidas, pode ser bastante complexa. Mas concordo que, à primeira vista, não parece ser o caso. Eles deverão sanar as intercorrências apresentadas.

    • “Vivemos a era da qualidade total.

      O foco passa dos processos para o cliente, que deve estar satisfeito com a qualidade dos produtos e serviços. Deve-se ter um pensamento preventivo e dividir a responsabilidade pela produção ou entrega de serviços de qualidade com a empresa como um todo e até com fornecedores e parceiros. A abordagem é mais estratégica, com foco na satisfação do cliente e muito além da qualidade estatística…”

      Se o cliente não percebe ou não reclama, passou. Tá ótimo.

      A indústria de autos faz isso desde os anos 1990. Sabem que o produto tem vícios e defeitos. Mas entregam. Se tiver reclamação, reparam o que foi reclamado. Defeitos não percebidos não são reparados.

      Ford também inventou a escala. Faz um, os outros serão cópias. Quanto maior a escala de produção menores serão os custos e os problemas.

      Os chineses destruíram isso.

  15. “Our reputation has seriously deteriorated on the back of recent business-wide operational performance and we all need to take action to improve this,” it said. “We need everyone in Naval Ships to consider what the barriers are to right first-time performance in your area and identify solutions that you and your team can apply.”

    Quando a própria empresa admite que estão havendo prejuízos em sua reputacao e isso não tem sido somente por conta de parafusos….

    Todo processo industrial comete falhas. Menores e maiores. Como submarino que vai e não volta.

    Quando acontecer aqui, vamos dar um desconto. Se acontece lá…

  16. O que chama a atenção é que um país como a Inglaterra, que talvez tenha uma das maiores tradições de construção naval no mundo, talvez a maior de todas, venha enfrentando tantos problemas. O pior é que o problema parece ser sistêmico, pois envolve desde os submarinos nucleares Astute até os Opv. A impressão que se tem é que com o aumento dos custos e a
    redução significativa no número de encomendas, deve ter feito um grande estrago no processo
    de transferência de tecnologia entre as gerações mais velhas experientes e os engenheiros
    mais novos. Não só os engenheiros, mas o problema pode atingir todos os níveis, desde soldadores, eletricistas, etc.
    É algo para o Brasil pensar… Como vamos manter os trabalhadores treinados na Nuclep, e FREM e no estaleiro. Não basta apenas mantê-los (o que já é difícil), mas mantê-los trabalhando para não perderem o expertise alcançado.

    • Não é à toa que a nova estratégia de construção naval inglesa recomenda não estender a vida útil dos navios, mas encomendar novos assim que passar pelo primeiro retrofit do ciclo de vida.
      Navios de Guerra não podem ser vendidos no comércio e o único cliente são as Marinhas de Guerra, que pertencem a Estados.
      Se esses estados começam a restringir os orçamentos de investimento militar, temos o resultado prático aqui em casa.
      A Embraer só chegou onde chegou pelas encomendas militares (Bandeirante, Xavante, AMX, KC 390 e Grippen).
      Onde está a Engesa? A Avibrás sobreviveu anos fabricando peças de Fusca e Kombi para não morrer. Agora teve esta encomenda do Exército e ganhou novo fôlego.
      O future da indústria de defesa inglesa, em especial da indústria naval, não terá outro destino se o governo não mantiver investimentos.

  17. Check list , normal em obras e construções onde se tem engenharia empregada , agora é só correr os defeitos e eleminandos um por um.

  18. Só para ficar claro problemas de de rebites, parafusos arroxados demais, segurança e fiação elétrica não são causados por causa de se o cabeça de série (novo navio). Basta seguir a s normas que são muito rígidas cálculos e controle da qualidade. Como projetista mecânico que sou está muito claro que está faltando qualificar melhor a mão-de-obra porque que executou não executou como deveria, quem deveria verificar a qualidade não o fez de forma adequada ou/e o corpo de engenheiros fizeram o projeto elétrico e/ou mecânico fora das normas de segurança, construção e/ou mecânicas.Por isso repito o problema está na falta de qualificação adequada para o tipo de projeto.
    Que sirva de alerta para Marinha do Brasil, revisar e adequar o procedimentos para recebimentos não só de novos navios mas para qualquer outro equipamento afim de evitar acidentes, quebras ou que venha a colocar a integridade física do nossos militares.

    • Gostei do seu comentário, que me parece bem técnico.
      Mas acrescento outro problema. Não apenas formação de mão de obra, mas aparente deficiência nos processos de trabalho.
      O processo deve sobrepujar o indivíduo. Não se pode depender da individualidade do profissional de modo que cada um fará a seu modo, alguns bem feito, outros mais ou menos e outros mal feito.
      O processo de trabalho deve ser tal que não permita erros.
      Esse dos parafusos apertados em excesso.
      O equipamento já deveria vir calibrado. Ou deveria fazer parte do processo, ao apertar, medir a tensão? Como chama isso? Você vê, no caso de roda de carro, os caras das lojas de pneu fazem o tempo todo e dá certo. Por quê? Aparentemente, não tem como haver erro. A não ser que o cara aperte de menos.
      Com processos de trabalho bem definidos, inclusive com verificação logo após ou durante a execução, a possibilidade de dar erro é minimizada.
      Por falar nisso, onde estavam os engenheiros, os inspetores de qualidade?
      Afinal de contas, alguém chega e faz de qualquer jeito e o estaleiro que cobra milhões não valoriza cada trabalho que realiza?
      Enquanto isso, na construção de navios civis são fabricados dezenas. Esses militares fazem muito poucos, cobram caro e ainda não valorizam…

    • Não desaprendeu, mas pelo que tem acontecido nos últimos tempos tem sofrido mais do que se consideraria aceitável, levando em conta sua longa tradição em construir navios de guerra.

  19. Esclarecendo :
    Quando coloquei no outro tópico que era bom comprar “seminovo com pouco uso” foi dentro de uma amalogia com automóveis. Como o grosso da depreciação se dá nos primeiros anos, é uma boa do ponto de vista benefício/custo. Se custo não for problema, tanto carros quanto quaisquer outros veículos zero km são melhores.
    .
    Quanto aos problemas nesse batch 2 é uma pena, pois dizem ser uma OPV com resistência de corveta. Ou seria…
    Como o projeto Tamandaré da BAE é baseado nestas naves, convém à MB prestar atenção.

  20. Esteves.
    Alta qualidade de produção envolve tudo, do projeto, material, fornecedores terceirizados e mão-de-obra.
    Recentemente a Takata, líder mundial em airbags, entrou em concordata e no final foi vendida… aos chineses. Não imagino como uma fornecedora japonesa líder em um componente atualmente obrigatório foi acabar assim.
    Em um navio, acredito que poucas peças sejam terceirizadas, devido à baixa cadência de produção. Então o foco deve ser no projeto e na MDO.

    • Delfim,

      O caso da Takata foi na verdade um escândalo mundial. Eles fabricaram milhares de air-bags defeituosos para diversas montadores em todo o mundo e aí , quando os problemas foram descobertos, tiveram de fazer milhares de recalls, o que com certeza pelo volume de dinheiro envolvido levou a empresa a concordata.

    • Quanto à Nakata, esse problema envolve muitas outras empresas.
      Quero dizer, defeitos.
      Inclusive recalls ocorrem o tempo todo.
      Muitas empresas se envolvem em escandalos, tipo a VW com o diesel gate.
      Ou têm acidentes, como a Vale e a BP.
      Acidentes de grandes proporções que podem causar prejuízos de bilhões de dólares.
      Se o prejuízo for maior do que a empresa, adeus…
      Nessa área de custo benefício, tenho uma teoria, que ainda não desenvolvi, mas já tive algumas ideias.
      No mundo do direito, muito se fala em indenização.
      Você paga a alguém por um prejuízo que lhe causou para “voltar ao status quo ante”.
      Não gosto desse princípio e de como é utilizado.
      Especialmente no que concerne os aspectos do poder aquisitivo do causador do prejuízo, dos seis benefícios na atividade econômica e no eventual dano que pode causar.
      Tem a ver com alavancagem.
      Imagine o poder de alavancagem de um piloto de aeronave e de um ciclista.
      De repente você tem um ciclista bilionário que atropela uma pessoa. Se a vítima vier a falecer, eventual indenização paga pelo bilionário não vai lhe pesar tanto.
      Imagine um piloto de um A 380 com 600 passageiros, todos milionários.
      O piloto causa um acidente e as famílias dos milionários pedem indenização…
      Em tese o ato do ciclista e do piloto é o mesmo. Um descuido, provoca um acidente com mortes.
      Só que numa bicicleta dificilmente o acidente será grave.
      Já no avião, o risco é sempre maior.
      Isso se o avião não cair sobre um estádio de futebol lotado.
      Então, primeira premissa, atos semelhantes podem ter resultados amplificados pela natureza do evento/equipamento envolvido e seu poder de alavanca.
      Não faz sentido punir igualmente.
      Observar apenas o resultado.
      O mesmo se aplica a um policial que mata um bandido ou até civil durante um tiroteio.
      Um garçom, pela natureza do seu trabalho, tem baixa probabilidade de matar alguém.
      Já o policial, pela natureza de suas atividades, está sempre correndo o risco de morrer ou matar.
      Não se trata de escolhas ou vontades iguais.
      O policial não anda com um fuzil por prazer.
      A natureza de suas atividades envolvem um efeito alavanca enorme.
      Comparar um homicídio causado por um policial a um homicídio provocado por um garçom é injusto.
      O resultado pode ser o mesmo.
      A vontade é o ato podem ser semelhantes.
      Mas a natureza amplificadora é diferente.

  21. Nunão, posso estar enganado, mas no meu entendimento o que diferencia as River Batch2 das nossas Amazonas é exatamente todo trabalho de melhoria de sobrevivência do navio, tais como redundância de sistemas, compartimentações extras, proteção dos paióis de munição e melhorias nos sistemas anti-incêndio. E essas são as razões alegadas pela BAE pela “inflação” do custo dos mesmos.

    Agora, se essas melhorias são o suficiente para qualifica-lá como “OPV com resistência de corveta” eu não sei, mas provavelmente o nível de resistência deve ser semelhante ao do projeto Leander, uma vez que as especificações do mesmo previam padrões comerciais com redundâncias e proteções extras somente em áreas essenciais.

  22. Gilbert 30 de julho de 2018 at 0:55

    Só para ficar claro problemas de de rebites, parafusos arroxados demais, segurança e fiação elétrica não são causados por causa de se o cabeça de série (novo navio). Basta seguir a s normas que são muito rígidas cálculos e controle da qualidade. Como projetista mecânico que sou está muito claro que está faltando qualificar melhor a mão-de-obra porque que executou não executou como deveria, quem deveria verificar a qualidade não o fez de forma adequada ou/e o corpo de engenheiros fizeram o projeto elétrico e/ou mecânico fora das normas de segurança, construção e/ou mecânicas.Por isso repito o problema está na falta de qualificação adequada para o tipo de projeto.
    Que sirva de alerta para Marinha do Brasil, revisar e adequar o procedimentos para recebimentos não só de novos navios mas para qualquer outro equipamento afim de evitar acidentes, quebras ou que venha a colocar a integridade física do nossos militares.

    Gilbert, concordo com tudo que você afirmou ai acima, porém acrescento que colar cabeças de parafusos que foram atarraxadas em excesso não é só falta de qualificação, é sem vergonhice, picaretagem, coisa de oficina de fundo de quintal. Erro de dimensionamento de fiação elétrica me leva a sempre a pensar uma coisa:
    Cargas elétricas são “lidas” bastante conhecidas por estes estaleiros, então a questão é baixar custos de produção aonde não se deve e não se pode fazer.

  23. Nonato, a mão de obra capacitada e um projeto bem desenvolvido segue uma “lista de processo” que vai alem de onde e quando. Na descrição do processo está devidamente informado como (ou deveria estar). A industria naval tem como característica uma grande preocupação com prazos e simultaneidade de processos de produção uma vez que o meios de produção vão até o produto e não o contrário. Então esses erros relatados a primeira vista parecem coisas simples, mas pra alguém com um pouco de conhecimento técnico demonstra um certo amadorismo da equipe. Não tenho informações pra dizer se foi erro de projeto ou execução nesse caso, mas que preocupa a falta de procedimentos pois espero que o torque esperado no torquímetro tava marcado na lista de processo …
    Um exemplo que posso te dar é o próprio aperto da roda, se você der o aperto de menos você estará deixando de introduzir um esforço de pré-tensão desejado no parafuso podendo leva-lo a fala (oque pode acarretar em um problema sério). Porém um torque inadvertidamente elevado vai introduzir no parafuso uma tensão muito elevada e pode contribuir com a fratura do mesmo em caso de impacto com um buraco por exemplo, e não é incomum encontrar casos de aperto descomunais que causam o “espanamento” da rosca (em alguns casos os caras passam cola e devolvem o parafusos e não fala nada pro cliente) ou um “travamento” do parafuso no cubo (já tive caso de ter que ir fazendo furos progressivos pra remover um parafuso preso no meu carro).

  24. Desculpe me, mas na Industria Naval não tem alguém para assegurar a Qualidade do fornecedor?
    Se não foi um fornecedor, e a montagem foi interna, não existe um projeto? que deveria se aprovado por alguém?
    Quanto as parafusos colados, isso realmente é inusitado, existe cabeça de parafuso (completo, corpo + cabeça) soldado por resistência em um determinado corpo, mas colado, isso iria segurar oque?
    A Marinha (Qualquer Marinha) não tem um procedimento ou um check list mínimo que seja, para receber um embarcação?
    Perguntas de leigo.

    • “For example bolt heads glued back on (thousands over tightened) high voltage switchboard very dangerous, life rafts failed to launch, wiring sub standard, galley not secured… list is huge. It’s much worse than what they released.

      • Pelos parafusos apertados em demasia e outros colados em sua volta, deduz-se que estavam soltando, provavelmente com alguma vibração. Mas painel de alta voltagem, isso é problema de projeto (ninguém vai colocar em um painel algo que não foi definido), mesma coisa com a fiação. Pelo pouco que sei, muitos erros saíram de projetos, e não de construção. Projeto tem quer ser aprovado por alguém, certo? Esse alguém passa a informação adiante, até que chegue ao comprador final. Ou a RN não se apercebeu o que estava comprando?
        Novamente, sou leigo em construções de embarcações.

  25. Há poucos anos lembro de ter lido algo sobre soldadores que trabalhavam para a BAE Systems perderem seus empregos para poloneses que custavam 30% menos para os contratantes. Questionada sobre a construção dos porta-aviões da classe Queen Elisabeth, a BAE Systems disse que os poloneses estavam sendo alocados na construção de “patrol vessels”… Quem planta colhe! http://www.dailymail.co.uk/news/article-1333924/300-Royal-Navy-workers-axed-Poles-30-cheaper.html

  26. Lembro-me de ter lido que o estaleiro nacional que é parceiro da BAE na competição não é dos melhores, agora vemos com uma certa constância defeitos nos navios fabricados no próprio Reino Unido…estou me convencendo de que optar pelos ingleses pode ser uma proposta de risco elevado.( Acho que vão rodar!)
    Agora o estaleiro holandês DAMEN tem entregado navios com alto padrão de qualidade, bom preço e tem demonstrado que sabe transferir tecnologia…Os franceses estão fazendo mistério( Não gosto muito da maneira que eles conduzem negócios na área de defesa, principalmente no quesito lisura e transparência)…Os turcos tem uma proposta excelente.

    Minha preferência no presente momento é : Holandeses,turcos e ucranianos(Parceria com o estaleiro da casa)

    Gabriel Henrique

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