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Irã demonstra capacidade naval de sufocar o fluxo de petróleo do Golfo

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Escalada na disputa com os EUA sobre a retirada do acordo de armas nucleares

A Marinha do Irã enviou dezenas de pequenas embarcações ao Estreito de Ormuz no dia 2 de agosto, mostrando sua capacidade de sufocar a estratégica hidrovia do Golfo Pérsico – uma medida que poderia elevar os preços globais do petróleo e da gasolina dos EUA – e aumentando o confronto com a administração Trump pela retirada do acordo nuclear de 2015.

Autoridades dos EUA disseram que o exercício naval era a maneira de Teerã mostrar sua capacidade de criar uma ruptura na hidrovia, através da qual cerca de 30% do petróleo transportado pelo mundo passa diariamente. Autoridades do Pentágono disseram esperar que o exercício durasse apenas algumas horas, embora não estivesse claro na noite de quinta-feira se ele havia terminado.

“Estamos monitorando de perto, e continuaremos a trabalhar com nossos parceiros para garantir a liberdade de navegação e o livre fluxo comercial”, disse uma declaração do capitão da marinha Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos EUA.

O exercício marcou a mais recente escalada do Irã em resposta à promessa de Trump de começar a restabelecer as duras sanções econômicas nos próximos dias que foram suspensas sob o acordo de 2015. Uma fonte do Pentágono disse que as inesperadas medidas da Marinha iraniana confirmaram a rejeição por Teerã da oferta do presidente Trump para conversas diretas e incondicionais com o presidente iraniano Hassan Rouhani.

O desdobramento de pequenas embarcações seguiu-se a uma relativa calmaria nos assédios da Marinha iraniana contra os navios de guerra americanos que atravessavam o precário Golfo Pérsico. A última vez que as tensões chegaram a ferver foi em 2016, quando as forças iranianas capturaram e detiveram brevemente 10 marinheiros americanos.

63 COMMENTS

  1. O Hellfire consegue dar um jeito nesse tipo de lancha rápida?

    Ou qual seria o armamento mais adequado para se opor a esse tipo de ataque de saturação com lanchas?

    • Creio eu que um único Sea Hawk com 8 mísseis HellFire (quatro de cada lado) já manda 8 lanchas pro sacovisk e se for o AH-1 Z então ….. vão mais outras 8 adicionais,rs!!!!

      • É assim que se perde uma guerra. Matando mosca com tiro de canhão. Com o preço de um Hellfire o Irã faz mais 20 lanchas.

        A solução é varrer as lanchas com metralhadoras. Helis embarcados e aviões em terra como o A-10 ou o Super Tucano.

        • Marcelo,
          Essas lanchas são armadas com canhões de até 23 mm que obrigam os helicópteros a atacar com mísseis. Não é questão de caro ou barato, e sim de sobrevivência.
          Armas que podem fazer diferença e são de menor custo: míssil Griffin, foguete guiado APKWS (ou similar), foguete guiado LOGIR, etc.
          Também é possível utilizar helicópteros não tripulados como o MQ-8 armado com mísseis e foguetes guiados.

          • Sim, tudo bem. Mas isso seria partindo do pressuposto que o inimigo tem a iniciativa do ataque e te pegou de surpresa já próximo a você. Em um caso como esse é melhor abater o inimigo com o que tiver de melhor e mais caro antes de ser abatido.

            Mas se o cenário for o inverso? Se a iniciativa do ataque não estiver com os Iranianos? Vamos supor que sabe-se de antemão que o inimigo está vindo em direção a uma embarcação naval (inteligência, radar, satélites, mãe diná, qualquer coisa que permita antecipar o ataque). Ninguém vai esperar a lancha chegar perto para reagir. Essas lanchas navegam a que velocidade? 80 km/h? 120 km/h? E um helicóptero de ataque? Uns 300 km/h?

            Penso que seja perfeitamente possível flanquear o inimigo e metralhar ele muito antes que cheguem em seu objetivo ou que percebam a aproximação dos helicópteros.

            Mas olha, confesso que isso é só achismo meu. Não tenho nenhuma formação militar para dizer o que é melhor. Portanto posso estar enganado.

        • O problema ñ é somente as lanchas mas o que elas lançam. Se uma lancha lança 8 ou 16 foguetes ou misseis imagina 20? E como parar 8 ou 16 foguetes multiplicado por 20?

          • De novo, pressupondo que o inimigo tem a iniciativa do ataque e pegou o navio de surpresa com 20 lanchas disparando morteiros de uma vez. Aí é melhor rezar o pai nosso e confessar os pecados antes de morrer.

            Ninguém transita em um lugar como esse sem estar em estado máximo de alerta. Para isso tem radar, inteligência, satélites, drones, um monte de recurso para se antecipar à chegada deles.

            Dificilmente as 20 lanchas vão chegar perto o suficiente do navio. As poucas que chegarem perto e lançarem seus foguetes você interceptar com CIWS. Além disso, os foguetes não são guiados, penso que o navio pode manobrar.

            Olhe o Phalanx interceptando morteiros no Afeganistão. Imagine o que não faria aos foguetes iranianos.

    • Se for armamento naval de tubo, minha preferência é por canhões de 40mm e 57mm (este último equipa os LCS americanos) com munição 3P em rajadas curtas, explodindo por proximidade ou programação, devem dar conta (mas são muitas variáveis, como tempo de detecção, condições meteorológicas, dia ou noite).

      Um exemplo:

      https://www.youtube.com/watch?v=rldn9Hvzih4

      Outro exemplo, nesse caso com impacto direto:

        • Sério? Com que armas teria feito os vários disparos contra o navio?

          Melhorando a pergunta: que tipo de arma realmente efetiva à distância provável desse engajamento uma lancha pequena como aquela pode levar? Ou, em outras palavras, a que distância uma lancha daquele porte conseguiria fazer disparos com uma arma que causasse algum estrago ao navio?

          Pelo que entendi das falas, o alvo estava no ângulo 270 graus e a 6.200 jardas, o que dá cerca de 5,6 km (posso estar enganado no entendimento, mas isso condiz com um exercício que simule de situação em que se busque atingir o alvo antes que ele vire uma ameaça mais próxima).

          E nesse caso o engajamento até que é próximo, pois o alcance do canhão é cerca de 3x isso.

          E nesse caso também optou-se por impacto direto. Poderia ter feito disparo com a munição explodindo por tempo ou proximidade, perfurando o alvo com um monte de balins e fragmentos.

          • Ué ,com o armamento de tubo que carrega .deve ter o alcance de uns 8 km se não me engano .Uma salva poderia sim causar danos …Estou falando do que eu vi no video ,se o alcance do canhão é 3 x mais que isso ,não sei .só achei q demorou muito para acertar o barquinho

          • Armamento de tubo em lancha daquele tamanho com 8 km de alcance efetivo?

            Isso é quase alcance efetivo de canhão de 40mm.

            Se você está falando dos foguetes, e provavelmente são foguetes Farj-1 de 107mm que estão nas lanchas da foto de abertura da matéria, o alcance máximo divulgado de cerca de 8km para esse tipo de foguete é para uso em terra firme, parados e para disparo em elevação para uma trajetória balística ideal, e não para disparo em “tiro tenso” por uma lancha em movimento no mar. A 8km de distância isso aí não vai acertar nada, ou se acertar, vai ser um lance de muita sorte. O alcance efetivo, a partir de lanchas rápidas em movimento, é muito menor.

            Se for o Falaq-1 de 240mm, o alcance máximo sobe para 10km, mas ainda assim o problema do alcance efetivo, tiro em ângulo e precisão mencionados são praticamente os mesmos. A 8 ou 10km um navio, mesmo grande, é um alvo diminuto para um foguete não guiado lançado de uma lancha em movimento. O objetivo é chegar muito mais perto do que isso para que a salva tenha chances de acertar o alvo e fazer estrago, em ataques tipo enxame em que se espera que algumas lanchas consigam se aproximar mais antes de atingidas, enquanto a maioria das outras provavelmente seja destruída bem antes de sequer conseguir disparar.

            Mas se está falando das metralhadoras, o alcance máximo efetivo é de cerca de 2km.

          • Certamente, Bosco. Mas apenas abordei o armamento de foguetes não guiados das lanchas mostradas nas fotos da matéria, quanto a alcance e efetividade.

    • Rui,
      A camada externa, além de 10 km, fica por conta dos helicópteros armados com o Hellfire (Usar a ponto 50 pode ser temerário tendo em vista a possibilidade de haver manpads).
      A camada intermediárias (entre 2 e 10 km) ficaria por conta dos mísseis Hellfire Longbow lançados dos LCS. A camada interna (entre 0 e 5 km) fica por conta dos canhões de 57 mm, 30 mm, 25 mm e Phalanx Block IB e das metralhadoras ponto 50 e 7,62 mm dos navios.
      *Embora não seja a norma mas até o limite do horizonte radar (30 km) essas embarcações podem ser engajadas por mísseis ESSM e SM2. E também até o limite de 15 km pelo RAM.
      Também os canhões de 127 mm podem ser utilizados até o limite do horizonte radar, mas apenas para efeito psicológico.

  2. A gasolina já está barata demais aqui no Brasil e esses caras ainda ficam tumultuando.. Ao invés de seguir a vida em frente de maneira produtiva e proativa ficam implicando com todo mundo e tentando gerar o caos como se eles saíssem ganhando com isso… Eles fecham esse estreito até os americanus maus chegarem e colocarem todo mundo pra correr…

  3. Fechar o Estreito de Ormuz, o Irã nunca conseguirá, ao menos com esse armamento.

    Pode criar um conflito, paralisar as operações por alguns dias, o que já causaria o caos no mundo afora, mas duvido que o Irã caisse na besteira de fazer isto.

    Basta olhar os infográficos para ver que, cometendo uma sandice como esta, o Irã arranjaria problemas não só com os EUA, mas também com a China, Austrália, Arábia Saudita, Japão, Europa, Brasil, etc…

    Seria como matar por maldade o canário do vizinho que tem 4 filhos que lutam artes marciais… surra na certa!

    • Persas e Árabes não se “bicam” a pelo menos mil anos.

      Muito bem lembrado, ainda teríamos a China “feliz” da vida com o possível aumento do custo do Petróleo.

      Esse Trump é um idiota, mas sempre foi um grande mercador.

    • É amigo…mas não é bem assim que a banda toca. Se sua empresa fosse proprietária dos navios que fazem o transporte do combustível, sem nenhuma espécie de seguro, colocaria os barcos na água para bscar o petróleo ? Você compraria o risco ?

      • Os governos dos países interessados bancariam o custo, Henrique. Você acha que o Irã iria manter lanchas lança-mísseis com porta-aviões Americanos, Chineses, Indianos, Ingleses e Australianos na sua costa?

        Os iranianos são corajosos, determinados, etc… mas longe de serem burros de entrar numa aventura dessas…

        Seria, como eu disse, situação isolada…

  4. Essa imagem a meu ver diz pouco do que eles podem realmente fazer ,pois estás lanchas realmente não são páreo para us navy, os ataques principais devem ser realizados por mísseis e isso vai realmente provavelmente requerer maior engajamento de meios aéreos e navais por todo território iraniano, visão de um leigo.

  5. Não vi a fonte. É uma matéria independente?
    Só lembrando, que se aumenta a gasolina estoura no nosso rabo que precisa de petróleo fino!
    Alias, mais um bela desculpa para o Estado aumentar o que já não pode ser mais aumentado.

    • Relaxa, a China seria uma das maiores prejudicadas.

      Erra de maneira crassa quem pensa que os EUA seriam os maiores perdedores.

      O Mundo como um todo anda de olho nesse estreito. Podem até disparar fogos de artificio, mas na há como mexes com as duas maiores economias do Mundo.

      Não esquecendo dos Arabes (todos) que estariam putissimos com os Persas aprontando das suas.

      O que o Irá fez é como o que a Venezuela faz quando põe para voar os seus Sukkois… puro exercício para “ingles ver”.

  6. Não tinha a mínima possibilidade de acontecer algo positivo com a saída unilateral de Washington. O que esperar de uma país que não mantém a própria palavra , que assina um acordo e logo depois tenta nulificar o trabalho diplomático feito por várias nações. Um acordo que estava sendo cumprido baseando-se sobre as avaliações de todos os participantes e organismos de controle, objetivamente sem evidência alguma que o Irã tenha desrespeitado os vínculos impostos. Com os EUA conduzindo uma verdadeira guerra econômica, tentando estrangular e reduzir o país em miséria na aspectativa que a população se revolte e derrube o regime, alguém esperava reações diferentes ? Imagine qualquer país sendo impedindo de comprar metais preciosos, com as contas bancárias no exterior confiscadas, o normal cidadão sem possibilidade de ter acesso aos principais circuitos de crédito, impossibilitado de vender seus títulos do tesouro, adquirir aço e alumínio e estreitar qualquer tipo de parceria industrial, …etc e etc. Praticamente uma declaração de guerra. Qual nação iria aceitar? Quem negociaria com um sujeito que te ameaça e aponta uma faca para seu pescoço? Ou você se rende ou encontra a coragem para lutar. Não são muitas as opções.

    • Acho que você está aumentando a coisa. Os EUA aplicam sanções econômicas ao Iran há quatro décadas, desde a queda do Xá em 1978, se não me engano. Eles não estão esperando uma revolta popular.

    • O acordo nuclear, embora melhor que aquela patranha com a qual o presidiário e o sultão de Ancara pretendiam engabelar o CS da ONU, ainda era muito falho pois não colocou qualquer freio ao programa iraniano de mísseis balísticos o que gera justo incômodo a outros países da região em especial Israel e Arábia Saudita. Por essa razão os EUA optaram por se retirar do acordo e, tendo em vista o papel exercido pela República Islâmica ameaçando Israel a partir da Síria e fomentando a rebelião Houthi no Iêmen, reforçar as sanções.

      A propósito a economia Iraniana vai mal, com crescente inflação e uma crise hídrica que ameaça algo em torno de 60% das terras agriculturáveis no país,um cenário que tende a piorar com as novas sanções. Não é à toa que protestos populares têm irrompido com mais frequência por lá.

      No mais concordo com o Augusto, tem que estrangular mesmo afinal trata de um regime de viés claramente fascista.

      • Enquanto Obama buscava seu Nobel da Paz desesperadamente, integrantes de alas extremamente radicais – se é que existe moderado na política de lá, planejaram por meio do Hezbollah um grande atentado contra o aeroporto JFK e outro contra um famoso restaurante em Washington.

        Não muito tempo antes, Mahmoud Ahmadinejad criou um sistema de “operações estruturadas” gigantesco para comprar segredos nucleares da Argentina. Um promotor de justiça portenho morreu por causa disso…

        Irã apenas comprou tempo, que aparentemente não soube utilizar. O que surpreende não é a retirada do Acordo, mas sim a terem assinado o mesmo…

        Ps: aposto que uma administração Democrata fará o mesmo no caso da Coreia do Norte.

      • Geopolitica HMS, geopolitica, tire a conotação política do discurso . Mais uma vez voce é o primeiro ( único aliás) a citar polticos nacionais com viés partidário e ideológico . As relações de força entre as potências/nações ao redor do mundo não podem sempre ser reconduzidas a mero confronto ideológico. Primeiramente o acordo foi conduzido e assinado por eles, portanto palavra dada deve ser cumprida! Quanto ao acordo assinado pelo ” presidiário” e sultão , é fácil entender que isso quebrava o paradigma de relações de força entre as clássicas potências. Ou seja, dois países emergentes, do nada , se atrevem a desafiar a hierarquia consolidada. Qual potência iria aceitar perder o prestígio e ceder seu lugar para duas nações fora do ordem estabelecido? Os termos do acordo Irã-Turquia-Brasil foram basicamente os mesmos ou até mais detalhados que os da proposta apresentada em 2009 pela AIEA. A mesma Agência Internacional de Energia Atómica que ja tinha dito e advertido que o Iraque não possuía armas atômicas. Você pode ser preto branco amarelo ou vermelho , mas o que ex presidente do Brasil fez foi algo inaceitável para os clássicos atores geopolíticos e mesmo para a UE que pretendem- e competem – possuir uma posição de relevo, permanente e decisória nesses assuntos.
        E mais, o programa nuclear iraniano teve início com o próprio Xa de Pérsia , com a bença e aprovação de Washington.
        Um ponto crucial que quero que você entenda, apesar do regime ou da linha política que guiasse o país, suas diretrizes e ambições estratégicas serão as mesmas, e o Irã como nação milenar terá sempre a ambição de
        de protagonismo e potênciaa regional, assim como a Turquia, assim como os EUA. A inconsistência da sua análise meramente ideológica está no fato que você, comos outros, justificam essas ações hostis vestindo os mesmos discursos ideológicos
        e moralistas, mas isso expõe a vossa incoerênciae quando esse mesmo discurso não vem aplicado a aliados dos EUA como podem ser a “nazista” Arábia Saudita da Casa Saud, entidades e fantoches criados através do auxílio de potências estrangeiras. Você quer comparar o aporte cultural da tradição milenar persa com aquela aberração Saudita ? Você já deve estar cansado de ouvir as dinâmicas que levaram o Irã a essa deplorável condição teocrática que tem muito a ver com a ingerência das potências anglofonas.
        So mais um adendo para concluir. Faço o exemplo da Rússia, ela poderia ser uma economia de mercado democrática como Alemanha, mas as dinâmicas de poder entre as duas principais potências bélicas permaneceriam as mesmas, a Rússia continuaria sendo uma ameaça e rival para os Estados Unidos, que apenas mudaria o discurso ideológico e propagandístico para os incautos que ainda acreditam que as confrontações entre as nações acontecem apenas por puros motivos ideologicos. Quando a realidade é o oposto, a dimensão estratégica dos interesses de uma potência prevalecem e antecedentem as outras dimensões que são apenas complementarias e instrumentos. Quando os Estados Unidos entenderem que perder a Rússia para um potêncial eixo com Pequim ou Berlim, será prejudicial para os interesses deles, você verá que o aparato de Washington não se importará com a cor política do poder russo, eles tentarão atrai-la para um eventual acordo.

        • Meu caro Thiago embora você me acuse de fazer uma análise ideologizada a sua visão dos fatos é que tem forte teor ideológico senão vejamos:

          – O acordo nuclear celebrado com o Irã foi fruto da necessidade de Obama ter algum legado para chamar de seu, ainda que fosse negativo. Basta ver que ao longo das negociações ele várias vezes estabeleceu “linhas vermelhas” temporais apenas para desrespeitá-las quando se chegou a um impasse. Nesse quadro tudo o que os iranianos tiveram de fazer foi cruzar os braços pois a dupla pateta Obama-Kerry toparia qualquer coisa. E assim foi feito pois a despeito dos inúmeros furos do acordo, o mais gritante foi não ter contemplado o programa de mísseis balísticos, o mesmo foi celebrado com fundos anteriormente congelados tendo sido liberados o que certamente permitiu aos iranianos continuarem as suas ações de desestabilização no O.M tais como o apoio ao Hezbollah e também à rebelião houthi. E sem falar, é claro, que continuaram a desenvolver um programa nuclear clandestino, de cunho militar, conforme documentos obtidos pelo Mossad e revelados pelo Premier Netanyahu.

          E aí entra o desastre geopolítico perpetrado por Obama! Sucessivas administrações norte-americanas criaram e consolidaram uma arquitetura geopolítica para proteger seus interesses nacionais cujo dois maiores pivôs são justamente a aliança com Arábia Saudita e Israel. Com esse acordo a mensagem passada a esses países e à outros como Egito e as outras monarquias do Golfo, igualmente aliadas de Washington, foi a pior possível.

          – Quanto à patranha (insisto no termo) patrocinada pelo Presidiário e pelo Sultão de Ancara afirmar que a mesma representaria “quebra das relações de força entre as potências” é exagero! Era uma peça oportunista, ainda que fundada nos termos da AIEA, onde esses países buscavam se aproveitar do fato do país persa ser um absoluto pária internacional em virtude do discurso de ódio proferido pelo então presidente Ahmadinejad nas tribunas mundiais como é o caso do púlpito da ONU. No caso do atual ocupante da carceragem da PF, uma vez que já estava em final de mandato e sem possibilidade de reeleição é evidente que tencionava com tal acordo ganhos pessoais, talvez um Nobel ou a indicação a Secretário-Geral da ONU.

          – Quanto às ambições iranianas à hegemonia no Oriente Médio, o fato da cultura deles ser milenar não justifica tais ambições independentemente de quem esteja no poder. Ademais os desejos de hegemonia na época do Xá eram bem menos agressivos que os levados a cabo pelo clero corrupto visto que enquanto o antigo monarca ambicionava a hegemonia transformando o Irã em um país moderno, industrializado e laico resguardado por forças armadas fortes os atuais detentores do poder buscam a hegemonia através de ameaças de aniquilação,ações de desestabilização e também através do armamento e financiamento de prepostos para travar guerras assimétricas e de desgaste contra seus imimigos (ex: Hezbollah).

          – A Arábia Saudita sabemos todos não é um regime conhecido por respeitar os direitos humanos, muito pelo contrário! Entretanto, nós nunca vimos um Rei ou príncipe saudita ameaçando “varrer do mapa” uma nação soberana e de igual forma nenhum ministro da defesa saudita foi objeto de um alerta vermelho da Interpol como é o caso do ex-ministro da defesa do Irã durante o governo de Ahmadinejad, Ahmad Vahidi, que possui contra si uma ordem de prisão pelo envolvimento no atentado da AMIA em Buenos Aires em 1994.

          – Imagino que ao falar de “entidades e fantoches criados através do auxílio de potências estrangeiras” você estava se referindo ao Estado de Israel correto? se for o caso eu sinto muito mas você não podia estar mais equivocado pois se trata de um Estado Soberano criado pelo organismo multilateral competente, a ONU, e que é a única democracia do Oriente Médio. E também cumpre lembrar tratar-se de um Estado plural,com índices educacionais melhores e uma economia bem mais moderna e diversificada que a iraniana, basta ver a liderança israelense em setores da alta tecnologia, medicina, agricultura e também a pujança da indústria bélica do Estado Judeu.

          – Outrossim culpar os governos de EUA e GB pela ascensão do clero no Irã, especificamente no episódio da deposição de Mossadegh, é um erro que lamentavelmente adquiriu ares de verdade absoluta. A verdade é que esse processo tem mais a ver com dinheiro e costumes visto que a partir dos anos 60 com a sua Revolução Branca o Xá Reza Pahlevi buscou modernizar o Irã e uma das medidas tomadas foi oferecer educação pública e gratuita em caráter universal. Ocorre que a maior fonte de renda do clero era justamente a alfabetização das camadas médias e altas da sociedade. E uma vez privados de sua grande fonte de receita os religiosos liderados por Khomeini, aproveitando-se também da insatisfação de muitos setores tradicionais da sociedade com as medidas no campo dos costumes que inclusive conferiram maiores direitos às mulheres, começaram a atacar o regime sendo ao final bem sucedidos.

          – Como você pode ver meu caro Thiago, eu sempre fiz análises meramente de cunho geopolítico. Contudo, faço minhas análises em cima de fatos e não de achismos ou preconceitos.

          • HMS , a patroa já me avisou que hoje terei de levar ela para uma exposição sobre a arquitetura de Tel Aviv(subtítulo da exposição ” em ocasião dos 70 anos do Estado”) ? E pode isso ? Kkkk

          • Tanto pode que o Estado de Israel é uma realidade! E não apenas é uma realidade como trata-se de um Estado moderno e democrático que desaponta seus inimigos e detratores visto que pela sua sobrevivência já venceu três guerras (não conto aqui a de Suez, a meu ver um erro geopolítico grave de Ben Gurion, que se associou aos interesses de duas potências colonialistas decadentes, embora tenha recebido alguns bons dividendos) contra inimigos muito superiores numericamente e pesadamente armados e financiados por uma superpotência, a URSS.

            Essa é a realidade meu caro Thiago, acostume-se com ela e aceite-a

      • Já que você parece ter um preconceito para qualquer coisa que não seja americana, consulte sobre Brzezinski, o gênio de Mahan, Nicholas John Spykman, ou do brilhante Henry Kissinger. Não precisa consultar o “adversário” russo, comunista, iraniano para traçar e entender as açoes americanas. Os próprios americanos nos mostram e detalham as ambições deles.
        Eu faço o mesmo , quando encontro textos deles ou que tratam sobre eles em revistas geopolíticas ,guardo entre os favoritos e depois com um pouco de paciência procuro ler.
        Eu aposto e arrisco afirmar que você sabe e tem um conhecimento superior ao meu, apenas não quer abrir mão da propaganda potilica.

        • Não sei se você lembra e conhece aquele poema “First they came ” que aponta para covardia e conivência dos intelectuais alemães em relação ao regime nazista. A minha atitude é a mesma, seu eu pretendo defender o direito do meu país de ter , cultivar ambições regionais e possuir seu próprio programa nuclear,
          necessariamente não posso justificar as ações unilaterais e parciais americanas. Pois hoje é contra os persas, amanhã quem sabe…
          #First they came for the communists, and I did not speak out
          Because I was not a communist.
          Then they came for the trade unionists, and I did not speak out
          Because I was not a trade unionist.
          Then they came for the Jews, and I did not speak out
          Because I was not a Jew.
          Then they came for me
          and there was no one left to speak for me.#

        • Na boa Thiago, a sua comparação é absolutamente descabida e equivocada! O programa nuclear brasileiro tem finalidades exclusivamente pacíficas conforme inclusive encontra-se positivado na própria constituição federal. Nossas centrais nucleares são constantemente fiscalizadas e existe o forte compromisso do Estado Brasileiro, independentemente do governo de turno é preciso registrar, com esse preceito de ordem constitucional.

          Ademais a história é implacável em demonstrar que sempre tivemos atitudes conciliadoras na condução das nossas relações internacionais. Aliás muitas vezes inclusive pagamos caro por isso como foi o caso do imbróglio envolvendo a nacionalização dos ativos da Petrobrás na Bolívia. Naquele episódio inclusive é preciso registrar que embora o presidiário tenha agido de boa fé Evo Morales, com a retaguarda do tirano Hugo Chávez, agiram de forma absolutamente vil. Ou seja, não dá para comparar o Brasil com o Irã, que atua desestabilizando países e governos e armando grupos terroristas.

          Como você pode ver as ambições brasileiras são muito diferente das iranianas pois enquanto nosso país age de acordo com o direito o regime dos aiatolás age como o pária que é.

  7. Os Houtis conseguiram atingir um barco de guerra dos sauditas, e atingiram um petroleiro, em um local com distância muito grande. Considerando a estratégia do Irã aas margens do estreito devem estar cheias de misseis de todos os tipos e nada passaria, não precisa de Marinha para fechar. No sul do Líbano o Hezbolah passou 30 dias “bombardeando” Israel e não conseguiram parar mesmo com supremacia aérea e aviões 100% do tempo sobre a região. Nessa situação, apenas tropas no solo conseguem acabar. O que os EUA não querem fazer.

    Nisso eu penso!!! Quem ganharia com um ataque dos EUA contra o Irã e o caos reinando na região? Resposta: Russia, com o barril a US$ 150-200 a economia teria um crescimento de uns 20% em um ano, e não duvido que estejam armando o Irã apenas para tornar a guerra mais longa. Os únicos grandes produtores fora do Golfo são Russia e Venezuela, que teve quase todo o seu petróleo trocado por “conchinhas” com os russos. Assim, o mercado ficaria nas suas mãos por alguns anos pelo menos. Se a guerra ficar mais séria e o Irã destruir parte da produção saudita e os EUA destruirem a iraniana, seria o sonho do Putin.

    • Você esta subestimando os Arabes. Você chegou a pensar Eles ficariam extremamente felizes de terem suas vendas suspensas pelo bloqueio Iraniano???

      GRANA… Guerra acontece por GRANA.

      Encerre o fluxo de dinheiro para os Arabes e você verá tropas em terra para ficar enchendo o saco dos Persas, e não serão tropas americanas (podem até ser as armas).

  8. O Irã é constantemente ameaçado (de ser embargado o comércio com outros países) pelos EUA sem embasamento concreto algum e tem gente que acha que eles não têm que demonstrar isso de alguma forma ? Ah, essa torcida ______________ é hilária.

    COMENTÁRIO EDITADO. NÃO ROTULE OS DEMAIS PARA NÃO SER ROTULADO. AJUDE A MANTER O DEBATE CIVILIZADO. PRIMEIRO AVISO.

  9. O Irã possui além das citadas lanchas, pequenos submarinos anões de projeto norte coreano, com dois torpedos, ideais para operar nas águas rasas do Golfo Pérsico, que possui por volta de 20 metros de profundidade. Também emprega grande quantidade de SSM nas costas e lembrando que estes barquinhos podem também lançar Minas que eles têm ao monte. Outra arma deles são lanchas tipo drone de ataque kamikazes. Bem eles têm investido muito em guerra assimétrica.

  10. o irã precisa se colocar no seus lugar , francamente uma lancha com 6/12 de rojão
    vai ser tiro alvo para a marinhas ocidentais .

  11. Estas lanchas não tem muito valor em combate naval. Qualquer oficial da marinha do Irã sabe disso. Devem ser a cortina de fumaça para outra ação mais técnica como o uso de minas ou dos mini submarinos que o Irã tanto gosta e fabrica.

  12. Povo aqui tem um medo de manpads que eu nunca vi igual. Sério, como se os manpads fossem uma arma de dissuasão invencível e interceptável, como mísseis nucleares hipersonicos.

    Uma dica, perguntem para a Georgia o que adiantou manpads contra os russos na guerra da Ossetia e Abcásia em 2008. Quase nada, se é que não foi nada absoluto.

    Se os EUA tivessem medo de manpads era melhor ficar em casa assistindo top gun e não entrar em nenhuma guerra.

    • E esses foguetes aí…na boa. Qualquer CIWS ocidental barra eles. Tem vídeo no YT dos EUA empregando Phalanx em terra para interceptar morteiros, imagine se não vai conseguir com esses foguetinhos iranianos.

    • Olhem esse vídeo do Phalanx interceptando morteiros no Afeganistão. Percebam que a interceptação foi eficaz, da para ver os morteiros explodindo no ar.

      https://www.youtube.com/watch?v=KsVUISS8oHs

      Me pergunto, o que os Phalanx em navios Americanos fariam com esses foguetes iranianos?

      Daria muito bem para interceptar esses foguetes e abrir fogo contra as lanchas com canhões 40mm como disse o Nunão.

  13. Só como curiosidade, o atual SSGN montando guarda no Mar da Arábia é o USS Florida que acabou não tomando parte nos ataques à Síria em abril. Costuma usar a base em Diego Garcia para manutenção e troca da tripulação durante seus longos períodos de missão …a última durou 18 meses desde o momento que partiu até seu retorno à costa leste dos EUA.

  14. Essas lanchas são ameaças sérias apenas para os grandes navios petroleiros e de container, o que já é o bastante para causar muito estrago a economia do mundo.

  15. A melhor forma de perder uma guerra é subestimar o seu inimigo. Quando os EUA invadiram o Afeganistão, achavam que iam derrotar o Talibã em 6 meses ou um ano. Faz 17 anos que os EUA estão mergulhador na lama no Afeganistão e nada de vitória, muitos trilhões gastos e sem resultado positivo.
    Ontem o governo dos EUA se reuniu com Talibã para iniciar o processo de paz, pois uma vitória militar é quase impossível. È importante aprender com o passado antes de iniciar uma guerra.

  16. Gosto muito de todos os assuntos ligados a Guerra Naval, o teatro operacional do Golfo Pérsico é super interessante, recomento a quem quiser saber mais sobre o assunto pesquisar no google os seguintes temas: Operation Praying Mantis, onde poderão ver que já houve um peleja entre a US Navy e as forças navais iranianas, inclusive sobre os danos sofridos pela fragata USS Samuel B. Roberts e sobre o afundamento da corveta iraniana Sahand e da lancha missileira Joshan e do Ghadir-class submarine. Também recomento uma pesquisa sobre o incidente com a corveta israelense INS Hanit, aliás este último ótimo tema para uma matéria do Poder Naval.

  17. O comentário anterior ficou um tanto confuso, recomendo ver sobre o submarino classe Ghadir, o qual não fazia parte das forças iranianas durante o conflito da Operation Praying Mantis.

  18. O povo só gosta de comentar com camisas de torcida

    Estas lanchas são apenas para saturar a à área e região

    Lógico são inferiores a qualquer equipamento mas seu papel é este. Conjuntamente aos ssks Gadhir, misseis e baterias de terra, Minas, etc, saturar o braço do estreito

    Somente uma guerra total, aberta e massiva poderia resolver isto

    Mas o objetivo deles é exatamente. Com um baixo investimento forçar ao adversário um alto custo de esforço. É um modelo de guerra assimétrica

    Não vai entrar navio nenhum de guerra lá enquanto o domínio dos combates regulares aereo e terrestres estejam razoavelmente decididos estejam eliminados

    Aquele braço ali é estreito como o canal da mancha estejam lima cheio de ilhotas

    Óbvio que um navio com suas faixas de defesa consegue abater dezenas delas , o problema é a área saturada de operações terrestres e aéreas minas ea misseis do litoral tão próximo, não não a resposta é a mesma, vai meter os peitos para quê? Primeiro o controle terrestre e aereo tem de ser viabilizado e vejam que isto ainda aéreas essa tem de ser entendido de forma diferente pois até drone são perigosos ali

    E pessoal, por favor né? Não confundam morteiros de baixa cadência cadência a 300-500km/hora com salvas de mísseis ou foguetes a 3 mil/hora m lugar tão estreito. Uma vez disparado, o Ciws vai pro saco. ELE nunca foi desenhado para isto. Este é o problema da guerra assimétrica. Os equipamentos não foram dimensionados para isto. Regras da natureza, leão por mais forte que seja, não briga com mamba negra. Da um trabalho danado. O melhor mais esmola é munição de fragmentação na camada interna se deixarem ela chegar até aí aí e mesmo assim, salva disparada alguns passarão. Isto tudo em se falando ainda de foguetes burros, coisa que está ficando cada vez mais fácil de alocar guiados por um custo ainda muito baixo

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