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PHM Atlântico: conheça as lanchas de desembarque LCVP Mk 5

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Por Guilherme Poggio

Junto com a compra do PHM Atlântico a Marinha do Brasil adquiriu quatro lanchas de desembarque LCVP Mk 5 que são orgânicas do navio e adaptadas às aberturas que existem no costado do mesmo. Estas unidades representam um importante salto tecnológico para a MB em relação a meios de desembarque. O texto abaixo foi escrito no ano de 2010 quando o HMS Ocean (atual Atlântico) esteve no Brasil participando de operações conjuntas com os Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. 

 

Durante o exercício conjunto entre os Fuzileiros Navais do Brasil e os Royal Marines na Restinga da Marambaia (RJ) o Poder Naval teve a oportunidade de observar e acompanhar o desempenho de boa parte dos meios anfíbios atualmente empregados por tropas britânicas. Um destes meios é a lancha de desembarque LCVP (Landing Craft Vehicle/Personnel), na sua versão Mk 5.

A LCVP Mk 5, assim como qualquer outra lancha de desembarque,  realiza o transporte de um grupo de combate desde o navio de assalto até o local de desembarque. Dependendo do equipamento individual transportado, até 35 militares podem ser acomodados no seu interior, além da tripulação composta por três homens. As embarcações podem ser equipadas com uma cobertura removível que protege os militares dos rigores do clima (muito utilizada nos exercícios da OTAN na Noruega). Os exemplares que estiveram no Brasil possuíam esta cobertura.

No topo dela foi trazido para o CADIM (Centro de Adestramento da Ilha da Marmabaia) um bote de borracha inflável Mk 2 tipo “zodiac”. Sem a cobertura, a embarcação também pode transportar veículos leves como o ATTC (All Terrain Transport Carrier) Bv 206 (muito parecido com os empregados pelo CFN), o TUL/TUM (versão militar do Land Hover 90 e 110) ou o obuseiro rebocado de 105/155 mm.

Origens

A versão atual da LCVP é a evolução natural do projeto anterior, o Mk 4, e foi desenvolvida para substituir o mesma. A série Mk 4 foi projetada na segunda metade da década de 1970, e o primeiro protótipo foi encomendado em fevereiro de 1980. O alumínio foi escolhido como elemento principal na estrutura do casco, tornando a embarcação muito mais leve que suas antecessoras.

A presença de potentes motores Perkins, aliada à leveza do casco, permitiu que estas embarcações atingissem 20 nós (ou 15 nós quando totalmente carregadas). As Mk 4 foram dimensionadas para os navios de assalto da classe Fearless (HMS Fearless e HMS Intrepid), mas não foram encomendadas antes da Guerra das Falklands/Malvinas. A construção teve início apenas em 1985. Ao todo, 19 LCVP Mk 4 foram entregues.

As lanchas de desembarque LCVP Mk 2, transportadas a bordo dos navios de desembarque anfíbio Fearless e Intrepid, foram empregadas durante a Guerra das Malvinas. A experiência da guerra deu origem à geração seguinte, a Mk 4. FOTO: UK DoD

Na década de 1990, a força anfíbia do Reino Unido começou um extenso programa de modernização e adaptação aos novos tempos. A introdução de novas unidades de grande porte, como o HMS Ocean e a classe Albion, foi acompanhada por novas embarcações de desembarque como os hovercraft Type 2000 e as novas LCVP Mk 5.

Melhoramentos

Mastro rebatível para embarque no HMS Ocean.

Em relação ao modelo anterior, a Mk 5 possui deslocamento e dimensões maiores. Porém, o calado é  menor, permitindo o abicamento em praias mais rasas. A capacidade de transporte foi mantida (até 35 militares) e o sistema de propulsão foi alterado. Os motores diesel da versão mais antiga foram substituídos por dois Volvo Penta mais potentes e o sistema convencional de dois eixos deu lugar a dois ‘waterjets’.A mudança na motorização também permitiu um aumento na velocidade. O protótipo da LCVP Mk 5 atingiu 30 nós! No entanto, quando totalmente carregadas elas só chegam a 15 nós. Os dois modelos são bastante parecidos externamente, incluindo o padrão de pintura (camuflagem em dois tons), mas a casa do leme na versão Mk 5 possui seis faces (no Mk 4 ela era retangular). Outros detalhes, como a estrutura do mastro (rebatível quando embarcado) e a rampa de desembarque, também distinguem as duas versões.

 

Próximo à rampa da proa e em cada um dos bordos, foram mantidos os suportes para metralhadores de emprego geral calibre 7,62mm. Este é o único armamento orgânico dessas embarcações, mas os fuzileiros embarcados podem utilizar seus armamentos portáteis caso haja necessidade.

As LCVP são comumente transportados em quatro aberturas (duas em cada bordo) existentes no costado do HMS Ocean. Os mesmos são arriados e/ou içados por meio de turcos. As unidades da classe Albion também podem transportar quatro LCVP por navio, mas neste caso não há aberturas específicas no costado.

As LCVP Mk 5 em ação

Entre os dias 10 e 11 de setembro de 2010, os britânicos demonstraram as capacidades das lanchas de desembarque LCVP Mk 5 para os Fuzileiros Navais no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).

Na manhã do dia 10, essas embarcações foram largamente empregadas no transporte dos militares do Reino Unido e de seus equipamentos deste o HMS Ocean (fundeado na Baía de Sepetiba) até o cais da Ilha da Marambaia. A grande velocidade dos deslocamentos e a facilidade do embarque/desembarque permitiram que essa faina fosse realizada de forma bastante rápida.

Ainda na parte da manhã daquele primeiro diade operações conjuntas, uma das LCVP tentou abicar na praia em frente às instalações do CADIM, conhecida entre os Fuzileiros Navais como “Bravo 4”.  Em função do gradiente existente, a embarcação encalhou a menos de dez metros da linha de costa. Graças aos seus potentes motores, a embarcação conseguiu desencalhar por meios próprios.

Depois dessa experiência, as LCVP não se aproximaram mais da praia e lançaram os seus botes infláveis Mk 2. No período da tarde as LCVP tomaram parte de um assalto simulado à praia do CADIM juntamente com outros meios de superfície e aéreos.

Comparativo

As LCVP Mk 5 dos Royal Marines são semelhantes às EDVP (Embarcação de Desembarque de Veículos e Pessoal) empregadas pela Marinha do Brasil (MB). Cerca de sessenta EDVP chegaram a entrar em atividade na MB. Algumas unidades vieram diretamente dos EUA, outras foram construídas no Japão e as mais recentes foram feitas no Brasil. As unidades remanescentes estão distribuídas por diversas OM, sendo que algumas operam em ambiente fluvial e outras como unidades orgânicas de meios auxiliares.

As LCVP britânicas e as EDVP brasileiras são unidades que possuem dimensões e deslocamentos semelhantes. Até mesmo a capacidade de carga é bastante próxima, o que permite colocar as duas na mesma categoria. No entanto, existem diferenças significativas. As unidades britânicas são embarcações melhor equipadas (possuem equipamentos de comunicação modernos e radar de superfície), possuindo velocidade três vezes maior e quase o dobro do alcance.

Na verdade, as EDVP brasileiras acrescentam muito pouco em relação às unidades empregadas pelos aliados nos desembarques da Normandia, na Segunda Guerra Mundial. Já as LCVP são extremamente rápidas, contam com equipamentos de navegação sofisticados para a sua classe e permitem o desembarque a partir de uma distância maior da praia.

As LCVP enquadram-se exatamente no perfil desenhado para os Royal Marines depois do término da Guerra Fria, uma força de caráter expedicionário, leve e altamente móvel que necessita de meios ligeiros e modernos para combater em qualquer parte do planeta.

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BezerraFNUSS MontanaGuilherme PoggioLuiz Floriano AlvesFoxtrot Recent comment authors
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Lucas Schmitt
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Off Topic: por que a MB escolheu comprar o NDM Bahia ao invés do makassar, sendo que ele é muito mais barato e seria novo?

Dalton
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Dalton

Lucas…
.
pelo que já foi comentado aqui inclusive por gente da marinha, o “Makassar” não seria tão barato assim. Aparentemente, relações bilaterais de comércio, inflação não atualizada e condições mais rudimentares em que o navio é entregue, disfarçam o real valor.
.
O “Bahia” por outro lado é maior, mais veloz, além de outras qualidades que devem ter sido estudadas pela marinha brasileira antes da aquisição, como por exemplo uma possível maior capacidade de reabastecer em alto mar outros navios, melhor uso para o guindaste a bordo, etc.

Gilbert
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Gilbert

mais barato fabricado no Chile, já no Brasil ????

Rui Chapéu
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Rui Chapéu

Agora é só chamar o Dimitri pra dar uma caprichada na pintura e por ela rodar na pista!

AL
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AL

Para o Bardini: achei uma matéria aqui do PN falando daquele LHD da qual vc tanto fala, vc o elogiou bastante até naquela matéria. Mas, sei não, acho o Cavour mais negócio, pelo que vi seria uns $ 200 milhões mais caro só que o LHD e não vi nada dizendo que poderia levar F-35, o Cavour poderia, e assim teríamos PA multipropósito mesmo.

Vovozao
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Vovozao

Será que elas vão continuar com a camuflagem ou a MB irá pintar na cor padrão MB.

Mk48
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Mk48

Em resumo : Nosso equipamento é muito inferior, como sempre.

Esteves
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Esteves

Sim. Acompanhei os debates sobre o Bahia. Pergunto em que ou no que somos equiparados ou até melhores que qualquer país europeu. Educação? Segurança? Saúde? Defesa? Nem no cenário de um possível e até improvável conflito. Outro mar, outras ameaças, talvez sem aliados. Em toda postagem há críticas. Porque procuramos primeiro pelos defeitos. Depois pelas comparações. Por último pensamos no que nos deixa confortável porque fomos construídos assim. Só dormimos depois de relaxar. Alguém aqui lembrou da desoneração praticada pelo governo. Encontrei um valor mediano aceito na perda de receitas públicas advinda dessa brilhante ação. 250 bilhões de reais. Somos… Read more »

Foxtrot
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Foxtrot

Origens A versão atual da LCVP é a evolução natural do projeto anterior, o Mk 4, e foi desenvolvida para substituir o mesma. A série Mk 4 foi projetada na segunda metade da década de 1970, e o primeiro protótipo foi encomendado em fevereiro de 1980. O alumínio foi escolhido como elemento principal na estrutura do casco, tornando a embarcação muito mais leve que suas antecessoras. Pois é, é como sempre digo ” Tudo na vida evolui, seja na natureza, equipamentos militares etc ” Só no Brasil que isso não acontece! Sei que a MB fabricar algumas lanchas de desembarque,… Read more »

Luiz Floriano Alves
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Uma versão fluvial seria útil na Amazônia? É um barco fácil de padronizar e fabricar em massa. Não precisamos comprar barcos fluviais da Colômbia. Até que são mui amigos, but…..

USS Montana
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USS Montana

Tenho duas perguntas, seria possível essas lanchas embarcarem também no Bahia e o Atlântico poderia operar o helicóptero MI 35 se necessário?

BezerraFN
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A resposta é SIM para as duas questões.

Adsumus

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Luiz Floriano Alves 28 de agosto de 2018 at 19:02 Uma versão fluvial seria útil na Amazônia? É um barco fácil de padronizar e fabricar em massa. Não precisamos comprar barcos fluviais da Colômbia. Até que são mui amigos, but…. Prefiro a cooperação no projeto “Patrulheiro da Amazônia” , pois o mesmo é um excelente projeto e tem demonstrado sua excelência em operações na Amazônia Colômbiana. Além de serem mais capazes e mais bem armados que uma barcaça de desembarque, porém acho que a inclusão de uma no navio seria interessante. E por falar no patrulheiro da Amazônia, não há… Read more »

Luiz Floriano Alves
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Foxtrot
Obrigado pela atenção. Do que conheço de Amazônia a força militar é exercida por tropa experiente em guerra na selva. Os ribeirinhos ficam observando os deslocamentos no rio, escondidos na massa de vegetação. Se não gostam do que viram ou desconhecem as intenções jogam uma flecha pesada na proa da embarcação. Se vc continuar vem fogo e flechas dependendo do grupo. Se são traficantes de Epadu (a cocaina da Amazonia) vem tiro de fuzil mesmo.A capacidade de carregar tropas, abrigadas, nesse barco, me pareceu a melhor característica. Abço.

Foxtrot
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Foxtrot

Caro Luiz Floriano, obrigado amigo. Não discordei completamente de seu comentário anterior, porém só acho melhor a escolha da MB pelo projeto patrulheiro da Amazôzia, baseado no projeto Colombiano. Porém concordo com você que uma embarcação blindada e com os infantes abrigados seria de estrema importância, essa embarcação poderia ser uma derivada nacional de barcaça de desembarque ou mesmo uma variante nacional dessa barcaça inglesa que seria integrada ao projeto patrulheiro da Amazônia. Há boatos que a empresa Fluminense denominada DGS estaria desenvolvendo uma versão nacional semelhante ao CB-90, esse por sua vez seria mais adequada a função de patrulha… Read more »