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Japão vai chamar navios da classe ‘Izumo’ de destróier multipropósito

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Destróier porta-helicópteros Kaga DDH-184
Destróier porta-helicópteros Kaga DDH-184

Embora o navio de guerra japonês possa ser adaptado para transportar caças, os partidos do governo japonês chamarão o Izumo de “destróier multipropósito” para evitar críticas de que o uso como porta-aviões violaria a Constituição pacifista.

Membros da equipe de trabalho do partido no poder na revisão das Diretrizes do Programa Nacional de Defesa, que o governo espera aprovar no final deste mês, chegaram a um consenso sobre como chamar os destróieres da classe “Izumo” durante uma reunião em 5 de dezembro.

A administração Abe tem considerado a possibilidade de adaptar os “Izumo” da Força Marítima de Autodefesa do Japão como um porta-aviões eficaz que possa lançar jatos de combate furtivos F-35B fabricados nos EUA, que podem decolar e pousar verticalmente.

No entanto, uma questão sobre como manter a compatibilidade do uso com o Artigo 9 da Constituição, que renuncia à guerra, provavelmente continuará a ser um problema, com o “Izumo” se tornando um porta-aviões ofensivo de fato, o primeiro da frota japonesa.

A embarcação de 248 metros de comprimento dependeria de seu grupo aéreo de F-35Bs, excedendo a natureza defensiva conforme especificado na Constituição.

Na reunião, funcionários do Ministério da Defesa explicaram o plano de reforçar os conveses dos dois destróieres da classe “Izumo”, que transportam helicópteros, e fazer outros ajustes para que os F-35Bs possam ser lançados a partir de lá, segundo uma fonte que participou da reunião.

O governo tomou uma posição de que o Japão não tem permissão para operar um porta-aviões de ataque, o que marcaria um desvio do princípio de que o país deveria se limitar a manter as capacidades de autodefesa necessárias. Os legisladores, portanto, discutiram um nome oficial do novo porta-aviões em conformidade com a Constituição.

Destróier porta-helicópteros Izumo DDH-183
JS Kaga
Destróier porta-helicópteros Kaga DDH-184

Uma proposta para chamar a embarcação de “porta-aviões defensivos” também surgiu do Partido Liberal Democrata, mas Komeito, o parceiro de coalizão do LDP, opôs-se à ideia, argumentando que usar o termo “porta-aviões” é inaceitável.

A proposta do PDL para as Diretrizes do Programa Nacional de Defesa compiladas em maio apresenta um termo de “navio-mãe de operação multipropósito”. No entanto, Komeito franziu a testa, dizendo que a expressão “bokan” evoca a imagem de “Kubo” (porta-aviões).

O LDP e Komeito finalmente concordaram em chamar o destróier da classe “Izumo” de “destróier de operações multipropósito”, de acordo com os participantes da reunião.

“O LDP e Komeito compartilharam uma visão comum de permitir que o porta-helicópteros fosse usado para operações multipropósito dentro do escopo de reconhecer a embarcação como um destróier”, disse Itsunori Onodera, ex-ministro da Defesa que lidera o trabalho dos partidos no poder que lidam com as revisões da diretriz, após a reunião.

As duas partes também compartilharam seus pontos de vista e opiniões sobre a necessidade de introduzir 100 ou mais F-35s no futuro durante a reunião.

Espera-se que aproximadamente 40 dos caças sejam modelos que possam decolar de distâncias curtas, com o objetivo de operá-los do convés do “Izumo” adaptado.

O Ministério da Defesa explicou que o LDP não tem intenção de usar o “Izumo” como um “porta-aviões de ataque”, disse uma pessoa envolvida no LDP.

Enquanto isso, um painel do governo de especialistas em revisão das Diretrizes do Programa Nacional de Defesa também chamou de “uma reunião sobre segurança e capacidades de defesa” em 5 de dezembro.

O governo apresentou um esboço de elementos das Diretrizes do Programa Nacional de Defesa, citando sua política preferencial de “adquirir e fortalecer capacidades nos campos do espaço, ciberespaço e ondas eletromagnéticas” em uma tentativa de reforçar as capacidades de defesa.

O governo está programado para adotar as diretrizes já em 18 de dezembro à luz das visões e opiniões da reunião de especialistas, bem como das partes no poder.

Destróier porta-helicópteros Izumo DDH-183
Destróier porta-helicópteros Izumo DDH-183 (clique na imagem para ampliar)

FONTE: The Asahi Shimbun

52 COMMENTS

  1. 08/12 – sábado, bnoite, aos que possam responder, reforçando estes conveses, o peso da nova estrutura não sofrerá alterações, a velocidade com maior deslocamento não ficará menor??? Por favor ajudem este curioso??

    • É provável que os japoneses já tenham pensado o Izumo para eventualmente receber o F35.
      O reforço do piso é mais questão de temperatura do que peso.

  2. Chega os políticos super nervosos na sede da marinha japonesa:

    -Nós somos um país pacifista, e nossa constituição proíbe porta-aviões. E não adianta dizer que é um destroyer ou qualquer outra coisa, se tem uma avião pousando neste navio, então é um porta aviões!

    Calmamente o MD japonês responde:

    -Olha, quem disse que o avião está pousando no navio? O avião está parado no ar, e por causa do movimento do planeta o navio vai de encontro ao avião. Então o correto seria dizer que o navio está pousando no avião.
    E não tem nada na constituição que proíba aviões porta-navios.

      • Aqui mesmo no poder naval, materia: guerra da lagosta, olha o que os franceses diziam é o Brasil replicava: ” as negociações para se estabelecer uma forma de “modus vivendi” sobre o crustáceo, a França argumentava que a lagosta se deslocava de um lado para o outro dando saltos e, portanto, deveria ser considerada como peixe e não um recurso da plataforma continental. Segundo o comandante Paulo de Castro Moreira da Silva da Marinha do Brasil esta argumentação era fraca e, ironicamente, ele disse: “por analogia, se lagosta é peixe porque se desloca dando saltos então o canguru é uma ave”

  3. Esse navio foi incorporado incorporado a marinha japonesa em 2013, os japoneses realizarão as otimizações para que esses meios possam receber caças. Será que nosso Atlântico poderia receber tais otimizações? Já li alguns comentários aqui dizendo que não, mas se estivéssemos na situação do Japão, com inimigos a poucos km de distância, poderíamos realizar tais otimizações?

    • Atirador…
      .
      o “Izumo” foi apenas “lançado ao mar” em agosto de 2013…a construção prosseguiu depois e ele só foi comissionado em março de 2015, tendo como base Yokosuka onde também encontra-se o NAe USS Ronald Reagan.
      .
      Quanto ao “Atlântico”, trata-se de um navio bem menor que foi projetado desde o início como um porta helicópteros de assalto anfíbio relativamente barato e lento…que nunca nem mesmo operou com o “Harrier”, menor e mais leve que o F-35B.
      .
      Então, na minha opinião, mesmo que tivéssemos inimigos em potencial, próximos, não seria com o “Atlântico” que a marinha seria capaz de executar surtidas com o F-35B.

  4. Posso sugerir ao Poder Naval um especial comparando os diversos modelos de navios multi-propósitos e PAs como o Cavour, BPE Juan Carlos I, Camberra e Izumo? Acho que ajudaria a dirimir várias dúvidas dos leitores mais leigos.

  5. O Brasil deveria seguir o exemplo, construir uma bomba nuclear e batizar de artefato nuclear mutipropósito, e então, pelo mesmo raciocínio, não estaríamos burlando nossa Constituição .

  6. Eu acho errado essa troca para destróier multipropósito .. se quer chamar de destróier tinha a obrigação de instalar um canhão de 76mm no minimo ou lançadores missil anti-navio

    • Lá eles meio que chamam tudo de destroyer, e já chamavam o Izumo de destroyer porta-helicópteros multipropósito antes snme, então tá tudo na mesma.

      E não é o único caso, a Rússia chama seu Kuznetsov de cruzador. É aquela coisa, cada marinha chama seus navios como der na telha dos seus almirantes.

  7. 1° passo legal para o F35, creio que construirão rapidamente um dedicado exclusivamente a esse vetor.

    Fora a adaptar os atuais.

  8. A próxima classe de navios japoneses, serão destróieres de defesa antecipada.
    Terão 315 m de comprimento, 4 catapultas eletromagnéticas e transportará 50 F-35C, 4 E-2x e helicópteros multipropósito.

  9. Esta na hora de se armar devidamente, rever toda essa palhaçada de ter limites de armamentos, o japão é uma ilha e depende do transporte maritimo, como defender a sua navegação com essas limitações ? Na minha opinião o mesmo vale para paises que não querem evoluir na energia nuclear (a menos poluente), existe muita palhaçada por esse mundo afora.

    • Existe ainda muitos pacifistas no Japão que defendem a constituição atual, a fonte da noticia Jornal Asahi é contra qualquer assunto militar, no tempo da guerra eles foram censurados e somente podiam publicar noticias que os militares autorizavam por isto eles detestam os militares.

    • Jovem Kemen
      As fontes de energia menos poluentes são as de origem eólica e solar. Os reatores de fissão produzem resíduos radioativos de degradação lenta (meia vida de milhares de anos). Quanto e se desenvolvermos reatores de fusão, aí sim teremos energia nuclear não ou pouco poluente.
      Sds

      • Control, existem várias startups nos EUA desenvolvendo reatores de fissão de quarta geração que geram menos lixo radioativo. Uma das opções é um reator (que já foi encomendado pelo governo chinês, por sinal) onde é utilizado combustível nuclear que já foi descartado por outras usinas, pois esse reator é mais eficiente e consegue utilizar esse material. Outra opção (que se eu não me engano o governo chinês também encomendou) é o reator de tório, onde o lixo radioativo tem meia vida de apenas 300 anos e ainda é possível colocar o lixo radioativo que já temos no reator para transformá-los nesse lixo radioativo de meia vida de 300 anos. Mas concordo que limpa mesmo será a fusão nuclear, inclusive, aos que querem saber sobre um projeto atual nesse sentido recomendo procurar o site do ITER.

      • Colega Control, você esta correto, porém me referi a energia nuclear como limpa por compara-la à queima de combustíveis fósseis, pois como sabemos os residuos da energia nuclear não são lançados à atmosfera e são armazenados.

  10. Esse navio ainda vai dar dor de cabeça para os EUA por causa de suas alianças. Ainda mais se vierem outros da mesma classe. Como eu ja disse anteriormente, todos ai tem problemas com a China, mas pior que este, todos tem um recentimento muito forte contra o Japão. E navios desta classe com aviões em seus conveses devem e vão causar maiores problemas diplomáticos.

    O maior temor de todos é que hoje o papo é para defesa, mas nada impede que no futuro isso possa mudar….e com uma postura cada vez mais militarista da China, acredito que esse quadro rapidamente vai mudar…..e junto virão os problemas….. No momento em que tudo for valido em nome da autodefesa do Japão, muito provavelmente a alianca americana será de tal forma extremessida que não há como prever oque pode acontecer……apenas especular….

  11. Desculpem me manda nhã ignorância, mas para mim isso é um porta aviões kkkkk.
    Basta apenas o aparelho de recolhimento e lançamento de aeronaves.
    No mais é um porta aviões!

  12. A classificação dada pelos próprios japoneses é algo como “escolta porta helicópteros “, mas,
    como é comum associar “destroyer” com “escolta” o nome vingou no ocidente ainda mais que o “Izumo” é veloz, possui sonar de casco e sua principal atribuição é a guerra anti submarina,
    outra função associada a “destroyers”.
    .
    Mas, não vejo algo como um renascimento da “Kido Butai” de 1941, com os 6 principais NAes
    japoneses agrupados que atacaram Pearl Harbor e cujas asas os EUA cortaram apenas 6 meses depois em Midway, quando 4 dos 6 foram destruídos e o Japão nunca conseguiu substitui-los adequadamente nos 3 anos subsequentes que durou o conflito.
    .
    Se os dois classe “Izumo” forem convertidos para operar o F-35B, quando muito apenas um estará certificado/operacional e provavelmente o máximo que poderá operar confortavelmente será um esquadrão de 12 unidades, talvez com uma taxa de disponibilidade de 80%…melhor que nada…mas ainda uma sombra de um NAe como o USS Ronald Reagan e a diferença só aumentará quando o substituto dele for para o Japão dentro de 5 anos, com o F-35C e o Super Hornet Block III… então , não vejo algo “tão preocupante” para a China ou que mereça tanto destaque por parte até dos “pacifistas” japoneses e estrangeiros.
    .
    Alguém escreveu lá em cima que lá no Japão “tudo é destroyer”…mas…as vezes me dá a impressão que “tudo é porta-aviões” também…basta um convés corrido…e até o “Atlântico”
    vira candidato a um…mas…enfim tenho que adaptar-me aos novos tempos…NAes Leves “VTOL” e/ou navios anfíbios de convés corrido, operando F-35Bs e “drones”, etc ! 🙂

  13. Alguém sabe como está andando o desenvolvimento do Osprey AEW? Seria uma opção muito interessante para países com esses NAes Leves, pois daria uma aeronave AEW de “asa fixa” que de outra forma eles não teriam capacidade de operar a bordo desses navios. Também tinha lido um tempo atrás que queriam fazer uma versão ASW do Osprey, não sei como está agora, se alguém souber e puder me atualizar…

  14. Bruno…
    .
    ainda não há nada de concreto…seria uma adição interessante aos grandes navios de assalto anfíbio da US Navy, especialmente os mais novos da classe “América” que estão sendo construídos com melhorias para manter e operar o “Osprey”.
    .
    De concreto mesmo e isso provavelmente você já sabe é que o “Osprey” irá substituir os
    C-2A a bordo dos NAes da US Navy.
    .
    abraços

  15. A constituição do Japão proíbe navios de ataque então ja que o japão esta preocupado com suas ilhas, minha sugestão a força marítima de auto-defesa do japão seria encomendaria mais 02 navios dessa classe Izumo alongados e ja com Sky-jump para o F-35 e também podiam nomeá-los como Navios de Controle Marítimo.

    • Tb concordo, o Japão ao invés de adaptar os atuais porta helicópteros da Classe Izumo poderia usá-los como base para construção de dois ou três porta-aviões. Além das modificações já relatadas (sky-jump, piso resistente ao calor dos motores…) daria pra construir navios com comprimento e boca maiores, aproximando das medidas do HMS Queen Elizabeth.

  16. Bardini 9 de dezembro de 2018 at 1:13 , por favor, a diferença de temperatura do fluxo de escape do Osprey e do F-35 é muito grande?

  17. Prezados,

    O Japão não vai construir navios aeródromos puros para já. Eu apostaria (ou daria um chute, tanto faz) que este movimento, que seria de grande amplitude diplomática e geoestratégica, vai ficar para o final da próxima década.

    O que o Japão fez, e isso já foi ousado, foi preparar seus Izumo, de raiz, para a função de navios aeródromos em um conceito próximo ao de NAe de Controle de Área mediante modificações. Eles são excepcionais em planejamento de longo prazo e eu aposto que o Izumo e o Kaga estarão operando F-35 rapidinho, pois duvido, é essa minha opinião, de que não tenham sido projetados já considerando a hipótese do upgrade.

    No que diz respeito à China, eu vejo estes dois navios, e os outros dois que estão “no horizonte”, como uma severa ameaça. Tenho insistido nessa tese: a China, com seu inegável expansionismo, terá vários confrontos pela frente e isso gera inimizades. Quem são os aliados da China e, melhor, quem seriam seus aliados num hipotético conflito com os EUA?

    Só no seu entorno, a China assiste à uma mudança substancial de três marinhas importantes: a ROK Navy (Coréia do Sul), a JSMDF (Japão) e a RAN (Australia), todas aliadas dos EUA e, o mais importante, todas de nações que se valem de alianças com os EUA para enfrentar o Dragão Chinês (como antes o Urso Russo). Cada vez que as FFAAs destes países incrementa seus meios com destróieres de convés corrido, caças F-15 e F-35, sistemas de defesa aérea, submarinos, etc, a China acusa o golpe. Então, sim, a transformação dos Izumo em pequenos navios aeródromos é uma dor de cabeça para a China, pois seus vizinhos são aliados dos EUA e seus “inimigos” em potencial.

  18. Acrescentando, um problema para um país como o Japão é que é imprescindível um porta aviões de verdade. Um país que precisa dramaticamente de importações de praticamente tudo não pode deixar suas rotas marítimas desprotegidas.

    E a China já tem pelo menos 3 porta aviões na lista de construção. do lado continental ela sufocaria as linhas mercantes para o Japão só com aviões mesmo e do lado de lá das ilhas um porta aviões desses apertaria ainda mais o torniquete.

    E lembremos mais ainda de que a China está construindo ilhas porta-aviões no meio do mar, ao Sul do Japão.

  19. em casa de enforcado não se fala de corda.

    PArece bobagem para nós mas o mero nome ‘porta aviões’ no Japão gera discursos intermináveis na política interna e externa.

    Na política interna porque se tem uma coisa que japonês sabe fazer é aprender com o passado. Cresceram assustadoramente sua indústria nos fins do século XIX depois que viram que estavam atrasadíssimos frente ao Ocidente, especialmente EUA. E depois da surra tremenda que sofreram na II GG aprenderam a tentar domar seu espírito guerreiro. Assim, ter um porta aviões, que é uma tradicional arma de projeção de poder, poderia retomar aquele discurso bélico (os samurais ainda existem). Mais um provérbio: cachorro mordido por cobra tem medo de salsicha.

    Na política externa será facilmente usado como desculpa para aumentar ainda mais a corrida armamentista na região. lembremos que Japão tem coladinho China e Coréia do Norte, que dispensam explicações. Estas 2 rapidinho fariam um auê em cima da volta do ‘Japão malvadão’ que arrasou esses países nos anos 20 e 30.

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