A História Naval e o Cinema: ‘The Caine Mutiny Court-Martial’ (2023)

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Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)

Temas do mundo jurídico, que também são abordados no cinema, possuem preciosos elementos para serem utilizados num enredo de um filme.

“The Caine Mutiny Court-Martial”, estrelado por Kiefer Sutherland e Jake Lacy, foi lançado em 2023.

O filme, que é um drama jurídico, retrata a história fictícia do imediato de um navio da marinha norte-americana (USS Caine), que será julgado pelo crime de motim contra o seu comandante.

Este filme é uma nova adaptação do livro “The Caine Mutiny”, que foi escrito pelo norte-americano Herman Wouk e publicado em 1951.

Em 1953, o livro foi adaptado para uma peça de teatro. Em 1954, o famoso ator Humphrey Bogart interpretou o instável Comandante Queeg no clássico filme “A Nave da Revolta”, ambientado na Segunda Guerra Mundial.

Em 2023, o lendário diretor William Friedkin ao invés de se basear no livro “The Caine Mutiny”, ele utilizou o texto da peça de teatro (1953) para fazer a adaptação deste novo filme; e trouxe à história para o século XXI.

O Comandante Philip Francis Queeg (Kiefer Sutherland) comandava o navio caça minas[1] USS Caine.

Queeg demonstrava uma conduta errática e alguns fatos ocorridos levam a oficialidade a começar a desconfiar da sua saúde mental. O Imediato Stephen Maryk (Jake Lacy) e o oficial Thomas Keefer começam a considerar a possibilidade do comandante estar desequilibrado.

Outros comportamentos adotados por Queeg continuavam a chamar a atenção da vida a bordo. Ele cometia muitos erros.

O ato de mexer com duas bolinhas de metal nas mãos era um hábito usado pelo comandante sempre que estava tenso. Durante um ciclone no mar (fenômeno meteorológico caracterizado por fortes ventos), Queeg se mostrou inseguro na manobra do navio. O Imediato Maryk considera que Queeg não tinha mais condições de comandar o navio. Desse modo, o imediato decide assumir o comando. Todos esses acontecimentos teriam graves consequências. O Imediato Stephen Maryk é enviado à Justiça Militar acusado de motim.

Durante o julgamento, o clima no tribunal é de crescente tensão. O advogado de defesa do imediato é o Tenente Barney Greenwald (Jason Clarke).

Ele adotou uma linha jurídica de desqualificação do comandante Queeg. À medida que o julgamento se desenvolve paira no ar se o que ocorreu foi um motim ou uma real necessidade do imediato assumir o comando para não colocar o navio e sua tripulação em risco.

Os profissionais da área de saúde não consideravam que o comandante tivesse qualquer tipo de problema mental.

A interpretação do ator Kiefer Sutherland (Queeg) é excepcional no julgamento. Ele está na condição de testemunha de acusação. Ele se considera traído pelo Imediato, começa a ficar irritado quando é confrontado pelo advogado de defesa, é acusado de perder o controle durante o ciclone, mas alega que foi o Imediato é que entrou em pânico durante as condições adversas no mar.

Ao mesmo tempo, a promotora (Monica Raymund) é atuante e enérgica em relação as atitudes do imediato.

Queeg vai demonstrando sua frágil condição durante o seu depoimento. Os personagens parecem ter um certo grau de compreensão em relação ao quadro de saúde do Comandante. Porém, ao longo do julgamento, outros fatos sobre o seu comportamento no navio vieram à tona.

  • The Caine Mutiny Court-Martial (2023)
  • Diretor: William Friedkin
  • Atores Principais: Kiefer Sutherland, Jake Lacy e Jason Clarke

Referências Bibliográficas

Sites Consultados


[1] Navio dotado de equipamentos para limpar os portos ou outras áreas em que o inimigo tenha lançado minas (artefato explosivo). Atua com a finalidade de detectar, investigar e neutralizar as minas.

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Alex Barreto Cypriano

Ah, mas tem no YT, também, o de 1953. Aquele, sim, um film, embora ainda não tenha visto esse mais recente. Memorável o tema, o roteiro, o elenco, a produção e a música: inesquecível Tom Tully como De Vries dizendo ‘War is hell’, assim como Bogart, MacMurray, Ferrer, Johnson, Marvin, Akins; o admirável compositor Max Steiner (o John Williams da época)… Herman Wouk, judeu ortodoxo filho de emigrados aos EUA, escritor do livro premiado que originou a peça e o filme, morreu em 2019. Entretanto, há um aspecto sinistro nas explorações cinematográficas e midiáticas de tribunais e julgamentos, coisa que… Read more »

Underground

Assisti também. Muito bom!

Alex Barreto Cypriano

A parte mais ruimzinha é justamente aquela sobre o caso amoroso do alferes Keith (interpretado por Francis, um ator de carreira curtíssima, que só fez 4 filmes antes de morrer aos 25…).

Last edited 6 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
Âncora

Os filmes eram muito diferentes na década de 50 e por décadas ainda, sempre incluiam alguma trama romântica.

Alex Barreto Cypriano

Corrigindo: ‘Aquele, sim, um filmaço (…)’

Underground

Reclamação:
Persiste a aparecer na tela propagandas que não fecham, não permitindo ler parte da matéria ou comentar. Pior: muitas vezes fica uma tela preta correndo para cima e para baixo, como que presa a uma parte do texto.

Alexandre Galante

Estamos fazendo ajustes para melhor essa questão. Já reduzimos uma propaganda de vídeo que ficava incomodando os leitores quando a tela rolava.

Leandro Costa

Eu vi esse filme enquanto procurava outro para assistir. Nem sabia que haviam feito um remake. Ainda prefiro o com o Humphrey Bogart e Jose Ferrer, muito por saudosismo, já que o original é excelente. Mas esse é um filme muito bom. Fiquei surpreso com as atuações, mas ainda prefiro a forma como o final do filme original foi filmado.

carvalho2008

Assisti a este filme no original!!! Muito Bom!!! Mas não considero o capitão necessariamente instavel….na realidade, ele estava traumatizado por experiencias anteriores de guerra e isto não foi percebido….ele era um cara durão e disciplinador…num momento de estar com um novo navio e tripulação nova, naquela fase de aceites e julgamentos….o corpo de oficiais de fato não ajudou sua assimilação…o que sequer lhe possibilitava delegar….acho que o extravaso do defensor juridico foi real…um oficial com problemas que não podia contar com sua propria equipe de comando….trauma+solidão=catastrofe….isto enterra qualquer oficial em primeiro comando… De qualquer forma, o capitão não estava pronto… Read more »

Last edited 6 meses atrás by carvalho2008
Dalton

Nem tinha como “perceber”, era seu primeiro comando, apenas o dia a dia mostraria se era capaz de comandar ainda mais em situação de guerra. . O “Capitão”, sinônimo de quem comanda – o posto dele era de Tenente Comandante US Navy/ Capitão de Corveta Marinha brasileira – havia servido anteriormente no Atlântico servindo como “baixo oficial” a bordo de um cruzador antes da guerra onde realizara um feito do qual se orgulhava , percebendo diminuição do queijo de um armário fechado a chave, bolou um plano onde todos no navio foram obrigados a entregar as chaves que foram todas… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Aí que tá o próton pseudos da coisa: em guerra é de um jeito, em paz é outra. A USN, nesses tempos de ‘paz’ (aquela mesma que Palpatine se gabava de trazer aa galáxia) tem dispensado um certo número de comandantes por perda de confiança. Como ela fica sabendo do comportamento pouco confiável do comandante se não por denúncia e investigação? Nada relacionado com motim sob desastre natural, é controle burocrático 100%. Militar é gente e gente quebra na emenda, como demonstrou o caso recente (2014) do general Gregg Martin com distúrbio bipolar, que foi instrumentalização no impulso da sua… Read more »

Carvalho2008

Teve aqurle caso tambem do oficial que fo para a corte marcial pois o navio fo alvejado por exocets e demoraram.para saber o que realmente estava acontecendo, com todos preocupafos em seguir as normas e preencher formularios….