Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)

Midway – Batalha em Alto-Mar –  é um filme de guerra, baseado em fatos reais, lançado em 2019, por meio de uma coprodução norte-americana e canadense. Esse longa, recriou à decisiva Batalha Aeronaval de Midway (1942) ocorrida, no Oceano Pacífico, entre as Marinhas dos Estados Unidos da América (EUA) e do Japão, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O domínio do Atol Midway seria uma grande vantagem estratégica, pois ficava localizado na metade do caminho entre os EUA e o Japão.

Os japoneses planejaram o ataque contra Midway a fim de neutralizar o poder militar norte-americano no Pacífico, em especial, os Navios-Aeródromos[1] (NAe), bem como para ampliar o perímetro defensivo do seu território contra possíveis ataques.

O filme, que foi dirigido pelo alemão Roland Emmerich, traz momentos de tensão, cenas espetaculares de combate aéreo e uso intenso de computação gráfica nos efeitos especiais. Vale mencionar que, no início de junho de 1942, o famoso diretor norte-americano de cinema John Ford estava em Midway quando os japoneses atacaram. As imagens que ele registrou fazem parte do curta-metragem, de significativo valor histórico, “The Battle of Midway (1942)”, que pode ser assistido pelo YouTube.

Roland Emerich, o diretor deste novo Midway, quis relembrar esse fato e homenageou John Ford. Ele foi representado no filme pelo ator Geoffrey Blake.

Em 1976, foi lançado o primeiro longa sobre esse fato da história naval, Midway. Dirigido por Jack Smight, contou com um elenco multiestelar: Charlton Heston, Robert Mitchum, Toshiro Mifune,  Henry Fonda, James Coburn entre outros. Em 2011, o ataque a Midway também foi retratado pelo cinema japonês com o filme biográfico do Almirante Isoroku Yamamoto.

Midway – Batalha em Alto-Mar (2019) – começa, em 1937, mostrando um diálogo entre o Almirante Isoroku Yamamoto (Etsushi Toyokawa) e um oficial de marinha norte-americano Edwin Layton (Patrick Wilson), que estava servindo no Japão como assistente do adido naval.

O Almirante Yamamoto, Comandante da Esquadra Combinada, considerava, em caso de um conflito armado contra os EUA, que o Japão não poderia vencê-los numa guerra longa.

Porém, ele defendia a ideia de que o Japão poderia se tornar uma potência mundial, mas que dependia do petróleo dos EUA. O Japão se colocava como vítima de um cerco econômico e que não poderia sair daquele contexto somente por meios pacíficos. Caso os norte-americanos fizessem o embargo do fornecimento de petróleo, o Japão poderia reagir militarmente. A maior dificuldade da economia japonesa estava na falta de matérias-primas no seu território. Petróleo, ferro, manganês e outros metais eram essenciais na produção industrial.

Dessa forma, como meio de obtenção dessas matérias-primas, a ofensiva japonesa buscava a expansão territorial no Pacífico. Essa estratégia  incomodava os EUA.

A invasão japonesa na Indochina (atuais Vietnã, Laos e Camboja), em julho de 1941, acarretou medidas de retaliação por parte dos norte-americanos, entre elas, o corte do suprimento de gasolina. Esse combustível era essencial  para o abastecimento das aeronaves japonesas.

Esse fato foi fundamental para que o Japão decidisse atacar os EUA. Cabe resaltar que, as Filipinas eram um protetorado norte-americano e estando mais próximos do Japão poderiam ter sido o alvo escolhido para um possível ataque. Contudo, em sete de dezembro de 1941, ocorre o ataque japonês à base naval de Pearl Harbor, na Ilha de Oahu (Havaí). O ataque de surpresa, que foi realizado antes da declaração oficial de guerra, gerou uma grande indignação nos EUA, forçou a sua entrada na guerra e mudou o rumo do maior conflito armado da história. Até então, os EUA eram um país neutro. Ao final do ataque, a esquadra japonesa tinha sido vitoriosa.

Em 18 de abril de 1942, por meio da operação “Doolittle Raid”, os EUA atacaram Tóquio e Nagoya com bombardeiros, que estavam embarcados no NAe USS Hornet. Esse ataque, que foi planejado pelo piloto James Doolittle, demonstrou a vulnerabilidade do território japonês.

Entre quatro e sete de maio de 1942, ocorreu a Batalha do Mar de Coral, primeiro encontro entre os navios aeródromos norte-americanos e japoneses.  Os navios adversários não se avistaram e os ataques ocorreram exclusivamente por meio de ações aéreas. Um aspecto marcante na tática naval foi a afirmação do NAE, em substituição ao encouraçado, como a unidade de maior valor da esquadra. Fato que se confirmou na Batalha Aeronaval de Midway.

Nessa segunda fase da ofensiva japonesa, Yamamoto decidiu que iria atacar as ilhas Midway, que possuíam instalações militares norte-americanas.

O plano para atacar Midway consistia, inicialmente, em atacar as ilhas Aleutas buscando atrair os navios norte-americanos para defender aquelas ilhas. Midway seria atacada pela aviação embarcada nos NAe japoneses. Além disso, seria feito um desembarque anfíbio nas duas pequenas ilhas (Sand Island e Eastern Island) de Midway e, finalmente, atacaria os NAe norte-americanos.

Entretanto, o serviço de inteligência naval, em março de 1942, conseguiu decodificar o código japonês JN25. Desse modo, concluíram que o sinal AF, cuja frequência nas mensagens japonesas era intensa, significava que o novo ataque seria sobre Midway. Esse fato, que permitiu uma essencial preparação pelos norte-americanos, foi essencial para vitória. No dia do ataque, um forte nevoeiro impediu que os aviões de reconhecimento japoneses tomassem conhecimento da presença dos NAe USS Hornet e USS Enterprise. Importante frisar que os NAe japoneses não possuíam radar.

O USS Yorktown estava em reparo na base naval de Pearl Harbor após as avarias sofridas na Batalha do Mar de Coral. Porém, uma grande mobilização possibilitou que o mesmo se juntasse aos NAe USS Enterprise e Hornet na Batalha de Midway. Durante a batalha, aviões de reconhecimento do Yorktown localizaram os quatro NAe da marinha imperial japonesa. O NAe Kaga e o Soryu foram atacados com três bombas.

O Akagi também foi bombardeado. Por outro lado, o Yorktown também foi atacado por aviões japoneses, mas a tripulação conseguiu controlar os danos. Ele seria afundado por um submarino japonês. Em mais um ataque o NAe Hiryu foi atingido por quatro bombas. Após a identificação dos navios norte-americanos por uma aeronave japonesa o Almirante Nagumo se vê diante do seguinte dilema: seria melhor armar seus aviões com bombas para atacar Midway? ou armar com torpedos para atacar a esquadra norte-americana?

Essa dúvida custou caro, pois durante as trocas colocou seus navios numa condição vulnerável aos ataques dos aviões norte-americanos. O Japão perdeu quatro NAe: Akagi, Hiryu,  Kaga e Soryu.

A vitória norte-americana na Batalha Aeronaval de Midway interrompeu o avanço territorial japonês no Oceano Pacífico. Ao final da batalha, o Japão perdeu: um cruzador, 292 aviões, quatro NAe e 3.057 japoneses. Os EUA perderam: um contratorpedeiro, 145 aviões, um NAe e 340 norte-americanos.

MIDWAY – Batalha em Alto-Mar (2019)
Diretor:  Roland Emmerich
Atores Principais: Ed Skrein, Patrick Wilson, Lucas Evans e Aaron Eckhart

Referências Bibliográficas e Sites Consultados


[1] Navio-Aeródromo (NAe) – Navio capaz de operar, reabastecer e reparar aeronaves. Possui grande importância devido ao alcance de seu armamento ofensivo – aviões e helicópteros – sendo a unidade de maior valor de uma força naval.

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Camargoer.

Olá Colegas. Não gostei do filme, Por algum motivo estético, as imagens, quase todas geradas em computador, tem um brilho intenso, cansativo. Ficou parecendo jogo de videogame. Tudo é amarelo, Não há sombra. Parece iluminação de estádio de futebol. Este filmes recentes sobre Pearl Habour, Midway e o Batlleship são ruins. Ao contrário do “1917”, “Dunkirk” (que deve ser assistido junto com “O destino de uma Nação”) e o recente “Nada de novo no front”, que ficou sensacional, tem uma fotografia excelente, muito bem feita, tão boa que a gente nem presta atenção nela. É lá na terceira vez que… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Camargoer.
Luciano

Olá, Camargoer. A galera as vezes exagera no uso desses recursos computadorizados. Concordo plenamente com sua sugestão sobre Dunkirk + O destino de uma nação! Gary Oldman, estava fantástico!

Avatar tem seu lugar, porém,
vamos ao cinema sabendo o que será visto. Napoleão, por exe….o ponto alto do filme são justamente as cenas de batalhas bem feitas! Produção e fotografia fantásticas, mesmo com as críticas ao roteiro.

Willber Rodrigues

Eu recomendaria tambem a intercalar ambos os filmes acima com O Discurso do Rei.
Não é de guerra em sí, mas é um ótimo filme.

Camargoer.

Olá Meu Amigo. Sou fã do Gary Oldman. Ele faz excelentes vilões em “Quinto Elemento” e “O profissional”. Sou fã dele em “O espião que sabia demais”. Concordo que Avatar é um filme de ficção e tem toda aquela coisa colorida, mas até dá para entender porque é coisa do James Cameron. Estou ansioso para ver Napoleão. Aliás, vale a pena assistir antes “Guerra e Paz”, nem que seja para ver o brilho da Audrey Hepburn. Neste aspecto, também gosto de “Spartacus”, de Kubrick. A cena da legião romana se organizando para combate é sensacional. Também gosto de Ran, de… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Camargoer.
Willber Rodrigues

O problema desse filme, e dos filmes que você mencionou acima, é que parece que quiseram transformar as batalhas de Star Wars em Segunda Guerra. Só faltou os Hellcat dispararem laser, que de resto…
É tudo muito colorido, iluminado demais, é cansativo visualmente.
Pearl Harbour eu acho um romancezinho agua-com-açúcar insuportável.
Por isso gosto de Fury, Dunkirk, 1917 e Nada de Novo no Front, consegue ser “sujo” e visualmente bonito ao mesmo tempo.

Camargoer.

Olá Wilber. Aliás, StarWars só os trẽs primeiros mesmo (Uma nova esperança, Imperio Contra-ataca e Retorno do Jedi).

Sobre “Nada de novo no front”, recomendo fazer uma maratona, assistindo os dois filmes anteriores, um em preto e branco e outro com Ernest Borgnine como o sargento

Leandro Costa

Vou infelizmente acrescentar outros dois filme na lista dos filmes modernos ruins. “Red Tails” que apesar de mais moderno, ter orçamento infinitamente maior do que o predecessor “Turkegee Airmen,” ele consegue ser muito ruim. O outro parece, que é muito parecido, é “Flyboys.” Ambos são muito ruins. Midway é interessante que ele consegue acertar a maioria dos fatos históricos corretamente, a produção é imatura, faz com que os pilotos e tripulantes se comportem de forma que jamais se comportaram, fazendo os parecer como adolescentes. Temos explosões fantásticas e outros exageros desnecessários. Estou torcendo muito pela nova série do Spielberg e… Read more »

Esteves

Estreia 26 de janeiro. A Apple comprou. Em janeiro estreia também nova temporada de True Detective com Jodie Foster.

Leandro Costa

Eu vou assistir Esteves. Não vou com muita esperança, assim como também não vou com muita esperança eventualmente assistir o novo “Napoleão,” mas a gente torce pelo melhor hehehehe

Camargoer.

Verdade. Flyboys é chato demais. Já tentei assistir trẽs vezes, mas acabo dormindo. Red Tails nem lembrava mais.. riso.

Vamos falar dos bons filmes.. “Um ponte longe demais” e “Anáguas a bordo”. “A queda” também tem que estar na lista. Aliás, os “memes” deste filme são ótimos.

Last edited 2 meses atrás by Camargoer.
Leandro Costa

Sim! “O Mais Longo dos Dias” também é muito bom. “Laconia Incident” (na verdade minisérie de dois capítulos), “Das Boot,” “Twelve O’Clock High,” “Tora! Tora! Tora!” e por aí vai… Tem tantos bons.

Camargoer.

Gosto muito de “Cartas de Iwo Jima”.

Esteves

Cinema é um negócio. Produzir um filme sobre batalha naval, aéreas e terrestres da importância e com a dimensão dos fatos acontecidos em Midway exigiria um orçamento que não está mais à disposição.

Alguém quis contar uma história. Contou. Alguém botou grana para ganhar. Ganhou. Efeitos computadorizados e IA estão presentes e aumentarão a participação nas realidades.

Influencers construídas por IA estão tomando o lugar das gentes. Mas…IA não compra Ferrari.

Akira Kurosawa manda Banzai.

Camargoer.

“Banzai”. Cinema é negócio. Tem filmes baratos que ficam ótimos. Tem filmes caros que ficam ótimos também. Tem filmes baratos que fracassam porque faltou dinheiro e tem filmes caros que fracassam porque foram mal feitos. tem filmes que a gente assiste 10 vezes e quer ver de novo, tipo Chinatown ou Bonequinha de Luxo, Pedidos na Noite, Muito Além do Jardim.. a lista é longa e boa. Recomendo um filme brasileiro que é ótimo “Estômago”. Tem um filme japonês (que está no Youtube) chamado “Shall we dance” (na verdade “Shall we danso”, misturando japonês e inglês) e outro europeu chamado… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Camargoer.
Andre K

Os tempos são ouros, para o bem e para o mal. Já vi algumas entrevistas de atores de Lawrence da Arábia afirmando: “Sabe aquelas cenas no deserto, filmadas de muito longe? Éramos nós mesmos que estávamos nos camelos ou a pé! Nada de dublês.”

Hoje em dia seria impensável que um diretor alocasse “astros” durante horas para filmar cenas (maravilhosas, por sinal) como aquelas.

Camargoer.

“Lawrence da Arábia” é sensacional. Outro que tem uma fotografia sensacional é “Ghandi”.

Rafael M. F.

Camargo, de fato a última versão de “Nada de Novo no Front” é primorosa, mas acho que pecou um pouco nas licença poeticas, em particular no final. Nada que tire o brilhantismo da produção.

Camargoer.

Pois é. O problema das refilmagens é querer ser diferente dos filmes anteriores. Por exemplo, a refilmagem de “Planeta dos Macacos”, “Robocop”, “Fahrenheit 451” e “TotalRecall” são horríveis. Até mesmo a refilmagem de “D.Flor e seus 2 maridos” ficou uma porcaria.
Uma que deu certo foi “Bravura Indômita”, mas ai estamos falando dos Cohen na direção. Jeff Bridges está sensacional, tanto quanto em “O grande Lebowski”, que também teve direção dos Cohen.

Leandro Costa

Eu não tive coragem de ver o novo ‘Bravura Indômita.’ Talvez agora eu me empolgue, obrigado pela dica 😀

Pelo menos o novo ‘Nave da Revolta’ não ficou ruim. Mas realmente os remakes estão sendo horrorosos. Parece que houve um dreno de criatividade em Hollwood. Daqui a pouco também vão querer fazer remake do excelente ‘Mr. Roberts’ quando deveriam estar pensando em filmes como ‘The Bedord Incident’ e ‘Failsafe.’ Talvez até um ‘Day After’ em tempos atuais, e mesmo assim ainda acredito que seriam horríveis, mas com esperança de que passassem a mensagem adiante.

Camargoer.

Olá Leandro.

A refilmagem de “Bravura Indômita” vale a pena sim. É mais sinistro, que a versão original. John Wayne dá um tom de comédia enquanto Jeff Bridges surge com um personagem cínico e dramático.

John Wayne é um gigante em Rastros de, mas tenho a impressão que Jeff Bridges o superou na refillmagem de Bravura Indômita.

ahhh… a refilmagem de “7 homens é um destino” é uma porcaria.

Leandro Costa

Eu também não tive a coragem de assistir essa refilmagem. Aliás, difícil bater o elenco do “Sete Homens e Um Destino” original, para não mencionar os “Sete Samurais,” claro. Mas vou checar o novo “Bravura Indômita” sim.

Camargoer.

“Sete Samurais” é sensacional. Todo mundo sabe que “Sete homens e um destino” foi baseado no filme do Kurosawa, mas pouca gente se deu conta que “Vida de inseto” também.

A diferença é que os insetos que se juntam para salvar o formigueiro são artistas de circo ao invés de samurais ou pistoleiros.

Minha sugestão. Não assista a refilmagem.

Camargoer.

Oi Leandro. Lembrei de mais uma refilmagem horrorosa. “A fantástica fábrica de chocolate”. Uma porcaria.

carvalho2008

apesr de todo o heroismo e principalmente a descoberta pelo excelente serviço de inteligencia americano….foi Deus quem desejou a vitoria americana…. Analisem o desdobramento como no efeito borboleta….. A vantagem japonesa era de 3 para 1 no numero de navios aerodromos…. Os japoneses destinaram 5 patrulhas para esquadrinhar o mar a leste das ilhas O avião patrulha nr. 5 japones, decolou atrasado por falha da catapulta do cruzador O Avião Patrulha nr. 5 era quem estava destinado a cobrir justamente a area em que a frota americana estava Por obvio, diante do atraso em patrulheiros japoneses locarizarem os americanos, decidiu-se… Read more »

Willber Rodrigues

Eu diria que esse “efeito borboleta” foi mais causado por 2 fatores:

1- a maior parte do código de comunicação japonês ja ter sido quebrado pelos EUA;
2- aquele plano do Yamamoto de ter separado muito suas Forças de ataque, impedindo que uma força auxilia-se a outra em caso de urgência, abrindo lacunas pros seus aviões de reconhecimento.

carvalho2008

Ahhh…sim, mas veja que a confiança e supremacia era tanta que lhe permitia aquela separação…..foi algo inimaginavel….no minimo um empate….receber uma bomba não necessariamente inutilizava nem condenava o navio….o Yorktown por exemplo foi o caso…tinha levado uma bomba antes e tinha um rombo no conves quando recebeu ordens de zarpar…foi consertado no meio da viagem para a batalha de Midway….

Leandro Costa

Carvalho, eu concordo com o Willber. Não foi Deus. Foram os Japoneses mesmo. Além de um plano extremamente complicado, eles simplesmente foram para a batalha esperando que ela se desenrolasse como eles queriam, e não pensando no pior dos possíveis cenários. Havia capacidade de sobra para aumentar o número de aviões-patrulha e fazer um padrão de busca decente que não dependesse de apenas uma única aeronave para fazer o alerta. A aeronave #5 do Tone? Caso ela não tivesse demorado à ser lançada, os navios americanos não teriam sido avistados mais cedo porque eles não estariam naquele local na hora… Read more »

Willber Rodrigues

O plano do Yamamoto era altamente complexo, e planos altamente complexos só funcionam se todos os elementos do plano se comportam como planejado, coisa que quase nunca acontece. A falha da catapulta e a demora em lançar o avião de recon, abrindo uma lacuna no reconhecime to da IJN, já quebrou totalmente esse plano. Esse plano tambem era baseado no efeito surpresa ( que eles não tinham, como disse acima ) e se baseava em que os norte-americanos agissem exatamente como o previsto ( o que TAMBÉM não ocorreu ). Como o Leandro bem lembrou acima, o controle de danos… Read more »

carvalho2008

Ahhhh…é ruim heim Mestre Leandro….logico que o patrulha nr. 5 teria achado….eles estavam no leque da area de observação destinada a ele….era a area a ser varrida….

Da uma olhada no mapa e veja o que aconceteu….

comment image

carvalho2008

Ahhhh rapaz….olha só…bem o local fatidico…baita mancada….

Leandro Costa

Sim, Carvalho, mas duas considerações nisso aí. Os navios americanos não estariam lá ainda. Navios não ficam parados no mar. E outra, é bem capaz de que outro avião de reconhecimento japonês passou próximo de onde poderia ter avistado americanos, mas não os avistou. O motivo disso é que poucas aeronaves japonesas foram destacadas para fazer essas patrulhas. As áreas que deveriam cobrir eram imensas, literalmente deixando diversas lacunas entre si. Era um plano de patrulha falho como uma enorme peneira. A área de busca e o plano de patrulha japonês são em escrutinizados no “Shattered Sword.” Recomendo muitíssimo a… Read more »

Esteves

Se Deus é por nós…

carvalho2008

rzrzrz…foi uma figura de linguagem…bem, talvez não….mas vai ter azar assim nos quintos….uma sucessão de coisas….bem ali…para ali…naquela hora…naquele momento…foi o que decidiu toda a WWII no pacifico….

Rafael M. F.

Curiosidade: dos Seis NAe que atuaram em Pearl Harbour (Akagi, Kaga, Soryu, Hiryu, Shokakku e Zuikakku), quatro foram afundados em Midway, o que a eternizou como “a vingança de Pearl Harbour”.

E a FT japonesa foi encontrada em um lance de extrema sorte, pois o grupo de SBD Dauntless do Lt. McClusky avistou a trilha de um CT japonês seguindo a toda velocidade ao encontro da FT (sim, isso não foi licença poética, aconteceu mesmo…)

Rafael M. F.

Em Midway ficou evidente um fato que definiu o destino do 1⁰ Kido Butai: o completamente inadequado controle de avarias dos NAe japoneses, em marcante contraste com o dos NAe americanos, em particular do Yorktown, que foi duramente castigado pelos bombardeiros japoneses, posto para navegar na velocidade normal de lançamento, e foi infelizmente afundado por um sub japonês.

Rafael M. F.

Outro fato que já foi citado em matéria anterior do PN: durante um exercício de jogo de guerra naval em tabuleiro, um capitão jogando como a Frota do Pacífico posicionou uma FT a NW de Midway, e o Estado-Maior do Alte. Yamamoto ignorou esse movimento, acreditando que Nimtz não faria tal movimento.

E um último detalhe: o Alte. Halsey estava realmente com Psoríase, potencializada pelo stress do combate, e foi retirado do comando por Nimitz para que fosse se tratar.

Fernando XO

Prezado Rafael por isso mesmo o planejamento é baseado nas possibilidades do inimigo e não em suas intenções… abraço.

Dalton

Fica a recomendação do livro “Shattered Sword” onde muita pesquisa foi retirada de fontes japonesas e desmistificou uma série de mitos que foram apresentados em livros muito conhecidos como os de Walter Lord e de Mitsuo Fuchida. . Fuchida em particular escondeu que os 4 NAes não estavam preparados para atacar, os aviões ainda estavam nos hangares e o livro discorre sobre os procedimentos japoneses para rearmar e reabastecer os aviões. . Os 4 NAes japoneses levavam tantos aviões quanto os 3 NAes americanos e ainda havia os aviões baseados em Midway não havendo superioridade aérea e os outros 4… Read more »

André Sávio Craveiro Bueno

O filme de 1976 é melhor. Assisti no cinema, em 1978. Sobre refilmagens, teria alguém corajoso o suficiente para fazer esse trabalho com “2001 – Uma odisseia no espaço”? Eu creio que não. Ainda no campo das refilmagens, alguém imagina “A ponte sobre o rio Kwai” sem Alec Guinness, William Holden, Jack Hawkins e Sessue Haykawa?

Camargoer.

Ola André. A refilmagem de Karake Kid ficou horrorosa

André Sávio Craveiro Bueno

Péssima!

Camargoer.

horrível

André Sávio Craveiro Bueno

A melhor parte é quando o garoto, já no voo para a China e querendo treinar seu mandarim, tentar se comunicar com um sujeito de rosto oriental pronunciando algumas palavras. Então o sujeito responde algo assim: “Ei carinha, eu sou de Detroit.” Rsssss…

Pergunta OFF: Professor Lee Mu Tao e professora Ione Higa ainda estão na ativa?

Camargoer.

Olá André.

Os dois já se aposentaram. Estão bem.
Ás vezes, a gente se encontra em algum mercado ou coisa assim.

Estão muito bem, curtindo a aposentadoria. Sei que estão com netinhos.

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano

O cinema é técnica de espanto, e espantar é sua essência. Nada mudou desde o início do XX até este início do XXI. Goebbels ficou tão bem impressionado com o Technicolor de Gone with the Wind que proibiu a exibição de Frauen sind doche bessere Diplomaten, que só contava com a ‘vergonhosa’ Agfacolor. Apenas mais tarde, a IG-Farben aperfeiçoou o filme colorido pra Agfacolor… a mesma substância que permite gravar imagem em película está presente em explosivos… Hoje, achamos estranha a opção por iluminações fracas ou paleta de cores forçada ao sépia pra disfarçar a onipresença enfadonha de CGI. Pra… Read more »

Last edited 2 meses atrás by Alex Barreto Cypriano
koppa

Se não me engano realizar um filme sobre a Batalha de Midway era um sonho antigo do Emmerich, de tal modo que é possível identificar na obra um cuidado extremo com certos acontecimentos e fatos históricos muito acima da média. As sequências de ação, os efeitos especiais genéricos e o diálogo meio artificial diluem o seu peso, ainda assim acho que seus méritos a fazem valer a pena. Alguns pontos que achei interessante um oficial de inteligência menciona que cerca de 60% das mensagens japonesas são interceptadas e 40% dessas são decifradas. Encontrei essas mesmas frações em Guadalcanal, de Richard… Read more »

Alexandre Galante

Fui conferir a história do Bruno Gaido que aparece no filme e também é verdadeira:

https://en.wikipedia.org/wiki/Bruno_Gaido

koppa

Uma reflexão fascinante é perceber a riqueza dos personagens envolvidos, dos dois lados, em um evento tão decisivo como foi Midway, riqueza essa muitas vezes apagada pela história ou pelo tempo. Alguns detalhes adicionais, Dickinson acertou o Kaga, não o Akagi, como havia escrito. McClusky de fato foi ferido no braço, não participando no ataque pela tarde. Best, algumas horas depois, acertaria uma outra bomba no Hiryu, o único homem da história a atingir dois porta-aviões no mesmo dia. Alguns outros personagens interessantes não aparecem no filme, muito possivelmente por razões artísticas: John Thach, comandante do VF-3 (Yorktown) e criador… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Qualquer um que tenha olhado os mapas táticos da ação daqueles três -quatro dias vai perceber que a ação aeronaval embarcada não foi tudo o que dizem, simplesmente porque pros japas, que vinham pelo noroeste e leste, foi um desastre total apesar dos quatro porta-avioes, e muita ação ocorreu com aviação decolando de terra. Reclamam de pequenos detalhes tópicos que decidem ações mas se esquecem de que Midway foi um ataque surpresa transformado em armadilha mortal, com direito a perseguição dos sobreviventes, pelos meios superiores de inteligência e esclarecimento. Curioso notar que a perda do Yorktown foi debitada justamente aa… Read more »

Dalton

Não se podia exigir muito Alex, antes de “Midway” , “ não foi tudo o que dizem” apenas a Batalha do Mar de Coral havia ocorrido, um mês antes e em menor escala, então além de se estar muito distante do que se poderia considerar perto da perfeição, a partir de 1943 é sempre “fácil” apontar os erros depois que uma batalha virou História. . Muito aprendeu-se com os “erros” e eventualmente melhores radares e doutrinas das mais diversas, inclusive no controle de danos por ambas marinhas, foram gradualmente acrescentados e diria que isso continua ocorrendo até hoje dentro do que… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Sim, mestre Dalton. No calor dos acontecimentos tudo sempre fica algo confuso. Mais tarde o almirante Halsey, que não participou da ação em Midway por motivo de saúde mas que conhecia bem o que a aviação naval embarcada em porta aviões podia fazer contra outros combatentes de superfície, tomou em Leyte decisões que se mostraram deletérias porque baseadas em um logro inimigo. O ‘world wonders’ nimitziano o irritou até os ossos. Guerra, loucura consequente e metódica que é depende da percepção (no tempo e no espaço) dos acontecimentos, daí que logro bem encaixado altere o resultado. Mas hoje, com as… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Sobre os mapas táticos e a narrativa geral da ação, inclusive com valiosas observações de Nimitz, Fletcher e Spruance, aqui:
https://www.history.navy.mil/research/library/online-reading-room/title-list-alphabetically/b/battle-of-midway-3-6-june-1942-combat-narrative.html
Mas tem em PDF, também, onde os mapas são mais legíveis.

Dalton

Interessante Alex, grato !