Primeira fase do PMG do NT Gastão Motta deverá começar em junho, após meses de indefinição

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Os trabalhos ficarão a cargo da RENAVE – valor de 18,6 milhões é inferior ao estimado e a execução deverá começar em 27 de junho, com término previsto para 10 de setembro

Cinco meses após o prazo inicialmente previsto, finalmente foi informada a empresa vencedora da licitação para a primeira fase do PMG (Período de Manutenção Geral) do navio-tanque Almirante Gastão Motta (NTAlteGMotta). A empresa contratada pela Emgepron (que por sua vez foi contratada pela Marinha do Brasil para o Gerenciamento do Projeto Executivo do PMG) foi a RENAVE – Empresa Brasileira de Reparos Navais S/A.

O contrato foi assinado em 13 de maio e o extrato publicado nesta quarta-feira, 22 de maio, no Diário Oficial da União. O valor informado para os serviços é de R$ 18.642.404,20 (dezoito milhões seiscentos e quarenta e dois mil quatrocentos e quatro reais e vinte centavos), com prazo de execução entre 27/06/2024 e 10/09/2024.

O lançamento desta licitação, em modo de disputa fechado, foi objeto de extensa matéria publicada pelo Poder Naval em agosto do ano passado. Recomendamos a leitura para conhecer mais detalhes sobre os reparos previstos, além de diversas outras informações, incluindo links para o edital completo, com cerca de 2000 páginas e inúmeras informações. Clique na imagem abaixo para acessar:

Lista inicial de reparos do NT Almirante Gastão Motta, único navio-tanque da MB

Na época em que publicamos a matéria acima, o anúncio  do vencedor era previsto para novembro de 2023. Infelizmente o processo passou por suspensões e retomadas até que o resultado de seu julgamento foi informado no último dia 17, sendo a assinatura anunciada hoje. Mas, ainda que atrasado, o anúncio traz o que parece ser uma boa notícia: o valor informado de 18,6 milhões de reais é quase um milhão a menos que o valor máximo pretendido (fruto de pesquisa mercadológica), de R$ 19,5 milhões.

A RENAVE deverá realizar a “docagem e desdocagem do navio, reparação naval com restabelecimento da integridade estrutural, reparação e/ou substituição dos tanques de colisão AV e AR, do sistema de proteção catódica, manutenção e/ou substituição das válvulas de fundo e válvulas dos sistemas da embarcação, substituição de trechos de redes de diversos sistemas do navio, preparação de superfícies, pintura e manutenção mecânica da linha de eixo, hélice, bosso, sistema do Hélice de Passo Controlado (HPC) e engrenagem redutora” do navio.

PMG deverá se estender, pelo menos, até 2025

Conforme a matéria anexada acima, esta fase prevista para realização até 10 de setembro é apenas a primeira de três que compõem  o PMG do NT Almirante Gastão Motta. Os trabalhos para realizar as outras duas fases provavelmente se estenderão a maio de 2025.

Ao menos é o prazo que consta no extrato de termo aditivo ao contrato celebrado entre a Marinha do Brasil e a Emgepron (o aditivo foi necessário devido ao atraso da licitação), assinado no dia 16 deste mês.

Pelo preço de R$ 23.625.000,00 (vinte e três milhões seiscentos e vinte e cinco mil reais), conforme o contrato original de maio do ano passado, cujo valor não foi alterado desde então, a Emgepron deverá realizar o “Gerenciamento do Projeto Executivo do Período de Manutenção Geral (PMG) do Navio-Tanque “Almirante Gastão Motta”, durante a sua Fase de Docagem, incluindo a elaboração dos cadernos de obras, do projeto básico e do projeto executivo, bem como a contratação de serviços e materiais junto ao estaleiro civil e empresas especializadas, além da Fiscalização e do Gerenciamento dos serviços contratados.”

Em sua nota sobre a assinatura do contrato, também noticiada aqui, a Emgepron informou que “o projeto de revitalização do Navio-Tanque, iniciado após decisão do Almirantado, será dividido em três fases, sendo a primeira, com foco em serviços nas áreas de estruturas navais, máquinas e navegação.”

As principais características do navio-tanque Almirante Gastão Motta, divulgadas no edital dessa licitação, seguem abaixo:

  • Comprimento total (metros): 135,00
  • Boca moldada (metros): 19,00
  • Pontal moldado (metros): 10,40
  • Calado de projeto (metros): 7,50
  • Porte Bruto no calado de projeto (ton): 6.110,00
  • Deslocamento leve (ton): 4.520,00
  • Deslocamento máximo docagem (ton): 8.000,00
  • Ano de lançamento: 1990
  • Construtor: Ishikawajima do Brasil S.A. “Ishibras”
  • Classe: ABS “+A1 OIL CARRIER SPECIAL

As fotos que ilustram esta matéria (assim como a anterior aqui anexada) foram feitas em voo pela equipe do Poder Naval em 2012, durante exercício realizado entre navios da MB e da Marinha Francesa, no momento em que o NT Almirante Gastão Motta e a fragata francesa Georges Leygues realizavam exercício de transferência de combustível.

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Rommelqe

O preço da EMGEPROM para executar a coordenação e gestão do contrato é superior ao preço da RENAVE em montante da ordem de R$5.000.000,00. Qual seria, mais precisamente, o escopo da EMGEPROM? Seu preço inclui o fornecimento de serviços e bens mateirais?

Ozawa

Em matéria aqui publicada nos idos anos de 2018, de autoria do ilustre Roberto Lopes, a quem desejo pronta e plena recuperação, lia-se que o MoD havia se oferecido para vender um ou ambos os navios-tanque da classe Wave Brasil …

Um daqueles já bastava, “só” multiplicando por 25 o custo desse PMG do Gastão Mota para ter um Wave … Um “só” que valeria mais a pena por um NApaLog mt mais capaz…

Willber Rodrigues

Pelo tempo que ouço falar nisso, e pelo tempo em que não há mais nenhuma novidade sobre a venda do Wave Ruller, acho que a decisão da RN em vendê-lo subiu no telhado.
O que é uma pena, já que esse navio cairia como uma luva pra MB.

Sensato

Há quem alegue que ele é grande demais para as necessidades da MB.

adriano Madureira

A reforma do Almirante Gastão Motta só mostra a incapacidade do Brasil de fabricar um navio tanque e apostar fichas em reformar um navio de 33 anos e de casco simples…

Para mim não passa de uma economia porca…

Henrique

detalhe que esse navio não tem nenhum desafio de montagem ou tecnologia absurda
é só um navio tanque que transfere combustível.

uma copia dele com casco duplo ja resolveria o problema

Last edited 25 dias atrás by Henrique
Bueno

Não critique as decisões “assertivas” da MB , vc será taxado como anti estado. A MB tem muita experiência em gastos com PMG, principalmente em navio velhos. 1- NDD Ceara : Ficou 7 anos em PGM sofreu avaria na primeira missão tentando ir para o Haiti 2 – NAE São Paulo : Ficou 5 anos em PGM 2 vitimas fatais e uma dezena de feridos. 3 – NT Marajó G27 : Ficou 3 Anos de PMG , “retomou” em 2012 e deu baixa em 2016 4 – Corveta Jaceguai : Ficou 4 anos em PMI/PGM “retornou” 2016 deu baixa 2019… Read more »

Santamariense

“1- NDD Ceara : Ficou 7 anos em PGM sofreu avaria na primeira missão tentando ir para o Haiti – Foi descomissionado logo em seguida 2 – NAE São Paulo : Ficou 5 anos em PGM 2 vitimas fatais e uma dezena de feridos. – Foram 3 vítimas fatais, mais 7 feridos. O acidente ocorreu em maio de 2004 e a partir dali, nunca mais voltou ao setor operativo da MB, mesmo tendo passado por inúmeros serviços e reformas, como a substituição completa das tubulações de água, vapor e combustível, todo o seu convés foi raspado e recapeado, foram feitas obras… Read more »

Rosi

Nosso pai!! 10 Anos de PMG do Mattoso Maia e dado baixa em seguida!? É sério.

Quanto custou estes 5 PMG da enrolação vc Tem uma ideia?
Fiquei curiosa

Santamariense

O Mattoso Mais foi descomissionado sem sequer ter terminado o PMG. Quantos aos custos de todos esses PMG’s eu não tenho os valores, mas só do São Paulo eu li certa vez que já havia passado dos 80 milhões de reais, e isso foi bem antes de ser descomissionado.

Eduardo

Único da frota. Que falta faz o Wave.

Marcelo

O Brasil com uma área costeira gigante para cuidar e possui só 1 navio tanque caindo as pedaços é uma piada.
Torce para os inglês colocar a vendas os 2 navios tanque o wave rule e wave knight e o governo do Brasil compre os 2 navios para a marinha do Brasil.

adriano Madureira

Marinha do Brasil é uma piada, alguns meios que deveriam ser vistos com grande importância e ter uma quantidade razoável,não se há…

MMerlin

Esqueça qualquer tipo de verba destinada a compra não já prevista em orçamento pelos próximos (no mínimo) 10 anos. Provavelmente os governos (federal com diferentes Chefes de Estado) vão ser obrigados a cortar (não estou falando de contingência) verbas de diversas pastas em prol da reconstrução do Rio Grande do Sul. Fora outros auxílios que estados e setor privado precisarão fornecer para que o estado consiga se recuperar. Não tenho dúvidas que as FA serão afetadas. Importante observar que estas operações, que não tem data real para acabar, demandam verba que, acredito eu, estão saindo do caixa de cada Força.… Read more »

Last edited 25 dias atrás by MMerlin
Esteves

A Emgepron recebera 5 milhões pela gestão. Se está razoável, como saber?

“Mas, ainda que atrasado, o anúncio traz o que parece ser uma boa notícia: o valor informado de 18,6 milhões de reais é quase um milhão a menos que o valor máximo pretendido (fruto de pesquisa mercadológica), de R$ 19,5 milhões.”

Pesquisa mercadologica…ações de marketing? Historinhas?

Neto

Se for “lucro” e for da Engepron o $$ das tamandarés, tá tudo certo.

Esteves

Pois é. O GM não poderá acompanhar as Tamandares em águas internacionais. Então…pra que?

Last edited 25 dias atrás by Esteves
Nilo

Boa tarde Esteves.
Vc está pensando uma MB capaz para enfrentamento de conflito com que país? tem que restringir para uma MB para um conflito com Paraguaio ou Bolívia ou uma MB planeja para exercícios com países, aparentemente, amigos.

Esteves

Boa noite, Nilo.

Então…pra que as Tamandares? E pra que o AA?

Pra ficar de conversinha…melhor ir de corveta, ops, pera mas, as Tamandares são corvetas disfarçadas…não, são fragatas leves…opa, as Tamandares são multimissao?

Essa é a Marinha que deseja voar? Ok…supremacia aérea…estrela brasileira voando de norte a sul, iluminando o céu azul.

O Brasil é grande demais.

Last edited 24 dias atrás by Esteves
Nilo

Pois é.
E que não digam que é o povo, ou como dizia antes abertamente, a culpa é a miscigenação.
Essa república afora poucos hiatos produziu uma elite política, militar, empresarial de qualidade moral e ética discutível, ausente de identificação com o povo e com a nação.
A MB insiste na tradição burra, continua uma Marinha da década de 70 e não falo no sentido do período de controle político.
Mas resistimos rsrs

Last edited 24 dias atrás by Nilo
Burgos

Pelo visto as negociações com a RN em relação a classe Wave Ruller , ao meu ver deram uma “esfriada” então o nosso velho e cansado Alte. Gastão Mota vai ganhar uma sobrevida de pelo menos 10/15 anos pela quantidade de reparos listadas e ciclo de revitalização estrutural.
Mas acho que a MB pensasse com muita atenção e estudasse futuramente pela aquisição de pelo menos 1 Classe Wave.
Ela vai precisar (MB)

Nilo

A real,
Taxativo o mestre Carvalho 2008 diz, a MB tem pouco recursos para novos investimentos, o cobertor está curto.
Lembrando que o principal projeto da MB ainda contém incerteza quanto a ajuda dos franceses, um projeto que corre o risco de mais uma vez ser adiado.

Mauricio

Não ter um navio tanque casco duplo em 2024 e ter de reformar um navio velho é um vexame para a marinha e nossa ultrapassada indústria naval.

Nilo

A indústria naval no Brasil me parece viver de subsidiados e programas estanques, morre assim que finalizam.
Vamos ver agora com o dinheiro da Petrobrás e se muda a gestão de incentivos e desenvolvimento do setor, se privatizar Petrobrás o setor será enterrado de vez, nacionalização virá coisa estranha rsrsr

Henrique

“Vamos ver agora com o dinheiro da Petrobrás e se muda a gestão de incentivos e desenvolvimento do setor, “

ja fizeram isso e não deu certo… até pq o GASTÂO-motta ta ai

—-
se privatizar Petrobrás o setor será enterrado de vez,

para de dar esperança pra MB…

Henrique

se jogar fora e comprar um novo, de tamanho similar, feito num estaleiro estrangeiro sairia mais barato que manter um bomba de casco simples só esperado pra ferrar a MB a qualquer momento

Last edited 25 dias atrás by Henrique
Sensato

Pelo que li, um Type 901 seria algo em torno de 200 milhões. Se considerar provavelmente ninguém faz navio mais barato que chinês, o valor ainda seria umas 10 vezes mais. Apesar da capacidade dos novos ser bem maior, o custo também

Henrique

vamos ver a hora que rasgar o casco vazar o combustível

Mars

Seria possível, se ainda existir, usar um dos navios da Transpetro inacabados na baía de Guanabara e fazer o mesmo que os australianos fizeram com HMAS Sirius? Se sim, seria mais vantajoso do que reformar um navio de 33 anos?

willhorv

Só lamento isso. Vergonha!!

Fernando Vidal

A MB deveria pegar este dinheirinho e juntar com mais algum da economia cortando despesa de pessoal e contratar um novo navio logístico na China. Certeza que entregam no prazo combinado e com um custo menor do que qualquer outro estaleiro ocidental.

Antonio

Marinha vem montando um Strike Group considerável, PAM Atlântico, NDM Bahia, fragatas novas, submarinos novos, e vai pecar no quesito navio tanque?! Lamentável!

Pq não usa a linha de crédito liberada pelos ingleses, 1Bi de Libras e negocia um usado ou encomenda novo de algum estaleiro inglês?!

Henrique

Esse navio só serve pra reabastecer as fragatas aqui do litoral… máximo que ele fez de relevante fora foi ajudar a encontrar o voo da Air France em 2009

se precisar ir mais longe as Fragatas param num porto e pede pra completar. Brasil não tem interesse em fazer missões fora do litoral como qualquer Marinha de agua azul faz

Adriano madureira

Nossa, que grande notícia🤔‼️ Quem sabe agora com essa customização o navio fique mais um vinte anos no serviço…

Quem fez a motorização 🤔⁉️ Batistinha Garagem🤔😆⁉️

País de piada😆‼️