A Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida em 11 de junho de 1865, foi um dos eventos mais decisivos da Guerra do Paraguai, que se estendeu de 1864 a 1870. Neste confronto, a Armada Imperial do Brasil enfrentou e derrotou a Marinha de Guerra do Paraguai nas águas do rio Paraná, próximo à confluência com o rio Riachuelo.

No início de 1865, o Paraguai, sob o comando do ditador Francisco Solano López, buscava expandir seu território e influência na região, invadindo territórios pertencentes ao Brasil e à Argentina. A ofensiva paraguaia incluía o bloqueio de importantes vias fluviais, essenciais para a logística e movimentação das forças aliadas. Neste contexto, a Batalha do Riachuelo se tornou crítica para o controle dos rios da Bacia do Prata.

A força naval paraguaia, composta por cerca de nove navios, posicionou-se estrategicamente no rio Paraná. O comandante da frota paraguaia, Comodoro Pedro Ignacio Meza, tinha um plano ambicioso de surpreender a esquadra brasileira enquanto esta estivesse ancorada. No entanto, o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, líder da Armada Imperial do Brasil, estava preparado para enfrentar a ameaça.

Na manhã de 11 de junho, a frota brasileira, formada por nove embarcações, incluindo corvetas, canhoneiras e monitores, enfrentou o ataque paraguaio.

Barroso içou o sinal O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, seguido de outro, com instruções de combate: Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder.

Inicialmente, os paraguaios obtiveram algum sucesso ao conseguir danificar vários navios brasileiros. Contudo, a resposta brasileira foi rápida e eficaz. Sob a liderança de Barroso, a esquadra brasileira conseguiu contra-atacar de maneira decisiva.

A batalha se intensificou ao longo do dia, com os navios brasileiros utilizando suas melhores táticas navais e a superioridade em armamento e treinamento. O heroísmo dos marinheiros brasileiros, somado às habilidades de comando de Barroso, garantiu a vitória do Brasil.

A vitória na Batalha Naval do Riachuelo foi um ponto de virada na Guerra do Paraguai, assegurando o controle brasileiro sobre as vias fluviais e comprometendo seriamente a capacidade logística e de movimentação das forças paraguaias. Este triunfo não apenas elevou o moral das forças aliadas, mas também consolidou a importância da marinha brasileira no conflito, reafirmando sua superioridade naval na América do Sul.

A Batalha do Riachuelo é lembrada como um símbolo de bravura e estratégia militar, celebrada anualmente pela Marinha do Brasil como o “Dia da Marinha”. A liderança do Almirante Barroso e a determinação dos marinheiros brasileiros permaneceram como exemplos de patriotismo e competência militar, deixando um legado duradouro na história naval do Brasil.

O cenário

A bacia do rio da Prata era estratégica para as comunicações entre o Oceano Atlântico e os contrafortes orientais da Cordilheira dos Andes. O transporte de pessoas, animais e de mercadorias era feito pelos rios, uma vez que quase não havia estradas até à segunda metade do século XX. O país que controlasse a navegação de seus rios, mas principalmente a sua foz, controlaria o interior do território e a sua economia.

O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e do Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.

No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupado áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil, e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai e, de lá, ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formar-se-ia assim o Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.

Antecedentes da batalha

Coube ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Visconde de Tamandaré, depois Marquês de Tamandaré, o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre.

As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões – uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, na Província de Corrientes, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe de Divisão (posto que correspondia a comodoro, ou almirante de uma estrela em outras Marinhas) Francisco Manuel Barroso da Silva, para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista.

A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la, mas o ataque deteve o avanço paraguaio para o sul, ao longo do Rio Paraná. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.

Os combatentes

A esquadra paraguaia, partindo de Humaitá na noite de 10, devia regular a sua marcha de modo a atingir a esquadra brasileira nas primeiras horas da madrugada de 11 de junho. Cada um dos navios paraguaios devia abordar um dos navios brasileiros. Se algum destes conseguisse repelir a abordagem, teria a sua retirada cortada por uma bateria previamente assestada no barranco sobre o canal Riachuelo, duas léguas abaixo da cidade de Corrientes.

Ide e trazei-me os navios brasileiros! foram as palavras de Lopes quando terminou a proclamação que dirigiu à sua esquadra no momento da partida de Humaitá. A distancia poderia ser percorrida em cinco ou seis horas, mas uma avaria no vapor Iberá não permitiu efetuar a surpresa antes do romper do dia, e só às 9 horas as duas esquadras se avistaram.

Império do Brasil
A Força Naval Brasileira que bloqueava o rio Paraná estava fundeada ao lado do Chaco, a 25 km ao sul de Corrientes e fronteiro a um monumento denominado A Coluna, ereto na margem esquerda do rio.

Era composta de 11 navios, mas no dia da batalha contava só com 9; outros dois: as canhoneiras Itajái e Ivaí encontravam-se destacadas em ponto distante rio abaixo. A força era formada pela 2ª e 3ª Divisões da Esquadra.

A frota composta de nove navios de guerra estava armada com 59 bocas de fogo, levando a bordo 1 113 fuzileiros navais e 1 174 soldados do Exército Imperial. Somavam um total de 2 287 homens. Seu comandante em chefe era o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva.

2ª Divisão Naval: Chefe de Divisão Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva

Fragata a vapor Amazonas (1852-1897) da Marinha do Brasil

Corveta Parnaíba (1858-1865) destruída nas batalhas de 1865

Canhoeira Araguari (1858-1882) na Baía da Guanabara

 

Navio Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante
1 Fragata Amazonas
(Capitânia)
1050 t 6
(1 70 £ e 5 68 £)
300 cv Capitão de Fragata
Teotônio Raimundo de Brito
2 Corveta Parnaíba 637 t 7
(1 70 £, 2 68 £ e 4 32 £)
120 cv Encalhada.
Foi Seriamente avariada.
Capitão-Tenente
Aurélio Garcindo Fernandes de Sá
3 Canhoeira Mearim 415 t 7
(3 68 £ e 4 32 £)
100 cv Alarmou a Armada Imperial Primeiro-Tenente de Marinha
Elisiário José Barbosa
4 Canhoeira Araguari 400 t 5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cv Primeiro-Tenente de Marinha
Antônio Luís von Hoonholtz
5 Canhoeira Iguatemi 400 t 5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cv Primeiro-Tenente de Marinha
Justino José de Macedo

 

3ª Divisão Naval: Comandante Capitão de Mar e Guerra José Secundino de Gomensoro

Navio Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante
6 Corveta Jequitinhonha 637 t 7
(2 68 £ e 5 32 £)
130 cv Encalhada.
Destruída em combate no dia seguinte.
Capitão-Tenente
Joaquim José Pinto
7 Corveta Belmonte 602 t 8
(1 70 £, 3 68 £ e 4 32 £)
120 cv Encalhada.
Foi Seriamente avariada.
Primeiro-Tenente de Marinha
Joaquim Francisco de Abreu
8 Canhoeira Beberibe 560 t 7
(1 68 £ e 6 32 £)
130 cv Capitão-Tenente
Joaquim Bonifáco de Santana
9 Canhoeira Ipiranga 325 t 7
(7 30 £)
70 cv Primeiro-Tenente de Marinha
Álvaro Augusto de Carvalho

 

República do Paraguai

A Marinha Paraguaia era composta de 8 navios armados com 38 bocas de fogo, contando ainda com sete baterias flutuantes “chatas” comandadas por tenentes de artilharia, montando cada uma um canhão de 68 libras. Estas “chatas” eram rebocadas ao campo de batalha por um navio à exceção do “Salto Oriental”.

Entre a tripulação figuravam 400 marinheiros entre os oito navios e outros 72 a bordo das chatas. Somando 472 marinheiros que foram agregados com quinhentos combatentes do 6º Batalhão de Infantaria a bordo.

A esquadra guarani era comandada pelo Comodoro Pedro Ignácio Mezza. Foram posicionadas nas barrancas da Foz do Riachuelo 22 peças de artilharia e duas baterias à “Congreve” com 1 200 atiradores do exército paraguaio que estavam posicionados em terra, comandados pelo Tenente-Coronel José María Bruguez.

Dois outros navios da esquadra paraguaia não participaram do combate e ficaram fundeados águas acima do rio em razão de avarias, o Vapor Paraná, comandante Gutierres e o Vapor Yberá, sob comando do Tenente Pedro Victorino Gill, teve problemas mecânicos e atrasou a chegada da frota paraguaia ao campo de batalha.

Navio Ton. Poder de fogo Potência Notas Comandante
1 Corveta Tacuarí
(Capitânea)
730 t 8
(2 68 £ e 6 32 £)
130 cv Comodoro
Pedro
Ignácio Meza
2 Corveta Paraguarí 627 t 8
(2 68 £ e 6 32 £)
120 cv Afundou em combate. Primeiro-Tenente de Marinha
José M. Alonso
3 Vapor Ygureí 548 t 7
(3 68 £ e 4 32 £)
130 cv Capitão de Corveta
Remigio Cabral
4 Vapor Marquês de Olinda 300 t 4
(4 18 £)
80 cv Neutralizado em combate e abordado.
Depois destruído.
Tenente de Navio
Ezequiel Robles
5 Vapor Salto Oriental 255 t 4
(4 18 £)
70 cv Afundou em combate. Alferes de Marinha
Vicente Alcaraz
6 Vapor Yporá 226 t 4
(4 32 £)
80 cv Capitão de Fragata
Domingo Antônio Ortíz
7 Vapor Jejuy 120 t 3
(3 18 £)
60 cv Afundou em combate. Tenente de Marinha
Aniceto López
8 Vapor Pirabebé 150 t 1
(1 8 £)
60 cv Canhão ficou indisponível Tenente de Marinha
Toribio Pereira
9 Vapor Rangel 90 t Desarmado 50 cv Rebocado para ser utilizado como navio transporte Primeiro-Tenente
Pedro Victorino Gill

 

A batalha

Na manhã de 11 de junho de 1865, domingo da Santíssima Trindade, por volta das 8h30m. após ter sido arriado o sinal de rancho, preparam-se as toldas do Amazonas e do Jequitinhonha para a celebração da Missa. Perto das 9h00m. a canhoneira Mearim, navio de vanguarda e de prontidão avançada, iça o sinal de Inimigo à vista, e logo após outro sinal: os navios avistados são em número de oito.. Barroso, a bordo da Fragata Amazonas, faz o primeiro sinal Preparar para o combate e depois Safa geralDespertar os fogos das máquinas e a seguir: Suspender ou largar amarras por arinques e boias, ou até por mão, como melhor convier.

A primeira carga

Batalha de Riachuelo, etapa 1. a) A frota brasileira desce a jusante para encontrar a frota paraguaia. b) A Amazonas sai da formação por algum motivo e é seguida pela Jequitinhonha. Em seguida, a Amazonas retorna à formação, e a Jequitinhonha é fortemente atacada pela infantaria e pela artilharia na barranca. c) A ausência da Amazonas e da Jequitinhonha faz com que a Belmonte ‘se transforme em um alvo fácil, fortemente atacado e à deriva rio abaixo. d) A força brasileira então dá meia-volta (mantendo-se a montante para manter a estabilidade dos navios) enquanto a Panaíba vem em socorro da Jequitinhonha.

Às 9h 25 min, a esquadra brasileira está na formação em escarpa voltada águas acima. Barroso iça o sinal O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, seguido de outro, com instruções de combate: Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder. Os paraguaios descem o rio, perfilham-se com a esquadra brasileira, trocam-se tiros, duas chatas paraguaias são afundadas e um terceira avariada; o Jejuí, também atingido e seriamente avariado, vai abrigar-se na beira do Riachuelo para reparos. A esquadra paraguaia desce o rio, faz a volta um pouco abaixo do Riachuelo, torna águas acima e encosta-se na curva do Riachuelo a jusante das suas baterias de terra; as chatas, fundeadas e preparadas, aguardam a resposta brasileira. Descendo, a frota paraguaia se estira ao longo e perto da margem esquerda do Paraná, entre a boca do Riachuelo e a saliência do Rincão de La Graña, a jusante dos 22 canhões inimigos assestados em terra.

A segunda carga

Segunda carga

Às 10h50m – A esquadra brasileira começa a se mover águas abaixo na direção dos paraguaios, a Amazonas repete o sinal Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder. A Corveta Belmonte vai a frente e abre fogo às 11h20m, sofre com o fogo combinado dos navios e das baterias de terra, é fortemente fustigada, a água lhe invade o porão. Comunica à capitânia que as bombas não dão vazão e faz contramarcha, dirige-se ao banco mais próximo, na ilha Cabral e aí encalha para não ir a pique e se recuperar.

11h25m – A Amazonas investe na vanguarda e abre fogo contra as baterias inimigas e recebe a resposta a bala e metralha. Segue-lhe a Beberibe às 11,40 hsabre fogo, seguem-lhe a Mearim pelo canal e a Araguari, esta repele uma tentativa de abordagem dos inimigos TaquariMarquês de Olinda e Paraguari. Às 11h50m A Ipiranga investe pelo canal trocando tiros com a linha inimiga e consegue atravessar. Às 12h10m a esquadra brasileira concluíra a primeira passagem águas abaixo.

De 12h05m às 13h. A Jequitinhonha, segundo maior navio da esquadra do Brasil, encalha antes de passar pelo canal, a pouca distância das baterias de terra do Cel. Bruguez, é atacada com vigor pela artilharia das barrancas e responde a altura com os canhões de bombordo, mas não pode mover-se, ainda assim consegue repelir a tentativa paraguaia de abordagem simultânea pela Taquari, do Marques de Olinda’ e da Paraguari. A Parnaíba deixa a formação e vai águas acima em socorro da Jequitinhonha, bate o leme num banco e depois é atingida no leme; o comandante tenta governá-la só com as velas, mas vêm em sua direção o vapor Paraguari pela proa, o Taquari por bombordo e o Salto por estibordo. A situação da esquadra brasileira nesta hora é crítica: A Belmonte e a Jequitinhonha encalhadas fora de combate e a Parnaíba sofre a abordagem e a bandeira brasileira no navio é arriada.

A luta pela Parnaíba

Greenhalgh

Marcílio Dias

 

Deu-se voz de preparar para abordagem, o comandante mandou tocar a máquina a toda força e foi sobre o Paraguari, este abriu-se quase ao meio, viu-se perdido e só teve tempo de buscar a praia e a tripulação o abandonou. No entanto a capitânia Taquari, o Salto e logo depois pela popa o Marques de Olinda realizaram a abordagem.

Os paraguaios em luta corpo a corpo tomam o navio desde a popa até o mastro grande, nesta luta sobressaem do lado dos brasileiros o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, o Capitão do 9º Batalhão de Infantaria Pedro Afonso Ferreira e o Tenente do mesmo batalhão Feliciano Inácio Andrade Maia mortos na defesa da embarcação e da bandeira.

A bandeira brasileira é arriada pelos paraguaios. São 575 os atacantes e 263 os defensores. O comandante da Parnaíba dá ordens de incendiar o paiol de pólvora para que a embarcação não caia em mãos do inimigo. A luta dura uma hora, a esquadra brasileira, a Araguari e a Beberibe fazem águas acima e vêm em seu socorro, neste momento os navios paraguaios abandonam o costado da Parnaíba.

A Parnaíba sofre o choque de três vapores paraguaios (Le Monde illustré, nº 436, 19-08-1865

A terceira carga

14h00m. A batalha está na fase mais crítica e indecisa. A Amazonas, tendo descido o rio e completado a volta, investe águas acima e sinaliza sustentar o fogo que vitória é nossa e, por ordens de Barroso, joga a proa contra o casco do Jejuí e o põe ao fundo, a seguir joga a proa contra uma das Chatas paraguaias e a afunda.

Livre da abordagem, a Parnaíba iça novamente a bandeira brasileira. A fragata Amazonas avistando o Salto parado repetiu a manobra afundando-o, a manobra se repete mais uma vez contra o Marques de Olinda que atingido pela proa da Amazonas desce o rio desgovernado à deriva para encalhar mais abaixo.

A esquadra paraguaia perde 4 embarcações e 4 chatas, o restante surpreendido pela manobra foge em retirada rio acima perseguida pela Beberibe e pela Araguari que os fustiga com os seus canhões até se distanciarem.

Às 17h30m a batalha está terminada, com clara vitória da esquadra comandada por Barroso. A Belmonte se acha alagada e inutilizada e a Jequitinhonha encalhada.

A vitória foi decisiva para a Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da bacia platina até à fronteira com o Paraguai, garantindo todo o apoio logístico às forças de terra e bloqueando qualquer ajuda ou contato de López com o exterior.

Ordens

Ficaram famosas na História Militar Brasileira as mensagens transmitidas às embarcações brasileiras pelo Almirante Barroso, através da sinalização de bandeiras:

  • O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!”
  • Sustentar o fogo, que a vitória é nossa!”

 

Batalha Naval do Riachuelo
Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança
Data 11 de junho de 1865
Local Rio da Prata, Argentina
Desfecho Decisiva vitória brasileira
Beligerantes
PARAGUAI
Marinha de Guerra Paraguaia
Exército Paraguaio
IMPÉRIO DO BRASIL
Armada Imperial Brasileira
Corpo de Fuzileiros
Comandantes
Comodoro Mezza
Tenente Robles†
Coronel Bruguez
Almirante Barroso
Capitão Secundino
Forças
Naval:
1.472 combatentes
7 navios (38 canhões)
6 chatas
Terrestre:
1.200 soldados
22 canhões
2 Baterias Congreve
Naval:
2.287 combatentes:
1.113 da marinha
1.174 do exército
9 navios (59 canhões):
1 Fragata
3 Corvetas
5 Canhoeiras
Baixas
351 mortos
567 feridos
4 navios afundados
6 chatas afundadas
104 mortos
142 feridos
20 desaparecidos
1 navio afundado
2 navios encalhados

 

FONTE: Wikipedia

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Rinaldo Nery

No livro “Maldita Guerra”, do Francisco Doratiotto, diz que Tamandaré ficou em Buenos Aires tomando vinho. Talvez Barroso devesse ser o patrono da MB. Marcilio Dias empresta o nome ao time de futebol de Itajaí, onde joguei no infantil, em 1979.

Camargoer.

Olá Rinaldo. Lembrei deste livro também. È muito bom….

Dalton

Bom livro e além da biografia fascinante de Tamandaré, o fato de ser “patrono” derivou também dele ter nascido no Brasil enquanto Barroso nasceu em Portugal – apesar de vir a residir no Brasil ainda jovem – então diante de dois nomes que muito contribuíram pela marinha fez sentido se optar por um nativo para patrono.
.
Há marinhas cujos patronos são estrangeiros, até por falta de alguém mais inspirador e nativo na ocasião, mas a do Chile por exemplo tem como patrono Arturo Prat, chileno de nascimento e dono de outra fascinante biografia.

Last edited 1 mês atrás by daltonl
Brandão

Alguns Patronos de Armas do Exército não são brasileiros:
Marechal Mallet- Patrona da Artilharia (Francês)
Ten Cel Vilagran Cabrita- Patrono da Engenharia (Uruguaio)
Ten Gen Napion- Patrono do Material Bélico (Italiano)

Rinaldo Nery

Não sabia. Interessante.

Dalton

O “Mallet” eu até sabia por conta de meu pai os outros dois desconhecia
grato pela informação.

Thor

O valor de Barroso para a MB é inegável, mas a escolha de Tamandaré vai muito além de Riachuelo ou da participação dele na Guerra do Paraguai.
Tamandaré foi escolhido patrono pelo seus serviços ininterruptos á MB, e contribuição, desde os dezesseis anos até sua morte.

Rinaldo Nery

Grato pela informação

Fernando Vieira

O Barroso depois que deu a ordem de sustentar o fogo meteu o louco e mandou a Amazonas pra cima de todo mundo e fez um estrago na esquadra paraguaia.

É bom ver comandantes assim e não aqueles que só ficam atrás de mesas.

guilardo

Tamandaré tinha receio que a nossa esquadra sofresse muitos danos, o que a impossibilitaria num futuro não distante, intervir nos planos argentinos de dominação da região do Prata. Antes da chegada da esquadra brasileira para abrir a trajetória até Humaitá, os argentinos ficavam cobrando a “demora” da frota imperial. Corria uma máxima difundida pelos hermanos, que ” a guerra estava muito difícil sem a esquadra, mas ficaria muito pior com ela” . Relativamente à batalha, salvou-nos a ordem de arremeter os grandes navios brasileiros contra as chatas e pequenas naus guaranis. Estivemos a ponto de perder a esquadra, o que… Read more »

sergio 02

Se tivesse acontecido nos EUA haveria filmes , series etc. mas como foi aqui, quanse ni guem sabe.
posso esta enganado, mais ao final desse comflito a marinha brasileira terminou essa guerra com quase 90 navios dandolhe o titulo de sexta maior em numeros de navios do mundo.

Rinaldo Nery

Concordo. Aliado à isso, encontra-se pouquíssimas imagens do conflito, comparativamente com a Guerra da Secessão, nos EUA (conflitos quase contemporâneos). As imagens disponíveis da Guerra da Secessão são inúmeras. Outro detalhe é que o que aprendemos na escola, sobre a guerra, foi muito superficial. Esse livro que comentei acima, ¨Guerra Maldita¨, é um dos melhores sobre o tema. Como curiosidade, Caxias, no dia 26 de Junho (não lembro o ano), empregou um balão, comprado e operado por norte maericanos, para descobrir as posições do exército paraguaio.Esse dia é comemorado pela FAB como Dia da Aviação de Reconhecimento.

Willber Rodrigues

Me interessei, vou dar uma “caçada” nesse livro que você citou, sempre quis saber mais sobre essa guerra.

Rinaldo Nery

Maldita Guerra. Troquei. Desculpe

Fernando XO

Bom ponto, Coronel… lembro de ter visitado alguns locais de batalha nos EUA, tanto da Guerra Civil quando da Guerra de Independência… a primeira, um evento terrível na história deles… e tudo preservado, documentado e pleno de informações… cordial abraço…

Leandro Costa

Também usamos artilharia de foguetes, por incrível que pareça.

É uma infelicidade como ensinamos História Brasileira para nós mesmos. O que me foi ensinado sobre a Guerra do Paraguai foi absurdo e fico com raiva quando penso nisso até hoje.

Mas infelizmente, tudo ‘de época’ que é feito para as telas Brasileiras, tem normalmente tom jocoso e caricato. É triste.

Joao

Prezado Esse livro é ótimo. Mostra muita coisa. Ressalto sobre essa guerra, que Caxias se lançou na ponte de Itororo já com seus 63 anos, se não me falha a memória, diferente dos heróis do passado, q variavam dos 30 aos 50 anos. Ainda, antes da investida ao interior do Paraguai, para a caçada a Solano Lopes, o Duque deu por encerrada a campanha, e foi destituído do comando, sendo recebido no RJ, sem honras militares., desmentindo a tese de que Caxias foi genocida no Paraguai. Por fim, ressalto que muitas das tropas da campanha foram tropas que um dia… Read more »

Camargoer.

Olá Rinaldo. Acho que para estudar e entender a Guerra do Paraguai é preciso mais maturidade do que aquela que a gente tinha até o ensino médio. O livro “Maldita Guerra” é sensacional, mas demanda algum esforço para ler, tanto quanto “Os sertões”. Tem uma biografia do D.Pedro II (As barbas do imperador”) que apresenta um capítlulo sobre a Guerra do Paraguai neste contexto biográfico. Sobre o cinema, é curioso que existem poucos filmes sobre a FEB (lembro do 47) e poucos filmes sobre Canudos… comparando com os filmes históricos produzidos nos EUA, a gente percebe que a maioria é… Read more »

Dalton

George Custer de triste fama na Batalha do Little Big Horn – outra de minhas obsessões, em 1862, “Guerra Civil”, antes de tornar-se um jovem General, também subiu diversas vezes em balões para efetuar reconhecimento.

Camargoer.

Olá Dalton. Só para citar, vale sempre assistir o filme “Pequeno Grande Homem”.

Dalton

Sim Camargo, vale a pena pelos atores e por ter sido filmado no local em que a batalha ocorreu e que tive oportunidade de visitar duas décadas atrás, outra tentativa de fazer Custer parecer um “vilão” e “doido varrido” uma crítica às forças armadas pelo Vietnã por Hollywood. . Toda vez que se faz um filme sobre à época, como o “Último Samurai” com Tom Cruise, belo filme, mas historicamente cheio de “furos” se recorre ao Custer para criticar o governo/forças armadas, Iraque, Afeganistão, etc. . Prefiro o filme “O Filho da Estrela da Manhã” de cerca de 4 horas… Read more »

Camargoer.

Pois é. “O último samurai” é um filme sem rigor histórico, mas uma bela história no contexto do “mito do herói” de Campbel. Também acho que o filme é apenas uma releitura do clássico “Xogun”.

Minha maior crítica ao filme são os excessivos 5 min finais (de praticamente todo filme feito nos EUA)… se o filme tivesse terminado 5 min antes, teria tido um bom final.

Aliás, recomendo a produção japonesa de “Shall we dance”, que junto com “Beleza Americana”, “Encontros e desencontros” e “Drunk” formam a quadrilogia que todo homem de meia idade deve assistir e pensar na vida.

Dalton

“Nem eu lembraria de mim”, nunca esqueci essa frase do “Lester”.

Camargoer.

Olá Dalton… eu não lembro desta frase… em qual momento do filme?

ainda assim a frase é muto boa mesmo

Last edited 1 mês atrás by Camargoer.
Dalton

Quando ele e a esposa participam de uma festa onde o grande convidado é rival e ao mesmo tempo ídolo dela que é corretora de imóveis e quando ele claramente não lembra de já ter conhecido Lester em uma festa passada ele responde, tudo bem nem eu me lembraria de mim 🙂

Camargoer.

Isso mesmo… Lembrei.

Heinz

Prezado, aqui nem os pracinhas que se envolveram em uma guerra mundial possuem o reconhecimento devido, imagine um conflito na época do império. Aqui temos filmes vangloriando Mariguella um comunista guerrilheiro, aqui se vangloria só um lado.

Rinaldo Nery

Exato.

Saldanha da Gama

Tomara que possamos ter novamente, uma Marinha Brasileira poderosa como tínhamos….

Salve GLORIOSA MARINHA BRASILEIRA !!!

Allan Lemos

É um crime que 99,9% dos brasileiros não conheçam a história de Riachuelo, especialmente quanto aos atos de Greenhalgh e Marcílio Dias, que tombaram em defesa da bandeira. As escolas não ensinam sobre eles. Se fosse nos EUA, eles seriam heróis, mas aqui no Brasil só se idolatra artistas e subcelebridades.

Saldanha da Gama

e criminosos de todos os espectros……….
abraços

Heinz

EDITADO:
Pessoal, por favor focar no tema da matéria.

Fernando

EDITADO:
Pessoal, por favor focar no tema da matéria.

Caravlaho

No mesmo momento da batalha do Riachuelo, os Paraguaios invadiram São Borja, no RS.
Riachuelo destruiu qualquer possibilidade das colunas que atuavam ao longo do rio Paraná e Uruguai se ajudarem mutuamente.
Resultou na Rendicao de Uruguaiana.

Comenteiro

O desenhista e historiador paulistano André Toral tem um álbum de quadrinhos muito bom sobre a Guerra chamado “Adeus Chamigo Brasileiro”. Ainda está disponível nas livrarias e pode ser encontrado nos sebos.

A TV Senado, TV Brasil tem documentários disponíveis no Youtube sobre a Guerra.

A Guerra do Paraguay é bem estudada nas universidades. Mas não tem muito espaço na correria do currículo do ensino médio.

bartolomeu

O melhor livro sobre o assunto é “Maldita Guerra”, do Doratioto. Eu comprei outro livro dele, publicado faz alguns meses, sobre uma jovem francesa que sofreu terrivelmente como prisioneira de Solano Lopez. O livro dele provocou reações contrárias dos que elogiavam Solano Lopez, como eu aprendi no grau.

Comenteiro

Obrigado pela dica. Vou procurar pelo livro.

Fernando Vieira

Eu acho engraçado como nós aprendemos que o Brasil estava errado na Guerra do Paraguai. Quando eu fiz cursinho teve um professor de história falando isso também, e a galera que ia fazer história concordando. Eu perguntei “Mas professor, como a guerra começou?” “O Paraguai invadiu o Brasil” “Então o Brasil só foi se defender” Aí ele veio com a ladainha de Inglaterra, que o Paraguai estava se industrializando, os ingleses não iam deixar isso e eu “Mas o Paraguai invadiu território Brasileiro. Se eles se industrializassem lá no território deles o Brasil não teria feito nada” Ele cortou para… Read more »

Dalton

A “ladainha de Inglaterra” ouvi também e de “professores” muito bem considerados que também não aceitaram minha “versão” 🙂

Camargoer.

Olá Fernando… nada é tão simples assim. Dizer que o Brasil estava certo ou o Paraguai estava certo é insuficiente para entender o que aconteceu naquela (maldita) guerra. Além do Brasil e do Paraguai, é preciso entender o papel da Argentina que estava ainda em um processo de consolidação do território, com risco de uma secessão entre a região sob influência de Buenos Aires e as províncias do norte. Tem um livro “A guerra é nossa” que discute a Guerra do Paraguai como um evento regional no contexto da consolidação dos estados nacionais da região. O período que antecedeu a… Read more »

Fernando Vieira

Mas será que se Solano Lopez tivesse negociado uma rendição quando viu que a guerra tava perdida não teria impedido esse genocídio da população paraguaia? A guerra chega a um ponto que está perdida para o Paraguai, ele deveria ir de França naquele momento. Insistir na guerra só custou a vida de milhares de paraguaios que não precisavam morrer.

Guardadas as devidas proporções seria como se os japoneses insistissem em lutar mesmo após as bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Camargoer.

Olá F. Não sei… acho que nem faz sentido pensar no que teria acontecido se isso ou se aquilo. Acho mais adequado analisar o que aconteceu e buscar fontes, documentos, registros para entender o que motivou cada lado a tomar esta ou aquela decisão. Havia gente no lado brasileiro que defendeu o fim da guerra quando as tropas brasileiras ocuparam a capital paraguaia, mas Pedro II determinou que Solano fosse capturado, sendo que acabou assassinado por um soldado brasileiro. O fato é que o genocídio aconteceu. Neste contexto, Canudos e a Guerra do Paraguai precisam ser vistos pelo que foram,… Read more »

Wilson Look

No meu ver deveria haver pesquisas mais profundas sobre essa questão, já que o tamanho real da população do Paraguai na época é incerto, já que o governo manipulava os dados ao que parece.

Rinaldo Nery

Exato. Isso nunca foi provado.

Rinaldo Nery

A grande maioria morreu por condições sanitárias inexistentes. Discordo que houve genocídio. O próprio Doratiotto fala isso no seu livro. Não há provas, nem censo confiável à época. “Uma mentira contada mil vezes vira uma verdade”. Joseph Goebbels. Patrono da TV Goebbels, dos Marinho.

Last edited 1 mês atrás by Rinaldo Nery
Wilson Look

Pior que eu tive um professor de história, que falou uma vez isso.

De que os japoneses deveriam ter continuado lutando, pois segundo ele, os EUA não tinham mais bombas atômicas, eu nem falei nada de tão incrédulo que estava.

Camargoer.

Ola WL. A gente sabe que o Gen.Groves enviou um memorando para Truman que eles tinham capacidade de produzir uma nova bomba em cerca de um mês e partir disso uma bomba por semana. Agora, também é verdade que o Japão estava na beira de um colapso econômico em função do bloqueio naval dos EUA. Além disso, a URSS havia declarado guerra ao Japão e ameaça ocupar o norte do Japão.. então, é difícil imaginar cenários alternativos do passado. Chama atenção o fato do Imperador ter decidido pelo fim da guerra, já que os ministros civis votaram pelo fim da… Read more »

Carvalho

Tudo o que vc falou é válido, Camargoer.
Acho que a guerra não era inevitável.
Aí entra a personalidade insondável de Lopez.
Mandou fuzilar irmãos e cunhados….mandou açoitar irmãos e a mãe!! Isso porque entendeu que havia uma conspiração para tirá-lo do poder e encerrar a guerra.
Muito da matança deve ser colocado na conta dele.

Camargoer.

Também acho que a guerra seria evitável mas demandaria uma diplomacia muto engajada… tambem precisamos lembrar que os Estados modernos (sec. XIX, XX e XXI) dependem muto da influencia dos militares… geralmente, naqueles em que o militarismo é mais forte, há muto chance das coisas virarem guerra…..

Na I Guerra, praticamente foram os generais que mobilizam as tropas, anulando o esforlo diplomatico… tem um livro muto bom sobre a I Gueera chamado “Os sonambulos”

Alexandre Esteves

“… também é verdade que o exército brasileiro dizimou a população paraguaia, algo que afeitou e afeta o Paraguaia até hoje.”

Perdoa-me por discordar. Quem realmente dizimou a população paraguaia naquela “Maldita Guerra” foi a loucura de um ditador megalomaníaco, que colocou seu sonho político acima do bem da população de seu país.

Se hoje o Paraguai existe, foi graças à ação da diplomacia brasileira, à Marinha Imperial e ao Exército Imperial, pois do contrário, hoje seria uma província argentina.

Wilson Look

Se me permite, poderia ter mencionado a Questão Christie também, já que por causa disso Brasil e Inglaterra estavam com as relações cortadas em 1864.

Carvalho

O livro “Mauá” do Jorge Caldeira, aponta Christie como um diplomata de 2a linha, incapaz de compreender a evolução do mundo aos novos tempos.
Só causou transtornos aos ingleses.
O imperio rompeu relações com a Inglaterra. Esta teve que enviar seu embaixador até Uruguaiana, onde estava o imperador, para pedir desculpas, em uma tenda armada no campo, em frente a Mitre e Flores.
Vitória dupla de Dom Pedro….

Fernando "Nunão" De Martini

Fernando, Não sei quando você fez o ensino médio / cursinho, mas se isso foi nas últimas duas décadas, então havia algo de muito errado com a atualização do currículo e / ou do professor. Os argumentos que você descreveu, por parte desse professor especificamente, descrevem a interpretação da guerra usando a chave do Imperialismo como razão principal, dentro da pesquisa historica e modelos de análise extremamente engajados da década de 1970. Com o tempo que normalmente se leva para a pesquisa acadêmica ser filtrada para livros didáticos, o ensino médio de história sobre a Guerra do Paraguai perdurou com… Read more »

Fernando Vieira

O ensino médio é melhor não contar. Fiz entre 1997-99 e como todo adolescente não ligava muito para estudos (erro comum infelizmente). Também estudei à noite em escola estadual então você imagina a quantidade de aulas que eu não tive. Mas tive um excelente professor de história e o caso não foi com ele. O caso da discussão da Guerra do Paraguai foi no começo dos anos 2000. Engraçado que foi bem perto do 11 de setembro. No dia inclusive estava tendo aula com esse professor que a interrompeu e colocou a TV na Globo para acompanharmos as notícias do… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Fernando Vieira
Fernando "Nunão" De Martini

Foi em 2001 então.
Já estava mais ou menos na hora de virarem a chave interpretativa no cursinho em questão, naquela época, até mesmo pensando nas questões de vestibulares mais exigentes.

Camargoer.

Olá Nunão. No segundo grau, eu até vi explicações diversas sobre a Guerra do Paraguai… meu professor era muto bom. Ele apresentou diferentes pontos de vista… ele falou do interesse imperialista inglês, da ditadura de Solano. Também falou do genocício mas também falou do uso de crianças como soldados de Solano…. falou das mortes dos soldados brasileiros por desnitroção e por doenças… ele não cravou nenhuma explicação, mas apresentou vários pontos de vista… Pensando agora, ele não fez nenhuma defesa ideologica destes ou daquele ponto… mas apresentou vários pontos; Recentemente, vi uma série (acho que no Canal Brasil) sobre a… Read more »

Camargoer.

Olá F. Acho que o problema é menos ser escola publica e mais ligado com a admistraçao local da diretoria. Conheço escolas estaduais aqui em Sao Carlos que são totalmente diferentes…

Fernando Vieira

Então, eu não posso falar sobre as escolas estaduais como um todo, mas posso falar da que eu estudei. Eu costumo dizer que eu saí de lá mais burro que entrei (é permitido se xingar no blog?). Ao longo de todo o ensino médio eu devo ter tido 30 aulas de matemática (em três anos). Eu estudei a noite como eu mencionei, eu trabalhava durante o dia então já chegava na escola cansado mesmo, não ter professor era bom porque saía mais cedo. Hoje eu penso que deveria ter pego um pouco do meu salário e feito um ensino médio… Read more »

Camargoer.

Olá FV. Eu consigo imaginar a sua luta e parabéns por ter superado. Tem um documentário que continua atual chamado “Para o dia nascer” feliz no qual são comparados três escolas.. uma rural, uma de periferia de uma grande cidade e um colégio particular de elite. Vale muito a pena assistir. O papel do diretor ou diretora é fundamental para o sucesso da escola, para a motivação dos professores… e obviamente para o sucesso do processo de ensino-aprendizado. Nada é fixo. O que foi já foi, mas a gente vai ganhando alguma capacidade de continuar aprendendo conforme vai ganhando experiência… Read more »

Iran

Terminei o ensino médio em 2021, e ainda sim meu professor de história dizia que era culpa do imperialismo britânico

Iran

É o mesmo que culpar os Aliados pela Volksturm na Alemanha kkkk

Carvalho

Eu recomendo Mauá…do Jorge Caldeira.
Tem todos os subsídios para entender a “diplomacia do Patacão” que o imperio brasileiro fazia no Prata.
Como diz o velho bordão:
“Siga o dinheiro”

Camargoer.

Ola. Bem lembrado também.

Roberto Santos

Vcs contam ou eu ? Foi proibido comemorações na Marinha, apenas as solenidades internas restritas aos militares, trocaram o nome de Batalha Naval do Riachuelo para dia da Marinha, ordens do ______
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COMENTÁRIO EDITADO
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Rinaldo Nery

Só para entender: por que não deve ser mantido o título “Batalha Naval do Riachuelo”?

Fernando "Nunão" De Martini

Rinaldo, não existe proibição de falar Batalha Naval do Riachuelo.

Isso é notícia falsa de quem insiste em usar o espaço de comentários pra propaganda política.

O uso do nome “Dia da Marinha” para 11 de junho não é de hoje.

Já vi documentos até dos anos 1930 usando o termo “Dia da Marinha”, seguido da menção em texto à Batalha Naval do Riachuelo.

Sobre a decisão de não comemorar neste ano (tal qual foi feito na época da Pandemia), e que menciona com todas as letras a “Batalha Naval do Riachuelo”, vídeo divulgado hoje:

https://m.youtube.com/watch?v=D-XPRBVJtKE

Rinaldo Nery

Grato.

Roberto Santos

Tá mentindo

Fernando "Nunão" De Martini

Prove.

Roberto Santos

Democracia não passa aqui nesse blog, não fiz politica, disse a verdade, mas ela dói.

Fernando "Nunão" De Martini

Prove.

Enzo Magno Donato Vernille

Quem puder dá uma olhada no brasão do monitor Parnaiba
É uma fusão dos brasões de Greenhalgh e Marcílio Dias.
Aliás, alguém sabe pq a alteração do comemorativo pra “Dia da Marinha”?
Por mim, dia da Marinha devia ser o dia da esquadra (20 de novembro)

Leandro Costa

Leia acima.

Dalton

O dia da Esquadra é 10 de Novembro, uma data que particularmente lembro por “associação”.

Carvalho

Se alguém quiser saber realmente o que foi a Guerra do Paraguai, deve ler “Reminiscências da Guerra do Paraguai” de Dionísio Cerqueira.
Livro formidável…fácil de achar em qualquer sebo.

Rinaldo Nery

Já ouvi falar. Acho que a editora é a BIBLIEX.

Carvalho

Sim, da Bíbliex
O Dionísio sentou praça no Rio de Janeiro no Corpo de Voluntários como cadete. Incorporou no 1 Rgto de Artilharia do Mallet.
E pediu transferência para a infantaria porque queria sentir de perto o fragor da batalha.
Seu livro é um diário em primeira pessoa do cotidiano de todas as fases do Exército, desde Montevideo ao final da Guerra.
Imperdível, livro de ler em uma sentada só!!!
Não vai se arrepender.

Rinaldo Nery

Grato pela indicação.

Rafael Gustavo de Oliveira

Parabéns pela matéria, estava procurando o local da batalha no maps (27° 33′ 44″ S, 58° 50′ 21″ W), parece um local bem remoto, infelizmente só tem animações e mapas antigos…merecia uma visita de de algum aventureiro para colocar as filmagens do local contando a história no youtube ao estilo expedição.

Carvalho

Rafael,
O local é de muito fácil acesso, fica pouco abaixo de Corrientes.

Rafael Gustavo de Oliveira

opa, verdade….medindo em linha reta chega a uns 10 km, um pequeno barco de pesca chega facilmente, local merecia um memorial.

Alexandre Esteves

Realmente, merecia sim um Memorial. Só não sei se as autoridades argentinas permitiriam um memorial da Marinha do Brasil em seu território. Creio que nem o Barão do Rio Branco ou o Alexandre de Gusmão os convenceriam.

Carlos I

Na década de 90 quando fiz ensino médio o que me foi passado no interiorzāo do Paraná foi entre Brasil capacho da Inglaterra para destruir a potência industrial paraguaia e o ditador que teria invadido o Brasil sem nenhum contexto. Lá por 2005 comecei ir para Assunção e a conhecer a versão deles, somente por 2015 que fui me interessar de estudar sobre e tomei conhecimento da ligação do conflito no Uruguai e como o Brasil interferiu lá, o ditador paraguaio teria ficado com receio de ser o próximo a ser derrubado, o que possivelmente não era verdade e também… Read more »

Wilson Look

Eu não questionei o numero de mortes, meu questionamento foi sobre o tamanho real da população do Paraguai antes da guerra. Pois os censos apresentam numeros que seriam muito maiores do que o numero real, por questão geopolítica.

Tem estudiosos que questionam a porcentagem real da população que morreu na guerra, mas até onde sei todos ficam acima de 50%, mas ficam abaixo dos alegados 90%.

E uma curiosidade, o Guaraní já era a lingua mais falada no Paraguai antes da guerra, as elites se restrigiam a falar apenas o espanhol como uma forma de status social.