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Mais informações sobre o estreito de Hormuz

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hormuzO Estreito de Ormuz (ou Hormuz) é um pedaço de oceano relativamente pequeno entre o Golfo de Omã ao sudeste, e o Golfo Pérsico ao sudoeste. Na sua costa norte está o Irã e na costa sul, os Emirados Árabes Unidos e um enclave de Omã.
Ele tem 29 milhas (54km de largura mínima) e é a única passagem de grandes áreas de exportação de petróleo para o mar aberto. De acordo com a US Energy Information Administration, uma média de 15 petroleiros carregando de 16,5 a 17 milhões de barris de óleo cru normalmente passam pelo estreito diariamente, tornando Ormuz um dos mais estratégicos “choke points” no mundo.
O volume de tráfego diário corresponde a 40% de todo o transporte de óleo por mar e 20% de todo o transporte marítimo mundial.
Os navios navegam pelo estreito seguindo um esquema de separação de tráfego (Traffic Separation Scheme – TSS), que separa os navios que entram dos que saem, para reduzir o risco de colisão. O tráfego segue por dois corredores de 3 milhas de largura cada, separados por um corredor de 2 milhas.
Ao atravessar o estreito, os navios passam pelas águas territoriais do Irã e de Omã, sob as provisões das Leis do Mar da Convenção das Nações Unidas. Embora nem todos os países tenham assinado a Convenção, a maioria, inclusive os EUA, aceita as regras de navegação codificadas na Convenção. Omã tem um sítio de radar que monitora o TSS no estreito.
Clicando no gráfico abaixo, pode-se ver os dados de batimetria da região, mostrando as profundidades muito rasas, que dificultam e tornam extremamente arriscadas as operações com submarinos, principalmente os nucleares, de grande tamanho/deslocamento e consequentemente, reduzida mobilidade.

strait-hormuz

NOTA do BLOG: Muito tem sido especulado sobre a colisão noturna entre o SSN Hartford e o LPD New Orleans, que segundo a USN, navegavam no mesmo rumo. Uma possibilidade é a de que o navio, de 22 mil toneladas, tenha sido atingido pelo submarino de 7 mil toneladas, devido às avarias na parte frontal da “vela” do SSN e não na parte posterior. O submarino seguia numa velocidade considerável, por isso houve feridos a bordo.
Já que a área é muito rasa, os submarinos constumam navegar ali na profundidade de periscópio, o que dá reduzida margem para manobras evasivas verticais. As condições de funcionamento do sonar no local também são muito ruins e os sonares rebocados (towed array) não costumam ser empregados, pois podem arrastar no fundo e ficar presos. Alguns especialistas defendem que, para essas áreas de operação, seria melhor a US Navy operar submarinos convencionais, com deslocamento menor, pois possuem mais mobilidade.

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J Mitchel
J Mitchel
11 anos atrás

Para fechar o Golfo, basta minar o estreito de hormuz ou, numa maneira mais cara, colocar mísseis anti navios, guardando este ponto.
At
Joaca

Fernando Gonzales
Fernando Gonzales
11 anos atrás

Se o moderador me desculpar( é que gosto um pouco de pelejar)gostaria que ele colocasse o nome dos especialistas, por que se não estará usando o mesmo artifício da grandes emissoras de televisão, denominam aqueles que não opinaram ou não existem de especialistas. Noam Chomsky, Leonardo Boff, Celso amorin só pra citar alguns, podem ser de esquerda ou de direita, mas tiveram sua formação e qualificação intelectual na area que se propõe defender.Jornalista não é especialista em nada, foram formados para noticiar varias coisas e sempre estão a reboque dos verdadeiros especialista, o que não é demerito nenhum, mas tem… Read more »

Galante
11 anos atrás

Fernando, um dos especialistas é o professor Mikan Vego, do US Naval War College. Ver essa nota:

http://www.naval.com.br/blog/?p=6013

Marine
Marine
11 anos atrás

Galante,

Muito boa a foto e mostra bem para os que nao conheciam quao estreito e o Hormuz!!

Sds!

Edilson
Edilson
11 anos atrás

apesar do choque acho que a perícia das tripulações foi louvável,depois de ver a vela do SSN, deu para ver que foi por um triz que não ocorreu uma tragédia.
O estreito realmente merece a denominação.
tenho só uma pergunta Galante, como é que sedetrmina a questão de propriedade nestas águas, tipo, são águas internacionais? ou elas se restringem a apenas uma pequena faixa desta “garganta”?

Fernando Gonzales
Fernando Gonzales
11 anos atrás

Valeu Galante, sabia que tu não decepcionaria, cabra macho é assim, mata a cobra e mostra o pau(no bom sentido é claro).

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11 anos atrás

[…] imagem acima (clique para ampliá-la) é a mesma apresentada no “post” Mais informações sobre o estreito de Hormuz porém, com algumas modificações. Ela mostra a localização do complexo aeronaval de Bandar […]

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11 anos atrás

[…] do BLOG: A Baynunah vai patrulhar um dos pontos mais críticos para a navegação no mundo, o Estreito de Hormuz, o que justifica seu armamento […]

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11 anos atrás

[…] forma limitada em operações de minagem, operações de barreira em águas rasas (especialmente no Estreito de Hormuz), missões de inteligência e de […]