quarta-feira, agosto 10, 2022

Saab Naval

90 graus para bombordo

Destaques

Guilherme Poggio
Guilherme Poggiohttp://www.naval.com.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Acordos com a França mudam os rumos da Marinha do Brasil

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vinheta-exclusivo O Brasil já deu início a um processo de parceria estratégica com a França com a assinatura de algums acordos na área de equipamentos de defesa. Dentre os mais importantes estão o acordo para a construção de quatro submarinos convencionais e o casco de um submarino nuclear e a aquisição de meia cententa de helicópteros.

Outros resultados provenientes desta parceria poderão vir como a compra de caças Rafale pela FAB e a escolha de uma nova escolta baseada em um modelo francês. Deve-se observar que nestes dois últimos casos citados, os equipamentos franceses apenas fazem parte do processo de escolha e não foram apontados como vencedores.

O Brasil ainda não é um país dependente do equipamento militar francês. Aliás, isto está longe de acontecer (se realmente acontecer). Mas vale analisar o presente e o futuro próximo.

A única unidade naval de grande porte da Marinha do Brasil de origem francesa é o NAe São Paulo (ex-Foch). Em breve a MB incorporará também navios de patrulha de desenho francês e a médio/longo prazo serão incorporados os submarinos derivados do Scorpène, além de um casco de projeto francês para o submarino nuclear brasileiro.

Analisando o passado da Marinha do Brasil, a influência francesa chega perto do ‘irrisório’. A única unidade naval de efetivo poder bélico adquirida na França (excluindo os casos atuais citados acima) foi o encouraçado Brasil, fruto da ‘Questão Christie’, incorporado em 1865.

Portanto, estamos diante de uma grande mudança. Alguns ainda não se aperceberam, mas esta será a maior mudança na Marinha da Brasil, em termos de origem de equipamentos, desde que ela foi criada. E como é comum, toda mudança de equipamento acarreta em mudanças de outras ordens.

A Marinha do Brasil, assim como a própria consolidação da independência do país, nasceu das mãos de oficiais provenientes do Reino Unido (diga-se de passagem, estes nunca foram devidamente homenageados, como fez o Chile).

Além de incorporar as tradições marinheiras e até mesmo um uniforme inspirado na Marinha Real, o Brasil adquiriu muitos navios de procedência britânica ao longo de mais de 180 anos. É verdade que existiram incorporações de peso, principalmente a partir da entrada do Brasil na II Guerra Mundial, de unidades provenientes dos EUA. Até mesmo navios de origem italiana e alemã foram mais frequentes na MB do que navios de origem francesa.

A mudança que surge no horizonte é bem maior do que muitos podem imaginar. Não se trata penas da troca de um fornecedor por outro. O Brasil incorporará filosofias logísticas e operativas totalmente distintas daquelas a que está acostumado. Portanto, cabem as seguintes perguntas para uma eventual discussão: O país está preparado para esta mudança? Este é o rumo certo? Ou tudo não passa de um momento geopolítico que ambos os países atravessam?

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alex

Para mim ficou claro uma coisa, o caráter “xenófobo contra a França” que este site possui, lendo esse artigo aqui e outro postado no blog poder terrestre aonde eu fiz uma crítica ao mesmo, fica claro para mim a parcialidade dos organizadores deste blog, aliás seria interessante que quem escreveu o artigo assinasse o mesmo ou entao pelo menos colocasse a origem da fonte caso a mesma não seja de um dos organizadores do blog. É o mesmo discurso, anti francês que perpassa os artigos dos tres blogs( poder aéreo, poder naval e poder terrestre)hora demonstrado de forma discreta hora… Read more »

Marcelo Ostra

beleza FN, mas apenas que fique claro, que tudo que foi comprado, foi por opção nossa, poderiamos (eventualmente) ter escolhido equipamento melhor ou mais moderno, ou seja, em qualquer instançia, a Inglaterra foi apenas o vendedor, nos que propusemos a comprar

abs
Mos MO

C

Sobre as aquisições significativas no passado mais remoto, não houve somente o Brasil, e o Benjamim Constant.
Sem falar nos Encouraçados Guarda Costas Deodoro e Floriano, mas esses eram “piração” da Jeune Ecóle

RdoCosta

Concordo inteiramente com a linha de pensamento do Poggio. A imcorporação de equipamentos franceses significará uma quinada no pensamento naval brasileiro.
Gostaria de dar um novo enfoque ao tema… Na questão de Hunduras, vemos uma posição americana muito dubia, a grande pergunta que fazemos é…teria o Brasil condições de, se for preciso “falar grosso” com Hunduras?
Até que ponto este alinhamento com a França e sua doutrina militar nos daria condições para isto?

GUPPY

Caro FN,

Fiquei curioso em saber quem é o segundo melhor fabricante de armas do mundo na sua preferência, já que o primeiro, acredito, que concordamos que seja os EUA.

Abraços.

FN

Marcelo Ostra em 29 Set, 2009 às 13:58

Concordo em cada palavra. Mas acho que agora é hora do Brasil compra material de primeira seja de qual país for.
Desde – que com toda a tecnologia seja repassada para o Brasil. E se a França esta disposta em fazer isso então ótimo, já que seus produtos são comprovadamente de boa ou ótima qualidade em relação ao resto do mundo.
Vejo a França como a terceira “melhor” fabricante de armas do mundo por isso gosto dos rumos que o Lula esta tomando.

abraços

FN

GUPPY em 29 Set, 2009 às 18:19

Bem, Guppy na “minha” visão é a Rússia a segunda melhor fabricante de armas do mundo aviões caças respeitados por todo o mundo, submarinos muito discretos, blindados modernos, fuzis e metralhadoras usados por pelo menos a metade dos exércitos do mundo, mísseis ar-ar de maior alcance, mísseis terra-ar de maior alcance, helicópteros para todas as missões imagináveis… e tudo por um preço relativamente menor que o praticado no ocidente.

E vc que acha?

Lucas Urbanski

Acho que a modernização da Marinha do Brasil veio em ótima hora, entretanto, nossa relação restringe-se apenas a compra de equipamentos com a respectiva transferência de tecnologia, e não de “filosofia militar”,ou seja, não é por que compramos um equipamento da nação X Y ou Z que deveremos imitar seus países de procedência, pois se fosse assim com a a compra dos IKL da Alemanha estaríamos operando conforme a Marinha Alemã.
Abraço.

joao vaz bandeira

Pessoal, sugiro leitura do “LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL”, nr. 25 de Agosto de 2009, êle da o reequipamento das FA brasileiras, com quase 100% de equipamento Frances, inclusive as fragatas (6 da classe Freem, a serem construidas no Arsenal de Marinha), tudo incluído dentro do Acordo FRANÇA/BRASIL.Marcelo, se possível da uma olhada, posso ter entendido tudo errado, mas é o que ta escrito lá.
Abraços

KeplerK

Caros amigos,

Como dizia Deng Xiaoping: “Não importa a cor do gato desde que pegue o rato.” Se vai mudar fornecedor, doutrina, tradição, o diabo que seja, não me interessa, desde que mude pra melhor. Concordam?

Forte abraço a todos.

RodrigoMF

Desculpem os colegas em discordar das suas opiniões.

Quando você adota um equipamento de determinada procedência, inevitavelmente os mesmo procedimentos logísticos deverão ser utilizados, que no fim refletirão nos procedimentos operacionais. MTBO e MTBF não serão alterados e consequentemente teremos que adotar os mesmos do país de origem. Os procedimentos operacionais no fim serão alterados afim de adaptar-se as capacidades dos novos equipamentos e a sua cadeia de suprimentos.

Kraken

Prezado Poggio, Com relação à obtenção por compra de equipamentos de origem francesa eu tenho a seguinte opinião: A MB não tem tradição em operar meios navais de origem francesa, temos hoje apenas o NAe São Paulo. Contudo, a MB já opera há alguns anos meios aeronavais de origem francesas, além de mísseis superfície-superficie e superfície-ar. A aquisição de meios navais de origem francesa, não significa, necessariamente que iremos adotar a “filosofia militar” francesa. Nossa doutrina é fortemente influenciada pela inglesa e pela estadunidense. Para a absorção de uma doutrina francesa, seria necessário um intercâmbio operacional muito maior com a… Read more »

Flal

Kraken,

Eu ia colocar meu comentário aqui, porém o senhor já escreveu tudo aquilo que eu diria.
Dessa forma, apenas concordo com o senhor.

abraços

Guilherme Poggio

Kraken, Longe de mim quere discordar da sua opinião. Mesmo porque o tema foi colocado para discussão. Eu acredito que a aproximação virá de forma natural com aumento dos intercâmbios e operações conjuntas com a França. Também, construiremos um estaleiro e uma base naval e alguns meios com auxílio da França. É um tipo de cooperação que nunca tivemos. Posso estar enganado, mas nunca vi tantas visitas de navios franceses no Rio de Janeiro este ano desde que os mesmos combatiam a Marinha de Portugal nos séculos XVI/XVII. Apenas para colocar em debate, e caso algum leitor não saiba, quando… Read more »

GHz

Há que se lembrar que a França faz parte da OTAN, o que traz, nos tempos atuais — em que a tônica são Grupos-Tarefa multinacionais — muita comunalidade em doutrina (todo mundo leu o “Forward… From The Sea” estadunidense) e em logística (todos os esquipamentos e sobressalentes têm NATO Stock Number, por exemplo).
Então, não vejo porque considerar uma guinada de 90°. Talvez uns 30°…

[[ ]]
GHz

Marine

Poggio,

Entendo o seu pensamento e foi a mesma ideia que defendi no ForTe, o medo de eventual intercambios e TTPs serem repassadas e adotadas mas como o proprio Kraken disse nao seria de um dia pro outro e confio claro na opiniao dele.

Semper Fidelis!

Chacal

Os Franceses fizeram sacanagem com os Argetinos nas Malvinas,na PRimeiea guerra do golfo foi que demorou mais a mobilizar tropas,com certeza de tá rolando propinas.Como se faz licitação entre empresas,e uma delas pagar viagens para parlamentares,é jogo de cartas marcadas.

André

Caro Alex,
O artigo foi escrito pelo Guilherme Poggio, como você pode observar ao final do texto, onde se percebe quem o postou.
Sds.

klesson

Esta mudança de rumo, como assim entitula a reportagem, é oportuna e necessária. Acrediro que a abosorção de tecnologia é uma coisa e de doutrina é outra, completamente diferente. O Brasil não é o Chile, que adquire de uma só vez equipamentos e doutrina, isto segundo um alto oficial de suas FA. Nossa doutrina está culturalmente ligada a Americana e um pouco da Inglesa. Os equipamentos franceses em questão, nos darão como o Ministro mesmo afirmou, uma queima de etapas, não estamos comprando submarinos, helicópteros ou caças, estamos comprando a tecnologia de fabricar os meios necessários segundo nossas necessidades e… Read more »

Marcelo Ostra

to vendo que ficou bem claro mesmo .. so nao percebeu quem postou …… que coisa ….

Mod MO (tipo pra enchergar … )

Rodrigo

Será que é difícil entender que “queimar etapas” significa não absorção de conhecimento base e que continuaremos a depender de um país estrangeiro ?

E agora de uma potência média, que tem muito mais interesse ainda que o Brasil não cresça, para disputar os mesmos interesses em pé de igualdade.

klesson

Caro Rodrigo, A meu ver, você foi no cerne da questão. Quando se queima etapas, perde-se a base do conhecimento. Não adinata correr, quando mal se sabe andar. Não sou anti-amnericano, mas somente quero que meu país, não se sujeite aos fatos passados. Quero que o Brasil possa produzir mísseis, bombardeiros de longo alcance e demais necessidades, que nossa forças se profissionalizem e quem quizer achar ruim, que ache, problema deles. Temos riquezas e interesses na América do Sul e até fora dela, somente o futuro dirá. Sem uma base do conhecimento sólida, poderemos pagar um preço muito maior no… Read more »

FN

Pelo menos a França transfere tecnologia que podemos copia como a China faz… no caso do Reino Unido um monte de sucata velha desarmadas lixo de (50 à 80)… qual a última verdadeira boa aquisição da MB feita do Reino Unido? faz tempo né….

joel

Antes de criticar o rumo que estamos tomando, a questão é, estamos satisfeitos com o rumo que estavamos até agora?

sera que eramos por acaso a Royal navy do Atlantico Sul e agora corremos o risco de perder esse status, se eramos, francamente não me pareceu…

Tivemos inumeros navios britanicos, mas tb tivemos varios estadunidenses, submarinos italianos, americanos, ingleses e por último alemães.

Para finalizar que mude-se o rumo, desde que antes tenha sido estabelecido um objetivo, pois estavamos chegando a Lugar algum

Abraços

Marcelo Ostra

t 22 sucata ?????

ahhh a ultima aquisição foi ano passado ….

ou seja, meio nada a ver a declaração né 🙂

abs
Mod mo

Challenger

Não podemos ter medo de mudar, e temos que ter maturidade suficiente, pra criar nossas proprias doutrinas.

Só Pra constar a KDX-III Coreana está na briga.

Challenger

Se não me engano o Missil Exocet AM-39 e MM-40 de origem Francesa é a unica arma Anti-Navio em uso no Brasil, e nunca ouvi falar de insatisfação por parte da MB.

Kraken

Prezado Poggio, Você tem todo o direito de discordar de minha visão. Isso faz parte de qualquer debate e só o enriquece. Lembro que estou apenas dando uma opinião, longe de querer ser dono da verdade, é apenas minha opinião. Com relação ao grande número de “visitas” de navios da MN ao Rio, na minha opinião, elas se devem ao interesse da DCNS em divulgar seus produtos e vendê-los para a MB. O interesse maior é que os oficiais de marinha conheçam in loco os meios navais franceses e optem por eles. Com relação ao distanciamento da MB com relação… Read more »

Kraken

onde le-se “contesto” leia-se “contexto”

Roberto Carvalho

Senhores,

É bom ver um debate em alto-nível. O que percebo é que aqueles que não sabem nada são arrogantes em suas opiniões e tentam se impor através da agressão.

Porém, aqueles que realmente entendem, e confiam no que estão dizendo são cordeais e aceitam o debate.

Parabéns senhores!

FN

Marcelo Ostra em 28 Set, 2009 às 17:46

Marcelo acho mesmo que a Inglaterra nos passo muita coisa velha, mas somos nós os errados fomos nós que compramos seja como for as armas francesas parecem bem mais modernas em outras palavras defendo o aproxima mento com a frança desde que possamos fabricar as peças de reposição…
Quanto ao T 22 bem… Referia-me a aquisições do tipo dos submarinos, ou seja, de grande significância… Mas reconheço que errei em não me explicar.

abraços

GUPPY

Caro FN,

Concordo com você. É que, por um momento, pensei que poderia ser a China ou até mesmo a Inglaterra, mas sem chances para estes.

Abraços.

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