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Marinha precisa de R$ 223 bilhões até 2030, diz almirante

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O fortalecimento do poder naval brasileiro, com o objetivo de garantir a soberania nacional sobre riquezas como as reservas de petróleo da plataforma submarina, exigirá investimentos de R$ 223,5 bilhões até 2030. Os números foram apresentados pelo chefe do Estado Maior da Armada, almirante-de-esquadra Luiz Umberto de Mendonça, durante audiência pública promovida nesta segunda-feira (7) pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Até o ano de 2030, disse o almirante, será necessária a aquisição de 20 submarinos convencionais e de seis submarinos nucleares, entre outras embarcações, além da constituição de uma segunda esquadra a ser sediada em um estado ainda não definido das regiões Norte e Nordeste. Com o investimento previsto, explicou, será possível desenvolver os mais importantes projetos da Marinha, como o programa nuclear.

– Não é megalomania. A estratégia de dissuasão é prioritária em tempos de paz e a melhor forma de se evitarem conflitos armados. Por isso, precisamos do aporte continuo de recursos financeiros – afirmou Mendonça durante o painel “Pré-Sal: Papel das Forças Armadas na defesa do patrimônio e alocação de recursos para essa finalidade”, parte do terceiro ciclo do conjunto de debates promovido pela comissão a respeito dos “Rumos da Política Externa Brasileira (2011-2012)”.
Na abertura da audiência, que foi presidida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e contou com a presença de diplomatas de oito países, o professor Simon Rosental, da Escola Superior de Guerra, observou que o mundo só dispõe de reservas conhecidas de petróleo para os próximos 45 anos – e os Estados Unidos para apenas 10 anos. Em sua avaliação, o século 21 marcará o fim do período histórico de queima de petróleo como combustível.

– O Brasil descobriu o pré-sal quando no mundo as reservas declinam. O que devemos fazer? Utilizar as três Forças conjuntamente para garantir poder de dissuasão sobre toda essa área e defender a soberania e a integridade do país. É muito comum ouvirmos que não há necessidade de recursos para as Forças Armadas, pois estamos no Atlântico Sul, o lugar mais tranquilo do planeta. Há certa verdade nisso, mas o erro é o foco. A ameaça vem da linha do Equador para cima – alertou Rosental.

O presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate, brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior, afirmou que a região onde se encontram as reservas do pré-sal serão uma “área sensível” do território brasileiro, onde o país precisa estar preparado para garantir “pronta resposta” a qualquer ameaça externa. Ele informou que será montado para a região um moderno sistema de controle de tráfego aéreo e disse que aguarda “com ansiedade” a decisão final do governo a respeito da compra dos novos caças para a Força Aérea Brasileira.

– Todos devemos estar prontos para uma resposta a qualquer ato contra nossos interesses. O pré-sal é e será ponto de cobiça de muitos atores mundiais. Trata-se de uma riqueza que precisa ser defendida, por isso a dissuasão deve ser real e permanente – observou Baptista.

Ao comentar os pronunciamentos dos convidados, Cristovam observou que, se os investimentos necessários à defesa dos recursos do pré-sal forem maiores do que os necessários anteriormente à defesa do país, esses investimentos deveriam ser feitos com recursos provenientes dessas próprias riquezas e “não da nação brasileira como um todo”. Por sua vez, a senadora Ana Amélia (PP-RS) ressaltou a necessidade de se manter uma atenção especial à defesa da Amazônia, apesar da ênfase atual à região onde se encontram as jazidas de petróleo.

FONTE: Marcos Magalhães / Agência Senado

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Antonio MUitinãMauricio R.FCGVdario_avalosf Recent comment authors
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aericzz
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aericzz

ah tá, então tá bom….
p.s. galante, hj soube de fonte segura… 5 oficiais (EN) na inglaterra para avaliarem Navios Patrulhas… e aí???

mauriciopacheco
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mauriciopacheco

Vinte sub convencionais e seis nucleares,” tá bom Cláudia senta lá”.
Se conseguirmos manter os cinco convencionais já fico satisfeito!

dario_avalosf
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dario_avalosf

Pelo pouco que sei, os nrs acima estão baseados na “doutrina atual”. Não seria legal a Marinha ter uma atitude “arrojada” e pegar todo ou parte deste dinheiro ( se vier ) para desenvolver uma nova doutrina, usando mas a tecnologia e menos “meios” ? Eu invistiria pesadamente, a grosso modo, na tecnologia de mísseis, em satélites, VANT’s de ataque, subs e em pequenos e rápidos barcos de ataque. Estou muito fora do “prumo”? Porque, não adianta termos uma frota enorme e se, numa guerra qualquer, chegar um cowboy e disparar alguns misseis para afundar tudo. ” Estou viajando?

FCGV
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FCGV

Nao que sejam necessarios 20 submarinos convencionais modernos para tal estrategia de dissuasão, mas quantos mais se poderiam comprar/construir com o imenso dinheiro e tempo gastos com 6 nucleares? Porquê precisamos de submarinos nucleares se justamente estamos buscando uma estrategia de dissuasão? E quanto tempo de desenvolvimento até conseguirmos construir um SSN que seja de fato útil? Vale lembrar que os EUA demoraram mais de 20 anos até construirem seu primeiro verdadeiro SSN hunter killer, silencioso e confiável. Sem falar que tal plataforme era prioridade no orçamento militar desde o final da segunda-guerra. Alguem acredita que o primeiro lote de… Read more »

Mauricio R.
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Mauricio R.

Então esse cowboy tá atrasado, mto atrasado ou melhor, perdeu o bonde. Os soviéticos construiram milhares de mísseis, bem deu no que deu. UAS, UAV, RPV, são mto bonitinhos qndo não há oposição organizada, vide na Servia, não perca seu tempo se baseando no Iraque pós 2003 ou no Afeganistão, senão são somente mais lixo p/ o ferro velho. Veja tb a Geórgia, os russos se cansaram de abater esse mesmo Hermes 450, que por aqui acham ser alguma maravilha da engenharia aeroespacial. Barcos de ataque são mto bonitinhos tb, mas lá no Mediterrâneo, no Golfo Pérsico ou no Estreito… Read more »

dario_avalosf
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dario_avalosf

No caso dos subs, vc acha que precisamos de vasos nucleares?

Uitinã
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Uitinã

Importante e ter números também temos que ter mais navios de superfície, dividindo essa frota em 3, vejo só falar em bases navais no nordeste e sudeste e o sul aqui cadê os navios, submarinos, tem que se investir em Navios de patrulha não os 27 que temos atualmente, esses tempos li numa reportagem um comandante da marinha que disse que se deveria ser no minimo 80 NPa pra se fazer um trabalho decente que pudesse, patrulhar nossas águas. Antes do Pre-sal já era um descaso total aqui com o sul, imagina agora direto temos incidentes aqui com barcos pesqueiros… Read more »

Antonio M
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Antonio M

“…A ameaça vem da linha do Equador para cima – alertou Rosental. …”

Ele pode ser mais específico? Senão vou pensar que ele é formado na mesma escola dos esquerdopatas do governo …..

FCGV
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FCGV

Ou entao da turma do DOPS.

dario_avalosf
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dario_avalosf

Uitinã ….. ( não sabia sobre os casos envolvendo o uruguai ) … mas ainda sim apostaria e focaria nos mísseis, satélites e nos VANT’s de ataque. Acho que no futuro não haverá combates “corpo a corpo”. Tudo será via satélites, mísseis e aviões não tripulados, pilotados em bases de terra. Veja o caso dos combates aéreos: tirando alguns exemplos, a tendência é não haver mais “dog fight’s”.