sábado, junho 19, 2021

Saab Naval

Copa das Confederações: entrevista com o Comandante de Operações Navais da Marinha

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Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

1As atenções estão voltadas para o Brasil. Afinal, a partir de junho, o País será sede de grandes eventos que intensificarão o turismo nacional. De acordo com o Ministério do Turismo, durante os 30 dias da Copa do Mundo de 2014, o Brasil deverá receber cerca de 600 mil turistas internacionais. Já a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em julho deste ano, deve reunir cerca de 2,5 milhões de turistas brasileiros e do exterior.

Mas o foco mais próximo está na Copa das Confederações, que acontecerá, de 15 a 30 de junho, nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. De acordo com a FIFA, o Brasil está perto do recorde histórico de ocupação dos estádios durante o evento, que é de 83%, em 2005, na Alemanha.

Para que dê tudo certo, o País tem tomado as providências para garantir a defesa e a segurança desses grandes eventos. O Comandante de Operações Navais, Almirante-de-Esquadra Luiz Fernando Palmer Fonseca, em entrevista ao Centro de Comunicação Social da Marinha explica o papel da Força Naval e como ela tem se preparado para atuar durante a Copa das Confederações.

CCSM – Quais serão atribuições da Marinha do Brasil durante a Copa das Confederações?

Alte Esq Palmer – Primeiramente, é preciso esclarecer que durante a Copa das Confederações as ações estão divididas entre a segurança e a defesa. A segurança está a cargo do Ministério da Justiça. Já a defesa é coordenada pelo Ministério da Defesa.

No âmbito da defesa, a Marinha, basicamente, vai atuar na proteção das áreas marítima e fluvial, além das estruturas estratégicas, como os portos, por exemplo. Durante o evento, vamos mobilizar um grande efetivo. Ao todo serão empregados cinco navios-escolta que estarão distribuídos pelas cidades-sede, 63 pelotões de fuzileiros navais, sete aeronaves, além de 14 navios distritais.

As cidades onde nossos navios estarão fazendo a defesa são Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. O caso de Salvador é especial, porque a Marinha exercerá a função de Coordenação de Defesa de Área, representada pelo Comandante do 2º Distrito Naval (com sede na própria Salvador). Isso significa que ele vai coordenar as ações de todas as demais Forças na cidade.

CCSM – Poderia citar em que pontos a Marinha vai atuar?

Alte Esq Palmer – A Marinha irá atuar nas seguintes áreas: Força de Contigência para segurança pública, Defesa de Estruturas Estratégicas, Contraterrorismo, Comando e Controle, Defesa Cibernética, Defesa de Área Marítima e Fluvial e Defesa NBQR.

CCSM – Como é o planejamento da Marinha para um evento desse porte?

Alte Esq Palmer – Esse planejamento já vem sendo feito não só para esse evento, como também para a Jornada Mundial da Juventude, que vai ocorrer esse ano, para a Copa do Mundo de 2014 e para 2016 quando acontecem os Jogos Olímpicos. O planejamento para a defesa dos Grandes Eventos vem sendo realizado desde o planejamento da Rio+20, que ocorreu em 2012.

É importante destacar que a Copa das Confederações será um excelente exercício para a Copa do Mundo, talvez o evento mais conhecido internacionalmente juntamente com os Jogos Olímpicos. Nesse tipo de evento, o planejamento é coordenado entre todas as partes envolvidas. Participamos de reuniões constantes entre os coordenadores de defesa de área e os órgãos municipais, estaduais e federais envolvidos.

CCSM – A Marinha já possui uma rotina intensa de treinamentos, mas há alguma diferença em relação a esses exercícios que são realizados para a Copa das Confederações?

Alte Esq Palmer – A Marinha faz rotineiramente exercícios de defesa de área marítima, controle de área marítima, defesa de portos. Essa é a nossa missão, que será também executada durante a Copa das Confederações. É importante ressaltar que essas ações são feitas de uma maneira integrada entre os órgãos de segurança envolvidos, a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira. O grande teste será realizado em cada um dos estádios em que ocorrerão os jogos, por meio de jogos testes. Esse que é o elemento novo de tudo aquilo que a gente já faz. É nesse momento que toda a estrutura será testada, havendo tempo de se fazer as correções necessárias.

CCSM – Em Salvador, a Marinha do Brasil será Coordenadora de Defesa de Área. O que isso significa?

Alte Esq Palmer – Significa que o planejamento e a coordenação da execução de todas as ações ficam a cargo da Marinha. Então, todas as outras Forças Componentes do Exército e da FAB serão coordenados pelo Comando do 2º Distrito Naval.

Podemos dizer que em Salvador teremos uma responsabilidade maior. Na Copa do Mundo, isso vai acontecer também em Natal. E o que esse coordenador faz? Antes de mais nada, é o responsável por ativar um Estado-Maior Conjunto entre as três Forças e coordenar as ações com os órgãos de segurança envolvidos. Essa estrutura possui militares de diversas áreas que assessoram o comando nas suas decisões. O coordenador também é responsável pelo estabelecimento de um plano de contingência, caso ocorra algum tipo de evento extraordinário, algo que requeira um número maior de tropas.  Ele tem que ter planejado uma força de contingência pronta para atuar.

CCSM – A Marinha atuou diretamente na segurança da Rio+20. Podemos considerá-lo também como um evento teste?

Alte Esq Palmer – Na Rio+20, as Forças atuaram não só na defesa, como também na segurança. Uma coisa importante durante a Copa das Confederações diz respeito aos pontos sensíveis. Quem vai guarnecer e defender esses pontos sensíveis serão os órgãos de segurança pública, mas as Forças Armadas estão prontas a apoia-los caso seja necessário.

CCSM – Quais seriam esses pontos sensíveis?

Alte Esq Palmer – Os pontos sensíveis para a Copa das Confederações são só estádios e seu entorno; centros de treinamento; hotéis; locais de concentração; centrais elétricas; entre outros.

FONTE: Nomar

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