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Nuvens de fibra de carbono como escudo contra mísseis antinavio

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A Marinha dos EUA testou geradores de nuvens de fibra de carbono radar-absorventes, que poderiam ser utilizadas para proteger navios de guerra de ataques de mísseis antinavio e de cruzeiro guiados por radar

Pandarra Fog
USS Mustin (DDG89), USS Wayne E. Meyer (DDG108) e USS Frank Cable (AS40) testando geradores obscurecedores marítimos ao sul de Guam, para avaliar a sua eficácia tática para a defesa contra mísseis antinavio. Note-se como a distribuição da nuvem pode ser manipulada pelo navio, sob as mesmas condições do vento, enquanto os navios mantêm a mesma proa.

A Marinha dos EUA testou recentemente um novo sistema de contra medidas de mísseis anti-navio usando um protótipo de gerador obscurecedor. Os sistemas e as táticas foram testadas sob uma variedade de condições de mar, utilizando recursos do Exército, Marinha e Força Aérea dos EUA para avaliar como nuvens de fibra de carbono radar-absorventes  podem impedir que um míssil possa detectar e atingir seu alvo, como parte de uma defesa em camadas.

O Comando de Desenvolvimento de Guerra Naval testou o protótipo do gerador obscurecedor marítimo nos dias 21-25 de junho para avaliar a sua eficácia tática para a defesa contra mísseis antinavio. O dispositivo a bordo gera partículas de fibra de carbono em suspensão em uma nuvem de fumaça. Essas partículas absorvem e espalham as ondas de radar que emanam dos buscadores de mísseis, assim, potencialmente obscurecendo o alvo do buscador do míssil.

“A Névoa Pandarra mostrou o valor de rapidamente reunir forças conjuntas e científicas para enfrentar os nossos problemas mais difíceis de combate. Esta não é apenas fumaça ou chaff, é alta tecnologia obscurecedora, que pode ser eficaz contra uma série de sistemas de mísseis teleguiados “, disse Antonio Siordia, assessor científico da Sétima Frota dos EUA.

O vice-almirante Robert L. Thomas Jr., comandante da Sétima Frota dos dos EUA, deu início ao “Pandarra Fog”, a experiência multi-navio em Guam. “A Névoa Pandarra é exemplo do desenvolvimento técnico e tático rápido integrado da Frota para dominar a guerra de manobra eletromagnética e garantir o acesso das forças conjuntas”, disse Thomas.

O experimento demonstrou que o gerador obscurecedor marítimo pode ser um elemento-chave de manobra ofensiva da frota, apesar da proliferação global de mísseis de cruzeiro anti-navio e mísseis balísticos.

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“Estamos desenvolvendo uma abordagem em camadas usando um espectro completo de recursos ativos e passivos para nos dar vantagem. Não é apenas sobre a tecnologia, mas também praticando como a frota vai empregar esses recursos emergentes”, disse o capitão David Adams, que lidera o Grupo de Inciativas de Combate da Sétima Frota. “A abordagem de defesa em profundidade tem uma série de vantagens. Não só sabemos que a fumaça é eficaz, ela adiciona um nível de incerteza e imprevisibilidade à equação”, disse Adams.

naval_flare_uk450-300x266Além de ter um nível significativo de eficácia, os sistemas obscurecedores são relativamente baratos quando comparados com outras contra medidas e pode ser empregado por meio de manobras táticas típicas da frota. Os materiais são ecologicamente corretos e dimensionados para maximizar a eficácia operacional. “Nossa avaliação inicial é que o teste foi muito bem sucedido em termos de emprego tático, de usabilidade e custo-efetividade”, disse Adams.

A defesa com fumaça é parte de uma defesa em múltiplas camadas de navios de superfície, que também inclui a defesa ativa (mísseis de defesa antiaérea), chamarizes ativos (jammers) e chamarizes RF (chaff). Os flares (visto nesta foto ao lado e abaixo) podem ser usados para defesa em última camada, atraindo mísseis com guiagem térmica para fora do seu alvo.

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O navio-patrulha japonês Shiritaka (PG 829) lança uma cortina de flares. O lançamento de engôdos cria uma nuvem quente obscurantista que esconde o navio de mísseis guiados por calor.

FONTE: defense-update.com

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joseboscojr
joseboscojr
6 anos atrás

Tomara que a nuvem não atenue ou neutralize também o sistema de radares do Aegis e do Phalanx, sob pena do navio ficar sem defesas ativas.

Ah! Galante! Você esqueceu de citar que os canhões também compõem a “defesa ativa”.

daltonl
daltonl
6 anos atrás

Na legenda da primeira foto…

“…USS Mustin (DDG89), USS Wayne E. Meyer (DDG108) e USS Frank Cabo (AS40)…”

Tudo bem que cabo em ingles é cable, mas, trata-se do USS Frank Cable 🙂

MO
MO
Reply to  daltonl
6 anos atrás

Dalto seria entao o Frank Corporal 8-P

Oganza
Oganza
6 anos atrás

Bosco… essa tal Pandarra Fog é originalmente um projeto do US Army… e realmente não lembro o nome, mas era instalado em humvees e funciona com a tal “palha” de fibra de carbono injetada com óleo nos escapamentos de motore a diesel nas carrocerias desses humvees. A nuvem, gerada é muito densa, permitindo manter a “palha” suspensa por longos períodos e distâncias e ao meu ver, fica muito a mercê do vento, mas uma embarcação rápida e a toda velocidade, pode fazer uma cobertura no perímetro de uma pequena esquadra. E até onde eu sabia, ela funciona contra e a… Read more »

Oganza
Oganza
6 anos atrás

Aki… esse é o M56 Coyote, mas já tinha um mais moderno, mas esse já tem a palha com fibra de carbono.

http://www2.l-3com.com/linkabit/pdf/Data_Sheets/Obscuration/M56A1%20Coyote.pdf

Ainda estou atras de um material melhor… o pior é que não me lembro onde eu vi isso…

Eita a memória está virando lembrança 🙁

Sds

Adam Foerster
6 anos atrás

Bosco,
qual a eficácia dos canhões atuais contra mísseis? Existem testes nesse sentido?

joseboscojr
joseboscojr
6 anos atrás

Adam, Em números eu não saberia dizer sem pesquisar antes, mas tudo indica, pelo grande quantidade de sistemas antimísseis baseados em canhões, que a eficácia é grande. Sem dúvida há testes feitos e muitos inclusive disponíveis no Youtube. Com a entrada em operação de mísseis subsônicos sea-skmming o canhão se tornou quase que a arma antimíssil ideal, desde os de alta cadência de tiro e destruição por impacto (hard kill) como os CIWS Phalanx, Meroka, Goalkeeper, Sea Zenith, AK-630, Type 730, etc. , até os de destruição por fragmentação do projétil, de maior calibre, como o Millenium, Dardo, Trinity, Bofors… Read more »

joseboscojr
joseboscojr
6 anos atrás

Eu cometi um equívoco quando usei o termo “hard kill” como se fosse sinônimo de CIWS. Na verdade o termo “hard kill” é para fazer oposição ao termo “soft kill”, e se refere a qualquer método, seja usando canhões (de qualquer calibre), mísseis, ou qualquer outro método (laser?) que tenha como objetivo neutralizar o míssil antinavio, atingindo-o fisicamente, destruindo-o por completo (pela explosão de sua ogiva ou de seu tanque de combustível, ou pelo colapso de sua célula) ou causando-lhe danos de tal monta que lhe seja impossível continuar no curso programado.

Gilberto Rezende
Gilberto Rezende
6 anos atrás

Este recurso é uma medida de defesa extrema pois certamente CEGA mais eficientemente os sensores do navio que o utiliza que o provável míssil atacante. O uso de palha de carbono é uma ótima solução que a nossa MB deveria pesquisar nesta linha. Apenas acho que este protótipo muito convencional para meu gosto. Fica aqui a minha sugestão para MB, baseado nos antigos aeromodelos da era pré-radiocontrole onde o avião era ligado a cabos e que nós manobrávamos circularmente com o manete de pulso. Instale o dispersor num vant híbrido POTENTE (pois a decolagem será crítica para não enrolar a… Read more »