quarta-feira, dezembro 1, 2021

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Irã anuncia nova rota comercial bem defronte à área de patrulhamento da FTM-UNIFIL

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

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Fragata iraniana “Jamaran” efetua disparo de um míssil antinavio C-802 Noor; a foto é de 2010

O governo do Irã prepara a criação de uma linha de transporte marítimo entre seu país e a Síria.

O anúncio foi feito em Teerã, na última quarta-feira (29.4), por Ali Kazemeyni, adido comercial à Embaixada iraniana em Damasco, durante a entrevista coletiva que serviu para apresentar os integrantes de uma delegação síria que se encontrava em visita oficial ao país.

Segundo o noticiário em inglês produzido pela imprensa de Riad, a novidade foi recebida com reservas pelo governo da Arábia Saudita. Além de serem inimigos dos iranianos, os sauditas sempre advogaram uma solução de força – comandada pelos Estados Unidos – para a deposição do ditador sírio Bashar-al-Assad.

Mas a notícia também causou estranheza entre alguns governos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – como o da França –, que acreditam que o tráfego de navios mercantes iranianos só conseguirá despertar mais suspeitas acerca do contrabando de armamentos e munições para o Regime de Damasco.

De acordo com a agência de notícias estatal IRNA, do Irã, o diplomata Kazemeyni informou que a nova linha marítima começará a funcionar “em um futuro próximo” – o que, para observadores ocidentais, significa que ela não estará implementada antes do fim deste ano ou do início de 2016.

Latakia – Os navios iranianos devem sair pelo Golfo Pérsico, cruzar o Mar de Oman, penetrar o Golfo de Aden, atravessar o Mar Vermelho e, por meio do Canal de Suez, alcançar o Mar Mediterrâneo.

No trajeto para a Síria esses cargueiros precisarão cumprir rotas que passam defronte ao litoral do Líbano e, portanto, à área patrulhada pela Força Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-UNIFIL) – integrada, entre outros países, pelo Brasil.

Segundo a agência de notícias France Press, a Administração François Hollande se pergunta, por exemplo, se os iranianos providenciarão uma escolta militar para os seus navios mercantes destinados ao litoral sírio.

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Lancha-patrulha iraniana vigia o tráfego marítimo em uma zona costeira do Estreito de Hormuz

 

Até o início da guerra civil na Síria, em janeiro de 2011, a Marinha do Irã mantinha uma fragata leve porta-mísseis da classe Jamaran (1.500 toneladas) e um navio de apoio logístico atracados em uma área reservada do porto sírio de Latakia (o mais importante do país). A Rússia, até hoje, mantém unidades navais estacionadas no porto de Tartus (que os próprios russos se encarregaram de dragar para possibilitar a entrada de embarcações militares de maior porte).

Iraque – Na entrevista coletiva concedida na capital iraniana, o diplomata Kazemeyni explicou que o comércio sírio-iraniano movimenta, anualmente, cerca de um bilhão de dólares, mas garantiu que há espaço para que esse intercâmbio seja ampliado.

As empresas do Irã exportam para a Síria, basicamente, “serviços técnicos e de Engenharia”, disse o adido comercial iraniano, e as autoridades de Teerã acreditam que, apesar da devastação causada por quatro anos de guerra civil, o governo de Bashar-al-Assad possa coordenar a elevação das suas vendas ao Irã – especialmente nos itens óleo comestível, algodão e têxteis.

Em uma declaração não muito diplomática, Ali Kazemeyni, assegurou que “a situação de segurança na Síria é muito melhor que a situação no Iraque [suposta alusão ao perigo representado pelo Estado Islâmico em território iraquiano] e o setor privado iraniano pode entrar no mercado sírio sem se deparar com nenhum problema”.

Ano passado o governo iraniano aprovou a abertura de uma linha de crédito de 3,6 bilhões de dólares para colaborar na reconstrução dos setores de produção de energia elétrica e automotivo da Síria. O acordo será implementado pelos Bancos Centrais dos dois países.

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