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Canibalização de navios na Royal Navy aumenta 50% em cinco anos

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HMS Argyll

O Ministério da Defesa do Reino Unido aprovou mais de 3.000 casos de retirada de peças de navios da Royal Navy e outros equipamentos para dar a outros navios em necessidade mais urgente, revelou o National Audit Office.

Uma revisão em canibalização de equipamentos publicada hoje descobriu que a prática, que se destina a ser usada apenas quando nenhuma outra alternativa está disponível, aumentou 49% nos últimos cinco anos, com um total de 3.230 casos envolvendo 6.378 partes.

Segundo os auditores, cerca de 40% dos navios e submarinos que receberam peças canibalizadas precisavam deles para que pudessem estar prontos para operações ou treinamento. Nestes casos, a canibalização de equipamentos corrigiu problemas que teriam reduzido a capacidade operacional de navios e submarinos. Os 60% restantes de navios e submarinos não precisavam das peças para operações ou treinamento, mas eram necessários para, por exemplo, completar o trabalho de manutenção planejado para agendar e custear.

A auditoria constatou que 71% das peças canibalizadas com base na necessidade operacional eram de baixo valor, com a maioria custando menos de £ 5.000 e menos de 1% avaliados em mais de £ 500.000.

No entanto, descobriu que o MoD não monitora rotineiramente o uso, as causas e o impacto da canibalização de equipamentos em toda a Marinha, ao invés disso, enfocando os tipos de navio, e também não sabe com que frequência o custo de substituição de peças canibalizadas excede o valor da peça sendo substituída. Sua própria análise, que abrange 146 canibalizações de equipamentos das Type 23 em 2012, mostrou que, em 50% desses casos, o custo da canibalização do equipamento era igual ou superior ao valor da peça. Em um quarto dos casos, foi quatro vezes maior. Embora a canibalização do equipamento tenha aumentado, o ministério não atualizou ou ampliou sua análise.

O relatório afirmou que o uso de peças canibalizadas quando houve novas substituições de equipamentos indisponíveis pode refletir problemas mais amplos com o processo de obtenção de peças sobressalentes e o problema é exacerbado tanto pela falta de informações sobre quando as peças serão entregues quanto por atrasos na recepção de peças na hora. Em março de 2017, o centro de operação dos navios do órgão de contratação do Defence Equipment & Support do Departamento de Defesa contou com 55% das demandas de peças de tripulações de navio e submarinos até a data requerida. Isso foi contra um alvo de 75%, enquanto o centro operacional submarino atendia 63% das demandas (com alvo de 80%).

Um corte de 92 milhões de libras esterlinas no orçamento de apoio marítimo em 2015-16 e 2016-17 poderia levar a um aumento adicional na necessidade de canibalizar peças, afirmou o relatório.

Respondendo ao relatório, um porta-voz da Royal Navy disse que menos de meio por cento das peças que ela usa vem de componentes emprestados de outros navios, e isso foi feito apenas “quando é absolutamente necessário retirar os navios do porto e voltar às operações mais rapidamente”.

A crescente complexidade dos navios pode significar que faz sentido tomar um componente existente de um navio que não é necessário naquele momento e colocá-lo em outro que é necessário de volta ao mar.

“Continuamos a fazer melhorias em como gerenciamos essa prática há muito estabelecida”, acrescentou.

FONTE: Civil Service World

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Luiz TrindadeAdriano R.A.Fabio Souto.DaltonXO Recent comment authors
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Jr
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Jr

Não é por nada não, mas alguém tá tentando desmoralizar a Royal Navy, não é normal sair tanta notícia negativa sobre a mesma em um tão curto espaço de tempo

Top Gun Sea
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própria análise, que abrange 146 canibalizações de equipamentos das Type 23 em 2012, mostrou que, em 50% desses casos, o custo da canibalização do equipamento era igual ou superior ao valor da peça.

É! Não está facil não! Sucateiam as type 23 para enxertar peças velhas em outras – Isso não é PMG! Depois vendem para os países de 3º mundo por quase 500 milhões como modernizadas. A marinha que compra las vai sofrer no PMG verdadeiro. Por isso afirmo essas types são uma fria e estão no osso.

Glasquis7
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Top Gun Sea
“Por isso afirmo essas types são uma fria e estão no osso.”

Mesmo assim, estão muito, mas muito por cima das unidades existentes na região apenas se igualam as suas irmãs Chilenas que estão passando agora por modernização.

Ozawa
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Ozawa

A Marinha do Brasil já passou da fase do canibalismo e se pratica a autofagia…

Celso
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Celso

Ozawa………………..kkkkkkkkkkkkkkkk nao da nem pra rir mais……agora ate as lagrimas sumiram…..se la isso eh um escandalo, imagina aqui, mas na Mb isso eh normalissimo nao eh mesmo e parece tudo estar em mar azul e tranquilo. Brasil,pais de tolos e omissos.

Walfrido Strobel
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Eu vi na prática como funciona o canibalismo que muitos atacam, em um curso na BAAF nos anos 90 um colega chamou para visitar o Esq. dos Buffalo, depois da visita fomos almoçar e a conversa foi sobre canibalização. Ele me relatou que antes de trabalhar com manutenção era totalmente contra canibalização, mas mudou pela necessidade, ja teve três C-115 disponíveis no começo do mês e perto do final ficou com todos parados por falta de peças, o PAMA-SP que era o responsável pelo avião não tinha as peças, a solução, tiraram tudo o que precisavam de um para fazer… Read more »

Ronaldo de souza gonçalves
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Ronaldo de souza gonçalves

Isto e igual a uma frota de carros velhos,a manutenção tem que fazer essas jogadas mesmo.Ninguem talvez até a frota do EUA não tem nos seus almoxarifados todos os itens que os navios precisem e se tratando de submarinos a coisa até piorem.Não acho que as type 23 são furadas bem cuidadas e compradas por um bom preço seria de grande ajuda para á MB e só implantar um just time está tudo resolvido.

Joao Moita Jr
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Joao Moita Jr

Vixi!!! Colocaram algum brasileiro a cargo da Royal Navy??? Rsrsrs…

Joao Moita Jr
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Joao Moita Jr

“A Marinha do Brasil já passou da fase do canibalismo e se pratica a autofagia…”
A Marinha do Brasil chegou na fase do Sepuku…

Walfrido Strobel
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Quando ser quer ser certinho demais fica como a Marinha da Alemanha que consegue ter cinco submarinos e vai ficar com os cinco parados, canibaliza logo um…..a Royal Navy pode ensinar.
.
Nos somos bom nisso, me lembro que em 1986 quando fazia estágio de Sup. Técnico no PAMA-SP eu vi juntarem dois Mirage III para fazerem um, ficou com a fuselagem na pintura azulada e as asas prateadas(ou o contrário, não me lembro mais este detalhe) antes de receber a pintura definitiva, mas deu certo.

Joao Moita Jr
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Joao Moita Jr

E o A-12? Ainda existe esperança para ele? Será que a MB jamais terá sequer um único NAE???

Dalton
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Dalton

Walfrido… . a situação alemã é temporária e já se está tomando medidas para amenizar isso…nunca se terá todos os 6 disponíveis, nenhuma marinha consegue disponibilidade total, a marinha alemã precisa de 6 unidades para ter 2 totalmente operacionais, dois em treinamento, um dos quais em fase adiantada e que poderá rapidamente ser certificado para operações de longo curso e dois em manutenção…reduzir para 5 unidades impactaria negativamente no número de disponíveis. . Porém, o número considerado ideal para à marinha alemã é 8 unidades e para tanto serão construídos mais dois na próxima década que se juntarão aos 6… Read more »

XO
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XO

Prezado João, não há volta para o A12… a decisão já foi tomada pelo CM… abraço…

Dalton
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Dalton

João…
.
infelizmente não há nenhuma esperança para o A 12, a inativação está sendo realizada, de
forma lenta, aliás, até inativações são mais lentas quando o orçamento é curto.

Fabio Souto.
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Fabio Souto.

Prezado XO o senhor sabe quando a fragata defensora inicia provas de mar?

2-Alguma novidade sobre a compra de navios MCM?

Adriano R.A.
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Adriano R.A.

Aposto que o mesmo problema está acontecendo na maioria das marinhas européias (até mesmo na US Navy). Por algum motivo a Royal Navy virou bode expiatório.
Nadando de braçadas mesmo, só os chineses.

Dalton
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Dalton

Com certeza Adriano…leio sobre “canibalização” na US Navy faz anos já, inclusive sobre transferir tripulantes de um navio para outro para completar uma tripulação…o que “pega” é que a Royal Navy já foi a maior do mundo e até pouco tempo atrás era bem mais formidável que a marinha francesa, então, vira um alvo mais fácil mesmo.

Luiz Trindade
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Luiz Trindade

Jr 1 de novembro de 2017 at 19:56
Não é por nada não, mas alguém tá tentando desmoralizar a Royal Navy, não é normal sair tanta notícia negativa sobre a mesma em um tão curto espaço de tempo

Não Jr… Não estão querendo desmoralizar a Royal Navy… Estão sim expondo a política do partido liberal que hoje comanda o gabinete de primeiro-ministro. Já algum tempo os alto-oficiais das Forças Armadas estão alertando o público sobre o desmantelamento da capacidade de defesa da Grã-Bretanha. Hoje a única coisa que se mantém ilesa é capacidade de dissuasão nuclear! Fora isso, tá muito complicado!