11 de junho: dia de entrar no futuro Riachuelo com o Poder Naval

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Na Data Magna da Marinha, o Poder Naval convida seus leitores a visitar as obras do futuro submarino Riachuelo, cujo nome homenageia a célebre batalha travada em 11 de junho de 1865. Uma matéria extensa, com muitas fotos, para apreciar e debater não apenas hoje, mas também nos dias 12, 13 e por toda a semana.

Por Fernando “Nunão” De Martini

Na segunda-feira passada, 4 de junho, o Poder Naval visitou o Complexo Naval de Itaguaí, e os leitores do site já puderam ver diversas matérias tratando de obras em andamento nas diversas instalações – e mais matérias seguirão. Para hoje, Data Magna da Marinha do Brasil, Batalha Naval de Riachuelo, reservamos a matéria com a visita ao Estaleiro de Construção e ao submarino em fase de acabamento no interior do grande galpão, o futuro Riachuelo. Venha com a gente visitar, por fora e por dentro, as obras de finalização do primeiro de quatro submarinos de propulsão convencional diesel-elétrica SBR atualmente em construção, derivados do tipo Scorpene francês, e que fazem parte do Prosub (Programa de Submarinos) da Marinha do Brasil, que também inclui a futura construção do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear (SNBR).

Para entender melhor onde está o submarino, vale a pena revisitar a visão geral do Complexo Naval de Itaguaí, como deverá ficar após concluído, na imagem abaixo, já publicada em matéria de janeiro. Nossa visita naquele dia havia começado pela UFEM (Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas), cuja localização se vê no canto superior esquerdo da imagem, vizinha à Nuclep, a alguns quilômetros do mar (já mostramos algumas das obras em matéria sobre a construção de cascos resistentes no Prosub, e voltaremos a mostrar as instalações com mais detalhes em futuro post). Após visita à UFEM percorremos um trecho de estrada, passamos pela área norte da futura Base Naval e passamos por um túnel (também marcado na imagem abaixo) para chegar à área sul. A localização do grande galpão que forma o Estaleiro de Construção, juntamente com seus anexos, está marcada por uma seta no canto inferior direito da imagem.

Logo que se deixa o túnel é possível notar a grande área disponível para a construção das próximas instalações, pois o galpão do Estaleiro de Construção se destaca ainda praticamente sozinho num dos “braços” da área sul (no outro, estão o prédio de simuladores e obras de outras edificações, já mencionadas). Parece pequeno, quando visto ao longe, pois perde-se a referência de dimensões por ainda estarem em obras outros galpões nas proximidades, em meio a estruturas pré-fabricadas de concreto espalhadas pela área.

Porém, à medida em que nos aproximamos, suas grandes dimensões ficaram evidentes, como se vê na imagem de abertura desta matéria, tirada no sentido do mar para terra e reproduzida mais abaixo, à esquerda, junto a uma foto do shiplift, à direita, tirada no mesmo ponto, mas no sentido da terra para o mar.

O shiplift (elevador de navios) será usado nos trabalhos de lançar e recolher os submarinos do mar, que saem do galpão levados por transportadores sobre trilhos. O elevador é capaz tanto de realizar esse procedimento com os SBR, que terão 71,6m de comprimento e perto de 1870 toneladas de deslocamento, quanto com o SNBR (nuclear), cujas dimensões aproximadas serão de 100m de comprimento e 6.500 toneladas de deslocamento. O transportador sobre trilhos é formado por conjuntos como o que se vê na parte à direita da imagem da esquerda, abaixo (equipamento pintado de azul), e também transportará os submarinos para um futuro galpão de manutenção a ser construído à esquerda do Estaleiro de Construção.

O Estaleiro de Construção foi projetado para possibilitar a finalização simultânea de dois submarinos de porte ainda maiores que o SBR (ou seja, pode abrigar com folga o SNBR). No interior do galpão, o Riachuelo nos esperava. Antes de chegarmos ao submarino, passamos primeiro pelo hall de entrada onde um painel, na parede, mostra a concepção artística do futuro Riachuelo (S 40). A imagem será útil como referência para comparar a outras fotos desta matéria, em especial para entender o formato final que terá a parte superior do submarino, quando estiverem instalados todos os painéis que formam o casco externo, ou hidrodinâmico, que se sobrepõem ao cilindro que forma o casco interno, de pressão, também chamado de casco resistente.

No grande galpão, que impressiona pela altura do seu teto, pouco abaixo do qual correm as pontes rolantes para manobras de peso, os mais de 70 metros de comprimento e 12m de altura do futuro Riachuelo parecem pequenos. Cercado de andaimes na imagem abaixo, à esquerda, fica difícil perceber à primeira vista os seus contornos. Por isso publicamos, à direita, foto em ângulo semelhante tirada em ocasião anterior, em 20 de fevereiro, quando o Poder Naval presenciou a cerimônia de início da integração das seções do submarino.

Comparando as duas imagens, fica evidente uma diferença importante além dos andaimes: com a retirada de painéis da proa, do casco hidrodinâmico (ou casco externo) é possível ver um equipamento cilíndrico de superfície azul instalado na parte exposta: trata-se do sonar principal do submarino. Abaixo, à esquerda e à direita, duas fotos mais aproximadas da proa do futuro Riachuelo. Clicando para ampliar, é possível perceber os contornos das seis aberturas para os tubos de lançamento de torpedos (TLP), situados logo acima do sonar.

Nas duas imagens abaixo, em ângulos semelhantes, podemos ver a mesma seção de proa em perfil. Na de cima, capturada em 4 de junho, a parte aberta pela retirada dos painéis deixa a proa com formato semelhante a uma boca de baleia. Na de baixo, vemos a mesma área fotografada em 20 de fevereiro, com os painéis de revestimento do casco externo instalados.

Cabe ressaltar aqui, para os leitores menos acostumados a detalhes técnicos de submarinos, as diferenças entre casco interno (ou casco de pressão / resistente) e casco externo ou hidrodinâmico. Nesta parte ampliada de concepção artística do interior de um SBR, abaixo (imagem DCNS / Naval Group) pode-se ver na proa tanto o sonar quanto os tubos lançadores de torpedos e de mísseis, na cor branca (e, acima destes, a escotilha também branca para o carregamento externo de torpedos e mísseis, da qual voltaremos a falar).

Os tubos se conectam à calota de vante do casco de pressão (clique para ver matéria anterior com imagens dessas estruturas) e são cercados por um tanque de lastro. Ou seja, o casco externo, hidrodinâmico, é alagável, e por isso pode resistir à pressão da água em profundidade devido à pressão se igualar dos dois lados de suas chapas, que podem ser de aço mais fino ou mesmo de materiais como fibra de vidro. O sonar também é posicionado para operar permanentemente alagado, mesmo com o submarino na superfície. Da calota de vante para trás, o que vemos é o casco resistente, que precisa ser fabricado com chapas mais grossas e cavernas (estruturas anelares) de pouco espaçamento,de forma a resistir à diferença entre a pressão da água, externa, e a pressão atmosférica (interna).

Se a visão interna do submarino, na concepção artística, lhe deixou com vontade de entrar logo no Riachuelo, segure um pouco mais a ansiedade e venha com a gente olhar rapidamente as seções seguintes, na direção da popa, que também mostram detalhes interessantes de sua construção. Na visita em 4 de junho, destacava-se uma grande lona (imagem abaixo, à esquerda) protegendo a união de duas seções que, quando visitamos o estaleiro da última vez, em 20 de fevereiro, ainda estavam separadas, como se vê na foto da direita.

Na concepção artística acima, esta região do submarino está no canto esquerdo da imagem, marcando a separação entre as áreas habitáveis (como os alojamentos da tripulação) e as praças de máquinas, entre as quais fica uma grande escotilha para a entrada e saída de mergulhadores de combate, que também é a principal saída para resgate da tripulação, em caso de emergências (vê se parte dessa escotilha na foto da direita, canto superior esquerdo).

As duas seções foram soldadas recentemente, marcando a união final do submarino, que agora só pode ser acessado pelos trabalhadores que o finalizam passando pelas escotilhas de acesso, e não mais pelas seções abertas. Esse trabalho de solda leva três dias para ser realizado em todos os seus procedimentos, conforme nos foi informado na ocasião, e é supervisionado por um engenheiro naval da Marinha do Brasil treinado especialmente para essa tarefa.

Mais abaixo, vemos mais uma comparação de duas fotos de outras seções mais à popa, agora também unidas. Na imagem da direita, de 20 de fevereiro, vemos a última seção do casco resistente, à popa, ainda separada, mostrando em seu interior o Motor Elétrico Principal (MEP) e, externamente, um “dente” formado pelo local onde se conectam o casco de pressão ao casco externo, bem sobre a calota de ré do casco resistente. Esse dente, visível também na imagem da esquerda, de 4 de junho, será coberto por placas de fibra de vidro, suavizando a união entre os cascos.

A suavidade das linhas das superfícies de controle de popa também é bem perceptível, tanto nas imagens acima quanto na foto mais aproximada abaixo, na qual se vê também uma lona cobrindo o hélice. Também é possível ver as marcações em vermelho de painéis que cobrem essa parte do casco externo. Trabalhos de solda estavam sendo feitos nessa área na ocasião.

É hora de voltar para perto da vela do submarino, vista na foto abaixo à direita cercada de andaimes e escadas. Subindo os três primeiros lances, chega-se ao nível da escotilha de entrada, logo atrás da vela, pela qual subimos para entrada nas obras finais do futuro Riachuelo. É grande a circulação de operários e engenheiros no local, e um tipo de painel eletrônico mostra todos os que estão num dado momento no interior do casco, e em que seção. Foi solicitado que não fotografássemos essas informações em close, que mostram os nomes do pessoal. Pelo mesmo motivo, nas imagens desta matéria em que eventualmente é possível ver seus rostos, editamos as fotos para descaracterizar suas faces e respeitar sua privacidade.

É hora de entrar no Riachuelo! Desça conosco os degraus, seguindo os passos do contra-almirante engenheiro naval Celso Muzutani Koga, visto na imagem abaixo, que nos acompanhou por todo o dia (numa das próximas matérias desta série abordaremos a palestra que Koga proferiu ao início da visita) e é o gerente do Empreendimento Modular de Obtenção de Submarinos. Nas fotos seguintes, já no interior do Riachuelo, podemos ver outra pessoa descendo a escada que dá no interior dos compartimentos habitáveis do submarino (no caso, outro editor do Poder Naval, Guilherme Poggio).

É possível ver, nas fotos acima e abaixo, algumas das estruturas para os beliches e para fixação de divisórias para o rancho, banheiros e outras partes dessa grande seção, que foi alongada no SBR em relação ao Scorpene original. Um dos motivos para o alongamento foi a melhoria das condições de habitabilidade em missões de mais longa duração – por exemplo, os beliches do projeto original eram posicionados no sentido transversal, enquanto os do SBR ficam na posição longitudinal, mais confortável para o repouso em meio às manobras do submarino em movimento, seja na superfície ou emerso. Outro motivo foi o requisito brasileiro de maior autonomia para as missões do submarino, que podem chegar a mais de 70 dias (na classe “Tupi”, por exemplo, a duração é de cerca de 45 dias) e chegar a 13.000 milhas náuticas de navegação (com Snorkel).

Abaixo do piso dos alojamentos, por onde andamos, estão situados tanques de combustível e outras áreas de armazenamento de água e víveres, que com o alongamento dessa seção ganharam maior capacidade. Todo esse trecho do submarino pode ser visto na parte direita da concepção artística acima. Na direção da popa, ficam os motores diesel e geradores (tendo abaixo deles o compartimento de baterias de popa) mas não foi possível visitar essa parte devido aos trabalhos que estavam sendo realizados, e que dificultavam o acesso. Então seguimos na direção da proa, entrando no compartimento de manobra e de combate do futuro Riachuelo, onde nos próximos meses serão instalados tanto os consoles para governo do submarino como os sistemas de combate e o periscópio de ataque, cujo fosso pode ser visto na imagem abaixo.

Inúmeros fios e cabos elétricos estão sendo conectados e toda a instalação está sendo preparada para receber os consoles deste que é o “cérebro” do submarino. Clicando nas imagens acima e abaixo para ampliar, pode-se perceber as estruturas de suporte dos gabinetes, além dos vários tubos e conduítes que passam pelas paredes e pelo teto.

Os 6,2m de diâmetro interno do casco resistente parecem pequenos para conter tantos equipamentos, mas é bom sempre lembrar que estamos andando em meio a uma obra em andamento, em sua fase final. A instalação dos consoles e interfaces certamente dará um aspecto mais organizado ao local, que deverá ficar com a aparência totalmente funcional que pudemos ver no simulador, visto na foto mais abaixo.

A parte ampliada da concepção artística, acima, mostra logo abaixo da vela o compartimento de manobra e, na direção da proa, a praça dos torpedos (abaixo da qual fica o conjunto de baterias de proa). Vamos na direção desse grande compartimento, e descemos ligeiramente o nível do piso, em alguns centímetros, para acessar essa área na extremidade anterior do casco resistente (embora, como já vimos, a proa se estenda por mais alguns metros para abrigar o tanque de lastro de vante, os tubos de torpedos e o sonar, no casco externo).

Bem à frente, destaca-se uma abertura isolada na parte superior: trata-se da escotilha por onde adentram torpedos e mísseis para municiar o submarino. Nesse compartimento e no interior dos seis tubos podem ser transportadas até 18 armas, na combinação desejada entre torpedos pesados F21 (o mais novo tipo de torpedo francês, mísseis SM-39  SubExocet e minas submarinas. Entre as caixas de ferramentas e pranchas de compensado que as suportam provisoriamente, está o sistema de movimentação de armas que municia os tubos.

Hora de sair do Riachuelo, pois outra leva de visitantes da imprensa especializada ainda iria adentrá-lo, entre as idas e vindas de operários, mas isso não quer dizer que nossa visita tenha acabado – ainda há muitos detalhes interessantes a mostrar.

Saindo da escotilha de acesso e olhando para a popa, no sentido da lona que protege as seções recentemente unidas (que já mostramos), é possível ver uma série de suportes presos ao casco resistente, tanto na parte superior quanto na direção das laterais, onde vemos dois trabalhadores na imagem abaixo. Nesses suportes, a maioria em formato de “T”,  serão presos painéis do casco hidrodinâmico / externo que melhoram a fluidez da água dessa parte superior do casco e o desempenho quando em superfície (mas também em imersão, ao formar um contorno mais suave de ligação com a vela), assim como permitem caminhar por sobre o submarino emerso com mais facilidade. Comparando esta foto com a imagem mais abaixo, da concepção artística vista na entrada do galpão, é possível perceber o formato final que terá essa parte do futuro Riachuelo.

Seguindo em direção à proa, logo à vante da vela podemos ver diversos desses painéis do casco externo já fixados e outros em fixação. Eles cobrem diversas tubulações de água e ar-comprimido e equipamentos relacionados ao tanque de lastro de vante, mais abaixo, entre outros itens que ficam “escondidos” entre o casco hidrodinâmico e o de pressão. Olhando com mais atenção o painel mais à direita nas fotos, percebe-se que ele é de material não metálico, no caso uma fina fibra de vidro. No SBR 1 (Riachuelo) esses painéis vieram da França, mas para outros submarinos da classe o fornecimento está a cargo de uma empresa de São José dos Campos (SP), conforme nos disse o contra-almirante Koga enquanto observávamos os trabalhos nessa seção

Painéis de fibra de vidro também fazem o suave contorno hidrodinâmico da conexão entre a vela e o casco, numa curva que bem caracteriza o tipo Scorpene. Na imagem abaixo, esses painéis ainda não estão totalmente fixados. Quanto à vela, tanto sua estrutura quanto seu revestimento são metálicos. Toda essa parte do submarino, com os suportes para os painéis do casco externo em sua área superior e outros detalhes, como os suportes para a instalação do sonar de flanco, são vistos na imagem mais abaixo, de 20 de fevereiro, quando o Riachuelo ainda não estava cercado de andaimes.

E assim terminamos nossa visita ao submarino que deverá ser lançado ao mar em 12 de dezembro, praticamente daqui a seis meses. Serão 180 dias de intensa atividade no interior e exterior do casco para que o prazo seja cumprido, e o ritmo intenso de atividade que vimos no Estaleiro de Construção indica que sim.

Finalizamos esta matéria com duas imagens do autor em ocasiões diferentes em frente ao Riachuelo, prestando uma homenagem não só ao trabalho da Marinha em sua Data Magna, mas a todos os leitores do Poder Naval, a grande maioria dos quais certamente gostaria de estar posando para fotos nas mesmas ocasiões. Esperamos com esta matéria ter dado a todos o “gostinho” de visitar tanto o estaleiro quanto o submarino em construção, sentindo as mesmas sensações que nós, e observando os detalhes que pudemos perceber em nossa visita, como se estivessem em nosso lugar. Em breve, mostraremos mais matérias sobre os demais submarinos em construção no Complexo Naval de Itaguaí.

64 COMMENTS

  1. Está ficando fantástica essa sequência de matérias, se eu pudesse votar em algum prêmio de jornalismo com certeza essa matéria receberia meu voto. Parabéns!!

  2. Muito impressionante, parabéns pela qualidade das reportagens, que também tiveram isenção de comentar os problemas existentes. O trabalho de vocês coloca este site em uma posição de excelência, certamente é um dos melhores do planeta em termos de assunto naval. Quanto o projeto do PROSUB realmente é uma obra incrível, pena que tão custosa e com um caminho tão difícil, somente espero que traga frutos mais amplos que programas anteriores, onde muito foi gasto e não houve uma continuidade.

  3. Belíssima reportagem!!!PARABÉNS!!!! e à todos que participaram e pereceram, que DEUS os guarde e acalente! Salve a histórica e gloriosa MARINHA BRASILEIRA!!! ST4

  4. Bela matéria e belas fotos.
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    Está na hora de colocar uma bela Baa nesse complexo.

    De imediato Gepard e Igla’s, depois acrescentar uma Baa Spyder (Temos Derby e Python, entonces).

    Tenho muita curiosidade no lançamento do Exocet e atingindo uma rande embarcação – “alvo real”.

  5. “Serão 180 dias de intensa atividade no interior e exterior do casco para que o prazo seja cumprido, e o ritmo intenso de atividade que vimos no Estaleiro de Construção indica que sim.”

    Não duvido nada que um sindicalista oportunista surja no meio dos trabalhadores e use o prazo como moeda de barganha para pedir aumento salarial e outros benefícios pra a obra não atrasar para 2019

  6. Matéria como está, de elevado nível de esclarecimento, é de difusão obrigatória em estabelecimentos de ensino e na mídia em geral. É preciso que o povo brasileiro perceba a importância de projetos desta envergadura para o desenvolvimento do nosso país, sobre tudo nos campos cientifico e industrial.

    Apar disso, é impressionante o poder bélico e complexidade deste submarino, ao desavisado e leigo como eu, o espanto iguala-se ao do Professor Pedro Arronax ao explorar as entranhas do Nautilus. Perece até que o projeto do Riachuelo originou-se dos punhos de Julho Verne.

    Galante, Nunão, Poggio e demais membros da equipe da trilogia, fizeram um bravíssimo e primoroso trabalho jornalístico, impactou-me muito.

    MOBILIS IN MOBILE.

    • Jakson,
      Já abordamos esse assunto em matérias anteriores (não enfaticamente nesta série).

      Foi construída mais longe por questão de espaço e para ficar ao lado da Nuclep. A área sul, apesar de aparentemente vasta pra quem vê hoje, tem montanhas e precisou de aterros pra ficar como está. A parte mais industrial da UFEM, onde está, de fato pra mim faz sentido quando se pensa na Nuclep ao lado fazendo as seções e até recebendo parte do trabalho da UFEM quando esta fica mais congestionada (como está sendo o caso agora – ainda teremos matéria dando um panorama geral da UFEM). As duas (UFEM e Nuclep) me parecem estar funcionando bem lado a lado.

  7. Poderiam pintar uns dentes na chapa do casco hidrodinâmico que cobre o sonar. Daria para criar um sorriso bem despojado e ameaçador.

  8. Como o Esteves escreveu na abertura dos comments: Histórico.
    O Poder Naval nos presenteou com essa belíssima matéria.
    Bravo Zulu! Nunão e Poggio, vocês são de outro planeta!

  9. Nunão, Galante e Poggio: espetacular, excelentes materias! À Marinha do Brasil e todos os participes deste programa o que temos é que PARABENIZAR . Voces estao demonstrando uma enorme competencia e uma perseverança impar. Este é o Brasil que nos orgulha.

  10. Só quero deixar meus parabéns pela excelente matéria.

    Venho acompanhando as noticias da construção desses submarinos já a algum tempo no site, e finalmente, consegui entender uma série de dúvidas que tinha com relação ao casco interno e externo e parte do tanque de lastro.
    Também muito pertinente as demais informações sobre a qualidade do aço bem como as ilustrações e todas as fotos.
    Novamente, parabéns a equipe pelo empenho na divulgação dessas informações!

  11. Parabens à equipe que fez este trabalho espetacular de jornalismo, mostrando de forma equilibrada e simples um projeto complexo.
    Como brasileiro sinto-me orgulhoso pela nossa querida Marinha e nosso sagrado Brasil. Tão vilipendiado, roubado e escrachado pela nossa caterva politica.
    Este país é capaz de grandes coisas. Somente precisa de seriedade politica. Que venha mais coisas assim.

  12. Bom dia! Eu sou militar da Reserva da Marinha e gostaria muito de participar do batismo do Riachuelo. Ele é civil mas acompanha a construção do Submarino e conhece muito sobre a frota Naval. Peço que me enviem informações e procedimentos para participarmos do evento. E agradeço imensamente, por me enviarem essas informações.

  13. Come é feito a união , solda desta chapa ou placa de vibra de vidro que cobre o casco interno?
    Da uma impressão que não suporta pressão da água.

    Grato!

    • Bueno, painéis de fibra de vidro não podem ser soldados ao aço, são materiais diferentes. Eles são fixados(com parafusos, por exemplo, para poderem ser retirados com facilidade).

      Como explicado no texto da matéria, as partes em fibra ou de chapa fina de aço compõem o casco hidrodinâmico, ou casco externo, e não são feitas para suportar a diferença entre a pressão da água e a pressão atmosférica, como é o caso do casco resistente / casco de pressão / casco interno (que abriga os equipamentos, propulsão, tripulantes etc).

      A explicação é simples: o casco hidrodinâmico é alagável, ou seja, entra água nas cavidades formadas por ele. As chapas recebem água em suas duas faces, então não há diferença de pressão entre os dois lados, diferente do que ocorre no casco resistente ou de pressão, onde há uma diferença de pressão (do mar X atmosférica) que aumenta brutalmente conforme a profundidade.

  14. Ok, ok, ok. Já comentaram bastante a qualidade da matéria mas eu não vou deixar por menos não. IMPECÁVEL em todos os sentidos, a leitura flui com avidez por conta do profissionalismo da equipe e da abordagem. Parabéns mil vezes a vocês.

    • Já vi matéria na internet sobre submarino que perdeu ou teve deformados alguns desses paineis do casco externo (casco hidrodinâmico, conforme nos ensinou o Nunão). Na primeira oportunidade repôs os paineis, e seguiu a vida normalmente. Parece que eles são apenas uma casca fina que dá algumas formas ao casco, mas sem relevância estrutural ou para mergulho. Fica água fora e dentro dessa casca fina, então não há problema de pressão.

  15. Excelente matéria.

    Brilhante didatismo em explicar até para os mais leigos (me incluo nessa) o que significa cada detalhe, por menor que seja.

    Nem sonhava que o sonar era alagável e seu entorno constitui um tanque de lastro. Sensacional.

    Outra coisa que não fazia ideia: a escotilha para municiar os torpedos. Nos nosso atuais subs Tupi/Tikuna o carregamento é feito através do próprio tubo de torpedo, com uma manobra que inclina o sub para cima. Parece que essa dificuldade será solucionada nos nossos novos Subs.

    Podem criticar o tanto que for. A MB até toma algumas decisões questionáveis (como o NAeSP e os A4), mas nossa independência estratégia com o Prosub é o mais patriótico dos programas militares brasileiros. Devemos apoiar independente de qualquer coisa.

    Saudações.

  16. Matéria fantastica!
    Parabéns aos editores por possibilitarem esta aproximação com o PROSUB, de uma maneira de fácil compreensão e bastante imersiva. Me supreendo com o nível de profissionalismo que conseguem alcançar, simplesmente é um nível de excelência que só encontro lendo as matérias da trilogia. Ainda aguardo ter a experiência de visitar o Riachuelo algum dia.

    Há um detalhe que está me trazendo certa dúvida, o sonar principal do SBR é nacionalizado ? Perdoem-me mas não lembro de ter lido alguma matéria sobre este tema. Grato

  17. Se todos os jornalistas fizessem um trabalho tão bem feito certamente teríamos menos ignorantes ( sobre os mais diversos temas ) na face da Terra. Não sei se são formados em jornalismo, mas c/ certeza podem dar aulas p/ muita gente. Valeu.
    Abraço e obrigado a todos.
    PS: Matheus Fonseca, dê uma olhada no meu comentário de 10 de junho de 2018 at 22:24 no post sobre as baterias do submarino.

    • Matheus, não escrevi que a Omnisys produziu os sonares dos SBR, sugiro a leitura do link que passei. Um equipamento de sonar é feito de vários itens, há alguns que ficaram a cargo da empresa brasileira, e muitos outros vieram da França.

    • Sim, é a estimativa, entre 6.000 e 6.500t, divulgada pela própria Marinha. Isso será tema de matéria futura desta série.

  18. Excelente matéria!!!! Parabéns a toda a equipe responsável por trazer essas informações a público!!! Parabéns também à nossa MB que mostra estar no caminho certo para sua independência externa e nossa soberania. Sei que os planos do almirantado são para até 15 S-BR e 6 SN-BR mas se, pelo menos tivermos um segundo lote destes no futuro, substituíndo nossos IKL eu já ficarei muitíssimo contente.

    • Espero que a cada 11 de junho possamos ter novas notícias (positivas) sobre o ProSub e sua continuidade. Agora que decidimos (certo ou errado) por ser uma Marinha centrada em submarinos, é nosso dever (do Brasil) fazer frutificar o gigantesco recurso público investido no programa, evitando a descontinuidade que já ocorreu várias vezes. Na minha opinião, e mesmo que no limite não sobre $$ para mais nada, o projeto e construção de submarinos pós-ProSub deve continuar, pelo menos 2 a cada 5 anos ou 6 anos.

  19. Matéria excelente! Não é por acaso que na indústria bélica, e na indústria pesada em geral, considera-se a construção de um submarino como o projeto mais complexo, dentre todos os outros “veículos” militares. Impressiona e causa orgulho também a infra-estrutura necessária para um projeto como esse. É incrível e alentador pensar que o PROSUB caminha com determinação e obstinação, apesar de tudo!

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