Home Estratégia A mudança no cenário estratégico naval em 20 anos – 1998-2018

A mudança no cenário estratégico naval em 20 anos – 1998-2018

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Uma Type 054 no fim da formatura durante a Passex com a Marinha do Brasil em 2013 – Foto: Alexandre Galante
Navios de guerra chineses realizam exercício com navios da Marinha do Brasil em outubro de 2013 – Foto: Alexandre Galante

‘A roda da história faz um círculo completo’

Por Ian Ballantyne, fundador e editor da revista WARSHIPS International Fleet Review

Este ano é o vigésimo aniversário da primeira edição da revista WARSHIPS IFR, publicada em abril de 1998, e uma pesquisa sobre o conteúdo daquele número, revela um mundo radicalmente diferente daquele em que vivemos hoje. Haviam se passado apenas sete anos do fim da Guerra Fria, o mundo nunca pareceu tão em paz, com a ameaça de aniquilação nuclear finalmente aliviada e os valores liberais ocidentais aparentemente ascendentes em todo o mundo.

A outrora poderosa ex-Marinha Soviética era um casco enferrujado, com a sua mais notável frota na enseada de kola ou amarrada no porto e raramente, ou nunca, vista no mar. A China ainda estava olhando para dentro quando se tratava de questões de defesa.

Ela possuía uma frota velha, não muito forte ou aventureira, mas era uma marinha numerosa. As frotas da OTAN – a aliança militar ocidental que manteve a linha por 40 anos antes da queda do Muro de Berlim em 1989  estavam em estado de redução gradual para alcançar o “dividendo de paz” que seus governos sentiam que era devido.

Restava apenas uma zona de guerra quente onde as marinhas estavam envolvidas de maneira importante e que estava no golfo da Arábia. Os super porta-aviões da Marinha dos EUA estavam prontos para lançar ataques aéreos para persuadir Saddan Hussein a obedecer às inspeções de especialistas em armas das Nações Unidas, para garantir que ele não possuísse armas de destruição em massa (WND).

No geral, o mundo parecia ter alcançado um lugar abençoado onde o comércio global florescia ao longo de rotas marítimas livres de ameaças e as viagens aéreas eram baratas, onde as antigas inimizades da Guerra Fria haviam se dissolvido. As marinhas pareciam não ser muito necessárias, com seus navios de aço e armas de guerra em descompasso com a plácida Nova Ordem Mundial, atingida pelo estabelecimento da Pax Americana através da única marinha remanescente com hiperpotência.

A declaração de missão que escrevi para apresentar a primeira edição apontava, no entanto, que as marinhas continuavam a influenciar eventos geopolíticos, muitas vezes invisíveis e desconhecidos. Acrescentava: o objetivo desta revista é esclarecer as  atividades das marinhas, comentar e observar o seu desenvolvimento contínuo.

O primeiro número da revista WARSHIPS International Fleet Review
O primeiro número da revista WARSHIPS International Fleet Review, de 1998. Entre os assuntos da capa aparece o HMS Ocean, que estava entrando em serviço na Royal Navy

A WARSHIPS IFR permaneceu fiel a esse objetivo nas últimas duas décadas e não demorou muito no final dos anos 90, antes do primeiro marco de conflito no longo caminho para o mundo problemático de hoje. Logo depois de ataques aéreos liderados pelos EUA e bombardeios de mísseis de cruzeiro ao Iraque – para tentar eliminar a alegada ameaça residual de armas de destruição em massa (WMD – Weapons of Mass Destruction) – a OTAN no verão de 1999 engajou-se em uma guerra quente pela primeira vez na história. Jatos de ataque baseados em porta-aviões, juntamente com mísseis de cruzeiro disparados de navios e submarinos, foram lançados para tentar forçar a Sérvia a interromper a campanha de limpeza étnica em sua província rebelde Kosovo.

Navios da OTAN na Campanha do Kosovo

Houve um confronto tenso no aeroporto de Pristina quando as forças da OTAN entraram em conflito com as tropas russas enviadas para impedir que seus aliados eslavos fossem totalmente humilhados pela OTAN. Era um sinal do que estava por vir, especialmente depois que Vladimir Putin se tornou presidente da Rússia no mesmo ano. Por enquanto, no entanto, a Rússia continuava sendo um poder derrotado no que dizia respeito ao Ocidente, uma espada enferrujada presa em sua bainha.

Submarino Kursk no dique seco, depois de recuperado do fundo do mar
Submarino Kursk no dique seco, depois de recuperado do fundo do mar

Quando o submarino de mísseis de cruzeiro da classe “Oscar”, Kursk, afundou no mar de Barents em agosto de 2000 – depois que os torpedos da embarcação explodiram dentro de um compartimento de armas –, pareceu totalmente emblemático de uma Rússia derrotada.

Como resultado, Putin prometeu reviver o poder militar e naval da Rússia. Esse ressurgimento parecia improvável de acontecer e os eventos mundiais logo tomaram um rumo surpreendente, anunciado por um evento no porto de Áden em outubro de 2000. Os terroristas da Al-Qaeda atacaram o destróier USS Cole, enquanto ele estava em uma escala de reabastecimento. Dezessete marinheiros foram mortos e 39 feridos, com o navio salvo apenas devido a um heroico esforço de controle de avarias.

USS Cole sendo transportado para os EUA a bordo do navio de carga pesada semi-submersível MV Blue Marlin
O destróier USS Cole sendo transportado para os EUA a bordo do navio de carga pesada semi-submersível MV Blue Marlin

Os atentados da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington DC desviaram os EUA e seus aliados de manter pressão sobre Saddam, para uma longa guerra no Afeganistão. Logo a operação mudou de ser uma ação punitiva contra Osama bin Laden e a Al-Qaeda em uma luta contra o Talibã e uma tentativa de construção de nação (nation-building).

Forças de ataque naval estiveram envolvidas na fase de abertura e depois se comprometeram a apoiar a campanha terrestre, com os soldados do mar dos EUA e do Reino Unido também entre aqueles que se comprometeram com a luta em um país sem litoral.

Minas navais a bordo de um navio de apoio do Iraque, capturado em 2003 pela Coalizão Internacional que lutou contra o Regime de Saddam Hussein

Alimentando ainda mais as chamas do conflito global, em 2003 os EUA iniciaram uma invasão do Iraque, junto com sua “coalizão de países empenhados”. Esse empreendimento desestabilizou o Oriente Médio e abriu a porta para o Irã alcançar a hegemonia regional. Como se os papéis de apoio de combate nesses conflitos não fossem suficientes para o comando das marinhas, grupos-tarefas navais multinacionais também foram formados para combater não apenas a atividade terrorista nos oceanos, mas também o crescente flagelo da pirataria na África. Parecia que os “bens comuns mundiais” do mar não eram tão plácidos depois de tudo. Um ator na missão antipirataria foi a China, que enviou novos navios de guerra altamente capazes para se juntarem ao esforço multinacional da Somália.

Com o envolvimento no Iraque em declínio para os EUA e seus aliados e o envolvimento Ocidental (incluindo a OTAN) no Afeganistão, os problemas não demoraram a chegar em outros lugares. A Primavera Árabe de 2011 viu a desestabilização de regimes se espalhar como fogo pelo norte da África e para a Síria.

Com os EUA comprometendo 60% de suas forças navais na região Ásia-Pacífico – para enfrentar um crescente desafio chinês e uma ameaça nuclear norte-coreana – o Reino Unido e a França lideraram ostensivamente a intervenção da OTAN na Líbia. Eles pretendiam impedir que seu governante despótico, Muammar Gaddafi, massacrasse seu próprio povo enquanto se rebelavam.

HMS Ocean durante a Operação Ellamy em 2011, na intervenção militar na Líbia
Porta-helicópteros HMS Ocean durante a Operação Ellamy em 2011, na intervenção militar na Líbia

Jatos de ataques navais franceses, italianos e americanos foram lançados a partir do mar. No entanto, a coalizão liderada por David Cameron continuou a seguir a política de “dividendo da paz” da década de 1990, tendo no final de 2010 descartado o poder de ataque dos porta-aviões do Reino Unido. Seria cerca de uma década antes que a Marinha Real pudesse novamente enviar jatos de asa fixa para o mar, enquanto Cameron também se livrou dos MPA (Marine Maritime Patrol Aircraft), abrindo outra lacuna de capacidade de uma década.

A Marinha Real Britânica continuou a desempenhar um papel fundamental na campanha da Líbia através de suas fragatas, submarinos, destróieres, caça-minas e helicópteros, embora a mais dramática contribuição tenha sido uma única embarcação americana. O submarino de mísseis guiados USS Florida disparou 99 mísseis de cruzeiro contra a Líbia durante a fase de abertura da campanha, mais do que a frota britânica possuía em todo o seu inventário. Tendo testemunhado um aliado-chave eliminado – e Gaddafi executado por uma turba – os russos decidiram que não poderiam deixar um destino similar acontecer ao ditador sírio Bashar al-Assad.

Submarino nuclear USS Florida lançando míssil de cruzeiro Tomahawk
Submarino nuclear de mísseis guiados USS Florida lançando míssil de cruzeiro Tomahawk
Força-Tarefa de Cinco Nações na Operação Enduring Freedom no Mar de Omã, em 2002
Força-Tarefa de cinco nações na Operação Enduring Freedom no Mar de Omã, em 2002. O porta-helicópteros HMS Ocean aparece ao centro da formatura, logo atrás do porta-aviões francês Charles De Gaulle

O que estava em jogo para Moscou era o acesso fundamental ao oceano – cuja busca tem sido uma constante da política de defesa russa desde a época de Pedro, o Grande. Para garantir que a base naval de Tartus, na Síria, não pudesse ser negada a ele – como aconteceu com a Líbia – a Rússia decidiu que deveria agir.

A principal jogada para garantir o acesso ao Mediterrâneo não veio do Levante, no entanto. Para garantir o bastião naval de Sebastopol, em março de 2014, os russos anexaram a Península da Crimeia. Foi a partir daquela plataforma de lançamento que Moscou realizaria grande parte de sua intervenção na Síria – via carregamentos constantes de tropas e suprimentos e navios de guerra de superfície com mísseis de cruzeiro baseados em Sevastopol que se uniram a operações de submarinos de Tartus e corvetas navegando no mar Cáspio para bombardear “terroristas” na Síria.

Navios russos lançando mísseis de cruzeiro contra alvos na Síria
Navios russos lançando mísseis de cruzeiro contra alvos na Síria

Os americanos, enquanto isso, usaram seus mísseis de cruzeiro lançados do mar para punir Assad por usar armas químicas em seu próprio povo. A diplomacia de mísseis de cruzeiro que por tanto tempo fora exclusividade das marinhas americana e britânica na era pós-Guerra Fria era agora também uma especialidade dos russos. Como se a turbulência no Mediterrâneo oriental e o aumento da tensão no Mar Negro não fossem suficientes, a China começou a exercer uma presença muito maior no mar em 2017, enquanto construía fortalezas em recifes e ilhas no Mar da China Meridional no equivalente marítimo de uma tomada de terras em uma vasta área do oceano.

Pequim também enviou grupos de fragatas e destróieres para o Mediterrâneo, o Mar Negro e o Báltico, enquanto operava um novo porta-aviões (o primeiro dos vários que planeja construir).

Navios de Guerra chineses operando no Golfo de Áden
Navios de Guerra chineses operando no Golfo de Áden

Porta-aviões de ataque e navios de assalto anfíbio continuam a ser os árbitros dos assuntos mundiais e qualquer nação que aspire ser um grande ator naval investiu, nos últimos 20 anos, pesadamente em tais navios, nomeadamente França, Índia, Itália, China, Austrália, Espanha, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA. As ambições da Rússia nesse sentido foram frustradas, mas não quando se trata de submarinos, que estão proliferando como nunca antes. Há duas décadas, previa-se que os submarinos movidos a energia nuclear eram tão caros que seguiriam o caminho dos dinossauros, mas hoje eles florescem, assim como os avançados submarinos de propulsão convencional.

Esses são apenas alguns dos contornos de uma cena naval complexa e em rápida evolução, tão diferente de onde estávamos em 1998, quando esta revista começou. Seria maravilhoso poder relatar duas décadas depois da primeira edição desta revista que nada mudou, que as marinhas estão lutando para encontrar emprego, que as espadas se transformaram em arados.

Infelizmente, estamos agora em uma era de corridas armamentistas navais, conflitos e homens fortes que buscam levar suas nações a mais riqueza e poder. Nesse sentido, a roda da história virou um círculo completo, levando-nos de volta aos velhos e maus dias do poder duro e da força bruta que existiam antes do fim da Guerra Fria.

O porta-aviões chinês Liaoning e seus escoltas
O porta-aviões chinês Liaoning e seus escoltas

FONTE: WARSHIPS International Fleet Review, maio de 2018

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Rafa_positron
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Rafa_positron

Realmente, o uso dos Kalibr foi um divisor de águas e surpreendeu muita gente… a partir dai, mudou muito a percepção em relação às novas capacidades da VMF (e das FFAA da Russia como um todo)… Claro que os russos tem muito caminho pra percorrer, mas em relação ao patamar em que estavam no inicio dos anos 2000, os caras conseguiram realmente se levantar e mostraram uma renovação substancial….

Já os chineses, esses dispensam qualquer comentário!

filipe
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filipe

Os chineses são fogo de palha, nunca foram testados em combate, o dia que forem veremos se são realmente grande coisa, o que eu não acredito. Russos e Americanos tem o sangue temperado em batalhas, tirando os Japoneses e Alemães, não vejo mais ninguém, o mundo já não terá grandes batalhas navais, será sempre a disuasão nuclear a definir a tatica naval e aero-naval, seja lá qual for a Guerra ele será sempre feita nas profundezas dos oceanos por submarinos e drones submarinos, agora teremos a era dos misseis hiper-sonicos , nesse caso o Brahmmos -Indiano e muitos projectos do… Read more »

Delfim
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Delfim

Não há monopólio imperial que dure. Sempre ascende um oponente.
A própria natureza abomina a idéia de uma espécie indefinadamente suprema. Um dado momento surge uma espécie rival, mudança global, doença ou praga.
.
Os mares ainda serão o teatro aonde as riquezas e as potências transitam, por muito tempo.
.
Quando o Brasil, debruçado sobre o Atlântico, seguirá o caminho de Portugal, igualmente debruçado ?

Rafa_positron
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Rafa_positron

“Quando o Brasil, debruçado sobre o Atlântico, seguirá o caminho de Portugal, igualmente debruçado ?”

Eu acho, na minha opinião, que a MB está na estrategia correta!
O Prosub será a garantia de que o Brasil terá uma marinha respeitável daqui a uns anos…e os investimentos e radares e misseis nacionais como o MANSUP, serão um ponto de inflexão nas capacidades da MB

E pq não pensar em um AV-MT 300 navalizado?

Sou otimista em relação à MB

FRL
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FRL

👍

Pedro
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Pedro

Como assim debruçado como Portugal, refere se comparativamente ao império que foi ou que o país está numa situação de joelhos para com o mundo?

Esteves
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Esteves

O USS Florida disparou 99 mísseis, mais que todo o inventário disponível dos ingleses. Um submarino. Cem mísseis. Não sei o tamanho da frota nem o estoque de mísseis dessa gente, mas volto a pensar pra que investir em marinha oceânica aqui? Costeira já não tava bom? A importância das marinhas de guerra não somente como negação do uso do mar, de controle de águas, mas principalmente como projeção de poder terrestre como a enorme salva de mísseis recentemente vista na Síria (russos, americanos, franceses, não sei se ingleses também dispararam), é uma abordagem complexa. Esse fato irá reconfigurar o… Read more »

Guina
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Guina

Hm, substituir 100% os canhões pelos mísseis? Tentaram algo parecido com aviões na guerra do Vietnã e não deu muito certo.

Pedro
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Pedro

O canhão principal dos navios está bem vivo na minha opinião, todos os que acharam boa ideia tirar voltaram a pôr a seguir… ^^

Mk48
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Mk48

Concordo com você Pedro.

Na década de 1980 a Inglaterra incorporou a classe Type 22 de fragatas, das quais posteriormente o Brasil as comprou, e que tinham como principal característica a ausência de canhões.

Não deu certo, tanto que nas type 23, sua sucessora, já voltaram a incorporar os canhões.

Ademais, o custo de um míssil está longe de ser barato e não dá para ficar afundando navios de menor valor com mísseis, sai muito caro.

Dalton
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Dalton

“48”…
.
só um pequeno reparo…as 4 T-22 “Batch III” encomendadas a partir de 1982 e comissionadas antes das T-23s, receberam um canhão de 4,5 polegadas para uso principalmente como apoio de fogo à tropas em terra.

Mk48
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Mk48

Dalton,

Grato pela informação.

_RR_
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_RR_

Esteves,

Primeiramente, o canhão de grande calibre não é apenas uma arma ofensiva… Assume também papel defensivo, contribuindo para defesa aérea ao utilizar-se a munição apropriada.

O desenvolvimento de projéteis assistidos também desponta como divisor de águas, concebendo uma meio de atacar estando a centenas de quilômetros de distância, a custo inferior a mísseis.

Ou seja, o canhão está bem vivo… E o provável futuro é o Railgun e o Laser, cujo desenvolvimento já alcança estágios avançados entre americanos e chineses…

Esteves
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Esteves

É isso.

Alex Barreto Cypriano
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Alex Barreto Cypriano

Canhões pra NSFS já eram, acabaram: o Zumwalt provou isso à larga. Só existem canhões em navios como existem armas de mão pra tripulação: um último recurso a ser usado em situação específica (pra não falar em motivações heteronomas como a manutenção das indústrias que os produzem). O mesmo não sucede com armas de menor calibre e tiro rápido, autocanhões, como os mk15, os velhos bushmasters, os mk38, os mk42, mas todos eles um tipo de defesa próxima contra aeronaves, mísseis ou fast attack crafts, nunca pensados pra dar porrada à distância ou cobrir desembarque de fuzileiros. Não se usa… Read more »

Alex Barreto Cypriano
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Alex Barreto Cypriano

Corrijo: onde se lê mk42, leia-se mk46. E as AGS são as mk51.

Alex Barreto Cypriano
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Alex Barreto Cypriano

Bom artigo retrospectivo. Sob toda pax se escondem conflitos terríveis e abundantes banhos de sangue relativamente inúteis. Ocorre, apenas, que continua a moratória de agressão direta entre potências, que operam cuidadosamente pra não cometer um erro tipo ELE. De fato, marinhas são a linha de frente da diplomacia, agora potencializadas com meios pavorosos de projeção de destruição convencional, incluída a façanha de invadir um landlocked country naquele quadrante do mundo onde Judas perdeu as botas e se recusa em ir buscá-las. Na época dos estados nacionais, guerras terríveis eram travadas no esforço de afirmar uma nação contra as outras, mas… Read more »

Camillo Abinader
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Camillo Abinader

“Os chineses são fogo de palha”…
Pérolas assim so se houve no Brasil…

HMS TIRELESS
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HMS TIRELESS

“não so no Oriente Médio mas no mundo, o poder americano em total declínio”

Pérolas assim também só se ouvem no Brasil…rs!

Mauricio R.
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Se eles os chineses são fogo de palha, não sei ao certo, mas que estão devendo ah isto estão.
O Vietnam não precisou de muito para humilha-los em 1979.
Os americanos menos ainda, mas somente até a chegada do Obama, depois ficaram somente no discurso.

Rafa_positron
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Rafa_positron

“1979”

Nós estamos às beiras do ano de 2019… e o cara falando em 1979

O tempo parace que não passa pro pessoal daqui

Como se de 1979 pra cá NADA tivesse mudado….

Bardini
Visitante
Bardini

“Parecia que os “bens comuns mundiais” do mar não eram tão plácidos depois de tudo. Um ator na missão antipirataria foi a China, que enviou novos navios de guerra altamente capazes para se juntarem ao esforço multinacional da Somália.”
.
No lado do Atlântico Sul eles tem ampliado sua influência, inclusive, vendendo material para muito países.
Os Nigerianos, que chegaram a comprar navio brasileiro também entram na conta:
http://www.navyrecognition.com/index.php/news/defence-news/2016/september-2016-navy-naval-forces-defense-industry-technology-maritime-security-global-news/4396-china-delivered-qnns-unityq-second-p18n-offshore-patrol-vessel-to-nigerian-navy.html

Willber Rodrigues
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Willber Rodrigues

Interessante essa 10° foto. Dá uma noção do tamanho do PH Atlântico comparado a porta-aviões. Fico imaginando o Atlântico ao lado do NaE São Paulo.
No mais, excelente artigo.

Pedro
Visitante
Pedro

Fragata da marinha portuguesa na terceira foto ^^… Não fazia ideia que o meu país tinha operado com navios ali, sabia só das botas no solo, navios não.

USS Montana
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USS Montana

A MB tem que tomar como exemplo as marinhas dos países derrotados na 2a guerra, Alemanha, Itália e Japão, forças de autodefesa bem armadas, profissionais e prontas pra ação. Não somos um povo ofensivo, não temos esse impeto dentro de nós, sempre fomos conciliadores e solidários, agora com a aquisição do Atlântico isso será reforçado. Temos que nos integrar com as FFAAs do continente pois há sim ameaças e interesses estrangeiros sobre nós e as autoridades tem que abrir os olhos com isso.

USS Montana
Visitante
USS Montana

Ops, esqueci, E integrar as nossas 3 forças, sem ciumes e animosidades, somos um só povo.

Alex Barreto Cypriano
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Alex Barreto Cypriano

A integração latinoamericana, a militar inclusive, um desiderato esquerdista, está em progresso. Uma vez concluída, a nacionalidade brasileira será riscada do mapa, reabsorvida na ‘espanholidade’ degradada do restante da América latina. Por assim dizer, é a destruição da nossa substância histórica. Espero que os militares, tão amantes da pátria, saibam disso…

Mk48
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Mk48

Que conversa é essa ?

Não se consegue nem colocar o Mercosul para funcionar direito e você vem com esse papo ?

Hahahaha.

Alex Barreto Cypriano
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Alex Barreto Cypriano

As vezes, o que não se vê ou ouve é o que te mata… Julgar a realidade pela aparência é sempre arriscado. Todo mundo prefere sequências causais evidentes e superficiais, ainda mais se estiverem documentadas nas paginas dos diários…
Enfim, fica apenas como um papo…

USS Montana
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USS Montana

????????????

Dalton
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Dalton

“As ambições da Rússia nesse sentido foram frustradas, mas não quando se trata de submarinos, que estão proliferando como nunca antes.” . Achei exagerado…desde que o século XXI começou, os russos completaram… – 3 SSBNs classe “Borei” construídos aproveitando a parte dianteira de 3 SSNs classe “971” que tiveram a construção suspensa afim de acelerar a construção…o que no primeiro da classe não materializou-se…levou 18 anos até ser comissionado e substituíram um número maior de velhos “Delta III”; . – 1 SSN “971” que foi terminado com ajuda financeira da Índia e encontra-se hoje arrendado à marinha indiana até 2022;… Read more »

Ricardo
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Ricardo

A marinha do Brasil tem vários problemas, mas hoje o mais importante é a falta de navios de escolta pesados e navios de patrulha oceânica. Penso que seriam necessários pelo menos uma dúzia de cada tipo. Do jeito que as coisas se desenham vamos ficar com as quatro CCT’s, quatro submarinos convencionais (talvez um nuclear daqui a 10 anos se não houver mais atrasos, que vai passar muito mais tempo na base que navegando por causa dos custos de operação) e algumas fragatas (pensando nas Tipo 23) e um porta helicópteros. Não vejo aí um planejamento coerente, pensando em termos… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
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Planejamento nunca faltou na MB, sempre existiu, em profusão.

A execução dos planejamentos é que se dá por surtos, sem se conseguir viabilizar reequipamento de forma contínua (e houve planejamento pra isso também), por razões econômicas e políticas variadas.

Aqui no site tem planos e suas revisões dos últimos dez anos. Basta digitar PEAMB, PAEMB, END e ler. E também há os planejamentos de contingência, entre os quais a da classe Tamandaré, e está nos planos adquirir mais do que quatro – mas tem que começar por um número factível pra viabilizar.

Esteves
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Esteves

O que não falta na Defesa e na Marinha Brasileira é plano. Eu ia escrever o que o Fernando escreveu, mas já que ele o fez, não precisa. Livro Branco, PAEMB, PEAMB, PROSUB, PROSUPER. Há outros. As aquisições de “oportunidade” também são realizadas após avaliação. Não são espaços. Não há surtos. Basta buscar Ocean no site do Poder Naval. Notem há quantos anos o Ocean estava sendo acompanhado pela MB. Há quantos anos o site publica matérias sobre o navio? Foi uma evolução. De fatos. A aquisição do Atlântico mostra como a MB pode ser dinâmica. Como todas as marinhas… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Trusted Member

“Não há surtos.” Esteves, Claro que há surtos. Independentemente de haver planos, para a execução dos mesmos o fato é que historicamente isso se deu, em especial nos 150 anos desde a Guerra do Paraguai e na década que a precedeu, em surtos, quando se trata da aquisição de navios novos, seja por construção no exterior, seja aqui no Brasil, e mencionei isso no meu comentário. Uma coisa é o planejamento, que em geral, também historicamente, já leva em consideração as condições políticas e econômicas do país, pois a Marinha não é um ente à parte do Brasil e em… Read more »

Esteves
Visitante
Esteves

Surtos. Quantidades acima do normal. Cobiça. Ganância.

Entendo a explicação de pontualidade, necessidade, imediatamente. Entendo a explicação histórica.

Mas não noto os sinônimos que citei acima nas compras de oportunidade da MB.

Nilson
Visitante
Nilson

“Fernando “Nunão” De Martini 1 de julho de 2018 at 19:34 E também há os planejamentos de contingência, entre os quais a da classe Tamandaré” Nunão, acho interessante pontuar que a classe Tamandaré, bem assim a revitalização das FCN, tornou-se um planejamento de contingência devido ao fracasso do ProSuper. Mas, na verdade, Corvetas Nacionais era o plano de longo prazo, gestado nos anos 80, construção de 16, depois 12, corvetas em estaleiros nacionais. Que também fracassou, pois em quase 4 décadas somente foram construídas 5. Entendo (mais ainda, espero) que a classe Tamandaré seja a retomada do correto planejamento original,… Read more »

Esteves
Visitante
Esteves

Excelente.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Trusted Member

“Nunão, acho interessante pontuar que a classe Tamandaré, bem assim a revitalização das FCN, tornou-se um planejamento de contingência devido ao fracasso do ProSuper. Mas, na verdade, Corvetas Nacionais era o plano de longo prazo, gestado nos anos 80, construção de 16, depois 12, corvetas em estaleiros nacionais.” Sem dúvida. Ambas iniciativas, a do Prosuper (5 fragatas + 5 NPaOc + 1 NApLog) e a das Corvetas existiam, mas em ordem diferente de prazos e prioridades. As corvetas foram para cima na prioridade quando as perspectivas de se viabilizar o Prosuper naufragaram. “Motivos? Merecem mais estudos. Com certeza muito além… Read more »

Nilson
Visitante
Nilson

Esse é realmente o grande desafio. “Ordinarizar” um valor destinado ao reaparelhamento, pelo menos o básico, distribuído em programas de longo prazo, diluindo o financiamento ao longo do tempo. . Possível?? A história indica que não, mas deveria ser uma meta. Deixar o reaparelhamento ao sabor das circunstâncias é terrível. Não é o que ocorre nas principais forças (USA, China, Rússia, Inglaterra, França), que apresentam programas de longo prazo, e mesmo em forças menores (ex: reaparelhamento australiano, lei do cobre no Chile, compra dos navios belgas/neerlandeses, etc). . O Chile, aliás, está correndo o risco de dar um passo atrás,… Read more »

Camargoer
Visitante
Camargoer

Nilson. As forças armadas brasileiras deveriam aumentar o uso de recursos tecnológicos, reduzindo o tamanho do efetivo. Também acho que seria importante reduzir as operações de GLO (os problemas são de polícia). Além disso, é fundamental que as forças armadas adquiram nacionalmente os equipamentos de baixo teor tecnológico.

Nilson
Visitante
Nilson

Concordo, Camargo, grande quantidade de órgãos públicos está reduzindo ou estabilizando a quantidade de pessoal aumentando o uso de recursos tecnológicos. Imagino que nas forças armadas também é possível. Quanto a reduzir as GLO, creio que será difícil no curto e médio prazo, a criminalidade infelizmente atingiu níveis muito altos, as polícias não dão conta mais, com os orçamentos estaduais detonados. Ainda mais com a ajuda negativa dos corruptos, que além de todas as mazelas por eles causadas ainda obrigam ao grande dispêndio de recursos policiais para sua repressão. Concordo também que armas básicas, munições, veículos “normais”, tudo tem mesmo… Read more »

Dalton
Visitante
Dalton

Os Navios de Assistência Hospitalar classe Oswaldo Cruz foram financiados pela SUNAMAN (marinha mercante)…o que se encaixa no que o Nunão escreveu sobre “navios de pequeno porte” usando recursos de “fonte não ordinária”.

Giovane
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Giovane

Sei que não tem nada haver com a reportagem mas, em relação ao torpedo pesado Brasileiro, oque foi feito dele apos a venda da mectron?

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Trusted Member

Giovane,
Conforme foi possível apurar a respeito recentemente, junto ao almirante Koga que respondeu às mais variadas questões quando de nossa visita no início de junho a Itaguaí, o programa do torpedo pesado está no momento com organizações da Marinha após sair da Mectron.

O programa não está definitivamente parado mas, também, não tem como avançar muito no momento nessa situação. Uma informação positiva é que pessoal da Mectron que trabalhava nesse programa dos torpedos acabou sendo absorvido pela Marinha.

A Marinha continua a ter nos seus planos o desenvolvimento e produção local de torpedos pesados, conforme nos foi informado.

Juarez
Visitante
Juarez

O colega Nilson foi perfeito na análise, e fez uma afirmação importantes, pois infelizmente, a maioria dos planos e prioridades mudam com os comandos. A situação atual da MB muito se deve ao “embarque” do comando anterior e do almirantado na viagens na maionese do Brapfil Puthênfia, algo para alguns de nós aqui, que parecia óbvio, e infelizmente não adiantou falar, falar, falar e falar incansavelmente, a dispersão do pouco dinheiro em projetos mirabolantes foram se seguindo e agora temos aí 110 milhões de dólares enterrados nos A 4, mais uns 75 milhões no Tracker, mais 100 milhões de euros… Read more »

Alex Barreto Cypriano
Visitante
Alex Barreto Cypriano

Tudo relacionado aos meios navais encareceu absurdamente nas últimas décadas mercê da complexidade dos sistemas de armas, C4ISR, de requerimentos algo equivocados e da cobiça da BID do primeiro mundo. Se, pra eles, tá tudo caro, imagina pra nós, os perdedores acomodados da competição econômico-tecnologico-politica…