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A evolução da estratégia naval brasileira (1991-2018) – parte 2

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NAe São Paulo e NAeL Minas Gerais
NAe São Paulo (A12) e NAeL Minas Gerais (A11), navegando juntos em 2001. Foi o único momento em que a Marinha do Brasil teve dois porta-aviões operando simultaneamente

“Esquadras não se improvisam, e as nações que confiam mais em seus diplomatas do que nos seus marinheiros e soldados estão fadadas ao insucesso. Temos excelentes diplomatas, mas uma esquadra moderna leva mais de dez anos para ser projetada e construída, quando se tem os recursos materiais, financeiros e a tecnologia necessária.”Ruy Barbosa, em “Cartas de Inglaterra”, correspondência remetida ao Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, no fim do século XIX


No início da década de 1990, a Marinha do Brasil tinha como capitânia o Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais (A11). Adquirido da Inglaterra no final dos anos 50 e modernizado na Holanda antes de ser incorporado à MB em 1960, o Minas operava desde então com helicópteros da Aviação Naval e aviões de patrulha antissubmarino P-16 Tracker da Força Aérea Brasileira.

Enquanto os helicópteros da MB eram constantemente modernizados, como os SH-3 Sea King, que receberam inclusive mísseis Exocet AM39 para missões antinavio, os aviões P-16 da FAB continuavam com equipamentos dos anos 70.

Em 1988, a FAB tinha dado início ao processo de conversão dos P-16 Tracker em S-2T turboélice. A empresa canadense IMP foi selecionada e um exemplar (P-16E 7036) foi enviado ao Canadá para conversão.

De volta ao Brasil já como P-16H turboélice, o 7036 fez testes de pousos e decolagens a bordo do NAeL Minas Gerais em 21 e 22 de março de 1991.

Infelizmente, vários problemas técnicos surgiram e a crônica falta de recursos da FAB levaram ao cancelamento do programa.

Os P-16 da FAB realizaram a última operação a bordo do NAeL Minas Gerais em 13 de agosto de 1996.

P-16H da FAB prestes a decolar do NAeL Minas Gerais
P-16H turboélice da FAB na catapulta do NAeL Minas Gerais
NAeL Minas Gerais escoltado pelo contratorpedeiro Mariz e Barros (D26) e por uma corveta classe "Inhaúma"
NAeL Minas Gerais escoltado pelo contratorpedeiro Mariz e Barros (D26) e por uma corveta classe “Inhaúma”

A Marinha recupera o direito de operar aeronaves de asa-fixa

Com a desativação dos P-16 Tracker pela FAB, a Marinha trabalhou para recuperar o direito de operar aeronaves de asa-fixa, devido ao decreto de 1965 do Presidente Castelo Branco que determinou a operação cooperativa da FAB e da MB a bordo do NAeL Minas Gerais, para resolver de uma vez por todas a disputa das duas Forças sobre a operação do grupo aéreo embarcado no navio.

Em 1997, o então presidente Fernando Henrique Cardoso autorizou a volta das operações da asa-fixa pela MB.

No mesmo ano, a Marinha decidiu adquirir aeronaves de asa fixa para a bordo do Minas. Acabou fechando negócio com o Kuwait para a transferência de caças A-4 Skyhawk. Esses aviões, adquiridos da Força Aérea do Kuwait, compreendiam 23 células, sendo que deste total, 3 biplaces (TA-4KU) e 20 monoplaces (A-4KU), que vieram com motores adicionais e mais de 200 mísseis ar-ar AIM-9H Sidewinder.

Jato AF-1 Skyhawk posicionado na catapulta do NAeL Minas Gerais
Jato AF-1 Skyhawk posicionado na catapulta do NAeL Minas Gerais

 

Os A-4KU, designados como AF-1 na Aviação Naval brasileira, chegaram a realizar pousos e decolagens a bordo do NAeL Minas Gerais, mas ficou patente que o navio era lento para a realização de pousos dos jatos com segurança. A Marinha precisava de um novo navio-aeródromo.

A França oferece o PA Foch

A MB vinha estudando há anos o problema da substituição do Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais que, mesmo tendo passado por várias modernizações, dificilmente poderia ter sua vida estendida além do ano 2005.

Existiam duas linhas de ação a serem seguidas: a construção de um navio-aeródromo no país (algo que exigiria um investimento de cerca de US$500 milhões na época e levaria cerca de 8 anos para prontificação) ou uma compra de oportunidade, que poderia custar apenas uma fração de um navio novo.

A desativação precoce do porta-aviões francês PA Foch com a entrada em serviço do NAe nuclear Charles De Gaulle na Marinha Francesa, e por outro lado, a intenção da França em alargar ainda mais sua fatia no mercado militar brasileiro, acabaram por convergir os interesses dos dois países na realização de um acordo para a transferência do navio.

Em 6 de abril do ano 2000, um grupo-farefa francês capitaneado pelo NAe Foch fez escala no Rio de Janeiro, já com oficiais da Marinha do Brasil a bordo, os quais embarcaram no navio a convite da França para uma avaliação técnica. Depois de alguns meses de negociações, o Foch foi adquirido pelo Brasil por 88,5 milhões de francos (US$ 12,2 milhões) e finalmente transferido para a Marinha do Brasil em 15 de novembro de 2000, no porto de Brest.

PA Foch visitando o Rio de Janeiro, no ano 2000

Depois de 16 dias de viagem atravessando o Atlântico vindo de Brest, na França, o navio-aeródromo São Paulo (A12) chegou ao Rio de Janeiro no dia 17 de fevereiro de 2001.

O NAe São Paulo passou então a operar com a Esquadra Brasileira normalmente até o ano 2005 e também realizou manobras conjuntas com a Aviação Naval argentina, embarcando jatos Super Étendard e turboélices S-2T Turbo Tracker.

Em 17 de maio de 2005, navegando ao largo do Rio de Janeiro, houve o rompimento de uma tubulação de vapor da catapulta, que liberou vapor superaquecido junto a um quadro elétrico, operado por militares em serviço.

NAe São Paulo na ARAEX, com aeronave S-2T argentina na catapulta, em 2002
NAe São Paulo na ARAEX, com jatos AF-1 no convoo e aeronave S-2T argentina na catapulta, em 2002
S-2T argentino decolando do NAe São Paulo
S-2T argentino decolando do NAe São Paulo

O vapor que vazou da tubulação provocou a morte de um tripulante e queimaduras em outros onze. Os feridos foram evacuados do navio por helicóptero do Grupo Aéreo e transportado para o Hospital Naval Marcílio Dias.

Depois do acidente, o NAe São Paulo entrou em Período de Manutenção Geral (PMG) e ficou imobilizado para a realização de manutenção corretiva com a preventiva.

Em 30 de outubro de 2007 o navio realizou testes de mar, mas apresentou problemas em um dos eixos. Foi sua primeira saída para prova de maquinas depois de um período de reparos e modernização em importantes sistemas do navio, dentre elas, as turbinas de propulsão e engrenagem redutora do eixo de bombordo, caldeiras, condensadores principais, sistema de geração de energia, equipamentos eletrônicos de detecção e comunicação, pintura do convés de voo, obras estruturais em conveses internos e externos, catapultas, bem como a substituição de cerca de 2.000 m de redes de água, vapor e combustível do navio. Foi a primeira saída do navio, para o mar após o acidente de de 2005.

Em 2008, o NAe São Paulo foi docado pela segunda vez para reparos nas obras vivas, desde sua incorporação.

Pintura retratando o NAe São Paulo como capitânia da Esquadra Brasileira
Pintura retratando o NAe São Paulo como capitânia da Esquadra Brasileira

Em 2009, dando continuidade ao Periodo de Manutenção Geral (PMG), o navio recebeu o Sistema de Processamento de Dados Táticos Navais – SICONTA Mk4.

Em 2010, realizou testes de máquinas dentro da Baia da Guanabara.

Em 2011, voltou a operar somente com os helicópteros da Força Aeronaval.

Em 2012, ocorreu um incêndio na ante-sala de acesso a um dos alojamentos de bordo, onde estavam quatro tripulantes, deixando dois feridos e uma vítima fatal. No final do mesmo ano o navio realizou outra saída de teste de máquinas.

Em 2013, o sistema SICONTA Mk.4 tornou-se operacional, ampliando a capacidade de comando e controle do navio. Foram instalados também novos equipamentos, como um novo radar de navegação e compressores de baixa pressão, recebidas novas viaturas operativas de manobra de aeronaves. Além disso, três novos diesel geradores iniciaram a fase de testes com carga, sob a supervisão da DEN e com o apoio do AMRJ.

O NAe São Paulo operando com jatos AF-1 Skyhawk
O NAe São Paulo operando com jatos AF-1 Skyhawk e helicópteros da Força Aeronaval

Em 2014, foi divulgado o planejamento que visava modernizar o navio com novos sistemas de propulsão e de energia, e repotencializar os sistemas de lançamento e recuperação de aeronaves.

O planejamento previa que o navio-aeródromo São Paulo iniciaria em junho de 2015 o Período de Modernização de Meio (PMM), logo após a conclusão do projeto detalhado de modernização. O PMM duraria cerca de 1.430 dias.

O navio deveria retornar ao Setor Operativo em 2019, permanecendo em operação por mais 20 anos, até 2039. As principais pontos do PMM do NAe São Paulo eram:

  • a reforma de seu interior, melhorando significativamente as condições de habitação para sua tripulação;
  • substituição de tubulações e fiações;
  • implementação de um novo sistema de propulsão, geração e distribuição de energia;
  • revitalização das fontes de geração de vapor;
  • revitalização geral (com substituição de diversas peças) das duas catapultas, permitindo que ambas lancem aeronaves com até 20,5 toneladas;
  • revitalização (com substituição de diversas peças, incluindo os cabos) do aparelho de parada, permitindo o pouso de aeronaves mais pesadas e de alto desempenho;
  • revitalização (com substituição de diversas peças) de ambos os elevadores de aeronaves, fazendo com que cada um deles tenha a capacidade superior a 20 toneladas;
  • modernização do sistema ótico de pouso;
  • modernização dos sistemas de controle de avarias do convoo e do hangar;
  • modificações e modernização dos sistemas de tratamento de águas servidas;
  • modificações e modernização do sistema de ar condicionado;
  • modificações e modernização das câmaras frigoríficas;
  • modificações e modernização nos sistemas de ar comprimido;
  • instalação de novos sistemas de defesa de ponto;
  • substituição dos radares de busca combinada e de aproximação, integrando-os ao SICONTA Mk. IV; e
  • instalação de novo sistema integrado de comunicações.

A modernização do NAe “São Paulo” permitiria que o projeto e viabilização da construção de seu substituto – com deslocamento de 50.000 e 60.000 toneladas – fossem estendidos, aguardando condições orçamentárias mais favoráveis.

O grupo sueco Saab chegou a oferecer o desenvolvimento de uma versão navalizada do caça Gripen NG, que foi selecionado pela Força Aérea Brasileira para o Programa F-X2. As maquetes do NAe São Paulo e dos caças Gripen navais foram expostas nas feiras LAAD 2013 e 2015.

Maquete do NAe São Paulo com jatos Sea Gripen, na LAAD 2013
Maquete do NAe São Paulo com jatos Sea Gripen, na LAAD 2013

Desativação do NAe São Paulo

No início de 2017, após diversas tentativas de recuperar a capacidade operativa do NAe “São Paulo”, o Almirantado concluiu que o Programa de Modernização exigiria alto investimento financeiro, conteria incertezas técnicas e necessitaria de um longo período de conclusão e decidiu pela desmobilização do meio, a ser conduzida ao longo dos três anos seguintes.

Um programa de obtenção de um novo navio-aeródromo e aeronaves de asa-fixa passou a ser a terceira prioridade de aquisições da Marinha, logo após o PROSUB/Programa Nuclear e o Programa de Construção das Corvetas Classe Tamandaré.

>>> Continua em próximo post…

101 COMMENTS

  1. Em resumo, os franceses deram um golpe baixo, venderam uma sucata cheia de problemas, insistimos, gastamos rolos de dinheiro do contribuinte cego, é no final tá aí, estamos sem porta nada.

    • O problema foi quem o comprou, se deixou levar pela megalomania e gastou nosso dinheiro num projeto caro e obsoleto. Deviam cobrar o dinheiro de quem era o mandatário na época. Se é que vocês me entendem.

      • Não adianta nada ir atrás de cobrar o FHC. O erro é da Marinha e não dele.
        Releia a matéria. A Marinha pediu para operar avião e o FHC só deu a rúbrica. A Marinha quis descontinuar o A-11 e o FHC só deu a rúbrica. A Marinha quis, levada pela propaganda dos franceses, adquirir o ex-Foch porque o preço era uma fração do preço de um novo, e o FHC só deu a rúbrica.
        Não adianta nada ficar botando tudo em cima do presidente, quem quer que ele seja, quando a questão não depende dele, mas do almirantado que tem autonomia para fazer e desfazer. Político entende PN de equipamento militar.
        A MB deveria era ter investido num navio novo desde o início. Que tivesse participado no projeto do CDG ou corresse para os americanos, não importa, mas que fosse atrás de um navio 0km.
        Depois que tivesse o primeiro e precisasse de um capitânia para a segunda frota, aí sim receber um porta-aviões francês quase de graça para tapar um buraco seria uma boa pedida.
        A estratégia foi um erro da Marinha, e terceirizar essa culpa para os “políticos malvadões quinta coluna” não muda em nada esse fato.

    • A experiência com o São Paulo teve algo positivo (no meu ponto de vista), serviu como um bom exemplo que devemos ter os pés no chão, não da pra colocar a carroça na frente dos bois ou como diz aquele outro velho ditado. “É errando que se aprende”, em poucas palavras se resume tudo.

        • Kalac,

          Navios de guerra, e mais ainda os de propulsão a vapor de alta potência, estão sujeitos a acidentes e perdas de vidas desde quando novos. Não faltam inúmeros exemplos.

          O erro de ter deixado de fazer uma grande reforma no NAe São Paulo quando de seu recebimento (seja pensado como erro ou impossibilidade do momento), na minha opinião e levando em conta os inúmeros acidentes até com navios novos ao longo da história e em diversas marinhas, dificilmente pode ser colocado como causa direta dos acidentes que causaram vítimas no São Paulo, por mais lamentáveis e tristes que sejam.

        • sim custou vidas e tenho certeza que foi a maior das lições, aqui no Brasil é assim, o pior tem que acontecer para o poder público tomar providências!!!

  2. Gostei da matéria, muito bem redigida e pesquisada.
    Só não gostei do título, deveria ser : A involução da estratégia Naval brasileira “

  3. Pra mim, como leigo, PA é para projeção de poder. Brasil não tem capacidade de projeção, mal tem de defesa! Não faz sentido ter um PA para operar A4… primeiro tem q ter uma avião naval decente pra depois pensar em PA, pelo menos é assim q eu penso!

  4. Roberto, as vezes é necessário passar pelo Armagedon para depois virar um Fênix.
    Existem duas formas de se realizar a experiência do aprendizado:
    Com “amor” ou com dor, a MB, lá atrás, no período das trevas navais, sob a regência do “Imperador” tomou decisões equivocadas, o coitado do do atual Charlie Mike está tentando juntar os cacos até agora.

  5. Acho o seguinte, o Brasil tá começando a trilhar o caminho certo, uma força de autodefesa, bem armada e integrada. As 3 forças tem que esquecer suas diferenças e se unir, o Atlântico é um exemplo, é um “canivete flutuante”, é um meio que une as 3 forças, cabe as FFAAs saber utiliza lo. Esse navio é o momento de mudar nossas diretrizes, o primeiro com radar 3d, que pode utilizar helicópteros de ataque, Cobras. Enfim, se não houver mais desvios nossas FFAAs tem tudo para continuar crescendo.

    • E eu sugiro que o ex NAe São Paulo seja afundado como alvo por dezenas de MANSUPs, brincadeira, eu sei que não pode ser feito por conta da carga tóxica que esses navios carregam, eu li que o interior dos Clemenceau foram revestidos com amianto, o próprio Clemenceau foi desmantelado num local apropriado na Inglaterra, enfim, temos um problema sério com esse porta aviões.

      • Eu sugiro que vire um museu moderno e vivo isso sim!!!! … interativo, histórico e tecnológico ao mesmo tempo para mostrar ao público leigo e a toda a sociedade como é um porta-aviões, aproximando a Marinha e as forças armadas do povo brasileiro, apresentando aos jovens a carreira militar moderna e multifuncional a serviço da sociedade como mais uma opção de carreira profissional e de grande valor ! (não para fazer guerra… não para reprimir a sociedade mas para protegê-la…). Uma Marinha a serviço da defesa de nossas águas de nosso país e nossa natureza e recursos. Isso sim seria um destino nobre e honroso para o NAe São Paulo.

        • Deviam ter feito isso com o “Mingāo” que foi pra Alang e virou milhões de pregos e parafusos. Esse merecia ser um museu da 2a guerra.

        • O destino realmente seria nobre e honroso, mas no mundo real, você acha que o valor dos ingressos do museu seriam suficientes para mantê-lo ?

      • O correto é:”venda de oportunidade”.
        A França tinha um baita problema com o Foch , grande até de amianto, logo, nada massabio do que achar um “trouxa” para ficar com essa bomba na mão.
        Os engenheiros navais que realizaram a vistoria foram contrários a aquisição do navio, contudo, a política falou mais alto do que a técnica.
        Só para se ter uma idéia, para retirar todo o amianto do São Paulo, o valor gasto séria quase o equivalente a construir um novo, devido tda a cinemática envolvida nesse processo. Viu como os franceses foram espertos! Passaram o macaquinho para o Brasil.
        Agora não podemos nem afunda-lo devido a questão ambiental que está diretamente relacionada ao amianto.
        Lembro que na época foi citado que o francês retirou tdo o amianto. Papo para boi dormir. Kkkk.
        Enfim, o que será feito do São Paulo. Bem provavelmente ele deverá ficar abandonado no cais, roendo alguns milhares de reais por ano. Por fim, sugiro vendê-lo para os chineses, de maneira a ganhar uns trocados com ele e ainda passar o macaquinho (amianto) para os chinas

        • Chuto que a Índia poderia se interessar. Eles precisam de forma urgente de meios para se contrapor à China.

          Mas se ninguém quiser, é possível transformar ele num porta-helicópteros? Em teoria é mais simples, não?

    • Poucos países tem a possibilidade de ter força de autodefesa…..Ou porque contam coma ajuda de um grupinho ou de com a ajuda de uma potência…Quando aperta? Será que vão nos socorrer? Porque tem muitos que se dizem amigos mais poucos ficam quando você não tem mais nada a oferecer (mesmo que seja monentano)…..
      PS: O pensamento abaixo se aplicar em relações entre países
      Devemos ser amado ou temido: Resposta deve-se ser os dois (no caso diplomacia e FFAA) mas entre os os dois:
      “Pode-se responder que todos gostariam de ser ambas as coisas; porém, como é difícil conciliá-las, é bem mais seguro ser temido que amado, caso venha a faltar uma das duas. Porque, de modo geral, pode-se dizer que os homens são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, avessos ao perigo, ávidos de ganhos; assim, enquanto o príncipe agir com benevolência, eles se doarão inteiros, lhe oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e os filhos, mas só nos períodos de bonança, como se disse mais acima; entretanto, quando surgirem as dificuldades, eles passarão à revolta, e o príncipe que confiar inteiramente na palavra deles se arruinará ao ver-se despreparado para os reveses. Pois as amizades que se conquistam a pagamento, e não por grandeza e nobreza de espírito, são merecidas, mas não se podem possuir nem gastar em tempos adversos; de resto, os homens têm menos escrúpulos em ofender alguém que se faça amar a outro que se faça temer: porque o amor é mantido por um vínculo de reconhecimento, mas, como os homens são maus, se aproveitam da primeira ocasião para rompê-lo em benefício próprio, ao passo que o temor é mantido pelo medo da punição, o qual não esmorece nunca.”

      O Príncipe – Nicolau Maquiavel
      PS2: Não to dizendo que temos que ser uma superpotência, mas devemos fazer com que até uma superpotência pensar muitas e muitas vezes antes de pisar no nosso calo……um Dyscophus antongilii da vida?(sapo tomate a cobra pensar varia vezes antes de come-lo mas se fizer isso ela morre junto[!])

      • Bom exemplo Flávio e comentário interessante que vai meio que de encontro ao que ,penso eu, ter sido a estratégia do Kin lá na CN.

  6. Rapaz, eu ainda acho que valeria a pena colocar esse bicho pra funcionar.
    Precisaria de uns 150, 200 milhões de dólares ?

    Ainda assim valeria a pena, possibilitando uma vida útil de mais 15 anos. Caberia até alguns Gripens navais nele.

    Paralelo à isso, um projeto de construção de um NAE próprio teria que ser tocado!

    • O São Paulo? Ele infelizmente tem problemas sérios com relação a propulsão, um dos eixos simplesmente tá torto, sem contar o resto dos problemas com um navio com mais de 50 anos, os acidentes que ele teve foram determinantes, eu tinha um sonho de juventude, a MB ter o São Paulo, um porta helicópteros tipo o Atlântico, dois destróiers classe Spurance como escoltas principais, dois navios como o Bahia e fragatas/corvetas à vontade. Mas as estratégias mudam, torço muito que a nossa marinha encontre um caminho.

    • Concordo com você, o erro não foi do governo que comprou e sim do almirantado que não soube avaliar. A reforma por mais cara que saia custará menos e trará conhecimento a indústria nacional. Aqui é um fórum livre. Opiniões são diversas.

    • Caro Vicente. Segundo uma entrevista do Cmte da MB, seria necessário US$ 1,5 bilhão para atualizar o A12 sem uma garantia do seu funcionamento. Esse valor é maior que a MB irá investir nas quatro “Tamandarés” (da ordem de US$ 1,2 bilhão).

  7. Como não haver desvio, o ministro da defesa acaba de informar que as FFAA do Brasil terão um corte de verbas e, alguns programas terão que sofre diminuição dos investimentos, programa dos subsídios, do gripe, do brindados de transporte de tropas do EB, ou seja todas as armas terão menos recursos, agradeçam sua Ex Temer, junto com Meirelles, durante vinte anos o nosso orçamento tem que continuar o mesmo, viva o Brasil.

  8. Perguntei de leigo
    O Minas Gerais poderia ter sido convertido em porta helicópteros? O estado dele era tão ruim para ser vendido como sucata para alang?

  9. O valor divulgado por meios marinheiros sobre o valor, o que inclui visita técnica realizada por empresa americana, do quanto seria gasto na recuperação do A12 passa de 1,5 bilhões de dólares.

    Não existe Gripen Naval. Ou existe. Em maquetes.

  10. Ao aprender com os mestres do assunto, permitimo-nos dar um pitaco.
    .
    A compra do A-12 e dos A-4 foi uma importante inflexão na estratégia da Marinha, que até então, conforme visto na parte 1, se dedicava primordialmente à guerra anti submarina (apesar de sempre ter tido a vontade de tornar-se uma força centrada em porta-aviões de ataque).
    .
    O projeto decolou inicialmente porque os meios, usados, eram relativamente baratos. Creio que na época só se podia fazer elogios à iniciativa. O problema foi o posterior choque decorrente da necessidade de recursos cada vez mais elevados para manter e reformar o A-12 e os A-4, e depois construir o NAe nacional: tais recursos nunca foram conseguidos em quantidade suficiente junto ao patrocinador mor, o Governo, levando o projeto a definhar, e o que foi gasto gerou atrasos e cortes em outras áreas.
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    Interessante notar que o outro projeto relevante da Marinha, os submarinos, começou a definhar com a descontinuidade do Tikuna, e o nuclear também ficou engatinhando durante todo esse período. Em 2008/2013 conseguiu patrocínio, mediante o ProSub, que, apesar dos atrasos, tende a prosseguir, pois já estão firmados os contratos internacionais de financiamento, que cobrem grande parte do custo.
    .
    Com a inviabilização do projeto NAe, e a viabilização do ProSub, a força das circunstâncias levou a uma nova inflexão da estratégia: de força centrada em porta-aviões para negação do uso do mar mediante submarinos.
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    São possíveis várias conclusões, destaco duas:
    – a Marinha tenta fazer suas estratégias, mas não tem conseguido ter governabilidade e continuidade sobre elas; em verdade, quem tem definido as estratégias são os governos, que ora alocam recursos numa, ora na outra, mas certamente influenciados pela própria Marinha, que oferece as alternativas;
    – as estratégias “Porta aviões” e “submarinos” são excludentes entre si, pois concorrem por elevados recursos, com improvável alocação simultânea satisfatória para os dois caminhos.
    .
    Esta análise é uma das razões que me conduz a concluir que a Marinha deve continuar focada na estratégia atual (submarinos e outros sistemas de negação do uso do mar), manter os demais meios em condições mínimas aceitáveis, e principalmente não oferecer a estratégia alternativa (Porta Aviões) ao Governo, sob pena de ela própria gerar a discussão que tem o poder de causar nova inflexão e paralisia, conforme experiências anteriores.
    .
    Ou seja: após decidido um caminho, trilhá-lo firmemente; buscar dois caminhos implica em não chegar ao final em nenhum deles, pois, demonstra a história, só há energia (se houver) para uma caminhada.

  11. Porque não transformar o ex NAe São Paulo em museu? E aproveita alguns A4 também para por no convés. Poderia ser um local para formaturas também. Particularmente eu gostaria um porta-avião.

  12. Sabemos que parte expressiva do custo de um NAe moderno corresponde à aquisição e operação de suas aeronaves embarcadas. Sabemos também que a MB pretende adquirir um novo NAe no futuro e que a FAB pretende chegar a 108 caças Gripen.

    Considerando um cenário onde fosse possível chegar a 108 Gripens e também adquirir um NAe, não seria mais pragmático e menos custoso se a operação de asas fixas a bordo voltasse a ser de responsabilidade da FAB? Do total de 108 Gripens que a FAB pretende, cerca de 80 já substituiriam com certa folga os F-5 e MAX atuais. Os outros 28 poderiam ser da versão Sea Gripen proposta pela SAAB, operando a bordo do futuro NAe (sei que não seria possível embarcar todos simultaneamente, mas talvez algo próximo de 50% do número total) durante suas comissões. Nos períodos de manutenção do NAe ou havendo necessidade de se deslocar estas aeronaves para regiões longe do mar, elas poderiam operar normalmente a partir de bases aéreas.

    • A MB poderia fazer o GF preciona a India há escolher o Gripen M (seria usado em NAe aliados) e comprar unas 20 e poucas aeronaves botar no litoral em quanto a MB vai se modernizando e liberando verbas para o PRONAE.
      Ou parti para SVTOL mas para isso a MB terá que pedir autorização para as peças de reposição serem feitas aqui…… até porque só terá uma unica aeronave que atenda os requisitos.

  13. O grande culpado desse elefante branco ter vindo pro Brasil foi o Governo FHC que tava alinhado ao Francês naquela época .
    Recentemente o Jornalista Ricardo Boechat meteu o pau na Marinha pelo fato de ter trazido esse elefante branco pra cá .
    Mas defendo veemente a Marinha (não tiveram culpa no cartório).
    A própria Marinha Francesa e Governo Francês alertaram dos problemas do Navio e das necessidades para que pudessem operar por mais 15 ou 20 anos na MB.
    O governo Brasileiro ________________ para a advertência do Governo Francês.
    Para se ter uma ideia no dia que ele ia iniciar a travessia França X Brasil já saiu do Porto tocando posto de combate (princípio de incêndio).
    Hoje acredito que a MB não se deixa mais se levar por questões políticas e prevelassa a segurança de seus pares a bordo.
    Lição aprendida a duras penas.

    COMENTÁRIO EDITADO. MANTENHA O BLOG LIMPO.

      • Ricardo,

        Em primeiro lugar , dinheiro para Defesa não é gasto, é investimento.

        Em segundo lugar , se você ainda não entendeu porque se investe em Defesa, não adianta aqui escrever um livro para te explicar.

        • Luis,
          Qual o produto do investimento no recente porta-helicópteros? Os custos de aquisição, manutenção e, operação, são altos. Tem mais de 60 anos que não se dá um tiro real a partir de um navio brasileiro, os engajamentos são de GLO, para os quais somos ponta.
          Além de custos, navios de guerra não geram novos recursos financeiros, nem novos produtos. Na França, que não permitiu que chineses comprassem seus estaleiros, os investimentos em pesquisa de defesa podem ser transferidos as empresas Francesas, Francesas de verdade. E no Brasil?
          Estímulos a publicação de seu livro.

          • …………..em mais de 60 anos que não se dá um tiro real a partir de um navio brasileiro(?) e os exercícios? não contar (?)
            Ter uma arma não que disse que você quer usa-la (a policia não tem o objetivo de ficar atirando em todo momento)
            ter um arma esta mais ligado a dissuadir e revidar uma agressão e outra um PH não só serve para dissuadir como pode ser um=sado em missões humanitárias. Boa parte da população/industria viver no litoral/poucos quilometros ao interior do país….o que significa que sem uma marinha “qualquer” país botar navios com vls e faz a festa seja minando nossa capacidades militar/industrial e reduz certas localidades a pó para invadir e sabe-se lá fazer o que aqui.

            Não há amigos entre países já que os governos sempre mudam e sabe-lá o que pensar o atual/próximo governante.
            &
            Novamente:

            O pensamento abaixo se aplicar em relações entre países
            Devemos ser amado ou temido: Resposta deve-se ser os dois (no caso diplomacia e FFAA) mas entre os os dois:
            “Pode-se responder que todos gostariam de ser ambas as coisas; porém, como é difícil conciliá-las, é bem mais seguro ser temido que amado, caso venha a faltar uma das duas. Porque, de modo geral, pode-se dizer que os homens são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, avessos ao perigo, ávidos de ganhos; assim, enquanto o príncipe agir com benevolência, eles se doarão inteiros, lhe oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e os filhos, mas só nos períodos de bonança, como se disse mais acima; entretanto, quando surgirem as dificuldades, eles passarão à revolta, e o príncipe que confiar inteiramente na palavra deles se arruinará ao ver-se despreparado para os reveses. Pois as amizades que se conquistam a pagamento, e não por grandeza e nobreza de espírito, são merecidas, mas não se podem possuir nem gastar em tempos adversos; de resto, os homens têm menos escrúpulos em ofender alguém que se faça amar a outro que se faça temer: porque o amor é mantido por um vínculo de reconhecimento, mas, como os homens são maus, se aproveitam da primeira ocasião para rompê-lo em benefício próprio, ao passo que o temor é mantido pelo medo da punição, o qual não esmorece nunca.”

            O Príncipe – Nicolau Maquiavel
            PS2: Não to dizendo que temos que ser uma superpotência, mas devemos fazer com que até uma superpotência pensar muitas e muitas vezes antes de pisar no nosso calo……um Dyscophus antongilii da vida?(sapo tomate a cobra pensar varia vezes antes de come-lo mas se fizer isso ela morre junto[!])

    • Forças Armadas, a começar pelas Marinhas, são instrumentos de Política Externa. Somente quem não participa efetivamente das Relações Internacionais, como seria o caso da Costa Rica, abrem mão de possuir Forças Armadas. Além disso, são inúmeros os interesses nacionais do Brasil associados ao mar. Na Holanda, Suécia, Noruega etc nenhuma pessoa informada teria dúvida sobre a necessidade de suas marinhas de guerra.

      • Maravilha Marco,
        Política externa, qual? Antes queríamos projetar a politica externa para o sul, A.Latina e Africa. A Petrobras investia na exploração da costa Atlântica na Africa. Mas, isso gerou muita polemica, mesmo aqui. Ai, sem pretensões internacionais nos parecemos com a C.Rica. Quais os interesses do Brasil associados ao mar?
        Sim, a Noruega vem extrair petróleo no Presal, ela própria não deveria assumir os custos de defesa do investimento dela? Ou nós vamos pagar a proteção das plataformas Norueguesas? Não esqueça que nem impostos eles pagarão no Brasil.
        Preciso de mais informação para entender.

        • Ricardo Carvalho ( 5 de julho de 2018 at 23:14 ),

          Si vis pacem, para bellum… ( Quem quer paz, prepara a guerra… ).

          Essa máxima ainda hoje é atual, pois mesmo em nossos dias ( especialmente em nossos dias, eu diria… ) simplesmente não se pode depender da passividade alheia, e logo muito menos garantir que não haverão ameaças.

          Sempre houveram disputas por qualquer motivo que fosse, seja lógico ou não, que demandaram o concurso da força para serem resolvidas, quer seja pela mera demonstração ou o exercício bruto.

          E um País na posição do Brasil ( estratégicamente localizado no Atlântico Sul, com um mercado consumidor imenso representado pela sua população e riquíssimo em recursos naturais ) simplesmente não pode dispensar suas forças armadas, haja visto ser naturalmente foco de cobiça externa ( e mesmo interna ). É uma “condição natural” deste gigante sul americano ( e assim sendo, inescapável… ).

          Daí que a construção de uma capacidade real de defesa e manutenção da ordem não é coisa para apenas um punhado de meses. É uma evolução contínua, cujo erro mínimo pode significar um lapso minimamente de décadas ( e por vezes irrecuperável ) na manutenção do poderio necessário, e assim colocando um país em situação de vulnerabilidade, que pode, por sua vez, representar o risco de um conflito.

          Evidente que um planejamento detalhado daquilo que é necessário, depende de uma avaliação de ameaças. E no caso específico do Brasil, já se pode adiantar que sua condição natural de potência econômica o coloca naturalmente dentro da alça de mira de atores globais, o que exige em tese investimento condizente para criar uma capacidade dissuasória mínima, a fim de preservar a segurança e a autonomia nas decisões ( soberania )…

          Enfim, sem estender-me demais, pode-se até questionar os planos, mas não a necessidade em si dos investimentos em defesa…

          No caso específico de nossa Marinha, entendo que existe a necessidade de dissuadir qualquer potencial agressor de colocar-se em posição de lançar um ataque missilístico a nossa costa, prevenindo assim o que seria o primeiro passo para uma ação maior. Isso, no custo benefício, se consegue com uma capacidade condizente de negação do oceano em um primeiro momento, seguindo-se então para alguma capacidade de projetar poder sobre a região do Atlântico Sul e assim alinhar-se a países desta região e/ou prevenir que estes se tornem aliados desses potenciais adversários.

          • Caro RR,
            Inicialmente, obrigado pela atenção, e gostaria de dizer que teremos mais oportunidades para aprofundar o debate.
            Por enquanto eu vou analisando melhor as potenciais vantagens e riscos que você mencionou, vou agrupa-las:
            1- O mercado consumidor e a população são fatores mais relacionados a economia do que a defesa. A volta a estagnação econômica nos tira essa vantagem.
            2- Riquíssimo em recursos naturais. Hoje não é necessário uma dispendiosa e arriscada operação militar, com misseis, desembarque, controle aéreo, para ter acesso as nossas riquezas, está tudo à venda. Para que uma guerra?
            3- Eu preciso sair do abstrato e pontuar quais os países que poderiam se lançar numa aventura de agressão naval ao Brasil. A logística difícil e os custos reduz os potenciais agressores as potencias com bases próximas: França, UK, USA,… Outras potencias importantes China, Russia, Israel, … teriam custos tão altos que impedem esse ataque.
            Mais uma vez, veja o caso da Noruega que vai explorar petróleo aqui, através de sua estatal, com isenção fiscal, com acesso ao BNDES e protegida pela MB.
            O Brasil não nega acesso ao seu oceano, a Costa Rica simplificou, dissolveu suas forças armadas.
            Grato

  14. Só para entender… 3 anos para desmobilizar o São Paulo. Significa que ele só irá tomar o caminho do “corte” em 2020 ? É isso ?

    • -Complementando a pergunta aos leitores que puderem esclarecer… O São Paulo terá o mesmo destino do Minas Gerais , ou seja o desmanche de Alang na Índia ?

      • Não, pois a Índia recusar navios com animo….creio que deva ir para alguma empresa especializada….O seu irmão teve sua demolição no R.U. (Able UK)

        • Valew Galante e Flavio
          Só espero que após os dois maiores navios que a nossa Marinha possuiu terminarem dessa forma; eles tenham um critério mais rigoroso e pormenorizado ao adquirir novos navios “usados”, que pelo no caso do PHM Atlântico será a exceção.

          • Roger, não entendi. Você está dizendo que o Minas Gerais, no fim da década de 50, não foi uma compra com critérios rigorosos?

          • Nunão acho que é critérios ambientais que Roger se refere…..Embora que na época de construção dos navios (quase )ninguém pensavam em salva o planeta……….

  15. Oh, puxa, o Mingão é lento pro pouso do Skyhawk novinho de segunda mão. Ninguém olhou as especificações, foi um esquecimento justificado pelo entusiasmo. Hehehe.
    Cada uma…
    Era pequeno.

    • Na época era o que mais se aproximava das especificações para um navio aeródromo ligeiro da segunda guerra. Lembremos, na segunda Guerra, aviões a jato não eram protagonistas ainda. Entao, não exija tanto assim do minguão, não tem um marinheiro daquela época q não fale sobre ele saudosamente.

      • O Minas Gerais, quando novo e modernizado no início dos anos 60, era compatível com jatos de pequeno porte embarcados de sua época, como o britânico Hawker Sea Hawk.

        E mesmo os A-4 Skyhawk das primeiras gerações contemporâneas ao navio eram mais compatíveis que os A-4 das últimas gerações (como o A-4KU, uma das últimas versões fabricadas) que vinham mais pesados para enganchar.

        • Basta comparar, na primeira foto da matéria, quão pequeno era o NAeL com o NAe, já de dimensões modestas comparado com CVA classe Forrestal. O angled deck do mingao era curto demais mesmo pros Skyhawk. E a MB sempre esteve certa em usar o Minas pra ASW, os EUA fizeram o mesmo com velhos CVs transformando-os em porta helis. Porta avião, lato, mesmo, só podia ser aqueles do mais stream, o resto é improvisação. Será que na MB reina aquele espírito de malícia infantil de quem compra as rodas e espera que o pai compre o resto do carro?

          • Alex,
            Outros navios aeródromos ligeiros da mesma classe ou de classe seguinte à do Minas Gerais, de construção britânica e com porte e configuração semelhantes, serviram na Holanda, na Austrália, na Índia, na Inglaterra e Argentina operando jatos navais de pequeno porte. As dificuldades técnicas eram contornáveis. Tornaram-se mais complicadas tempos depois, conforme os jatos ficavam cada vez mais pesados, mesmo os pequenos como o A-4 (cujas versões iniciais eram mais leves) e os navios ficavam mais velhos, tornando por sua vez mais difícil atingir a velocidade adequada (gerando vento relativo no convoo) para lançar e recolher aeronaves dentro dos limites de segurança.

            Sobre o que a Marinha pensava ou não na época a respeito de porta-aviões, não adianta teorizar com base no que foi possível ela fazer, é preciso pesquisar com base no que ela pretendia fazer, mas não conseguiu devido ao embate com a FAB. E posso te dizer que não era só ASW, pois eu pesquisei a respeito.

        • O que eu quis dizer Nunão é que o Minas já era um navio operando as aeronaves a jato que operavam já no seu limiar das suas especificações se operando Skyhawks, dependendo de “N” situações de mar e vento para operar, enfim,. O passo natural até ao São Paulo é compreensível pela bagatela que foi sua aquisição, suas condições não boas mas aceitáveis, demos azar, ludibriados pelo brilho nos olhos.

          • Cordeiro, não questionei você, eu busquei complementar seu comentário, e na sequência colocar cada decisão em sua época e contexto, questionando o Alex.

        • A velocidade de stall do A-4D era uns 85 nós ao passo que a do A-4M (mais de três mil libras mais pesado que o anterior) chegava a 105 nós. A velocidade de aproximação é calculada em pelo menos 5% a mais que a Vstall. Mas, de toda forma, o WOD (wind over deck) é apenas um dos fatores a considerar no lançamento e na recuperação seguros (angulo de ataque, campo de visão, capacidade dos cabos de retenção, sensibilidade da resposta das turbinas, etc, são outros) e nunca demandou grande velocidade do porta aviões, pro F-18, nem precisa um WOD mínimo, que, em geral fica mesmo na casa de 15 a 25 nós. É muito prejudicial WODs acentuados pela turbulência criada na zona de toque do convôo. Opino que a longitude do angled deck do Minas era incompatível com o escape do A-4KU…

  16. Imagino que os engenheiros navais da MB estejam analisando/estudando todo o PA São Paulo, nos mínimos detalhes, para no futuro projetarem um PA nacional, quem sabe até nuclear quando desenvolver um reator compatível. Tudo é possível. Engenharia reversa existe. Quem sabe o PA São Paulo ainda vai render frutos.

  17. Deixa eu fazer uma pergunta um tanto quanto sem noção (pura curiosidade e desconhecimento): Esse navio poderia ser ofertado assim… digamos… tipo grátis? Julgando é claro, se houver interesse por parte de alguém que acha que pode, de alguma maneira, ser vantajoso.

    • Provavelmente devido ao amianto contido nele é exatamente isso o q irá ocorrer na melhor (bota melhor nisso) das hipóteses.

  18. O Nae São Paulo foi uma boa compra de oportunidade os Naes oferecidos pelos EUA eram muito mais caros de operar que o São Paulo e mais detonados. O problema do Nae São Paulo foi a falta de $$$$$ para passar por manutenções preventiva, preditivas extensas.

    • Exatamente. Muitos aqui parecem que ainda não se deram conta que a MB não tem recursos e ai fazem uns comentários autistas.

  19. Aí eu te pergunto. Pra que a MB queria um NAe? Ia atacar alguém? Participar de alguma coalizão? Nessa época o Brasil já almejava uma vaga no conselho de segurança da ONU?
    Acho que isso foi mais pra ser uma demonstração de força do que necessidade, mas os almirantes meteram os pés pelas mãos comprando uma lata-velha francesa.

  20. O que a falta de interesse por parte do GF faz, se houvesse vontade política o A-12 seria reformado e modernizado para durar no mínimo mais umas duas décadas e todo no estado da arte como se fez com o PA chinês (se não me engano), pois percebe-se que tudo girou mais pela falta de dindin pra fazer o serviço do que no tipo de problema a ser resolvido. Triste, ainda não se leva defesa nacional a sério no Brasil.
    Mais um motivo pra parabenizar a atual liderança da MB que está fazendo muito com pouco $$ que goteja por lá .

    • Concordo plenamente caro Tomcat. Agora com o Atlântico poderiam começar a pensar na revitalização do São Paulo visto que a marinha chinesa comprou uma sucata praticamente e hoje é um porta aviões no estado da arte. Ao meu ver, fazer isso acontecer só depende do almirantado. Imaginem nossa esquadra com o Atlântico e o São Paulo lado a lado? Com o radar ARTISAN do Atlântico fazendo a varredura seriamos uma Força temida na AL. Mas como eu disse, falta interesse.

  21. A China, reaproveitou o casco de um porta aviões desativado e projetou um PA novo com sistemas ultra- moderno e com um custo muito menor. Inclusive levaram menos tempo do que necessário para construir. O Brasil poderia fazer o mesmo com troca de tecnologia.

      • Sinto te informar mas dinheiro tem aos montes só que está em poder dos bandidos que nos desgovernam e que n,além de não serem patriotas e darem a mínima pro país, são avessos as forças armadas.

        • Tomcat4.0,

          E esse dinheiro “aos montes no poder dos bandidos” está disponível? Quando estará? Quando será possível às Forças Armadas ou a diversas outras instituições que igualmente carecem de recursos contar com ele? Dá pra Marinha fazer planos de reformar seu porta-aviões, adquirir novos escoltas, submarinos etc com esse dinheiro roubado?

          Retórica não vai trazer recursos de fato para reequipamento das Forças Armadas, independentemente da necessidade e urgência de se combater toda essa roubalheira da política. Sem falar que esse país foi enfiado numa das maiores crises econômicas, senão a maior, de sua história, piorando ainda mais os prognósticos de recursos.

  22. Tambem acho que deveríamos seguir o modelo chines. Imaginem nossa esquadra com o Atlantico e o São Paulo? Melhorar isso seria dificil. Depois é so vir com o Wave e as Tamandarés e pronto, tá feita a festa!

  23. Toda visão de estratégia de nossa marinha depende de uma visão de nossa sociedade brasileira pois ela precisa ver a grande importância que a nossa marinha tem pois além de suas obrigações institucionais e nos representa mundo a fora ,sendo de suma importância para defender nossos ideias e interesses no Atlântico e Costa africana de maneira eficiente e responsável.

  24. Embrulha o estômago toda hora ver citação a argentina…a estratégia é se aliar aos poderes navais americano e inglês e evitar qualquer mudança desfavorável no Atlântico Sul, contibuir para manter as linhas com América do Norte, Europa e Oriente livres de instabilidades, evitar que nossa ZEE marítima e de nossos vizinhos seja contestada como vem acontecendo, trabalhar para manter a paz entre nossos aliados e fomentar a produção de riquezas no Atlântico Sul, Caribe, África Atlântica e Antártica.

  25. Agora que a Argentina quer ter SUBNUC querendo terminar de montar um convencional que está parado a décadas não seria uma boa oferecer o São Paulo para eles transformarem ele em nuclear?

  26. Se é verdade que esquadras não se improvisam, também é verdade que não se as compra com dinheiro, como em geral tem sido, desde duzentos anos atrás, a mentalidade dos obtusos neste quadrante do orbe. Se o problema da MB fosse só dinheiro, isso se resolvia; mas o problema é histórico. Uma esquadra, mesmo no século dezenove, é o resultado de experiência, trabalho e conhecimento acumulados (é como riqueza de familia, bem de raiz, passando cuidadamente de uma geração à outra, conservada e ao mesmo tempo incrementada e desenvolvida). Hoje, é um complexo de sistemas de sistemas, baseado em pesquisa contínua, setor industrial de defesa florescente e fartas quantidades de dinheiro, ou seja, baseado em capital e economia. E o Brasil é uma nação onde o espírito indomável e aventureiro da humanidade ocidental degradou à forma mais baixa do conformismo e venalidade, parasitismo e brutalidade. Uma nação tal, perdedora por corpo e alma, na história, só pode mesmo ir de decepção em decepção, sempre obrigada aos ciclos de atualização a que a marcha dos acontecimentos a obriga. E que ela cumpre com má vontade exemplar…

  27. NAE São Paulo não deve ser sucateado. Seu casco ainda está perfeiito, portanto pode ser usado como campo de testes e desenvolvimento para o futuro NAE Made in Brazil. Seria um tremendo auxílio no desenvolvimento da nossa tecnologia, dentro do espaço de tempo que teríamos (no mínimo 10 anos) para dar início a esse projeto.
    Acredito que até uma reforma do NAE São Paulo poderia ser viável. Após a entrega do reator do SSN, o que faremos com essa tecnologia? Outros SSN? Parece-me que dois desses reatores teriam potência necessária para o acionamento do São Paulo. Seria lenta, mas uma contínua evolução, que poderia ser feita ao longo de anos…
    Quanto seria recebido com a venda do NAE São Paulo? Não sei quanto, mas com certeza é irrelevante, perante o potencial de ganho e as alternativas que teríamos mantendo-o na MB.

  28. Meu Deus, eles não conseguem entender o tamamnho da trolha que vem pela frente e que os 13 anos desgoverno deixaram, e ainda que estamos com o congelamento do gasto público. O colega de cima repetiu trocnetas vezes: “Não tem dinheiro” e eles insistem, “porque o SP, porque o casco do SP, porque o reator no SSN”.
    Porr……………………..a, vamos ao fatos:
    O SP já era, e estrutura quase oca hoje, não tem volta, o SSN não existe, o reator nuclear para também não existe, ainda.
    Pô, blem, blem, blem, acordem, a realidade mudou, é arroz com feijão e ovo frito se tiver galinha para por.
    Mudem o disco, antes que a vitrola quebre.

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