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Exocet tropical – PARTE 2

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A história do desenvolvimento do míssil Mansup (até aqui)

por Guilherme Poggio

Míssil nacional

Sem dúvida o programa de remotorização do MM40, que abordamos na primeira parte deste texto (clique aqui para acessar) representou um enorme passo para a indústria de defesa nacional e para a Marinha. Mas os almirantes queriam dar um passo além: projetar e construir um míssil antinavio inteiramente nacional.

Porém, uma arma inteligente como esta não é algo simples de ser construído e dificilmente uma única empresa nacional poderia concentrar todos os campos do conhecimento (propulsão, navegação, guiagem, etc.).

A Marinha decidiu então fatiar o programa entre diferentes empresas e instituições. Antes mesmo do lançamento do primeiro MM40 remotorizado a Marinha, através da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM), já havia assinado diversos contratos com um grupo de empresas nacionais para o desenvolvimento do Míssil Antinavio Nacional, desde aquele momento batizado como “Mansup”.

Desta maneira, a divisão de trabalhos ficou da seguinte forma:

  • Gerenciamento complementar do programa (Atech, atual Fundação Ezute)
  • Desenvolvimento do autodiretor ou “seeker” (Omnisys, do grupo Thales)
  • Desenvolvimento do protótipo (Avibras e Mectron, atual SIATT)
  • Plataforma inercial (Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo)
  • Telemetria, sistema de guiagem, navegação e controle (Mectron, atual SIATT)

Para um programa nacional de desenvolvimento de míssil o Mansup surpreendia pelos avanços que dava num espaço de tempo relativamente curto. Na verdade ele caminhava para ser o programa de mísseis mais curto de toda a história nacional (ver cronograma abaixo). Mas no ano de 2014 uma grave crise afetou um dos parceiros do programa e muitas dúvidas surgiram sobre o futuro do mesmo.

O desenvolvimento do Mansup é, entre os projetos de mísseis nacionais, aquele de mais curta duração e o que começou mais tardiamente.

Da Mectron à SIATT

No mesmo ano em que a Marinha realizou o primeiro lançamento de um míssil MM 40 remotorizado a Mectron teve o seu controle acionário transferido para a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), braço do setor de defesa do Grupo Odebrecht. A ODT havia sido criada no ano de 2011 e possuía participações em três empresas: a Itaguaí Construções Navais (ICN), o Consórcio Baía de Sepetiba (CBS) e a Mectron.

A Metron incorporou-se ao grupo ODT após este adquirir as ações da empresa que eram detidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e parte das ações dos fundadores da própria empresa.

Mectron

Alguns anos depois o Grupo Odebrecht enfrentou dificuldades financeiras após a justiça comprovar o envolvimento do conglomerado em escândalos políticos. Com isso as empresas do grupo, incluindo a Mectron, passaram por um período muito difícil. Já no segundo semestre de 2014 a Mectron promoveu o corte de 100 postos de trabalho.

Depois de quatro anos no controle da Mectron o Grupo Odebrecht resolveu concentrar seus esforços em outros mercados e colocou à venda parte dos ativos da ODT, incluindo a Mectron.

Em 2015 surgiram rumores de que a israelense Elbit Systems negociava  com a Odebrecht a compra da Mectron. O que de fato aconteceu foi a incorporação da parte de comunicações militares da Mectron (responsável pelo desenvolvimento de  sistemas de comunicação segura como o LINK BR2) pela AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit Systems.

Compartimento de ré e vante do Mansup desenvolvido pela SIATT. Ambos, juntamente com a plataforma inercial desenvolvida pela Marinha, formam o SGNC – Sistema de Guiagem, Navegação e Controle do Míssil. FOTO: Nunão

A Marinha tinha muito interesse na continuação do desenvolvimento do Mansup e a Mectron era um elo importante dessa cadeia de desenvolvedores do míssil. Além disso o Exército e a Marinha (através dos Fuzileiros Navais) tinham interesses também na continuação da produção do míssil anticarro MSS 1.2 AC.

Boa parte dos antigos fundadores da Mectron foi chamada para realizar o “resgate” da empresa. Primeiramente tentou-se adquirir o controle acionário da Mectron, mas este movimento mostrou-se inviável. Sendo assim, uma verdadeira engenharia financeira, contratual, burocrática e logística foi montada para que esta parte da Mectron fosse rapidamente resgatada.

A continuação dos contratos do Mansup e do MSS 1.2 AC por outra entidade jurídica permitiu o nascimento da SIATT – Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico. A transição do pessoal (principalmente o corpo técnico), embora cheia de tensão, ocorreu suavemente. Funcionários da Mectron deixaram a empresa na sexta-feira e na semana seguinte foram recontratados pela SIATT. Praticamente 90% dos funcionários da SIATT eram funcionários da Mectron.

Aqui cabe uma observação. Muito se fala em transferência de tecnologia. Mas o verdadeiro conhecimento tecnológico está nas pessoas e não nas empresas. Estas últimas são apenas entidades abstratas dotadas de um CNPJ. Portanto, tanto faz se a empresa é nacional ou subsidiária de multinacional estrangeira. O importante é a mão-de-obra brasileira que ali está pesquisando, desenvolvendo e produzindo tecnologia. O caso Mectron – SIATT ilustra muito bem esta situação. O conhecimento não se perdeu, apenas migrou de um CNPJ para outro.

Quase lá

A empresa Omnisys já havia concluído no início do ano de 2014 os testes funcionais de todos os módulos Seeker / autoditetor (transmissor, receptor, servomecanismo/antena e processamento), comprovando que os mesmos funcionam perfeitamente de forma individual. Do lado da Marinha, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) segue trabalhando nos estágios finais dos sensores inerciais.

Sede da empresa Omnisys, do grupo Thales, em São Bernardo do Campo – SP. A Omnisys é responsável pelo autoditetor do Mansup. FOTO: Nunão

No último dia 21 de junho, durante a inauguração dos laboratórios da SIATT,  os trabalhos de desenvolvimento e ensaios não pararam. No momento das festividades da inauguração, o protótipo do radaraltímetro estava sendo ensaiado em voo e os funcionários envolvidos na tarefa acabaram não participando do evento.

No início deste mês a Avibrás iniciou a fase de qualificação do Mansup. Nesta etapa estão sendo montados e testados o Modelo de Testes de Voo e os protótipos de lançamento em navio.

O desenvolvimento do Mansup segue a passos largos (se comparado com outros programas de mísseis brasileiros do passado) e tudo indica que o primeiro lançamento de um míssil totalmente nacional deverá ocorrer em breve. Fontes do Poder Naval informaram que o mesmo poderia ocorrer ainda este ano.

Assim que os sistemas em desenvolvimento pelas diversas empresas que participam do programa do Mansup concluírem os testes funcionais, os mesmos serão encaminhados para as instalações da Avibrás (em São José dos Campos), que juntamente com a SIATT é responsável pela montagem final do protótipo. Quando a Marinha anunciar essa etapa, saberemos que o lançamento poderá ocorrer em pouco tempo.

64 COMMENTS

  1. E como ficou o projeto A-Darter, já que este nao foi transferido para a SIATT e a Mectron praticamente deixou de existir?

  2. “Mas o verdadeiro conhecimento tecnológico está nas pessoas e não nas empresas. Estas últimas são apenas entidades abstratas dotadas de um CNPJ. Portanto, tanto faz se a empresa é nacional ou subsidiária de multinacional estrangeira.”
    Acho interessante este ponto, pois fica a impressão que subsidiárias podem ser apenas pontos de venda de produtos estrangeiros, sem nenhum desenvolvimento local, o que é muito bom para suas matrizes no exterior.

    • Na minha visão, esse ‘tanto faz’ é bastante relativo. Os funcionários podem ser brasileiros, mas decisões importantes vem da matriz estrangeira, inclusive de qual projeto desenvolver e até mesmo de encerrar a operação brasileira na hora q bem entender.
      Além disso, em empresas de capital estrangeiro os funcionários brasileiros, sobretudo os mais destacados, estão muito mais sujeitos a serem transferidos para as matrizes no exterior.
      Acredito que o ativo mais valioso de qualquer empresa tecnológica seja o seu capital intelectual, que como corretamente o artigo indica está exatamente nos seus funcionários. E é exatamente assim que eu vejo por exemplo a compra da embraer pela Boeing (além de claro neutralizar um competidor) ela está acessando todo aquele capital intelectual que a embraer tem e que custa muito mais barato que seus engenheiros nos EUA, mas com o tempo é natural que os melhores técnicos tendam a ser transferidos para lá e jamais retornarem.

      • Lembram do fim da URSS ??

        Quantos engenheiros russos, ucranianos e outros foram parar na China???

        Não adianta, sem dinheiro não existe tecnologia de ponta.

        Mesmo que a Boeing não compre a Embraer. É só ela por um anúncio em São Bernardo que contrata engenheiros, dá Green Card e paga o que um engenheiro americano ganha que não vai ficar quase ninguém na Embraer.

          • ooooops…

            Sempre confundo esses São ai de São Paulo…. São José dos Campos.

            Eu ia colocar São caetano agora heaoeiaioe

          • Rui,

            Esclarecida a confusão com a cidade, vale uma observação ao seu comentário.

            Há décadas que pessoal qualificado brasileiro, seja de São José dos Campos, seja de outras cidades e polos tecnológicos, é assediado por empresas de alta tecnologia estrangeiras. Não é com apenas um anúncio de empregos que se esvazia empresas, a decisão de ir para fora do país envolve muitas outras variáveis, incluindo também a velha questão da oferta e demanda, entre tantas.

  3. O Brasil possui duas fábricas militares a Imbel e a Marinha uma fabrica de munições, se houvesse uma política de estado, estas instituições poderiam ser fortalecidas e abrigar os cérebros pensantes nacionais, bem como trabalhar com as universidades públicas em pesquisa. Com investimentos e segurança de controle governamental.

    • O caminho atual tem sido trabalhar com a iniciativa privada, e não criar ou fortalecer estatais. Decisão baseada nos princípios liberalistas e decorrente dos problemas que aconteceram com as estatais. Com certeza a estatização tem a vantagem de preservar o conhecimento com mais segurança, e simplificar o processo. Mas, por ora, as desvantagens da estatização devem estar preponderando perante os órgãos decisórios.

  4. Em ambos os casos, a empresa, e muito importante o quadro técnico (profissionais) envolvidos em pesquisa e desenvolvimento são de suma importância para o desenvolvimento de tecnologia nacional, discordo do autor quando diz que tanto faz se empresas nacionais ou transnacionais, aqui no sul tem o caso da AEL que é subsidiária da ELBIT (Israelense), digamos que a gente tenha algum problema diplomático com Israel, será que a AEL (Elbit) manterá o investimento (recursos) por exemplo no LINK BR2 quer eles compraram os direitos, sem falar nos aviônicos que eles estão desenvolvendo para o Gripen, e quanto aos profissionais que trabalham aqui na AEL o que impede a matriz Israelense (ELBIT) de contrata-los oferecendo melhores condições de trabalho e salário mais alto e leva-los para Israel, portanto acredito em empresas 100% nacionais na área da defesa para citar um exemplo uma empresa antiga que vem do tempo em que era militar nos anos 1980 e é uma sobrevivente que é o caso da AVIBRÁS. Uma outra pergunta onde estão os outros produtos da antiga MECTRON por exemplo: MAA 1, MAA – B, MAR (antirradiação), KIT Akauan de bombas guiadas, Radar Scipio do AMX, alguns vão dizer, bem os misseis piranha MAA-1 e B já estão ultrapassados o radar ídem e assim vai, mas eu acredito que desenvolvimentos são contínuos e não devem ter solução de continuidade, porque afinal são anos de investimentos e recursos jogados pelo ralo, pela má gestão de certas empresas, aqui no caso a gigante odebrechet, que adquiriu a MECTRON e depois não sabia o que fazer, porque não era de sua área de atuação, acho que os governos em especial o ministério da defesa devia controlar quando da compra de empresas nacionais de defesa por outras nacionais ou transnacionais, para certificar que os desenvolvimentos terão continuidade e não se perca anos de investimentos e de raros recursos para o desenvolvimento de tecnologia nacional, acho que a perda de empresa é algo normal, mas o governo deve zelar para qua as novas empresas dêem continuidade dos trabalhos e desenvolvimentos.

  5. Muito bom o texto mas já faz alguns anos que pergunto em todos os sites de defesa do País e ninguém responde o que foi feito dos programas do MAA-1B e do MAR-1???? afinal é dinheiro do contribuinte. o MANSUP será uma clara oportunidade de negócios adoraria ver marinhas estrangeiras como algumas sul-americanas seleccionando ele e seria sonhar de mais com o MASUP versão aérea.

    • Leonardo, me faço as mesmas perguntas. Acrescentaria as suas perguntas relativas ao MAA-1B e do MAR-1, as dúvidas que fiquei quanto ao infográfico da matéria: a Acauan já é produzida?FAB adquiriu? E o A-Darter, tem previsão de quando começarão as entregas (já que a FAB o adquiriu dentro daquele pacote de armas para o Gripen?

      Bosco, nosso engenheiro militar nas horas vagas, depois que a versão Mar-Mar tiver sua produção iniciada, seria muito difícil a versão Ar-Mar ser desenvolvida?

      • AL,
        Tem um ditado que diz que: quem pode mais, pode menos.
        Esse é o caso do MANSUP, daí também uma certa perplexidade da minha parte.
        Uma versão ar-sup é mais simples que a versão sup-sup.
        Também, respeitosamente discordo dos que alegam que fez-se uma versão com propulsão foguete mais simples para depois evoluírem para uma versão com turbina, como se a tecnologia de foguete sólido fosse menos complexa que a de turbina, ou se aquela fosse pré-requisito para esta.
        Eu não vejo dessa forma. Ao meu ver a tecnologia sensível é o recheio eletrônico e este não me parece ser tão rudimentar para se chegar a algo superior no futuro, que justifique a versão “evolutiva”.
        Pra falar a verdade, eu considero a tecnologia do motor foguete sólido aos moldes do MANSUP mais complexo do que a da turbina, mesmo porque, ela (a turbina) nós já temos.
        Mas não adianta a gente ficar criticando. Fato é que foi resolvido assim e eu torço para que dê certo e que venham versões lançadas do ar e de submarinos. Estas versões não ficam prejudicadas com a “perna curta” do míssil com propelente sólido, e seriam muito bem vindas.

        • Uma evolução natural é do motor foguete para o motor foguete aspirado, como o do Meteor. Ou então do ramjet para o scramjet.
          No caso a escolha da motorização do MANSUP foi por conveniência e que ao meu ver não tem nada a ver com dar um passo de cada vez.
          Em termos tecnológicos eles não estão errados já que fizeram limonadas com limões.
          Em termos “estratégicos” cabe alguma critica mas se a MB não liga, sendo ela a usuário final, e sendo ela que põe o dela na reta, quem sou eu pra ser contra!?

    • Leonardo,
      Eu sei direitinho onde foi parar nosso A-Darter e MAR-1 mas infelizmente se divulgar a informação terei que “silenciá-lo” e logo depois terei que quebrar a cápsula de cianureto que tenho no meu segundo molar inferior.
      Então, vamos deixar pra lá.
      rsrssss

  6. Ótima matéria!!Muito obrigado!! Naval nota 1000
    Como o desenvolvimento tecnológico no Brasil é sofrido.
    Parabéns mais uma vez para os oficiais da Marinha do Brasil que são persistente, fazem de tudo para não perder a operacionalidade e com toda a dificuldade procuram desenvolver tecnologia para ter maior autonomia. Muito orgulho de vocês!

  7. Deveriam ter desenvolvido o míssil com base no RBS 15 da SAAB.
    Esse míssil que a MB está desenvolvendo tem como base uma versão obsoleta do Exocet.
    Não vai vender nem na América do Sul, já que o Chile, Peru, Venezuela e Colômbia já tem coisa muito melhor.
    O Brasil sempre ficando para trás.

  8. Você cria uma estatal, vai um monte de políticos que nada entendem e ficam achando que sabe e atrasam todos os projetos, da maneira que está sendo feito está ótimo, pensaram bem , dividiram o projeto, uma empresa quebrou, as outras continuaram, e, conseguisse transferir a parte que faltou para uma terceira.

    • Basta olhar para os EUA, trocentas empresas privadas se engalfinhando para pegar um mísero contrato com as FFAA e nada de estrutura estatal para fabricação.

      O Governo só precisa manter os projetos, o conjunto sensível. Não precisa manter até o aperto de parafusos sob o crivo de generais e políticos com seus carimbadores malucos, coisa que só adiciona incerteza e ineficiência ao projeto.

  9. Em tudo o que o Estado se mete, dá confusão!!! Quanto mais estatais, mais cara a produção; mais demorado o desenvolvimento e, certamente, o resultado, se houver, será pífio… Acho que foi economista Milton Friedman -m me perdoem se estiver errado – que disse: “se o governo federal administrasse o Saara em 5 anos faltaria areia”… O que o Governo Federal precisa é definir os orçamentos militares, não efetuar contingenciamento e, garantir o fluxo de recursos financeiros e humanos de forma constante e permanente para o desenvolvimento desses meios militares. Aliás, é assim que funciona em países mais desenvolvidos e verdadeiramente capitalistas. Sds.

    • Caro Jorge. Hayek também disse que “Minha preferência vai na direção de uma ditadura liberal em vez de um governo democrático sem liberalismo”.

  10. Boa tarde, seria possível adaptação do Míssil de Longo Alcance (300 km). Para lançamento á partir dos novos Submarinos Scorpene?

    • Sim, José, tecnicamente não vejo problemas, e provavelmente seria possível tanto quanto foi para mísseis de cruzeiro de porte semelhante de outros países, lançados por tubos de torpedo. Mas será preciso investir no desenvolvimento dessa versão para tornar isso possível, e isso após o desenvolvimento de outras, como a própria terra-terra inicial e mar (lançadores em embarcações de superfície)-terra.

      • Ahh, claro… Ambos estão com ótimas relações e bastante alinhados. Os Turcos estão lucrando muito. Estão vendendo helicópteros, armamentos, modernização de submarino e outras coisas.

    • Rafa,
      O míssil ainda está terminando seu desenvolvimento e fará neste ano seu primeiro teste de disparo. Planos para o futuro sempre existem, mas é preciso primeiro terminar de cumprir as metas do presente. Dê tempo ao tempo.

  11. Espero que esse ano ja tenha o lançamento do protótipo. Mais falando sobre transferência de tecnologia isso nada mais é que passar conhecimento para outra pessoa como foi falado em outros comentários pode sim uma empresa estrangeira vim contratar os engenheiros brasileiros so que a transferência de tecnologia funciona da seguinte forma vai um aprende ele volta para o brasil e ensina para mais dois os dois depois para quatro e assim por diante … esse é o sentido da transferência de tecnologia não sou nem um especialista mais pela as matérias que vi sobre o assunto foi o que intendi, então em uma empresa dessas nunca vai ter um engenheiro que so ele saiba fazer determinada atividade e se tiver ele terá que ensinar para outro. se eu estiver errado e quem intender mais do assunto agradeço se pode min esclarecer.

  12. Fico pensando no RCS do Mansup, e de outros misseis antinavio…Nao acredito que haja um radar capaz de identificar tal assinatura, mesmo os da ENTERPRISE com ajuda do sr. Spock. Sempre se discute aqui no site o quao pequeno é o RCS do Gripen NG, dos navios Stealth, etc etc… entao me digam o quao pequeno seria o RCS de um missil com 40 cm de diametro e com design stealth. Realmente duvido que QUALQUER missil antinavio possa ser parado por QUALQUER sistema de radar existente.

    As poucas e REAIS amostragens nos levam para a Guerra das Malvinas e para as desculpas da Royal Navy em justificar sua incapacidade em defender suas corvetas e fragatas da açao dos misseis EXOCET entao existentes e tecnologicamente proporcionais as tecnologias de radar existentes entao.
    Ocorreram pouquissimos eventos REAIS de combate envolvendo esses tipos de misseis e os testes atuais nao passam de, testes.

    Podem começar a malhaçao…

    • “Ocorreram pouquissimos eventos REAIS de combate envolvendo esses tipos de misseis e os testes atuais nao passam de, testes. Podem começar a malhaçao…”

      Pois não.

      Não foram pouquíssimos os eventos reais.

    • Alfredo,
      O RCS desse tipo de míssil é da ordem de 0,1 m².
      Na época das Malvinas o sistema de míssil antimíssil Sea Wolf não estava prepara para a ameaça representada por mísseis sea-skimming. Só dois anos depois é que essa capacidade foi adicionada ao sistema. As únicas armas da RN nas Malvinas que podiam enfrentar tal ameaça eram as apontadas visualmente, notadamente os canhões de 20 e 40 mm.
      A desculpa da RN de ter passado um navio na frente se deu quando de um ataque de A-4 e não no ataque de um Exocet.
      Naquela época as única armas que tinham capacidade anti sea-skimming eram os CIWS Phalanx e Goalkeeper e a RN não tinha nem um nem outro.
      Os sistemas de mísseis antiaéreos navais dos britânicos (Sea Wolf, Sea Cat, Sea Dart e Seaslug) foram pensados tendo em vista as ameaças representadas pelos mísseis soviéticos que na época não voavam a menos de 50 metros de altura, e não a 3 como o Exocet.

      • Bosco, o EXOCET nao é o menor e tambem nao é o maior dos misseis antinavio, os quais, segundo dados na internet, possuem um RCS DE 0,05m2 ate 0,10m2. O Gripen E possui 0,10m2, entao provavelmente o Exocet deve ser menor do que um caça, ainda mais com os avanços no design.

        Com relacao ao cruzamento da fragata a frente do Sheffield quando esse ia disparar seus misseis, lembro de ter assistido a um documentario…mas vou pesquisar mais e lhe digo.

        (assim surge meu novo nickname)

        • Alfredo RCS,
          Não necessariamente o caça por ser maior tem RCS maior que a de um míssil. Em um incorporando tecnologia stealth e o outro não, não há como comparar.
          Até mesmo entre os stealths o tamanho não diz muita coisa. O maior stealth é o B-2 e por não ter superfícies de controle verticais é dito ter o menor RCS.
          Em relação ao RCS que citei de 0,1 m² é porque é o dito ser do Harpoon, que tem dimensões equivalentes e ambos não incorporam tecnologia stealth.
          *O Exocet tem ainda um complicador que é o motor foguete que lançar partículas metálicas no ar que podem ser detectadas por um radar. Talvez esse “incremento” do RCS não faça a diferença na prática, mas é citada por diversas fontes.
          Valeu!

    • Vale salientar que a forma ogival que geralmente os mísseis antinavios têm é enganosa. Para o radar não conta a forma física e sim a forma “radiométrica”. O nariz de um míssil guiado por radar é de material radiotransparente, de baixa constante dielétrica, de modo a que o radar do míssil possa funcionar e o que o radar do navio vê quando olha para o míssil não é a forma ogival física mas é a forma plana da antena de radar dele, e isso aumenta o RCS do míssil.
      Em tese uma bomba de forma ogival tem RCS menor que a de um míssil porque a forma ogival reflete as ondas do radar para diversas direções por ser todo ele metálico.
      Uma das maneira de reduzir o RCS de um míssil antinavio é dotá-lo de um seeker térmico, como foi feito com o NSM ou com o SLAM-ER. https://militaryedge.org/wp-content/uploads/2013/12/SLAM-ER_GRAPHIC.jpg
      A janela do seeker térmico pode ser feita de material que reflete as ondas do radar (como o material do canopi do F-16) e ser disposta de modo a dispersar as ondas do radar para os lados, reduzindo muitíssimo o RCS do míssil.

      • Bosco,
        Sem falar que o míssil antinavio do tipo guiado por seu próprio radar, na fase terminal em que também se apresentará no horizonte radar do navio, estará emitindo com seu autodiretor, facilitando a sua detecção como ameaça pelo navio.

        Não que isso seja um drama, apenas é um fato a mais para dificultar um pouco menos as coisas para o alvo.

        • Nunão,
          Sem dúvida. O RCS de um míssil guiado por radar é maior por conta do radomo e o “controle de emissões” é impossível. Isso redunda num nível de furtividade bem menor.

      • Bosco, o Tomahawk cujo projeto é da decada de 70 e tem dimensoes superiores ao exocet apresenta um RCS de apenas 0,05m2 (acabei de verificar num documento oficial do governo americano) utilizando técnicas rudimentares de furtividade. Acredito que o nosso MANSUP serä um instrumento muito interessante de combate e será um fator decisivo na manutenção de nossa integridade como nação. E imagine se ele utilizar a tinta desenvolvida pelo IAE (se nao me engano) para a absorção de radiaçao.

        • Alfredo,
          O Tomahawk é mais recente que o Harpoon/Harpoon e não é guiado por radar, portanto, não tem o “maldito” radomo. rrsss
          Mas eu concordo com você que o MANSUP deve ter evoluído e ter uma capacidade de penetrar defesas consistentes maior que o Exocet dos anos 70.
          Um míssil sea-skimming é um bicho difícil de detectar.
          O “problema” dele, como já dito por mim e outros, é ter “perna curta” para uma versão SS. rsrsss

      • Estou esperando os primeiros SSM com radares AESA, esses sim trariam um nível de furtividade interessante para estas armas. Seja pelo posicionamento angulado da antena fixa, seja pelas emissões mais discretas.

  13. Dez? Vinte?? Documentados, como os foram em 1982? A desculpa da RN para a destruicao do Sheffield é a de que um outro navio cruzou na frente logo no momento em esse ia disparar sua defesa antimisseis….Que azar hein…

  14. E o navio que cruzou na frente do sheffield automaticamente nao se tornaria o alvo do EXOCET, pois a capacidade computacional de entao nao permitiria tal discriminacao e acompanhamento de alvo. Sao muitos porens.

    Acho que o MANSUP é uma item fantastico no arsenal de nossas FFAA e, juntamente com o AV TM 300, criou um poder de dissuasäo fantastico contra QUALQUER marinha agressora a qual, por ventura, venha a nos ameaçar.

    Melhor que isso, somente a conclusao de algum missil balistico de medio e longo alcance….

  15. Fernando Nunão de Martini
    E o Mar – Missil Anti-Radiação que estava em desenvolvimento pela Mectron, onde foi parar.
    Ja pesquisei e não achei nada

  16. Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto, que busca autonomia no desenvolvimento desse tipo de artefato e não se esconde atrás de desculpas esfarrapadas, para continuar com compras de caixas pretas. Com a consolidação desse projeto, as outras versões é só questão de investimento mínimo necessário e tempo.

  17. Algumas duvidas ficaram .
    Porque a MB não adotou os giroscópios a fibra óptica desenvolvidos pela FAB/ IAE e utilizados no MAR-01 ?
    Ao que parece, esses giroscópios a fibra óptica são mais precisos que os eletromecânicos da MB.
    2- Porquê deixaram a AEL/ ELBIT ficar com o importantíssimo projeto LINK BR2 e não o transferiram para a SIATT ou mesmo AVIBRAS, IACIT, FLIGHT TECNOLOGIAS etc?
    Por fim, como o texto diz, com o falecimento da Mectron ( ou imbernação, já que a mesma está no programa das CCT,s ), que fim levou os projetos MAR-01, A- DARTER e SMKB, MAMPAD nacional ?
    Agora um exemplo a ser seguido, foi a MB ter divido o programa do míssil entre diversas empresas nacionais.
    O que gera demanda em várias frentes e dinamiza o processo, vide exemplo do incrível tempo de desenvolvimento e testes deste míssil.
    Esse exemplo deveria ser seguido pelas outras forças.
    No final, parabéns também a SIATT em sempre está divulgando informações e imagens de seus equipamentos, utilizando ao máximo os meios de comunicação de massa a seu favor.
    Pelo jeito os diretores da empresa tem a mesma ótica dos diretores de empresas internacionais e que conhecem bem o refrão ” a propaganda é a alma do negócio”, diferente de muitas empresas nacionais .
    Não é Avibras ??

    • “Por fim, como o texto diz, com o falecimento da Mectron ( ou imbernação, já que a mesma está no programa das CCT,s ), que fim levou os projetos MAR-01, A- DARTER e SMKB, MAMPAD nacional ?”

      A-Darter foi para a Avibras. Já perguntou-se e respondeu-se isso umas 20 vezes nos últimos tempos e também está mencionado em matéria recente publicada aqui no site sobre novos produtos estratégicos de defesa.

  18. A essa altura eu não acredito que o MAR-1 tenha sido bem sucedido. Se tivesse tido um bom desempenho estaria sendo vendido ou ao menos divulgado. Tudo indica que o MAR-1 e o MAA-1B tenham sido grandes fracassos. Aliás, não terem sido produzidos nem adotados por nenhuma força (até onde se sabe) é sinônimo de fracasso.

  19. A-Darter foi para a Avibras. Já perguntou-se e respondeu-se isso umas 20 vezes nos últimos tempos e também está mencionado em matéria recente publicada aqui no site sobre novos produtos estratégicos de defesa.

    Caro Nunão favor passar o link das respostas, pois não sei onde estão respostas sobre o kit de guiagem de bombas SMKB, muito menos respostas oficiais sobre o MAR-01, MANPAD,s nacional, MAA1-B etc.
    Caro JT&D acredito que o MAR-01 por ser um equipamento “sigiloso” ( ainda mais no Brasil que as empresas tem mania de não divulgarem nenhuma informação), o mesmo possa ainda está sendo fabricado sigilosamente para a FAB pela Mectron ou outra empresa nacional que adquiriu o projeto.
    Uma das prováveis confirmações do que digo, está no fato da FAB ter exigido a integração do MAR -01 ao futuro GRIPEN, assim como também o A-DARTER.
    Só lamento por não terem incluído na lista de armamentos desse caça os sistemas de armas nacionais SMKB, FPG-82 FRIULI, MANSUP, FOGUETE GUIADO etc.

  20. Gostaria de sugerir um documentário sobre a operação praying mantis. Me parece ter sido um evento muito importante por tratar-se de combates navio vrs navio com mísseis.
    Abraços. Acompanho sempre seu canal. Parabéns.

  21. Pessoal, o kit guiado SMKB-82 é de propriedade intelectual da AEQ Aeroespacial, e o kit faz parte do portfólio da empresa. Agora onde eles estão produzindo e pra quem estão vendendo eu já não sei, só sei que a Mectron fez o que tinha que fazer enquanto ainda estava em operação.

  22. Gente olhem que informação interessante consegui sobre os sistemas nacionais MAR-01 e SMKB/ FPG-82 Friuli ( acredito que o texto falem deles).

    No projeto DERBY irão encontrar a resposta
    Link:

    https://www.defesa.gov.br/arquivos/lai/auditoria/contas_anuais/matriz_rg17sg_180518.pdf

    Desculpem o off topic mas achei muito interessante, pois o documento revela que o Morcego (MAR-01) está terminado e aguardando encomendas, o mesmo vale paras os kit,s SMKB e FPG-82.

    COMENTÁRIO EDITADO. O LINK FOI TROCADO PARA A FONTE ORIGINAL.

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