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Colômbia testa embarcação de desembarque em interdição de áreas marítimas

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BDA URR

Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval

A Marinha da Colômbia já realiza provas de mar com a sua primeira embarcação de desembarque anfíbio (BDA – Buque de Desembarco Anfibio), de fabricação nacional (Cotecmar), configurada para lançar lanchas de interdição marítima.

O BDA Mk.II-URR (Unidad de Reacción Rápida) tem 49 m de comprimento, 11 m de boca máxima, 3,10 m de calado e cerca de 650 toneladas de deslocamento (carregado). Seu maior diferencial para os outros quatro barcos com essas características já incorporados à frota (para exercícios de guerra anfíbia e missões de socorro a comunidades litorâneas) é a capacidade do URR de transportar e colocar na água, por meio de grua, uma lancha a motor tipo Apostle 410, fabricada em alumínio, borracha semi-rígida e materiais compostos.

A grua é capaz de transferir a lancha para a água, ou recolhê-la, até mesmo em estado de mar 2 (ondas de até 1,5 m de altura com velocidade de 6 a 11 km).

Dotado de metralhadoras, de uma pequena cabine para o timoneiro e de sensores de navegação e de visão térmica, essa unidade opera de forma a atender ações de interdição de embarcações suspeitas de narcotráfico e contrabando de armas, incursões anti-pirataria e de repressão à pesca ilegal.

Safe Boats International Apostle 410
Safe Boats International Apostle 410

Compensação – Fabricada pela empresa americana Safe Boats International, a Apostle mede 13,1 m de comprimento, 3,7 m de largura e, impulsionada por quatro motores fora de borda de até 300 HP, alcança uma velocidade impressionante, superior a 54 nós – o que compensa largamente a maior deficiência da BDA-URR: sua baixa velocidade, em torno dos 9 nós.

A URR começou a ser construída em setembro de 2017.

A 31 de janeiro deste ano a fabricação da unidade alcançou a marca de 43%, mas já no final de maio o navio estava pronto para ser lançado ao mar. O trabalho consumiu um total de 480.000 horas/homem, e a embarcação totalmente pronta e equipada terá custado aos cofres colombianos o equivalente a 13 milhões de dólares.

Sua incorporação à Armada da Colômbia está prevista para o próximo dia 31.

A tripulação da URR é de 13 oficiais e subalternos, mas há espaço para acomodar até 15 tripulantes. A unidade também é capaz de transportar outras 36 pessoas, e seu ambulatório a bordo está apto a receber e tratar quatro pacientes simultaneamente.

Nessa configuração de Unidade de Reação Rápida, a embarcação transporta equipamentos para transferir combustível, gerador de emergência de 90 kW (utilizável para incrementar a potência de um gerador de porto), planta desalinizadora com capacidade de prover 4,5 m³ de água potável ao dia, contêiner refrigerado de 12 m, posto meteorológico e computador que monitora o funcionamento de motores e geradores.

Makassar – A Marinha da Colômbia tem planos de se equipar com um navio com doca alagável – no caso, um navio-doca de assalto anfíbio –, e examina a possibilidade de encomendar uma unidade tipo Makassar ao estaleiro peruano SIMA Callao, que já entregou um navio desse tipo para a Armada peruana e, nesse momento, trabalha da fabricação de um segundo navio da mesma classe para o cliente.

51 COMMENTS

  1. Parabéns Colômbia!👏👏👏

    Porque nós não construímos nenhum navio?

    Só compra de equipamentos usados de outras nações…. palhaçada isso.

    Por isso que a nossa indústria naval não vai pra frente!

    [indignação mode] on

    • Vicente,
      No caso em pauta, acho que seu modo indignado faria mais sentido quanto a outros tipos de navio.

      Isso porque são justamente embarcações de desembarque as mais recentes que a Marinha construiu ou vem construindo no país: cinco EDVM (embarcação de desembarque de viaturas e materiais) de pequeno porte construídas no AMRJ entre 2011 e 2013 e, atualmente, tem modelo de maior porte, tipo EDCG (embarcação de desembarque de cargas gerais) que se assemelha um pouco com esse navio colombiano e que tem partes sendo construídas nas oficinas 17 e 19 do AMRJ. Ainda que com atrasos devido aos recursos alocados de forma pingada, ao menos são justamente navios desse tipo que se tem construído aqui nos anos recentes.

      Ainda assim, quanto a outros tipos de navios militares, sua crítica indignada com a situação atual da construção naval militar brasileira é bastante justa.

      • Poderiam fazer uma matéria detalhada sobre esse EDCG.
        Sobre o EDVM achei uma notícia antiga aqui sobre a entrega da segunda unidade. Mas nada mais sobre as outras. Também valia uma matéria.

        No mais, bom saber que o AMRJ continua ativo construindo embarcações, mesmo que simples do ponto de vista tecnológico, mas essenciais e indispensáveis do ponto de vista estratégico.

        Dentre todos os tipos de missões que a MB pode ser requisitada, para mim a mais provável é um desembarque anfíbio de alguma força tarefa ou missão da ONU. Em um caso como esse, a necessidade de escolta não é tão grande como em caso de um conflito naval de grandes proporções com batalhas épicas. Para situações como essa é essencial a força estar operacional com o Atlântico, o Bahia e demais embarcações de desembarque.

        Saudações.

  2. Bom dia a todos. Uma pergunta aos especialistas deste site. Seria adequado para patrulha fluvial ? Pelo o que entendi atuaria no mar e não em rios. É para o Brasil seria adequado ?

  3. Pelo que entendi, esta embarcação será utilizada para respostas rápidas ações de interdição de embarcações suspeitas de narcotráfico e contrabando de armas, incursões anti-pirataria e de repressão à pesca ilegal, tendo como principal meio dissuassor a lancha Apostle 410.

    Pergunto eu : Tudo bem que a Apostle 410 é muito rápida, mas será transportada inicialmente pela BDA Mk.II-URR. Como esta embarcação pode ser uma resposta rápida se faz apenas 9 nós ?

    • Luis,
      Navios da mesma classe entregues anteriormente e que não tinham essa lancha eram chamados apenas de BDA MKII (buque de desembarco anfíbio tipo II). Ou seja, a parte de “unidade de resposta rápida” acrescentada agora à denominação é devido ao emprego da lancha.

      De resto, como o próprio nome diz, e está tanto no título da matéria quanto no primeiro parágrafo, é uma embarcação de desembarque, e essa é a sua principal função – desembarcar tropas, materiais, viaturas e cargas numa praia.

      As demais funções (entre as quais as que você citou, mas que são mais atribuições da lancha do que do BDA) são complementares para tornar esse meio capaz de cumprir mais missões, de acordo com as necessidades específicas da Colômbia. Rápida é a lancha, não o BDA.

      • Ok Nunão, mas…….

        A tal da resposta rápida, proporcionada pela Apostle 410, só se daria quando a embarcação que a transporta, a 9 nós, alcance o ponto de interesse (ou TO) . E aí que eu questiono a “resposta rápida”.

        • Luis, a unidade de resposta rápida é a lancha, não a embarcação de desembarque que a leva. Por isso as embarcações de desembarque que não a levam são chamadas de BDA MKII e essa nova que a leva de BDA MKII – UUR, porque leva uma unidade de resposta rápida.

  4. Com relação ao interesse da Colômbia por um navio da classe Makasssar, penso que seria uma compra pouco ambiciosa, tendo em conta que a Colômbia agora é associada a OTAN, e mesmo não sendo um membro efetivo da Aliança, deveria se equipar com algum meio que convergisse mais com o padrão OTAN.

  5. Esse modelo de barco parece um LST das sobras de guerra. Em escala reduzida, claro. A tecnologia é básica e pode ser fabricada por qualquer estaleiro naval do Brasil. O AMRJ pode desenvolver projeto mais avançado, incluindo outras capacidades, dependendo das verbas, acho. Na bacial do Amazonas poderia ser um barco de multipropósito (medico/hospitalar; transporte de tropa; patrulha, fiscalização da pesca, transporte de suprimentos para as bases avançadas; heliporto; etc…).

  6. Gostaria de sugerir um documentário sobre a operação praying mantis. Me parece ter sido um evento muito importante por tratar-se de combates navio vrs navio com mísseis.
    Abraços.
    Acompanho sempre este blog. Parabéns.

    • Você acha impressionante construir uma embarcação como esta, que tem os seus sistemas de apoio e a lancha de reação rápida construidos nos EUA ?

    • É impressionante sim, passou a membro da OTAN e OCDE, e, se não adotarmos um novo projeto de nação, em dez anos a Colômbia será o país mais desenvolvido da América Latina.

      • A Colômbia é associada a OTAN, assim como o Japão e a Austrália. Há uma diferença enorme entre ser associado e ser membro.
        E ainda continuo achando que não fizeram nada demais.

          • Adriano,

            Acho que a Colômbia, junto com Chile, são dois países que mesmo sofrendo as mazelas comuns aos países latino-americanos, conseguiram sim encontrar um rumo. Concordo com você.

            O fato da Colômbia ter sido aceita na OCDE também é um feito digno de louvor.

            Agora onde eu discordo de você é quando você afirma que pelo fato da Colômbia ter construído essa embarcação que convenhamos é um projeto muito simples, e mesmo assim praticamente só construiu o casco, todos os sistemas de controle e a lancha são importados, que tenha sido um grande avanço para a indústria Colombiana.

            Veja bem, não estou depreciando nem diminuindo a Colombia, mas apenas ressaltando que considero um feito muito simplório para que seja um exemplo de avanço da indústria daquele país.

            Abs.

  7. Todo mundo começa assim, porém, aqui no Brasil é diferente, um arsenal que já fabricou fragata, submarinos, regrediu muito para não ficar ocioso fica fabricando estás lanchas, quando tem fragatas necessitando de reparos, submarinos, acabamento em navios de patrulha, nada pode fazer, aquela velha cantilena, não temos verbas, enquanto isto no reino de Brasília, reis e príncipes fazem o que querem.

    • Vovozão,
      Reparos de fragatas, de submarinos e outros navios continuam a ser feitos no AMRJ. Passo lá com alguma frequência e vejo o andamento dos trabalhos, ainda que num ritmo muito mais lento do que gostaria.

  8. Outro dia noutro posto algum colega exagerou pregando o fundeamento do Nae Sp no Amazonas como base fixa….

    Mas navios não muito diferentes do porte de um Makassar seriam interessantes…

    Nos conflitos da Coreia, LSTs e LCMs, foram utilizados como bases moveis.

    Um navio que possa operar de base para Helis e lanchas rapidas não precisa de velocidade, pois os engajamentos seriam viabilizados pelos seus helis e lanchas LPR-40…ele em si fica mais a retaguarda….

    • Prezado Carvalho,

      Acredito que operar navios do porte do Makassar no ambiente da Amazônia não seria uma boa idéia. Na minha opinião seriam alvos fáceis pela pouca mobilidade que a região oferece a navios grandes e também creio que ficariam muito expostos a ataques assimétricos.

      • Mestre Galvão,

        Não digo ele, mas talvez algo do porte dele.

        Não é tão grande assim, são 122 metros apenas, talvez algo ate mais simples.

        Não entraria nos braços, manteria a doutrina atual em que o navio não engaja nunca, quem engaja seriam os helis e LPRs…us americanos quando precisaram fizeram muito disto com seus LST´s.

        Atuaria como uma base movel

  9. Será que algo similar não seria interessante de ser usado na bacia do Amazonas? Talvez construído na foram de um catamarã para ter um calado baixo

  10. Colômbia em construção naval está dando um baile no Brasil.
    Deveríamos aproveitar essa capacidade técnico profissional e em parceria com eles fabricar as CCT,S .
    Dar continuidade ao projeto patrulheiro da Amazônia, OPV-1800 BR, Napaoc-500 etc.
    Parabéns Colômbia!
    Uma dúvida, será que o projeto patrulheiro da Amazônia entre Brasil, Colômbia e Perú foi encerrado ?

  11. Eu venho ha um ano defendendo que nossa Marinha do Brasil construa um novo NDM para tems mais um navio de grande porte no nosso litoral e agora com a entrada em breve em serviço ativo o PHM Atlântico essa necessidade se tornou ainda maior … nao da pra ficarmos apenas dependendo do Bahia e tambem é claro que precisamos também com urgência de novas fragatas, corvetas e submarinos nao esqueçam disso

  12. Acho que muita coisa pode ser fabricado no Brasil,além do AMRJ temos a A Base Naval de ARATU que se assemelha muito , porém,o Almirantado quer continuar concentrando tudo no RJ.

    • A MB que uma segunda esquadra no nordeste só isso implicar em dizer que o Almirantado quer continuar concentrando tudo no RJ (não tá tudo lá não,se você só considerar o navios de guerra talvez). Só que a MB não tem dinheiro e mesmo que tivesse hoje eles seria a logado para substituir e modernizar os meios. E além disso a maior parte do petróleo (pesado) está no mar do sudeste (a parte industrial também mais isso é mais por fator histórico).

  13. Vamos separar duas coisas?!

    A primeira é que, sim, em termos de construção naval, a Colômbia e, mais recentemente, o Peru estão caminhando bem no que concerne a produção de meios próprios, especialmente embarcações fluviais.

    A segunda é conceito e aí esta embarcação, assim como outras colombianas, foram feitas para um cenário de baixa intensidade e com funções meio esquisitas. Neste caso em específico, um navio pequeno, ao que parece para atuação marítima e não fluvial, com rampa para desembarque de viaturas, mas sua principal utilização é o desembarque de uma lancha através de grua?! Detalhe, pela altura da embarcação, nem embarcar num navio de assalto anfíbio, como o Bahia, por exemplo, ela teria condições. Sei lá, é um navio que teria melhores funcionalidades nos rios amazónicos da Colômbia, para função logística, não em operações marítimas.

    Minha opinião.

    Até mais!!! 😉

  14. O modelo é coerente com os demais em emprego e em lançamento pelas nordenas forças de outros paises.

    Os EUA cerca de 10 anos atras, trocaram suas LCU 1627 pelas LCU 2000.

    O Tamanho da LCU 2000 é ligeiramente maior que esta colombiana.

    São landing craft utility….pau pra toda obra…..em rios ou mar….servem para desembarque de tropas ou material, inclusive MBT´s….

    Se pode içar e baixar uma lancha rapida de interceptação, isto apenas ocorre pela flexibilidade deste meio….é rustico e barato….americanos possuem varias delas…

    • Carvalho…
      .
      caso você retorne…os “LCU 2000” foram adotados pelo US Army há bem mais de 10 anos atrás …isso lembro bem… e a US Navy já tem um substituto para seus “LCUs” que deverão começar a entrar em serviço no início da próxima década.

  15. A Indonésia investe muito neste conceito, inclusive o Exército, vejam este LCU na foto, entregue a poucos anos. Os dois novos encomendados pelo Exército tem heliponto e pesam cerca de 1500 tons.
    Mas que fique claro que eles são um arquipélago com mais de 10.000 ilhas, das quais 5.000 são habitadas, então pela sua geografia ter meios para desembarcar tropas e veículos nas ilhas é uma exigência.
    . https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQABV2XbyCWZId5q7SyGw_Wcoxk-SDHBp2cxYfPiukHu5MmgMB5t3StNWDI

  16. Luis Galvao 10 de julho de 2018 at 12:27

    O valor de 13 milhões de dólares está escrito no texto da matéria. Você quer confirmar o que ?

    É, vc está certo… é daqueles que tb acredita que Makassar custa 150 milhões… escoltas bem armados por 350 milhões…e por aí vai…
    papel aceita tudo mesmo…

    • Por favor não invente essas coisas. Não lhe dei procuração para falar por mim.

      Você não me conhece e portanto não sabe o que eu penso.

  17. Fiz uma pergunta para quem entende do assunto (cotação de navios militares no mercado internacional)… mas ok, fica as minhas desculpas então.

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