Home Indústria de Defesa Submarinos podem atrasar mais se houver novos cortes

Submarinos podem atrasar mais se houver novos cortes

5212
70
Submarino Riachuelo no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro
Submarino Riachuelo, em construção no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro

Para economizar, Marinha vai cortar 12 mil vagas até 2030, diz o almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira

Por João Luiz Rosa

Iniciado há 20 anos, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha brasileira está prestes a dar um passo decisivo. O país vai lançar ao mar, em 12 de dezembro, o “Riachuelo”, primeiro dos quatro submarinos convencionais previsto no acordo de cooperação firmado com a França, em 2008. A expectativa é que os demais fiquem prontos em 2020, 2021 e 2022.

Mas o cronograma pode ser comprometido se houver cortes de orçamento, diz ao Valor o almirante de esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, comandante da Marinha do Brasil. Com gastos originalmente previstos em R$ 2,6 bilhões por ano, o Prosub já passou por reduções orçamentárias, um dos fatores no atraso do projeto.

Os submarinos convencionais acumulam atraso de pouco mais de dois anos e o quinto e mais aguardado navio – o Álvaro Alberto, primeiro do país com propulsão nuclear – não tem data de entrega. “Não conseguimos prever”, diz o almirante.

Nesta entrevista ao Valor, Bacellar explica a razão das incertezas e revela o que está fazendo para lidar com a redução do orçamento geral da Marinha. Desde 2013, os recursos caíram 55%, para R$ 2,9 bilhões. “Estamos fazendo um grande esforço de racionalização, incluindo redução de pessoal”, diz o comandante. Até 2030, a Marinha vai perder 12 mil pessoas, quase 15% de seu efetivo atual, de 80,3 mil militares. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa.

Valor: O Prosub sofreu cortes?

Eduardo Bacellar Leal Ferreira: Quando o contrato foi assinado, em 2008, a previsão era gastar R$ 2,6 bilhões por ano. Em 2015, houve um corte muito grande [da dotação inicial de R$ 1,77 bilhão foram liberados R$ 1,05 bilhão]. Foi terrível. Depois, o governo aceitou passarmos para R$ 2 bilhões. Mas desde então, nunca chegamos a esse valor. Nos últimos dois anos, ficou em torno de R$ 1,8 bilhão por ano. Está em R$ 1,5 bilhão neste ano. O passivo está se acumulando. Se houver outro corte, vamos ter dificuldades.

Valor: Existe essa possibilidade? O que fazer para evitar mais cortes?

Bacellar: É um risco real. Estamos conversando com o Ministério do Planejamento. Temos dois argumentos. Um é bem objetivo: há um acordo de governo com a França, há contratos assinados com empresas e há financiamentos com bancos. É um compromisso que o Brasil assumiu. Outro aspecto, subjetivo, diz respeito a benefícios como a transferência de tecnologia e a criação de emprego para milhares de técnicos altamente qualificados. Tem muita gente da USP [Universidade de São Paulo] contratada pela Marinha.

Valor: São quantos técnicos?

Eduardo Bacellar: Dois mil e poucos no programa nuclear e um número parecido no de submarinos. Isso em empregos diretos. Fora as empresas que estão contratadas no Brasil.

Itaguaí – Estaleiro e Base Naval
Itaguaí – Estaleiro e Base Naval

Valor: São dois programas?

Bacellar: São quatro. O de construção de submarinos [Prosub] está dividido em dois subprogramas: os convencionais e o nuclear, ambos com os franceses. Além disso, temos o programa nuclear propriamente dito [PNM] para desenvolver o reator e o ciclo de combustível nuclear. Como ninguém vai vender urânio enriquecido para operarmos o submarino nuclear, tivemos que desenvolver o ciclo de combustível. Isso já está resolvido, em fase quase industrial. O reator está no meio do desenvolvimento. E há o programa de construção de estaleiros e da base naval em Itaguaí (RJ), onde entra a Odebrecht.

Valor: O escândalo da Odebrecht afetou o projeto?

Bacellar: Não fomos afetados. Somos muito rigorosos. Temos quatro auditorias. Um setor da Marinha constrói e outro, que não tem nada a ver com esse, faz auditoria de custos e serviços, principalmente na área ligada à Odebrecht, de construção civil. É a diretoria de obras civis da Marinha. Também contratamos a Fundação Getulio Vargas e o Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos. Além do próprio TCU [Tribunal de Contas da União], que tomamos a iniciativa de chamar.

Valor: Vocês não esperaram a obra terminar para chamar o TCU?

Bacellar: Chamamos antes de começar. De vez em quando, há questionamentos. Há uns dois anos, falou-se em um sobrepreço de R$ 400 milhões. No fim, foi identificado um valor de R$ 70 milhões. Estamos em fase de interpretação da regra. O TCU interpreta de um jeito, a Odebrecht, de outro. Mas já estamos cobrando o dinheiro da Odebrecht. A cada mês, descontamos um pouco do valor das faturas. Mas a Odebrecht ainda não está convencida. Ou seja, não houve má-fé. Tanto que eles estão recorrendo.

Valor: Qual o papel da Odebrecht no projeto?

Bacellar: É a construção dos estaleiros, da base naval, do complexo radiológico para abrigar o submarino nuclear. A Odebrecht também tem parte acionária na ICN Itaguaí Construções Navais, que é a construtora do submarino. A Itaguaí é constituída pela Odebrecht; pelo Naval Group [da França]; e pela [fabricante de equipamentos] Emgepron, que detém a “golden share” [classe de ação que pertence ao Estado].

Valor: O projeto está atrasado?

Bacellar: No caso dos submarinos convencionais, em pouco mais de dois anos. Parte se deve aos cortes de orçamento e parte, aos problemas técnicos.

O elevador de submarinos, no Complexo Naval de Itaguaí no RJ, pelo qual o submarino Riachuelo será lançado ao mar em dezembro
O elevador de submarinos, no Complexo Naval de Itaguaí no RJ, pelo qual o submarino Riachuelo será lançado ao mar em dezembro

Valor: E qual o cronograma?

Bacellar: Em 12 de dezembro, vamos lançar o primeiro convencional, que vai ficar mais um ano e meio em testes. Será entregue à esquadra em junho de 2020. Com o submarino nuclear, a coisa é mais complicada. Não conseguimos prever.

Valor: Por quê?

Bacellar: Ninguém ajuda. Você tenta comprar [um equipamento], os americanos não vendem. O [produto] americano é mais barato que o espanhol ou o chinês, mas os americanos se recusam a vender.

Valor: E os chineses, vendem?

Bacellar: É mais caro, mas vendem. Os espanhóis também. Às vezes, tentamos comprar algo e os americanos ou outro país fazem pressão para a empresa não vender. Aí temos de desenvolver aqui, que é mais caro. Cada equipamento é uma guerra.

Valor: E qual o prazo para os demais submarinos convencionais?

Bacellar: Serão [lançados] praticamente um a cada ano, em 2018, 2020, 2021 e 2022. E a entrega [para a esquadra] será em 2020, 2021, 2022 e 2023.

Valor: Qual o investimento consumido pelo Prosub até agora?

Bacellar: Foram R$ 17 bilhões desde 2008, uma média anual de R$ 1,7 bilhão. Até o fim deste ano pode chegar a R$ 18 bilhões.

Valor: E quanto mais vai custar?

Bacellar: Uns R$ 17 bilhões ou R$ 18 bilhões.

‘A Marinha opera no limite há anos. O Brasil precisa ter, no mínimo, 12 navios de guerra. Temos 11, todos velhos’

Valor: O reator nuclear está sendo construído em Iperó, na região de Sorocaba (SP), não é?

Bacellar: Sim [no Complexo de Aramar]. Estamos fazendo um reator-laboratório em terra, que vamos testar e certificar. Depois da homologação, vamos construir um idêntico para o submarino.

Valor: Há risco nuclear?

Bacellar: A Cnen [Comissão Nacional de Energia Nuclear] faz a certificação [dos trabalhos]. E [em fevereiro] criamos uma agência de segurança nuclear própria. A Marinha nunca seria perdoada se houvesse um acidente nuclear.

Valor: Em um país sem guerras, qual o papel da Marinha?

Bacellar: Nossa Marinha é multipropósito. É diferente da americana, que eu chamo de “warfighting navy”. A Marinha americana faz guerra. Nós temos várias outras tarefas.

Valor: Quais?

Bacellar: Segurança da navegação, hidrografia, cartografia náutica, todo o apoio logístico para a pesquisa na Antártida. Temos navios-hospital na Amazônia, no Pantanal.. Cuidamos da preparação dos marinheiros mercantes… A Marinha também coloca em vigor as normas da autoridade marítima internacional.

Valor: Com que efetivo?

Bacellar: Temos pouco mais de 80 mil homens na ativa. E 4,4 mil funcionários civis. Já tivemos 25 mil.

Corveta Tamandaré
Corveta Tamandaré

Valor: O corte de gastos tem prejudicado outros programas?

Bacellar: Sim, tem o próprio dia a dia. Navio é muito caro. Qualquer navio de guerra, hoje, custa US$ 500 milhões, US$ 600 milhões. Estamos sem substituir nossos navios de superfície há 40 anos. Temos um com 10 anos, o “Barroso”, mas a maioria tem de 38 a 42 anos, quando são feitos para funcionar de 25 a 30. Agora, estamos com um programa para construir quatro corvetas, com empresa estrangeira e estaleiro brasileiro.

Valor: Em que fase está?

Bacellar: Já garantimos as fontes de recursos. O Brasil precisa ter no mínimo 12 navios-escolta – corvetas ou fragatas. Temos 11, todos muito velhos. Vamos fazer quatro.

Valor: No Brasil mesmo?

Bacellar: A ideia é sempre construir no Brasil. Navio de guerra é muito sofisticado. Não dá para pegar alguém que faz navio mercante para construir… Um navio de guerra tem 2 mil toneladas, mas consome 100 vezes mais homem/hora para ser construído que um mercante, que tem 200 mil toneladas.

Valor: A iminência de um novo governo acentua a preocupação com cortes de orçamento?

Bacellar: É uma preocupação permanente. A Marinha trabalha há anos no limite. Com o envelhecimento da frota, os navios passam a funcionar com menos equipamentos em operação. Estamos fazendo um esforço muito grande de racionalização, inclusive com redução de pessoal.

Valor: De que ordem?

Bacellar: A cada ano diminuímos de 1 mil a 1,2 mil homens. Até 2030, a Marinha vai perder 12 mil homens. Sendo uma redução gradual, podemos perder [pessoal] sem afetar [as operações]. Também estamos aumentando o número de funcionários temporários. Em vez de ficar 30, 35 anos, as pessoas vão ficar 8, receber indenização e ser substituídas. Com isso, não levamos encargos para o futuro.

Valor: Qual deveria ser o volume de investimento?

Bacellar: Com US$ 1,2 bilhão por ano, durante 15 anos, daria para reconstruir a Marinha. Hoje não recebemos US$ 600 milhões.

Valor: O senhor tem procurado os candidatos à presidência?

Bacellar: Temos conversado para mostrar as preocupações referentes às necessidades da Força… Mostrar o problema do orçamento, as dificuldades que estamos tendo, nossos programas e a importância do mar.

Valor: Como está distribuída a esquadra brasileira?

Bacellar: Os navios-escolta, para a defesa do país, ficam no Rio, onde também está o “grosso” dos fuzileiros navais. Temos nove distritos navais espalhados pelo Brasil. Existem forças distritais [subordinadas aos distritos] compostas por navios-patrulha, navios de apoio, navios-hospital, navios balizadores… Estamos começando uma força distrital em São Paulo. Vem um navio-patrulha para Santos. São Paulo está crescendo muito nós.

Valor: Qual o motivo?

Bacellar: O porto de Santos é um dos maiores do mundo. Cerca de 8% do tráfego marítimo internacional é de carga brasileira. Em termos de volume e segurança de navegação, é um desafio muito grande. Geopoliticamente, poucos países estão tão longe dos grandes centros como o Brasil. Então, o país tem de ser muito competitivo. Qualquer crise, pirataria, nos afeta mais que a outros países. O frete fica mais caro. O ferro brasileiro, por exemplo, está sendo exportado para a China e concorre com o australiano. Temos de ter um sistema muito eficiente e isso inclui segurança na navegação.

Valor: A transferência de tecnologia para empresas está em fase avançada?

Bacellar: Temos 52 empresas no Prosub. A WEG, por exemplo, está fazendo motores com um sistema diferente de motor elétrico. Passou muito tempo para que os franceses nos cedessem essa tecnologia, que estamos transferindo para eles. Na ICN, são cada vez mais [técnicos] brasileiros. Há pouquíssimos franceses. Conseguimos absorver praticamente toda a tecnologia.

FONTE: Valor Econômico

70 COMMENTS

  1. Pois é.

    Mesmo assim, vamos ter o custo de colocar o Riachuelo na água apenas para homenagear o Almte. Leal Ferreira e depois, voltar com ele para o estaleiro para que seja devidamente finalizado. E aí , outra vez, a mesma operação de volta ao mar.

    Para uma Marinha que conta os centavos para poder operar , e como pagador de impostos, é um absurdo !

      • O processo é colocar o barco no mar, testar e continuar na água, para eventuais acertos.

        O que se está dizendo na matéria é que vão colocar o submarino na água, fazer as homenagens e depois voltar com ele para dique-seco e continuar as obras.

    • Toda embarcação vai para o mar e depois volta para ser analisada, saber se se comportou como devia, testar sistemas e etc.

      Você não sabe do que está falando.

      • Sabichão,

        O processo é colocar o barco no mar, testar e continuar na água, para eventuais acertos.

        O que se está dizendo na matéria é que vão colocar o submarino na água, fazer as homenagens e depois voltar com ele para dique-seco e continuar as obras.

        Recomendo a você, tão sabido, exercitar leitura e compreensão de textos antes de ser petulante e grosseiro.

    • Oxi e quem confia no Brasil? Eu, se fosse um Estado não botaria minha mão no fogo pelo Brasil não. Hoje estamos de um lado, daqui 4 anos, do outro, vai botar tecnologia sensível aqui pra parar na mão de sabe se lá quem..

      • Cidadão ,e quem confia neles ? Você? Com certeza é direito deles recusar vender ou compartilhar tecnologias sensíveis, mas não venham com conversinhas para crianças de 8 anos que os amis são parceiros, amigos, etc… , ou exemplo de confiabilidade.
        Eles já estiveram de um lado e pouco depois passaram a suportar o outro, quebram e quebraram rotineiramente acordos internacionais unilateralmente sem se preocupar com as consequências. Chama-se de interesse nacional e é prioridade para qualquer Estado que seja minimamente soberano.
        Em 1971, durante a guerra indo paquistanês , o Nixon enviou um grupo tarefa liderado pelo USS Enterprise para o golfo do Bengala , na tentativa de amedrontar a Índia. Os soviéticos responderam mandando bem na ré do grupo tarefa americano um submarino nuclear. Desde então os indianos se tocaram e aprenderam a lição, a importância de possuir essa ferramenta de dissuasão.
        Hoje a Índia adquire equipamentos de quem quiser, contrata a aquisição de S-400 russos e os americanos ficam calados e aceitam bem sabendo a importância daquele país. E o mais engraçado , não só não sofre sanções diretas pela aquisição de sistemas de defesa russos , em agosto, o Trump colocou a Índia na lista STA-1 (Strategic Trade Authorization-1). A inclusão permite a Índia comprar US por produtos de alta tecnologia, especialmente nos setores de segurança e defesa, colocando os indianos em pé de igualdade com os” aliados ” históricos, como a Coreia do Sul e Japão. Se não erro dessa lista fazem parte 37 países. Me digam no que a Índia seria mais confiável ? Parem com essas infantilidades de querer impor uma visão moralistas sobre as relações internacionais.
        Se você como cidadão não confia e não preza pelo seu país quem o fará ? O Brasil não se resume apenas em partidos políticos , Estado e suas instruções. Todos os cidadãos formam a nação brasileira, cada indivíduo, não é algo abstrato.

    • Stenio,

      Não existe isso de que “os americanos atrapalham os planos do Brasil”.

      Nenhum país, seja os EUA ou qualquer outro, transfere/vende tecnologia sensível para outro país.

      Os países que já dominam a tecnologia de armamento nuclear e/ou de submarinos movidos a energia nuclear o fizeram por conta própria.

        • Não. Nao é. Russos vendem a chineses que vendem a paquistaneses que repassam a indianos que trocam com coreanos que chega em Cuba. Americanos vendem a canadenses que repassam a França que troca na Indonésia e na Indochina.

          Só o Brasil pensa que o mundo é santo.

      • Nenhum país, seja os EUA ou qualquer outro, transfere/vende tecnologia sensível para outro país?
        Não é bem assim.
        Sei que o programa nuclear brasileiro teve um empurrãozinho alemão de não pouca relevância, nesse contexto os amis não perderam a ocasião de travar o trabalho e o esforço heróico desses verdadeiros brasileiros.

        • Os EUA vive transferindo tecnologia deles para o Brasil. Dê uma olhada quantos brasileiros fizeram pós graduação nos grandes centros americanos. Veja quantos estão lá agora fazendo as suas pós nas áreas mais distintas, inclusive, as de tecnologia sensível.
          Agora, se esse povo quer ficar lá aí não é problema dos EUA. Se esses “doutores” querem ficar nos EUA e não virem aqui somar para a soberania brasileira, aí é outra história.
          Os EUA estaria boicotando brasileiros se impedissem pesquisadores brasileiros de estudarem lá, e isso ele não faz.
          Se alta tecnologia fosse do interesse da nação, se o Brasil tivesse um projeto de nação de longo prazo, se não quiséssemos passar a vida inteira reclamando dos EUA e com medo deles virem aqui buscar a água, a Amazônia e o pré-sal e o nióbio, e colocássemos na cabeça que temos que ser uma nação independente, soberana e não um “posto Ipiranga” para as commodities do resto do mundo, eternamente trocando ouro por espelhinho e querendo se superar a todo ano na exportação de soja , petróleo e no turismo (só loucos estrangeiros com tendências suicidas ainda visitam o Brasil) e fazermos a dferença no Século XXI, XXII, XXIII… aí poderíamos arrumar o país, acabar com a violência que grassa nossa sociedade, valorizar os professores, pagar muito bem os cientistas, pagar menos a jogadores de bola e “artistas” e celebridades em geral, ser um país atraente para mentes privilegiadas estrangeiras, e aí sim poderíamos construir uma grande nação baseado na tecnologia de ponto e deixarmos de ser um antro onde os estrangeiros vêm aqui para fazer turismo sexual e nos achar exóticos e eternos vendedores de recursos naturais.
          Como isso não vai acontecer seremos por pelo menos mais 500 anos essa galinha voadora de hoje, reclamando da sorte e de que somos boicotados por aqueles que resolveram voar como falcões.

          • Graduação, pós-graduação, mestrados, doutorados, não estão associados a transferência de propriedade intelectual e industrial.

            Estudantes de todo o mundo vão aos EUA estudar porque as melhores escolas e os melhores empregos estão lá.

            Registro de patentes é outra coisa. Também tem origem na pesquisa e no desenvolvimento. Também vem do estudo. Mas enquanto a IBM registra 5 mil patentes por ano, nós registramos 500.

            Um automóvel tem de 3 a 5 mil patentes reconhecidas. Da lanterna ao câmbio e motor. Um navio militar pela sua complexidade deve ter mais.

            Nos anos do pós-guerra vendemos a patente do câmbio automático para a GM. Não víamos uso.
            Mais recentemente vendemos o UFC por 2 ou 3 milhões. Vale pelo menos 15 bilhões de dólares.

          • Bosco, não leve a mal, não tem nada de pessoal ou confrontação política partidária, mas os brasileiros possuem uma péssima atitude e uma ainda pior percepção do próprio país. Você , como tantos outros, é a prova cabal dessa atitude. Segundo o Reputation Institute , uma organização que avalia a reputação de empresas e instituições , o Brasil em uma recente pesquisa ficou em 24° posição, a sondagem foi efetuada para a avaliar a reputação de 70 países, os participantes que votaram foram 58.000 pessoas , todas residentes nos países do G8 . O nosso país recebeu uma avaliação até melhor que os EUA ( 28°) e da China . Mas o outro lado da medalha sabe qual é ? O Brasil é segundo país com a pior percepção de si, onde a África do Sul -talvez o melhor país da África- é primeiro e a Itália terçeira(3°). Esses três países possuem algumas semelhança: uma sociedade que só sabe criticar a própria nação, um desmedido sentimento xenofilo e baixa autoestima em relação a própria nacionalidade.

        • Os EUA tem cientistas de todas as nações do mundo lá: chineses, russos, indianos, brasileiros, albaneses, etc.
          A culpa é dos americanos se eles se acham os “eleitos” e valorizam o trabalho intelectual enquanto nós valorizamos o vitimismo e jogadores de bola?

          • Não sei e não entendi o que a pós graduação tem a ver com a transferência de tecnologias sensíveis. Por a caso Brasil está na lista STA-1 (Strategic Trade Authorization-1)? Se eles tem cientistas do mundo todo não é misericórdia ou sinônimo de transferência tecnológicas e suporte,muito pelo contrário, é algo conveniente para as instituições científicas e acadêmicas deles . São um recurso super valioso que eles importam e sabem valorizar. Nada mais nada menos. Eu pergunto a vocês se a sociedade indiana é tão perfeita assim para merecer apoio por parte de Washington ou será simples e pura geopolítica? Quer dizer se o nosso país possui defeitos os outros são automaticamente autorizados a tratar-nos como uma nação de categoria B … Ótimo raciocínio.
            É cada contorcionismo pra justificar a posição e atitudes americanas que chega ser deprimente.

          • Thiago,
            Acho que você se julga competente para fazer análises sobre políticas e estratégias globais mas tem dificuldades de interpretar textos.
            Eu paro por aqui!

          • Quanto a estarmos ou não na lista STA-1 isso não teria a mínima lógica. Comparar o fato da Índia estar e nós não é comparar laranjas com maçãs.
            Não há porque o Brasil fazer parte de tal lista tendo em vista a geopolítica da AL. Seria um absurdo sermos parceiros estratégicos preferências dos EUA, no mesmo nível do Japão ou Coréia do Sul ou Reino Unido ou Israel.
            Se a Índia, uma potência nuclear inserida num contexto estratégico militar completamente diferente do contexto da AL, faz parte da lista, ótimo pra eles. Deve haver motivos legítimos para isso.
            Não há motivos legítimos para nós sermos considerados parceiros estratégicos privilegiados dos EUA e pensar diferente é querer polemizar, politizar e querer achar cabelo em ovo.

          • Justamente Bosco, é geopolítica, exato. Eles sigam a deles, e nós a nossa. Conservemos a memória, pois chegará o dia de conta, e a equação deverá considerar todos esses fatores.

        • O que eu entendi , é que o Brasil quer comprar peças e não tecnologia .Espanha e China tem ,mas são mais caros …Entaão que pague mais caro ué ,fazer o que se eles não querem vender ?

        • Não é assim ?

          ok. Então pergunto a você e a todos que seguiram o seu raciocínio, o seguinte : Os EUA ou qualquer outro país vedem suas tecnologias de reatores nucleares para propulsão de submarinos e navios ? Vendem qualquer outra coisa/tecnologia relacionada a este assunto, por exemplo ?

          Vendem/transferem a tecnologia das MIRV´s ?

          É nesta linha que afirmei que não vedem.

          Quem tem esse conhecimento não repassa porque obviamente lhes dá uma enorme vantagem tecnológica.

    • E de certa forma estão corretos. Desenvolvimento nuclear é coisa séria e quem quer ter esse conhecimento precisa provar que é capaz de tal e assumir o ônus. Seria ótimo se eles auxiliassem com isso, mas eu entendo o lado deles. Certamente o Brasil fará o mesmo com outros países que nos consultarem(futuramente). Alem do mais, caso aconteça alguma M… a responsabilidade tem que ser do BR e somente nossa.

  2. Começou a palhaçada de sempre, é como meu saudoso pai dizia, “Quem não tem (…) não contrata (…)!” Dinheiro pra praticar a boa e velha política tem, né?

  3. Valor: O escândalo da Odebrecht afetou o projeto?

    O Almirante Othon não foi preso pelo projeto do submarino nuclear?
    Ou foi pelas obras de Angra?

  4. Dúvida.

    Na série sobre o Prosub, o Poder Naval divulgou que o MEP do Riachuelo seria fornecido pela Jeumont porque o ToT seria caríssimo. Contou o Poder Naval que a WEG não estaria preparada para fornecer o MEP.

    Bacellar conta diferente. O MEP vem da França ou vamos pagar pelo ToT e transferir para a WEG? Quanto custa o ToT do MEP, quanto custa o MEP da Jeumont e quanto custa o MEP da WEG?

    O Poder Naval contou a história das baterias. A empresa americana que forneceria…deu volta e meia e saiu do Brasil. Claro, ninguém, principalmente os americanos, ninguém facilita obtenção de tecnologia e de propriedade intelectual militar. História conhecida.

    O orçamento do Prosub incluindo Itaguai foi 6 ou 6,5 bilhões de euros. Bacellar fez conta de 36 bilhões de reais na entrevista. De cara, já tá faltando 10 bilhões de reais. E aí? De onde vem?

    Desanimador. Não sou marinheiro. Fiz essas contas da matéria em postagens comentadas anteriores. Falei..vai faltar. Tá faltando…

    Os editores me corrigiram afirmando que como há financiamento da França e contratos assinados…tava tudo azul. Mar de Almirante.

    Só que não. Desanimador.

    • “Na série sobre o Prosub, o Poder Naval divulgou que o MEP do Riachuelo seria fornecido pela Jeumont porque o ToT seria caríssimo. Contou o Poder Naval que a WEG não estaria preparada para fornecer o MEP.

      Bacellar conta diferente. O MEP vem da França ou vamos pagar pelo ToT e transferir para a WEG?”

      Esteves,

      O comandante da Marinha falou em MEP (motor elétrico de propulsão)? Submarinos têm outros motores elétricos. E o que o Poder Naval divulgou foi a partir de fontes da própria Marinha, ligadas diretamente ao programa.

      “Os editores me corrigiram afirmando que como há financiamento da França e contratos assinados…tava tudo azul. Mar de Almirante”

      Duvido que qualquer editor daqui tenha te respondido com essas palavras e esse tom de “tudo azul” ou “mar de almirante” se aqui mesmo também noticiamos mais de uma vez os problemas financeiros deste e de outros programas, e fazemos isso há mais de dez anos.

      Você tem o triste hábito de entender as coisas errado e colocar palavras na boca dos outros.

      • Tá ilustrado. É uma expressão. Os editores afirmaram que há recursos em razão do financiamento e dos contratos. Se não está entre aspas, não são palavras dos editores. E como os editores publicam, são palavras do Esteves.

        Acompanho e agradeço as publicações dos comentários. Claro que a soberba dos editores esta acompanhada por qualificações e tecnicidades que não ouso contestar. O site é especialíssimo.

        Apressadamente citei o MEP porque foi matéria. O MEP, a WEG, a Jeumont, a transferência. Na matéria, a MB abre mão do ToT e prefere comprar direto por razões financeiras. Deduzi que a grana já tava faltante.

        A WEG fornecerá outros motores? Legal. Ok. Penso que se motores menores precisam de ToT, da França para a MB e da MB para a WEG, a vida é duríssima. Mas se até para-choque e lanterna de carro tem patente…fazer o que?

        Não sou babão. Tenho os vícios naturais dos ignorantes e dos perguntadores. Pode ser lacaniano. Hora o Esteves. Ora o discurso do Esteves.

        Mas…se minhas toscas palavras sugeriram outra coisa que não a crítica, calma lá. Não foi com essa intenção.

        Já to moderado. Não vão endurecer mais, ok?

  5. A Marinha do Brasil com duas duzias de navios velhos e caindo aos pedaços e mesmo assim tem 80 mil homens na ativa? Tem que cortar ainda mais! E substituir o máximo que puder os efetivos pelos temporários. E ainda fazer um pente fino na previdência das Forças Armadas.

    Ps. 36 bilhões pra construir 5 submarinos! Caríssimo!!

    • Não existe previdência das Forças Armadas. 36 bilhões = Aramar, Itaguaí, 4 subs convencionais e os respectivos ToTs e 1 sub nuclear. São 5 frentes. Diferentes.

        • eu penso exatamente o contrário. A melhor arma que a marinha do Brasil pode ter sao submarinos oceanicos, com sensores e armas modernas. Mesmo um pequeno numero deles exige um grande esforço para ser combatido. É o único meio naval efetivo que somos capazes de ter e que pode enfrentar um inimigo com meios aeronavais.

          Fragatas e corvetas sao necessarias para escoltar outros navios de combate, que no nosso caso sao uns poucos navios anfibios (PHM Atlantico, NDM Bahia, etc).

          Se for uma questao de escolha, certamente cancelaria a aquisicao de novas corvetas e transferiria esses recurso para os submarinos.

  6. Essa materia me lembra aquela que saiu lá no forte…
    “Brasil leva mais de 30 anos para desenvolver míssil anticarro”
    Brevemente parece que poderemos ver a mesma matéria, trocando míssil por submarino.
    Os que atrapalham os planos do Brasil…
    São os brasileiros mesmo

  7. Bacellar: Nossa Marinha é multipropósito. É diferente da americana, que eu chamo de “warfighting navy”. A Marinha americana faz guerra. Nós temos várias outras tarefas.

    Pera aí. Pera aí.

    Então pra que PROSUPER? Pra que escoltas de 500 milhões de dólares com guerra anti-submarino, antisuperficie, antiaérea? Pra que sub nuclear? Pra que radar OTH?

    No Poder Naval defende marinha de negação. No Valor é marinha boazinha?

    Pera aí.

    • Esteves, significa que além de fazer a Guerra, a Marinha do Brasil precisa executar diversas outras tarefas, até porque é a única entidade nacional que pode fazê-las.

    • Esteves, o que o Almirante disse claramente é que além de Marinha de Guerra o Brasil também é a autoridade marítima, papel este realizado pela US Guard Cost nos EUA, e Força de Fuzileiros da Esquadra, papel este realizado pelo US Marine Corps, sendo assim, a US Navy tem 100% de seu orçamento revertido apenas para a Esquadra, Aviação Naval e Pesquisa.

      Att
      Cícero Beserra(FN)
      Adsumus

      • Pera aí.

        Aqui no Poder Naval a MB declinou da função costeira. Não quer saber de fiscalização nem de polícia. É com as polícias estaduais essa história de combater contrabando e outros crimes costeiros.

        Warfighting navy é a deles. A nossa é de amigos. Multimissao. Vai pro Líbano. Graças ao Bahia e ao Atlântico será humanitária. Porque somos bacanas.

        Então larga o PROSUPER e os porta-aviões. Esquece escolta de 6 mil ton. Pra que corveta super armada se só haverá…4….3…2…?olha a valente Barroso.

        • Pera aí…
          Esteves, infelizmente você disputa com alguns membros da trilogia o título de cabeça dura a qual somos obrigados a ler. Fui bem claro, o Almirante foi cristalino, se no entanto, ainda deseja continuar com sua afirmativa, o direito é todo seu, o ônus também.

          Cícero Beserra(FN)
          Adsumus

          • Cabeça dura. Talvez.

            Veja,

            Entendo que sendo a GC deles muito maior que várias marinhas incluindo a nossa, poderíamos copia-los. Investir em uma marinha oceânica costeira. Mas, entendo que isso nos levaria a ser empurrados de volta ao litoral já que negamos ou diminuímos a importância de uma marinha de águas azuis.

            Se não fincamos pé muito mais além, quando surgir conflito vamos nos contentar de aonde paramos pra trás.

            Então, ok,ok. Marinha de guerra. Marinha de águas azuis. Mas não há orçamento para um mar desse tamanho. Aritmeticamente. Nunca haverá? Talvez.

            O contigente será reduzido e profissionalizado. A despesa com gente que leva quase 80% ficará menor? Talvez.

            Marinha mista. Um pouco de lá e de cá. Negação e projeção em doses. Marinha balanceada. Só se mudar muita coisa nesse país. O judiciário come 1,5% do PIB. Tem juiz reclamando que a toga tá velha? Mesa obsoleta? Caneta sem tinta?

            Se não tem caminho tem que construir. Não vejo clareza no horizonte. Conforme cortam as verbas, aparecem planos, replanos, projetos e reprojetos. Sempre uma reforma.

            Uma marinha adequada precisa de ao menos 1 porta. Ok. Pelo menos 6 escoltas de 6. Ok. 12 escoltas de 3. Ok. 12 subs. Ok…ok…pera aí…só na manutenção de meia vida acabou a grana. Sem falar que metade não opera.

            Eu pensava que assuntos marinheiros fossem mais fáceis de entender.

            Cabeça Dura. Logo eu.

  8. Tem candidato a PRESIDÊNCIA da república que diz que se eleito vai estatizar as 100 maiores empresas do Brasil.
    Tem candidato a PRESIDÊNCIA da república que diz que os EUA querem “tomar” a amazônia do Brasil.
    Tem candidato a PRESIDÊNCIA da república que diz que os EUA querem “tomar” alcântara.

    E depois as pessoas se surpreendem com o fato de que os americanos não mantenham um nível aprofundado de relação política/estratégica com a terra da banana assim como eles fazem com o RU,Japão e europa.

    • Não é interesse dos americanos facilitar a vida de ninguém, se eles facilitarem pode apostar que algum interesse eles tem e vão querer alguma coisa em troca. Se eles pudessem não transfeririam tecnologia ou ajudariam ninguém. Com a ascensão da China e de sua marinha chegou a vez dos países asiáticos barganharem por seu apoio, vide Índia, Indonésia, Vietnã e Filipinas. Se os americanos quiserem o apoio desses países, sabem que vão ter que dar algo em troca e tolerar certas atitudes desses países, a não aplicação de sanções a Índia, ao Vietnã e a Indonésia por comprar armas russas é uma dessas concessões

  9. E é por isso que no Brasil coisas militares quase n dao certo …sofrem cortrs atrasos aumentos de custos etc etc etc …total gasto desde 2008 18 bilhoes de reais so jo prosub,dava pra ter pego a ofertao do Japão e ficado feliz até,podem acreditar apesar de adquirir esse conhecimento com os programas,depois de pronto nos n vamos usar

  10. U$ 1,2 bilhões de dólares/ano para termos uma marinha decente. Ou seja, uma valor totalmente viável para um país com mais de U$ 2 trilhões de PIB. Falta de visão e amor a essa pátria é o que mais impede o reaparelhamento da nossa marinha. Mas claro, os bancos tem prioridade. Só esse ano serão mais de 1 trilhão de reais pagos em juros e rolagem da dívida. Por isso falta dinheiro pra todo o resto. Usando apenas 1% deste valor ao ano já seriam suficientes para os novos submarinos, corvetas, fragatas e até mesmo um porta-aviões. Dinheiro tem, a questão são as prioridades dadas ao orçamento.

      • Se o Brasil não pagar os juros, o Brasil quebra.

        Arrecada-se menos do que gastam.

        Enquanto não cortaram um monte de cabideiro de emprego, cortarem gastos errados e mudar a forma da previdência do Brasil não tem como fechar as contas.

        Se a conta não fecha, vc tem que pegar dinheiro emprestado. Os americanos fazem o mesmo.

        Ai o investidor internacional (ou nacional mesmo) pode escolher comprar dívida dos EUA que eles pagam vamos dizer 4% ao ano. Se eles pagam isso, o Brasil tem que pagar mais que esse valor, pq ninguém vai trocar dólar por real (não alguém que não seja louco em investimentos).

        Ai o governo paga 12% ao ano (aproximado hoje) aqui para fechar as contas.

        A outra maneira é aumentar imposto. Já pagamos muito impostos pra pouco retorno. Se aumentar mais ainda os impostos, os investidores abandonam as empresas daqui e colocam dinheiro em outro lugar.

        Ou seja, tirem isso da cabeça de vcs. Não vai acontecer no curto/médio prazo.

    • 76 bilhões para a Defesa. A MB tem 0,85% de 3. Investimento = 5% X 25 bilhões = 1,2 bilhões de reais.

      Para chegar a 1,2 bilhões de dólares precisaria multiplicar por 4. É muito.

      Mas é pouco comparando com os gastos públicos. Um ministério como o da infraestrutura deve gastar isso por ano.

  11. Estou com quase 30 anos. Acho que não verei a Marinha novamente com 14 ou mais escoltas.

    O Comandante disse que precisa de no mínimo 12 navios-escolta e que hoje possui 11 navios velhos. 11????? Se 5 estiverem operacionais “É pra glorificar em pé!!!”

  12. “Valor: Em um país sem guerras, qual o papel da Marinha? Bacellar: Nossa Marinha é multipropósito. É diferente da americana, que eu chamo de “warfighting navy”. A Marinha americana faz guerra. Nós temos várias outras tarefas.”

    Uma reportagem assim é sujeita à edições que escapam à vontade do entrevistado, isso considerado, essa questão poderia ser melhor esclarecida.

    A Marinha Americana é “warfighting” porque lá a Guarda Costeira cuida das águas marrons, dos serviços distritais, nada obstante ter mais capacidade de projeção oceânica que inúmeras marinhas, a do Brasil inclusive.

    A MB atua com muitos e nobres sacrifícios tanto nas águas marrons, quanto hoje tenta reconstruir alguma capacidade efetiva de deterrência nas águas azuis, com sua arma submarina, coisa típica de “warfighting”, mas numa escala oceanicamente menor.

    Dito isso, a MB não é diferente da americana – “warfighting” nas palavras ditas – porque não quer, mas porque não pode e nem precisa, e não podendo ser ou precisando, tenta, sim, ser o que é possível, se precisar, dado o imponderável.

    Por fim, “em um país sem guerras”, o papel da Marinha é ser útil, no mar, aos seus contribuintes, assim atendendo ao interesse público, que não é uma abstração jurídica, antes uma realidade social aferida através da razoabilidade (equilíbrio) e proporcionalidade (adequação), simples assim. É o que penso.

    • Pois é. Queria o Esteves ter a simplicidade e a clarencia do Osawa. Queria eu. Porque quando tento vem bronca.

      Lá, existe marinha costeira. Aqui não. Lá existe marinha de guerra. Aqui também porque todos os planos e projetos saúdam uma marinha de guerra.

      Lá, dois oceanos. E a fronteira com o maior inimigo. Aqui…o perigo maior são as ondas da Costa Verde ou de Santa Catarina. E a maldita idade.

      Mestre Ozawa,

      Nos falta essa simplicidade para praticar uma marinha social, simplesmente efetiva, que busca no limitado orçamento, proteção pública?

      Na Física, os opostos se atraem. Na vida, lobo se dá com lobo.

  13. “Bacellar: A cada ano diminuímos de 1 mil a 1,2 mil homens. Até 2030, a Marinha vai perder 12 mil homens. Sendo uma redução gradual, podemos perder [pessoal] sem afetar [as operações]. Também estamos aumentando o número de funcionários temporários. Em vez de ficar 30, 35 anos, as pessoas vão ficar 8, receber indenização e ser substituídas. Com isso, não levamos encargos para o futuro.”
    .
    É este o caminho. Se continuar assim, se uma reforma da previdencia vier e se garantirmos no mínimo o congelamento dos recursos (não diminuir os recursos do MD após a redução de pessoal) do MD, a coisa se resolve em médio e longo prazo.
    .
    Não adianta pedir dinheiro na crise que estamos, sem fazer sacrifícios, sem cortar os excessos na própria pele.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here