Home Asa fixa Coreia do Sul estuda adotar caças F-35B nos LPH classe ‘Dokdo’

Coreia do Sul estuda adotar caças F-35B nos LPH classe ‘Dokdo’

4996
28
ROKS Dokdo (LPH-6111)
ROKS Dokdo (LPH-6111)

A Marinha da República da Coreia (ROK Navy) está buscando adaptar seus dois LPHs da classe “Dokdo” para operar a aeronave F-35B STOVL. De acordo com a agência de notícias Yonhap, a ROK Navy divulgou um edital por meio de um sistema eletrônico de aquisição de defesa da Administração de Programas de Aquisição de Defesa (DAPA) da Coreia do Sul, citando medidas dos países vizinhos para considerar a operação dos F-35Bs em suas embarcações.

A concorrência pede um projeto de pesquisa para explorar a possibilidade de operar aeronaves furtivas F-35B a bordo de seu navio de desembarque anfíbio, após algumas modificações.

A ROK Navy tem dois navios de assalto anfíbio de classe “Dokdo”: o ROKS Dokdo lançado em julho de 2005 e incorporado em julho de 2007 e o ROKS Marado que foi lançado em maio deste ano e está previsto para ser incorporado em 2020. Ambos foram construídos pelo estaleiro local Hanjin Heavy Industries and Construction (HHIC) em Busan.

Em outubro de 2010, o parlamento sul-coreano decidiu pela construção do segundo LPH e depois de uma série de novos adiamentos nas decisões do governo, em 23 de dezembro de 2014 a DAPA assinou um contrato com a HHIC no valor de 417,5 bilhões de won (US$ 370 milhões) para a construção deste navio. A HHIC concluiu a revisão do projeto técnico do navio em março de 2016 e cortou o primeiro aço em novembro de 2016. A quilha do Marado foi batida em 28 de abril de 2017.

O Marado e o Dokdo têm um comprimento de 199 metros, uma boca de 31 metros e um deslocamento de 14.500 toneladas. Sua velocidade máxima é de 23 nós, seu alcance é de 10.000 milhas náuticas a 18 nós. A tripulação é de 300 militares.

ROKS Dokdo (LPH-6111) lançando veículos anfíbios pela doca alagável na popa
ROKS Dokdo (LPH-6111) lançando veículos anfíbios AAV pela doca alagável na popa

O segundo navio apresenta várias melhorias. “O Marado é basicamente semelhante ao Dokdo, mas dotado com equipamentos primorados e um sistema melhorado”, disse uma autoridade da DAPA durante a cerimônia de lançamento.

O Dokdo tem capacidade de carga de até 720 marines totalmente equipados, 10 tanques, 10 caminhões, 7 AAVs e 3 sistemas de artilharia. O doca alagável na popa tem capacidade para duas embarcações desembarque tipo LCU ou 2 Embarcações de Desembarque de Colchão de Ar (LCAC). Todos os tipos de veículos (Jipes, IFV, MBTs, APCs, Engenharia), bem como soldados, podem ser carregados em embarcações de desembarque dentro da doca e levados para a costa. A capacidade do hangar abaixo do convés de voo é para até 15 helicópteros (incluindo alguns V-22 para o Marado). O convés de voo para acomodar simultaneamente até 5 helicópteros de todos os tipos em serviço com a OTAN.

Uma grande diferença é que o convoo da Marado foi adaptado para receber a aeronave de rotores basculantes (tilt-rotor) Bell Boeing V-22 Osprey. Várias imagens da DAPA mostram o Osprey no convés de voo. Por essa razão, e o fato de que a embarcação ainda está em fase de adaptação, o Marado provavelmente exigiria menos tempo, trabalho e orçamento para ser convertido para a operação do caça F-35B.

LPH Marado
LPH Marado
LPH Marado
LPH Marado

De acordo com a DAPA, a Marado está equipado com novos radares de navegação, sensores infra-vermelhos e radar de vigilância 3D de antena fixa (no lugar do radar Thales SMART-L 3D instalado a bordo do Dokdo), todos desenvolvidos na Coreia do Sul.

A ROK Navy também mencionou uma nova defesa contra mísseis antinavio (provavelmente o LIG Nex1 SAAM). “Sistemas de armas autóctones como radar de navegação, sistema de defesa antimíssil e sistema de combate melhorado serão instalados na Coreia, e a capacidade de detecção antiaérea também será melhorada com a instalação de um radar de defesa aérea fixo. Além disso, os principais equipamentos e instalações, como hélices e elevadores também são autóctones, o que irá melhorar a manutenção e reduzir os custos de manutenção”, diz o comunicado de imprensa.

Baseado nas imagens DAPA, o Marado será equipado com dois CIWS Phalanx: um na proa e outro na popa. O Marado também é equipado com o lançador de despistadores K-DAGAIE MK2 NG melhorado e os chamarizes de nova geração SEALEM/SEALIR da Lacroix.

Em relação ao F-35 Joint Strike Fighter, a Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) originalmente encomendou 40 caças F-35A, enquanto outros 20 foram encomendados em dezembro de 2017. Ainda não houve encomenda para o F-35B de decolagem curta e pouso vertical (STOVL) no entanto. O primeiro F-35A da ROKAF foi apresentado em março deste ano.

 

Caça F-35B do USMC pousando a bordo do USS Wasp (LHD-1)
Caça F-35B do USMC pousando a bordo do USS Wasp (LHD-1)

NOTA DO EDITOR: Muitos já perguntaram e provavelmente vão perguntar de novo se o Porta-Helicópteros Multipropósito (PHM) Atlântico poderia ser adaptado para operar o caça F-35B. A resposta é sim, poderia, mas os custos seriam enormes e proibitivos para a Marinha do Brasil, tanto na adaptação do navio como na aquisição e operação do F-35B, que custa US$ 100 milhões por avião.

PHM Atlântico
PHM Atlântico

28 COMMENTS

  1. Toda marinha classifica seus navios como quiser…mas…no caso do “Dokdo”, li que preferiram
    a classificação “LPH” para parecer menos agressivo, pois há uma doca alagável para até
    2 embarcações LCAC (hovercraft) por exemplo, o que o colocaria dentro da classificação
    “LHD” ou “Landing Helicopter Dock”.
    .
    Poucas aeronaves como o F-35B poderão ser embarcadas de qualquer forma…resta saber
    se valerá a pena investir no F-35B ou cancelar algumas encomendas do F-35A em favor de
    alguns poucos F-35B, adaptação do navio, etc…pode ser que não dê em nada esse novo estudo, originalmente os sul coreanos declararam que não valia a pena.

  2. Que navio maravilhoso, acho que nunca teremos um aqui, nem em compra de ocasião, e, verificando o preço é mais barato que os destróieres que o Japão ofereceu ao Brasil, sei que são navios completamente diferentes, é só um comparativo de preço, e tamanhos.

    • No quesito beleza, é lindo mesmo esse navio, não possui muitas estruturas, deixando um navio muito limpo, até suas marcações são mais discretas.

  3. Isso já era previsível, como também na marinha japonesa mas, parece que eles querem fazer isso sem chamar a atenção dos vizinhos. Ai complica!

  4. Verso da Nota: Muitos já perguntaram e provavelmente vão perguntar de novo se o Porta-Helicópteros Multipropósito (PHM) Atlântico poderia ser adaptado para operar o caça F-35B. A resposta é [não], [não] poderia, [pois] os custos seriam enormes e proibitivos para a Marinha do Brasil, tanto na adaptação do navio como na aquisição e operação do F-35B, que custa US$ 100 milhões por avião.

    • Eu ia, sim, dizer isso também. Se os custos são proibidos e cada aeronave custa 100 milhões, sim, tá tudo proibitivo e nenhuma adaptação seria possível. É não pra tudo.

  5. O Atlântico poderia operar os caças X Wing T 65 Star Wars?
    Brincadeiras a parte, essa pergunta do F 35 já encheu, cheio de matérias sobre isso, explicações e tal e continuam repetindo a mesma pergunta, parem com a preguiça e procurem no site.

    • É aquilo, trata-se de um caça inviável para a grande maioria das nações que possuem marinhas com alguma capacidade . Seria interessante surgir uma alternativa mais barata para ampliação da capacidade de defesa aérea de uma força naval média ou pequena. Lembro que o AV8B já operou em pequeno PA tailandês.

        • Isso se resolve com uma raspagem do piso emborrachado antiderrapante atual que não aceita grande calor e substituição por uma cobertura que resista aos F-35B ou V-22. Claro que custa caro.
          Os EUA tiveram que fazer isso por causa do V-22 que lança gases a mais de 500 graus centígrados sobre o piso, queimando a cobertura do convoo dos navios e asfalto das bases, ele tem que parar sobre concreto ou piso preparado para altas temperaturas.

  6. Tenho a impressão que uma aeronave como o F35B e suas necessárias adaptações não seriam somente no LPH. Sistemas e radares se comunicam com o avião, com o navio e com terra. O que faz da aeronave muito mais que somente um avião. Os coreanos usam protocolos da OTAN. No caso hipotético de um país não OTAN, haveria o custo de aquisição dos sistemas. Não somente dos sistemas embarcados.

    Será que a Colombia receberia o F35B se optasse por construir ou comprar um LPH ou outro meio com capacidade para operar STOVL?

    • Bela foto do USS Essex…é possível ver 10 dos 12 MV-22…os outros dois ou estão no hangar no ar ou a bordo dos outros 2 navios do Grupo Anfíbio…todos os 4 CH-53E,
      todos os 6 F-35B de um destacamento do Esquadrão “211” e um dos 2 MH-60S, estes
      da US Navy…ausentes também da foto estão os 4 AH-1 e 2 UH-1…totalizando 30 aeronaves !
      .
      O”Dokdo” devidamente preparado poderia embarcar mais de 6 F-35B, mas, às custas
      dos helicópteros de transporte, mantendo apenas 2 helicópteros para busca e salvamento, mas, não muito mais, talvez 10, pois estes jatos “bebem” muito .
      .
      Da mesma forma o USS Essex pode embarcar um esquadrão completo de F-35B de
      16 unidades ou até 20 unidades de 2 esquadrões diferentes mais 2 helicópteros MH-60S às custas dos MV-22 e helicópteros.

    • Sim…uma parte de trás do convoo… em paralelo ao elevador traseiro para pouso do
      F-35B. Provavelmente algum reforço estrutural abaixo a nível do hangar, adaptar
      o hangar para ao menos manutenções básicas, instalação de radar adequado para
      tráfego, além de embarcar pessoal devidamente treinado para manutenção, abastecimento, armamento, tráfego aéreo, etc.

  7. Nada mais do que o óbvio. Assim como no caso dos navios japoneses de mesma função. Estava na cara que isto ocorreria, ou seja, operarem F-35B.

  8. Orr “pera”, nada que um DF-21 não resolva, e aí não vai ter F-35 que dê jeito. Se for dia de chuva então, o F-35 nem no convoo poderá ficar…

    • A Coreia do Norte que é a grande preocupação não tem DF-21…e houve até uma tentativa de amenizar as coisas, classificando o navio como LPH ao invés de LHD e no caso de enfrentamento com à China, até o Japão que não é muito bem visto por lá seria uma opção como parceiro militar.
      .
      Quanto à F-35B não poder ficar no convoo em dia de chuva, isso não é verdade…eles estão no momento participando de patrulha a bordo do USS Essex no Mar da Arábia e se preparando para a segunda patrulha a bordo do USS Wasp no Mar da China.

    • Desde quando o F-35B tem medo de chuva? É só de raio(aliens[?]StarWars[?]USN[?]PLAN[?]….)…quando o mesmo em SOLO que necessita de para-raio e no caso de operar embarcado a própria ilha será o para raio do navio…Outra essa necessidade vem como preço de sua tecnologia o que resta saber é se essa limitação quando essa limitação vai ser “retirada” da 5°G. (acho difícil ela ser suprimida do avião pois é mais barato produzir para-raios do que fazer re-engenharia do projeto e adaptar essa solução em todos aviões já produzidos).

      PS.: Embora não goste de alguns pontos (ALIS sempre conectado a nuvem, ausência de S.C., do programa JSF (F-35) não posso deixar de explicar porque sua afirmação é uma inverdade..(creio você não tenha entendido a matéria do F-35B dos marines no Japão).

  9. F – 35 B a cem milhões? Está mais barato do que o Gripen. E o prazo tb será melhor eis que é um projeto concluso. Adaptar para decolagem vertical é mais difícil, além de requerer elevadores mais potentes e espaçosos. Melhor fazer um navio mais adequado e mais rápido. Tipo um Ecranoplano russo lançando os aviões ao ar com uma boa velocidade inicial.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here