Home Indústria Naval França lança RFI para futuros OPVs baseados no exterior

França lança RFI para futuros OPVs baseados no exterior

6067
15
Navio-Patrulha La Moqueuse (P688) classe P400, projeto base dos navios-patrulha brasileiros classe Macaé
Navio-Patrulha La Moqueuse (P688) classe P400, projeto base dos navios-patrulha brasileiros classe Macaé

A agência francesa de aquisição de defesa (DGA) emitiu em agosto um pedido de informações (RFI – Request For Information) para a aquisição de seis navios de patrulha offshore para a Marinha Francesa (Marine Nationale) como parte do programa POM. Estes navios serão baseados em territórios ultramarinos franceses.

O RFI pede:

  • O desenvolvimento, construção e fornecimento de seis novos e idênticos navios de patrulha offshore (casco de aço ou alumínio).
  • O suporte de vida destes navios em territórios ultramarinos e realização de serviços associados, incluindo o fornecimento de peças de reposição, documentação e treinamento.
  • Estes navios devem ter um comprimento de cerca de 70 m, com um calado inferior a (ou igual a) 3,8 m. A velocidade máxima deve ser de pelo menos 22 nós.
  • Serão desdobrados a partir de bases navais da Nova Caledônia, Ilha da Reunião e Polinésia Francesa e serão adaptados às condições climáticas dessas áreas (particularmente calor elevado e alta higrometria).
  • Cada navio de patrulha terá uma tripulação de cerca de 35 marinheiros e poderá acomodar até 18 pessoas adicionais. O navio deve ser capaz de apoiar mergulhadores.
  • Ele terá boa capacidade de manobra e navegabilidade.
  • Será equipado com capacidade para acomodar um veículo aéreo não tripulado (UAV) de asa rotativa de cerca de 700 kg (incluindo armazenamento sob abrigo, manutenção e implementação com meios associados de assistência com a aterragem e fixação da área de voo) bem como 2 RHIBs de cerca de 8 metros.
  • Ele será equipado com capacidade de manuseio autônomo para equipamentos de içamento e poderá transportar armas e munições.
  • Terá um sistema de visualização de situação tática.
  • Integrará meios de comunicação civil e militar (em particular meios de HF e de satélite).
  • Deve ter uma autonomia de aproximadamente 30 dias no mar sem reabastecimento e um alcance de cerca de 5.500 milhas náuticas.

Divisão do programa BATSIMAR
Esperava-se que todos os navios de patrulhamento offshore da Marinha Francesa (com sede na França continental e no exterior) fossem substituídos como parte do programa BATSIMAR (Sistema de vigilância e intervenção marítima). No entanto, no final de 2017, o chefe da Marinha Francesa, almirante Prazuck, decidiu dividir o programa: “Eu originalmente pretendia substituir os navios de patrulha metropolitana e os navios de patrulha no exterior com a mesma classe de navio. Eu não posso fazê-lo. Seria muito caro, me disseram para colocar embarcações no exterior duas a três vezes mais baratas, para tê-las mais rápido. Então, eu estou pronto para negociar níveis de especificação para prazos mais curtos. Este será um dos temas do próximo conselho interministerial do mar”, afirmou o almirante Prazuck durante audiência pública parlamentar no verão de 2017.

Os dois novos programas são agora conhecidos como PHM NG para os futuros OPVs a serem baseados na França continental e o POM para os OPVs a serem baseados no exterior.

Conforme explicado no RFI, os navios serão baseados em:

  • Nova Caledónia na base naval de Nouméa (frota do Pacífico), suscetível de substituir os navios de patrulha do tipo P400 La Moqueuse e La Glorieuse.
  • Na base naval da Reunião (Porto da Reunião), frota do Oceano Índico, suscetível de substituir o navio de patrulha Le Malin (indicativo visual P701). Este navio era na verdade um barco de pesca com espinhel apreendido em 2004 pela Marinha Francesa após a pesca ilícita nas Ilhas Kerguelen. A partir de 2007, o barco é usado em Toulon como um navio de apoio a mergulhadores antes de ser finalmente transformado em 2011 em um navio de patrulha offshore. O navio então se juntou à frota do Oceano Índico.
  • Polinésia Francesa na base naval de Fare Ute Papeete (Taiti), frota do Pacífico, em substituição do navio de patrulha da classe Lapérouse Arago (indicativo visual P675)

Não está claro onde os dois OPVs restantes seriam baseados.

PLG La Confiance

Em dezembro do ano passado, a Marinha Francesa encomendou um PLG adicional (Patrouilleur Léger Guyanais ou navio-patrulha ligeiro na Guiana Francesa) baseado nas Antilhas francesas. Estes navios dedicam-se a missões de soberania e a proteger os interesses franceses nas Antilhas (Antilhas Francesas) e na zona marítima da Guiana.

Deslocando 750 toneladas, os PLGs podem acomodar 14 pessoas (forças especiais, por exemplo), além de 24 tripulantes. Com um comprimento de 60 m e uma largura de 9,50 m, um calado inferior a 3,2 metros, a embarcação pode operar em águas pouco profundas, incluindo o rio Kourou. Parece que os futuros OPVs para o programa POM serão um pouco maiores (e terão melhor manutenção do mar).

Airbus VSR700
UAV VTOL Airbus VSR700

UAV VTOL de 700 Kg
O RFI exige a capacidade de acomodar um UAV VTOL de 700 kg. Isto está de acordo com o programa SDAM (Système de Drones Aériens de la Marine/Sistema Aerotransportado da Marinha). A entrada em serviço do SDAM está prevista para meados da próxima década nas novas Fragatas de Tamanho Intermediário (FTIs) e outros navios da Marinha Francesa. A Airbus Helicopters e o grupo naval francês Naval Group uniram forças para o programa e estão propondo o VSR700.

O VSR-700 é um veículo aéreo não tripulado militar tático leve de asa rotativa, derivado do Cabri G2, um helicóptero de motor de pistão de 2 assentos, com certificação civil, projetado e fabricado por Hélicoptères Guimbal. O VSR700 será capaz de transportar uma grande variedade de equipamentos para missões graças a uma capacidade máxima de carga útil de até 250 kg.

FONTE: Navy Recognition

15 COMMENTS

  1. O BATSIMAR esperava por fundos desde 2008…
    .
    Sobre o Almirante, uma interessante fonte de informação, que baseou o texto: Commission de la défense nationale et des forces armées
    .
    As necessidades deles, de curto prazo: BATSIMAR e os Navios de Apoio Logístico (Derivados do Vulcano), no médio prazo, ter mais FREMM e FTI, em um número maior, de 18 navios, ao invés dos 15 planejados atualmente e no longo prazo, construir um novo Porta Aviões. Esse Porta Aviões hoje, está estimado em um custo entre ~5 bilhões de Euros. O Almirante lamenta a opção dos britânicos por construir dois Porta Aviões que só podem operar F-35B.
    .
    Interessante: Em quatro anos, os Chineses colocaram no mar uma Marinha Francesa, mas o Almirante diz que eles ainda não tem a qualidade tecnológica dos americanos e franceses.
    .
    Também interessante: A ZEE dos franceses representa o tamanho superficial dos EUA e México juntos. Coisa pra caramba…
    .
    Ele se queixa da disponibilidade dos Cayman (35%) e dos Lynx (22%), esses já são velhos demais. Os Atlantic 2 vão até ~2030. Os P-3 dos alemães por aí também. Muito provável que Alemães e franceses venham a desenvolver algo junto para a função.
    .
    Enfim. Voltando ao BATSIMAR…
    Antes, se pretendia comprar OPVs em uma faixa de 30 milhões de euros a unidade. Depois surgiram os PLG, B2M e BASH, que custaram menos que isso. O PLG, de 60 metros não tem como operar aquele UAV e só cobre coisa como 3500 milhas. B2M e BASH não batem 22 nós e tem calado maior que 3,8 metros. O POM vai ter de ser um navio novo… E vai ser um navio bastante interessante.
    .
    Creio que será algo maios ou menos assim:
    http://www.kership.com/fr/navires/opv-75

  2. Pois é, é o que nos falta, uma agência de aquisições para as três forças.
    Uma que seja realmente operacional e eficiente e que tenha autonomia para escolher com apoio técnico dos militares equipamentos conjuntos ou específicos para cada força.
    E não me venham com essa tal de SEDREPO ou sei lá a sigla que escolheram, pois não vemos movimento algum da mesma quanto a isso!

  3. Acho otimo ter previsao para drone mais pesado, a velocidade ideal eh a das nossas Amazonas 25nos, que excelentes patrulhas multi uso! Ali se quiser poe um 57mm Bofors e um Simbad ou igla, que fica otimo para formar con uma frota desembarque

  4. Barcos patrulhas e submarinos. Quanto se poderia gastar com a construção de barcos patrulha de 500 toneladas? Será que perdemos ainda o conceito de produção de submarinos IKL (1100 a 1200T)? pelo que sei os OPvs podem ser feitos com casco de aço ou dura-alumínio. Quais são as vantagens e desvantagens? Caso a MB tem uma verba destinada, por quê não? Hipóteses. Grande abraço.

  5. Se eu fosse um presidente do Brasil
    Te tentaria ganhar uma concorrência desta. Cobrindo o prejuízo da empresa brasileira vencedora.
    POIS Seria uma forma de desenvolvimento da cadeia produtiva naval do Brasil.
    Além disso o custo maior seria do pago pelo cliente e o valor residual pelo contribuinte.
    Mas poderia analisar e produzir versões similares que adequado as necessidades do Brasil.
    Assim faria um prejuízo menor.
    Resumindo Boa oportunidade para gerar emprego. Parcerias internacionais e fortalecimento da indústria nacional.
    Abraço

  6. Eu percebi 03 coisas que me chamaram a atençao
    1ª A necessidade do Brasil possuir uma agencia técnica independente para gerir recursos, novos projetos, compras, modernizações em parceria com o corpo técnico das 03 forças armadas.
    2ª O Brasil tem capacidade tecnica e industrial de sobra para sozinho ou em parcerias com empresas estrangeiras desenvolver o armamento ou equipamento que quiser
    3ª A baixa qualidade dos chineses é conhecido no mundo todo kkk

  7. Acho que todo estado Brasileiro deveria ter embarcações desse tamanho para patrulha da costa. No meu estado na Paraíba, o que entra de drogas pelos manguezais e áreas protegidas pela união, não é brincadeira! Marinha + Polícia (ambas com embarcações dessa e menores) fazendo a segurança da costa!

    • A Marinha do Brasil esta pronta pra assim tiver recursos começar o processo dos navios patrulha NPa 500 BR e o planejamento tem a expectativa que sejam 20 unidades a serem construídas em estaleiros brasileiros gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
      Isso sem falar nos 05 navios classe amazonas que a Marinha espera recursos pra construir

  8. Quem olha um Amazonas nao chega nem perto desse 500tons, mao tem comparacao a capacidade de levsr containers, grende convoo, eh muito superior, ate na velocidade.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here