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Portugal: fragatas classe ‘Vasco da Gama’ não serão modernizadas

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NRP Corte Real (F332)
NRP Corte Real (F332), classe Vasco da Gama

Prioridade dada à compra de patrulhas oceânicos, navio polivalente logístico e reabastecedor justifica opção de não modernizar fragatas Vasco da Gama

Por Manuel Carlos Freire

Os três navios da classe Vasco da Gama perdem a capacidade de combate em teatros de alta intensidade no final desta década.

Essas fragatas “vão ser o parente pobre” dos programas de modernização da Marinha para os próximos anos, assumiu esta segunda-feira uma das fontes ouvidas pelo DN.

Esta informação terá sido um dos temas abordados durante a primeira visita oficial realizada esta segunda-feira à Marinha pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro – que está a par do assunto por ter participado nos trabalhos de revisão da Lei de Programação Militar (LPM).

O porta-voz da Marinha, comandante Pereira da Fonseca, confirmou a informação ao DN, mas sublinhando que os navios vão manter capacidade de combate nas operações mais frequentes e que são de baixa e média intensidade – como a luta contra a pirataria ou de interdição marítima.

Em causa está o não haver dinheiro para tudo, no âmbito da revisão da Lei de Programação Militar (LPM) em curso, obrigando a fazer opções. Contudo, a aquisição de novos patrulhas oceânicos, do navio reabastecedor e de um navio polivalente logístico deverá ser feita a estaleiros portugueses e a própria compra de equipamentos, na máxima extensão possível, ​​​​à indústria nacional.

As três fragatas da classe Vasco da Gama – ou MEKO 200 – foram construídas no início dos anos 1990 pelos estaleiros alemães de Kiel e uma das suas grandes mais-valias operacionais, a par do salto tecnológico que deu à Marinha, assentou na existência de helicópteros a bordo.

O primeiro dos navios a entrar ao serviço da Marinha – e que deu o nome a essa classe de escoltas oceânicos – foi a Vasco da Gama, em janeiro de 1991. Quatro meses depois foi adicionada ao efetivo naval a Álvares Cabral e, em novembro do mesmo ano, chegou a Corte Real.

Com um cumprimento de 115,9 metros e uma boca máxima (largura) de 14,2 metros, esses navios têm capacidade para deslocar 3200 toneladas – e uma das suas primeiras missões foi precisamente num cenário de alta intensidade ao serviço da NATO: o Adriático, em 1995 e no quadro das guerras balcânicas.

NRP Bartolomeu Dias F333
NRP Bartolomeu Dias F333

Modernização

A capacidade da Marinha para intervir em ambientes de alta intensidade vai assim ficar limitada aos dois navios da classe Bartolomeu Dias, construídos também no início dos anos 1990 mas em estaleiros holandeses.

As duas fragatas foram adquiridas em segunda mão à Holanda, onde eram designadas como Karel Doorman: a Bartolomeu Dias chegou em 2009 e a D.Francisco de Almeida um ano depois, em janeiro 2010.

A primeira está precisamente a modernizar os seus sistemas de combate (radares, armamento, mísseis) e vai mesmo receber um mastro novo, processo a que vai ser sujeita a D. Francisco de Almeida no próximo ano – alargando a sua vida útil operacional por mais de duas décadas.

Quanto às da classe Vasco da Gama, a sua modernização – já iniciada – vai limitar-se aos sistemas da plataforma, através da qual é feito o controlo da propulsão (motores e turbinas), das avarias, da produção e distribuição de energia, ar condicionado e água ou das bombas de combustível e de lemes, entre outros meios auxiliares de funcionamento dos navios.

Essa atualização também permitirá prolongar a vida útil das Vasco da Gama por cerca de duas décadas para as referidas operações de baixa e média intensidade, adiantaram as fontes.

Note-se que a revisão da LPM inclui também os helicópteros Lynx, com novas motorizações e sonares a par da modernização do cockpit.

Super Lynx da Marinha Portuguesa
Super Lynx da Marinha Portuguesa

FONTE: Diário de Notícias

31 COMMENTS

  1. A MB e seu PROSUB e PROSUPER sofrendo cortes, a Royal Navy com navios cada vez mais encostados no porto, a Marinha Portuguesa fazendo um “tapa aqui, descobre alí´´ por falta de verba pra tudo…
    Dá até a impressão de que, em breve, os únicos países com Marinha de Guerra vão ser os EUA e a China.

    • A coisa anda difícil para os EUA também. Para a nova classe de SSBN, a Columbia, estimam que gastarão mais de US$ 100 bilhões para desenvolver e construir somente 12 submarinos. Estimavam produzir 32 destróieres da classe Zumwalt mas pararam em apenas 3, devido ao altíssimo custo, e olha que esses destróieres não tem o binômio AEGIS/SAM Standard, o que tornaria o preço deles estratosférico!
      E a nova classe Ford de porta-aviões então…..custam o olho da cara!
      Os desafios financeiros que a US Navy enfrentará nas próximas décadas será imenso se os EUA quiserem manter o atual poderio frente à China e a Russia!

      Aparentemente a China está com pé embaixo na produção, mas até quando vai aguentar isso ?

      A URSS não conseguiu se manter e desmoronou! Agora a Russia vai, aos pouquinhos, renovando aqui e ali o material bélico.

      O problema é que equipamento militar custa cada vez mais caro e as demandas sociais em cima dos governos andam nas alturas.
      Aja impostos para manter tudo isso!

      • E pensar que o Brasil gasta US$ 100 bilhões por ano só para rolar a dívida pública…. 10% disso ao ano para investimentos em nossas FAs e teríamos navios de dar orgulho em qualquer membro da OTAN.

      • A URSS não aguento a gastança e pediu água.
        Quem vai ser o próximo a jogar a toalha? Acompanho a trilogia a anos e já ficou claro, pra mim, que o custo pra adquir NAVIOS DE GUERRA ( em maiúsculo mesmo ) beira o absurdo.

      • A divida publica dos EUA esta na casa dos 249% do PIB.
        A divida publica da China esta na casa dos 256% do PIB.
        A divida publica do Reino Unido esta na casa dos 281% do PIB.
        A divida publica da Franca esta na casa dos 304% do PIB.
        A divida publica do Japao esta na casa dos 373% do PIB.

        Com o envelhecimento da populacao, e o consequente aumento dos rombos previdenciarios ao redor do mundo, esperem os gastos militares serem cortados mais ainda.

  2. Se elas perderam a capacidade de capacidade de combate em teatros de alta intensidade, imagina o que sobra para as nossas atuais escoltas.

  3. Aliás, considerando-se que o Super Lynx brasileiro tem aqueles sensores no nariz, e não tem nada no nariz do Super Lynx português, seria correto, presumir que os nossos são mais modernos?

  4. Mandar uma tropa mal equipada, (marinheiros), enfrentar uma frota de navios inimigos com equipamentos de alta tecnologia é condena-los a morte certa. O desnível técnicológico ultrapassa toda a capacidade humana, e a coragem do envolvidos, pouco pode fazer. Vimos isso nas Malvinas. a força argentina foi, virtualmente, varrida do TO. Os bravos pilotos “hermanos” se sacrificaram sem medir os perigos e causaram perdas imensas e inesperadas para os ingleses. Mas, no final tiveram que amargar ver a supremacia no inimigo no mar e no ar. O cruzador Belgrano foi torpedeado fora da zona de exclusão, por decisão da primeira ministra Tatcher. Isso tudo, num cenário de alta intensidade, onde nem guerra declarada existiu. Tudo isso lembramos para ressaltar que os meios de guerra naval estão em constante e acelerada evolução. Quem não tem cacife para bancar esse jogo, que se encoste num aliado de peso, que possa contornar situações de conflito.

  5. É uma pena, mas a tecnologia, sobretudo os sistemas de armas, está cara. O problema da Marinha Portuguesa agora vai ser integrar missões da NATO contando com apenas dois navios de superfície.

  6. Caros Colegas. Brincadeiras à parte, a MP é a mais antiga marinha militar do mundo. Centenas de anos mais velha que o Brasil. Além disso, a MB é filha direta da MP. Chamou minha atenção o fato da MP irá encomendar seus próximos navios em estaleiros portugueses. Outra coisa interessante foi a explicação que as três fragatas manterão capacidade de operar em missões de baixa e média intensidade, que são as mais frequentes. Ou seja, poucos meios mais modernos para as missões menos frequentes e mais meios de menor capacidade para as missões mais frequentes. “Ò mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”

  7. A marinha Portuguesa tem exigências minimas de prontidão e eficiência com padrões NATO.
    Significa que a eficiência humana e tecnológica da mp (marinha portuguesa) rege-se por altos padrões somente comparados a marinhas com muitos mais meios económicos e tecnologicos.
    Dito isto, comparar a mp á mb não é viavel.
    São realidades diferentes, temos a diferença enorme dos numeros, Brasil enorme, uma marinha muito maior.
    Portugal menor, marinha bem menor, menos meios.
    Mas temos de fazer muito mais com bem menos meios.
    As obrigações NATO são imposições não negociaveis, quer em treino tripulações, quer em equipamento tecnológico embarcado. Temos de seguir um porta aviões classe Nimitz sem ser o parente pobre. Dar cobertura eficiente sem colocar em perigo esse flanco onde estiver nosso navio.
    Isso custa dinheiro, muito dinheiro e a opção de modernizar as Karel é já antigo. A razão sempre foi a superior qualidade de construção dessas fragatas holandesas. Das duas classes, Vasco da Gama e Bartolomeu, são sem sombra de dúvida as melhores ao nivel de desenho, qualidade de construção, capacidades furtivas…
    Vamos ter não dois mas quatro navios combatentes com padrão NATO.
    Duas fragatas, dois submarinos.
    Teremos uma segunda linha para consumo interno formado pelas três Vasco da Gama e vários bons e recentes navios de fiscalização, não combatentes.
    Tenho dúvidas sobre o navpol (navio polivalente) venha a ser uma realidade a médio prazo. Mesmo que haja verba, que seja construido, em estaleiro nacional, tenho sérias dúvidas que não seja um “parto” muito complicado…
    Já temos a experiência péssima do nascimento do (excelente) patrulha oceanico. Deu muita confusão, problemas e falou-se em corrupção, desvio de verbas.
    Construir um navio com caracteristicas nunca vistas e utilizadas na nossa marinha, num estaleiro que nunca construiu um navio nem parecido com um navpol cheira-me a confusão.
    Tomara estar enganado…
    P.S. Vasca da Gama, grande navegador e homem de qualidade excepcional, Alvares Cabral, péssimo navegador, homem sem qualidades nenhumas que “descobriu” o Brasil por engano, perdeu mais de metade dos navios, foi á India, Oriente para trazer especiarias e só arranjou confusão com os locais regressando 6 navios (dos 13) com os porões quase vazios… Nunca mais comandou nenhum navio claro.

      • Otto, a informação está errada.
        A China é mais antiga.
        Na dinastia Song (960-1279 DC), os chineses criaram em 1132 DC uma força naval permanente.

    • Caro Carlos. Segundo o portal da Marinha Portuguesa, na aba sobre a sua história, ela foi fundada em 1128, relacionada ao combate naval do Rio do Miinho, mas também é colocada a primavera de 1180, durante a batalha do Cabo Espichel, como o momento na qual D.Fuas é nomeado almirante. Ficarei bastante agradecido se vocês indicarem uma outra fonte confiável que mencione uma marinha mais antiga.

  8. Já responderam em relação a Vasco da Gama ainda que para o fazer tivessem que o comparar com outro navegador português que diz muito ao Brasil. Os factos são verdade! Apesar de na armada de Pedro Álvares Cabral irem alguns dos capitães portugueses mais experientes, entre eles Bartolomeu Dias que, por coisas do destino naufragou ao largo do Cabo da Boa esperança, regressou metade da esquadra. Vasco da Gama foi três vezes ao Oriente e é um navegador português que marcou a História mundial.
    A ligeireza de alguns comentários é confrangedora… para não dizer idiota!
    Agora, as Fragatas Vasco da Gama são navios de baixa e média intensidade, basta olhar para a idade e armamento delas… gastar demasiado dinheiro não acrescentaria muito mais. Se o país conseguir cumprir os compromissos NATO com a classe Bartolomeu Dias já é muito bom. Se conseguir construir os navios previstos em estaleiros nacionais, melhor ainda!

    Um abraço ao forum

    • Só esclarecendo aos amigos portugueses, o Vasco da Gama a que o Luiz Trindade trocadilhou como sendo de segunda é o meu adorado Clube de Regatas Vasco da Gama, que infelizmente teima em flertar com a segunda divisão do campeonato brasileiro de futebol.

      • Aliás, relendo os comentários, não foi só o Luiz Trindade que fez trocadilho, houve vários outros colegas, inclusive um arqui rival flamenguista…

  9. Lindo nome da classe! Apesar de não ser vascaíno, adorei a homenagem ao navegador e meu nobre ascendente, deveríamos fazer o mesmo aqui, exaltando grandes personagens, que aliás a marinha vem fazendo com as classes Barroso, tamandaré. A aeronáutica deveria fazer o mesmo com Santos Dumont e heróis da avião de caça, o exército o mesmo. Falando em futebol, que o Vasco se recupere, porque nem brincar com as mazelas do time cruzmaltino eu posso infelizmente, já que sou torcedor doente do tricolor o único (o resto são apenas times de 3 cores). st4

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