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PHM Atlântico em Santos: suba ao convoo e veja de perto com o Poder Naval

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Por Fernando “Nunão” De Martini

No último final de semana, o porta-helicópteros multipropósito Atlântico (A140) visitou o porto de Santos, SP, com chegada no sábado (24/11/18) pela manhã, abertura para visitação pública no domingo à tarde e saída na segunda-feira (26). O Poder Naval, assim como milhares de pessoas, aproveitou a ocasião para visitar o navio no domingo, e publica agora um breve relato sobre a visita e cerca de 40 imagens selecionadas.

O dia nublado reservou apenas alguns períodos de chuva, o que não atrapalhou a visitação, embora o interesse despertado pelo navio gerasse uma enorme fila. Levou cerca de 1h30 desde seu final até a escada de acesso ao PHM Atlântico, e o Poder Naval permaneceu a bordo também por uma hora e meia, percorrendo principalmente seu convoo, mas também a área interna liberada para a visita por fazer parte de seu acesso: a garagem de viaturas (hangar / convés de veículos), situado no terço posterior do navio.

Conforme a fila se aproximava do acesso ao PHM Atlântico, era possível observar mais de perto diversos detalhes de seu costado a boreste (lado direito). O navio está com ótima aparência externa, com apenas alguns sinais recentes de uso no mar, o que é natural.

Da proa para a popa, pode-se observar nas fotos acima e nos detalhes mais aproximados ao lado e abaixo (clique nas imagens para ampliar) a plataforma de um dos canhões de autodefesa de superfície de 30mm, situada sobre o enorme indicativo do navio; a volumosa ilha com o passadiço e radares de navegação; o nicho / recesso para bote semi-rígido; a chaminé maior (onde está repetido o indicativo); o nicho de vante para lanchas de desembarque LCVP Mk5 (quatro no total, saiba mais sobre elas clicando aqui); o mastro do radar de busca Artisan 3D, que também abriga uma pequena chaminé; outro recesso para lancha de desembarque – pelo qual se dava o acesso ao navio dos visitantes -; o grande guindaste instalado à ré da ilha, tendo logo atrás o pontão dobrável para operações de transbordo de veículos no mar (saiba mais a seguir) que é baixado por esse mesmo guindaste; e a porta lateral (boreste) de saída de veículos para o cais, por onde se dava a saída dos visitantes, e uma das plataformas de armamentos de popa (onde eram instalados sistemas CIWS).

Nas fotos mais aproximadas acima e abaixo, pode-se notar detalhes como o canhão de 30mm (fotos mais aproximadas de outro canhão a seguir), brasão do navio, várias antenas e equipamentos sobre o passadiço, uma série de entradas e saídas de ar que se destacam pela cor diferente do chapeamento, a antena do radar Artisan, sistema de propulsão das lanchas de desembarque, o bote semi-rígido, os enormes amortecedores da rampa de saída de veículos, entre outros aspectos. Clique para ampliar.

Finalmente, chegou a hora de subir ao PHM Atlântico. O acesso se deu, a boreste, no nicho de ré para lancha de desembarque LCVP Mk5, passando sob a popa da lancha para acessar uma porta à esquerda, na direção da popa do navio, pela qual se acessa a garagem / hangar de viaturas. O ângulo da subida dá uma ideia sobre a altura desse acesso em relação ao cais e à grande borda livre do navio, que se assemelha bastante nesse aspecto a navios mercantes do tipo ro/ro, utilizados no transporte de veículos.

No desenho em “raio-x” ou “cutaway” logo acima, e no seu detalhe ampliado, pode-se ver onde se situa esse convés de veículos, embora ela não seja mostrada por inteiro – é mostrada parte de um deck dedicado a alojamento. É preciso ressaltar, também, que esse desenho é da configuração geral do navio (então HMS Ocean) à época de seu comissionamento na Marinha Real britânica / Royal Navy (1998) e que diversas modificações foram feitas de lá para cá (por exemplo, os canhões de 30mm mostrados no desenho são de tipo mais antigo, de reparos duplos, que não têm nada em comum com os atuais).

Para se ter uma ideia do tamanho desse compartimento, pode-se rever a terceira foto desta matéria: o comprimento da garagem equivale praticamente ao espaço entre a escada de acesso por onde estão entrando os visitantes e a rampa de saída de veículos, pela qual se saía do navio. O desenho também mostra detalhes que podemos ver nas fotos acima: a rampa que liga a garagem ao convoo (pela qual os visitantes passavam para acessá-lo), uma porta de correr que faz a ligação desse compartimento com o hangar de aeronaves, mais à vante, assim como a rampa / porta de saída de veículos situada na popa do navio, para operações anfíbias. Todas essas conexões demonstram a flexibilidade de carga possível com o navio, de forma a atender às mais diversas missões.

Na garagem havia apenas uma viatura (devidamente fixada ao piso por cabos) Land Rover do Corpo de Fuzileiros Navais, e o fato do espaço estar vazio dá ideia da quantidade de veículos do tipo ou maiores que podem ser levados.

O navio não foi projetado para transportar e embarcar / desembarcar viaturas blindadas mais pesadas, como carros de combate, nesse espaço). Redes de camuflagem brancas escondiam algumas áreas de armazenamento, assim como as laterais da rampa de desembarque de veículos da popa. Subindo pela rampa de acesso ao convoo, situada próxima à porta de correr que faz a ligação com o hangar de aeronaves e à pequena porta de acesso pela qual entramos no compartimento, voltamos ao ar livre, para apreciar uma visão geral do navio. Bem acima dessa rampa fica armazenado o pontão / barcaça dobrável utilizado para desembarque de veículos em operações anfíbias. O pontão é baixado para o mar pelo guindaste e posicionado sob a rampa de popa do navio – lanchas de desembarque de vários tipos podem então encostar no pontão e receber os veículos, que descem pela rampa, acessam o pontão e a partir dele as embarcações de desembarque, como se pode ver na sequência de imagens ao lado, da época em que o então HMS Ocean operava na Royal Navy.

Chegando enfim ao convoo, foi possível ter uma ideia das dimensões gerais do mesmo, o que era facilitado pelo fato de muita gente estar andando pelo espaço, podendo-se comparar o tamanho das pessoas mais próximas com as mais distantes, assim como pelo helicóptero (UH-15 Super Cougar) visível mais ao longe, na altura do passadiço do navio. O Poder Naval percorreu então o convoo de popa a proa, passando pelo elevador de aeronaves de ré (na segunda e terceira fotos abaixo, respectivamente visto no sentido de popa para proa e de proa para popa). Esse elevador se situa no extremo posterior do hangar de aeronaves, abaixo, bem próximo à porta de correr que liga o mesmo à garagem de veículos.

Na foto abaixo, à esquerda, mais uma vista do elevador de ré, no sentido da proa, sendo possível ver mais à frente o helicóptero Super Cougar que estava preso (peiado) ao elevador de vante, que marca aproximadamente o extremo anterior do hangar situado abaixo. Na foto à direita, continuamos acompanhando a extensa ilha a boreste do convoo, na direção da aeronave.

As imagens a seguir são do helicóptero UH-15 Super Cougar em sua versão utilitária, preso ao elevador de aeronaves de vante, com as pás do rotor principal “penteadas”. Conforme informações colhidas com tripulante do navio, quando este suspendeu de sua base no Rio de Janeiro, navegou primeiro no rumo da BAeNSPA – Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (quando então, pousaram dois helicópteros em seu convoo, um Esquilo e um Super Cougar) antes de mudar o rumo para Santos-SP. Quando da entrada do porta-helicópteros no porto de Santos, no sábado de manhã, apenas o Esquilo era visto no convoo, estando o Super Cougar hangarado, segundo informou o tripulante. Já na ocasião da abertura da visita ao público, o Esquilo foi hangarado e o Super Cougar estava exposto sobre o elevador de vante,voltado para a popa do navio. Da altura do passadiço para a proa, o convoo não estava aberto para visitação (quarta foto).

Voltando para o extremo oposto do convoo, destacava-se um dos quatro canhões Mk 44 Bushmaster II de 30mm empregados na autodefesa do navio contra ameaças de superfície (em especial, ameaças assimétricas como lanchas), que são instalados em reparos DS30M Mark 2 do tipo automatizado, que também podem ser guarnecidos (é possível ver o assento para um operador). A terceira foto é uma vista externa, já no cais, para facilitar a visão de mais detalhes do armamento.

Dos quatro reparos, este de boreste é o que está situado em posição mais elevada, no nível do convoo. O outro reparo de popa está instalado numa plataforma mais abaixo, a bombordo (no mesmo nível onde estavam os dois CIWS Phalanx de popa quando o navio servia à Royal Navy) e os dois de proa estão em plataformas nos bordos, uma das quais aparece nas imagens do início da matéria. As posições das quatro armas permitem cobertura total dos extremos e dos flancos.

Hora de sair do navio, descendo a rampa de acesso de veículos ao convoo e virando à direita para acessar a rampa / porta de acesso de viaturas ao cais, na sequência das duas imagens abaixo. Ainda que a visita não pudesse ser extensa, a impressão geral é de um navio com grande potencial multimissão e flexibilidade de emprego, com aparência geral externa e interna muito boas, assim como de robustez de construção no compartimento visitado.

O PHM Atlântico foi adquirido no início deste ano junto ao Reino Unido e incorporado à Marinha do Brasil, ainda naquele país, em 29 de junho. O navio iniciou sua viagem ao Brasil no dia 1º de agosto e chegou ao seu porto sede, no Rio de Janeiro, no dia 25 do mesmo mês. Na chegada, foi realizado desfile naval que o Poder Naval acompanhou a bordo do NDM Bahia. A transferência do porta-helicópteros ao Setor Operativo da Marinha deu-se em 5 de setembro, em cerimônia realizada no Cais Norte do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro-RJ.

Características gerais do PHM Atlântico (A140):

Tipo Porta-helicópteros de assalto anfíbio (LPH)
Tonelagem 21.500 toneladas
Largura 35 metros
Comprimento 203,4 metros
Calado 6,5 m
Propulsão 2x motores Crossley Pielstick 12 cilindros
Velocidade 10 nós (cruzeiro)
18 nós (máxima)
Autonomia 8.000 milhas a 15 nós (13.000 km)
Armamento 4× canhões de 30mm DS30M Mk2
Sensores Radar Type 997 Artisan 3D
Radar Type 1008 de navegação
2× Radares Type 1007 de controle aéreo
Aeronaves até 18 helicópteros
Tripulação 285 oficiais e marinheiros
180 pessoal de voo
Carga 40 veículos
Até 800 soldados

37 COMMENTS

    • Nos carros estacionados por perto, tinha placas de várias cidades, do litoral, da capital e até do interior do Estado. Muita gente veio de longe só pra conhecer.

  1. 27/11 – terça-feira, bnoite, Nunao, com todo o aperto que passa a MB, com a carência de escoltas, somos obrigados a reconhecer que a administração do Almte. Leal, realizou poucas e boas aquisições para a MB. É não esquecendo que 14/12 teremos o lançamento ao mar do submarino Riachuelo, corre um boa que teremos mais um presente para a nossa marinha antes da passagem do comando; este boato procede.

  2. Padrão Poder Naval. Excelente. Perguntas de leigo. A pequena chaminé embaixo do Artisan. São gases das máquinas Pielstick? Não haveria como deslocar essa exaustão evitando a fuligem por todo o radar? Ok…o navio opera há anos desse jeito, mas chaminé embaixo do radar principal não é estranho?

    • Esteves,
      O espaço no alto das superestruturas, ilhas etc das belonaves é sempre disputado entre chaminés – desde que o navio as tenha, evidentemente – e sistemas de detecção de alvos e de direção de tiro, desde quando eram apenas ópticos, como nos encouraçados tipo Dreadnought, que incorporaram grandes e pesados sistemas de direção de tiro que eram afetados pelas chaminés.
      Há sempre soluções de compromisso para que a profusão de antenas, sistemas de exaustão e outros itens interfiram o mínimo possível entre si. ‘
      No caso do PHM Atlântico a maior parte da exaustão se dá na chaminé maior, que reúne três saídas (uma para geradores diesel da praça de máquinas de vante e duas para os motores principais) conforme o desenho em raio-x que faz parte da matéria, sendo que essa chaminé menor, separada, serve apenas à exaustão dos geradores diesel da praça à ré. Há uma separação de praças de máquinas, e embora a exaustão dos dois motores principais (em praças separadas) seja concentrada na chaminé maior, a tubulação dessa pequena chaminé separada por algum motivo foi projetada mais deslocada em relação a outras, e deslocá-la ainda mais ou concentrá-la poderia implicar em mais espaço ainda ocupado pelas chamadas “gaiutas”, no interior da ilha, ou mesmo concentrar muitas fontes de calor num só local (hipóteses). Apesar da fuligem impressionar um pouco, isso aconteceu e acontece em inúmeros navios – muitos combinaram e combinam, propositadamente, mastros e chaminés, e as antenas são feitas para resistir.

  3. “O pontão é baixado para o mar pelo guindaste e posicionado sob a rampa de popa do navio – lanchas de desembarque de vários tipos podem então encostar no pontão e receber os veículos, que descem pela rampa, acessam o pontão e a partir dele as embarcações de desembarque, como se pode ver na sequência de imagens ao lado, da época em que o então HMS Ocean operava na Royal Navy”
    Faz tempo que desejo saber uma informação: essa rampa de acesso ao pontão é larga e robusta o suficiente para a passagem dos Piranha e M113 dos FN?
    Em caso afirmativo, teriam necessariamente de embarcar numa lancha ou poderiam ir por vias próprias até a praia, considerando que são anfíbios?

    • Acho que são pesados demais, pelo menos nunca vi o navio, nos seus tempos de HMS Ocean, levar viaturas mais pesadas. A conferir.
      De todo modo, para estas viaturas há outras opções de navios para levar (os NDCC e as embarcações de desembarque na doca do NDM Bahia).

  4. Uma pena que tive que trabalhar no fim de semana, gostaria muito de ter ido conhecer nosso novo navio, estava esperando essa oportunidade, enfim, fica para a próxima.

  5. Legal ver a MB enviar o Atlântico a Santos … mas a MB perde a oportunidade de divulgação e de mostrar a sua importância e capacidade enviando um Navio Capitaneá da Esquadra banguelo, desdentado … custava mandar com um Sea Hawk, Lynx, Jet Ranger … até com a “kombosa nova”???? Não, mandou um esquilo e uma “rural” suja de óleo ….
    Também poderia vir com alguns veículos dos fuzileiros navais e mostra-los estacionados do lado da entrada da visitação.
    Mas tá valendo,melhor que nada!!!
    Queria ver as fotos da partida do navio.

  6. Parabéns, Nunão, pela excelente matéria. Ficamos na expectativa de suas futuras esporádicas contribuições, sempre enriquecedoras.
    Finalmente esclarecido o mistério daqueles “quadradinhos” de cor diferente, são entradas e saídas de ar.
    E ficamos na expectativa da primeira utilização do pontoon pela MB.
    Valeu, MO, pela cobertura.

  7. Lindo navio mas sem helicópteros (apache-cobra-Ka52 e outros) de ataque para proteger os fuzileiros em terra sera como o NAE SP com aviões a jato da guerra da Coreia vai ser usado pela metade .

  8. Queria ver esse navio de perto, pena que a MB é meio zoada quando se trata de visitação ao cais do Porto, aqui em Porto Alegre. Lugar parece esquecido ao relento, nem navios mercantes costumam as vezes passar por aqui.

    Ok, eu compreendo que alguns tipos de navios provavelmente não conseguiria por aqui, sem se encalhar, já que a profundidade média é de 6 metros, provavelmente alguns deve raspar o calado, estou certo?

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