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Navio espanhol navega pelas águas de Gibraltar tocando hino da Espanha

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Corveta Infanta Elena
Corveta Infanta Elena

Um navio de guerra espanhol navegou ilegalmente pelas águas do território britânico de Gibraltar, alegadamente tocando o hino nacional espanhol em alto-falantes.

O navio era a Infanta Elena, uma corveta de classe “Descubierta” datada de 1980.

Algumas fontes contestaram as alegações de que o hino nacional foi tocado, com o Ministério das Relações Exteriores confirmando isso.

O usuário local do Twitter @ Atajate71 gravou o vídeo na tarde de 4 de dezembro. O vídeo original é exibido abaixo, diretamente do feed do Twitter do usuário.

No início da semana, o submarino nuclear HMS Astute chegou a Gibraltar para uma escala rotineira no território.

O submarino esteve ocupado nas últimas semanas. No mês passado, a fragata Type 23 HMS St Albans e o submarino HMS Astute treinaram na costa escocesa.

As ações espanholas em Gibraltar e nos arredores são freqüentes, apenas no mês passado, um navio da Marinha Real disparou um flare de alerta depois que o navio da Guardia Civil espanhola ficou muito próximo do submarino nuclear HMS Talent. Entende-se que o HMS Talent estava partindo de Gibraltar depois de recompletar sua dotação de mísseis Tomahawk.

No começo do ano, o USS Newport News, um submarino da classe de “Los Angeles”, foi assediado enquanto visitava Gibraltar. A imprensa local informou na ocasião que testemunhas oculares disseram que um barco da alfândega espanhola foi interceptado por um navio da Polícia de Defesa de Gibraltar depois que chegou muito perto do submarino dos EUA. A reportagem afirma:

“Se classificado como uma incursão, o incidente quase certamente irá gerar um protesto diplomático, como acontece rotineiramente em todas as incursões de navios do Estado espanhol.”

Estes não são incidentes isolados. No final do ano passado, a Marinha Real Britânica foi forçada a perseguir uma embarcação espanhola que cruzou a proa de uma embarcação da Marinha dos EUA em Gibraltar, o USNS Carson City.

Além disso, em maio passado um barco de patrulha espanhol supostamente tentou “incomodar” um submarino nuclear americano tentando atracar em Gibraltar.

De acordo com várias fontes, flares foram disparados na proa do navio espanhol Guardia Rio Cedena em meados de abril, enquanto tentava navegar pela proa do submarino de mísseis balísticos norte-americano USS Florida, um submarino de 20.000 toneladas da classe “Ohio”.

O valor de Gibraltar foi recentemente explorado no recente artigo “We Will Rock You – A Resiliência e a Importância de Gibraltar”, que discute porque a Grã-Bretanha, apesar da complicação da política e do tempo, suporta o custo e o esforço necessários para desdobrar e estacionar bens militares e pessoal apesar dos danos nas relações com a Espanha e outras nações que estão do lado dos espanhóis em relação à questão de sua soberania.

A vantagem militar óbvia de Gibraltar é que a sua posição geográfica permite a conjugação de recursos para um rápido desdobramento em todo o Mediterrâneo, que pode ser alcançado por via aérea ou marítima, com o seu porto e base aérea dedicados. Mas outra, e muitas vezes negligenciada, razão que simplesmente não pode ser ignorada é a capacidade de coletar inteligência que o Rochedo de Gibraltar traz.

Com mais de 30 metros de altura além do ponto mais alto do Empire State Building, a Rocha possibilitou um ponto de vista de longo alcance na Espanha, no Mar Mediterrâneo e no Marrocos usado para detectar movimentos inimigos para os quais a Grã-Bretanha tomou as medidas preventivas necessárias. Este ainda é o caso hoje, mas em vez de apenas uma vantagem visual a ascensão da tecnologia, aliada à altura da Rocha, permite uma vigilância audível, onde os militares são capazes de transmitir e receber comunicações a grandes distâncias.

Isso é auxiliado pela própria Rocha sendo uma estrutura natural feita de calcário; ou seja, é completamente livre de manutenção, com exceção de caminhos e estradas, e é macia o suficiente para criar um sistema de túneis como o construído durante o Cerco do Século XVIII e a Segunda Guerra Mundial, mas é forte o suficiente para manter o transporte e sustentação da carga.

A série de eventos ocorridos entre o século XVIII e até o dia atual tem demonstrado, de tempos em tempos, que o território soberano de Gibraltar tem uma importância estratégica militar e econômica. No entanto, esses eventos, tão importantes e bem documentados como são, parecem ofuscados pela importância cultural de Gibraltar como um símbolo de resiliência e força nacional. Gibraltar permaneceu firme em seu desafio aos inúmeros ataques públicos e secretos nos últimos 300 anos, o que alimentou uma cultura de dedicação e lealdade entre os habitantes locais. Isso foi exemplificado no referendo de 2002, onde foram perguntados se a Grã-Bretanha e a Espanha deveriam compartilhar a soberania – resultando em 98% dos Gibraltarinos dizendo que deveria permanecer britânico.

FONTE: UK Defence Journal

40 COMMENTS

  1. “A vantagem militar óbvia de Gibraltar é que a sua posição geográfica permite a conjugação de recursos para um rápido desdobramento em todo o Mediterrâneo, que pode ser alcançado por via aérea ou marítima, com o seu porto e base aérea dedicados.”

    eu já teria devolvido essa geringonça há muito tempo. no caso de um conflito de importância, é um dos primeiros lugares a ser bombardeado.

    uns 3 ou 4 port’aviões resolveriam o problema de projeção de força inglesa em todo mediterrâneo, a um custo bem mais baixo. aliás, com o recente missil anti port’aviões chinês, nenhuma embarcação está mais segura nesses mares.

  2. Alto nível de vergonha alheia detectada.
    Será que a Espanha precisa passar por uma situação dessas?
    Aprenderam com os argentinos e a reivindicação das Falklands/Malvinas?

  3. Espanhóis são abusados mesmo. Possuem um enclave exatamente de frente para Gibraltar, só que na África, no Marrocos! Façam o seguinte, belezinhas de Madrid: devolvam ao Marrocos a possessão em Ceuta, unilateralmente e sem condições, e, a partir daí, terão condições de tocar a Marcha Real em águas territoriais britânicas em Gibraltar.

  4. Pelo tratado de Utrech, a colonia britanica de Gibraltar não tem mar, apenas as aguas do porto e o direito de navegar pelas aguas da Espanha com destino ao porto, o problema esta aí, a colonia considera que o mar ao redor pertence a ela contrariamente ao tratado, não permitindo a passagem de navios espanhois, é uma posição apenas da colonia, tendo em vista que apenas as lanchas da policia de Gibraltar tentam interceptar ou avisar os navios espanhois, não são interceptados pela Royal Navy. A colonia sobrevive do contrabando e fugas fiscais, tem mais de 5.000 empresas com sede ali, é um paraiso fiscal. Vez por outra os navios espanhois navegam por ali indo e vindo de Algeciras.

  5. Os espanhóis perderam Gibraltar, e reconheceram a posse como da Inglaterra e abriram mão de todas revindicações. O que ocorre é que os britânicos se aproveitam para expandir esse território na época da Peste Negra (1869), a Espanha cedeu uma parte para ajuda humanitária que os britânicos acabaram anexando, a Espanha só veio revindicar a área na SGM só revindicou a ONU em 1966, e usou que Gibraltar era uma colônia, após isso para resolver a questão o princípio de autodeterminação o que acabou legalização Gibraltar como possessão Britânicos que mudou o status do território de colônia para território ultramarino…..

    • Sim,
      São mequetrefes, adoram meter o bedelho onde não são chamados.
      Favor ler sobre história de Gilbraltar, e verificar de quem era a posse antes da Inglaterra se apoderar.
      O que existe aqui no blog, a mentalidade de mocinhos e bandidos.
      Mocinhos = Estados Unidos, Inglaterra, e outros ingleses que existem por ai, vulgo liberdade, democracia, etc, etc, blablabla
      Bandidos = Todos os outros que não concordam a visão política e econômica dos dois acima, ou seja Rússia, China, Cuba, mas, podemos colocar agora a Espanha também, apenas porque reinvindica algo que era seu.

      • Como Gibraltar pode ser espanhola se a Espanha formalmente abriu mão da mesma por um tratado? É um pleito tão mequetrefe quanto o da Argentina pelas Falklands…

        • Claro que assinou um Tratado, quem não assinaria um com um canhão apontado para sua cabeça.
          Foi assim que a Inglaterra tomou conta da área.

          Olha, infelizmente, é a mentalidade dos mocinhos e bandidos aqui presente.
          Quem é mocinho, Estados Unidos, Inglaterra, países de língua inglesa, Canadá e Austrália, e por ai vai.

          Quem é bandido, bem, vamos pelo começo, Rússia, China,….. e Espanha agora.

          Se fosse o inverso, vc nem postaria nada aqui!

          Pelo amor de Deus, estude História e pare de comentar besteira.

          • Fernando: acalme-se. Eu não me referi à reivindicação da Espanha, eu me referi ao fato de colocar um navio rondando a área com megafones, como se isso fosse servir para alguma coisa ou como se fosse possível ganhar algo “no grito”.
            Antes de dar vazão ao seu desejo de ofender, leia com atenção o que foi escrito. Seu fígado agradecerá.

          • O fato meu caro Fernando é que ao assinar um tratado e ceder a área à GB os espanhóis abdicaram de qualquer pretensão acerca de Gibraltar, pouco importando se isso se deu ou não sob ameaça de um canhão. Se a Espanha está insatisfeita que procure uma corte internacional, tente negociar com os britânicos ou retome à força. A última opção é claramente descartada pois além dos países integraram uma mesma aliança a Grã-Bretanha é uma potência nuclear.

            Fora daí o pleito continua sendo mequetrefe, e não vai ser retórica de centro acadêmico que vai mudar isso.

  6. Quero ver eles passarem na frente de um PA Nuclear e sua FT! Vão levar tiros na proa! Aí a coisa acaba!

    Chineses fazendo escola?

  7. QQ míssil balístico e em especial o chinês (anunciado há tempos!) deixa claro que Gibraltar é ‘ALVO’ e, como tal, geopoliticamente, representa um baita ônus para quem detiver sua posse.
    Politicamente é um pepino para a Espanha, que está buscando confronto direto com Sua
    Majestade pq integra os ditos Territórios Britânicos Ultramarinos, sob jurisdição e soberania do Reino Unido. Eles são partes do Império Britânico que não receberam a independência ou votaram para permanecerem como territórios britânicos. Estes territórios não fazem parte do Reino Unido e, com exceção de Gibraltar, não fazem parte da União Europeia.

  8. Os ingleses fizeram plebiscito em Hong Kong ? Não. E era muito mais rica que Gibraltar. E foi embora.
    Gibraltar, assim como as Falklands e Ascensão, só serão inglesas enquanto houver $$$, só orgulho nacional não basta.
    Os ingleses não deram independência à Índia e Israel no pós-2WW, entre outras colônias, porque queriam, mas estavam arrasados e não tinham como manter suas vaidades imperiais.
    Quando a corda apertar de novo (e pode apertar com o Brexit), o UK pode precisar se livrar de outros territórios. Os espanhóis sabem disso. Quando Franco foi assediado por Hitler para entrar no Eixo, respondeu que “Gibraltar não vale uma guerra, é uma fruta que cairá de madura”.

  9. Depois tomam uma surra como os argentinos aí ficam cheios de nhe nhe nhe. Devolvam Ceuta, Melilla e Badis ao Marrocos aí vocês podem conversar.

  10. E não são apenas as cidades de Ceuta e Melilla que a Espanha possui em teritório africano. Também possuem algumas ilhas no litoral marroquino e até um rochedo de pouco mais de 400 metros a menos de 100 metros da praia. Em 2002 quase ia saindo uma guerra pela disputa desse valioso rochedo (Perejil) mas acabaram entrando num acordo.
    A Espanha também tem um contencioso com Portugal referente ao município de Olivença, reinvindicado pelos dois países há séculos. A disputa vem desde o Congresso de Viena em 1815 e parece que esqueceram de assinar alguma página e a coisa nunca se resolveu.
    A Espanha ainda administra a Ilha dos Faisões juntamente com a França. Localiza-se no norte do país, tem pouco mais de 200 metros e ninguém pode viver lá. Desde o século 17 a soberania da ilha é alternada entre os 2 países a cada 6 mêses e parece que tudo se resolveu.
    E como se não fosse pouco, a Espanha possui um enclave dentro do território francês, o município de Lívia, situado 150 km DENTRO do território francês desde o século 16. A soberania espanhola é reconhecida pela França e o trânsito permitido livremente para autoridades e cidadãos espanhóis.

  11. Já que tem gente dizendo que o Reino Unido é malvadão e roubou Gibraltar, será que podemos aproveitar o embalo e botar um navio de guerra para ir tocar o hino nacional nas praias de Assunção, Santa Helena e Tristão da Cunha, que eram portuguesas e deveriam “por direito” ter ficado com a gente? Vai que cola.

    Isso é, se tivermos um navio que navegue, e não afunde sozinho no porto.

    Não tem como, não dá para levar nada dessa situação toda a sério. Alguns comentários incluso.

  12. Não sou especialista, mas será que o hino partiu realmente do navio? Uma atitude de afronta desta, justamente na hora em que Gibraltar faz parte da proposta de acordo do Brexit, me parece coisa feita para insuflar os ânimos dos ingleses contra o acordo. Enfim…

  13. Quando Napoleão invadiu e conquistou a Espanha foram os Ingleses que ajudaram os espanhóis se livrarem do Pequeno Corso. De quebra, em retribuição, os ingleses decidiram ficar com Gibraltar, o rochedo fortaleza. Sem os grandes guerreiros que foram Nelson e Wellington, a Espanha poderia ser território dos gauleses até hoje. Estão reclamando do quê?

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