sexta-feira, outubro 15, 2021

Saab Naval

Para a China, a chave para se tornar uma Marinha de Águas Azuis e um concorrente igual aos EUA foi o reabastecimento no mar

Destaques

Redação Forças de Defesa
redacao@fordefesa.com.br

Por Edward Lundquist

Em menos de duas décadas, o mundo viu as capacidades navais da China amadurecerem a ponto de a Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN) agora ser considerada uma concorrente de igual para igual à Marinha dos Estados Unidos. Na verdade, a China agora tem a maior marinha do mundo.

De acordo com o contra-almirante aposentado Michael McDevitt, um dos maiores motivos pelos quais a PLAN deve ser levada a sério não são seus números absolutos ou a sofisticação de seus sensores e armas, mas sua capacidade de se sustentar no mar por longos períodos.

Foi a perseguição de piratas no Chifre da África que empurrou a PLAN além de sua zona de conforto. Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu às nações que fornecessem patrulhas navais para proteger o transporte marítimo contra os piratas somalis em 2008, a PLAN enviou navios de guerra, bem como um navio de reabastecimento para realizar operações prolongadas no mar.

No novo livro de McDevitt, China as a Twenty-First-Century Naval Power: Theory, Practice, and Implications, o autor fala sobre como a Marinha da China fez a transição de “pequenos passos operacionais” na década de 1990 para a “força legítima da ‘águas azuis’ de hoje.”

Os desdobramentos de contra-pirataria profissionalizaram a PLAN e desempenharam um papel importante em transformá-la em uma das grandes marinhas do mundo, disse ele. “Eles provaram a si próprios, tanto quanto a qualquer outro, que podiam enviar dois destróieres e um navio-tanque para o Golfo de Áden e mantê-los lá por três ou quatro meses, fazendo patrulhas antipirataria, apoiá-los logisticamente e realizar tarefas operacionais confiáveis. Eles descobriram como fazer isso usando navios-tanque da PLAN e empresas estatais e, eventualmente, construindo uma base em Djibouti.”

Eles também puderam estender esses desdobramentos, disse McDevitt. “Depois que os navios são dispensados, eles continuam por mais dois meses e meio exibindo a bandeira. Eles vão para uma parte diferente do mundo – África, Mediterrâneo, Ásia. Esses desdobramentos são oportunidades de treinamento importantes para uma marinha em rápido crescimento.”

A Marinha dos Estados Unidos está familiarizada com desdobramentos longos, algo que muitas vezes é dado como garantido. Mas é um grande desafio abastecer um grupo de ataque enquanto ele se move através dos oceanos. Os navios em desdobramentos prolongados são reabastecidos no mar, mas mesmo os navios de reabastecimento, como os navios-tanque, precisam reabastecer. “Depois dos primeiros desdobramentos antipirataria, os desdobramentos dos Grupos-Tarefas da PLAN agora têm uma média de sete meses, porto a porto. Ela dominou a arte da reposição em andamento e aprendeu como aproveitar o apoio em terra de empresas de logística estatais chinesas, como a COSCO.”

“Eu considero os últimos 12 anos como um‘ laboratório de águas azuis ’, onde a PLAN observou e aprendeu as melhores práticas das grandes marinhas do mundo e como sustentar navios atribuídos a missões operacionais por meses a fio. Quando você considera todos os preparativos necessários para preparar um desdobramento normal do USN no exterior, o que a PLAN dominou é impressionante”, disse ele. “A experiência que os oficiais e marinheiros da Marinha do PLA ganharam em operações, manutenção a bordo e organização geral, navios e projeto de sistema de armas (o que funciona), treinamento e, mais importante, suporte logístico para as forças desdobradas foi inestimável.

“A capacidade de desdobrar navios de forma confiável para os confins do Oceano Índico, e além, por sete meses, e repetir os desdobramentos, sem interrupção, por 12 anos e contando, é a marca de uma marinha que chegou como uma legítima força de águas azuis. Os últimos 12 anos foram um acelerador dramático para o desenvolvimento da PLAN em uma verdadeira força global”, disse McDevitt.

Hulunhu (965) é o navio líder do navio de apoio de combate rápido Type 901 da Marinha do Exército de Libertação Popular.

O navio da Marinha do Exército de Libertação Popular Qiandaohu (886) e ao fundo o navio da Marinha da República da Coreia ROKS Wang Geon (DDH 978) navegam em formação cerrada durante a RIMPAC 2014.

FONTE: National Defense Transportation Association

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Guacamole

É uma pena vir para um site de defesa Brasileiro e ver noticias de outros países se desenvolvendo a ritmo rápido enquanto a nossa se não está parada, está andando para trás.

Filipe

Prezado Amigo, a MB esta desenvolvendo um Submarino Convencional de Propulsão Nuclear , logo todos os focos e os recursos estão nesse projeto, esse é o jump que o Brasil precisa de dar, a China já deu, a India já deu, nós estamos trabalhando nesse sentido, o Brasil precisa se unir, nada de polarização politica, toda sociedade brasileira precisa de apoiar esse projeto, o SNBR é o maior projeto de engenharia do hemisfério sul. Vamos ter calma, depois do SNBR Alváro Alberto a MB poderá voltar a prestar maior atenção aos meios de superfície da esquadra e navios de suporte.… Read more »

Willber Rodrigues

“depois do SNBR Alváro Alberto a MB poderá voltar a prestar maior atenção aos meios de superfície da esquadra e navios de suporte”
Isso se o Alvaro Alberto não sofrer corte de verbas e atrasar de novo….e de novo…e de novo…
Até lá, a esquadra de superfície pode mesmo esperar?
Aliás, quem garante que as Tamandarés tambem não irão atrasar?

100nick-Elã

Esse atraso é proposital, não é incompetência (é também, mas não é o principal fator). Alguém muito poderoso tem todo o interesse de deixar o Brasil permanecendo no limbo da fraqueza militar e impotência. Dessa forma, nunca seremos primeiro mundo, nunca seremos uma superpotência, mesmo tendo todos os requisitos necessários para tal: grande território, grande população, grandes riquezas naturais, quase nenhum conflito militar com vizinhos, etc.O Brasil tinha tudo para ser tudo, mas é só um nada. A ambição do Brasil é ser o cachorrinho vira-lata dos Estados Unidos.

Jacinto

O principal para se tornar uma grande potência não é tamanho de território, população, riquezas naturais, conflito com vizinho; o principal é ter educação. Foi a educação que transformou Alemanha, Japão, Coreia do Sul, EUA, Rússia e China em potencias.
E se o sistema educacional brasileiro é horroroso não é por culpa de potências estrangeiras ou “alguém muito poderoso”. É culpa nossa mesmo, porque gostamos de políticos que não têm apreço algum por educação ou ciência.

João

É muita esperança!!! Kkk uma marinha sem esquadra com 80 mil homens. Acho que nem 5 mil estão embarcados. Nao rola nem chamar a MB de guarda costeira. Culpados?!
Sim, em primeiro lugar a própria MB com a sua política atrasada de pessoal e seus projetos grandiosos e inviáveis… hoje temos aviões de combate velhos e modernizados e aviões de transporte sendo modernizados sem um porta aviões. Em segunda lugar, culpa dos nossos políticos e congressista s que priorizam a corrupção em detrimento do nacionalismo.

Last edited 3 meses atrás by João
Henrique

Na minha opinião o maior culpado é o almirantado, porque nesta duas últimas décadas teve praticamente um orçamento estável e sem nenhuma ingerência por parte de políticos, ainda assim ela decidiu trilhar esse caminho de miséria. Do que adianta ter um subnuc enquanto todo o resto definha? Quem os obrigou a ter um efetivo de 80 mil, quase duas Royal Navy? Por que temos um CFN de quase 20 mil, temos algum Império colonial pra defender? Somos uma força expedicionária que intervém em outros lugares do mundo?

André Macedo

O submarino é uma arma de dissuasão diferente, por você não saber onde ele está, você sente medo, mas não temos dentes além disso, a presença de um submarino só é útil contra uma força regular, que é a menor das nossas preocupações no momento, um pirata ou contrabandista não iria se intimidar por um submarino.

Mk48

Prezado, btarde.
.
As utilidades de um ssk ou ssn vão MUITO além de espreitar ou afundar navios inimigos.
.
Abs

Hcosta

Mas a capacidade de intervenção em tempo de paz, como essas operações de patrulha, é nula.
Dissuasão, coleta de informação e pouco mais.

Last edited 3 meses atrás by Hcosta
EduardoSP

Sim, a MB está desenvolvendo o SSN há mais de 4 décadas. Vamos aguardar mais um pouco. Pessoal quer tudo “pra ontem”.

Parece que o Álvaro Alberto foi feito para não existir, para ser só uma desculpa.

Rafael

caramba!! os chineses em 2030 vão ser poderosos, já, já os EUA e OTAN não vão consegur mais fazer nada contra a economia chinesa, e os chineses com esse poder naval vai conseguir mudar a politica externa de muitos paises no futuro.

José de Souza

Epa, o que a OTAN tem que fazer “contra a economia chinesa”??

Jonathan Pôrto

O Tupi e o Tikuna tão de olho nessa rede de abastecimento! Colocar a pique frota no seu momento mais vulnerável quando reabastecerem Porta-aviões e os Navios Multipropósito!!! Oh Glória !!!

Tallguiese

Doido!

Alex Barreto Cypriano

Evidentemente uma marinha de águas azuis demandaria um colar de bases e um serviço de ressuprimento no mar. A China sabe o quê é a superioridade naval americana, assim como foram as anteriores britânica, francesa, holandesa, hispano-portuguesa. Mas a competição entre rivais vai muito além da analise histórica e da emulação, imitação de tática e de meios navais tradicionais: o aspecto da dependência digital, massivamente pervasivo, parece assumir relevância decisiva e a capacidade de derrotar o inimigo sem ação cinética. Confira esse ensaio interessantíssimo: https://www.usni.org/magazines/proceedings/2021/july/navy-must-hide-plain-sight

Luiz Floriano Alves

Os Xins tambem anubciaram que tida a frota será acionada por energias nuclear. Esso devidi ao progresso dos reatores compactos e modulares de baixissimaa raadiação. O custo tb é absurdamente menor do que os velhos PWR.

João da Lua
Matheus S

Sou um entusiasta dos avanços militares da China, mas ainda falta muito para a China chegar aos pés da US Navy, principalmente no fator logístico e reabastecimento da frota naval, o MSC detém mais de uma centena de navios de apoio, auxiliar e reabastecimento para apoiar a frota naval mundialmente, a China está longe de ter essa base de apoio.

Hcosta

E bases para esses navios.
Mas já começaram a diminuir a diferença

Last edited 2 meses atrás by Hcosta
Matheus S

Eu acho que o fator mais fácil nessa equação são as bases. Existe uma gama de possibilidades para uma presença maior global do PLAN com apoio de bases navais estrangeiras, desde arrendamento de uma base naval, construção de uma base naval no exterior, acordos bilaterais de defesa com o país possibilitando uma presença maior da marinha chinesa, entre outros.

Matheus S

Por exemplo, o WSJ relatou que o PLAN havia secretamente garantido acesso exclusivo a cerca de um terço de uma base naval do Camboja por até 30 anos, dando a Pequim um novo flanco sul no Mar da China Meridional, no que seria a sua segunda base naval, após a base em Djibouti. Os cambojanos negam, mas os chineses ficaram em silêncio. Em outubro de 2020, estava sendo realizadas obras de dragagem ao redor da base, a fim de acomodar navios maiores, em um projeto apoiado pelo governo chinês. A expansão está sendo realizada pela China Metallurgical Group Corporation. Um dos dois edifícios financiados pelos… Read more »

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