Por Alexandre Galante

No dia 19 de abril, tivemos a oportunidade de visitar a Lisnave Estaleiros Navais, a convite do amigo João da Cruz Gonçalves, da Confraria Marítima – Liga Naval Portuguesa.

A Confraria Marítima de Portugal – Liga Naval Portuguesa (CMP-LNP) tem como objetivo promover e divulgar atividades relacionadas com o Mar, numa perspectiva abrangente, nomeadamente de caráter social, cultural, técnico e científico. Curiosamente, a Confraria foi criada por iniciativa de um brasileiro, Capitão de Longo Curso Fernando Abel da Costa, da Marinha Mercante.

A história da Lisnave

Estaleiro de Reparação Naval da Rocha

A origem da Lisnave remonta a 1 de janeiro de 1937, quando o Grupo CUF assumiu a concessão do Estaleiro de Reparação Naval da Rocha, situado na margem norte do estuário do Tejo, em Lisboa.

Mais tarde, em setembro de 1961, a empresa adotou o nome Lisnave – Estaleiros Navais de Lisboa e a expandiu-se para a margem sul do Tejo onde foi construído o novo estaleiro da Margueira, com instalações para acolher as maiores embarcações em construção.

Em 1973, foi criada a Setenave Estaleiros Navais de Setúbal e construído um novo Estaleiro de Construção e Reparação Naval na Mitrena, em Setúbal, para atender ao aumento da procura, tanto de reparação como de construção naval.

Estaleiro de Construção e Reparação Naval na Mitrena, em Setúbal

Resultante da necessária racionalização da indústria europeia de reparação naval, em meados de 1997 foi implementado um plano de reestruturação para satisfazer as necessidades previstas de reparação e conversão naval para o próximo século XXI.

O plano de reestruturação foi concluído no final do ano 2000, na sequência do encerramento do Estaleiro da Margueira e da modernização geral do estaleiro existente e da construção de mais 3 diques secos de dimensão Panamax (o Hydrolift). Todas as atividades estão desde então concentradas em Mitrena.

A Lisnave é 97% privada, emprega diretamente cerca de 450 trabalhadores, de um total de 2.000, incluindo os terceirizados. A empresa repara uma média de 100 navios por ano, com faturamento de 100 milhões de euros.

Clientes de mais de 50 países utilizam os serviços da Lisnave para manutenção e reparos de navios. As empresas que utilizam os serviços sempre acabam voltando, devido à excelência do trabalho executado.

A empresa agora planeja diversificar as atividades, como a energia eólica offshore e reciclagem naval.

Serviços

O Estaleiro está totalmente equipado com oficinas, serviços e instalações necessárias para realizar a ampla gama de tarefas exigidas de um reparador naval. Possui ampla capacidade de elevação, plataforma, carregadores de equipamentos para movimentação de grandes seções de estruturas e equipamentos metálicos, braços de cais, equipamentos de pintura e detonação e todas as utilidades necessárias para atracação de uma embarcação.

  • Reparos em aço – Equipada com duas grandes oficinas de processamento de aço, para lidar com qualquer tipo de fabricação e renovação de aço.
  • Reparos de tubulação – Mão de obra qualificada e oficina bem equipada com fabricação e instalação de tubos de qualidade.
  • Reparos de máquinas – A oficina mecânica está equipada com um vasto conjunto de máquinas proporcionando a gama de serviços necessária a qualquer atracação.
  • Sistemas de propulsão – As equipes qualificadas da Lisnave auxiliam os proprietários com todos os sistemas de propulsão, desde embarcações fixas e de propulsão CPP até às mais sofisticadas unidades de propulsão azimutal.
  • Limpeza e Pintura – Condições climatéricas favoráveis ao longo do ano aliadas a pessoal experiente e equipamento necessário permitem um tratamento superficial de qualidade aos seus clientes.
  • Reparos elétricos – Mão-de-obra qualificada e capacidade de engenharia auxiliam os Armadores na manutenção regular dos sistemas elétricos das embarcações.
  • Recondicionamento – Recondicionamento das peças é realizado com total aprovação das sociedades classificadoras.
  • Limpeza de Tanques – Estação dedicada de limpeza de tanques e liberação de gás de propriedade da Eco-Oil localizada ao lado do pátio. A Certificação Gas Free e a avaliação de riscos atmosféricos são realizadas pela empresa independente Gaslimpo.
  • Reparos de hélices – Em parceria com a Wartsila através da sua associada Repropel todos os reparos nas hélices podem ser realizados dentro das instalações do Estaleiro.
  • Reparos em turbocompressores – Em associação com a MAN, fornece soluções de manutenção e reparação para todos os turbocompressores marítimos.

Arranjo

O estaleiro da Lisnave ocupa uma área de 1.500.000 metros quadrados, está abrigado pela península de Tróia proporcionando ancoradouro seguro para navios de qualquer porte.

Com 6 diques secos com capacidade de até VLCC (Very large crude carriers) e espaço total de cais de 1.400 metros, a Lisnave pode acomodar qualquer tipo de embarcação. As  instalações dispõem de meios de elevação adequados para qualquer trabalho de manutenção, reparação ou conversão naval, entre os quais 20 gruas laterais de cais com capacidades de elevação até 100 toneladas e um pórtico de 500 toneladas.

Diques 30

  • Dique 31 – 280 m x 39 m, calado 5,1 m
  • Dique 32 – 280 m x 39 m, calado 5,1 m
  • Dique 33 – 280 m x 39 m, calado 5,1 m

Diques 20

  • Dique 20 – 420 m x 75 m, calado 5,1 m
  • Dique 21 – 450 m x 75 m, calado 7,8 m
  • Dique 22 – 350 m x 55 m, calado 7,8 m

Visita

Partimos de autocarro (ônibus) de Areeiro e seguimos para o estaleiro na Mitrena, em Setúbal. Após a passagem pela portaria da Lisnave, seguimos para o auditório onde assistimos a uma apresentação da Lisnave, realizada pelo engenheiro e administrador delegado da Lisnave, Nuno Antunes dos Santos.

Em seguida, voltamos ao autocarro para circular pelo estaleiro e conhecer algumas das instalações, acompanhados por Ricardo Serôdio, responsável pela comunicação e imagem da Lisnave.

Ficamos bem impressionados com a organização e grandiosidade das instalações, assim como a preocupação constante com a segurança.

Abaixo, as fotos da visita.

Tente encontrar o editor do Poder Naval na foto

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12 Comentários
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Abner

Uma pergunta no Brasil existe algum estaleiro desse porte ?

Franz A. Neeracher

Não…..nem de longe…o maior, o “Atlântico Sul” talvêz seja o equivalente a uns 20% deste em Portugal.

Willber Rodrigues

Pombas, agora fiquei chateado lendo isso…

Fernando "Nunão" De Martini

Isso não é um problema em si.
Esse estaleiro é grande por motivos específicos de sua trajetória. Há diversos estaleiros espalhados pelo Brasil que podem ser lucrativos em serviços de reparo sem ter o mesmo porte.

Franz A. Neeracher

Não fique chateado……a pergunta do Abner foi sobre o porte.

Um país pode ter vários estaleiros menores que consigam atender a demanda e terem lucro.

Existe um grande mercado para construção, reparos e recycle de navios…..mas a concorrência é grande e a pressão por baixos preços também é dura.

Carlos

Os estaleiros da Margueira (em Almada, sul de Lisboa) e o estaleiro da Mitrena (Setúbal) foram construídos para reparação e construção de petroleiros mas com as crises do petróleo e agora com a transição energética já não fazem sentido estaleiro com grande docas para a construção de petroleiros. Essas docas estão sendo usadas para a construção de muito que é alternativo atualmente como são as plataformas Windfloat (que se pode ver no vídeo nesta reportagem e no indicado mais abaixo). Portugal tem muitos mais estaleiros do que os mencionados nesta reportagem como são os casos do Estaleiros Navais de Viana do… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Carlos
Miguel Carvalho

Este
—— EDITADO ——

As instalações da Lisnave em Almada, ainda eram maiores.

Era impressionante a quantidade de pessoas que empregava.

É offtopic, mas bateu a saudade.

FERNANDO

Eba, vamos comprar?

CHARLESLOGAN22

Imaginar que por exemplo o Brasfels em Angra dos Reis e pequeno perto do Lisnav. Sim, mas tem um super potencial não usado

fewoz

Há uma mostra de fotografia sobre o 25 de abril no antigo estaleiro de Margueira (Descobri o nome agora, através da matéria). Sou brasileiro, mas moro aqui pertinho, em Almada, então pude ir caminhando até lá. Sempre vejo aquela grua enorme da Lisnave, me pergunto o que aconteceu com a empresa. Visitar o local é como estar num filme apocalíptico: tudo abandonado, inclusive objetos. Falando nisso, o que vão fazer com aquele terreno enorme? É de propriedade da Lisnave ainda? É uma pena não fazerem nada com aquilo… É uma grata surpresa saber que a empresa continua firme e forte… Read more »

Miguel Carvalho

Boas amigo. Essa zona vai ser alvo de projectos imobiliários, porque os valores desses terrenos são enormes.

Se pesquisares no google, Almada e cidade da água, podes ver o projecto.

Last edited 1 mês atrás by Miguel Carvalho
fewoz

Interessante. Espero que realmente se concretize. Obrigado pela informação.