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Submarino nuclear USS Dallas deixa o serviço depois de 36 anos

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USS Dallas (SSN 700), em 1982

BANGOR, Washington – A tripulação do submarino de ataque rápido da classe “Los Angeles”, USS Dallas (SSN 700), realizou uma cerimônia de inativação em 5 de dezembro, na base naval de Kitsap-Bangor, comemorando os 36 anos de serviço do navio.

A ocasião marcou o evento público final da tripulação antes que o submarino seja oficialmente desarmado na área industrial controlada (CIA) no Estaleiro Naval Puget Sound (PSNS) em Bremerton, Washington.

“Hoje, comemoramos as inúmeras realizações deste bom navio e as tripulações que o embarcaram, os esforços notáveis ​​da tripulação e do estaleiro durante a inativação, bem como a nossa estreita associação com a grande cidade de Bremerton e a cidade homônima de Dallas, Texas “, disse o imediato do Dallas, capitão de corveta Todd Bowers.

Muitos apoiantes, membros da Liga da Marinha de Dallas e ex-membros da tripulação participaram da cerimônia para se reunir com velhos companheiros de navio e oferecer o adeus do submarino. Também esteve presente o Sr. John Hayes, que representou o congressista Kenny Marchant da cidade de Dallas e Texas.

“O navio e sua tripulação, durante seus anos de serviço dedicado, viveram o lema do USS Dallas, ‘First in Harm’s Way’, e eu sei que a tripulação do USS Dallas continuará a buscar a excelência ao longo de suas vidas, “Disse Hayes. “Tenho a honra de reconhecer o USS Dallas e os incríveis homens e mulheres que serviram como sua tripulação”.

Quando um navio da Marinha dos EUA comissionado é desativado, é retirado do serviço ativo e a equipe é reatribuída a outro navio ou comando. A inativação é o processo no qual o submarino será desabastecido, com o casco retido em armazenamento seguro até o desmantelamento.

“Nós antecipamos que em algum momento no início de abril de 2018, por trás da segurança em camadas da Área Industrial Controlada do Puget Sound Naval Shipyard e com pouca alarde, uma pequena fração da tripulação e um punhado de pessoal do estaleiro devem observar a retirada final da flâmula de comissionamento e o arriamento da bandeira após o qual o Dallas será oficialmente desarmado e retirado do Registro Naval”, disse o capitão de fragata David Kaiser, o comandante final do Dallas. “A cerimônia de hoje é a nossa oportunidade de reunir membros e famílias atuais e antigas, nossas famílias adotivas de Dallas, Texas, membros da nossa equipe de projeto e vários irmãos e irmãs em nossa profissão de armas para lembrar e realmente apreciar os sacrifícios da tripulação e suas famílias. Esta é uma chance de finalmente despedir-se do Dallas”.

O capitão Robert Jezek, da Submarine Force U.S. Pacific Fleet, representante do estaleiro naval Puget Sound, foi o orador convidado para o evento.

Cerimônia de incorporação do USS Dallas, em 18 de julho de 1981

“O desmantelamento do Dallas marca o fim desse incrível submarino que serviu nosso país por mais de 36 anos”, disse Jezek. “Quando incorporado em 18 de julho de 1981, o Dallas foi saudado como a vanguarda do sistema de defesa da nação. Durante todos esses anos, o Dallas realizou missões vitais para a segurança nacional, desdobrou-se 14 vezes, percorreu mais de um milhão de milhas, visitou mais de 30 países, participou de um filme de grande sucesso e foi considerado um lar para centenas de marinheiros ao longo dos anos, alguns dos quais estão neste público hoje.”

A cerimônia foi concluída com o arriamento da bandeira nacional e da flâmula de comissionamento, juntamente com uma passagem de serviço simbólica.

“Hoje, eu realmente me sinto honrado por ter tido a oportunidade de liderar esses bons homens e fazer parte da família e da história de um navio de guerra tão bom”, disse Kaiser. “Após 36 anos de serviço, é hora de deixar esta grande senhora descansar. A cerimônia de hoje não marca a morte de um navio; sim simboliza uma transição que ocorre na vida de todo navio de guerra. A transição onde seu legado se afasta das realizações individuais do navio e agora vai para os marinheiros e famílias que carregam tudo o que aprenderam e tudo o que experimentaram”.

O USS Dallas com um SEAL Delivery Vehicle (SDV) sendo carregado em seu dry-deck shelter, em Norfolk, Virginia, fevereiro de 2006

O Dallas completou seu desdobramento mais recente em 22 de novembro de 2016. Durante a sua missão final de 7 meses para as áreas da 5ª e 6ª Frotas dos EUA, o submarino percorreu 37 mil milhas náuticas e visitou os portos de Brest, França, Al Hidd, Bahrein, e Duqm, Omã.

Em sua última viagem, o Dallas partiu de Groton, Connecticut na costa Leste, para Bremerton, Washington, na costa Oeste, em 24 de março de 2017. Durante o trânsito, o Dallas transitou pelo Canal do Panamá e visitou os portos de Port Canaveral, Flórida e San Diego, Califórnia. Ele chegou ao PSNS em 22 de maio.

O Dallas foi o segundo navio da Marinha dos Estados Unidos a homenagear a cidade de Dallas, Texas. A quilha foi batida pela Divisão da Electric Boat da General Dynamics em Groton, Connecticut, em 9 de outubro de 1976. O navio foi lançado em 28 de abril de 1979 e incorporado em 18 de julho de 1981.

O Dallas recebeu duas Meritorious Unit Commendations, duas Navy Unit Commendations e recebeu o prêmio Eficiência de Combate “E” (Echo) nos anos de 1986, 1991, 1992, 1993, 1999, 2000 e 2013.

O Dallas foi proeminente no livro de Tom Clancy, “The Hunt for Red October” (A caçada ao Outubro Vermelho), e sua adaptação cinematográfica. No entanto, em vez usar o Dallas nas filmagens, foi usado o submarino de ataque rápido da classe Los Angeles, recentemente desarmado, USS Houston (SSN 713).

Medindo mais de 110 metros de comprimento e deslocando mais de 6.900 toneladas, o Dallas tem uma tripulação de aproximadamente 140 militares. O Dallas é capaz de suportar várias missões, incluindo guerra antissubmarino, guerra anti-navio, ataque terrestre e inteligência, vigilância e reconhecimento.

O USS Dallas em cena no filme A caçada ao Outubro Vermelho. Nas filmagens usaram o USS Houston, da mesma classe
USS Dallas no dique flutuante ARDM-4, em 25 de março de 2001
USS Dallas em Souda Bay, Creta, Grécia, em abril de 2004

21 COMMENTS

  1. Em 2014 cheguei a vê-lo ancorado na base dos submarinos brasileiros junto com o Ambush e o Améthyste. Esses Los Angeles são impressionantemente grandes quando vistos ao vivo, e o Ambush também.

    Seria interessante termos algumas fotos daquela ocasião. Nem pude tirá-las, pois estava passando sobre a Ponte Niterói.

  2. Só existem mais 3 idênticos ao “Dallas” ainda em serviço na US Navy…os USSs Bremerton, Jacksonville e Olympia…o “Jacksonville” já está na fase de pré inativação o que será oficializado dentro de alguns poucos meses para descomissionamento em 2019 e os outros dois serão inativados em 2019 e 2020.
    .
    Outros 8 classe “Los Angeles” também possuem os lemes na “vela” mas são equipados com 12 silos verticais para mísseis “tomahawks” e todos os demais 22 além dos 12 silos de mísseis
    são facilmente identificados como “Los Angeles Melhorados” pois não apresentam lemes
    na “vela”, assim como os das classes “Seawolf” e “Virgínia”

  3. O apelido oficial é “Big D” mesmo…mas…lembro de ter lido em um site sobre submarinos
    que ele era chamado “Dull Ass”…cuja pronuncia em inglês é parecida com “Dallas”…o significado
    …deixa para lá…:)

  4. Marcelo…
    .
    o combustível nuclear do “Dallas” está no fim…teoricamente seria possível um novo
    “reabastecimento” só que isso seria caro e poderia não valer a pena pois a integridade do casco
    permitiria apenas alguns poucos anos a mais de serviço, então, nem a própria US Navy apesar de uma falta crônica de submarinos e o preço vultoso de um novo da classe “Virginia” arrisca
    esticar a vida de um submarino como o “Dallas”.

  5. Marcelo,
    Interessante também são as comportas dos tubos de torpedos que ficam aparentes.
    Vale salientar que o bico do submarino é de material composto, ficando visível a transição do domo do sonar (bico) para o casco externo.

  6. Lelio Braga Calhau 6 de dezembro de 2017 at 14:41

    Verdade eu comprei o DVD desse filme espetacular (um dos melhores) sobre a guerra fria.
    Na verdade o filme foi uma adaptação do livro homônimo de Tom Clancy, que por sua vez foi inspirado num episódio real ocorrido em 1975, no qual um navio de guerra soviético foi amotinado e sua tripulação pediu asilo no ocidente.
    Engraçado que tiveram todo o cuidado na abordagem, usando o submarino nuclear USS Dallas
    numa ação diplomática na interceptação Typhoon (soviético) comandada por Marko Ramius (Sean Connery), já no USS Dallas comandado por Bart Mancuso (Scott Glenn). Quem não viu assista no YouTube
    Filmaço !!!

  7. Bom saber que existem pessoas que ainda se lembram do meu filme favorito de submarinos rs
    Uma pergunta: é possível ” reaproveitar” o urânio de um reator nuclear de um navio que por ventura naufrague em águas rasas ou seja descomissionado ?

  8. O filme é mais interessante que o livro no que se trata dos comandantes russos.

    No livro os russos parecem ter comando bem menos competente que no filme.

  9. Seria interessante ao Brasil contar com 1 ou 2 para irmos treinando nossos marujos(tripulantes), até que um dia se torne real ter o nosso.
    Fazer que nem a India, primeiro adquiri ou leasing, depois fabrica.

  10. Jorge…
    .
    no caso de você retornar ou a mais alguém que possa interessar, o submarino russo que
    hoje encontra-se sob “leasing” na marinha indiana, foi completado com recursos da Índia,
    pois sua construção estava paralisada e os russos não teriam completado ele e existe um
    outro submarino russo em condições semelhantes que já foi oferecido à Índia…desde que
    a Índia pague para que o mesmo retorne ao serviço.
    .
    Então não é bem assim…escolhe-se um submarino qualquer que esteja em serviço na marinha russa e os russos entregam sob módicas condições.

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