quarta-feira, julho 28, 2021

Saab Naval

NPaOc ‘Amazonas’ chega ao Rio de Janeiro

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Chegou ontem ao Rio de Janeiro o Navio-Patrulha Oceânico (NPaOc) Amazonas (P120). Ele fundeou na Baía de Guanabara, onde recebeu a imprensa que foi até o navio de lancha. Parte dos jornalistas seguiu a bordo para a atracação na Base Naval do Rio de Janeiro, onde familiares dos tripulantes aguardavam ansiosamente.

O navio recebeu a visita do Ministro da Defesa Celso Amorim e do Comandante da Marinha, almirante Moura Neto, além de outros membros do almirantado.

Esta foi a segunda visita do Poder Naval/Forças de Defesa a bordo, a primeira foi realizada em Natal-RN pelo nosso correspondente Ícaro “Joker” Gomes.

O navio realmente impressiona pelo tamanho, com instalações confortáveis para a tripulação e com espaço de sobra para equipamentos e suprimentos para longas missões de patrulha no mar.

O comandante Giovani Correa recebeu os jornalistas, concedeu entrevista e fez uma rápida apresentação do navio antes da atracação na Base Naval do Rio de Janeiro.

Segundo o comandante, o Amazonas agora deve fazer uma série de comissões curtas e depois de um mês ou mês e meio, encarar uma missão longa.

O Amazonas deverá operar em áreas mais afastadas da costa que os navios-patrulha da classe “Grajaú”, por um período um pouco maior.

Para o comandante, o navio vai ser importante para marcar presença na região do Pré-Sal, que é uma área bem mais afastada da costa, para mostrar que aquela região tem dono, que pertence ao Brasil. Não basta ir até lá e voltar, é necessário permanecer alguns dias.

Giovani Correa destacou ainda que o navio pode realizar uma grande gama de missões, com a capacidade de levar 6 contêineres no convoo, possibilitando a realização de missões de ajuda humanitária, ações cívico-sociais, apoio logístico, como o realizado na Ilha da Trindade. O navio pode ainda operar aeronave embarcada e levar tropas de fuzileiros e mergulhadores de combate, para operações de resgate de plataformas, de navios sequestrados.

Segundo o comandante, a viagem para o Brasil foi tranquila. Entre os portos de Natal-RN e Salvador-BA o navio utilizou as facilidades dessas bases navais para se preparar para receber helicópteros. Antes de receber helicóptero a bordo o navio precisou passar por uma Vistoria de Segurança de Aviação (VSA) em que vários testes e laudos foram verificados, como atrito do convoo e cargas nas redes. Quando o navio estava no Reino Unido não houve tempo para prepará-lo para operações com helicópteros, sendo assim foi aproveitado o “expertise” nacional para esta etapa.

Foi realizado o pouso de helicóptero Esquilo a bordo e o navio será homologado para receber o Super Lynx. Segundo o comandante Gionavi Correa, o Amazonas pode receber até o MH-16 Seahawk, pois tem espaço e resistência estrutural para isso.

O comandante informou durante a apresentação que a capacidade de armazenamento de combustível é muito superior às suas necessidades, incluindo combustível de aviação. O navio pode levar 320 mil litros de óleo e consome por dia 10 mil litros. Para as aeronaves ele pode levar 15 mil litros de JP5.

O primeiro pouso de aeronave a bordo do NPaOc Amazonas

 

Durante a visita pudemos conhecer o CIC (Centro de Informações de Combate) onde fica o sistema de dados táticos, o OSIRIS, que integra os sensores e o armamento do navio. Além do radar de busca combinada, existe uma alça optrônica com câmera de vídeo, câmera de imagem térmica e um telêmetro a laser.

O comandante destacou a importância da alça optrônica na precisão dos tiros e nas operações de inspeção naval, pois com a alça é possível saber o que está acontecendo dentro da embarcação suspeita, se as pessoas a bordo estão armadas, o que dá uma segurança maior ao grupo de abordagem.

O sistema dá a solução de tiro para o canhão de 30mm da proa . Os canhões de 25mm que ficam nas asas do passadiço podem ser operadas remotamente do CIC contra ameaças assimétricas, o que confere uma proteção maior aos tripulantes.

Com relação às máquinas, o comandante destacou que os dois motores diesel do navio (com 7.500kW cada) são mais potentes que os motores da corveta Barroso (de 5.800kW). A velocidade de cruzeiro é de 14 a 15 nós, e navegando abaixo de 13 nós o navio usa um motor apenas.

Para atingir 25 nós a variação é muito rápida, o navio é muito estável com estabilizadores e às vezes ele está a 25 nós e nem se percebe. “É como um carro novo” – brincou o comandante Gionavi Correa.

Chegada na Base Naval do Rio de Janeiro

Os jornalistas que permaneceram a bordo do navio puderam seguir até a BNRJ e assistir à atracação. No cais, familiares dos tripulantes aguardavam a chegada juntamente com uma banda dos Fuzileiros Navais.

Ao som de Cisne Branco e outros hinos militares, o NPaOc Amazonas atracou com o auxílio de dois rebocadores. No desembarque dos tripulantes, registramos o emocionante reencontro com os familiares.

Depois do merecido descanso de sua tripulação, o NPaOc Amazonas terá muito trabalho pela frente.

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Daglian

Parabéns pela matéria! Achei interessante o Amazonas possuir dois motores mais potentes até que os da Barroso. Isso mostra realmente, junto com as suas outras características, que o navio cumprirá com folgas sua missão.

joseboscojr

Só existe uma alça optrônica que pode controlar apenas 1 canhão de cada vez ou 2 canhões contra apenas 1 alvo.
Será que existem 3 estações de controle remoto, 1 para cada canhão, para que cada um possa enfrentar um alvo individual perfazendo 3 alvos simultâneos ou nesse caso ele tem que ser operado manualmente?

joseboscojr

Ah!
Valeu Galante!

Moriah

Muito bom poder operar s helis da MB. tb gostei dos canhões automáticos.

😀

Mauricio R.

“O primeiro pouso de aeronave a bordo do NPaOc Amazonas”

Que falta faz, um helicóptero decente, nessas horas.

Guilherme Poggio

Parabéns Galante e Ícaro.

Com essas reportagens detalhadas de vocês dois sobrou pouca coisa para a concorrência abordar.

fragatamendes

Parabéns GALANTE, a matéria está fora de série, já li que o armamento de tubo de 30 e 25mm é TOP de LINHA, mas continuo a achar que no primeiro PMG a Marinha deveria instalar um Super Rápido de 76mm dois de 40mm e de quebra uns quatro de 20mm, para manter a padronização na força.Abraços do MENDES.

MO

o navio nao tem buneu não??? usaram o Generico “MB” ????

Lyw

Acredito que o armamento atualmente existente no NpaOc Amazonas é condizente com a classe deste navio e o tipo de função que o mesmo irá desempenhar: PATRULHA! Não vejo porque padronizar seu armamento com o de navios de classes completamente diferentes, principalmente “navio de guerra”, coisa que está longe de ser a função do NpaOc.

Marcos

enquanto isso, do outro lado do oceano, lá pelas bandas da África…

Navio escola argentino foi retido em porto de Gana por autoridades locais, por solicitação de um Fundo de Investimento americano, por falta de pagamentos.

O governo argentino, nesse momento esperneia. Só!!!

É a Argentina indo para o fundo do poço. Ou já por lá.

danra2

Impressionante . . . O Ministro da Defesa e o Comandante da Marinha comparecendo à apresentação de um “BARQUINHO DE PATRULHA”! Já pensou se fosse um porta-aviões a alegria deles? CADÊ AS FRAGATAS????

Marcos

Cara, sei não…. mas esse navio nem parece que foi feito na Inglaterra. Acabamento tudo meia boca: cabeamento saindo do teto, outro saindo da parede, piso de paviflex…

Marcos

danra2

A nossa “Fragata” está lá quinta imagem: é o barquinho do Ministério da Pesca, aqueles que a Ideli comprou, que houve denúnicas, aquilo tudo, enfim, que depois não sabiam o que fazer e entregaram para a Marinha.

Luiz Floriano alves

Mas se esse lote foi comprado de oportunidade, se supoe que vei meio inacabado. Cabe aos meios da MB colocar em condições de uso e apresentação. Nada pior para o moral que um barco mal acabado ou sem conservação.

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