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A evolução da estratégia naval brasileira (1991-2018)

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Pintura retratando a Esquadra Brasileira no início dos anos 2000, com o NAeL Minas Gerais equipado com caças AF-1 (A-4 Skyhawk) comprados do Kuwait em 1998
Pintura retratando a Esquadra Brasileira no início dos anos 2000, com o NAeL Minas Gerais ao centro, equipado com caças AF-1 (A-4 Skyhawk) comprados do Kuwait em 1997

Com o final da Guerra Fria em 1991, a Marinha do Brasil teve que adequar seu planejamento à nova realidade estratégica mundial.

A ameaça submarina soviética desapareceu e os Estados Unidos da América como única super potência passaram a ter um grau maior de liberdade em sua política externa. As Marinhas da OTAN começaram uma redução gradual do número de navios para alcançar o “dividendo de paz” de seus governos.

Na América do Sul, a Armada Argentina teve seu poder naval cada vez mais reduzido pelas contínuas crises econômicas do país.

A situação estratégica após o fim da Guerra Fria foi muito bem sintetizada pelo almirante Mario César Flores, na exposição “A Marinha no Cenário Brasileiro Atual”, de 15 de maio de 1992:

“A Marinha se manteve nos últimos cinco decênios fiel à experiência da 2ª Guerra Mundial, centrada na proteção antissubmarino do tráfego costeiro, experiência continuada pela ameaça potencial soviética, muito viva no pensamento dos anos 50, 60 e início dos anos 70.

Com o passar do tempo, ganhou corpo o sentimento de que as concepções decorrentes da experiência da 2ª Guerra e da Guerra Fria já não bastavam.

O colapso da União Soviética e a implausabilidade da hipótese de guerra clássica na América do Sul sugerem ser diminuta a probabilidade de campanhas como as do passado.

Sugerem, portanto, menor necessidade de navios antissubmarino, espinha dorsal da Marinha do Brasil há 50 anos.

Hoje parece mais razoável enfatizar genericamente a defesa da fronteira marítima, cuja operacionalização exige bons submarinos (daí a importância que atribuímos à propulsão nuclear).

Ela comporta também alguma utilidade aos navios que dominaram a ótica anterior, os navios escolta, que são, aliás, os que melhor atendem eventual cooperação brasileira em patrulha e bloqueio para o controle da ordem marítima em áreas conflitadas – hipótese que o Brasil não pode ignorar.”

Diante do exposto, a Marinha do Brasil continuou dando andamento ao seu programa de construção naval, conforme os recursos disponíveis, que foram reduzidos drasticamente ao longo dos anos.

O quadro abaixo mostra a diminuição da participação do orçamento da Marinha no orçamento da União, de 1970 a 1996:

Exercício Orçamento Exercício Orçamento
1970 4,65% 1984 2,49%
1971 5,72% 1985 2,4%
1972 5,1% 1986 2,09%
1973 4,4% 1987 2,76%
1974 3,5% 1988 1,79%
1975 2,85% 1989 2,32%
1976 2,97% 1990 0,61%
1977 2,94% 1991 1,03%
1978 2,98% 1992 0,8%
1979 2,85% 1993 0,49%
1980 2,2% 1994 0,52%
1981 2,03% 1995 0,71%
1982 2,4% 1996 0,4%
1983 2,47% Fonte: Ministério da Marinha

 

Construção das corvetas e compras de oportunidade

As quatro corvetas classe Inhaúma operando juntas
As quatro corvetas classe Inhaúma operando juntas, em meados dos anos 90

A construção das novas corvetas classe “Inhaúma”, destinadas a substituir os contratorpedeiros de procedência americana da época da Segunda Guerra Mundial, de um planejamento inicial de 16 navios, reduzido depois para 12, acabou com apenas quatro unidades construídas. As Inhaúma entraram em serviço entre 1989 e 1994.

A construção de uma quinta unidade aperfeiçoada, a corveta Barroso, foi iniciada em 21 de dezembro de 1994, seu lançamento ao mar ocorreu em dezembro de 2002, mas sua construção acabou se arrastando até 2008, por causa da escassez de verbas.

Lançamento da corveta Barroso - Foto: DPHDM
Lançamento da corveta Barroso – Foto: DPHDM

Para cobrir a lacuna deixada pela desativação dos antigos contratorpedeiros das classes “Fletcher”, “Allen M. Sumner” e “Gearing” e a reduzida quantidade de novas corvetas, a Marinha do Brasil teve que partir para as compras de oportunidade no exterior.

Foram adquiridas, ainda em 1989, no final da gestão do almirante Henrique Saboia, quatro fragatas classe “Garcia” da Marinha dos EUA, que na MB foram classificadas como contratorpedeiros classe “Pará”, repetindo os nomes dos primeiros contratorpedeiros classe “Fletcher” recebidos pelo Brasil a partir do final dos anos 50.

Os navios da classe “Garcia” eram dotados de um poderoso sonar de casco AN/SQS-26 e lançador de foguetes antissubmarino ASROC. Não foram equipados com mísseis antinavio, mas operavam com o helicóptero Lynx.

O contratorpedeiro Pará (D27), último navio classe “Garcia” a servir a MB, deu baixa em 12 de novembro de 2008.

CT Paraná - D29, da classe Garcia
CT Paraná – D29, da classe Garcia

Mais tarde, na gestão do almirante Ivan da Silveira Serpa (08/10/92 – 01/01/95), foram adquiridas as fragatas Type 22 Batch I de procedência britânica, no lugar de fragatas americanas da classe “Knox”, anteriormente avaliadas.

As fragatas Type 22, conhecidas como classe “Greenhalgh” na MB, eram equipadas com mísseis Exocet MM38 na proa e dois lançadores conteiráveis do míssil antimíssil Seawolf, além da capacidade de operar dois helicópteros Lynx.

A propulsão da classe “Greenhalgh” usa somente turbinas a gás, de alta de de baixa velocidade (COGAG), ao contrário da combinação mais econômica de motores diesel e turbinas (CODOG) da classe “Niterói”.

Dois navios da classe ainda continuam em operação na MB, aguardando substituição.

Fragata Greenhalgh F46
Fragata Greenhalgh F46

Modernização das fragatas classe Niterói – Programa ModFrag

A necessidade de atualização dos sistemas de bordo das fragatas classe Niterói (Vosper Mk 10) surgiu já na segunda metade da década de 80, antes mesmo que a primeira embarcação da classe completasse dez anos de serviço. Isso ocorreu muito em função da rápida evolução do ambiente de guerra naval ocorrido após a concepção do projeto.

O plano inicial, traçado pela MB no último semestre de 1989, previa a modificação/substituição/modernização dos seguintes itens:

  • Substituição do sistema de defesa aérea de ponto Sea Cat, por outro sistema de mísseis capaz de engajar alvos tipo “sea-skimmer” (roça-ondas);
  • Substituição dos radares de controle de tiro RTN-10X por um novo modelo compatível com o sistema de mísseis a ser adotado;
  • Melhoramento do sistema de defesa antiaéreo secundário (canhões Bofors 40mm/L70) modernizando-o ou substituindo-o por outro sistema com capacidade anti-míssil;
  • Substituição dos radares de busca combinada (AWS-2) e de navegação (ZW-06);
  • Instalação de sonar tipo towed array nas duas fragatas de Emprego Geral;
  • Modernização do equipamento de medidas de apoio à guerra eletrônica e contra medidas eletrônicas, incluindo a instalação de lançadores tipo chaff e sistema de vigilância infra-vermelho;
  • Modernização do Sistema de Comando & Controle e Informações Táticas.
Fragata Niterói no final dos anos 90, já sem alguns sistemas, em preparação para o Programa ModFrag
Fragata Niterói no final dos anos 90, já sem alguns sistemas, em preparação para o ModFrag

A partir do final da década de 80, várias propostas de modernização de diferentes empresas estrangeiras (Estados Unidos, França, Grã Bretanha, Israel, Itália) foram submetidas à MB.

O calendário inicial previa a conclusão da primeira fase do processo, a seleção da proposta mais atraente, para o ano de 1990. Os serviços poderiam então iniciar em meados de 1991 e terminar por volta de 1995.

Durante a primeira metade da década de 90 o projeto sofreu modificações e atrasos principalmente por ausência de fundos, que foram negados em 1993.

O formato final do projeto ModFrag foi definido ao longo do ano de 1995. Em relação ao projeto original, foram introduzidas novas modificações, resultando numa modernização ampliada. Como efeito, os custos finais sofreram uma elevação, passando de US$ 385 milhões para US$ 420 milhões.

Em março de 1995, a AESN Selenia foi selecionada para o fornecimento dos conjuntos de radares RAN-20S, RTN-30X e os sistemas de mísseis Albatros/Aspide.

Através de um processo seletivo realizado pela MB em 1996, foi definido um consórcio responsável pela atualização e integração dos sistemas de armas e eletrônicos das belonaves. O contrato foi vencido pelo consórcio liderado pela Elebra Sistemas de Defesa e Controle Ltda. em 20 de setembro do mesmo ano. As outras empresas que participam do consórcio foram: Consub Equipamentos e Serviços Ltda.; Dolphin; Holosys Engenharia de Sistemas Ltda (brasileiras) e DCNI (francesa). Coube à Emgepron – Empresa Gerencial de Projetos Navais, a gerência executiva do projeto.

O início efetivo do projeto ModFrag ocorreu em 1º de outubro de 1997 quando a fragata Liberal (F43) foi docada, aproveitando-se do seu PMG – Período de Manutenção Geral. Previa-se um período de trabalho de 21 meses para esse primeiro navio. No entanto, por problemas de integração de sistemas, houve um atraso significativo e os primeiros testes de mar só ocorreram em 2001.

O Programa ModFrag só foi concluído em 2006, com a prontificação da fragata Constituição (F42).

Fragata União
Fragata União na configuração pós-ModFrag

>>> Continua em próximo post…

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96 COMMENTS

  1. Pra mim, a unica estratégia real e eficaz que a MB tem é o PROSUB… o MANSUP vem em seguida…. são os unicos programas em andamento que realmente vão zelar pela SOBERANIA do nosso país!

    o resto é bla bla bla

    • E a Marinha como força de combate já está pagando um alto preço pela miopia de apostar todas as suas fichas no PROSUB, algo que diga-se de passagem fez politicamente e com reflexos indesejáveis na seara criminal

      Quanto ao MANSUP é uma arma já de alcance pequeno, essencialmente defensiva e incapaz de ser um “game Changer”

      • O PROSUB está gerando ganhos incontestaveis pra nós em termos tecnologicos…. isso foi mostrado à exaustão aqui mesmo no Naval pelos editores quando visitaram Itaguaí!

        Ja o MANSUP é o seguinte: não é a arma em si que faz o diferencial… mas o que se ganhou em termos de pesquisa, desenvolvimento científico e qualificação da industria belica do Brasil….
        o MANSUP será a base pra algo maior futuramente…… claro, se tiver continuidade né….

      • Mas sou de acordo que o Prosuper é importante tbm…

        Mas aí eu ja deixo pros especialistas opiniarem… pq eu entendo quase nada de meios navais …. mas pelo pouco que eu sei, o Prosuper é compra de prateleira e não deve agregar muita coisa em termos de capacitação da nossa industria

          • Bom… então eu não sei…. como eu disse, não entendo muito !

            Era mais ou menos nos moldes do Prosub? Com construção de estaleiros?

          • Não, era parecido com a concorrência da classe Tamandaré, construção aqui da maior parte dos navios, em parceria com estaleiro local, e transferência de tecnologia.

  2. O PROSUB e o MANSUP são decorrentes da Estratégia Naval vigente e do PAEMB, o qual, por sinal, foi revisto e deve ser publicado até o final do ano…

  3. Queda do Muro de Berlim: 1989
    Drástica redução da participação do orçamento da Marinha, segundo quadro da matéria: 1990
    Puxa, o pessoal foi bem rápido, hem??
    Acabou a Guerra Fria, diminuiu o orçamento para defesa.

  4. É vergonhoso ver a falta de comprometimento dos nossos “representantes” com a defesa do país! De 16 para 4 corvetas, outra (apenas 1)começando em 1994 e terminando em 2008. Nada a dizer, os números mostram tudo.

    • Amigo Pablo. Concordo contigo, Vergonhoso.

      Números por números já estamos acostumados testemunhar sonho X realidade.
      Tem sido assim desde minha época de garoto entusiasmado e apaixonado por assuntos militares até os dias de hoje com meus 42 anos.
      E não duvido que tenha sido muito diferente dos que antes eram entusiasmados e apaixonados como nós e também do que virão nas próximas gerações.

      Ou seja, a história em terra brasilis sempre se repete, realmente é a terra da novela, sonha-se com muito, projeta-se quase nada e se constrói muito pouco.

      E como sempre seguindo o ditado, eu vou apoiar ainda que com um grau de incomodo e direito a crítica, o que houver para hoje.

      É o que tem pra hoje. então abraça.

  5. Sobre as escoltas, tirando as Garcia e as Greenhalgh, as Niteroi fizeram o seu serviço bravamente, essas duas classes vieram como “tapa buraco” pessoalmente nunca gostei das Garcia e as Greenhalgh, enfim, que a nossa MB saiba acrescentar meios compatíveis com a realidade do nosso país, que desdenha da educação e criminaliza o indivíduo policial/militar. Que venham as Tamandaré eescoltas pesadas por favor.

    • Adoro as Niteroi, são as melhores fragatas que surgiram nos anos 70, 80. Como os encouracados Minas Geraes, foram top na época mas foram ultrapassados pela corrida armamentista da época.

    • Sem questionar a opinião, mas trazendo informações, a chegada das Greenhalgh foi importante, na medida em que trouxe a defesa de ponto por MSA e os excelentes radar 967/968 e sonar 2050… empurraram água durante o período de imobilização das FCN e o fizeram com distinção… abraço a todos…

      • Sempre achei as Greenhalg belos navios. Muito moderna à época de seu lançamento e bem equipadas em termos de sensores e armamento, mesmo considerando a ausência de canhões.

        Pelo seu porte e excelente design , enfrentaram bravamente as péssimas condições de mar do Atlântico Sul durante a Guerra das Malvinas.

        Não tenho ideia de como as Niterói teriam se comportado por lá.

        Uma pena o Brasil não ter tambem comprado as Batch II.

          • Prezado Carvalho2008,
            Bem lembrado !
            Eu havia esquecido, mas vou te dizer uma coisa : Eu não queria ter estado embarcado numa Type 21 naqueles mares. Imagina só o caturro !!!

            Abs.

          • A maioria dos navios de escolta na área tinha o mesmo porte da Type 21 ou eram até menores, e em condições severas deviam caturrar tanto quanto.

            As fragatas britânicas da classe Leander também na área eram menores, os destróieres Type 42 eram pouca coisa maiores (e serviram de ambos os lados). Os argentinos operavam destróieres classe Allem M Sumner de porte semelhante às Type 21 e corvetas de menor porte. Fragatas do porte das Type 22 ou maiores ainda não eram maioria nas esquadras no início dos anos 80.

  6. Nunca houve inimigos. Compramos o modelo ocidental do pos guerra que virou guerra fria até os anos 1990.

    Por falta de ameaças, e há colegas que defendem a existência da Defesa somente nesses casos, fomos dormir.

    Passados quase 30 anos estamos nos propondo a construir 4 corvetas e 5 subs para as próximas décadas. O pensamento de 1990 se transformará em realidade por volta de 2035 a 2045.

    Brasil. Do alto dessa colina 50 anos vos contempla. Eu pensava que estratégia era futuro. Não precisava ser 50 anos. Desse jeito, é melhor pensar ou exercitar como será a vida em 2070 e começar a fazer.

  7. Prezados,

    Se formos falar só sobre navios escoltas, veremos que nos anos de 1960, a MB planejava manter 20 escoltas do porte de fragatas.

    No final dos anos 1970, início dos 80, além das 6 FCN já obtidas, a MB pretendia construir mais 8 fragatas, sendo 4 para AAW, sendo assim, 14 escoltas do porte de fragatas, mais 16 escoltas do porte de corvetas, totalizando 30 escoltas.

    No início deste século, a MB, definiu no PAEMB que precisaria de 30 escoltas.

    Como bem escreveu o XO, o PAEMB acaba de ser revisado.

    O que chamo a atenção dos senhores é que o número de escoltas necessários, de acordo com a MB, não variou muito ao longo das décadas.

    No entanto, a realidade orçamentária sempre fez com que a MB tivesse um número muito menor que o desejado.

    Grande abraço

  8. Complementando o comentário anterior,

    Fico com a ideia que o número de 14 escoltas do porte de fragatas, já poderia se considerar razoável.

    Grande abraço

    • Prezado CA Luiz Monteiro, o Sr esteve na Inglaterra para a incorporação do Atlântico, no estaleiro da Babecook; o Sr ouviu falar, por lá, do projeto da T31e deles ? Se sim, poderia comentar ?
      E outra, o Sr pode dizer se a MB monitora esta concorrência inglesa pensando, no futuro após os ingleses receberem e testarem as suas, em adquirir algumas unidades ? Pelos valores anunciados, apesar de todo o reaproveitamento de equipamentos, as Arrowhead 140 cairiam como uma luva para a MB.

  9. A queda e 4,65% a 0,4% mostra que os anos 90 foram uma década perdida para a defesa do país. Imagine quantos projetos foram engavetados e quanta experiência foi perdida. Se tivéssemos mantido pelo menos uns 2% é bem capaz que tivéssemos escoltas mais novas e, quem sabe, elas fossem construídas em nosso país.

  10. Devíamos ter adquirido algumas Oliver Hazard Perry quando estavam disponíveis, pelo menos teríamos alguma defesa de área para dar ao Atlântico quando chegar.

  11. Quem vê as Niteróis, com toda sua imponência, não imagina que esses belos navios foram construídos no Brasil. Hoje sofremos para lançar pequenos barcos patrulhas da classe Macaé. Parece entre 82 e a primeira década do novo século engatamos a marcha ré na capacidade de construir navios de guerra.

  12. Caro Colegas. Gostara de colocar alguns números para pensarmos. O PIB do Brasil em 1996 foi de R$ 854 bilhões, em 2006 foi R$ 2,4 trilhões e em 2016 foi de US$ 6,2 trilhões. Segundo a FGV, a receita federal foi em 1996 foi 26% (R$ 312 bilhões), em 2006 foi R$ 803 bilhões (33%) e em 2016 foi R$ 2,0 trilhões (33%). Portanto, houve tanto uma redução da participação da MB no orçamento mas também houve um aumento da receita devido o aumento do PIB. Em 2016, a participação da MB no orçamento federal foi de 0,83%. Teríamos que fazer as contas, mas tenho a impressão que o orçamento real da MB hoje (deflacionado ou mesmo em dolares) é maior do que era na década de 70. Encontrei um artigo interessante sobre essa a evolução dos orçamento militar do Brasil que tem a seguinte conclusâo “E m resumo, os dados orçamentários indicam que a burocracia vemreduzindo, a passos lentos, o orçamento da defesa, se comparado percentualmente
    ao de outras áreas. Entretanto, os valores absolutos nãosão nada desprezíveis e ultrapassam os repasses para áreas críticas.Sugerem, outrossim, que determinados projetos militares são definidospelas próprias forças, em razão da falta de atenção do Legislativo e doExecutivo em relação à temática da defesa e seus desdobramentosatuais. Esses aspectos poderão constituir novas formas de autonomiacastrense, na medida em que eventuais pressões para um edirecionamentoefetivo do emprego militar levem as Forças Armadas a estabelecero que sejam ameaças e seus âmbitos (externo ou interno), as políticas dedefesa a serem adotadas e as missões que lhes serão atribuídas” (referência: “FORÇAS ARMADAS, ORÇAMENTO E AUTONOMIA MILITAR”, publicado em 2002)

    • Prezado Camargoer.
      .
      Acredito que tenha escapado um US$ no lugar de R$ para o PIB de 2016, não chegamos (ainda) a este patamar em dólares…
      .
      Certamente o montante é maior já que participa de um bolo maior, mas queria propor apenas para reflexão, dois pontos, o primeiro seria trazer esses montantes em dólares, pois a maioria das compras de armamentos são cotadas nesta moeda e a desvalorização do R$ frente a outras moedas internacionais esconde que mesmo com um montante maior, mudou o poder de compra do nosso orçamento e o segundo ponto seria atualizar os valores para eliminar o efeito da inflação… Ainda assim acredito que temos um orçamento maior hoje, mas talvez numa proporção menor do que imaginamos!
      .
      Outro ponto seria mais qualitativo que é a relevância que se dava para o tema quando se destinava um percentual maior do orçamento pra isso quando comparada com o que vemos hoje…
      .
      Sds

  13. Pois é, realmente é triste a situação de nossas FAA,s!
    Mas o próprio texto reafirmou uma coisa que sempre digo, ” nossos oficiais estão desatualizados e se baseiam sempre nos ensinamentos da WWII” (espero que agora essa mentalidade esteja mudando).
    Uma solução seria (caso as verbas realmente sejam empregadas a contento) a construção do projeto original do CPN para as CCT,s, encomenda de novas unidades das CCT,s, início imediato de um projeto nacional com cooperação e revisão de construtor estrangeiro tradicional de uma fragata de faixa de 4000 á 5000t.
    Tendo como base o casco das CCT,s ligeiramente aumentados e ensinamentos da operação das Niterois, Greenhalg e estudos realizados no casco desses navios.
    Encomendar versões navais de sistemas de armas nacionais que estão em fase final de integração, tais como TORC-30 mm, SABER-M60 & 200, RDS, LINK BR-2 etc.
    Lógico que levando em consideração a correta destinação de verba e correto emprego das mesmas.
    Ou se não teremos que analisar se queremos realmente uma marinha Blue Water ou Brown Water com alguma capacidade oceânica.
    E caso optem pela ultima opção, com a incorporação dos LHD Bahia e Atlântico nossa capacidade litorânea ( brown water,s ) já está numa capacidade boa, bastando mais alguns investimentos e criação de uma Guarda Costeira.

    • Só tem um problema o projeto CCT (CV-03) não tem mais capacidade de crescer por isso a MB incluiu NAIPP na concorrência.

  14. Em 1970 o Brasil gastava 4,65% do PIB só com a MB??? Caramba. Juntando todas as FAs capaz de alcançar 10% do PIB só com Defesa.
    Por isso que o país era cheio de analfabetos, com mortalidade infantil altíssima e baixa expectativa de vida. Totalmente desproporcional esse gasto com Defesa. Surreal. E ainda assim éramos mal equipados.

    • Se você considerá o estrago “recente” (a época) que os sub. causaram na SGM e os constante avistamento de subs. soviéticos no nosso litoral. Faz até sentido esse gasto com a MB…

    • Rafael, a proporção de 4,65% é sobre o orçamento federal, não sobre o PIB, que é muito maior. Mas de qualquer forma era muito dinheiro, proporcionalmente. E de qualquer forma a população nem sabia o que acontecia, era proibido saber, muito mais reclamar.

    • Ops, desculpem-me pelo erro.
      A carga tributária era de 26% do PIB. Logo, o gasto com a MB era de 1,2% do PIB. Bem menor do que eu pensei, mas ainda elevada, o que leva a crer que as FAs abocanhavam uns 3% do PIB em 1970 e anos seguintes. Para mim, ainda não faz sentido tanto gasto com Defesa.

  15. Pessoal,
    Depois de segunda guerra mundial não houve mais combates entre navios, muito menos com mísseis de cruzeiro.
    Inclusive as batalhas do pacífico foram em sua grande maioria batalha entre porta aviões.
    Estou certo ?

  16. Texto interessante.

    Ao contrário, penso que dever-se-ia retomar o componente ASW como prioridade máxima, haja visto a ameaça submarina do passado não ter sido de fato neutralizada ( mesmo considerando desdobramentos políticos atuais ), além da crescente ameaça de outros atores que se projetam agora globalmente, e que são sim adversários potenciais. Contudo…

    Dadas as extensões marítimas que temos, entendo que não seria viável pelos nossos dias montar um dispositivo ASW confiável com vasos de deslocamento inferior a 4000 toneladas ( considerando a necessidade de um tipo capaz de operar um poderoso VDS ), algo que se torna ainda mais difícil diante da necessidade de haverem minimamente entre seis a oito escoltas operando ao mesmo tempo para dar caça a um submarino, demandando, teoricamente, um número superior a 12 escoltas a serem adquiridas; e todas aptas a tal papel.

    Francamente, não vislumbro número tão grande de vasos no futuro previsível. Além do preço de tais sistemas de armas, há outros fatores complicadores, como a necessidade de manter toda uma estrutura concebida no País para a construção e manutenção de submarinos ( nucleares inclusive ), somados ainda de outros investimentos hora em curso, que vão inescapavelmente determinar a redução da força de superfície a um núcleo mínimo ( com sorte, umas oito escoltas até 2030, sem que se projete maior incremento em números para depois disso ).

    Logo, eis que temos uma situação que considero curiosa… Acredito que, no final das contas, somente se poderá dar maior atenção a força submarina, aproveitando os investimentos do Estado no PROSUB, dedicando-se a ampliação da FORSUB e fazer dela a força dissuasória maior da Marinha. E assim seria puramente por restar-nos apenas esse caminho; mais do que qualquer consideração tática ou estratégica, tais como brilhantemente apontadas no texto pelo almirante Mario César…

    E ao final, considerando a possibilidade de que não haverão combatentes especializados em ASW, somente se poderá focar em elevar ao máximo possível a coordenação dos SSK com a aviação naval e o que houver de escoltas ( que provavelmente serão todas EG ) no futuro, o que vai demandar uma muito maior inteligência e capacidade de sensoreamento remoto do que aquilo que pode ser provido pelos meios especializados a disposição hoje.

    Como já anteriormente discutido, entendo que a aquisição de novos submarinos convencionais poderia se dar pela encomenda e entrega de um vaso a cada 3/4 anos a partir do comissionamento do último vaso desse tipo do contrato original, o que teoricamente caberia no bolso e permitiria manter a expertise tão duramente conseguida pelas empresas locais, atendendo a fatores políticos e estratégicos de maior monta.

    • Eu penso sobre nossa situação atual:
      .
      Questão do ASW:
      Seria um grande erro estruturar a Força de Superfície para o combate ASW na nossa costa (“na nossa costa”: tenha em mente isso). Os poucos países que tem capacidade de atacar o Brasil pelo mar, teriam a disposição um Submarino Nuclear de Ataque. Vamos colocar na água meia dúzia de “Corvetas Emprego Geral” pra caçar um Hunter Killer?
      Arriscado, em…
      Nunca tivemos e nem vamos ter condições de estruturar uma Força de Superfície, capaz de combater um único Submarino Nuclear de Ataque atuando por aqui. Contra essa ameaça, só a nossa Força de Submarinos poderia vir a ser estruturada para representar um oponente a altura da ameaça. A Força de Submarinos representa a nossa melhor alternativa de custo x benefício, para este tipo combate.
      .
      Temos a questão de que nossa costa é passível de minagem. Temos alguns projetos na área, como por exemplo uma mina nacional.
      Mas só que muito tem de ser feito no tocante a limpar uma região minada. Faltam meios e sistemas. Falta atualizar conhecimentos e capacidades… Essa é uma variante do combate naval que é extremamente importante ao Brasil, para dar combate a uma agressão pelo mar. Isso é muito mais importante que baterias costeiras ou a loucura de ter NPa com míssil Sup-Sup.
      .
      Somando aos Submarinos e a força de minagem, temos a questão das aeronaves de patrulha. Esse meio é o que deveria completar o “tripé básico” de nossa força ASW. Essa aeronave tem várias funções e possibilita varias aplicações, tanto na Guerra Naval quanto em tempos de paz, fazendo desde SAR a Patrulha da costa contra pesca e crimes ambientais.
      Hoje temos os P-3 e nada de definição quanto ao futuro substituto… Algo tem de ser feito.
      .
      Um outro tipo de ameaça que podemos enfrentar na nossa costa, é a ação de organizações terroristas em operações de insurgência, principalmente visando ataques a plataformas de petróleo. É uma possibilidade mais remota, mas é um passibilidade. Para isso, precisamos de dezenas e mais dezenas de Navios de Patrulha. Não é coisa cara, não é coisa feita para ir a uma Guerra e enfrentar o fim do mundo de uma invasão alienígena. É coisa de polícia. É coisa para Patrulhar… É coisa que representa baixo custo, que poderia ser feito aqui com grande índice de nacionalização.
      .
      Eu fiz esse balão todo, para chegar no pq a Força de Superfície deveria ser fundamentada…
      Pra mim, a Força de Superfície deveria ser fundamentada para ser uma Força de Ataque. Essa é a maior possibilidade de emprego em combate desta força.
      Precisamos de uma força com capacidade de se impor sobre qualquer Marinha da nossa região (não é grandes coisa) e garantir tanto a proteção do CFN e sua logística, quanto o cumprimento de um bloqueio naval a um país.
      Nessa situação sim, poderíamos encontrar meios como um SSK… É para este cenário que deveríamos estruturar a capacidade ASW de nossos navios.
      .
      Sobre Navio Escolta… Pra mim, o ideal seriam dois projetos, para se chegar naquele número mágico de 18 Navios ou até mesmo nos fora da realidade 30:
      1º Um projeto nacional de NaPOc, na faixa das 2.500t, com capacidade de operar até com Seahawk.
      Se construiriam primeiramente os navios necessários para mobiliar os 5 distritos, gerando escala e ganhando experiência na construção e então, a partir desse projeto se daria origem a uma Corveta, para atuar principalmente em cenários de baixa intensidade e missões de Patrulha Ultramar, como as da UNIFIL. Uma solução barata para várias e várias missões.
      2º Um projeto nacional de Fragata, na faixa das 4.500t
      Essa deveria ser a Classe Tamandaré… O navio padrão da Esquadra.
      .
      Fazendo uma comparação bem chinfrim… O que eu apresente em primeiro, seria uma espécie de “Type-056” enquanto o segundo, seria a nossa “Type-054”.

      • Sobre Navio Escolta… Pra mim, o ideal seriam “dois projetos, para se chegar naquele número mágico de 18 Navios ou até mesmo nos fora da realidade 30:
        1º Um projeto nacional de NaPOc, na faixa das 2.500t, com capacidade de operar até com Seahawk.”
        Seria uma Tamandaré mais simples, sem VLS por exemplo. O projeto já tem, faltam recursos para construir.

        “2º Um projeto nacional de Fragata, na faixa das 4.500t
        Essa deveria ser a Classe Tamandaré… O navio padrão da Esquadra.”
        Algo como a T31e do projeto da Babecook, simples, propulsão barata de operar e manter, podendo ser “montada” para cada missão através de kits baseados em container padrão, tem espaço para atualizações futuras, projeto já comprovado, já tem uma versão para AAW e, pelo jeito, não é a mais cara do mercado.

        12 Tamandaré mais simples e 18 unidades baseadas na Arrowhead 140 não ficariam um absurdo de caro e poderíamos construir tudo aqui, com absorção de conhecimento, gerando escala com a maior padronização possível de sistemas.
        Complementa com 2 LHD’s tipo os dos italianos mais os NaApLog para suprir a esquadra em alto mar, pronto.

        O restante do seu comentário já vejo isso na MB, com os SBr, o projeto dos NaPa 500 e a conversa com a Saab pelos Min/C-Min. Para patrulha ver qual projeto se encaixa melhor, se baseado nos KC-390 ou ERJ-190 E2, aumenta a consciência situacional com vants tipo o falcão e adquirir Héli para SAR numa quantidade que atenda os 6 distritos navais.

      • Concordo com você, sobre o nosso foco em ASW.A estruturaçã da MB deveria ser
        0° Patrulhas (prioridade em tempos de paz)
        1°Forsub (4 SubNuc. deve assustar qualquer marinha……)
        2°Minagem & Meios de ASW
        4°Força de Supeficice
        5°FFN & proteção e apoio a eles.(A MB tem planos de 4 navios para seu CFN um brigada anfíbia no RJ e uma unidade anfíbia na segunda esquadra no nordeste, essa segunda esquadra [pelo END tá mais ara uma pequena esquadra, logo pode até existir….]
        6° PA CATOL + GT (esse só se desse, e se a China tentar se impor no Atlântico de forma agressiva….ou coisa pior….)
        Sobre NPOc—>provavelmente será derivada da Tamandaré.
        Fragatas de 4000~4500 pode ser derivada do projeto das Tamandaré (?)
        Caça minas NG (dava até para deriva as corvetas, NPOc…..):
        https://ukdefencejournal.org.uk/udt-2018-bmt-show-off-venari-85-mine-countermeasures-platform/

  17. Uma esquadra no Brasil, após o tratado contra misseis de cruzeiro, a deixa muito limitada no quesito projeção de poder e defesa do território nacional. Imaginem uma invasão na fronteira Oeste e a marinha sem muito o q fazer, lembra muito o início da guerra do Paraguai. No cenário atual, acredito que qualquer estratégia de defesa passa urgentemente pela saída deste tratado. Já imagino as “corvegratas” (corvetas versão fragatas) disparando seus VlS com no máximo 300km de alcance, isso se nos liberarem tal capacidade, se contrapondo a qualquer marinha descente que possui misseis de cruzeiro. Estamos correndo atrás de um celular tijolão e eles já estão com iPhone 30.

    • De novo isso………..
      O tratado proíbe a venda e a transferência de tecnologia de misseis com + 299km de alcance e/ou 299kg de explosivos. Ter/desenvolver não vai em encontro com o tratado.

  18. Pelo visto, é possível identificar algumas fases:
    – até 1973, dispêndio de grande percentual do orçamento em Defesa, propiciado pelo “milagre brasileiro”;
    – 1974 até 1989, primeira redução na faixa de gastos (4 para 2%), devido à crise do petróleo e demais crises que foram abatendo o país ano a ano; mas, de qualquer forma, ainda havia significativa participação da Defesa no orçamento, orçamentos garantidos pela ameaça da Guerra Fria, no caso da Marinha com foco na guerra anti-submarina, para o que, certamente, havia exigência, pelos “comandantes” do bloco ocidental, que o Brasil cumprisse tal foco na área do Atlântico Sul;
    – 1990 a 2002, com o fim da Guerra Fria, tal exigência deixou de existir, as ameaças “extinguiram-se”, e coincidentemente iniciou o período de governo com tendência neoliberal (Collor, FHC), que apressaram-se a diminuir o tamanho do Estado (inclusive a Defesa); no caso da Defesa, o fim da Guerra Fria veio a calhar para tal desiderato; em tal fase, os orçamentos de defesa minguaram, causando episódios emblemáticos como a demora da Barroso e a descontinuidade do Tikuna;
    – 2003 a 2016, na etapa do governo de tendência socialista (Lula, Dilma) houve a necessidade política de reforçar o Estado, para gerar as políticas sociais, a sensação populista de sucesso nacional e, conforme mostra a Lava-Jato, para fazer caixa “político”; nesse período aumentou o valor absoluto das despesas com Defesa, assim como em todas as demais áreas, com base no endividamento público e “contabilidade pública criativa”; foram criados e iniciados grandes e vistosos programas: FX-2, KC-390, H-BR, ProSub, Guarani, e prometidos e não cumpridos outros tantos (ProSuper, por exemplo); a relutância em iniciar os projetos causou a obsolescência dos meios de superfície da Marinha e dos caças da FAB; considerando que o ProSub “decolou”, continua a estratégia de Marinha centrada em submarinos, apesar da falta de manutenção dos já existentes.
    – o curto período Temer manteve praticamente o mesmo nível de gastos, sustentado com grandiosos deficits públicos, mas criou a política de teto de gastos, que vai impactar no governo seguinte.
    .
    Em todos os períodos, gradualmente, foi aumentando a fatia de despesa com inativos (aumento da expectativa de vida) e ativos, sendo que essa aumentou com as leis decorrentes da END.
    .
    Uma conclusão fácil é que a tentativa de criar aviação de asa fixa embarcada em porta-aviões, no início dos anos 2000, era totalmente descolada da realidade, pois implicava em significativo investimento num período de redução de orçamento. Foi uma boa tentativa, mas fadada ao insucesso em face do contexto econômico e político. Talvez se pensasse que a grandiosidade do projeto teria o condão de empolgar políticos e população a ponto de fazê-los patrocinar. Talvez tenha havido alguma promessa vazia, que não se concretizou. Mas foi uma tentativa mal sucedida de mudar a estratégia da Marinha, transformando-a de uma força anti submarina para uma força centrada em porta aviões.
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    Os grandes projetos em andamento iniciaram-se no final do período de expansão de gastos públicos, e sustentar-se-ão pelo fato de terem sido já contratados (e parte já com financiamento externo). Mas com certeza consumirão parcela muito significativa do orçamento da Defesa, quadro agravado pelo aumento geométrico no gasto com aposentados.
    No caso do Exército, foi possível reduzir a cadência de construção dos Guarani, sem paralisar o projeto, pelo fato de serem unidades de menor valor individual. No caso da Marinha e FAB, inviável, devido ao alto valor de cada unidade.
    .
    Então, o quadro que se avizinha é incerto, pois estamos à véspera de eleições. Qual será a linha de atuação do novo governo, no tocante a gastos públicos?? Expansionista ou contracionista?? A economia irá crescer, com o consequente aumento da arrecadação?? O eventual aumento de receita será aplicado em despesa (inclusive Despesa) ou para redução do endividamento??
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    Bom, muito mais poderia ser analisado, com acertos ou erros deste entusiasta, mas melhor parar por aqui…

    • “Uma conclusão fácil é que a tentativa de criar aviação de asa fixa embarcada em porta-aviões, no início dos anos 2000, era totalmente descolada da realidade”

      Essa tentativa vem de muito antes. Já desde meados dos anos 40, com a análise dos combates da Segunda Guerra, foi avaliada como necessária a operação de asa fixa embarcada para ataque a outras esquadras e defesa aérea.

      A aquisição do Minas Gerais, na virada dos anos 50/60 não visava unicamente operações ASW. Mas houve todo o imbróglio com a FAB, que ficou incumbida de operar asa fixa no navio, mas ficou limitada a esclarecimento e ASW. E só perto do final dos anos 70 é que MB e FAB se acertaram para que esta última passasse a operar um esquadrão com jatos de ataque A-4 no Minas Gerais. Mas o governo não liberou a verba para a compra dos jatos. Só no final dos anos 90 que se conseguiu viabilizar a compra de jatos A-4, nesse caso já pela Marinha, autorizada para tanto.

  19. problema maior da MB nos anos 90, foi a cegueira do alto comando da marinha, perdemos excelentes compras de oportunidades, types 22 batch 2 e 3, type 42, apesar de ser problemáticos, navios classe Bremen alemães, navios classe L M da espetacular fragata modular Kontenaier, perdemos muitos meios de segunda mão com 10 15 anos e uso, poderíamos ter chegado ao ano de 2010 com 25 escoltas tranquilamente, e hoje tendo uma gordura de boas unidades, esperando seu substituto, de 90 para cá, se viu a MB se encolher, 18 escoltas, hoje passamos a ter na teoria 12 escoltas, porém, dessas 12, 4 creio que nunca voltarão ao setor operativo
    Nossas unidades são obsoletas, não possui uma capacidade adequada ASW AW SAW, sistema de defesa anti aéreo mais moderno são os Aspide das Niteróis.
    AS promessas de uma marinha nova em folha levou ao sucateamento, o prosuper ja possuíamos o direito de construção da classe tupi aqui, a quinta unidade construída no Brasil foi cancelada assim como os planos de outros 2.

  20. Estratégia naval brasileira?
    Nunca vi nem comi, só ouço falar…
    .
    Tiveram mais de 5 anos para dar origem a um projeto modular de Navio Escolta, que pudesse ser adquirido nas versões e quantidades necessárias para cobrir nossa demanda, agregando não só em termos de padronização e economia de escala, mas também em capacidade de substituir todas as classes de Escoltas atuais.
    Rasgaram tempo e dinheiro recauchutando um projeto que já era uma recauchutagem sem vergonha de um OPV travestido de Corveta, para dar origem a uma “Corveta de Emprego Geral”, que era para ser o Navio de “segunda linha” de uma Marinha que está a mais de 10 anos se iludindo, tentando viabilizar a compra de um navio de mais de 6.000t para ser sua “primeira linha”.
    .
    Que baita evolução, não?
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    E o “plot twist” dessa tal evolução da estratégia naval?
    O projeto da tal “Corveta de Emprego Geral” onde gastaram tempo e dinheiro, pode nem vir a ser fabricado!
    .
    E o “plot twist do plot twist” dessa tal evolução da estratégia naval?
    A futura Classe Tamandaré pode acabar virando o navio padrão da Esquadra, pq não existe garantia nenhuma de que um dia iram viabilizar a compra de um “Escolta de primeira linha” e a única forma de ainda ter uma “Esquadra” na próxima década, é construindo mais “Corvetas de Emprego Geral”…
    .
    Show… Foi uma baita evolução.

  21. Boa noite a todos, vamos analisar da seguinte maneira, até meados dos anos setenta, eram poucos os jovens que não participavam das forças armadas, depois a maioria de dispensada, então, hoje temos a maioria dos políticos deste país que não sabe o que são forças armadas, então, no orçamento nunca vão pensar em transferir verbas para as f. armadas. Acho vergonhoso uma nação como a nossa com uma economia como a nossa reserva estás migalhas para as forças, deveria ter um quadro comparativo.

  22. O grande problema é a inconstância do nosso orçamento. Ele sofre cortes repentinos e impede a continuidade dos processos. Com o fim da Guerra Fria criou-se a ilusão de que o papel da Marinha seria menos demandado, o que foi um equivoco muito grande. Na verdade a função de policiamento do mar territorial e das hidrovias teve sua demanda aumentada enormemente…contrabando de armas,trafico de drogas, trafico de seres humanos, biopirataria, pesca ilegal, crimes ambientais, policiamento costeiro, missões de busca e salvamento, pirataria convencional( Sim, ela existe no Brasil e os criminosos são conhecidos como “ratos de rio”) e é claro controle de trafego Marítimo. Executar essa função exige um orçamento bem robusto

  23. Ninguém notou a estranheza desse parágrafo ou eu ando lendo demais e preciso trocar os óculos?
    “A propulsão da classe “Greenhalgh” usa somente turbinas a gás, de alta de de baixa velocidade (CODAD), ao contrário da combinação mais econômica de motores diesel e turbinas (CODOG) da classe “Niterói”.”

  24. rogerio rufini 3 de julho de 2018 at 19:59
    “AS promessas de uma marinha nova em folha levou ao sucateamento,”
    Concordo plenamente. Primeiro na tentativa São Paulo/A4. Depois na promessa do ProSuper e ProNae. Ao mirar planos de ser grande, a Marinha deu um tiro no pé, deixando de aproveitar oportunidades mais singelas, tais como as compras de oportunidade citadas por você.

  25. Para tentar evitar essas descontinuidades entre o que é definido pela Marinha e o que de fato é implementado em termos de meios navais, precisamos ter uma política nacional de construção naval, à exemplo de países como França, Inglaterra, Suécia…

    Alguém saberia se existe alguma iniciativa sobre alguma política de estado nessa linha??

    • Seria uma boa estratégia para evitar, ou reduzir, os cortes orçamentários, uma vez que o projeto não estaria vinculado somente à Marinha e sim a uma política do Governo…

    • Caro Vicente. Por favor, leia o post “Estaleiros temem ficar sem encomendas a partir de 2019” aqui no PN. Lá você terá acesso à integra de um documento pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). Os empresários do setor naval levantam questões importantes, como por exemplo o papel das encomendas da Petrobras e a importância da política de conteúdo nacional. Eu tive a paciência de ler o documento e creio que ele tem pontos que ajudarão a você entender o contexto da crise atual. Boa leitura.

  26. E, propriamente sobre o tema da estratégia: a guerra anti submarino volta a ter interesse em outros quadrantes do mundo. Será que dá pra recuperar as chapas e ressoldar o velho Mingão? 😉
    Como uns poucos submarinos convencionais e um único charuto nuclear contribuiriam num eventual retorno de foco em ASW no atlântico sul?
    Off topic: a MB, segundo o USNI, não vai mais participar da seção californiana do RIMPAC. A MB ia mesmo? Deixou de ir por quê?

  27. Ora, se hoje a principal atividade das FFAA é a participação em Forças Internacionais da ONU, como poderia a MB apostar somente em Submarinos? Ilógico.

  28. Lá no site do Ministério da Defesa está publicado a evolução da despesa. Também está comentado que 76% da despesa são destinados ao custeio (salários+benefícios). Li em outra publicação, penso que do Ministério do Planejamento, sobre a participação dos inativos. 70% dos 76%. Talvez mais.

    Então não entendo a necessidade de converter a despesa pública ou o PIB ou a despesa dos projetos em dólar.

    Para quem gosta de comparar ou consultar, ok. É igual à despesa com defesa da Austrália e…daí? A que conclusão se chega? É maior que a despesa do país X. E?

    Li aqui que a MB é a morada da vaidade. Talvez. Sendo assim, dá para perceber que essa vaidade está embutida nos planos dos almirantes já que importantes não foram aproveitados? Melhor apresentar um plano enorme já que a faca vem afiada?

    Dr. Fantastico. 1964. De Stanley Kubrick com Peter Sellers. Um general maluco convence o governo americano a bombardear a Rússia. Uma ridicularização da guerra fria. Zombarias da paranoia militar. Houve um outro, não uma comédia como esse último, chamado Limite de Segurança com os ótimos Henry Fonda e Walter Matthau.

    Preparados para uma guerra que nunca teria acontecido pelo simples motivo que não sobraria ninguém para contar quem venceu. E houve quem convenceu os políticos a se preocupar e a gastar.

    Pessoas construíram um planejamento militar que veio de vários brainstormings sobre aquele cenário de confronto nuclear. Assim como os almirantes nossos mostraram planos aos políticos. Com a diferença que não fizeram lá muito sucesso. Recentemente se o Esteves fosse comparar um filme com o PROSUPER, PAEMB, PEAMB e com todas as interrupções, seria com o Borat.

    Great success dizia o personagem interpretado por Sasha Cohen. Um casaque viaja à América para descobrir seus (dos americanos) hábitos. Outra cacoada.

    Bem…os americanos nos levaram a uma marinha de guerra. No início dos anos 1990 descobrimos que nossa marinha deveria ser outra. Costeira ou subs+escoltas. Marinha ligeira e furtiva. Moderna. Menos meios. Esquecemos das manutenções e das baixas. Sem repor, sem manter e namorando a curva do aprendizado que mostrava pessoal em excesso, fomos planejando uma marinha para abrigar mais gente. Inativos principalmente. É o que mostram os números. Ok…a nova curva indica reversão da quantidade de marinheiros.

    Papel aceita qualquer tinta. Qualquer letra. Se os planos são engavetados e a MB ficou e está longe do que deveria ser, não pode ser culpa do menino do Excel. Acho. Ok, ninguém afirmou que era, mas alguém não fez bem feito.

    A culpa tem sido da própria MB que não tem sido competente para construir cenários factíveis e planejar (planos tem grande carga de adivinhação) o realizável. Sem cortes. Claro que a visão curta e embaçada dos políticos entra com ao menos 50%. Mas eles têm o não na gaveta. Não são espertos. Vários são rudimentares. A responsabilidade de mostrar a faca na caveira é dos especialistas.

    Quase todos os países cortam e obrigam as Armas a replanejar os planos e a reduzir despesas. Verdade. Quem disse que seria fácil? Marinheiro tem que estar pronto pra caturrada.

  29. Eu ainda tenho esperanças de ver nossa Marinha com 2 P.A. CATOBAR de pelo menos umas 50.000 ton…Não custa sonhar né? kkkkk

  30. Com relação a necessidade de escoltas, foi postada aqui no blog uma reportagem que dizia que a RN daria prioridade ao Brasil e ao Chile na compra das primeiras Type 23 a dar baixa.

    Originalmente estes 13 navios foram projetados para 18 anos de serviço na RN, quando então seriam substituídos pelas novas Type 26. Devido ao atraso no projeto e início da construção das T26, foi necessário que a RN iniciasse em 2015 um projeto de atualização de sensores, armamentos, sistemas de combate e motores das T23, de forma a estender sua utilização a 30 anos de serviço. Esse projeto de atualização tem previsão de término em 2024, quando a última das 13 fragatas terá a sua atualização concluída.

    Ocorre que os primeiros navios que passaram pela revitalização não receberam o upgrade (troca) dos seus motores diesel. Estes navios são a HMS Argyll e a HMS Lancaster , e segundo um site de notícias inglês ficarão assim mesmo, com os motores antigos até a sua desincorporação em 2023 e 2024, respectivamente.

    A matéria completa pode ser encontrada em https://www.savetheroyalnavy.org/new-engines-for-the-royal-navys-type-23-frigates/

  31. O Sinaval, a Marinha e os trabalhadores da construção naval têm que agir.

    Correr atrás para que os parlamentares implementem uma política de construção naval para os próximos 10 anos.

    A coisa tá feia pra Marinha!
    Tem que retomar urgente o Prosuper, aumentar a quantidade de corvetas Tamandaré para 8.

  32. “48”…
    .
    seriam 18 anos sem modernização de meia vida, algo que desde cedo provou ser algo muito otimista…as T-26s nem estavam no horizonte ainda depois desses “18 anos” então antes
    mesmo de 2015 iniciou-se um programa para estender a vida útil delas…a HMS Argyl por
    exemplo teve iniciado esse programa em fins de 2010.

    • Exato, a promessa do projeto Tipo 23 era que os navios seriam tão avançados, tão à frente de seu tempo desde o início da vida operacional, que conseguiriam operar por 18 anos antes de precisarem de uma modernização de meia-vida, e não que teriam vida útil de 18 anos. Esse otimismo exagerado não se sustentou.

    • Dalton e Nunão,

      Perfeito. Obrigado pelas informações, porém o meu intuito em trazer estas informações foi mais no sentido de esclarecer aos foristas que sonham com uma compra de oportunidade das primeiras T23 a serem disponibilizadas, que definitivamente não será um bom negócio para a MB, certo de que os oficiais encarregados de avaliarem estas compras também estão cientes desta informação.

      Abs.

      • Realmente, melhor então levar para 2025 a expectativa sobre as Type 23 (que em sua grande maioria serão descomissionadas com 33 anos de uso). A Argyll e a Lancaster demandarão troca dos 4 motores diesel geradores, talvez não compense. Ou então, se a situação estiver muito preta, fazer a troca por conta do Brasil, ainda na Inglaterra. Ou usar uma das duas apenas para início da familiarização com o material, e depois canibalizá-la (creio que sairá a preço baixíssimo, senão irá para desmanche).
        Isso porque, infelizmente, a visão que tenho é que em 2023 estaremos em situação muito crítica, então qualquer barco razoável que navegue e dispare alguma coisa será muito bem vindo.
        Mas também torço para a situação melhorar e não precisarmos desse extremo.

  33. Bardini ( 3 de julho de 2018 at 23:38 );

    Justamente… E por isso, deixei claro: apesar de crer que a prioridade seja um componente ASW, eu entendo que isso é irrealizável, haja visto que, como destaquei, haveria a necessidade de uma quantidade que considero irreal de vasos acima das 4000 toneladas ( e se vierem navios desse porte, serão em número insuficiente e certamente todos EG ).

    Também nunca pretendi que escoltas fossem o principal elemento defensivo. Apenas propus que a única coisa que se poderia fazer, seria melhorar a coordenação entre os meios. Nem mais e nem menos… Tenho plena ciência de que as escoltas aí somente entrariam se houvesse oportunidade de seu emprego.

    Uma força de ataque como a que propõe, capaz de obter completa superioridade, impor um bloqueio naval a um país da região e ainda dar caça a um SSK, imagino que demandaria um número de escoltas acima da quinzena, considerando aí a necessidade de se montar uma força que permita (a) a existência de elementos para a escolta aos navios de apoio e (b) eventualmente haverem outros vasos já mobilizados que possam ser destacados para dar caça qualquer SSK que apareça ( lembrando que a busca a um único SSK poderia demandar aí um mínimo de 6 escoltas ) sem prejuízo do bloqueio em si, além de (c) haverem vasos em sobra para atuarem em qualquer outra eventualidade; tudo somando ao fato inescapável de que nem todas as escoltas estarão em condições operacionais. Enfim, não penso que teremos números para isso…

    A única possibilidade que imagino para uma força de superfície reduzida a menos de dez escoltas no futuro previsível levar a efeito um bloqueio, seria na forma de ações de corso ao longo das rotas marítimas, tal qual operou a Kriegsmarine no início da Segunda Guerra. Nesse caso, é possível levar longe um componente de superfície e negar o uso comercial do mar ao adversário por tempo prolongado, operando vasos de superfície em conjunto com um NPaLog em praticamente todo o Atlântico Sul ( ou mesmo além ), evitando quaisquer SSK adversários pela velocidade ou operando além do raio de combate real desse tipo de vaso ( nenhuma marinha do hemisfério sul operará um SSK verdadeiramente oceânico no futuro previsível ).

    Fora isso…

    As maiores possibilidades que tenho em mente para emprego em combate longe de casa da força de superfície, seriam ou como participante de uma Task Force internacional ( algo como o conflito na Líbia ) ou como um componente de intervenção para situações de guerra assimétrica ( Líbano ), além de luta anti-pirataria.

    Sobre navios…

    Um NPaOc de 2500 ton.full é meu pensamento também. Como já conversamos antes, uma opção das mais interessantes acredito que se encontra no OPV-93 colombiano. Agora… uma corveta certamente gera um NPaOc, mas o oposto não é necessariamente verdade. Há diferenças aí na concepção e construção do casco a serem observadas. Nesse sentido, olho com muita atenção algo como a Gowind 2500. Se a intenção é evoluir para se ter uma corveta que seja empregada em ações policiais mais longe de casa, então penso que algo no sentido do navio francês é mais lógico, reduzindo as armas a armamento de cano e a propulsão e sensores ao mais elementar, mantendo a possibilidade de modernização ou incrementar o poderio por adição de módulos. Poderia fazer as vezes de um NPaOc e, caso necessário, desempenhar-se como corveta de fato.

    Concordo com relação a possibilidade de minagem de nossos acessos. A força de contra-minagem é ( ou imagino que seria ), em uma analise mais acurada, prioridade algo maior que as escoltas, vindo logo após o componente de negação do mar.

    Quanto a combatentes maiores, mantenho firme convicção de que a força de superfície será reduzida a um punhado de boas escoltas na próxima década, abaixo da dezena… Logo, penso que dever-se-ia aproveitar a atual oportunidade de aquisição de meios e elevar a classe ‘Tamandaré’ a um vaso acima das 3500 ton. full, que estaria ainda dentro da atual proposta ( e como aparenta ser a que está sendo trazida pelos britânicos ), e assim buscar uma classe única de bons vasos até 2030, substituindo as Type 22 e FCN. Não sendo o melhor dos mundos, seria ao menos bom o bastante… E depois, se houver realmente dinheiro, partir para uma classe mais pesada…

    Ficaria assim: 8 fragatas EG entre 3500 e 4000 ton. full; 5/6 “corvetas multipropósito” ( …? ) ou NPaOc de 2500 ton. full; 16 a 18 NPa de 500 ton. full; tudo até 2030…

    • O combate a um ou mais Submarinos Convencionais, de um país da região que se torne inimigo ou caia em uma profunda crise/ditadura, poderia ser mais uma tarefa para a Força de Submarinos e seus futuros SBR e ainda mais no futuro, a classe que será fundamentada pelo SNBR. Serão os navios com o maior poder de fogo do Atlântico Sul. São submarinos com capacidade oceânica de combate. A Força de Superfície neste caso, poderia ser observada mais como um complemento as capacidades dos Submarinos, que seriam a “ponta de lança” neste cenário de combate. A Força de Superfície poderia cumprir um papel proteger uma região já conquistada, onde também seria fundamental adquirir a capacidade de fornecer o suprimento de nossos submarinos no mar, pois, é mais provável que eles atuem longe de suas bases de apoio do que perto delas.
      Ex: http://www.bmtdsl.co.uk/media/6587269/Salvas%20and%20Vidar36%20(c)%20BMT%20Defence%20Services%202015.jpg
      .
      Eu imagino como ideal, uma Força de Superfície com capacidade de ataque, para obter a supermacia em uma região do Atlântico Sul e Caribe, mantendo capacidade de posteriormente sustentar essa supermacia, por meio de um bloqueio naval.
      É claro que como você citou, essa ação poderia se dar em conjunto com outras nações que seria algo bastante racional de se pensar, se estivéssemos por exemplo, integrando uma coalizão fundamentado ou não pela ONU. Mas seria importante ter um mínimo de capacidades para atuar de forma independente, isso visando assegurar um bom peso a diplomacia do país.
      .
      Sobre navios, eu vou inverter a ordem e falar depois do NaPOc.
      .
      Eu não consigo enxergar a MB pensando seus navios como sistemas de um sistema. Pra mim, isso é um problema bastante grave.
      Cito dois exemplos estrangeiros: A aquisição dos Porta Aviões QE do UK e o LHD do Qatar. O que eu vejo na MB são projetos que parecem não se conversar… São projetos que mudam o tempo todo e não demonstram ter consistência nenhuma nos seus fundamentos. No caso dos PA QE, o UK contratou esses dois navios, mas existe todo um planejamento que fundamenta não só essa aquisição, mas a aquisição de outros meios de apoio e aeronaves que formaram em conjunto um sistema, sendo que tudo foi projetado para tirar o máximo desse sistema que custou bastante caro.
      .
      O LHD do Qatar é um exemplo de uma “nave mãe”, que será dotada de um radar de longo alcance, com capacidade de fazer a defesa contra mísseis balísticos quando atuando em conjunto com as Corvetas, que serão equipadas com mísseis ASTER-30. É um sistema de defesa.
      worldnavalnews.com/wp-content/uploads/2018/03/Fincantieri_Qatar_Navy_LHD_Design_1.jpg
      .
      Nossos meios não aparentam ser estudados e projetados dessa forma. Os meios de apoio então, são navios projetados para as necessidades de outras marinhas, fundamentados em planejamentos de mais de 20 anos no passado. Compras de oportunidade… Existe a vantagem de ser “barato” de adquirir e vão suprir algumas das nossas necessidades por uma ou duas décadas. Mas não são os navios que precisamos ou que deveríamos ter. Nunca vamos extrair o máximo desses navios.
      E embora sejam baratos de comprar, existe a questão de se fazer amplamente o uso dos piores anos desses meio, onde se vai gastar muito dinheiro para usar um navio muito além do que seu projeto de confiabilidade estípula.
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      Um sistema que julgo como ideal para a MB, faria a “fusão” do exemplo do UK e Qatar. Existiria um projeto de Navio de Propósitos Múltiplos, que atuaria fornecendo cobertura de radar de longo alcance para os mísseis dos Escoltas e, os navios de apoio seriam especialmente projetados para extrair o máximo desses meios. Seria como um sistema de combate composto por sistemas secundários e modulares. Poderíamos adicionar aeronaves como o F-35B para ampliar e muito as capacidades de combate deste sistema, não imaginando uma atuação clássica de defesa de frota, mas como uma aeronave que viria para prover uma grande extensão aos sensores dos navios, uma aeronave para ataques precisos a longa distância, uma aeronave para fazer ISR. O Seahawk seria outro importante sistema e, assim por diante…
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      Mas como vamos montar um sistema desses sem muito dinheiro?
      Aí entra a questão que poderia ser abordada com o exemplo dos NaPOc. Existem no mercado, vários e vários projetos de OPVs e Corvetas, mas deveríamos pensar não em um navio em si, mas em uma família de navios que foram projetadas para atendem uma extensa variedades de necessidades. A questão chave seria a modularidade do projeto.
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      Como modularidade, poderíamos pensar em dois exemplos: A família de navios dos nossos Classe Amazonas e os navios que utilizam a base das OPV/Corveta Type-056 da China.
      O OPV e a Classe Khareef da BAE tem um projeto e porte bastante interessante, podendo ainda ser aumentado até o porte de uma fragata leve. Um projeto modular deste, poderia gerar vários navios destinados a atender uma infinidade de missões de nossa Marinha.
      A abordagem dos Chineses é no tocante de que, com uma plataforma semelhante, se dá origem a um navio para a Marinha Chinesa e outro navio mais simples, para a Guarda Costeira Chinesa.
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      São duas abordagens que seriam extremamente benéficas a Marinha do Brasil, mas o que temos feito nesse sentido?
      Perderam tempo e dinheiro no projeto uma Corveta Emprego Geral, que não tem projeto modular e que pode nem ser fabricada…
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      Deveriam ter investido esse dinheiro no projeto de algo modular, que poderia crescer, alavancando o crescimento de sistemas nacionais. Como?
      Por exemplo, os primeiros navios seriam simples e baratos, coisa para patrulhar por aqui, isso ajudaria por um baixo custo a retomar conhecimentos de construção. Os navios seguintes iriam incorporando gradativamente novos sistemas e armamentos mais nacionalizados, como radar Gaivota, MAN SUP, MAGE e por aí vai… É a forma mais racional de desenvolver nossa capacidade de construção naval.
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      Existe a questão dos Escoltas de maior porte. Eu tenho defendido que a Classe Tamandaré deveria ser uma classe de pelo menos 4.500t, para se substituir todos as atuais classes de Escolta. Não imagino algo extremamente caro e complexo. Como você afirmou, a tendência é ter meios Emprego Geral.
      Eu tenho em mente uma espécie de Type-054 Brasileira, não se prendendo ao projeto do navio em si, mas no conceito do navio, que é o de ser uma Fragata de Emprego Geral para fazer volume.
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      Acabei escrevendo um livro…

      • Caro Bardini, estratégia eu acredito que a MB tem sim, o problema é que a gente esquece que esta falando de uma força que faz meio expediente de segunda a quarta e que dispensa os militares na quinta e sexta, porque não tem dinheiro nem pra pagar o rancho. De uma força que em março já esgotou o orçamento do ano inteiro, de uma força que por anos teve que deixar seus helicópteros mais modernos dormindo no relento porque não tinha dinheiro pra fazer um hangar que pudesse acomodá-los (não sei nem se isso já foi resolvido…)

        Então eu entendo que a MB faz o que dá pra fazer. Fez compras de oportunidade onde pôde fazer e que na tentativa de encontrar a forma mais barata de ter escoltas novos e modernos (mesmo que modestos) fez o programa Tamandaré. Foi desenvolvida uma atualização da já antiquada Barroso e quando orçaram a construção descobriram que já ter o projeto não iria baratear a produção e por isso abriram a concorrência à projetos próprios de estaleiros estrangeiros (torço inclusive que a MB não opte pelo projeto do CPN, que só não parece mais antiquado que o indiano do GRSE).

        As Tamandarés não são o navio que a MB queria ter, mas sim os que ela pode ter e eu sinceramente acredito que se a gente conseguir que as 4 unidades planejadas entrem em serviço com um atraso menor que 5 anos já vai ser fantástico pelo salto de tecnologia e qualidade que elas vão representar (mesmo que seja o projeto do CPN).

        Acredito que os próximos anos vão representar uma grande reestruturacão na MB e uma quebra de vários paradigmas. Devaneios como 30 escoltas (coisa que nem RN e MN conseguem ter) e segunda esquadra devem ser deixados de lado. Tem que dar baixa nos navios que não tem mais condição de navegar como o Mattoso Maia, as CCI, metade das FCN e em um dos NDCCs. Tem que parar de botar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim. Tem que focar naquilo que tem futuro, mesclar rusticidade com modernidade, investir em muitos navios patrulha de concepção atual e não em gururus e mururus. Manter o prosub pra além das 4 unidades iniciais. Tornar padrão o uso de VANTs em qualquer embarcação, desde os NPaFlu até o Atlântico. E acima de tudo, trocar o fornecedor da jacuba 🙂

      • “Acabei escrevendo um livro…”

        Só você…? 🙂

        Os SBR, em última instância, poderão no máximo manter uma patrulha consistente até a metade do Atlântico Sul… Um SSK com capacidade oceânica deve, no meu entender, ser capaz de fazer no mínimo umas 10000 MN a 8 nós. Fosse a classe inspirada em um tipo como o “Barracuda” australiano, e certamente poderiamos atribuir essa alcunha. E quando ao SNBR, se sair, evidentemente o será.

        Não consigo visualizar uma Marinha com capacidade de se impor sem vasos que minimamente tenham entre 5000 e 6000 ton. full. E assim o é pelo fato de que um vaso para essa finalidade precisa de tempo de mar; manter-se presente… Esse vaso também deveria ser equipado com os melhores sistemas de comunicação e sensores o possível, para poder ficar por conta própria, caso se visse nessa situação. Deveria também ser minimamente um CODAG/CODOG ou preferencialmente um CODLAG, para poder ter o desempenho necessário para perseguir até mesmo outras embarcações militares inimigas. Resumo: sairia caro…

        Por tudo isso acima, falei em missões de caráter corsário. Mesmo em se tratando de um vaso solitário e com qualidades mais modestas ( até 4000 ton. full e CODAD, desde que com sensores adequados ), poderá desempenhar-se satisfatoriamente se dedicar-se a atacar o tráfego naval somente; isso levando em conta o poderio de marinhas regionais, que dificilmente seriam capazes de mobilizar escoltas para proteger navios para muito além de suas costas, quiça as rotas.

        Os projetos da MB, pelo menos o que li, tem coerência. Não se pode dizer que PROSUB, PROSUPER sejam incoerentes e não condigam com necessidades atuais e futuras. Ocorre que muito depende da capacidade instalada na industria local, que é capaz de prover o que é necessário para um verdadeiro sistema de armas a ser constituído de forma segura ( em todos os sentidos, o que significa construção local dos componentes essenciais ). E a questão ao final das contas, no meu entender, vem da falta de constância no apoio financeiro as empreitadas da Marinha. Até podemos dizer que falta alguma visão no sentido de prever a escassez de recursos dentro de ciclos econômicos, e que se deveria basear o planejamento naquilo que se sabe que terá, e não em previsões. Mas ninguém pode falar que faltam ideias…

        Sobre a “nave mãe”… Poderemos ter algo similar a isso com o ‘PHM Atlântico’, bastando dotar este de um sistema de defesa condizente. Há ali potencial de crescimento para VLS, um radar de vigilância superior e um sistema de transmissão de dados condizente.

        Quando fala em vasos modulares, penso exatamente na classe SIGMA, que é algo que considero mais próximo do desejável no sentido que aponta. O que não gosto nisso é a diversidade de vasos… Prefiro uma classe única dentro desse nicho de 2000 até 3000 ton.full, que possa efetivamente fazer as vezes de um NPaOc, legando a capacidade de combate a vasos superiores a 4000 ton.full…

  34. Eu vou escrever de novo pela segunda vez e espero que desta vez a moderação deixa passar, pois eu apenas relatei fatos:

    A MB colocou cerca de 75 milhões de dólares na compra e modernização de velhos Trackers, colocou cerca de 105 milhões de dólares na modernização de doze A 4, que no final viraram em apenas seis em função dos extras que apareceram no contrato, colocou cerca de 100 milhões de euros na versão de ataque do EC 725, que na versão básica mal e porcamente atende as missões com sérias limitações, colocou, colocou mais 50 milhões de reais no PMG do NDD Ceará que não conseguiu completar a primeira missão e foi descomissionado.
    eu pergunto é só falta de vontade política com a MB ou também falta de foco com recursos sendo queimados em projetos mirabolantes????/

    • Longe de faze-lo mudar de ideia Juarez, afinal a marinha tem sua parcela de culpa até porque é gerenciada por seres humanos…mas…não posso concordar com o “PMG” do
      “Ceará” como erro, até porque manutenção de navio “velho” é uma “caixa de surpresas”
      conforme um civil que trabalhava no Arsenal uma vez me contou.
      .
      Se até Newport News que construiu o “Enterprise” surpreendeu-se com o que encontrou
      na última manutenção do mesmo…levou muito mais tempo e custou muito mais…proporcionalmente falando é quase a mesma coisa.
      .
      Verdade que o “Enterprise” cumpriu mais duas missões no exterior além de missões de rotina
      depois, mas, o “Enterprise” era uma prioridade enquanto o “PMG” do “Ceará” foi
      tocado à conta gotas, como foi à construção da corveta “Barroso” e conforme uma revista antiga que tenho ao menos nos primeiros 3 anos de “PMG” o retorno do navio ao serviço parecia bastante prometedor.
      .
      Na minha humilde opinião, simplesmente não se poderia jogar o “Ceará” fora…ainda mais que a baixa do “Rio de janeiro” estava próxima, acabou ocorrendo em 2012 e não havia nenhum “Bahia” nem “Atlântico” no radar…e embora tenhamos sim que comemorar esses dois, não
      se sabe se o “Mattoso Maia” irá retornar e até quando o “Sabóia” com 51 anos irá navegar.
      .
      abs

  35. É, olhando o quadro do orçamento da pra ver que a MB estava fazendo milagre pra operar naquela época, a situação me parece pior do que é hoje… É uma pena que os projetos existam, mas que por conta do contingenciamento de verbas não sejam concluídos.
    Acho que as FA precisam de uma reforma urgente, gasta-se muito com pessoal inativo e pouco em equipamentos. Por que é tão difícil ver o alto escalão das FA falando nisso?

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