USS NAUTILUS

Coube aos Estados Unidos da América a primazia do projeto e desenvolvimento do primeiro submarino com propulsão nuclear do mundo. O USS Nautilus foi lançado ao mar em 21 de janeiro de 1954, menos de nove anos após o término da II Guerra Mundial. Com o surgimento do Nautilus, os submarinos deixaram de ser apenas submersíveis, para tornar-se submarinos verdadeiros, com propulsão totalmente independente da atmosfera e autonomia limitada apenas pela resistência da tripulação. Tal capacidade revolucionou a guerra naval.

Quatro anos depois foi a vez da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) lançar ao mar o K-3 Leninskiy Komsomol (classe November/Project 627). Mesmo os britânicos, que suspenderam os trabalhos com propulsão nuclear entre 1952 e 1955, lançaram o HMS Dreadnought em 1959, depois de 13 anos no início dos estudos (e com ajuda americana).

O segundo momento histórico ocorreu na década de 1960, quando duas potências nucleares em ascensão (França e China) entraram para o “clube dos submarinos nucleares”. Na época os franceses buscavam maior independência em relação à OTAN e os chineses procuravam o seu próprio espaço entre as duas superpotências. Estes dois países gastaram perto de 15 anos de pesquisas até que os primeiros submarinos nucleares fossem lançados ao mar. A construção da primeira unidade nuclear da França, o Le Redoutable, foi autorizada em 1963, entrando em operação em 1971. A China continental também realizou os seus estudos ao longo da década de 1960, lançando o Han (Tipo 091) ao mar em 1974.

Atualmente vivemos o terceiro momento, onde Índia e Brasil, antigos países do Terceiro Mundo (atualmente classificados como países em desenvolvimento), lutam para desenvolver seus próprios submarinos nucleares.

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Jornalista especializado em temas militares, editor-chefe da revista Forças de Defesa e da trilogia de sites Poder Naval, Poder Aéreo e Forças Terrestres. É também fotógrafo, designer gráfico e piloto virtual nas horas vagas. Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/alexandregalante

13 Responses to “Há 60 anos era lançado ao mar o primeiro submarino com propulsão nuclear, o USS ‘Nautilus’” Subscribe

  1. Rafael M. F. 23 de janeiro de 2014 at 14:58 #

    “Underway on nuclear power”

    Faltou somente mencionar o maior feito do USS Nautilus: A primeira travessia submarina do Polo Norte.

    A “Operação Sunshine teve início em 25 de abril de 1958, e em 3 de agosto de 1958, às 23:15 (hora EDT – 18:15 Zulu), o Nautilus emerge no Polo Norte Geográfico.

    O mais impressionante desse feito é que as águas do Círculo Polar Ártico não eram mapeadas, e a navegação foi toda feita com o auxílio do sonar.

    E os Americanos já tinham a primazia naquela região. Em 1909, o Capitão Robert E. Peary alcançou o Polo Norte a pé, sendo o primeiro ser humano a alcançar tal feito.

    Achei em um blog antigo que eu tenho um post estabelecendo paralelos entre a obra de Julio Verne “20.000 léguas submarinas” e o feito do Nautilus. Lá vai:

    **********************************************************************

    É quase um clichê falar sobre o capacidade visionária de Julio Verne. O romancista francês previu inúmeros avanços científicos, como o submarino, a televisão, as viagens espaciais, globalização do sistema de produção entre outros.

    Seus livros possuem, inclusive, coincidências extraordinárias, como, por exemplo, no romance “Da Terra à Lua”, de 1865, onde Verne põe o local de lançamento da nave onde estavam Michel Ardan, Impey Barbicane e o Capitão Nicholl próximo de onde está o atual Centro Espacial Kennedy, da NASA, de onde saíram as missões Apolo.

    Vale a pena lembrar que, antes que questionem tal conincidência, a localização de uma base de lançamento de foguetes segue critérios especificamente técnicos, como proximidade da linha do Equador, entre outros.

    Lógico que tal feito utilizando um canhão como meio propulsor é tecnicamente impossível, pois a aceleração necessária para que seja atingida a velocidade de escape (velocidade em que a gravidade não consegue mais trazer o objeto de volta à Terra, mais ou menos 11 km/seg) em um trecho tão curto (o comprimento do cano do canhão) simplesmente transformaria qualquer coisa viva dentro do projétil em pasta.

    Mas vim falar sobre outro livro: “Vinte mil léguas submarinas”. Que me interessa particularmente pelo interesse que tenho por máquinas e seu funcionamento. Nesse caso, um submarino.

    Sei que o submarino já existia nessa época. Lógico, bem rudimentar (USS Hunley) Mas me chama a atenção a maneira como Verne o descreveu, muito próxima a dos submarinos atuais. A começar pela propulsão. Segundo o Capitão Nemo:

    “Há um agente poderoso, obediente, veloz, de fácil manejo, que se amolda a todos os usos e que reina como senhor absoluto a bordo o Nautilus. Ele, aqui, tudo faz. Ilumina, aquece, é vida e alma de meus aparelhoe mecânicos. Este agente onímodo é a eletricidade.”

    Hoje, a maioria dos submarinos são de propulsão diesel-elétrica, com o diesel sendo usado na superfície e a eletricidade quando submerso. Embora novas tecnologias estão sendo desenvolvidas como a célula de combustível e o AIP (Air Independent Propulsion), a primeira, em fase de estudos e a segunda, já adotada por diversas marinhas.

    Além da propulsão, também Verne previu seu design:

    “Aqui estão as diversas dimensões do barco que nos transporta. Tem a forma de um cilindro comprido com extremidades cônicas. É sensivelmente parecido com um charuto, forma adotada em Londres para várias embarcações da mesma espécie”

    Tal forma é hoje utilizada por todos os submarinos que navegam mundo afora. É o casco em forma de “gota”. Nemo continua a descrição:

    “O comprimento deste cilindro, de ponta a ponta, é exatamente setenta metros, e a viga da coberta, na maior largura, mede oito metros.(…)Vale dizer que completamente submerso desloca mil e quinhentos metros cúbicos, ou pesa mil e quinhentas toneladas.”

    É a medida padrão dos submarinos atuais. Em especial os diesel-elétricos. Os nucleares possuem um comprimento e um deslocamento maior em razão de seu maquinário mais volumoso.

    “O Nautilus possui dois cascos, um interior e outro exterior, ligados em si por barras de aço em T, que lhe dão rigidez insuperável. Realmente, graças a essa disposição, resiste como se fora um só bloco. A sua bordagem não pode ceder, porque adere por si mesma e não pela pressão de rebites, e a homogeinidade, devida à perfeita ligação dos materiais, permite-lhe desafiar os mares mais tempestuosos.”

    Aqui, Verne descreve aquele que seria o método construtivo dos submarinos até hoje. o que impressiona é que, no Nautilus, até mesmo os rebites não seriam usados. Previu, inclusive, o sistema de direção:

    “Para dirigir essa barco para bombordo, para estibordo, em uma palavra, para governá-lo no plano horizontal, sirvo-me de um leme comum de grande safrão, cravado através do cadaste e que movimento por meio de roda e de talhas. Entretanto, também posso movimentar o Nautilus em plano vertical, de baixo para cima e de cima para baixo, mediante dois planos inclinados presos ao costado à altura do centro de flutuação e que são móveis, podendo tomar todas as posições, sendo manobrados do interior do submarino por meio de poderosas alavancas. Quando esses planos são conservados paralelos ao barco, este se deloca horizontalmente. Quando inclinados, o Nautilus, de acordo com a inclinaçãoe sob impulso da hélice, desce ou sobe, segundo a diagonal que me convenha.”

    Tais planos, nos submarinos de hoje, geralmente ficam a ré (perpendiculares ao leme) e a vante (ou na torreta).

    Verne, previu, inclusive, a construção em módulos à partir de locais diferentes, um prenúncio do sistema de produção do mundo globalizado de hoje. Pergunta o professor Aaronax:

    - Então o senhor é engenheiro?

    - Sim – respondeu Nemo – Estudei em Paris, Londres e Nova York, no tempo em que era habitante da terra.

    - Como conseguiu construir em segredo este maravilhoso submarino?

    - Cada uma de suas partes veio de um ponto diferente do globo e com o endereço diferente do verdadeiro. E todos os fornecedores receberam a encomenda e as especificações sob nomes supostos.

    Para exemplificar, o jato Embraer EMB-145 é nacional só no papel, pos várias de suas partes são fabricadas em outros lugares. As asas são fabricadas no Chile. O trem de pouso, nos Estados Unidos. Só para exemplificar.

    Lógico que em alguns aspectos Verne exagera, como por exemplo, quando o Nautilus atinge dezesseis mil metros de profundidade (os submarinos modernos não chegam a quinhentos, e o ponto mais profundo da Terra não chega a doze mil). Mas o que seria da ficção científica sem seus pequenos exageros?

    Mas, o mais impressionate, para mim, foi a antecipação de outro feito humano extraordinário:

    - Ora, Professor – replicou com ironia o capitão – o senhor será sempre o mesmo! Só vê empecilho e obstáculos! Eu lhe asseguro que não só o Nautilus se libertará (estava preso na banquisa) como prosseguirá em sua rota.

    - Mais para o sul? – perguntei, encarando o capitão

    - Perfeitamente. Irá ao pólo

    - Ao pólo? – exclamei, sem poder conter movimento de incredulidade.

    - Ao pólo – respondeu friamente o capitão. Ao pólo antártico, a esse ponto desconhecido, em que se cruzam todos os meridianos do globo. O senhor sabe que faço do Nautilus o que quero.

    Em 9 de junho de 1958, o USS Nautilus (SSN-571), primeiro submarino nuclear construído no mundo, iniciou uma épica travessia cujo ápice ocorreria às 23h25min do dia 3 de agosto, quando sua torreta rompeu um ponto do pólo norte onde a camada de gelo estava mais fina (descoberto através do sonar). É uma viagem épica porque foi uma travessia feita por debaixo da camada de gelo, sob águas não mapeadas e utilizando apenas o sonar – que Verne não previu, pois Nemo achou um ponto mais fino no gelo através da tentativa e erro, ou seja, tocando várias vezes o dorso do submarino na superfície de gelo.

    Verne, em 1870, previu um feito que viria a acontecer 88 anos mais tarde. Só errou o local.

    Enfim, são essas pequenas coincidências que torna a obra de Julio Verne tão fascinante e que lhe dá, muito justamente, o título de pai da ficção científica.

  2. daltonl 23 de janeiro de 2014 at 15:26 #

    Legal Rafael !

    complementando…o livro 20.000 léguas submarinas, há uma cópia antiga colocada dentro de uma caixa de vidro
    afixada em uma parede dentro do Nautilus, aliás, vale a visita, pessoalmente não conseguia sair dentro dele, tal a fascinação que tenho por ele desde criança e só foi quando um bando de crianças barulhentas entrou que caí fora…depois de 2 horas que passei sózinho.

    Quando descobri como era a aparencia do verdadeiro nautilus de Verne, fiquei decepcionado, pois conhecia apenas a versão da Disney, muito mais simpatica e nos tempos das “vacas gordas” comprei um modelo na escala 1:72 de resina e relativamente pesado.

    Só aqui mesmo no PN para compartilhar essas coisas
    :)

  3. CVN76 23 de janeiro de 2014 at 15:44 #

    Com certeza é uma visita que vale a pena….além de bem perto ter uma lojinha que vende coisas bem interessantes.

    Interessante que quando estive lá; um “Los Angeles” passou bem pertinho…….

  4. Rafael M. F. 23 de janeiro de 2014 at 16:00 #

    Ah, e mais: a USN alcançou o Polo Norte 2 vezes: em 1909 (Peary era Capitão da USN); e em 1958, com o Nautilus.

  5. Oganza 23 de janeiro de 2014 at 22:40 #

    Maravilhoso Rafael.

    Meu único pesar é que mesmo no auge do “esquentamento” da Guerra Fria, o programa que deu origem ao Nautilus foi de uma transparência totalmente atípica, com o Almirante Hyman Rickover indo “dar explicações” do que seria aquela tal propulsão nuclear na televisão e nos noticiários do cinema.

    Aqui não temos NADA e tirando algumas fofocas que alguns afortunados me contam (mas ainda sim são fofocas/boatos), não há como não ficar temerosamente pessimista.

    Sds.

  6. Carlos Alberto Soares 24 de janeiro de 2014 at 0:33 #

    Caros Rafael, daltoni, CVN76 e Oganza

    Show de bola, ops …. de Nau.

    Temos que respeitar e admirar a História, os americanos contribuem para fazê-la.

    Rafael, uma saudação especial.

  7. bitt 24 de janeiro de 2014 at 9:28 #

    De fato, fala-se mto no espírito visionário de Jules Verne. Mas o interessante, por outro lado, é que ele não falou de nada que fosse perfeitamente possível pela tecnologia da época. Já existiam submarinos projetados em em meados do século 19, e o primeiro foi construido nessa época, na França. Não lembro o nome, mas era um modelo experimental, que seguia mais ou mns os princípios do USS Holland, que foi lançado em 1881 (acho eu – o Daltoni certamente poderá falar melhor sobre isso). Pouco depois foi lançado um outro modelo experimental, espanhol (este tenho certeza que foi em 1864). Ambos eram propelidos por um motor a ar comprimido. Tanto o francês qto o espanhol já usavam o princípio do casco duplo e tinham resolvido os problemas de flutuação em superfície e em regime de submersão, mas tinham curto alcance, tinham de ser rebocados e eram instáveis. Desciam a cerca de 50 metros. Houve também um experimento desses na Suécia, em 1874, mas o livro de Verne saiu em 1870. O Nautilus de Verne tinha o casco no formato da nave francesa – algo do tipo de um charuto. Em dado momento do livro, na versão original – que se lembro bem, tem mais de 400 páginas – Verne insinua que a propulsão seria elétrica, coisa que também já era perfeitamente possível na época. No que Verne extrapolava, e muito, era em prever as potencialidades das tecnologias disponíveis em estado embrionário, em sua época. Neste ponto, o Rafael M.F. pinçou um trecho perfeito. Mas em minha opinião, os dois livros mais interessantes dele são “Viagem a Lua” e um menos conhecido, chamado “Paris no século XX” – este um manuscrito descoberto em 1989 e publicado em 1994 em inglês (acho q não tem em português). Eu os acho interessantes exatamente pq mostram Verne tentando especular sobre coisas que realmente não existiam. Ele não foi capaz de prever um foguete, embora falasse em diversos tipos de aeronaves mecânicas. A cidade de Paris no século XX parece ser, de fato, a cidade de Paris conforme urbanizada em 1874 pelo Barão Hausmann – que lançou um modelo de urbanização seguido inclusive no Brasil. Neste, as pessoas se deslocavam em carruagens a vapor ou voavam com um tipo de helicoptero portátil. O motor a explosão não tinha sido concebido ainda.
    Saudações a todos.

  8. bitt 24 de janeiro de 2014 at 10:24 #

    Desculpem , deveria ser assim…
    “De fato, fala-se mto no espírito visionário de Jules Verne. Mas o interessante, por outro lado, é que ele não falou de nada que NÃO fosse perfeitamente possível pela tecnologia da época.”

    Acontece…

    O Nautilus parece um “super Guppy II”, com deslocamento de 4000 toneladas. De fato, o desenho do casco segue a “moda” da época, ainda tributários do Typ XXI alemão. Parece que a nave bateu um monte de recordes – já no primeiro cruzeiro, alcançou uma velocidade, submerso, de 25 nós, deixando mto para trás seus avós da classe Tang, no qual era baseado. Os Guppy II chegavam no máximo a 17 nós, em imersão. Parece que a função inicialmente prevista para ele foi servir como laboratório de dinâmica subaquática, testando a capacidade de um sub de adquirir altas velocidades sem comprometer o casco de imersão. A comissão polar teve duas funções. Primeira, experimentar a possibilidade de uma rota que colocasse a URSS ao alcance de misseis lançados de submarinos – uma forma que os americanos viram de aproveitar a vantagem que tinham de ter um sub nuclear totalmente operacional. Posteriormente, a experiência foi levada ao extremo pelo USS Skate, primeiro navio de uma nova classe de submarinos de ataque, que emergiu através da capa de gelo polar. Segunda, fazer uma façanha de propaganda, já que o advento do Sputnik e dos misseis intercontinentais soviéticos tinha difundido certa angústia entre a população n. americana sobre a capacidade do país continuar na liderança científica e militar do mundo.

  9. Rafael M. F. 24 de janeiro de 2014 at 11:00 #

    bitt
    24 de janeiro de 2014 at 9:28

    De acordo, com apenas algumas observações:

    1 – O USS Holland foi completado em 1897 e comissionado em 1900. Mas, de fato, em 1881 John Holland construiu para os irlandeses um submarino chamado “Feniam Ram” (que usaria um motor do tipo Brayton) e esse seria a base do USS Holland;

    2 – Durante a Guerra Civil, foram construídos pelos confederados diversos tipos experimentais de submarinos, com vistas a romper o bloqueio naval da União, sendo o CSS Hunley o mais famoso;

    3 – O submarino françês que mencionou é o Le Plongeur. Sofria sérios problemas de instabilidade, e tinha mais o formato de um peixe do que o descrito por Jules Verne. Provavelmente Verne concebeu o sistema de direção do Nautilus pensando nos problemas de instabilidade do Le Plongeur;

    4 – O submarino a bateria que mencionou foi o Goubet II, mas era também instável. Foi lançado em 1885, 15 anos depois da publicação do livro de Verne. O primeiro submarino elétrico efetivamente operacional (ainda que de forma experimental) foi o Gymnote, em 1888;

    5 – Vários tipos de propulsão foram experimentados: vapor, elétrica, até mesmo química (com soda cáustica).

    No Brasil, houve um Capitão-Tenente que desenvolveu em meados de 1902 um projeto de submarino que tinha grande semelhança com o USS Holland. Mas não me lembro seu nome, só me lembro de uma maquete em exposição no Espaço Cultural da Marinha. O pessoal do PN poderá esclarecer melhor isso.

    Quanto a Haussmann, este reurbanizou Paris entre 1853 e 1870, e suas vias largas tinham clara finalidade de manter a ordem pública. As amplas avenidas abertas facilitavam o movimento de tropas e esse foi um dos fatores do fracasso da Comuna de Paris de 1870.

  10. Marcos 24 de janeiro de 2014 at 11:16 #

    Nautilus foi descomissionado em 1980!

  11. daltonl 24 de janeiro de 2014 at 11:36 #

    Rafael…

    estou sem tempo agora, mas os nomes ao menos consegui para uma busca maior

    Luiz Jacinto Gomes e Luiz de Mello Marques fizeram experimentos com protótipos no início do séc XX e mais ou menos no mesmo periodo o eng naval Emilio Julio Hess
    preparou estudos teóricos.

    Encontrei em uma revista Tecnologia E Defesa de 1984
    que curiosamente estava em cima da pilha :)

  12. bitt 24 de janeiro de 2014 at 11:48 #

    Rafael MF

    Obrigado pelas correções – sou realmente ruim de datas e não me dou ao trabalho de verifica-las.

    O submarino de que vc está falando fez um “mergulho” na piscina da Escola Naval – era um modelo em escala e funcionava com um mecanismo de relógio. Todos os que testemunharam o evento são unânimes em dizer q a geringonça funcionou bem, mas não existem registros fotográficos. Aquilo q vc viu no ECMB é o original – acredite ou não.

    Os submarinos da Guerra Civil N.Americana eram, de fato, semisubmersíveis. Eu diria que o H.L. Hunley seria mais uma espécie de lancha torpedeira operando um torpedo ariete. Digo isso pq parece que haviam pequenos postos de observação dotados de vigias que ficavam na superfície, para que a nave pudesse ser dirigida. Deveria tamb pelo mns um suspiro, pois a tripulação de 8 caras rapidamente esgotaria o ar disponível dentro da nave, pois 5 deles operavam um sistema de eixo manual que girava a hélice.

    Mencionei a eletricidade pq era, desde o início do século XIX, uma verdadeira febre entre os cientistas. No livro original, o capitão Nemo refere-se, se bem me lembro, a uma “força extraída dos movimentos da natureza”, o que provavelmente refere um tipo de eletromagnetismo, pois pois Faraday e Maxwell já tinham demonstrado a teoria e especulado sobre as aplicações em meados do século XIX. Verne devia ter conhecimento dessa possibilidade, e talvez tenha especulado em torno dela. De toda forma, não citei o Gymnotte porq é mto posterior ao livro de Verne.

  13. bitt 24 de janeiro de 2014 at 11:53 #

    Daltoni, sempre o Daltoni.

    Exatamente isso – o submarino é referenciado no arquivo do Museu Naval como “submarino Mello Marques”. Embora alguns historiadores da técnica debochem do aparelho, dizendo que era um “brinquedo de corda”, deve ter sido uma verdadeira epopeia reproduzir aqui os princípios de física e engenharia envolvidos no projeto – o que mostra, desde sempre, a qualidade de nossos oficiais de Marinha.

    Grandes saudações.

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