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Corrida submarina na Ásia levanta preocupações de segurança

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Submarinos classe Song chineses

Marinhas esperam desdobrar 250 embarcações avançadas no Pacífico ocidental dentro de oito anos

Uma rápida acumulação de submarinos no Pacífico Ocidental está alimentando a demanda asiática por embarcações com tecnologia avançada, dizem grupos de defesa.

O número de submarinos na região deverá aumentar de 200 para 250 em oito anos, de acordo com o Ministério da Defesa de Cingapura, que alertou esta semana de um risco crescente de “erros de cálculo no mar”.

Navios silenciosos com poder de fogo de longo alcance representam um desafio para os planejadores que buscam manter as vias marítimas asiáticas abertas, disseram fabricantes e analistas reunidos em uma exposição de defesa marítima em Cingapura.

“A região está crescendo em capacidade de submarinos mais rapidamente do que em qualquer outro lugar do planeta no momento”, disse Brett Reed, responsável pelas vendas de defesa do Sudeste Asiático da Austal, construtor australiano. “As marinhas [asiáticas] querem ser capazes de buscar, detectar e rastrear submarinos”.

O último aumento nas capacidades navais veio esta semana quando Cingapura, que tem o maior orçamento de defesa no Sudeste Asiático, anunciou a compra de dois submarinos da alemã ThyssenKrupp.

O Ministério da Defesa de Cingapura disse que os navios teriam sistemas de combate modernos e tecnologia de propulsão “independente do ar” que os torna mais silenciosos e permite que eles permaneçam submersos por mais tempo.

“Se os programas prosseguirem como planejado, grande mudança está em andamento no cenário operacional submarino na região”, disse Paul Burton, diretor de defesa da Ásia-Pacífico do IHS Jane’s. “O fio condutor comum destes desenvolvimentos é a introdução de submarinos cada vez mais modernos, capazes e silenciosos”.

Frotas de submarinos na Ásia

A junta militar da Tailândia aprovou no mês passado um plano controverso para gastar US$ 393 milhões no primeiro de três submarinos chineses.

Críticos questionam a necessidade dos navios, uma vez que Bangkok não está envolvida em qualquer disputa marítima significativa e o Golfo da Tailândia é raso. Os militares defenderam a compra, dizendo que os submarinos podem ser usados ​​tanto para treinamento quanto para defesa.

Austrália, Índia, Paquistão, Coréia do Sul e Indonésia planejam expandir e modernizar suas frotas submarinas.

Mesmo Myanmar, um dos países mais pobres do Sudeste Asiático, anunciou um plano para comprar um submarino, se os orçamentos o permitirem. “Nossos vizinhos têm submarinos e nós também os queremos”, disse o major-general Myint Nwe, vice-ministro da Defesa, neste mês.

Rob Hewson, do grupo de defesa sueco da Saab, disse: “Ter a habilidade de detectar,  rastrear e potencialmente enfrentar outros submarinos é um tema quente nesta região no momento”. Hewson disse que também há um crescente interesse asiático em aeronaves de alerta e de patrulha marítima.

Os sistemas em exibição no IMDEX naval defence show em Cingapura incluíram um que a Saab promove como ideal para o rastreamento de submarinos “super-silenciosos”. O equipamento utiliza uma combinação de boias de sonar que podem ser lançadas de uma aeronave e um sistema de processamento acústico a bordo para filtrar a assinatura sonora de um submarino com ruído de fundo.

A Saab, que está competindo com a Lockheed Martin para fornecer aviões de combate à Índia, também estava interessada em disputar a modernização de submarinos proposta por Nova Déli, disse Hewson.

“A Índia tem submarinos franceses no momento”, disse ele. “Eles estão agora olhando para outras opções para o próximo lote e achamos que será uma competição mais aberta. … que é potencialmente muito interessante para nós.”

As ambições navais da China estabeleceram o ritmo, com planos para expandir sua frota de submarinos para 78 até o final da década, de 62 no ano passado, de acordo com uma análise do Pentágono.

A edição 2017 do Jane’s Fighting Ships mostra que os 10 países da Association of Southeast Asian Nations (ASEAN) tinham 16 submarinos entre eles, metade deles no Vietnã.

Em uma conferência de segurança marítima ao lado do show da indústria de defesa, Mohamad Maliki, um ministro junior da Defesa em Cingapura, pediu que as marinhas na região sigam regras mutuamente acordadas para “evitar confrontos e acidentes involuntários no mar”.

FONTE: Financial Times

15 COMMENTS

  1. existe algum submarino que seja pequeno o suficiente para operar em aguas rasas e eventualmente se aventurar num rio ???
    acho que os mini sub da Korea do Norte fazem isso…

  2. Se os Asiaticos querem mesmo a paz na região que se juntem e deem uma dura na China que é a principal causadora disso tudo tanto que antes dela mesma traçar dash line in 2008-09 nao me lembro estava tudo mais calmo.

  3. August,
    “Se os Asiaticos querem mesmo a paz na região que se juntem e deem uma dura na China ” = loucura.

    Como dar dura na China? Se você tirar a Índia, a China deve ser maior que todos somados… Tecnologicamente, o Japão e a Coréia do Sul ainda poderiam fazer frente mas seria apenas algo temporário.

    A sorte dos EUA é ter tido uma excelente estratégia de expansão global no século passado, mesclando civis e militares (parece que de Roma para cá pouco mudou…). Se não fosse o estratosférico orçamento norte-americano em “Defesa”, a China já estaria com as garras de fora….

  4. Os USA deveriam de parar de financiar esses paisecos pois hora ou outra a China vai assimilá-los politicamente e fazer uma “OTAN” no pacífico.

    Quando vejo os numeros da China, são assustadores, metade da produção de aço do planeta, 20% da manufatura do mundo, 1 a cada 3 peixes pescados no mundo são da China (uma boa parte em aguas estrangeiras), mas de 1 bilhão de pessoas na força de trabalho com virtual pleno emprego.

    Essa tal Nova Rota da Seda não me assustou, a China tem quase 10 ferrovias sendo construidas na Africa.

  5. Na verdade, foram os americanos que investiram no crescimento da China.
    Muitas empresas estrangeiras lá, os americanos e europeus comprando de lá.
    iPhone produzido na China, Dell, idem.
    Walmart comprando muito produto barato lá…
    Talvez não imaginassem que a China cresceria tanto é se tornaria uma ameaça econômica e militar aos estados unidos, como todos os riscos que isso implica.
    Já está na hora de tomarem uma atitude.
    Se não, daqui a pouco, a China estará desfilando com porta aviões próximo da estátua da liberdade, sobrevoando Washington na hora que bem entender…

  6. Todo mundo se preparando pro próximo arranca rabo! Porém… a briga seria tão grande que mesmo quem é bem habilidoso e tem grandes atributos físicos prefere os meios diplomáticos, mas… não deixam de treinar um dia sequer… vai que né!!

  7. Nonato, as empresas norte-americanas e seus representantes no governo fizeram o possível para baratear a produção, manter ou aumentar os lucros e se manter competitivos. Numa economia aberta as coisas funcionam assim, fazer o que.

    O Trump explora exatamente esse tema, que já não é novo. Comunistas, fascistas e outros istas já falavam no problema do capital x Estados nacionais.

    A transferência de emprego para a China acabou por gerar desemprego em diversos países do “Ocidente” e, para variar, vai faltar renda. Detroit que o diga.

    A flexibilização das leis trabalhistas, como feito na Alemanha, tenta evitar essa migração em massa de postos de trabalho. Porém, convenhamos que é bastante difícil superar o custo de mão-de-obra chinês…

    E se juntar o desemprego estrutural resultado do avanço tecnológico, daí a equação fica dramática.

    Isso, provavelmente, é tão ou mais importante para algumas nações do que meramente comparar meios operantes. Quando um país fica sem renda, vai tirar de onde para investir em lases, satélites, subs mais silenciosos, etc etc etc

  8. NÃO subestimem a capacidade dos mini submarinos norte-coreanos de fazer estragos. Procurem pelo destino da corveta ROKS Cheonan. Não faz muito tempo.

  9. Os EUA não tem que fazer nada, tem que ficar “quietinhos” isso sim e é oque vão fazer e ja estao fazendo, que o diga o Trump e todo seu discurso mas no final de contas não faz nada, China e Rússia ja mandam no mundo, EUA sera apenas “playground” pra chines se divertir em Miami, Disney etc, e aqui na colonia fornecedora de matérias primas tudo como sempre foi, a diferença que os novos donos do Brasil agora não são mais europeus e sim asiáticos

  10. Mario Silva,
    Concordo 99%. Só discordo da Rússia… Não acredito que ela mande ou venha a mandar em tanta coisa assim… Se mandasse, o papo na Síria seria totalmente diferente. Veja se alguém mete o bedelho no Afeganistão ou no Iraque pra encher a paciência norte-americana… Na Síria, tá chovendo todo tipo de coisa nas forças do Assad e a Rússia só assiste.

    E, apesar da China ser a maior credora dos EUA, o orçamento dos EUA em Defesa são muito, mas muito, superior. O problema vai ser quando os EUA não tiverem mais tanto fôlego (ou crédito…) pra bancar essa farra armada. Daí o pessoal vai começar a se estranhar, disputar realmente mercados…

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