Os principais Programas da Marinha do Brasil

A Esquadra da Marinha do Brasil é composta pela Força de Superfície, Força de Submarinos e Força Aeronaval. A quantidade de meios é claramente insuficiente para que a MB possa cumprir as tarefas a ela imposta.

O Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM) 2006-2025, encaminhado ao Ministério da Defesa em julho de 2005, foi estruturado em dois decênios (2006-2015 e 2016-2025), se coaduna com a Estratégia Nacional de Defesa e se destina a reposição e modernização dos meios considerados prioritários para a capacidade operacional da Força.

NAVIO-AERÓDROMO

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A Marinha do Brasil conta com apenas um navio-aeródromo, o São Paulo (clique nos desenhos para ampliar), construído na França e comissionado na marinha francesa em 1963, foi adquirido pelo Brasil no ano 2000. Com cerca de 32.000 toneladas de deslocamento, pode operar cerca de 40 aeronaves. O navio conta com duas catapultas com aproximadamente 50 metros de extensão para lançar aeronaves de até 20 toneladas (Segundo a Marinha Francesa, entre abril de 1993 e fevereiro de 1998, foram realizadas 168 catapultagens do Rafale M F1), e aparelho de parada é composto por 4 cabos para pouso das aeronaves.

O navio-aeródromo encontra-se, no momento passando por um extenso Período de Manutenção Geral (PMG) no AMRJ que irá substituir alguns sistemas e sensores, permitindo assim que ele volte a operar com aviões AF-1 e com as futuras aeronaves para MASC, COD e AAR. O NAe São Paulo terá sua vida útil estendida até o ano de 2025.

Foram iniciados os estudos visando a construção de um novo navio-aeródromo que irá substituir o NAe São Paulo. O navio deverá deslocar cerca de 40.000 toneladas e poderá ter configuração CTOL (Conventional Takeoff and Landing) ou STOBAR (Short Takeoff But Arrested Recovery), dependendo da aeronave a ser escolhida. Uma segunda unidade poderá ser adquirida no futuro.

ESCOLTAS

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A força de navios de escolta é composta por 14 meios navais, sendo 6 fragatas da Classe Niterói, 3 fragatas da Classe Greenhalgh, 4 corvetas da Classe Inhaúma, e pela corveta “Barroso”, que estará totalmente operacional ainda esse ano.

As 6 fragatas da Classe Niterói (Vosper Mk 10) foram incorporadas à Esquadra entre 1976 e 1980. Elas deslocam cerca de 3.700 toneladas e podem operar com um helicóptero orgânico de até 6 toneladas. Esses meios foram submetidas a um processo de modernização (ModFrag) entre os anos de 1996 e 2006.

As 3 fragatas da Classe Greenhalgh (Type 22 – Batch 1) foram construídas na primeira metade da década de 1980 para a Royal Navy, e transferidas para a Marinha do Brasil entre 1995 e 1997. Elas deslocam cerca de 4.200 toneladas e podem operar com 2 helicópteros orgânicos de até 6 toneladas. Esses navios receberão uma revitalização ∕ modernização para estender sua vida útil por mais 15 anos.

As 4 corvetas da Classe Inhaúma foram incorporadas a Marinha do Brasil na década de 1990. Elas deslocam cerca de 1.970 toneladas e operam com um helicóptero orgânico de até 6 toneladas. Em outubro de 2008 os navios da classe iniciaram o programa de modernização e terão sua vida útil estendida, também por mais 15 anos.

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A corveta “Barroso”, deverá estar totalmente incorporada ao setor operativo da Esquadra em maio ∕ junho desse ano. O navio desloca cerca de 2.350 toneladas e irá operar com um helicóptero orgânico de até 6 toneladas.

Tendo em vista que, com exceção da corveta “Barroso”, todos os atuais navios de escolta deverão ser retirados do serviço ativo até 2025, a Marinha do Brasil concluiu em 2008, a elaboração dos Requisitos de Estado Maior dos novos navios de escoltas que irão substituir todos os meios hoje em operação.

Considera-se, também, a possibilidade de serem construídas unidades adicionais da corveta “Barroso”, com algumas modificações no desenho, contudo, isso ainda está em discussão.

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Os futuros escoltas deslocarão cerca de 6.000 toneladas (os desenhos acima são da classe “Hobart” da Austrália e FREMM francesa) e irão operar com helicópteros de até 12 toneladas. Esses navios serão obtidos, por construção no AMRJ. Serão navios de múltiplo emprego, capazes de realizar todas as tarefas típicas dos escoltas. Inicialmente, prevê-se a construção de 6 unidades, contudo, esse número poderá ser acrescido dependendo da liberação de verbas orçamentárias.

FORÇA DE SUBMARINOS

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A Força de Submarinos (ForSub) é composta por 5 unidades de projeto alemão, mais especificamente o modelo Tipo IKL 209. Sendo 4 unidades da Classe “Tupi” (IKL 209-1400) e o Tikuna (IKL 209-1400mod).

O primeiro dos 4 submarinos da Classe “Tupi” foi construído pelo consórcio Ferrostaal ∕ Howaldtswerke Deutsche Werft na Alemanha. As outras 3 unidades foram construídas no AMRJ. Esses meios deslocam cerca de 1.440 toneladas submerso e sua autonomia máxima é de cerca de 12.000 milhas náuticas. Podem levar até 16 torpedos.

O Tikuna é um submarino IKL 209-1400 modificado com o auxilio de engenheiros e técnicos do AMRJ. Seu deslocamento submerso é de cerca de 1.560 toneladas e apresenta diversas melhorias em comparação com as 4 primeiras unidades.

Atualmente, tanto os submarinos da Classe “Tupi” quanto o Tikuna estão iniciando o programa de modernização (ModSub). Os principais componentes desse programa são o Sistema de Combate AN ∕ BYG-501 Mod.1, da Lockheed-Martin e o torpedo pesado MK.48 Mod.6AT, além de novos equipamentos como radar, Sistema MAGE, periscópio e sonares.

Em dezembro de 2008 foi assinado um acordo entre os governos do Brasil e da França visando à elaboração do Programa de Desenvolvimento de Submarinos para a Marinha do Brasil. Por esse acordo, fica estabelecido a construção de 4 novos submarinos de propulsão convencional, derivados do modelo “Scorpène”, os SBR, além de 1 submarino de propulsão nuclear, o SNBR.

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Os SBR deslocarão cerca de 2.000 toneladas submersos, o Sistema de Combate será SUBTICS da DCNS e serão armados com torpedos derivados do IF-21 Black Shark e mísseis SM-39 Exocet. A primeira unidade será incorporada em 2015 e as demais em intervalos de 2 anos.

Porém, o mais ambicioso programa em curso no Ministério da Defesa é o submarino de propulsão nuclear. O mesmo acordo supramencionado prevê a construção do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro, designado como SNBR. A DCNS irá auxiliar a MB no projeto e construção das “partes não-nucleares” da primeira unidade, que deverá entrar em operação entre os anos de 2025 e 2030. O SNBR será armado com os mesmos torpedos e mísseis do SBR.

FORÇA AERONAVAL

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A Força Aeronaval da Marinha do Brasil passa, atualmente, por um período de atualização e renovação de seus principais meios.

Em 2008 foram adquiridas 4 unidades, com opção para mais 2 helicópteros Seahawk, de um total que deverá chegar a 12 unidades. Na verdade o modelo adquirido pela MB é semelhante ao modelo Strikehawk (MH-60R) da US Navy, capaz de realizar missões ASuW e ASW. Para missões ASuW utiliza seu radar AN ∕ APS-143(V) e mísseis AGM 119B Penguin MK2 MOD7. Para missões ASW utiliza o sonar AN ∕ AQS-18(V), torpedos MK.46 e cargas de profundidade.

Em 2008 também foi assinado a modernização, com instalação de sistema FLIR em 6 unidades do Super Lynx (AH-11). As demais (6) unidades receberão no futuro o mesmo equipamento. A MB prevê ainda, a aquisição de um lote adicional do modelo (até 6 unidades).

Ainda em 2008, o Ministério da Defesa assinou com a Helibras um contrato para construção de 50 helicópteros EC-725 Super Cougar (Caracal). Desses, 16 serão destinados para a Marinha do Brasil. Esses meios irão desempenhar múltiplas missões, como resgate e salvamento de combate, transporte tático e aeromédico, apoio logístico e missões navais.

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Durante a LAAD 2009 foi assinado um contrato entre a MB e a EMBRAER para modernização de 12 aeronaves A-4Ku Skyhawk. Serão modernizadas 10 unidades AF-1 e 2 unidades AF-1A. A modernização será semelhante àquela realizada nos F-5 da FAB e visando manter as aeronaves operacionais até 2025.

Encontra-se bastante adiantado o programa de obtenção de aeronaves para MASC (Maritime Airborne Surveillance and Control), COD (Carrier On-board Delivery) e AAR (Air-to-Air Refueling). Deverão ser adquiridos 5 unidades, sendo 3 da versão MASC, 1 da versão COD e 1 da versão AAR. As aeronaves terão garantia de 20 anos de operação.

Vale ressaltar ainda que a Marinha do Brasil acompanha de perto o Programa F-X2 da FAB. Existem entendimentos dentro do Ministério da Defesa, sobre uma padronização dos meios e, dessa forma, a Marinha do Brasil poderia escolher como aeronave de caça para seu futuro NAe, o mesmo vetor escolhido pela FAB.

NAVIOS DE TRANSPORTE E DESEMBARQUE

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Os meios de transporte de grande porte operados pela Marinha do Brasil, resumem-se a apenas 5 unidades. Sendo 2 Navios de Desembarque-Doca (NDD) da Classe “Ceará”, o Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) Mattoso Maia, o Navio de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) Garcia d’Ávila e o Navio de Transporte Ary Parreiras.

Os 2 NDD da Classe Ceará (LSD Classe “Thomaston”) foram construídos na segunda metade da década de 1950, deslocam cerca de 12.150 toneladas e podem levar cerca de 500 fuzileiros navais, 3 Embarcações de Desembarque de Carga Geral (EDCG) ou 6 Embarcações de Desembarque de Viaturas e Material (EDVM), além de poderem lançar e recolher CLAnfs e operar com até 2 helicópteros de 10 toneladas no convòo.

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O NDCC Matosso Maia (LST Classe “Newport”), foi construído em 1971. Desloca cerca de 8.750 toneladas, é dotado de um convôo para 1 helicóptero de 10 toneladas. Transporta cerca de 350 fuzileiros navais e tem capacidade para até 22 CLAnfs.

O NDCC Garcia d’Ávila (ex-RFA Sir Galahad), foi incorporado a Royal Navy em 1987, sendo modernizado em 1997-1998. Seu deslocamento é de 8.585 toneladas, pode transportar cerca de 350 fuzileiros navais e é dotado de 2 convôos e pode transportar até 18 CLAnfs.

O Navio de Transporte Ary Parreiras, construído no Japão na segunda metade da década de 1950, desloca cerca de 7.200 toneladas e pode transportar até 500 fuzileiros navais. O “Ary Parreiras” deverá ser retirado do serviço ativo com a entrada do NDCC Almirante Sabóia recentemente adquirido na Inglaterra pela Marinha do Brasil.

O NDCC Almirante Sabóia (ex-RFA Sir Bedivere), é uma espécie de “primo” do NDCC Garcia d’Ávila, desloca cerca de 7.500 toneladas e pode transportar cerca de 350 fuzileiros navais. O navio também é dotado de 2 convôos para operação de helicópteros médios e pesados.

Encontra-se em fase de desenvolvimento um Navio de Transporte e Apoio (NaTrAp) projetado pelo Centro de Projetos de Navios da MB. O navio deslocará cerca de 9.000 toneladas, poderá transportar até 500 fuzileiros navais, disporá de um convôo que permite o emprego simultâneo de 2 helicópteros pesados, alem de duas rampas de 40 toneladas, uma na popa e outra a boreste.

NAVIOS DE PATRULHA

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A Marinha do Brasil conta hoje com diversas classes de navios de patrulha, dentre elas podemos destacar as 12 unidades da Classe “Grajaú”, as 6 unidades da Classe “Piratini”, as 4 unidades da Classe “Bracui”, as 2 unidades da Classe “Pedro Teixeira” (Patrulha Fluvial) e as 3 unidades da Classe “Roraima” (Patrulha Fluvial).

O Ministério da Defesa pretende construir cerca de 50 navios de patrulha nos próximos anos. Esse número engloba os navios-patrulha de 500t (Classe “Macaé”), navios-patrulha oceânicos e navios de emprego fluvial.

Os 2 primeiros navios da Classe “Macaé” (NaPa 500), com cerca de 500 toneladas de deslocamento, encontram-se em construção pelo estaleiro INACE. Esses navios deverão ser entregues ainda nesse ano. Outras 4 unidades estão em licitação e outras 8 planejadas de um total que poderá chegar a 27 unidades.

Os navios-patrulha oceânicos de 1.800 toneladas de deslocamento deverão ser construídos a partir de 2011. Está previsto a construção de 5 unidades de um total que poderá chegar a 8 unidades.

Serão obtidos, por construção, navios de emprego fluvial. Esses meios serão utilizados, principalmente, nas Bacias do Paraná ∕ Paraguai e na Bacia Amazônica. O total poderá chegar a 15 unidades.

OUTROS PROGRAMAS

Encontra-se em projeto um moderno navio-tanque que deverá substituir o “Marajó”, que aproxima-se do final de sua vida útil.

Da mesma forma, encontra-se em desenvolvimento um míssel anti-navio nacional. Esse míssel será semelhante ao Exocet (MM-40) e terá um alcance de cerca de 100 Km.

NOTA: Os programas acima descritos precisarão enfrentar obstáculos de ordem administrativa, financeira, técnica e econômica para serem colocados em prática.

ARTE: Jacubão (A12, F48 e “Barroso” modificada); MConrads (Escoltas de 6 mil toneladas).

TEXTO: Luiz Monteiro (LM)

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