Home Reportagem Chevalier Paul: outra ‘Horizon’ no Rio

Chevalier Paul: outra ‘Horizon’ no Rio

393
19

Estivemos ontem a bordo do mais novo navio da classe “Horizon” da Marine Nationale, a convite da DCNS, que está visitando o porto do Rio de Janeiro.

Chevalier Paul é irmão da Forbin, que também tivemos a oportunidade de visitar em 2009 e da italiana Andrea Doria, que também esteve no Brasil este ano.

Os franceses, assim como os italianos, estão de olho na futura concorrência da Marinha do Brasil para aquisição de navios escolta que vão substituir as fragatas classe “Niterói”, “Greenhalgh” e corvetas da classe “Inhaúma”.

O PEAMB (Plano de Equipamento e Articulação da Marinha do Brasil) prevê a construção de 18 navios escolta (cinco unidades até 2020), ao custo de cerca de R$ 1 bilhão por unidade.

As seguintes empresas já apresentaram pré-propostas à Marinha do Brasil sobre a construção de escoltas: AEGIR,  VIK-SANDVIK, BMT, DAMEN, NAVANTIA, THYSSEN, VOSPER, FASSMER, DCNS, DSME e NORTHROP GRUMMAN.

Entre a FREMM francesa e italiana

A Chevalier Paul e a Forbin são navios dedicados à defesa aérea e não terão mais unidades construídas, ficando a classe limitada a dois navios em cada Marinha, por causa do seu alto custo de aquisição.

Para resolver o problema, França e Itália estão construindo as FREMM, que são navios menores (6.000 toneladas carregados) e multimissão.

Muitas das tecnologias presentes na classe “Horizon” estarão presentes na classe “FREMM”, por isso a visita da Forbin e agora da Chevalier Paul ajudam a divulgar o produto para os oficiais da Marinha do Brasil.

Quem visita uma “Horizon” tem uma boa ideia de como serão as FREMM. São navios muito automatizados, que contam com equipamentos e sistemas de última geração para gerenciamento e controle. Uma “Horizon”, navio de 7.000t, tem 193 tripulantes, sendo 27 oficiais, 120 sargentos e 46 marinheiros. A FREMM, de 6.000t terá apenas 108 tripulantes.

Como comparação, a corveta Barroso, escolta mais nova da MB, precisa de 145 tripulantes.

São navios com baixíssima taxa de indiscrição, isto é, são plataformas com baixas assinaturas de radar, acústica, magnética e infravermelho.

Todas as aberturas do casco são fechadas, visando reduzir ao máximo a assinatura do navio contra a ação de mísseis guiados por radar.

Segundo a DCNS, esses navios estão preparados para enfrentar as ameaças clássicas severas: o míssil antinavio e o torpedo, que mostraram sua letalidade na Guerra das Malvinas.

A baixa assinatura acústica das futuras FREMM também visa enfrentar os modernos submarinos convencionais com AIP.

Um das novidades que vimos no Chevalier Paul em relação à Forbin foi o SLAT (Systeme de Lutte Anti-Torpille), que fica na popa do navio. O sistema é semelhante a um towed array, com cabos dotados de sensores acústicos que são arrastados pela popa.

O SLAT permite ao navio detectar torpedos lançados contra ele, avaliar o grau de ameaça e passa informações para os sistemas anti-torpedo, como os “effectors” de softkill ou torpedos MU90, para hardkill.

Para mais informações sobre as “Horizon” e as “FREMM”, clique nos links abaixo:

SAIBA MAIS:

Subscribe
Notify of
guest
19 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
marlige
marlige
10 anos atrás

Seria um salto tecnologico semelhante aos das FCN.
Muito difícil. Este PEAMB,PAEMB, P|R|M rola mais que charuto em boca de bebado. Quem acompanha a MB sabe que todo ano dizem que vão adquirir e dar baixa em unidades e…… nada!!!!!!

Lembrem-se.OS ultimos escoltas (navios de e para a guerra) foram as FCG- Já se vão 15 anos.

Antes que me critiquem, Barroso não conta

Baschera
Baschera
10 anos atrás

Ouvi dizer que talvez não serão as FREEM, mas as Horizon, embora se sabe mais caras.
Um dos problemas se refere à pouca tripulação das FREEM o que resultaria em maiores custos “em terra”.
Alguém pode confirmar ou discorrer sobre o assunto ??

Sds.

Klinger
Klinger
10 anos atrás

Olha o contra-ataque Italiano ou Brasileiro?, rsrsrsrsrsrsrs: Brasil e Itália aprofundam entendimentos na área de Defesa Brasília, 24/06/2010 – O ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e o Sub-Secretário de Defesa da Itália, Guido Crosetto, assinaram nesta quinta-feira (24/06) um “Ajuste complementar” ao Acordo sobre cooperação em defesa existente entre os dois países. O Acordo foi assinado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, em 12 de abril, quando ambos se encontraram em Washington. Na cerimônia de hoje foi assinado também um “Ajuste Complementar Técnico” ao mesmo acordo, entre os comandantes… Read more »

Biel
Biel
10 anos atrás

As Horizon são exelêntes belonaves com um grande raio de alcance
que ronda por volta de uns 14.000 km , capacidade de defesa antiaérea e etc .
Mas o END( Estratégia nacional de defesa) exige transferência de tecnologia e para isso precisaríamos construir estas fragatas aqui no Brasil( nada de comprar coisa de 2 mão),
tendo em vista que grande parte da frota esta para dar baixa , acredito eu que precisaríamos adquirir por volta de 10 unidades.

Ao meu ver a maior questão que enfrentaria seria justamente a que o nosso colega acima citou CUSTO OPERACIONAL.

LM
LM
10 anos atrás

Prezado Galante, parabéns pela matéria. Prezado Baschera, Os navios da Classe Horizon / Horizzonte são muito bem vistos dentro da MB. Contudo, seu custo de aquisição é bastante elevado. Eu, particularmente, gosto muito desta classe. Na minha opinião, se não fosse seu custo proibitivo, ele seria o ideal para a MB. Principalmente se viesse com a capacidade máxima de armas. Segundo o cmte. da Forbin, esses meios podem receber 8 lançadores de 8 células, perfazendo um total de 64 mísseis (Hoje estão armadas com 6 lançadores de 8 células = 48 mísseis). Se dispuséssemos de 64 células, poderiamos configurar o… Read more »

Jacubão
Jacubão
10 anos atrás

Esse número cada vez menor de tripulantes se deve a automação dos navios modernos.
Hoje já se sabe que os caças do futuro não serão tripulados e os navios de combate do futuro devem seguir de forma parecida, mas com tripulação muito reduzida, pois não dá para comparar a complexidade de um navio com um avião.

Eduardo Rafael
Eduardo Rafael
10 anos atrás

Qto as empresas anunciadas todas como estaleiros, cabe algumas correções: Vik-Sandvik não é estaleiro mas uma empresa de projetos de navios, de origem norueguesa, que hoje faz parte da Wartsila Ship Design; Estaleiro AEGIR- desconheço esta empresa; BMT é tambem empresa de projeto: DAMEN é um grupo holandes de construção naval que tambem desenvolve projetos, o mesmo valendo para os demais (NAVANTIA – espanhol ex-Izar, ex-Bazan, THYSSEN, VOSPER – tem novo nome, FASSMER – forneceu o projeto dos navios classe Piloto Pardo construidos para a Marinha Chilena, DCNS, DSME – coreano Daewoo, NORTHROP GRUMMAN.

Baschera
Baschera
10 anos atrás

LM disse:
25 de junho de 2010 às 10:13

Olá Comandante…. quanto tempo !!
Obrigado por responder.

Concordo com o que descreveste.
Citei a outra classe por que obtive a info.
Também por que as FREMM me parecem ter perna curta para servir de escolta ou cobertura para um NAe (em termos de AAe).
Seu radar não é o bixo (o modelo italiano) e tem limitações de horizonte.
Quem conhece o assunto, gostaria de ter um radar mais robusto, como o EMPAR da Alenia Marconi “padrão e complementá-lo com o Radar de longo alcance S1850M.”

Abraço LM.

Hornet
Hornet
10 anos atrás

amigo LM, esse número de 18 não está um pouco inflacionado? Inicialmente, se me recordo bem, falava-se em 10 novas fragatas, não é isso? Uma outra dúvida (como felizmente vc voltou ao blog, vamos “explorá-lo” de novo…hehe), ou melhor 2 dúvidas. Eu li no PEAMB que a MB pretende ter, no médio prazo (não me lembro agora se em 20 anos ou algo assim, corrija-me se estiver errado), 30 escoltas e 2 NAe (seria um para cada frota). A primeira dúvida é: dentre essas 30 escoltas, contamos as atuais que ainda possam operar dentro deste prazo (como a Barroso, por… Read more »

Biel
Biel
10 anos atrás

Eu acho a Horizon uma excelente escolta , mas devemos ter cuidado para não ficar muito dependentes dos europeus . ( lembrar dos argentinos )
Seria muito melhor adquirir as KDX II tendo em vista o custo beneficio,
sem falar que poderíamos aprender muito com os coreanos (os caras são ninjas nesse negócio de fazer navio) .

Nick
Nick
10 anos atrás

Talvez uma combinação Horizon + Fremm seja o ideal, sendo o Horizon especificamente para escoltar o A-12 e futuros PAs. Com o máximo de padronização de sistemas.

[]’s

william
william
10 anos atrás

Essa Horizon, é um verdadeiro guarda chuva contra misseis…
Exelente maquina!!!

Vassili
Vassili
10 anos atrás

Horizon na MB……….. o mais puro sonho de consumo nosso………. mas devemos lembrar que, mesmo os franceses e italianos ja informaram que não pretendem comprar mais unidades, devido ao elevadissimo custo unitário…

Por causa deste elevado custo financeiro, optaram pela FREMM. Mesmo este sendo menos capaz, são ainda excelentes navios. Muito melhor que nossas atuais escoltas.

Comandante LM, que bom te rever por aqui novamente…………….. Hornet idem………..

abraços.

gerson carvalho
gerson carvalho
10 anos atrás

Caros amigos, Mídia : Monitor Mercantil Data : 25/06/2010 Brasil rompe negociações e fecha pacote bélico com Itália Nesta quinta-feira, o Brasil firmou com a Itália um inesperado acordo militar. Isso implicará o desenvolvimento de projetos para a construção de navios de guerra, em especial, navios de patrulha oceânica, fragatas e navios de apoio logístico. Assinado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelo subsecretário de Defesa da Itália, Guido Crosetto, o acordo inclui também transferências de tecnologia e desenvolvimento de sistemas de combate, navegação, armamento e radares. O documento abrange o desenvolvimento de mecanismos de segurança para a comunicação… Read more »

Vassili
Vassili
10 anos atrás

Biel,

Eu tb acho bem interessante o KDX-II. Mas, como toda compra de material bélico deve vir acompanhado da transferencia de tecnologia para as indústrias brasileiras, vide a END. E, uma boa parcela do desenvolvimento do KDX-II é de procedência norte americana, isso sem falar nos sensores de bordo…………

E, nós sabemos muito bem como neste assunto delicado, a palavra final pertence ao Congresso dos EUA. Eu considero muito arriscado para nossa soberania ter que depender do humor dos congressistas norteamericanos.

Acho, que para o papel de substituir nossas escoltas, vamos de FREMM mesmo. E estaremos muito bem equipados………….

abraços.

LM
LM
10 anos atrás

Prezado Baschera,

Eu particularmente acho que devemos ter escoltas EG e escoltas AAW. Utilizando-se para isso o mesmo casco.

Se esse acordo com a Itália for mesmo fechado na próxima semana, cancelando-se assim a seleção internacional para os escoltas e NaPaOc, acho (minha opinião) que deveriamos ter FREMM EG e FREMM AAW.

Para a versão AAW os radares citados por você seriam excelentes.

Abraços

LM
LM
10 anos atrás

Prezado Hornet, Tentando responder as sua questões, hoje fala-se na obtenção, POR CONSTRUÇÃO, de 18 (dezoito) escoltas nos próximos 20-25 anos. Essa seria a quantidade mínima de meios para garantir as missões da MB. Os 30 meios, são o número ideal. Contudo, sabemos que é dificil chegarmos a ele. Anteriormente, devido a previsão orçamentária a MB buscava alocar recursos para construir as primeiras 10 unidades. Ninguém pode afirmar com certeza absoluta que todas os 18 serão construidos. isso vai depender de uma série de fatores. Todavia, se o CM está disposto a encerrar os processos de seleção, tanto dos escoltas,… Read more »

Hornet
Hornet
10 anos atrás

LM, obrigado pelas informações. A projeção da MB está correta ao meu ver e vamos torcer para que se realize na íntegra ou o mais próximo disso que for possível. Ao menos por enquanto os projetos estão andando, esperemos que continuem assim nos próximos anos. Então está correto mesmo o número de 18 (ao menos como um objetivo a ser alcançado)? Muito bom, acho que temos que planejar as coisas assim mesmo. É melhor projetar os meios da força dentro da necessidade real, e batalhar para obtê-los, do que se acomodar resignadamente, sem nem mesmo tentar. Gosto disto, deste comportamente.… Read more »

Hornet
Hornet
10 anos atrás

LM, o FX2 fez mal, de certo modo, às reflexões sobre a END e ao debate relacionado. Não quero trazer o debate do FX2 aqui ao Blog Naval, pois já chega o que se fala lá no Blog Aéreo sobre ele. Já é o suficiente por lá…hehehe Mas o que eu acho que fez mal é uma certa substimação do Brasil, devido ao FX2 (não exatamente ao FX2 em si, e nem nada relacionado à FAB, às FAs ou mesmo ao MD… mas a maneira como se travou o debate tanto na grande imprensa como nos fóruns…baseado muito mais em… Read more »