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Aspirações do Estaleiro Goa Shipyard Limited em relação ao Projeto das Corvetas classe Tamandaré

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OPV INS Saryu da Marinha Indiana construído pelo Goa Shipyard Limited
OPV INS Saryu da Marinha Indiana construído pelo Goa Shipyard Limited

Por Rodney Lisboa
Especial para o Poder Naval

Ontem, dia 2 de maio, Shekhar Mittal, Contra Almirante (Ref.) da Marinha indiana e atual Chairman Managing Director (CMD) do estaleiro Goa Shipyard Limited (GSL), proferiu a palestra “Brasil-Índia um diálogo de Indústrias Navais” para os membros do SINAVAL (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore) com sede na cidade do Rio de Janeiro.

Durante sua apresentação, Mittal teve a oportunidade de apresentar aos presentes sua visão acerca da parceria continuada que se busca estabelecer entre a indústria naval indiana e sua congênere brasileira.

Na ocasião do evento o CMD da GSL fez uma breve abordagem sobre o estaleiro vinculado ao governo da Índia, destacando seu histórico de 60 anos. Operando sob o controle administrativo do Ministério da Defesa indiano, o GSL se destaca como maior estaleiro exportador de navios da Índia, exibindo uma incomparável expertise no cumprimento de prazos e orçamentos.

Responsável pela construção de mais de 200 navios de superfície para a Marinha e Guarda Costeira indiana, o GSL possui uma carteira de clientes privados e de governos estrangeiros, a se destacar Myanmar e o Sri Lanka, além de manter negociações em andamento com diferentes países.

Reconhecido como um Research & Development Unit pelo governo indiano, o GSL realiza pesquisas e conduz programas de desenvolvimentos de várias plataformas promovendo a integração de diferentes sistemas de armas.

Shekhar Mittal, CMD do Goa Shipyard Limited, em palestra no SINAVAL

O estaleiro sediado na cidade de Vasco da Gama, localizada no estado de Goa junto à costa ocidental da Índia, foi contratado pela Marinha indiana para equipar com o sistema de mísseis Brahmos duas Fragatas de 4.000t da classe “Teg”, enquanto outras 12 embarcações destinadas à contramedidas de minagem devem ser construídas pelo GSL para a Força Naval da Índia.

No Brasil, o GSL está participando do processo de seleção internacional do parceiro que deverá auxiliar a indústria naval brasileira na construção da classe “Tamandaré” de quatro novas Corvetas. Projeto original da Marinha do Brasil, a Corveta Classe Tamandaré representa a evolução natural do exitoso programa de criação da Corveta Classe Barroso.

Conforme destacado pelo Almirante Shekhar Mittal, o GSL identificou significativas semelhanças entre o programa de construção naval e de desenvolvimento da indústria de Defesa da Marinha do Brasil com seu congênere da Marinha Indiana. Segundo ele, ambos países buscam assegurar às suas Marinhas o suprimento garantido e soberano de modernos meios navais e de pacotes de sistemas e armas embarcados.

Shekhar Mittal salienta que esta possibilidade de parceria seria uma grande oportunidade para que os dois países possam atuar conjuntamente, seja no mercado brasileiro e sul americano, como também no mercado indiano. Ele enfatiza que o GSL busca estabelecer uma relação de longo prazo com o Brasil, constituindo uma parceria que apenas se inicia com o contrato das Corvetas. Para Mittal, diferente do que ocorre com outros estaleiros estrangeiros, o GSL tem a intenção de trabalhar lado a lado com os estaleiros brasileiros e não operar um estaleiro próprio no país. Conforme palavras proferidas por ele: “A estrada que estamos abrindo aqui entre as indústrias dos dois países, trafega igualmente nas duas direções. Produtos e serviços de alto valor agregado virão da Índia pra o Brasil e também daqui para lá.”

Apresentação Goa Shipyard Limited - 2
Slide da apresentação do Goa Shipyard Limited
Slide da apresentação do Goa Shipyard Limited
Slide da apresentação Goa Shipyard Limited
Slide da apresentação do Goa Shipyard Limited

Convidado a participar do evento realizado na SINAVAL, o site Poder Naval teve a oportunidade de arguir o CMD do GSL sobre algumas questões relevantes relacionadas à parceria pretendida:

Poder Naval: Em sua opinião, qual é o principal diferencial entre o GSL e os demais estaleiros na concorrência dos escoltas da Marinha do Brasil?

Shekhar Mittal: O GSL é líder mundial na construção de Offshore Patrol Vessels (OPVs), dispõe de um produto competitivo e tem a característica de promover o lançamento de um novo produto a cada dois anos. Além disso, o perfil do nosso estaleiro e de nossos produtos é compatível com as demandas da Marinha do Brasil, fato que favorece uma forma ideal de negócio seja nesse processo (construção das Corvetas) ou para prospecção de novos projetos. É importante destacar que o intercâmbio entre a Marinha do Brasil e a Marinha da Índia, gerado em virtude dessa parceria, ocasionará um desenvolvimento profissional mutuo.

PN: O projeto brasileiro da classe Tamandaré é tão ou mais complexo que os Naval Offshore Patrol Vessels (NOPVs) da Marinha indiana? 

SM: O projeto é bastante complexo mas existem projetos tão ou mais complexos que este. Nosso objetivo é estudar suas particularidades e aprimorá-lo incorporando inovações e firmando acordos com diferentes segmentos da indústria local para             viabilizá-lo.

PN: Quais os riscos do GSL em construir navios de projeto de um outro país?

SM: O design é indiferente. Seja um projeto concebido por nós ou elaborado por terceiros, é nossa incumbência analisa-lo e viabilizá-lo conforme estabelecido nos compromissos contratuais.

PN: Quais os planos do GSL para o Brasil e América Latina, para além das Corvetas da Marinha do Brasil?

SM: Nossas pretensões dependerão da performance do projeto destes navios (Corvetas classe Tamandaré). Temos por objetivo torná-lo uma referência para outros mercados. Particularmente nesse caso, por ser esta parceria defendida tanto pelo governo quanto pelo Ministério da Defesa indiano, é significativo perceber que as oportunidades governamentais são maiores que as oportunidades de negócios, embora a importância corporativa a ela relacionada também seja expressiva.

Baixe a apresentação do Goa Shipyard Limited clicando aqui.

56 COMMENTS

  1. Eu dou risada quando leio algo como “o exitoso programa de criação da corveta classe Barroso”.

    Porque o exitoso programa representa UMA belonave, que levou 14 anos para ser construída…

    • A construção da Barroso foi exitosa porque o desempenho do navio é muito bom, inclusive realizando missões no Líbano. O tempo de 14 anos para a construção foi por falta de dinheiro.

      • Tendo custado muito mais que o valor orçado, com 14 anos de construção, eu tenho certeza que é uma ótima belonave, e em relação à isto eu não faço reparos. O problema é que não se pode considerar exitoso um programa que, apesar de ter legado uma ótima belonave, demorou tanto tempo e custou tão caro. Fazer isto é passar a mão na cabeça dos responsáveis e dizer para a classe política: – olha, sem problemas, cortem os orçamentos dos programas militares já iniciados, passem a tesoura! Não tem problema, a gente acaba com um programa exitoso de uma única unidade! Se ele dissesse, “a exitosa corveta Barroso” eu até podia entender, mas o programa, não, o programa é questão de Estado, e o Estado falhou nele!

        • Fábio, concordo com você. Dizer isso é a mesma coisa que alguém vir daqui a 20 anos dizer que o programa do F-35 foi exitoso. Não faz sentido. Por mais que o produto final seja bom o programa como um todo é que está sendo julgado nessa frase e de forma alguma um programa que estoura o orçamento e descumpre prazos pode ser considerado exitoso.

          • O Rafale era considerado um sucesso tecnológico e um fracasso comercial. Depois das recentes vendas ao exterior, se tornou um sucesso comercial. As Niteroi foram um sucesso de cronograma e preço, mas um fracasso em relação ao número original projetado, mas um sucesso de operação. O AMX foi um fracasso comercial mas um sucesso operacional. O fusca e a kombi foram sucessos comerciais (riso).

        • Olá Fabio. Creio que o êxito de um projeto está em atender aos objetivos. Se o objetivo é cumprir prazo, o programa foi um fracasso. Se o objetivo era o orçamento, tem que fazer a avaliação do custo em função do desembolso (eventualmente, para um projeto caber no orçamento, tem que esticar o prazo). Se o objetivo era um barco que atendesse á especificação, o projeto teve êxito. Se era absorver uma determinada tecnologia, tem que avaliar. Um programa pode ter um ou vários objetivos. Ter êxito em um objetivo e fracassar em outro. Ou fracassar em tudo.

    • A Barroso ficou torta? Não foi a Inhaúma?
      Quanto à notícia em si, eu não acho que a India tenha condições técnicas de fabricar nada que valha a pena, nessa concorrência.

        • Galante,

          Nos slides fica claro que a Goa Shypiard produziu OPVs.
          E que outros estaleiros indianos que cuidam de submarinos, fragatas e destroyers.

          Portanto, a Índia tem sim experiência em navios de combate de grande porte, ainda que uma experiência recente se comparada com outros países mais tradicionais na área.

          Porém a GOA, pelo que li, é especializada em OPVs e navios menores.

  2. “Para o GLS o Brasil é muito maior que apenas a concorrência das 4 corvetas”
    .
    É uma ótima leitura da situação…
    Certamente, quem levar o contrato e entregar o que foi assinado, vai estar extremamente bem posicionado em outros contratos que surgirão.
    .
    A MB vai gastar dinheiro para instalar um Estaleiro de outro país aqui. Que seja feita uma prospecção, para definir as parcerias e acordos que poderão dar mais frutos no futuro.

  3. Minha opinião é que deveriam trabalhar um Barroso melhorada com relação as capacidades AAe. Um segundo passo, com o estabelecimento de massa crítica, aí sim uma fragata, na ordem de 4k a 5k ton denominada Tamandaré. Não tem como dar um passo maior agora, mas pode-se fazer algo. É o famoso conceito Hi Low mix, sem reinventar a roda.

    • Wellington, não entendi.
      A questão pra você é que o nome Tamandaré deveria ser reservado para fragatas?

      Porque o que descreveu como “Barroso melhorada com relação as capacidades AAe” é, em resumo, o projeto da corveta classe Tamandaré.

      • Na prática, Nunão, a Tamandaré é um outro navio, uma outra classe, então não é uma Barroso melhorada. Isto daí é papo para enganar desavisado (não que você seja).

        Então, partindo desse princípio, o melhor era, na minha opinião, continuar no projeto da Barroso, apenas com melhorias/instalação de sistemas AAe com instalação de uns três/seis silos VLS. Opções é que não faltam no mercado, inclusive os mesmos que já foram selecionados às Tamandarés.

        A Tamandaré seria, então, este mesmo novo projeto, só que maior. Para daí sim substituir as cansadas Niterói.

        Resumindo, continua-se com o mesmo projeto da Barrosa, para mais corvetas e continua-se os trabalhos para adequação do projeto Tamandarés, só que maiores e melhor equipadas.

        Os esforços dispensados para uma nova classe de corvetas é, na minha opinião, desperdício de tempo, dinheiro é recursos humanos. É a mesma estória de tentar um novo OPV, quando já se tem nas mãos os projetos dos Amazonas. Ficam nesse chove e não molha.

        Minha opinião.

        • Wellington, para instalar lançadores verticais, é preciso de espaço interno, não se faz milagre. E este espaço interno para realocação de compartimentos e geração de espaço para o VLS foi conquistado, em parte, com o aumento da boca, mantendo-se as linhas do casco e o comprimento. Outra parte se conquistou “retificando” a linha do convés de proa, que era mais inclinada na direção da superestrutura.

          Esse aumento da boca, combinado ao do comprimento do convoo, também deverá permitir operar o Sea Hawk, o que amplia a capacidade antissubmarino (ASW) do navio, frente ao emprego do Super Lynx (que, por exemplo, com instalação de sonar de mergulho, tem seu desempenho e espaço na cabine muito prejudicados, frente ao Sea Hawk, que é uma aeronave ASW melhor e mais adequada para se pensar na operação nas próximas décadas).

          Ou seja, a Tamandaré é uma Barroso melhorada (mas bastante melhorada) no sentido de tudo que se percebeu na operação desta por dez anos, e em requisitos que se aprimoraram desde que o projeto da Barroso foi concebido no início da década de 1990 a partir da experiência com as primeiras Inhaúmas.

          Querer apenas uma Barroso ligeiramente melhorada, “só” com VLS para mísseis antiaéreos (o que por si já impõe modificações de monta) é ficar preso em especificações de mais de 20 anos atrás. Uma Barroso com apenas uma melhoria pontual de mísseis antiaéreos seria interessante uns 15 anos atrás, mas as necessidades operacionais e exigências mudam, e a operação do navio tbém traz esses subsídios.

          Uma Barroso apenas ligeiramente melhorada seria adequada ao ano 2000, mas não atenderia às necessidades operacionais de hoje, pensando em décadas de emprego. Por outro lado, partir de uma Barroso ligeiramente melhorada para um projeto de fragata agregaria muito mais riscos e custos. Já partir da Barroso para um projeto de corveta extensamente melhorado, e depois para o de uma fragata, são passos menosn arriscados em cada etapa.

          Minha opinião.

          • Tudo que tu colocaste, Nunão, só comprova que as Tamandarés não são, ou serão, uma Barroso melhorada, mas um novo projeto e que, pelo visto, tem sérios problemas de identidade, rsrsrs. Não é nem uma Corveta, muito menos uma Fragata.

            A MB não está em condições de fazer muita firula, este projeto de uma “Corveta Tamandaré” não emplaca, seja porque os estaleiros internacionais tem projetos próprios, seja porque o próprio projeto, enquanto Corveta, não tem atrativo mercadológico nenhum. Além de caro, para o tamanho de uma corveta, é mais dispendioso ainda de operacionalização (muito tripulante para uma pequena corveta). Então qual é a saída? Aumentá-la para um tamanho mais adequado para uma Fragata leve.

            Mas a MB, ainda sim, precisará de corvetas para fazer número (a parte Low da equação Hi-Low mix), como os problemas orçamentários persistirão por alguns anos, ainda, não tenta reinventar a roda, os problemas de meios é para ontem, é melhor ter umas oito Barroso operando de forma satisfatória, com melhoramentos pontuais como um sistema de misseis sup-ar, do que querer o melhor do melhor no mundo e no fim não tem nem uma coisa e nem outra.

            Quanto a sistemas AAe baseado em mísseis de curto alcance, o que não falta é opção compacta o suficiente para ser instalado ao lado do hangar, por exemplo. A Classe M holandesa é um exemplo do que pode ser feito.

            “Ah, mas querem embarcar Sea Hawks nas corveta”, estão modernizando os Super Lynxs para quê?! Sai bem mais barato. A MB de navios para fazer números, mais unidades das Barroso se encaixam perfeitamente nestes tempos de orçamentos apertados. Não serão as Tamandares que deixarão a MB como uma das melhores e maiores marinhas do mundo, muito menos serão suficientes para suas necessidades.

            É o mesmo erro que a FAB fez, quando selecionou o Gripen E. Um caça que não tem as mesmas capacidades de um caça médio, custando proximo disso. E nem um caça leve e barato como o Gripen C.

            O Brasil e suas necessidades precisa, além de qualidade, de quantidade. E não conseguirá tentando reinventar a roda, insistindo com projetos que precisam ser desenvolvidos, é parecido selecionar o que desenvolver, com o que gastar o pouco dinheiro disponível para isto, diante das necessidades prementes.

            Vale dizer que uma Barroso melhorada, teria muito mais apelo comercial, do que uma Tamandaré. O mercado prefere produtos operacionais, não existem tantos iluminados por ai que quer embarcar num projeto duvidoso.

            Minha opinião.

          • “Não é nem uma Corveta, muito menos uma Fragata.”

            Wellington,

            A classificação é o que menos importa, cada marinha tem a sua. Poderia ser tranquilamente chamada de fragata. O que importa é o navio cumprir o que se espera dele com custos operacionais também especificados.

            “…porque o próprio projeto, enquanto Corveta, não tem atrativo mercadológico nenhum. Além de caro, para o tamanho de uma corveta, é mais dispendioso ainda de operacionalização (muito tripulante para uma pequena corveta).”

            O valor estimado é compatível com o porte do navio e seus sistemas, até onde sei não difere muito de valores reais (não os fantasiosos divulgados a torto e a direito) de outros da categoria. Exportar, na minha opinião, não é prioridade e não vai impactar aignificativamente em custos, o prioritário é atender às especificações e reequipar a Marinha. Sobre tripulação, se faz uma confusão entre capacidade de abrigar pessoas e quantidade de tripulantes.

            “melhor ter umas oito Barroso operando de forma satisfatória, com melhoramentos pontuais como um sistema de misseis sup-ar, do que querer o melhor do melhor no mundo e no fim não tem nem uma coisa e nem outra.”

            Por que você acha que uma corveta com deslocamento, medidas do casco, motorização e linhas da superestrutura exatamente iguais à Barroso, mas que precisaria receber sensores e outros sistemas mais modernos (muitos dos originais especificados 20 anos atrás não mais existem) e lançadores verticais de mísseis antiaéreos, ainda que sejam nas laterais do hangar, ficaria mais barata que a Tamandaré? Por causa de 500t de diferença para menos no deslocamento em relação à Tamandaré? O preço final seria praticamente o mesmo, não há praticamente economia alguma em repetir o projeto de mais de 20 anos atrás da Barroso com com os “pequenos” melhoramentos que vc mencionou, comparado com partir para a Tamandaré.

            “Ah, mas querem embarcar Sea Hawks nas corveta”, estão modernizando os Super Lynxs para quê?!”

            Estão modernizando o Super Lynx para que continue a haver helicópteros capazes de operar nos convoos das fragatas e corvetas atuais, pelos anos que ainda têm de serviço, porque não são capazer fe operar helicópteros maiores. Para os futuros navios de escolta se espera capacidade de operar não só o Super Lynx, que terá uns 15 anos de vida, mas o Sea Hawk, mais novo, com mais vida útil pela frente e mais capaz em ASuW (mísseis antinavio de maior peso) e ASW (capacidade plena de usar sonar de mergulho, afetando menos o desempenho, já expliquei isso, acho que vc passou batido).

            “Não serão as Tamandares que deixarão a MB como uma das melhores e maiores marinhas do mundo, muito menos serão suficientes para suas necessidades.”

            Menos ainda uma frota de Barrosos levemente adaptadas para levar mísseis mar-ar, que custarão praticamente o mesmo, por unidade, que as Tamandarés, sem oferecer nem mais quantidade nem as vantagens de um projeto mais moderno, que visa aperfeiçoar vários pontos passíveis de melhora da Barroso manter suas qualidades, com maior potencial de ser modernizada no futuro por ter maior porte e, possivelmente, maior reserva de espaço e de estabilidade para isso.

            Até entendo querer um navio de porte maior que a Tamandaré para a força de escoltas, mas querer um navio de tamanho menor, como o caso da Barroso, para oferecer mais capacidade custando praticamente o mesmo (ou não oferecerá a capacidade desejada) não faz sentido algum na minha opinião, até pela própria lógica dos seus próprios argumentos. É praticamente uma contradição.

          • Mas o erro da MB é justamente pensar em um “HiLowMix”!
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            Essa Corveta é vista como o “Low”, que está sendo construído como alternativa “barata”, para fazer volume neste momento de desespero…
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            Se fizessem como a FAB, e buscassem adotar um projeto baseado em apenas um casco, na casa das ~4.500t variando daí as versões necessárias, teríamos um navio que não seria muito mais caro que essas corvetas, teríamos maior escala na classe, seria um meio capaz de crescimento ao longo das décadas e com maior capacidade Offshore…
            É muito mais racional do que fabricar um “Low” sonhando com um “Hi” na forma dos Escoltas de 6.000t, que nunca iram ter dinheiro para viabilizar a compra.
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            Essa visão de “HiLowMix” é um câncer, que vem corroendo a MB desde quando optaram pela burrada de construir as Inhaúma.

  4. Infelizmente, nosso complexo de colônia nos impede de ver qualquer coisa positiva em algum produto que não seja de origem europeia ou norte-americana.
    Este preconceito é tão forte que até o produto projetado é feito no Brasil é desprestigiado.

  5. O Poder Naval publicou outras matérias com o estaleiro indiano Goa. O governo indiano não encomenda nada deles. Depois que o estaleiro adquirir experiência e entregar vasos para países como o Brasil será avaliado pelo governo indiano.

    É o que está postado no blog. Hoje o Goa tem saliva e PowerPoint. Comprar conhecimento de construtores navais italianos, espanhóis, alemães, franceses, ingleses e até coreanos faz sentido.

    Que país ou para qual país o Goa entregou vasos de 2, 3 ou 4 mil toneladas?

    • “O governo indiano não encomenda nada deles.”
      .
      O Governo Indiano é só o dono do Estaleiro.
      .
      “Depois que o estaleiro adquirir experiência e entregar vasos para países como o Brasil será avaliado pelo governo indiano”
      .
      ????
      .
      “É o que está postado no blog.”
      Não. É só sua interpretação deturpada.
      .
      “Hoje o Goa tem saliva e PowerPoint.”
      Saliva e PowerPoint desde de antes do Windows existir…
      .
      “Que país ou para qual país o Goa entregou vasos de 2, 3 ou 4 mil toneladas?”
      Para a índia…

  6. acredito eu que eles virão com um preço quase irresistível, pois é interesse do governo Indiano vender para o Brasil, (assim como dos outros governos) mas com um porém, por ser uma empresa do governo Indiano, eles tem facilidade de fazer ´´aqueles´´ malabarismos todos pra baixar o preço. minha aposta hoje fica entre Índia e Ficantieri… repito hoje!!! pq sabe com é, né?!

  7. Uma coisa que eu gosto em navios de países como Rússia, China e Índia é que não tem receio de colocar armamento. Os navios são bem armados! Até deck pra lançamento de minas o navio indiano tem!!

  8. Bom, pelo interesse demonstrado, inclusive visitando e palestrando no Brasil, tudo indica que o Goa vai mesmo apresentar uma proposta para o projeto brasileiro da Tamandaré. Há mesmo uma pontinha em que parece haver interesse para futuras exportações, por se tratar de um produto diferente do que eles fazem. Vejamos o valor da proposta, e se for interessante, analisar com cuidado as suas condições para construir aqui no Brasil.
    .
    29 de maio já está quase chegando, tomara que no dia seguinte já tenhamos a notícia de quantas (e quais) proposta foram apresentadas.
    .
    Interessante a expressão: “se o passado nos uniu pelos mares”, um encerramento emocional rememorando nosso passado mútuo ligado aos feitos dos navegadores portugueses.

    • Mas fica uma dúvida, um requisito para concorrer é ter construído navio militar moderno de pelo menos 2.500 ton nos últimos dez anos. Eles cumprem esse requisito??
      .
      Uma situação que me preocupa é algum construtor estrangeiro ganhar a concorrência, ter acesso ao projeto (podendo depois usá-lo para interesse próprio) e não conseguir entregar o produto. Como serão as garantias internacionais para permitir a indenização, caso tal situação limite ocorra??

  9. A Índia tem engenheiros saindo pelo ladrão e até onde sei, são excelentes engenheiros, tanto que mandaram uma missão com êxito a Marte, coisa que os europeus ainda não conseguiram. Então qualidade eles têm. Se houver bom preço, o estaleiro indiano um sério competidor.

  10. Pangloss.
    Foi a Inhaúma, não a Barroso. Na Barroso foram corrigidos os problemas. Desde já vou pedindo ao Alexandre Galante que me corrija se eu estiver errado.

  11. A India é uma democracia, potencia regional, aspirante a global, cresce a taxas de 7% , ou seja se queremos um parceiro à + fora dos EUA e UE, os Indianos tem muito mais haver com o Brasil que com a China e a Russia, deveriam ser a primeira opção.

    Agora tomará que o estaleiro indiano tenha capacidade mesmo de entregar um bom navio no prazo e como a MB quer e o mais importante no preço.

    • Que besteira, o Brasil precisa firmar acordos que são bons para si, não ficar escolhendo quem é “democracia” (demagogia pura, os governos ocidentais são tão ou mais autoritários que os orientais). Ah de se lembrar que os maiores clientes da nossa industria bélica eram árabes, assim como também os dos EUA, que apontam como “autoritário” aquele governo que não é alinhado com suas politicas, ou será que a Arabia Saudita é democrática? Mas segundo muitos é a Turquia que é ditadura. Muito antes de agradar os governos de esquerda da Europa ou os EUA que embargam até seus aliados, o Brasil deve escolher aquele projeto adequado as suas demandas, o “alinhamento estratégico” já mostrou seus re$ultados.

  12. É verdade. Minha mente deturpada foi reler a postagem sobre o Goa. Eles tem encomendas de fragatas de 4 mil e entregas de offshore de 2,3 toneladas com o governo indiano.

    Logo, errei na pressa de classificar os indianos como construtores navais miúdos. São somente iniciantes.

    Pensei que o blog estava moderando as ofensas e os ataques. Errei nessa também.

    • Esteves,

      Não encontrei nenhuma ofensa ou ataque nesse post, apenas algumas opiniões grosseiras e afirmações erradas de um ou outro comentarista, a não ser que você considere a resposta do Bardini falando em “interpretação deturpada” como uma ofensa ou ataque. Ou que outro editor do site tenha já apagado algum outro comentário com ofensa ou ataque, não estando mais no ar, e que por isso não vi.

      Os editores fazem o que podem, mas não é nossa função principal ser “bedel” de adultos que podem ser bem capazes de se comportar adequadamente. Temos coisas bem mais importantes pra fazer (embora tenhamos que fazer isso para manter o ambiente adequado às discussões) e os comentários não são moderados em tempo real.

      Se sua bronca é com o Bardini por terem já trocado ofensas e serem advertidos ambos no passado, pedimos que evitem (e aqui estou falando também com ele ou qualquer outro que esteja com disposição pra brigas sem utilidade) que essa rusga contamine o ambiente para os demais.

      Contamos com a ajuda de todos para manter o ambiente aqui, mas por favor, sem essa de cobrar postura de bedel de escola dos editores. Mesmo porque tem vários comentários dos últimos dias com avisos e advertências, e outros tantos que foram apagados, para provar que estamos sim trabalhando para coibir ataques e ofensas no blog, como fazemos há cerca de dez anos.

      Por fim, um aviso geral (não é para você especificamente) para quem tiver disposição para entender, com o perdão da frase feita: muito ajuda quem não atrapalha.

      • Já agradeci a vocês por terem me recebido no blog. Também agradeço a paciência comigo que não sou especialista. Cada comentário por mais simplório colabora na formação e no convencimento pessoal sobre os assuntos postados que clareados serão ao término da edição.

        A internet é a morada da vaidade. Reconheço que às vezes comento sem ter pesquisado com mais apuro, mas é por pressa. Estando errado basta corrigir. Ou criticar. Ou comentar. Não há necessidade de diminuir. Ou ignorar. O blog não é delegacia de polícia.

        Penso que bronca é ferramenta de…

        O reply deve ser dirigido ao comentário. Não ao comentarista. Acho.

        Não sou estragado, louco, burro, débil ou qualquer outra coisa. Pelo menos, tento não parecer. Advertido fui para não abusar. Se não concordo ou penso diferente, digo. Não me dirijo de forma grosseira a nenhum comentarista. Nem recorto.

        O Poder Naval tem crescido bastante. Os comentários ajudam enormemente. Não é fácil encontrar opinião qualificada ou fatos fiéis em terra de fakenews. Até ex presidente foi em cana por culpa do PowerPoint.

        Vida dura.

  13. Creio que se a intenção é fortalecer a industria naval, a visão estratégica do estaleiro está corretíssima, além de se posicionar como referência para novos projetos militares, mostra grande interesse também pelo mercado civil, que é o que garante a sustentabilidade dessas empresas. O GSL, que é estatal, mostra grande competência na gestão dos projetos, que é justamente o que falta para a nossa industria e talvez até para os outros estaleiros concorrentes, entregar o que foi proposto, no preço e no prazo. Justamente por isso nem é questão de ter experiência nesse tipo de navio ou não, até porque eles são proporão um projeto próprio, mas sim uma parceria com os estaleiros nacionais para a execução do projeto da MB.

    • Sem querer polemizar sobre os fundamentos de sua tese, apenas relembro que um requisito para concorrer, constante no documento diretor do certame, é ter construído navio militar moderno de pelo menos 2.500 ton nos últimos dez anos. Estou em dúvida quanto ao Goa, os navios que ele construiu são OPVs de 2.300 tons (para a Índia e para Sri Lanka), foi o que consegui encontrar na internet, pelo menos até agora.

        • Também acho pequeno o detalhe. A preocupação é os outros concorrentes usarem para tentar “melar” o certame, apesar de no final ser dispensa de licitação. Mas, cabeça de juiz…

  14. Gostei muito do portfólio da empresa,da proposta de construir uma relação de simetria e complementariedade com a Índia, possíveis joint adventures…estou inclinado a torcer pelos indianos na competição.

    • Também gostei, inclusive do fato de estarem iniciando construção de navios para contramedidas de minagem, que tanto estamos precisando. E gostei do preço que eles cobraram pelos dois OPV do Sri Lanka, US$ 150 mi.

  15. Pegar o projeto das Tamandaré depois de toda explicação que li aqui sobre a evolução da Barroso e assinar com um estaleiro que ainda não entregou nenhum vaso com essa especificação e que está pendurado no governo indiano é estranho.

    Pode servir de comparação. Pode ser útil na formação de preço. Até pra pechinchar, serve. Vai que flutua.

    Muito estranho.

    • Caro Esteves. Cada empresa interessada em participar da licitação deveria mesmo apresentar sua proposta técnica publicamente (a proposta financeira é mais complicada). É preciso comparar as propostas das empresas interessadas. Não acho estranho uma empresa fazer uma proposta, fazer a sua apresentação e sua defesa técnica e ser ou classificada. Lembrando do FX, eram várias empresas iniciais, restaram algumas e depois de um longo processo, foi escolhida uma para negociar o contrato.

  16. Alexandre Galante, eu concordo com os comentários ! So me explica uma coisa ? Como e que uma nação se propõem a construir um navio de guerra (sabendo que o mesmo e super caro) e depois descobre que não tem dinheiro para faze-lo.

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