As lideranças dos Estados Unidos precisam lidar com o fato de que eles não podem construir e manter o número de navios que eles querem. Desde o fim da Guerra Fria em 1991, a frota americana está encolhendo e vai continuar a fazê-lo no futuro próximo. Muitos dos navios mais antigos estão chegando ao fim de suas vidas úteis (geralmente entre 30 e 50 anos) e os substitutos prováveis são muito mais caros.

Por exemplo, de 2001 a 2008, a Marinha dos EUA perdeu 34 navios (11 por cento de sua força) caindo para 282 navios de guerra. Isso ocorreu apesar de um aumento de 51 por cento no orçamento da Marinha (ajustando o valor pela inflação). Nos últimos quatro anos, mesmo com o aumento contínuo do orçamento, a força naval aumentou apenas dois navios (agora para 284). Com a redução esperada do orçamento da Marinha para os próximos anos, o tamanho da frota vai cair para 230 navios em dez anos e menos de 200 em 20.

O problema é o elevado custo dos novos navios. Novos porta-aviões (como a classe Ford) custam mais do que US$ 10 bilhões cada. Os modernos contratorpedeiros DDG-1000 custam perto de US$ 4 bilhões a unidade, e por serem tão caros, a Marinha voltou a construir os antigos DDG-51 os por “apenas” US$ 2,5 bilhões cada. A classe LCS, do porte de uma fragata, (3.000 toneladas) deveria custar US $ 200 milhões por navio, mas acabou chegando a meio bilhão de dólares cada.

Submarinos nucleares estão sofrendo problemas semelhantes. A Marinha tem vários problemas neste caso, incluindo estaleiros ineficientes que resistiram a todas as tentativas de reforma. Além disso, há problemas dentro da marinha que impedem a criação de projetos eficientes de novos navios e uma supervisão eficaz da construção. Há também uma incapacidade de se chegar a um acordo sobre quais são os projetos necessários e quantos devem ser construídos, resultando em navios para todos, mas que ninguém pode pagar.

A Marinha está recebendo apenas cerca de US$ 12 bilhões por ano para a construção de novos navios e manutenção de uma força de 240 unidades, cada um com duração prevista de 40 anos. Isto quer dizer que deveriam ser construídos pelo menos seis novos navios por ano. A Marinha prefere uma força de 320 navios, mas teria que construir oito por ano (e ter bilhões a mais a cada ano para operá-los). As perspectivas são fracas, até mesmo para obter o dinheiro para construir seis navios por ano. Possuir menos porta-aviões pode ajudar, e é exatamente o que está acontecendo simplesmente porque falta dinheiro.

Tudo isso está forçando a Marinha de confiar mais em  bombas inteligentes e em UAV, uma combinação mais barata do que aviões tripulados e ainda sim capaz de cobrir vastas áreas de oceano. Eletrônica e softwares tornam-se mais importantes porque eles são mais baratos e mais portáteis. Submarinos, especialmente os diesel-elétricos, e minas navais permanecem problemas importantes para a marinha dos EUA. Ambas as armas foram fatores importantes na última guerra naval em grande escala que a Marinha lutou (contra o Japão no Pacífico entre 1941-45) e pode ser assim de novo em um futuro conflito no Pacífico com a China.

Enquanto isso, o principal problema que as lideranças da Marinha estão enfrentando é a liderança naval.

FONTE: End Tmies (tradução e adaptação, Poder Naval)

FOTO: USN

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Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

18 Responses to “US Navy: a incrível marinha que não para de encolher” Subscribe

  1. Ozawa 17 de dezembro de 2012 at 15:40 #

    “O principal problema que as lideranças da Marinha estão enfrentando é a liderança naval.” E na minha humilde opinião, talvez isso combinado com um cenário pouco claro em relação a anos anteriores. Quem é o grande oponente naval dos EEUU e com que meios ? China ? Rússia ?

    Os EEUU, entre 41 e 91, sempre tiveram um cenário definido de oposição, no qual se baseavam na construção da frota em número e espécie de meios. E hoje, qual o cenário, potencial ou corrente ?

    Justificar a presença de grupos de batalha nucleados em NAes, como meios de dissuação, preventivos, com os custos crescentes, receitas decrescentes, guerras assimétricas e tópicas, talvez esteja deixando a USN sem rumo, e acho que é exigir demais de qualquer liderança que nos últimos 70 anos não passou por tais indefinições de cenários.

    E cá entre nós… 200 navios nos dias de hoje, desses 10 NAEs (todos no estado da arte naval) é problema ? Nem em 1000 anos o Brasil terá um problema igual…

  2. Carlos André 17 de dezembro de 2012 at 18:38 #

    Artigo por demais alarmista, a USN está passando por uma lenta readequação e realmente entrou em alguns programas desastrados, como o F35 e os Zumwalt. Agora, dentro do contexto de uma guerra regular a ameaça atual é mesmo a China

  3. daltonl 17 de dezembro de 2012 at 21:57 #

    “o tamanho da frota vai cair para 230 navios em dez anos…”

    Só se eles começarem a descomissionar muitos navios antes do tempo, caso contrário o nr será muito proximo ao atual em 10 anos.

    O nr de NAes deverá ser de 11, com o comissionamento do futuro USS Gerald Ford.

    O nr de grandes combatentes de superficie que hoje é de 84, deverá aumentar ligeiramente para 88 mesmo que os 7 CGs sejam todos de fato retirados de serviço em 2013 e 2014.

    Dentro de 10 anos todas as fragatas terão sido descomissionadas e todos ou a maioria dos MCMs também, mas pelo menos 20 LCSs estarão em serviço.

    Nenhuma redução significativa no nr de submarinos, ao menos não ainda em 2023 e praticamente o mesmo nr de navios anfibios mesmo
    considerando a baixa prematura de 2 LSDs em 2014.

    Algum subterfugio será usado, como os 10 JHSV que irão para a força de apoio e talvez mesmo os 2 navios hospitais sejam acrescentados
    à lista, mas mesmo assim o nr de navios não deverá ser inferior ao que há hoje, 2012/2013.

  4. Giordani RS 18 de dezembro de 2012 at 7:29 #

    Infelizmente a Geração que não teve de “lutar” assume as rédeas do Pentágono e seus meios. Me parece que os EUA vivem uma falta crônica de gestores capazes.
    Com a queda do Muro de Berlim qual passou a ser a principal missão da USN? Ora, manter livre as rotas de comércio dos EUA e seus aliados. Isso implica numa atuação global, enquanto que a marinha russa continua preocupada com seu quintal, assim como a marinha chinesa.

  5. andre.dadys 18 de dezembro de 2012 at 8:08 #

    Seria algo do tipo:

    Diminuir a quantidade e melhorar a qualidade???

  6. daltonl 18 de dezembro de 2012 at 8:41 #

    Por melhor que seja o navio ou a aeronave, ele/ela não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e se há uma diminuição nos numeros obriga-se a utiliza-los mais o que impacta a vida util dos mesmos .

    Poucos anos atrás a média de missões dos navios da US Navy era de 6 meses, mas agora, 7, 8 e até 9 meses estão sendo comuns e isto está tendo impacto nos meios e nas tripulações.

    Se a US Navy for de fato excessivamente diminuida, não poderá cumprir as atuais missoes que mal está podendo cumprir agora.

    Espera-se para breve que haja um relaxamento na obrigação de se manter 2 NAes na Quinta Frota e os DDGs da classe Arleigh Burke FIIA
    terão suas vidas uteis aumentadas para 40 anos o que contribuirá para que não haja um a diminuição significativa.

  7. Mauricio R. 18 de dezembro de 2012 at 9:47 #

    Do jeito que está, se o sistema de armas dos LCS, os tais dos módulos intercambiáveis, não vingar, a US Navy c/ a desativação dos MCM e de tdas as fragatas, ficará em maus lençóis.
    Hoje já não creio que submarinos diesel-elétricos sejam a principal ameaça, mto foi feito p/ restaurar a capacidade ASW da frota, tanto em treinamento como em novos sistemas e equipamentos.

  8. daltonl 18 de dezembro de 2012 at 10:31 #

    A maioria das fragatas tem estado ocupada com o narcotrafico, pesca ilegal, ajuda humanitária, visitas de cortesia, fazendo o papel de navios
    inimigos em treinamentos, todas importantes missões, mas há muito deixaram de ser “importantes” como combatentes de primeira linha, ” o ultimo prego no caixão” veio quando as duas permanentemente baseadas no Japão foram substituidas por Arleigh Burkes.

    O LCS poderá não ser tudo aquilo que gostariam que fosse, mas ainda será tão bom ou até melhor que as FFGs e MCMs que deverá substituir nas funções a ele atribuidas.

  9. Ivan 18 de dezembro de 2012 at 15:17 #

    Admiral Dalton,

    Será que não sobra para a MB aqueles 2 (dois) LSDs?
    Até mesmo os MCMs seriam interessantes.

    Abç,
    Ivan.

  10. MO 18 de dezembro de 2012 at 15:22 #

    Acho que na atual conjuntura o MCM seria mais interessante que o LSD …

  11. daltonl 18 de dezembro de 2012 at 22:12 #

    Ivan and MO !

    Os MCMs terão 30 anos quando forem descomissionados entre 2017 e
    2024 e deverão estar bem “surrados” até lá, na verdade, foram alvo de muitas criticas em anos recentes pelo péssimo estado em que muitos se encontravam, mas parece que receberam alguma consideração e 8
    deles estão no Golfo Pérsico.

    Quanto aos LSDs que a US Navy escolheu para retirar, mas que ainda depende do Congresso, terão 24 e 29 anos “apenas”, porém o mais velho, USS Whidbey Island recentemente completou uma missão de 11 meses e o outro USS Tortuga está baseado no Japão e tem estado bem ocupado, então, dependeria da condição material de ambos e claro,
    o desejo de vende-los, pois por enquanto irão para a Reserva.

    abs

  12. MO 19 de dezembro de 2012 at 7:16 #

    Oi Dalton

    Sim, sei que foram bem usados, mas é o tal negocio, imagina em 17 qtos tempo os Aratus estarão … por mim logo que chega-se algo transformava os Aratus em NPa´s (se assim o seu estado/condição o permitisse)

    No caso do NDD, claro que adoraria ver um destes ao vivo, mas sei la a ideia de ter um destes pra ficar de bibelot é o que nao me agrada …. (Vide performance/carreira do CE/RJ)

    Não seria (em tese) navio demais para pouco uso ?

  13. Mauricio R. 19 de dezembro de 2012 at 9:41 #

    Lembrando que apesar dos LCS, a US Navy ainda planeja uma nova classe de FFG’s.
    Além de uma nova classe de CG’s.

  14. daltonl 19 de dezembro de 2012 at 11:17 #

    MO…

    concordo que os CE/RJ poderiam ter passado mais tempo no mar, mas acho que é sintomático de toda nossa marinha, só que na minha opinião estes navios mesmo assim provaram seu valor, sua flexibilidade, lembro que um deles esteve até em um afluente do Amazonas, mas o mais importante é que mantiveram a doutrina e em breve o CE também dará baixa e os demais anfibios não são muito mais novos pelo menos dois deles não.

    Mas, por enquanto os 2 LSDs da US Navy, se de fato forem retirados de serviço em 2014, irão para a reserva…o ideal é que…SE fossem postos a venda, depois de devidamente inspecionados por nossos oficiais, fossem adquiridos no ato do descomissionamento como aconteceu justamente com os CE/RJ, nada de deixa-los inativos por muito tempo denegrindo o condicionamento.

    abraços

  15. giltiger 19 de dezembro de 2012 at 21:35 #

    Enquanto isso na China a marinha local não para de lançar um novo navio atrás do outro a cada 1,5 meses….

    Em direção 180 graus oposta…

  16. daltonl 19 de dezembro de 2012 at 22:30 #

    As necessidades da China são muito diferentes. Por exemplo e a grosso
    modo, eles querem e precisam de +/- 50 corvetas o que dá umas 100.000 toneladas. Os EUA querem um NAe nuclear, que encontra-se em construção e este desloca tanto quanto as 50 corvetas e por um preço ainda mais salgado não incluindo uma ala aérea.

    Os navios da US Navy são em geral maiores , mais caros e obviamente levam mais tempo para serem construidos…vide o futuro LHA de 45.000
    toneladas, os 2 LPDs de quase 25.000 e mais um autorizado, os 3 Zumwalts de quase 15.000 toneladas, os novos Arleighs Burkes de 9.000, um em inicio de construção e outros 3 já autorizados, os SSNs da classe Virginia, 6 em construção/autorizados, etc…

  17. Ivan 20 de dezembro de 2012 at 0:07 #

    MO e Dalton,

    A propulsão dos LSD classe Whidbey Island é diesel.
    São 4 (quatro) motores diesel Colt perfazendo um total de 33.000 shp ou 25 MW. O que permite uma velocidade de 20 (vinte) nós (37 km/h) com economia de combustível em relação aos anteriores.

    Até prefiro os classe Harpers Ferry, com menor doca alagável e mais espaço para carga, mas aproveitamos o que se apresenta.

    Certamente não são os barcos ideais para a MB.
    Não tem hagar, como o Ceará e o Rio de Janeiro também não tem, mas como estes mais antigos pode receber helicópteros pesados na popa.

    Para quem usa LST inglês da década de 80, tá de bom tamanho.

    Abç,
    Ivan.

  18. MO 20 de dezembro de 2012 at 9:48 #

    Olha Ivan, particularmente penso que seria navio demais para pouco uso, confesso que adoraria ver ao vivo um destes, mas sei la para o que usamos (leia-se a relação marinha x politica exterior x mentalidade do governo/pais) se é que me entende …

    Por mais que nos matemos ha muito tempo assuntos ligados a defesa, projeção de poder, equipamentos militares é besteira e nao rende nada, salvo o “rebote” das compras, logo particularmente cada vez menos me interesso pelo assunto, até pq so deste forum, seus antecessores e este, ja são 15 anos e nos na mesma …. sem contar os outros anos de acompanhamento Como diziam aqui e no correlato “Ja deu Rafale”, “Fremm na cabeça” e bla bla bla … tamos na mesma …. sabe to começand a torcer pra sapiencia navalis, eles que tão certos !

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