Imagens aéreas

Por Fernanda Pires

 

vinheta-clipping-navalO caos verificado na semana passada nos acessos à Baixada Santista não deve ser atribuído apenas ao polêmico, e talvez inoportuno, decreto da prefeitura de Cubatão (SP) de limitar o horário de funcionamento dos pátios reguladores de caminhões destinados ao porto de Santos. Uma atitude, diga-se, na contramão do recém-lançado programa federal Porto 24 Horas, visando dar maior agilidade nos embarques e desembarques no porto santista.

A medida teve o efeito de agravar problemas há muito tempo existentes nos caminhos que deságuam na maioria dos portos públicos dos país com escala de movimentação. E que ganharam tintas dramáticas na Baixada Santista devido ao fato de o porto de Santos ser responsável por escoar 25,8% da balança comercial brasileira, segundo números de 2012.

Parece não haver dúvida de que ampliar a oferta de infraestrutura na beira do cais é essencial para dar competitividade ao negócio portuário. Mas, sozinha, a recente Medida Provisória (MP) dos Portos terá pouco impacto na redução do chamado custo Brasil. Não existe a bala de prata que resolverá o que se convencionou chamar de “o problema dos portos” – um lugar comum que, muitas vezes, deixa de identificar falhas que estão fora do condomínio aquaviário.

“O desafio não é tanto o porto, mas chegar na área do porto”, disse em recente entrevista Peter Gyde, principal executivo no Brasil da Maersk Line, o maior armador de navios de contêineres do mundo e que, no Brasil, concentra 40% de sua operação em Santos.

Os principais problemas são a falta de áreas para armazenagem de cargas nas zonas de produção, a ineficiência de acessos terrestres e, sobretudo, a subutilização do transporte hidroviário, que ajudaria a pulverizar a chegada da carga. Junto com as deficiências nos portos, são esses fatores que ajudam a onerar, na ponta, o custo do produto brasileiro.

Nos bastidores, especialistas avaliam que tais deficiências podem, inclusive, ser potencializadas pela maior oferta de terminais que o governo pretende com a MP dos Portos caso o país não resolva, na mesma velocidade em que pretende criar novos terminais, os problemas históricos que percorrem a logística da carga.

Hoje, por falta de capacidade na ferrovia, o transporte de grãos rumo a Santos é uma verdadeira anomalia logística. Muitas vezes o dono da carga se vê obrigado a levar a mercadoria do Estado do Mato Grosso até Santos de caminhão, preterindo os trilhos, a escolha mais racional e econômica.

Para citar um exemplo, em 2006, um ano antes do lançamento do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), a ferrovia transportou 23% das cargas escoadas pelo cais santista. No ano passado a participação foi menor: 21,03%. Por meio do PNLT, Brasília promete equilibrar a matriz de transporte nacional, aumentando para 32% a participação dos trilhos no transporte de cargas até 2025.

Outro exemplo é a infraestrutura de entrada no porto de santista – a mesma há décadas. Enquanto isso, a movimentação de cargas em Santos cresceu a uma média de 11,5% por ano, muito acima do PIB, nos últimos 15 anos, sempre superando seu próprio recorde, para ficar num recorte de tempo recente.

O governo acena com soluções. No mesmo dia em que a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), suspendeu o desastroso decreto, o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, anunciou um plano tripartite de acessibilidade ao porto.

O pacote envolverá viadutos, alças de acesso, pistas e ponte para aumentar as opções de entrada no porto. Dias antes, a Secretaria de Portos (SEP) já havia divulgado a realização de um estudo para usar o potencial hidroviário da Baixada Santista. Segundo a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), os rios da região podem receber até 12 terminais fluviais em áreas com acessos rodoferroviários. Mais uma vez, são soluções a longo prazo para resolver conflitos que são muito antigos.

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

Tags: , ,

Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

3 Comentários para “Caos no porto de Santos retrata antigos problemas”

  1. marc 4 de junho de 2013 at 20:14 #

    Parece que estamos a beira de uma anarquia geral neste pais,

    Não temos: segurança, transporte, saude, educação.

    Temos: assaltos a granel por todos os cantos, impunidade, politicos corruptos por todos os lados (passeando de helicopteros ou carros blindados).

    E tem gente que chega em casa, liga a televisao para ver Walking Dead…

  2. Bob Joe Roberto 5 de junho de 2013 at 6:41 #

    Enquanto houver gente que ganhe com o chamado ”Custo Brasil” isso nunca vai mudar.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Marinha aprova novo calado para Santos | Poder Naval - Marinha de Guerra, Tecnologia Militar Naval e Marinha Mercante - 5 de junho de 2013

    […] Caos no porto de Santos retrata antigos problemas […]

Deixe um comentário

É necessário estar logado para postar um comentário. Para ter acesso aos comentários, você precisa adquirir nossa revista Forças de Defesa e solicitar aos editores um login e senha de cortesia.

Marinha argentina planeja ter navio de assalto anfíbio de 15.000 toneladas

Type 071 YUZHAO Jinggang Shan井冈 999 Kunlun Shan昆仑山 998 Amphibious Transport Dock LPD amphibious warfare ships of the People's Republic of China's People's Liberation Army Navy chinese (2)

  O Estado-Maior da Armada argentina tem prontas, para serem apresentadas em 2016 ao governo que sucederá o de Cristina […]

Novidades na Marinha Portuguesa

Submarino U-209PN classe Arpão

  Por Pedro Monteiro O responsável da pasta de Defesa português já discutiu com o seu homônimo francês a aquisição […]

Força de superfície da Marinha Indiana começará, este ano, a receber mísseis Barak-8

kolkata-04

  O destróier porta-mísseis INS Kolkata, navio de 7.500 toneladas construído pela indústria naval indiana com tecnologia stealth (furtiva), sob […]

Fotos e informações da primeira missão de caças navais Rafale M contra o EI

Rafale M pronto para lançar em missão de 25fev2015 contra o EI - foto 2 MD França

  Dois dos caças navais franceses realizaram ataque a campo de treinamento do Estado Islâmico, no Iraque, na manhã de […]

Compre seu livro ‘Monitor Parnaíba – 75 anos’

Livro Monitor Parnaíba - 75 anos -  Capas - WEB

A editora Aeronaval Comunicação, que produz a revista Forças de Defesa, está lançando a primeira edição do livro “Monitor Parnaíba […]