domingo, junho 26, 2022

Saab Naval

Primeiro de dois LHD da Marinha da Austrália, ‘Canberra’, inicia provas de mar

Destaques

Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

NUSHIP Canberra inicia provas de mar - foto Marinha Australiana

Na segunda-feira, 3 de março, o NUSHIP Canberra, primeiro de dois LHD destinados à Força de Defesa da Austrália, suspendeu utilizando seus próprios meios para dar início às suas provas de mar e programa de testes. A informação foi divulgada pela Marinha Australiana nesta terça-feira. A sigla NUSHIP indica, na Marinha Australiana, navios que ainda não foram comissionados, enquanto LHD é a sigla comumente usada para classificar navios de desembarque anfíbio dotados de doca e convoo do tipo convés corrido (sem interrupções de proa a popa) para operação de helicópteros.

O navio deixou o estaleiro da BAE Systems de Williamstown (Austrália) para iniciar as provas de diversos de seus sistemas em diferentes condições, o que implica realizar os testes em diversas localidades. Assim, os equipamentos podem ser provados em diferentes profundidades de mar e velocidades também variadas. O objetivo é comprovar como o Canberra manobra e se move em diversas codições, qual o seu tempo até uma parada total a partir de várias velocidades, qual o seu consumo de combustível em cada velocidade e configuração, entre outros exemplos. Também serão testadas as operações de sistemas básicos, como os de alarme.

Para as provas, embarcaram tanto as equipes de projetos da BAE Systems e da Organização de Material de Defesa quanto um significativo número de tripulantes alocados para o navio, para os quais esta é uma importante oportunidade de familiarização com os sistemas e equipamentos a bordo.

Espera-se que esta primeira fase de provas dure 12 dias, culminando com a entrada do navio na Baía de Sydney pela primeira vez. Em Sydney, também haverá uma docagem na Base Leste da Frota (onde os dois LHD ficarão baseados após o comissionamento), para limpeza do casco antes do retorno a Williamstown, para em seguida partir para a fase final de provas, focada em sistemas de comunicação e de combate. No dique, ficará evidente o tamanho e porte do navio, que também pode ser apreciado no quadro comparativo abaixo, disponibilizado pela Marinha Australiana:

Comparativo LHD classe canberra com outros navios austalianos - imagem Marinha Australiana

Características gerais da classe “Canberra”:

  • comprimento: 230,8 m
  • boca moldada: 32 m
  • boca na linha d’água: 29,5 m
  • Altura do convoo: 27,5 m
  • Calado com carga plena: 7,08 m
  • Deslocamento com carga plena: 27.500 toneladas
  • Propulsão: uma turbogerador movido por turbina a gás (LM 2500) de  19.160 kW
  • Dois geradores diesel (MAN 16V32/40) de 7.448 kW cada
  • Dois unidades de propulsão azimutais (do tipo POD) de 11 MW cada, com hélices de 4,5 metros de diâmetro
  • Dois bow thrusters de1.500kW cada
  • Um gerador diesel de emergência (Progener-Mitsubishi S16MPTA) de 1.350kW
  •  Armamento de quatro canhões automáticos de 20mm, seis metralhadoras de 12,7mm, além de sistema rebocado de defesa antitorpedo Nixie e reserva de espaço para o Nulka, sistema ativo de despistamento de mísseis

Juntos, os navios deverão ter capacidade de desembarcar uma força de 2.000 integrantes por helicóptero e embarcações de desembarque, juntamente com suas armas, munições, veículos e suprimentos. São os maiores navios já construídos para a Marinha Australiana, e seus comissionamentos estão programados para 2014 (HMAS Canberra) e 2015 (HMAS Adelaide).

A velocidade máxima planejada é superior a 20 nós, e a velocidade máxima sustentada deverá ser de 19 nós em condições de plena carga, com alcance de 6.000 milhas náuticas. Em velocidade econômica de cruzeiro de 15 nós, espera-se um alcance de 9.000 milhas náuticas.

A doca na popa tem 69,3 metros de comprimento e 16,8 metros de largura, com área de 1.165 metros quadrados, permitindo uma operação normal de quatro embarcações de desembarque do tipo LCM 1E. Há uma rampa fixa que dá acesso à doca para veículos pesados estacionados na área de carga para esse tipo de veículo, de 1.410 metros quadrados, e duas rampas laterais adicionais estão localizadas a boreste para acesso ao cais de veículos de até 65 toneladas. Há também uma área de estacionamento para veículos leves, por meio de uma rampa fixa a bombordo.

Classe Canberra em corte - imagem Marinha Australiana

Acima desses conveses, fica a área de acomodação capaz de abrigar 1.400 pessoas, 400 da tripulação e 1.000 da tropa. Nesse convés também estão os refeitórios, enfermaria, cozinha, escritórios e compartimentos de recreação. O navio abrigará, de forma conjunta, pessoal da Marinha, da Força Aérea e do Exército.

O convoo de 202,3 m de comprimento e 32m de largura (4.750 metros quadrados) é configurado com seis pontos para helicópteros a bombordo para aeronaves médias como o NRH 90 ou Blackhawk, que permitem operações de decolagem e pouso simultâneas. Alternativamente, podem decolar e pousar quatro helicópteros pesados CH-47 Chinook.

Dois elevadores de aeronaves, um a boreste à frente da ilha e outro à ré do convoo, dão acesso ao hangar (que também pode ser usado para veículos leves) de 990 metros quadrados, capaz de acomodar 8 helicópteros médios. O espaço dedicado a veículos leves pode receber helicópteros médios, o que eleva a capacidade para 18 aeronaves. Helicópteros pesados como o CH 47 somente podem utilizar o elevador localizado à popa.

FONTE / FOTO / ILUSTRAÇÕES: Marinha Australiana (tradução e edição do Poder Naval a partir de originais em inglês)

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Marcos

E aquela rampa, serve para quê? Lançar helicópteros? 🙂
Tá com cara que futuramente poderão ter F-35B embarcados.

Marcos

Dai eu pergunto, o que está errado com nosso país?
Enquanto os outros fazem, o nosso continua com o tal Livro em Branco!

rafael oliveira

Li em algum lugar que a Austrália não pretende usar aviões embarcados e que a rampa só não foi tirada porque teria que ser gasto dinheiro para reprojetar essa parte do navio.

Então deixaram o projeto como o Juan Carlos I mesmo.

Para mim, é mais interessante deixar a rampa, pois eles podem mudar de opinião no futuro.

Marcos

A Austrália está fazendo o básico: submarinos eletro-diesel com células de hidrogênio, Super Hornet, dois “porta-helicópteros”, futuramente F-35A e, quem sabe, até F-35B.

Brasil: doze anos para decidir alguma coisas, exigências de ToT irrestrita e que não levarão a nada, submarino nuclear, foguete para lugar nenhum.

daltonl

Li a mesma coisa também…a rampa é parte do casco e não uma rampa acrescentada de ultima hora como nos
Invincibles da Royal Navy e além do mais a Marinha Espanhola já opera com aeronaves como o AV-8B assim
o Juan Carlos I os embarcará rotineiramente.

Aparentemente não fará falta para os australianos a perda
de espaço no convoo pela rampa então deixaram o projeto como estava.

Marcos

O Mundo inteiro está fazendo o básico. Dai a Grande Potência Mundial de Araque quer ser o EUA.

Pessoal

Brasil
FAB: 80 mil
Marinha: 80 mil
Exército: 220 mil

Austrália
Força Aérea: 18 mil
Marinha: 14 mil
Exército: 30 mil

Marcos

Voltando ao LHD…

Bem armado e com capacidade de manobra impressionante.

MO
MO

Porta Bunecão de 333 m / 139.000 grt suspendendo noturnicamente =
http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/03/mv-msc-preziosa-3foa6-fotos-noturnas.html

16 photos

M/V MSC Preziosa outbounding evening time

daltonl

Marcos… acho que “inflacionou” o tamanho da Marinha, que é de 60 mil incluindo 15 mil fuzileiros e uma maior necessidade de forças distritais. Também os australianos fazem parte de um importante grupo de aliados dos EUA como Japão e Coréia do Sul assim nada mais natural que mantenham-se adequadamente armados apesar de ainda longe do que seria ideal e com população bem menor do que os paises que citei. Quanto a se os “Camberras” são bem armados, aí depende da situação, pois são mais dependentes de escolta do que um LHD da US Navy que são armados com misseis… Read more »

juarezmartinez

daltonl 5 de março de 2014 at 14:58 # Marcos… acho que “inflacionou” o tamanho da Marinha, que é de 60 mil incluindo 15 mil fuzileiros e uma maior necessidade de forças distritais. Também os australianos fazem parte de um importante grupo de aliados dos EUA como Japão e Coréia do Sul assim nada mais natural que mantenham-se adequadamente armados apesar de ainda longe do que seria ideal e com população bem menor do que os paises que citei. Quanto a se os “Camberras” são bem armados, aí depende da situação, pois são mais dependentes de escolta do que um… Read more »

rafael oliveira

Costumeiramente se iniciam discussões sobre nossas Forças Armadas serem inchadas.

Creio que seria interessante abrir um tópico específico sobre isso, em cada blog sobre a respectiva Força, para que a discussão se dê de forma adequada, enfoncando os principais números envolvidos, como quantidade total, oficiais, praças, distribuição conforme as funções, etc.

Só não sei se a obtenção desses números é fácil rsrs.

AlexJ

Para quem ainda não viu… Em 1080p é melhor.

http://www.youtube.com/watch?v=ABBYFwzdy30

sds

MO

Enquanto isso por aqui um vídeo do nosso NDCC sir Garcia D´ávila (G 29), demandando o armazém 29/30 logo após o meio dia do dia 22/02/2014

http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/03/ndcc-garcia-davila-g-29-pwdv-video.html

Vídeo aberto a visitação pública no dia 23/02/2013 =
http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/03/ndcc-garcia-d-avila-g-29-pwdv-video-em.html

daltonl

Juarez…

não acho que a Australia seja um bom exemplo para nós, pois 14000 é considerado abaixo do necessário, eles por exemplo nem conseguem pessoal suficiente para tripular todos os 6 submarinos que possuem.

Interessante que os EUA pretendem aumentar o número de fuzileiros navais baseados lá para 2500 até 2016.

Com uma população 10 x menor que a nossa, metade da qual concentrada em 3 cidades, eles tem necessidades muito diferentes das nossas principalmente no que rege a forças distritais o que exige maior número de navios e instalações.

abs

rafael oliveira

A RAN tem as funções de “guarda costeira”, tal como a nossa. Só que lá eles contam com o auxílio de voluntários que formam “guardas-costeiras não-governamentais”, o que é muito interessante e ajuda a RAN no cumprimento dessa missão. Além disso, apesar do imenso litoral australiano, como o daltonl já disse, a população é muito concentrada, o que dispensa a existência de “vários distritos navais” espalhados pela costa do país. De qualquer forma, entre forças armadas menores e bem equipadas e maiores e mal-equipadas, eu prefiro a primeira opção, pois em caso de emergência, parece-me mais fácil completar os quadros… Read more »

juarezmartinez

Daltonl! Mesmo assim de 14 para 45 é uma diferença e tanto, penso que se revessemos estes númerosandaríamos, ou melhor navegaríamos pela metade do caminho. no raciocinio do menor, melhor, mais quailificado, melhor treinado, mas…..

Grande abraço

PS A propósito, por favor me expliquem porque as “Tamanduas” terão previsão para até 300 tripulantes e no resto do mundo corvetas dete porte opera com 40% deste pessoal.

Marcos

OK!
Não estou dizendo que deveríamos ter FFAA armadas do tamanho da australiana, que concordo, é pequena se comparado as nossas. Mas vejam que o Japão, com muito mais meios, tem uma força também menor que a nossa.

Japão:

Forças Terrestres: 148 mil
Força Naval: 45 mil
Força Aérea: 45 mil

Marcos

E estou olhando a coisa como um todo, não simplesmente a Marinha.

Almeida

Pessoal, o problema não é o número absoluto em si, mas a PROPORÇÃO.

Quantos oficiais generais nós temos para cada combatente? É praticamente uma aldeia de caciques!

E quantos meios adequados e operacionais nós temos per capita?

Nestes dois quesitos nós levamos UM BANHO da Austrália e do Japão, quiçá de todos os países desenvolvidos. Necessidades distintas, sim, mas a eficiência se mede da mesma maneira.

Almeida

O questionamento do juarezmartinez é pertinente: pra quê um Estado Maior INTEIRO numa CORVETA?

Eu respondo: pra massagear ego de almirante.

daltonl

Marcos… o Japão conta com uma Guarda Costeira de 12000, mas independente disso, essa comparação de números pode levar a conclusões falsas. Não tenho os números, mas, as forças distritais e mesmo as de pesquisa, as bases inclusive fluviais, saúde, etc devem absorver uma boa parte dos 45000. Nosso Corpo de Fuzileiros, devido ao seu tamanho é corretamente comandado por um Almirante de Esquadra. Não apenas temos mais navios na Esquadra do que a Australia, mas os nossos exigem tripulações maiores, uma fragata Anzac, a espinha dorsal da Marinha tem um complemento de160, pouco mais do que a Barroso por… Read more »

daltonl

Juarez…

o que lembro é que as futuras corvetas terão uma tripulação inferior a 200 tripulantes. Estou sem muito tempo agora mas farei uma pesquisa sobre os 300 que vc citou que para mim é novidade !

abraços

rafael oliveira

Segundo a Alide, seriam 185 tripulantes.

Muito, mas bem menos que 300.

Joker

As tamanduas (CV03) sao para cerca de 200 tripulantes, incluidoss estadomaior, mec e fuzileiros. Acho tbm superdimensionando, ms entra dentro da cultura e da gestao da MB. Sinto a falta de ver um estudo sobre o ciclo de vida dos meios como as Niteroi ou Inhaumas e seus reflexos na construcao e aquisicao de novos meios. Podia comecar com os Npas Grajaus, ia ser uma revolucao na Marinha…

Imagine isso aplicado aos recursos humanos que representam 1/3 ou mais do orcamento

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