HMNB_Clyde

Em comunicado oficial, o governo da Escócia declarou que toda a frota de submarinos do Reino Unido deverá se retirar da base naval de Clyde, no leste do país, caso a população escocesa vote pela independência em plebiscito a ser realizado em setembro deste ano.

Esse seria um golpe fatal nos planos do Ministério da Defesa de tornar a base naval, conhecida também como Faslane, como alocação oficial dos 14 submarinos nucleares nas próximas décadas. Os quatro navios da classe Trident, três da classe Trafalgar e sete da nova classe Astute teriam que encontrar outra base no litoral da Inglaterra. O comunicado das autoridades escocesas foi bem recebido por ativistas contra energia nuclear, que classificam os submarinos de “usinas de Chernobyl flutuantes” desde o acidente devastador na Ucrânia em 1986.

Em 2011, o governo da Escócia recebeu bem a decisão de basear os Astute em Faslane por conta da geração de empregos. Porém, a decisão foi publicamente repudiada por ativistas, levando à mudança no discurso. Agora, as autoridades dizem não haver finalidade para submarinos nucleares em uma Escócia independente. “Não vemos interesse para a Escócia na alocação de frotas de Astute ou Trafalgar em Faslane para além do período de transição necessário”, declarou um porta-voz do governo.

Ministros do país esperam que a transição pós-independência não leve mais de dez anos. “O governo escocês é fortemente favorável a uma abordagem convencional para a defesa do país, com Faslane sendo a maior base naval não-nuclear”, completou o porta-voz. Caso a base naval de Clyde se torne inviável, a principal alternativa para os submarinos é a base naval de Devonport, em Playmouth, no sul da Inglaterra. Os navios da classe Trafalgar se encontram lá, aguardando a mudança para Clyde, prevista para 2017.

O MoD britânico aponta que Faslane vem sendo o maior ponto de geração de empregos na Escócia, mobilizando 6700 postos de trabalho civis e militares. Segundo porta-voz do ministério, esse número pode subir para 8200 até o ano de 2022, à medida em que os submarinos sejam alocados. “Não estamos traçando planos de contingência, pois acreditamos que o povo escocês votará a favor de se manter parte da família do Reino Unido”, argumentou. “Inviabilizar Faslane como base operacional para submarinos de ataque comprometeria gravemente a defesa do Reino Unido, incluindo a Escócia”, completa. No entanto, o governo escocês declarou que espera manter os postos de trabalho na região por conta das obras de conversão das instalações para uma base convencional.

FONTE: Herald Scotland via Naval Open Source Intelligence (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

13 Responses to “Submarinos perderão base caso Escócia declare independência” Subscribe

  1. CVN76 11 de março de 2014 at 16:56 #

    Duvido muito que os escoceses votem pela independência…..

  2. aldoghisolfi 11 de março de 2014 at 19:13 #

    Esta é pagar para ver.

    O interesse nacional da Escócia é, seguramente, fazer parte da Grã-Bretanha sem, no entanto, perder suas características culturais.

    O problema, quem sabe, é na representatividade da soberania nacional que é relativa que, assim como a da Inglaterra, é exercida pela “Grã-Bretanha”.

    Será isso?

  3. daltonl 11 de março de 2014 at 20:08 #

    Aldo…

    o mais correto é Reino Unido não Grã-Bretanha, já que nesta não está incluida a Irlanda do Norte. O restante da Irlanda é um país independente.

    A Inglaterra sendo o maior e o mais populoso dos paises que compoem o Reino Unido, mais de 80 por cento da população é onde encontra-se a Capital do Reino Unido e
    igualmente da Inglaterra, Londres.

  4. Guilherme Poggio 12 de março de 2014 at 0:16 #

    Caro CVN76

    Eu também acho difícil. A Escócia possui uma série de benesses sendo parte do Reino Unido.

    Acredito que com a independência formal eles teriam mais a perder do que a ganhar.

    Isso parece mais um golpe de certa ala política.

  5. aldoghisolfi 12 de março de 2014 at 9:38 #

    daltonl, bom dia!

    Gracias pela correção; foi relaxamento da minha parte.

    De acordo; o termo “Grã-Bretanha” muitas vezes é usado como sinônimo de “Reino Unido” – o que não é correto, pois como dissestes, um dos países que formam o Reino Unido não fica nessa ilha (Irlanda do Norte).

  6. Brandenburg 12 de março de 2014 at 16:33 #

    William Wallace deve estar ansioso em sua sepultura aguardando o resultado.Quanto à independência creio que deve ser uma coisa saudável para qualquer país, por mais liberdade que se tenha, senão tantos não teriam morrido por ela em vários lugares. A Republica da Irlanda sabe bem disso.A propósito, sou bisneto de um escocês que veio para o Brasil porque cansou-se de ouvir que o Reino Unido era constituido pela Inglaterra e ” aquelas outras nações”. .Com toda a liberdade que tinham.Sds

  7. Fabio ASC 12 de março de 2014 at 20:14 #

    No casa da independência ser aprovada, a Escócia passaria a ter o mesmo status do Canadá e da Austrália?

  8. Fabio ASC 12 de março de 2014 at 20:33 #

    “Caso” seja…

  9. Soldat 13 de março de 2014 at 17:43 #

    Eu estou com os Escoceses…. liberdade e independençia já…….fora Ingleses…..

  10. joseboscojr 13 de março de 2014 at 18:56 #

    Soldat,
    Os ingleses não ocupam a Escócia.

  11. joseboscojr 13 de março de 2014 at 19:02 #

    Por acaso a capital do Reino Unido fica na Inglaterra, mas o status político da Escócia é idêntico ao da Inglaterra.
    Os ingleses também poderiam ter tido a iniciativa de fazerem um plebiscito no sentido de abandonarem o Reino Unido.

  12. cristiano.gr 21 de março de 2014 at 15:37 #

    No caso da independência escocesa, os argentinos, que estão mal das pernas, já pensam em se candidatar para a vaga, não é na ilha, mas seria algo como foi a Austrália. kkkk

    Mas na boa, qual a vantagem em separar de uma potência, deixar de ser protagonista e passar a ser espectador?

    Wallace lutou pela independência em outra época, o mundo era diferente, não existia (não conheciam) as Américas e nem a Oceânia e Antártica. OS escoceses achavam que podiam, talvez, um dia, superar a Inglaterra.

    O fato é que dentro de um território nacional grande, e a Grã-Bretanha nem o é, existem diferentes culturas e etnias e geralmente há conflitos entre as mesmas, natural, pois mesmo em nossa rua não gostamos de todos os vizinhos. Aqui no Brasil mesmo existem as diferenças e desavenças locais, como a dos gaúchos e dos paulistas, que já gerou combates até com aviões e blindados.

    Ainda no Brasil, também há a questão da independência do Rio Grande do Sul, a qual a maioria de nós gaúchos somos a favor, não por tradição ou cultura, mas repetidamente pela pesada carga tributária e descasos do governo nacional, tal como na época do Império. O RS é um dos 6 estados que dá lucro ao país, o resto vai nas costas, geram menos receitas do que absorvem. O RS com um novo sistema de leis, nova CF, e novo código penal teria mais êxito e atingiria em pouco tempo status de país mais rico da região. Um fator que aumenta a diferenciação do RS em relação ao Brasil é a fronteira. A fronteira do RS com o resto do Brasil é menor que com o Uruguai.

  13. cristiano.gr 21 de março de 2014 at 15:39 #

    Mesmo assim, mudando as leis, código penal, redução da impunidade, e diminuição da carga tributária poderia e retorno proporcional as receitas geradas, talvez possa ser melhor continuar como membro da Federação.

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