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Ícaro Luiz Gomes
 

Há muito se fala que o caminho próspero de uma nação se faz com a educação (formal e/ou informal), no entanto, as peculiaridades de dados países ou regiões fazem com que tal ditado seja mais um sonho distante do que uma verdade. O Brasil apresenta algumas dessas peculiaridades que fazem que o sonho de uma educação de qualidade, acessível e gratuita chegue a um reduzido número de cidadãos, mesmo que apenas com um ou dois desses adjetivos. Para melhorar a educação brasileira várias políticas, planos, projetos e programas foram/são lançados, entre essas iniciativas se encontra o Programa Caminhos da Escola.

Na manhã do dia 14 de dezembro o Poder Naval, representado por seu colaborador Ícaro Luiz “Joker” Gomes, fora recebido na Base Naval de Natal(BNN) por seu comandante o CMG Flávio Macedo Brasil. O CMG Brasil realizou um “briefing” sobre as origem das Lanchas Escolares e a responsabilidade da BNN no projeto, com destaque as contribuições do Projeto para a mudança de “mentalidade” da BNN. Posteriormente realizou-se visita as instalações do Departamento Industrial da BNN guiada pelo CF Claudio Lozano Barbosa, onde foram capturadas imagens do processo de produção das LE e colhidas outras informações. Por fim, o CMG/R1 Sakamoto participou da demonstração de uma das LE que se encontram prontas onde se realizou fotos e vídeo da mesma, o mesmo complementou o apurado e corrigiu algumas impressões.

A Base Naval de Natal teve sua construção iniciada em 7 de julho de 1941, apesar de que desde 1922 o decreto nº 15672/22 já considerava sua construção como ponto de apoio estratégico a defesa marítima. Sob o comando do Almirante Ary Parreiras a BNN prestou apoio, manutenção e reabasteceu a escoltas “aliadas” dos comboios realizados no Atlântico Sul e, em conjunto a “Rampa”, aos hidroaviões utilizados nas missões de Patrulha ASW. Depois da SGM continuou a manutenir, reabastecer e apoiar os meios estacionados ou transito na área. Na atualidade atua sob as diretrizes da sistemática “Organização Militar Prestadora de Serviços” – OMPS, instrumento imaginado pela Alta Administração Naval para aplicação com maior eficiência dos recursos de pessoal e material. A BNN se encontra capacitada a executar atividades técnicas e industriais relacionadas à construção, reparo e manutenção de embarcações de pequeno e médio portes, bem como serviços de reparo em plataformas e estruturas pesadas, para emprego naval, ferroviário e outros, segundo padrão de qualidade, requisitos e especificações internacionais.

O programa Caminho da Escola iniciou se em 2007, se baseia em diretrizes do PDE e financiamento do FNDE, visando prover meios “adequados” ao transporte escolar de zonas rurais evitando a evasão escolar contribuindo com o processo de aprendizagem do alunado. A matriz de transporte brasileira está centrada no ramo rodoviário que atende com um custo-benefício razoável as distancias entre o principal centro industrializado e consumidor brasileiro, mas que se torna oneroso (e perigoso) quando se leva em consideração as outras regiões produtoras/consumidoras quer seja pela distância, pelo fluxo de investimento na malha (construção e manutenção) ou pelo tempo.

A região amazônica pelas características geográficas – entre outros motivos – apresenta uma vocação a matriz hidroviária/aquaviária. Nessa região quase toda a logística se baseia no fluxo de bens, serviços e pessoas pela calha dos rios da região, incluindo o número aproximado de 180 mil estudantes do ensino público. Muitos deles vivem nas regiões ribeirinhas e vão para a escola em barcos a remo, feitos artesanalmente, sem nenhum tipo de segurança, sujeitos ao abalroamento por outras embarcações de maior porte. Muitas vezes, tendo que resistir a chuvas, ventos adversos, chegando cansados à escola. Ou ainda por “barqueiros” pagos pelos municípios ou estado, sem a menor segurança e conforto em percursos longos e demorados. Pelas características artesanais, o eixo da embarcação se encontra amostra e pela cultura de se manter longos cabelos, em especial, na população feminina centenas de casos de escalpelamento de crianças e mulheres ameaçam os direitos e autoestima das mesmas.

Para atender a demanda especifica desse alunado (população ribeirinha) um projeto foi desenvolvido para adquirir/desenvolver uma embarcação que permitisse o transporte ágil e seguro desse alunado. Os estudos decorrentes para desenvolver/adquirir uma embarcação que atendesse as necessidades peculiares do programa, pesquisa das características de embarcações que operam na região e uma análise criteriosa do mercado concluíram que a opção com uma das melhores relações de custo-benefício seria uma embarcação híbrida originária de dois projetos da “Marinha do Brasil”. Os projetos que serviram de bases para a Lancha de Transporte Escolar foram as Lancha de Ação Rápida e a Lancha de Apoio Médico.

Em 28 de outubro de 2009 foi assinado termo de cooperação entre o FNDE e DEN(MB), em seguida foi firmado contrato entre DEN e a Emgepron para a produção de 600 lanchas escolares. A produção das Lanchas Escolares ficou responsável entre as Bases Navais do Norte/Nordeste em diferentes proporções; BNVC 300 lanchas, BNN 200 lanchas e BNA 100 lanchas.

 

A Lancha de Transporte Escolar apresenta as seguintes características:

Características da Lancha Escolar

Comprimento

7,30m/24 pés

Boca

2,1m

Pontal

1m

Calado

0,2m

Lotação

20 pessoas

Capacidade de Carga

1.300Kg

Peso do Casco

580Kg

Motor de Propulsão

90HP

Motor de Emergência

6,5CV

O casco da embarcação apresenta forma inicial de “V” e ao longo da embarcação passa a forma de “U”, esse arranjo permite ao meio a capacidade de semi-planeio tornando mais eficiente o deslocamento no ambiente de águas rasas e abrigadas para qual o meio foi projetado. Outra característica dessa solução é a navegação em laminas d’águas reduzidas permitindo a navegação da embarcação nos diversos igarapés da região com segurança nos diferentes regimes de vazante do cursos d’água.  Os rios da região apresentam uma grande quantidade de obstáculos submersos ou semi-submersos, tais como bancos de areia e troncos, esses elementos podem ocasionar danos a embarcação, em particular, ao casco. A operação em laminas com pouco volume e a existência de muitos obstáculos levaram a duas soluções/opções simples, mas significativas pela envergadura do projeto, pintura parcial no casco da embarcação e a utilização de garrafas PET para prover empuxo/flutuação a embarcação.

A primeira solução é muito comum, no entanto, chamo atenção a mesma pelo pensamento de senso comum de que toda a embarcação é pintada, oras porque pintar uma região que não estará visível, estará sujeita a ação da água e irá estar em constante atrito/desgaste? A segunda solução não é nenhuma novidade, mas chama atenção a escala, normalmente se utiliza “isopor” para essa função, mas atendendo o conceito de baixo-custo do projeto e a ações pró-ambientais o “isopor” foi substituído pelas garrafas PET. Cada embarcação no interior do casco leva cerca 1000 (mil) garrafas PET, só na BNN serão utilizadas mais de 200 mil garrafas PET, além do compromisso pró-ambiental a utilização de garrafas PET apresenta uma ligeira vantagem em relação ao “isopor”, enquanto o isopor passado algum tempo em ambiente úmido(dentro d’água) apresenta por sua porosidade uma espécie de “infiltração” diminuindo a flutuabilidade ao passo que uma garrafa PET bem vedada e sem furos não apresenta esse mesma “sintoma”.

A propulsão fica a cargo de um motor de polpa F90 BET da Yamaha, o mesmo é movido a gasolina, 4 tempos, injeção eletrônica e 4 cilindros. Além do fornecimento da propulsão, a referida empresa que ganhou a licitação também é responsável pela capacitação dos condutores, 1ª revisão e da rede de assistência técnica/manutenção . O motor apresenta ainda isolamento térmico-acústico com selos de baixa emissão de poluentes e consumo considerado satisfatório/econômico. As lanchas são entregues com os mesmos já instalados, testados e pronto ao uso.  A propulsão de emergência, problemas de toda ordem podem ocorrer, fica  a cargo de um pequeno motor (6,5 HP) – quando em uso instalado a bombordo do F90 – que visa levar a embarcação a um sitio de segurança enquanto espera por auxilio. O tripulante possui a disposição para uma navegação segura 2 displays digitais multifuncionais para informações do motor (pressão, temperatura, etc..) e tacógrafo, rádio VHF marinizado, luzes de navegação, buzina, defensas verticais e equipamentos de salvatagem (coletes salva-vidas e boias).

A segurança, simplicidade e funcionalidade são conceitos que estão presentes na maioria das soluções desse projeto. Formas mais eficientes de produção e melhorias do projeto foram implementadas, um exemplo está nos bancos/assentos. Inicialmente os mesmo apresentavam o mesmo padrão dos ônibus-escolares, no entanto, uma analise dos recursos disponíveis a manutenção das LE concluiu que a reposição dos bancos/assentos e o período no qual a LE se encontrasse indisponível  seria mais prejudicial que uma alternativa mais “ortodoxa” como a adotada bancos/assentos em madeira. Pelo o público-alvo ter um enfoque na população em idade escolar, normalmente, crianças, adolescentes e adultos-jovens a fechadura/trava da porta de acesso a embarcação deveria ser acessível e de simples manuseio, optou-se por um ferrolho simples.

O para-brisa da LE é feito em acrílico essa opção,o  acrílico pelo vidro, decorre mais uma vez do foco na segurança dos passageiros, os ferimentos ocasionados pelos estilhaços de vidro provenientes de um incidente/acidente desencorajaram o uso desse material.Para o proteção contra as intempéries, como chuvas, sol ou ventos, as embarcações possuem anteparos laterais em lona na cor do casco.O piso de toda embarcação apresenta características anti-derrapantes seja pelas características de alto-relevo ou pela pintura. Em prol da ergonomia do condutor/tripulante o piso da LE é pintado, porque pintar o piso e não todo o casco?O piso foi pintado em tom de cinza para evitar que o condutor seja ofuscado pelo reflexo do sol já que em condições “originais” o piso apresenta a aparência/tonalidade metal-quase-branco.

APOIAR NOSSO ORGULHO!NOSSA BASE,NOSSA ALMA!

Como foi introduzido, a BNN possui um histórico voltado a manutenir e apoiar meios navais, ainda que, durante o processo de manutenção fosse necessário produzir peças inteiras não houvera a produção em escala e “completa” de um meio naval nas instalações , com o pessoal e sob a responsabilidade da mesma. Posterior ao briefing do CMG Brasil, o CF Lozano acompanhou o Poder Naval a uma visita guiada a fábrica nº2.

A produção das LE na BNN foi dividida entre uma firma terceirizada e o Departamento Industrial da BNN, diferentemente das outras bases, onde a produção foi totalmente terceirizada. Das 200 unidades a serem produzidas pela BNN 150 unidades foram terceirizadas e as 50 unidades restantes foram produzidas pelo Departamento Industrial. Dessa forma, foram montadas duas fábricas/linhas de produção das LE na BNN. A fábrica número 1 e a fábrica número 2, terceirizada e departamento industrial, respectivamente, possuíam as mesmas facilidades e espaço físico similares, diferindo quanto a pessoa juridica, pessoal e na produção. Apesar da produção ter sido terceirizada em sua maior parte, isso não significava que não houvesse pessoal da Engenharia Naval da MB responsaveis pela fiscalização e qualidade da produção, em todos os locais de produção e testes de unidades a MB esteve presente. O processo de produção na BNN fora iniciado em meados 2010 e se estima que esteja concluído entre abril/maio de 2012.

Para a construção das LE na BNN estão sendo utilizados 180 toneladas de alumínio naval. O processo de produção, didaticamente, constitui-se basicamente no processo de soldagem MIG das chapas de alumínio naval em uma forma-modelo do casco da embarcação, depois as soldas são inspecionadas visualmente e com liquido penetrante. Ao se concluir o casco básico, o seu interior é preenchido pelas garrafas PET que irão produzir/auxiliar o vetor empuxo garantindo a flutuabilidade da embarcação. É afixado o piso e inicia-se a etapa de casaria, a mesma é produzida seguindo o conceito do casco de soldar as chapas num molde. Terminada a construção, propriamente dita, a embarcação é levada para a câmera de pintura. De lá, inicia-se o processo final onde são instalados os bancos, extintores e suportes, antenas, luzes de navegação, buzina, fechaduras, rádio, farol, motor de polpa, equipamentos de salvatagem, anteparas de lona e outros equipamentos necessários e já descritos. Concluída a produção todas as LE são testadas e posteriormente armazenas para envio. O envio das LE ocorre por carretas que levam as mesmas aos municípios as quais foram destinadas.

A produção das LE não é uma simples montagem de um kit Revell de prateleira, o processo de solda MIG necessita que treinamento, equipamento e cuidados específicos. O processo de solda MIG consiste na fusão em arco elétrico de um filamento metálico sob a proteção de um gás inerte – como o Hélio ou o Argônio - que flui do bocal da tocha, esse processo permite uma solda de qualidade com diminuição dos agentes contaminantes da mesma. O gás inerte tem a função principal de proteger a poça de fusão e o arco elétrico de agentes externos. Na soldagem MIG torna-se vantajosa aos métodos anteriormente empregados pois há uma alta taxa de deposição do metal de solda, não há necessidade de remoção de escoria, a soldagem pode ser feita em todas as posições e em aberturas largas, baixo custo de produção e chega a consumir apenas metade do tempo em comparação a outros métodos. As desvantagens ou cuidados ficam por conta do alto custo de aquisição do equipamento, a necessidade de anteparas que evitem correntes de ar, produção de respingos e manutenção mais complexa que o de processos mais usuais.

Quando da realização da reportagem, a fábrica nº1  já encerrara suas atividades, sendo a a fábrica nº2 a única em funcionamento. Umas das principais diferenças entre a fábricas era a produtividade, enquanto a produção da fábrica nº1 era de 10 unidades/mês a produção da fábrica nº2 é de 3 unidades/mês. A maior produtividade da fábrica nº1 é atribuída, especialmente, a 2 fatores. Os pessoal da fábrica nº1 dedicava-se exclusivamente a produção das LE, enquanto o pessoal da fábrica nº2 compartilhava a produção das LE com a manutenção e apoio aos meios da MB. O pessoal da fábrica nº1 alguns, dos quais, já possuíam experiencia na solda MIG, enquanto o da fábrica nº2 teve que se capacitar e aperfeiçoou as habilidades na solda MIG. A capacitação de produzir embarcações foi o principal ganho da BNN.

A aquisição da capacidade de solda MIG já gerou resultados positivos tanto no âmbito da MB quanto ao Exército. Recentemente a BNN executou manutenção e reparos no NVe Cisne Branco, onde o processo de solda MIG foi essencial. A incorporação dos Avisos de Patrulha Classe Marlim (AviPa Barracuda e Anequim) e futura de Navios Patrulha Classe Macaé(P-75 Macau) ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Nordeste (ComGptPatNavNe), os quais são produzidos em alumínio naval (P-75 a  super-estrutura). Já o EB estão sendo realizadas revitalizações e manutenção em algumas de suas lanchas, as quais são feitas em alumínio, não foram realizadas imagens por não haver pessoal do EB que as autorizasse. A produção das LE não beneficiaram a BNN apenas na capacitação em um novo processo de solda, o parque industrial também foi modernizado com a compra de novos equipamentos e modernização de alguns outros equipamentos, alguns dos novos equipamentos adquiridos ultrapassam a bagatela de 500 mil reais (equipamento azulado na ultima imagem da serie seguinte).

Os benefícios da produção atingiram também a economia do Rio Grande do Norte, o pessoal capacidade para trabalhar na fábrica nº1 reingressaram no mercado de trabalho a posteriori com uma capacitação diferenciada, o fluxo de investimentos para produção da LE atraíram investimentos do exterior dando fôlego a renascente industria de pesca do estado e uma das lanchas produzidas foi destinada a uma cidade potiguar, Galinhos-RN.

 As LE já entregues aos municípios destinados superam as 100 embarcações. A seguir um mapa demarcando os municípios já beneficiados.

 Posterior a visita a fábrica nº2, o Poder Naval acompanhou testes de uma das lanchas escolares acompanho pelo CMG/r1 Sakamoto. A demonstração ocorreu no Rio Potengi, o qual, como a maioria dos rios do litoral nordestino, se encontra degradado,assoreado e poluído pela falta planejamento no crescimento urbano,cara-de-pau de alguns empresários e descaso da administração pública (fora os péssimos hábitos da população). O Rio Potengi na região na qual se realizou o teste, cais da BNN, é caracterizada por ser apresentar como um braço de mar que adentra o continente pela calha do referido rio.

 Como não possuo nenhum curso na área de Engenharia Naval e as minhas experiencias embarcadas, ainda, limitam-se a passageiro (como diria o MO, a buneco) de Jangadas, Ferry-boats e do Laurindo Pitta, tenho que expressar as impressões como passageiro(buneco). Pela minha natural falta de equilíbrio e pela falta de prática, ir a bordo foi completamente desengonçado, mas nada que parecesse tal mal a ponto de envergonhar o PN. Durante os testes ficaram evidentes a mim a manobrabilidade, potência do motor de polpa (mesmo que apenas com 5 passageiros adultos) e a característica de semi-planeio nas corridas de maior velocidade. A estabilidade, apesar de se encontrar em águas abrigadas, me foi demonstrada pela quase inexistência de respingos na lente da câmera, mesmo quando algumas marolas atingiram a LE na lateral pelo deslocamento do NPa Goiana e pela ação da brisa natalense. Para uma embarcação civil, que irá realizar o transporte de alunos em rios e alguns lagos/barragens/represas o projeto me passou confiabilidade e segurança, além aparentemente cumprir a missão para a qual foi concebida com relativo conforto e rapidez.

A produção das Lanchas-Escolares na e pela BNN(e seu pessoal) é um marco importantíssimo, pois trata-se da quebra de um paradigma organizacional que traz consigo uma ampla gama de oportunidades para BNN contribuindo para que a Marinha exerça de modo eficaz a soberania nas Águas Jurisdicionais Brasileiras. Contribuir para a educação da população brasileira é motivo de orgulho a todos os participantes do projeto.

Agradecimentos ao Comando do 3º Distrito Naval, Vice-Almirante Airton Teixeira Pinho Filho; ao Comandante da Base Naval de Natal, Capitão-de-Mar-e-Guerra Flávio Macedo Brasil; ao Chefe do Departamento Industrial, Capitão-de-Fragata Claudio Lozano Barbosa; ao CMG/R1 Sakamoto; e ao Assessor de Imprensa do 3ºDN, Capitão-de-Fragata Cleber Ribeiro da Silva.

Ótima reportagem da TV Tribuna sobre a visita do NAe São Paulo em Santos-SP. É interessante notar como o porta-aviões é um instrumento excelente para relações públicas e dá ótima visibilidade para a Marinha.
Destaque para o sistema tático nacional SICONTA IV e a fala do comandante do navio, capitão de mar e guerra José Renato de Oliveira.

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As empresas Navantia (da Espanha) e a Lockheed Martin (dos EUA) fizeram no dia 8 de novembro uma apresentação da sua proposta ao Programa Prosuper da Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro-RJ.

O Prosuper (Programa de Obtenção de Meios de Superfície) engloba os seguintes itens:

  • 5 Navios Escolta
  • 5 Navios de Patrulha Oceânica
  • 1 Navio de Apoio Logístico
  • Desenvolver no país plena capacidade industrial em tecnologia naval

A Navantia oferece à Marinha do Brasil a fragata Aegis F-100, baseada nos navios da Armada Espanhola, com modficações que atendam às especificações brasileiras. A Navantia também construiu 5 navios baseados nesta classe para a Noruega e está desenvolvendo três para a Austrália.

Estão sendo oferecidos também os navios-patrulha oceânicos com base no Avante 1400 – BVL, construído para a Marinha da Venezuela (4 unidades).

Ainda dentro do pacote os espanhóis ofertaram o Navio de Apoio Logístico, baseado no BAC Cantabria, construído para a Armada Espanhola.
Na proposta espanhola, 10 navios serão construídos no Brasil, por estaleiros locais, ainda a serem definidos. A primeira fragata seria construída na Espanha, para fins de transferência de tecnologia inicial, com uma importante participação de estaleiros brasileiros (Grupo Residente) desde o início.

A transferência de tecnologia proposta consistirá no fornecimento de documentos pertinentes, know-how e suporte, assistência técnica aos estaleiros para realizar com sucesso a construção, testes e ensaios dos navios.

Segundo a Navantia, em poucos anos os Estaleiros locais terão adquirido tecnologia de ponta na construção naval militar, proporcionando novas oportunidades de mercado doméstico e internacional.

Com a transferência de tecnologia, a Navantia diz que a Marinha do Brasil será capaz de manter os navios, fazer modificações e implementar upgrades, que exigirão a plena participação da indústria local.

No parte dos sistemas dos navios, destacou sua experiência no desenvolvimento de “expertise in-house” com a colaboração da Lockheed Martin americana. A LM em conjunto com a Navantia está conduzindo um processo para adequar e melhorar a capacidade existente da indústria brasileira para o PROSUPER.

A Navantia o desenvolvimento do Evolved SICONTA para integrar os novos armamentos, sensores, navegação e comunicações.

Foi dado destaque ao máximo abastecimento local, que visa a aquisição de materiais no Brasil, equipamentos e serviços para o Programa.

As tarefas, equipamentos e serviços a serem fornecidos pela indústria brasileira devem ser competitivos tanto em preço e qualidade, bem como deverão cumprir as especificações de projeto.

Dentro de cada área de comprar, a Navantia está criando um banco de dados de empresas brasileiras para o Prosuper,  realizando uma pesquisa para identificar quais empresas estão adequadas para participar do Programa.

É intenção da Navantia colocar a indústria local numa posição privilegiada frente aos concorrentes internacionais e promover uma relação de longo prazo, que irá além do Prosuper e abrirá uma ampla gama de oportunidades para fornecimento de equipamentos e materiais para negócios futuros com a Armada Espanhola e outras Marinhas.

Uma das metas a serem alcançadas com a incorporação de equipamentos brasileiros tanto quanto possível é a de garantir o máximo apoio para a manutenção dos navios para a MB durante seu ciclo de vida de 30 anos.

A Navantia espera assim que Brasil alcance a auto-suficiência e a capacidade de desenvolver seus próprios programas.

Foi apresentada uma lista gigantesca de itens que podem ser produzidos pela indústria local, para os três tipos de navios do Prosuper.

A estimativa aproximada de materiais nacionais para o Programa Prosuper (11 navios) é a seguinte:

  • Aço: 12.500 toneladas
  • Tubulação: 60.200 unidades
  • Isolamento: 56.000 m quadrados
  • Cabos elétricos: 1.238.000 m
  • Equipamentos: 1.850 unidades

A Lockheed Martin, por sua vez, destacou o gigantismo da companhia e do sistema Aegis, empregado em mais de 100 navios de guerra de 6 países. Foi destacada a capacidade de detecção e de engajamento do Aegis, que cobre desde a defesa contra mísseis balísticos, defesa de área até a defesa de ponto.

Foi salientada a maturidade do sistema, que vem sendo aperfeiçoado constantemente há 40 anos e que pode empregar mísseis Standard SM-2, SM-3, SM-6, ESSM, TLAM e VLA.

A LM apresentou as oportunidades de produção local de componentes do Aegis, que poderão incluir os consoles do Aegis, componentes da antena e do sistema VLS Mk41. A LM também disse que pode licenciar o projeto do console Next Generation Workstation para o Brasil.

A Lockheed Martin destacou o sucesso do trabalho efetuado na modernização dos submarinos classe “Tupi”, que estão recebendo um novo sistema de combate produzido pela companhia.

Durante a apresentação, a LM reproduziu num slide o post do site Poder Naval que noticiou o lançamento bem sucedido de torpedo Mk48 empregando seu sistema de combate AN/BYG 501 MOD 1D.

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Ícaro Luiz “Joker” Gomes

Na manhã de quinta-feira (13/10) parte do Grupo-Tarefa (GT) chegou ao Porto de Natal com as Fragatas Niterói (F-40) e Greenhalgh (F-46) e a Corveta Barroso (V-34). Após a chegada, foram iniciados os procedimentos para a visitação pública dos dias seguintes e o descanso das tripulações.

O Poder Naval se fez presente ao primeiro dia da visitação pública (14/09). Na edição 2011 da “Tropicalex” os meios utilizados são as escoltas Niterói, Liberal, Greenhalgh, Bosísio, Barroso e União; o navio-tanque Gastão Motta; submarino Tikuna; e navios-patrulha do Comando do 2º e 3° Distritos Navais, além de aeronaves UH-12/13 “Esquilo” e AH-11A “Super Lynx” da ForAerNav; a FAB também participou com P-95 e caças A-1.

Durante a primeira fase do exercício, do Rio de Janeiro ao Nordeste, uma série de exercícios foram realizados pelos navios, todos em proveito das atividades básicas do Poder Naval. Os exercícios realizados foram de Guerra Anti-Submarino (ASW) com o submarino Tikuna, Tiro contra GIL, Designação Além do Horizonte (OTHT Over-the-Horizon Targeting), Esclarecimento Marítimo, Transferência de Óleo no Mar (TOM), Transferência de Carga Leve, Controle de Avarias, Ameaça Assimétrica, Defesa Contra Ameaça Aérea e etc.

Os treinamentos de ASW foram difíceis, por vezes o Tikuna não foi detectado e realizou seus ataques contra a Unidade de Maior Valor – nesse exercício o Navio-Tanque Gastão Motta -, mas o submarino não venceu todas as vezes. Utilizando-se dos Super Lynx, uma extensão do sistema de armas dos navios, o GT atacou contatos sonar.

Helicópteros “Esquilo” simularam alvos aéreos ameaçando o GT algumas vezes fazendo papel de mísseis de perfil “sea-skimmer” e em outras aeronaves de ataque. Os helicópteros orgânicos dos navios realizaram também missões de transferência de carga leve, esclarecimento, designação de alvos além do horizonte e VIPs. Os meios do 2º e 3º Distritos Navais atuaram como Força Inimiga, com o NPa Grajaú realizando um ataque simulado com mísseis Exocet no período noturno.

A Fragata União realizou os últimos preparativos para a missão no Líbano, seu nível de preparo foi motivo de orgulho e comentários de todos os militares. O GVI/GP composto por Grumecs e FNs da União também impressionou muito gerando o seguinte comentário: “Quando eles vem para ação, não vem para brincadeira!”

O Super Lynx da União irá equipado com o “Cabeça de ET” (FLIR), equipamento que foi muito bem comentado pelo DAE do HA-1 e que nas missões de guerra assimétricas e de esclarecimento realizadas.

Foi apurado ainda que os mísseis Exocet levados pela União para missão do Líbano eram da Barroso, mas a mesma não irá ficar desfalcada, o complemento já está reservado no Rio de Janeiro.

Ao longo dos dias da “Tropicalex”, vários treinamentos são realizados com o máximo de empenho das tripulações, sendo a pausa realizada entre os dias 13 e 17 de outubro, com duração prevista até o dia 26 do mesmo mês.

O povo natalense visitou os navios com muitas crianças e seus pais/responsáveis, mesmo numa sexta-feira. Os tripulantes foram muito atenciosos com o público presente, explicando as peculiaridades de cada navio, expondo vídeos e equipamentos de proteção/uso individual e coletivo. Na mesma tarde, o CMG Mello concedeu entrevista à imprensa local sobre o exercício e sobre a Amazônia Azul.

Agradecimentos especiais à Comunicação Social 3º DN, na pessoa do CF Cleber Ribeiro, aos CT Trípoli e Carvalhais pela atenção dispensada.

(Clique nas imagens da galeria para ampliar).

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A equipe do Poder Naval formada pelos editores Alexandre Galante, Guilherme Wiltgen e Luiz Padilha embarcou por 3 dias a bordo do Navio-Aeródromo São Paulo, nau-capitânia da Esquadra brasileira. Na foto acima, os três vestidos com EPI (Equipamento de Proteção Individual) sem o qual não é permitido o acesso ao convoo do navio-aeródromo.

Pudemos conhecer um pouco mais deste grande navio e de sua tripulação, que começa uma nova fase de operações.

No embarque, que ocorreu do dia 5 a 7 de setembro, fizemos mais de 3.000 fotos e 3h de vídeo das operações aéreas com helicópteros da Força Aeronaval e voamos nos helicóperos Esquilo do HU-1 e no Super Lynx do HA-1 para a realização de fotos aéreas do navio.

Traremos nos próximos dias imagens e informações do embarque e informações sobre o maior navio de guerra do hemisfério sul e os planos para o futuro.

Na edição número 3 da revista Forças de Defesa traremos reportagem completa, com muitas surpresas. Aguardem.

Na foto abaixo, Guilherme Wiltgen, capitão de corveta Parracho (RP do A12) e Alexandre Galante no NAe São Paulo.

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Pousou hoje em território brasileiro, a primeira aeronave de patrulha marítima P-3BR Orion da Força Aérea Brasileira. O avião pousou na Base Aérea de Salvador às 15h. Acompanhe o noticiário no site do Poder Aéreo, clicando aqui.

Texto e fotos de Franz Neeracher

Aproveitando que estava em Hamburgo, decidi ir visitar o museu com um submarino russo da classe “Tango”. Para variar chovia sem parar e só em andar da estação de metrô mais próxima até o submarino foi suficiente para ficar completamente encharcado.

Pensei até em deixar prá lá; mas para não deixar um certo leitor do Blog triste, fui assim mesmo.

O museu fica a beira do rio Elbe onde saem os barcos que levam turistas para conhecer o gigantesco porto. A entrada custa 9 Euros, mas pagando 13 Euros vai junto um guia; resolví pagar os 13 Euros.
O guia era um russo veterano no serviço em submarinos; ele havia servido em submarinos da classe “Foxtrot”; valeu pagar pela entrada mais cara!

Só foram construídos aproximadamente uns 20 exemplares desta classe.
Interessante que pintaram “U-434″ na vela; o porquê ninguém soube me responder, o indicativo dele na antiga URSS era B-515.
Este exemplar serviu de 1976 até 2002; ou seja não se pode dizer que era tão velho assim.

Já tive a oportunidade de visitar vários submarinos antes; desde americanos e alemães da II Guerra Mundial até um “Los Angeles”, passando por “Oberons” entre outros; mas juro que nunca ví um tão apertado apesar desse “Tango” ter 90 metros de comprimento.

Tenho 185cm de altura; e não achei um lugar sequer que eu pudesse ficar em pé sem bater a cabeça em algum lugar.

E certos detalhes totalmente sem lógica; por exemplo, a central de comando é separada da sala de comunicações por uma parede assim como a sala do sonar; a comunicação entre esses departamentos e a central era feita através de tubos metálicos instalados nas paredes; ou seja, quem tinha algo a dizer berrava dentro dos tubos e o sujeito do outro lado colava as orelhas nos tubos.

Claro que também havia o telefone interno; mas de acordo com o guia, ele não era lá muito confiável; além do barulho interno ser altíssimo.

A altura média dos tripulantes era de 172cm; também pudera, na sala de máquinas houve-se o tempo todo uma fita reproduzindo o barulho das máquinas. Um barulho infernal; e ainda tinha uns infelizes que dormiam alí mesmo, a temperatura atingia facilmente 40°c.

De acordo com o guia; o melhor para dormir e trabalhar era na proa; realmente existe um pouco mais de espaço, pouco barulho e menos quente.

Fica a dica para quem for a Hamburg; mais informações do museu:
http://www.u-434.de/

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Um dia em Kiel

Em Kiel é realizada todos os anos a “Kieler Woche” (em alemão); é um evento em que a base naval, a segunda maior da Alemanha depois de Wilhelmshafen, é aberta para o público em geral.

Além de navios do país anfitrião, muitos países amigos também enviam pelo menos um representante.

Na cidade existem várias atividades como shows de música, competições de regata e além é claro, de muitos comes e bebes!!

Este ano o “Poder Naval” esteve presente pela segunda vez; a primeira vez foi em 2006.

Infelizmente, o tempo de visita foi muito curto; somente das 13h30 às 16h00 era possível entrar num navio; além disso, o número de entusiastas era muito grande, o que resultava em filas para visitar alguns navios; mas o pior de tudo mesmo era a chuva forte!

Pelo lado positivo, conta a organização típica alemã: em todos os piers havia sanitários, stands de informações das forças armadas dos países visitantes e muitas barracas para matar a fome e a sede.
O número de navios abertos e a variedade era muito interessante; o que deixou a dúvida cruel de qual navio visitar. Como o tempo era curto, tivemos que me concentrar nos “exóticos” ou “raros”.

O maior inimigo foi mesmo a chuva: chovia forte a cada 15 minutos. Nesse tempo, corríamos para uma das barracas, e como ficava feio usar a barraca mas não consumir, pedíamos uma pequena cerveja, o menor caneco era o de meio litro! Assim que a chuva passava, visitávamos um navio por uns 45 minutos e voltávamos para uma barraca. E assim foi a tarde toda… no último navio já estávamos meio bêbados.

Para o texto não ficar muito longo: quem quiser informações detalhadas de algum navio, é só procurar na internet. Aqui mesmo vai só o básico.

Em homenagem ao amigo Wagner, fã nr. 1 dos russos, visitamos por primeiro o navio de desembarque “Minsk”, da classe “Ropucha”, construída na Polônia.
O próximo seria a fragata alemã “Schleswig-Holstein”, mas havia uma longa fila e chovia forte. Seguimos em frente e fomos visitar o navio dinamarquês “Absalom”, uma mistura de navio de desembarque com controle de área.

Como já eram quase 16 horas, tivemos que decidir pelo último e havia a possibilidade de visitar o USS Philippine Sea CG 58 ou o USS Mount Whitney LCC 20. Como já havíamos visitado o último em 1991 em Portsmouth, Inglaterra, decidimos pelo cruzador!

De acordo com um oficial, essa era a primeira vaz que um navio americano estaria aberto ao público geral durante uma visita ao exterior, desde setembro de 2001! Sinal dos tempos de um mundo sem Osama Bin Laden. :-)

Além disso estavam presentes a fragata holandesa “De Ruyter” F 804, o também navio tanque holandês ”Zuiderkruis” A 832, o submarino polonês “Kondor”, a fragata francesa “Le Herminier”, entre vários outros menores.

Reportagem e fotos de Coral Sea, Junho de 2011

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Poder Naval trabalhando

Nossos editores Guilherme Wiltgen e Guilherme Poggio estão na Base Aérea Naval de São Pedro de Aldeia (BAeNSPA) realizando a cobertura dos 50 anos do Esquadrão HU-1. Nas fotos deste post, os dois aparecem nas aeronaves enquanto faziam as imagens em voo de formatura.

O Esquadrão HU-1 foi a primeira unidade aérea operativa da Marinha do Brasil. Foi criado em 1961 e, desde a sua ativação, vem participando de quase todas as operações aeronavais.

Está equipado com helicópteros Esquilo mono-turbina (UH-12) e Esquilo bi-turbina (UH-13) para emprego em missões de ligação e observação; esclarecimento; lançamento de pára-quedistas e de mergulhadores de combate; transporte de tropa; serviços hidrográficos; guarda de aeronaves em navio-aeródromo; busca e salvamento; apoio humanitário; apoio às atividades na Antártica e muitas outras, razão pelo qual seu lema é “IN OMNIA PARATUS” – PREPARADO PARA TUDO; o título do Esquadrão é: “O FAZ TUDO”.

A França está na vanguarda da ação militar recente na Líbia e seu navio capitânia, o navio-aeródromo Charles de Gaulle, está posicionado próximo à costa daquele país. O correspondente Jonathan Beale da BBC esteve a bordo e realizou reportagem exclusiva. Clique na imagem acima para assistir.

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Visita ao USS ‘Nitze’ durante a UNITAS 52

Estivemos no dia 28 de abril a bordo do destróier americano USS Nitze da classe “Arleigh Burke” Flight IIA, que encontrava-se atracado na Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ), na Ilha de Mocanguê. O navio participa da Operação UNITAS 52.

Além do Nitze (DDG94), os americanos trouxeram duas fragatas da classe “Oliver Hazard Perry” (OHP), USS Boone e USS Thach, e o navio da Guarda Costeira dos EUA, USGC Escanaba.

A Fase 1 da UNITAS foi realizada entre Salvador e o Rio de Janeiro, com destaque para os exercícios de VBSS (Visit, board, search, and seizure) e ataques aéreos simulados feitos por jatos AF-1 da Marinha do Brasil.

A Fase 2 será realizada até Rio Grande – RS. Nessa segunda estapa, serão realizados exercícios de tiro com mísseis antiaéreos disparados de navios brasileiros e outros de maior complexidade, como “fair plays”, guerra antissubmarino e de superfície.

A UNITAS faz parte do exercício colaborativo Southern Seas da U.S. Navy,conhecida também como Parceria das Américas, na área de responsabilidade do Comando Sul (USSOUTHCOM), que compreende sete exercícios realizados com Marinhas da América Latina, incluindo as UNITAS do Atlântico e do Pacífico, a Passex com o Chile e a PANAMAX.

Em entrevista aos jornalistas durante a visita, o comandante da Força-Tarefa americana Marc Weeks informou que cinco oficiais da Marinha do Brasil estão a bordo do USS Nitze como observadores e oficiais americanos estão a bordo das fragatas Niterói e Bosísio.

Perguntado sobre a presença do navio Escanaba da Guarda Costeira dos EUA na Operação UNITAS, o comandante Weeks respondeu que a USCG quis participar e a U.S. Navy faz questão que a Guarda Costeira aprimore seus conhecimentos em operações de segurança marítima.

Impressões sobre o navio

Na nossa visita ao USS Nitze conhecemos a praça d’armas, refeitório (rancho), Centro de Controle de Máquinas, Centro de Informações de Combate Aegis, passadiço e um dos hangares.

O navio é realmente grande, a sensação quando se percorre os corredores e escadas é a de estar a bordo de um cruzador.

Um detalhe interessante é o sistema de cidadelas do navio, que mantém o ar interior sob pressão, para que o navio possa navegar em áreas contaminadas por radiação ou guerra química e biológica. Ao entrar ou sair do navio, passa-se por um compartimento intermediário, e dá para sentir a diferença de pressão nos ouvidos.

O acabamento interno é espartano, com a conhecida rusticidade dos navios de guerra americanos. São navios feitos para o combate, sem ornamentos e beleza desnecessárias  que possam servir de combustível para fogo.

O Centro de Controle de Máquinas tem consoles verticais, nos quais se faz o controle das turbinas da propulsão e das que geram a energia elétrica do navio. O controle de avarias e a produção de água potável também é feita num console nesse compartimento.

No Centro de Informações de Combate (CIC), o cérebro do navio – compartimento do sistema Aegis – , não foi permitido fazer fotografias. Nas telas grandes do Aegis estavam sendo exibidas imagens externas da Base Naval, pelo sistema de câmeras contra ataques assimétricos, que foi implementado depois do ataque ao USS Cole.

Depois do CIC, fomos ao passadiço, para fazer fotos da proa do navio e dos navios atracados na BNRJ.

Do passadiço, seguimos até o hangar de boreste e o convoo, onde estava “espotado” um helicóptero SH-60B Sea Hawk. O hangar de bombordo encontrava-se fechado com outro Sea Hawk guardado.

Foi dito que o SH-60B exposto era um dos mais antigos da USN, do Esquadrão HSL-60. A aeronave está equipada com FLIR e com MAD, além das sonobóias e sonar de mergulho.

Por ter sido uma visita rápida, não houve tempo para fazermos fotos do alto do hangar. De qualquer maneira, valeu a pena ter estado a bordo do USS Nitze e conhecer de perto um dos mais formidáveis navios de guerra da atualidade.

AGRADECIMENTOS: ao Guilherme Monsanto e Laura Gelbert, da assessoria de imprensa do Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro e à Marinha do Brasil.

BATE-PAPO ONLINE: converse com os editores e outros leitores sobre a visita ao USS Nitze e a UNITAS 52, no ‘Xat’ do Poder Naval, clicando aqui.

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