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Scott_terra nova

vinheta-clipping-navalHá 100 anos, a lendária expedição britânica ao polo sul Terra Nova, liderada pelo capitão Robert Falcon Scott, saía de Cardiff, no País de Gales, para descobrir que o explorador norueguês Roald Amundsen já tinha chegado antes à Antártida.

A façanha resultou na morte do próprio capitão Scott e de quatro de seus homens na viagem de volta.

Julian Dowdeswell, diretor do Instituto Scott de Pesquisa Polar, da Universidade de Cambridge, disse à Agência Efe que além das diferenças de planejamento entre as duas viagens, o que verdadeiramente distinguiu a expedição de Scott da do norueguês foi que, além do objetivo de alcançar o polo sul, o britânico estava preocupado com as implicações científicas da aventura.

Para Dowdeswell, a viagem de Scott no navio “Terra Nova” foi um “verdadeiro modelo” de expedição científica, que abriu o caminho para futuras pesquisas sobre a Antártida.

Esta foi a segunda vez que Scott se propôs a chegar ao polo sul, depois que, entre 1901 e 1904, liderou a expedição “Discovery”, na primeira tentativa do homem de conquistar a Antártida.

Na última viagem, em 1910, o célebre capitão da Armada Britânica partiu do porto de Cardiff com destino ao extremo sul do mundo, que levaria a sua morte e o transformaria em um herói nacional.

O capitão Scott queria chegar ao polo sul “para a glória do Império Britânico”, um ambicioso plano que encorajou Amundsen a organizar sua própria expedição com o objetivo de dar a seu país, que havia alcançado sua independência da Suécia recentemente, mais um motivo de orgulho.

Scott não soube do propósito de Amundsen até que, em outubro de 1910, quando o “Terra Nova” já tinha chegado a Melbourne, recebeu um telegrama informando que a aventura científica na qual tinha embarcado se transformaria em uma corrida pela conquista da Antártida.

Equipado com trenós motorizados, cavalos e cachorros, sua expedição, formada por 12 homens, teve início no dia 24 de outubro de 1911.

Dois meses depois, obedecendo as ordens de Scott, sete membros da expedição não seguiram até o final e voltaram com os cachorros para o acampamento que tinham instalado na metade de caminho.

Scott tomou a decisão de continuar a viagem acompanhado apenas por quatro de seus homens, que o seguiram na rota pelo lado oeste da barreira de gelo de Ross, caracterizada por ter um clima pior que o da rota leste, escolhida por Amundsen.

Além disso, Scott enfrentou condições meteorológicas registradas apenas uma vez a cada 100 anos, com nevascas que duraram vários dias e temperaturas 20ºC mais baixas que o habitual, que fizeram com que os motores dos trenós parassem de funcionar e que levaram à morte de vários dos cavalos.

Scott e seus homens recolheram durante toda a viagem cerca de 20 quilos de amostras e fósseis que proporcionaram importantes informações sobre a Antártida e, até alguns dias antes de sua morte, analisaram as diferentes temperaturas “de uma região com um clima muito curioso, na qual a mudança entre inverno e verão se produz quase sem transição”, comentou Dowdeswell.

O capitão “pode ter cometido erros no planejamento. Talvez teria sido melhor levar cachorros em vez de cavalos siberianos para puxar os trenós, mas Scott sempre baseou suas decisões em experiências de expedições anteriores”, disse Dowdeswell.

Ele afirmou ainda que, ao contrário, a decisão de Amundsen de tomar a rota leste foi um tanto “arriscada”, porque não havia evidências de que ela levasse até o polo sul.

Em 17 de janeiro de 1912, 33 dias depois da expedição de Amundsen, o “Terra Nova” chegou a seu destino e deu de cara com a bandeira norueguesa.

“Esta é a pior coisa que poderia acontecer”, escreveu Scott em seu diário, sem conseguir esconder sua decepção. “Este é um lugar horroroso e muito mais para nós, que nos esforçamos tanto para sermos os primeiros a conquistá-lo”.

Enfraquecidos e desmoralizados, o oficial Edward Evans morreu por causa de uma gangrena em uma mão ferida.

Depois de permanecer por vários dias em uma tenda de campanha esperando que a tempestade passasse, o capitão Lawrence Oates fez a escolha de morrer congelado na nevasca, para deixar de ser um estorvo para seus companheiros de expedição, que também acabaram sendo encontrados mortos, a poucos quilômetros de um acampamento, meses depois que Scott escreveu a última página de seu diário.

“Se tivéssemos sobrevivido, eu teria contado uma história sobre dureza, resistência e coragem dos meus companheiros, que teria comovido qualquer inglês. Estas simples notas e nossos corpos mortos contarão a aventura”, escreveu em um diário, que foi concluído com a mensagem “Deus, cuide de nossos familiares”.

RSS Discovery-foto-PN

FONTE: EFE

NOTA DO BLOG: a segunda foto é do RSS Discovery, navio empregado pelo capitão Scott durante a expedição ao Continente Antártico em 1901-1904. Tanto o Terra Nova como o Discovery foram construídos em Dundee (Escócia) e são representantes dos últimos exemplares de navios de madeira de grande porte com três mastros construídos na Grã Bretanha. O Terra Nova afundou em 1943 e o Discovery encontra-se preservado em Dundee.

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Exposição da Marinha sobre a Amazônia Azul e a Antártida chega a São José dos Campos

vinheta-clipping-navalA riqueza marítima da costa brasileira conhecida como Amazônia Azul e o frio da Antártida estão em exposição em São José dos Campos. Histórias e elementos que nos aproximam desse universo são pesquisado pela Marinha.

Primeiro os visitantes são recebidos pelo comandante da Marinha, ouvem as explicações sobre a Amazônia Azul, área marítima que abrange a plataforma continental brasileira. Depois, embarcam no continente gelado recriado no local, com direito a maquetes, bonecos e até pinguins. “Dá pra ver de perto coisas que a gente só poderia ter contato se fosse até a Antártida”, disse a visitante Thaisa Bravo.

Mas eles também querem ver tudo de perto e sentir, mesmo que por pouco tempo, a sensação de fazer parte de uma realidade bem distante da nossa. “Eu só vi esse equipamento em filme, mas ele é bem igual o jet ski usado em mar, que eu já andei algumas vezes, mas deve ser bem diferente ndar no gelo”, falou Victor Magno.

Essa exposição, chamada “Mentalidade Marítima” é itinerante e viaja vários estados brasileiros. É a primeira vez que chega ao Vale do Paraíba. Mas mais do que divertir e informar os visitantes, a Marinha quer aproximá-los das ações desenvolvidas pelo Brasil nessa área. “A gente quer essa interação, a gente quer fazer conhecido esse trabalho. E queremos que eles façam pesquisas, continuem estudando, que isso vai ajudar o Brasil a conhecer e defender o que é nosso”, falou o comandante da Marinha, Aldecir Simonaci.

A exposição pode ser vista até sexta-feira (28), das 8h às 21h, na Univap do Jardim Aquarius. As visitas podem ser agendadas pelo telefone 3923-9090.

FONTE:VNEWS

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AvPq Aspirante Moura

Incorporado à Marinha do Brasil em 25 de janeiro de 2010, o Aviso de Pesquisa (AvPq) “Aspirante Moura” (U-14), deverá atracar no Rio de Janeiro no dia 1º de junho deste ano.

O navio, adquirido em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, e que ficará futuramente subordinado ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira – IEAPM, funcionará como “Laboratório Nacional Embarcado II”, contribuindo com as pesquisas de interesse da Marinha e da comunidade científica nacional.

O AvPq “Aspirante Moura” suspendeu de Sandefjord (Noruega) no dia 6 de abril e, até a presente data, visitou os portos de Rotterdam (Holanda), Brest (França) e Lisboa (Portugal), passando, neste último, a navegar em companhia do Rebocador de Alto-Mar (RbAM) Triunfo.

Até junho, sua derrota inclui atracações em Las Palmas (Ilhas Canárias), Praia (Cabo Verde) e, já no Brasil, em Natal (RN), Salvador (BA), Arraial do Cabo (RJ) e Rio de Janeiro (RJ).

Comandado pelo Capitão-Tenente Cláudio Luis Estrella Pereira, possui mais 19 militares, entre Oficiais e Praças, que compõem o Grupo de Recebimento do navio.

Durante o período de recebimento, foram realizadas algumas obras de adequação do navio às necessidades da Marinha do Brasil, entre as quais destacam-se: instalação de um console GMDSS (Global Maritime Distress Safety System) e de um novo radar; integração dos equipamentos de pesquisa científica e aquisição de dois contêineres de 10 pés, já adaptados para serem utilizados como laboratórios seco e úmido. Após a chegada no Rio de Janeiro, será realizada uma Mostra de Armamento do navio e sua transferência ao IEAPM.

O AvPq “Aspirante Moura” incorpora, em sua estrutura, uma inovação na Marinha do Brasil, pois será o primeiro dos nossos navios a navegar sem o uso de leme, substituído por dois hélices azimutais, integrados a um sistema de piloto automático e cartas náuticas eletrônicas.

FONTE e FOTO: MB

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Alte Maximiano e Ary Rongel

No dia 17 de abril de 2010, às 9:30h, o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel e o Navio Polar (NPo) Almirante Maximiano regressam ao Rio de Janeiro após concluírem a vigésima oitava Operação Antártica (OPERANTAR XXVIII), iniciada em 19 de outubro de 2009. Ao longo da comissão, os Navios visitaram os portos de Rio Grande – RS, Mar Del Plata e Ushuaia (Argentina), Punta Arenas e Talcahuano (Chile) e Montevidéu (Uruguai).

Ao longo dessa missão, os dois navios realizaram o apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), implantaram acampamentos científicos no continente antártico, apoiaram a pesquisa a bordo e estreitaram os laços de amizade ao visitarem portos e bases antárticas de países amigos.

A OPERANTAR XXVIII teve um significado especial, já que, novamente, o país pôde contar com dois navios operando no continente austral. Em fevereiro de 2008, em visita ao continente antártico, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva autorizou a obtenção de um navio para, juntamente com o NApOc Ary Rongel, apoiar as pesquisas brasileiras naquela região. Assim, em 03 de setembro do mesmo ano, efetivou-se a aquisição do NPo Almirante Maximiano. Esse fato trouxe uma nova dimensão tanto ao apoio logístico à EACF, quanto ao desenvolvimento das pesquisas científicas conduzidas no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR).

Nessa OPERANTAR foram desenvolvidos projetos topográficos, pesquisas sobre os impactos das mudanças globais considerando a vegetação e as aves da região, estudos sobre as mudanças antrópicas no meio ambiente marinho antártico, projetos sobre gestão ambiental, educação e difusão da ciência, modelagem e dinâmica de massas de água nas regiões polares, estudos do solo marinho para identificar eventos paleoclimáticos, coleta e análise de dados oceanográficos e estudos sobre a microbiota da região, além de estudos sobre o processo de recuo das geleiras.
O NApOc Ary Rongel foi construído no estaleiro Hoylandsdygo-George Ei Des Sonner A/S, na Noruega, tendo sido incorporado à Marinha do Brasil em 1994. Está preparado para navegação em regiões polares, possuindo capacidade para operar em campos de gelo fragmentado.

Possui dois porões com capacidade de 1.254 m3 para o transporte de carga e com dois laboratórios para apoio a pesquisa. É dotado de equipamentos de navegação e de apoio, tais como guinchos oceanográfico e geológico, arco de popa, ecobatímetros para pequenas e grandes profundidades, GPS e uma estação de acompanhamento de informações meteorológicas. Pode transportar também dois helicópteros Esquilo, que são empregados tanto no transporte de carga quanto no de passageiros.

O navio está na sua 16ª comissão austral e sob o Comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra Paulo Rui de Menezes Capetti.

As principais características do navio são:

  • Comprimento: 75,2m
  • Boca: 13m
  • Calado: 6,2m
  • Velocidade máxima: 15 nós
  • Deslocamento: 3.628 toneladas
  • Tripulação: 105 ( 78militares e 27 pesquisadores)

Russos e americanos pesquisando na costa brasileira

Equipes de pesquisadores estrangeiros coletarão dados na Bacia Amazônica e na costa litorânea do RJ

Logachev

vinheta-clipping-navalO Comando da Marinha autorizou dois navios, de nacionalidades russa e norte-americana, a realizar pesquisas científicas em águas brasileiras. As portarias foram publicadas no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 11.

A pesquisa conduzida pelo navio Knorr, de bandeira norte-americana, vai coletar dados para a reconstituição de um registro fóssil da Bacia Amazônica. A autorização é válida para o período de 21 de fevereiro a 12 de março deste ano.

O navio R/V Professor Logachev, de bandeira russa, vai coletar amostras de montanhas submarinas nas regiões da Cadeia Vitória-Trindade e Cadeia Norte Brasileira. A pesquisa, a ser feita por meio de dragagens, subsidiará a elaboração de uma proposta de limite exterior da plataforma continental brasileira a ser encaminhada Comissão de Limites da Plataforma Continental, na Organização das Nações Unidas. A autorização para a pesquisa vale para o período de 22 de fevereiro a 22 de maio próximo.

Os navios devem aderir ao Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (Sistram), conforme as Normas da Autoridade Marítima para Tráfego e Permanência de Embarcações em Águas Jurisdicionais Brasileiras, e qualquer alteração da rota deve ser comunicada Marinha brasileira.

Cada navio terá a bordo um representante da Marinha do Brasil, com autoridade para impedir a coleta de dados fora do propósito e do período especificados.

FONTE/FOTO: Agência Brasil/pmge.ru

 

27 anos de Brasil na Antártida

No dia 5 de janeiro de 1983 o navio oceanográfico Barão de Teffé chegou à Antártica na primeira viagem oficial o governo do Brasil. O navio atingiu a Ilha King George, onde fundeou ao lago da Estação Polar polonesa Arctowski.O Barão de Teffé estava acompanhado do navio oceanográfico Prof. Wladimir Besnard, da USP.

Os navios zarparam do Porto de Rio Grande, estado do Rio Grande do Sul, em 26 de dezembro de 1982, com grande festividade e cobertura da imprensa. A bordo do Barão de Teffé estavam 88 pessoas, entre militares, cientistas, jornalistas e convidados. No W. Besnard, 12 pesquisadores e uma tripulação composto por 24 homens e 1 mulher.

No dia 7 de janeiro, o helicóptero Wasp N-7041, transportou o Comandante do Barão de Teffé até a Base Chilena “Tenente Marsh”, tornou-se o primeiro helicóptero da ForAerNav a pousar no continente antártico.

FONTE/FOTO: NGB

 

Comissão Trans-Atlântico I

Operação Trans-Atlântico I

Entre os dias 19 de Outubro e 22 de dezembro, está sendo realizada pelos Navio-Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul (H 38) e o Navio Oceanográfico Antares (H 40), a Comissão Oceanográfica Trans-Atlântico I, a qual contempla a realização de perfis transoceânicos de coleta de dados oceanográficos visando a identificação e o monitoramento das principais feições oceânicas e a obtenção de dados de valor estratégico atinentes à circulação e às massas d’água da bacia do Atlântico Sul, com aplicação direta em estudos climáticos e das características da propagação acústica.

Cabe destacar que comissões dessa natureza propiciam conhecimento privilegiado do ambiente marinho oceânico, que incluiria o País no seleto grupo de países que realizam pesquisas oceanográficas de caráter global.

NHi Cruzeiro do Sul em Cape Town

Em função do caráter inédito para a oceanografia brasileira, essa comissão configura-se em excelente forma de emprego do navio em prol da comunidade científica nacional, o que vai ao encontro das demandas por pesquisas que estão sendo atendidas a partir do convênio estabelecido entre a Marinha do Brasil (MB) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o qual propiciou a aquisição do NHo Cruzeiro do Sul.

Adicionalmente, seguindo as recomendações da XXV Assembléia da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI), realizada no período de 16 a 25 de junho, a comissão também configura-se como contribuição do País aos eventos comemorativos que marcarão o cinquentenário da COI.

localizacao em 01.12.09

FONTE e FOTOS: DHN

 

Expandindo as fronteiras marítimas

Brasil tenta incorporar cerca de 1 milhão de km² ao seu território marítimo, ampliando assim a área conhecida como Amazônia Azul

Silvia Pacheco

vinheta-clipping-navalApesar de o país possuir uma imensa fronteira marítima e a maioria de sua população viver a menos de 200km do litoral, o potencial estratégico, econômico e ecológico oferecido pelo oceano ainda é pouco conhecido pelos brasileiros. Porém, o fundo do mar esconde uma riqueza imensa, alvo de atenção do governo e da Marinha do Brasil. É por isso que a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) trabalha para aumentar os limites do mar territorial brasileiro, ampliando assim uma região conhecida como Amazônia Azul.

O desafio é garantir soberania para fins de exploração, conservação e gestão dos recursos naturais em uma área maior do que a que cabe ao país atualmente. Na prática, isso significa estender a chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), ampliando-a de 3,5 milhões de quilômetros quadrados para aproximadamente 4,5 milhões. “O objetivo é fazer com que os pesquisadores comecem a dar mais atenção ao nosso potencial marítimo, pois estamos falando de uma fonte infinita de recursos vivos, de minérios e de petróleo”, explica o comandante Geraldo Juaçaba, integrante da CIRM.

Para isso, o país precisa do reconhecimento da Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) das Nações Unidas, formada por 148 países, incluindo o próprio Brasil. A luta já dura alguns anos. Em 1989, a marinha, a comunidade científica brasileira e a Petrobras fizeram o Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (Leplac) pleiteando 963 mil quilômetros quadrados além da ZEE. A proposta foi apresentada à CLPC em 2004, que só reconheceu 771 mil quilômetros quadrados, deixando de fora 192 mil. Para garantir também essa parcela do oceano, o Brasil faz agora um novo levantamento. “Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), qualquer país pode pedir o direito de soberania absoluta até o limite de sua plataforma continental natural, o que é o nosso caso. Não vamos desistir disso”, afirma Juaçaba.

Para tanto, o deputado federal Rodrigo Rollemberg criou uma emenda no Congresso Nacional para a liberação de um crédito de R$ 167.400.000 para que a Marinha pudesse concluir os estudos da plataforma continental brasileira. “A intenção é reapresentar os estudos para a comissão da ONU e garantir o direito do Brasil sobre esses 960 mil quilômetros quadrados”, diz o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor da emenda. “A Amazônia Azul é um dos projetos mais estratégicos para o país. Se estamos descobrindo riquezas como o pré-sal, há 150 milhas, imagine o que não podemos achar nas 350 milhas pleiteadas”, salienta.

Segundo Danilo Koetz Calazans, oceanógrafo da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), a Amazônia Azul, comparada à Amazônia Verde, tem mais riquezas. “A floresta, sem dúvida, tem maior biodiversidade. Porém, a Amazônia Azul tem muito mais potencial do ponto de vista animal, farmacológico, energético, mineral e socioeconômico”, justifica.

Para definir o valor de um bioma é preciso analisar os recursos naturais que ele oferece. Os recursos marinhos são classificados em quatro categorias: minerais, de biodiversidade, energéticos e não extrativos. Começando pela exploração de minérios de valor industrial, a Amazônia Azul dispõe de cascalhos, areias e argilas, calcário, além de metais nobres, como ouro, platina, magnetita, cassiterita, óxidos de titânio entre outros. Entre os recusos energéticos, o petróleo e o gás natural são os principais, sendo a descoberta de óleo e gás na camada de pré-sal um dos exemplos mais recentes.

Já a biodiversidade da região ainda é pouco conhecida. De acordo com o especialista em ecologia bêntica e gerenciamento costeiro Alexander Turra, do Instituto de Oceonografia da Universidade de São Paulo (USP), há um imenso potencial biotecnológico submerso. “Várias áreas na costa não foram estudadas ainda. Acreditamos que ali exista uma grande chance de acharmos novas espécies que possam servir como potencial biotecnológico, principalmente na questão de fármacos”, avisa.
Preservação

Do ponto de vista ambiental, o papel do mar na fixação de carbono atmosférico e no controle do clima global é tão difícil de medir quanto o do bioma amazônico. “Entretanto, a Amazônia e todas as florestas tropicais do planeta sempre foram os principais alvos do movimento conservacionista internacional, com o mar geralmente em segundo plano, recebendo alguma atenção da mídia nas raras ocasiões em que ativistas abordam heroicamente navios pesqueiros asiáticos, verdadeiros piratas da biodiversidade marinha”, afirma o oceanógrafo Frederico Brandini em um de seus artigos.

Calazans também chama a atenção para o fato de haver poucos projetos na área marinha. “É um campo inesgotável para estudos tanto na área biológica, quanto geológica, física, química e oceonográfica. Poucos sabem, mas estamos preparando pessoal especializado para atuar na Amazônia Azul e assim aumentar a área de atuação e exploração oceânica”, informa.

FONTE: Correio Braziliense

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Navios retornarão à Antártida

Eduardo Geraque

Os dois navios brasileiros que auxiliam pesquisadores em atividade na Antártida devem voltar ao continente gelado até o fim da semana, afirma a Marinha do Brasil.

Os cientistas passaram alguns dias trabalhando sem apoio das embarcações depois de o novo navio brasileiro, o Almirante Maximiano, ter retornado a Ushuaia, na Argentina, na semana passada. A embarcação precisava se reabastecer e consertar seu sistema de bordo para dessalinização de água.

O outro navio brasileiro, o veterano Ary Rongel, também tinha sofrido problemas e teve de deixar por alguns dias a ilha Rei George, onde fica a Estação Antártica Comandante Ferraz. O navio ficou uma semana parado em Punta Arenas, no Chile, para solucionar um problema mecânico. Segundo a Marinha do Brasil, a embarcação deve retomar viagem em breve.

Esta é a primeira vez em mais de uma década que o Brasil manda dois navios à Antártida, e suas missões foram divididas. O Almirante Maximiano se encarrega de abastecer a estação brasileira na ilha Rei George, na península Antártica, e transportar material de trabalho dos pesquisadores. O Ary Rongel, por sua vez, dá apoio aos voos da FAB (Força Aérea Brasileira), que descem na base antártica do Chile.
O Brasil não tem aeroporto na Antártida. Por isso, os navios precisam ser usados para fazer uma ligação por mar, que dura aproximadamente três horas.

FONTE: Folha de São Paulo, via Notimp

NOTA DO BLOG: Não não existe nenhum aeroporto no continente antártico. Somente bases e campos de pouso.

 

Panes nos navios prejudicaram pesquisas

H 41 foto MB

Os dois navios da Marinha enviados ao Continente Antártico este ano apresentaram problemas

Eduardo Geraque

O Almirante Maximiano, novo navio do Programa Antártico Brasileiro, teve de retornar mais cedo de sua primeira viagem ao continente gelado. Com problemas no sistema de bordo que transforma água salgada em doce, o “Tio Max”, conforme foi apelidado, teve de regressar a Ushuaia, na Argentina, onde também vai se reabastecer. Como o outro navio do programa, o Ary Rongel, também teve de voltar, pesquisadores estão trabalhando agora sem o apoio das embarcações.

H 44 foto MBEsta foi a primeira temporada do programa antártico em que a Marinha levou dois navios ao continente gelado. A compra do novo navio foi autorizada em 2008, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira na ilha Rei George, litoral da península Antártica. Após ser selecionado entre outros candidatos, o Maximiano, construído em 1974, foi adquirido por R$ 80 milhões.

Antes de ser reformado para servir ao Brasil, o navio de 93,4 metros, com capacidade para acomodar 106 pessoas, foi embarcação de apoio a plataformas de petróleo dos EUA em alto-mar. Depois operou como fábrica ambulante da indústria pesqueira da Noruega. Os porões da configuração atual -o custo do navio já inclui todas as obras de remodelação feitas pela Marinha do Brasil na Alemanha durante seis meses- eram onde funcionárias russas preparavam todo o pescado, que saía praticamente embalado para a terra.

Enterprise

Mesmo com o problema que abreviou sua viagem de estreia, o navio parece estar agradando aos integrantes do programa antártico. Pesquisadores acostumados com o veterano NApOc (Navio de Apoio Oceanográfico) Ary Rongel, que embarcaram no Max pela primeira vez na semana passada -já com paisagens antárticas na janela- gostaram do que viram. A chamada praça d”armas, onde ficam o refeitório e a sala de estar, é ampla. Para o lazer, há uma TV de plasma e vários filmes e discos à disposição.

Nas quatro refeições, café, almoço, jantar (18h) e ceia (21h), nada de sentar-se à mesa em frente ao relógio. O lugar, como manda a tradição naval, está reservado ao comandante.

Do ponto de vista técnico, a grande novidade é o passadiço do navio. A sala de controle, entre os oficiais da Marinha, já ganhou um apelido, “Enterprise”, mesmo nome da nave do seriado “Jornada nas Estrelas”. Além de controles modernos -que permitem ao navio ficar parado no mar sem necessidade de jogar a âncora-, a visão do alto é de 360 graus.

Nos fundos, sobre o convés, outra novidade: um hangar climatizado para dois helicópteros. A instalação tirou um pouco espaço dos laboratórios, o que foi objeto de reclamações de cientistas -já que, afinal, trata-se de um navio de pesquisa. Mas, segundo a Marinha, a possibilidade de abrigar duas aeronaves ajudará nas operações antárticas, transportando pessoas e equipamentos e chegando a locais de difícil acesso.

Ciência adiada

Quem visita o Max agora começa a perceber seus problemas após passar pelo internet café e pela suntuosa academia de ginástica que ele abriga. Nenhum laboratório ficou pronto para uso. Segundo a Marinha, o problema já estava previsto, pois o tempo para zarpar para a primeira viagem era curto.

Marinheiros afirmam que, se o navio demorasse demais neste ano, não seria possível navegar pela turbulenta passagem de Drake, entre América do Sul e Antártida, num “mar de almirante” -ou seja, em águas tranquilas. Mesmo com o Max tendo uma estabilidade razoável, a viagem teria muito balanço e possivelmente algum susto.

Ainda assim, a navegação foi desconfortável perto das Malvinas. O navio quebrou antes disso, e ficou mais de uma semana parado em Montevidéu. Para os cientistas, na prática é só no ano que vem que o navio polar oceanográfico (termo usado pela Marinha para indicar que a embarcação fará efetivamente pesquisa na região polar, podendo inclusive navegar por campos de gelo fino) será definitivamente testado.

Estarão então a bordo do Max guinchos, estação meteorológica e todo um conjunto de equipamentos essenciais para a pesquisa de ponta. Uma estrutura de 12 toneladas será acoplada ao casco do navio e ficará submersa. Nela serão instalados, entre outros equipamentos, um ecobatímetro (aparelho que mede a profundidade do mar), um perfilador de correntes (que registra o fluxo de água em várias profundidades) e outros sensores.

FONTE: Folha de São Paulo     FOTOS: MB

NOTA DO BLOG 1: o título original da Folha era “Novo navio polar quebra em 1ª viagem”

NOTA DO BLOG 2: o Ary Rongel passou alguns dias emPunta Arenas para reparos.

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Base brasileira na Antártida pode ser ampliada

Ary Rongel passa por reparos em Punta Arenas

Em um futuro não muito distante, o Brasil poderá ter uma ‘casa’ maior na Antártida, falou ontem o capitão-de-fragata, André Schumann Rosso. Há quatro anos como responsável pelo setor de logística no Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – um projeto interministerial -, ele exemplificou que, nesse tempo, houve uma grande mudança nos trabalhos locais, devido a um plano de expansão iniciado em 2005 e que atualmente está 95% concluído.

Antes do projeto, o repasse anual para a manutenção da base Comandante Ferraz era de aproximadamente R$ 3 milhões e saltou para R$ 10 milhões. Hoje, a base ocupa 2.500 metros quadrados na Ilha Rey George e, segundo Schumann, há possibilidade sim de o País expandir essa área, como fizeram Argentina e Chile. Este último possui uma vila no continente com igreja e acomodações para as famílias dos oficiais.

Se a meteorologia ajudar, na manhã desta quarta-feira embarcaremos num voo com o avião da Força Aérea Brasileira (FAB), com destino à base brasileira mas antes, com uma parada na base chilena, chamada de Base Frei, onde será possível conhecer melhor os investimentos do governo chileno com as pesquisas no continente,

Para Schumann, o alerta mundial sobre o aquecimento global e mudanças climatológicas foi sim, um dos fatores que impulsionou o governo brasleiro a olhar com mais ‘atenção’ para a participação do País no Tratado Antártico. ‘A Antártida sempre esteve presente mas hoje há a massa crítica de interesse científico e a resposta foi prover a expansão’, disse o oficial.

Para o oficial, a localização não interfere na execução de pesquisas, pois os países trabalham em forma de ‘camaradagem’ e muitas pesquisas são realizadas em parceria entre os países acordados. ‘A dificuldade de logística acaba unindo os diversos países’, falou ele, explicando que, como acabam ficando longe e a próxima casa de parafuso está a muitas águas do local, é comum que as bases dos mais distintos países se relacionem e cooperem entre si.

Não partiremos de navio, como previsto inicialmente: nem com o Navio de Apoio a Pesquisas Oceonográficas (Napoc) Ary Rongel e nem com a mais recente aquisição do Proantar, o Navio Polar Comandante Maximiniano (carinhosamente chamado de Max). O ‘Ary’, no qual estamos embarcados desde o domingo ficará por mais uns dias em Punta Arenas, para reparos e, quando chegarmos à Antártida, embarcaremos no Max, que já se encontra na Baía do Almirantado.

Com quase 26 anos servindo o Proantar, o Ary, segundo o comandante, deverá servir a Marinha por mais alguns ‘longos anos’. Ele negou saber sobre intenções de ‘aposentar’ o Napoc e não quis ‘especular’ o tempo de vida útil do navio mas, em nota, a Marinha do Brasil já havia divulgado que o Ary serviria até 2016.

Enquanto o Ary continua no ativa, aproveitamos ontem os últimos momentos sob suas instalações e escadas íngrimes, a principal conhecida como ‘escadaria da Penha’, que ficam mais penosas quando estamos devidamente equipados com nossas andainas (roupas para enfrentar o frio antártico). Na manhã de ontem, enquanto aguardávamos uma posição da meteorologia para sabermos se iríamos ou não voar, pela primeira vez vestimos nossas andainas. Jardineira, jaqueta, botas e materiais de apoio como luvas, óculos, gorro e cachecol compõem o visual que, a partir de agora, será nossa defesa do frio em solos antárticos. Passar 2h ‘paramentada’ foi bom para saber que para vencer o frio, deveremos ainda vencer o peso da andaina e manter o equilíbrio sobre o gelo, o que requer além da prática, habilidade.

No próximo contato, poderemos tanto estar alocados no Max, alojados na base brasileira ou na chilena ou mesmo aqui, ainda no Ary, já que a única coisa certeira nesse lugar são os ventos, responsáveis pela fama de Punta Arenas ser conhecida como sendo uma das cidades onde mais venta no mundo.

FONTE: Jornal Cruzeiro do Sul

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